Levítico 20 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Levítico 20 na sua vida hoje

27 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Levítico 20?

Levítico 20 apresenta uma lista de delitos graves, sobretudo ligados à idolatria, à sexualidade e ao desrespeito à família, mostrando as penas civis que deveriam ser aplicadas em Israel. O capítulo retoma e aprofunda leis já dadas, destacando o sacrifício de crianças a Moloque, a consulta a espíritos e adivinhos, o adultério, diversos relacionamentos sexuais ilícitos e práticas perversas como a bestialidade. Em meio a juízos severos, o texto relembra que o objetivo é preservar a santidade do povo, separado das nações vizinhas, para pertencer exclusivamente ao Senhor.

Temas principais em Levítico 20

Santidade radical e separação das nações (versículos 7-8, 22-26)

Deus insiste que Israel deve ser diferente dos povos ao redor, não imitando seus costumes, especialmente nas áreas de culto e moralidade sexual. A santidade não é apenas um ideal religioso, mas um padrão concreto de vida que abrange corpo, relações, culto e justiça.

Versículos-chave: 7, 8, 24, 26

Condenação da idolatria e do culto a Moloque (versículos 2-5)

Oferecer descendência a Moloque é visto como profanação direta do nome de Deus e contaminação do santuário. O Senhor se posiciona pessoalmente contra quem pratica ou encobre tal pecado, incluindo a família e seguidores, mostrando o caráter destrutivo da idolatria.

Versículos-chave: 2, 3, 5

Rejeição de práticas ocultistas (versículos 6, 27)

Recorrer a adivinhos, encantadores, necromantes e espíritos de adivinhação é descrito como prostituição espiritual. Essas práticas são incompatíveis com a confiança exclusiva no Deus vivo e colocam a pessoa sob juízo e exclusão da comunidade.

Versículos-chave: 6, 27

Proteção da família e da fidelidade conjugal (versículos 9-12, 17-21)

O capítulo protege pai e mãe, o casamento e a integridade dos laços familiares. São condenados o adultério, maldição aos pais e diversos relacionamentos incestuosos, porque desestruturam a base relacional do povo de Deus e profanam a aliança.

Versículos-chave: 9, 10, 17, 21

Ordem criacional e sexualidade (versículos 11-16, 18-21)

A lista de pecados sexuais inclui relações entre parentes próximos, relações entre pessoas do mesmo sexo e com animais. Essas proibições estão ligadas à preservação da ordem criacional, da dignidade humana e da diferença entre o culto ao Senhor e as práticas pagãs.

Versículos-chave: 13, 15, 16, 18

Consequências do pecado e responsabilidade pessoal (versículos 3, 9-16, 17-21, 22-23)

Várias vezes se afirma que o sangue do culpado está sobre ele, sublinhando a responsabilidade pessoal diante de Deus. Há também a ideia de que a própria terra “vomitaria” o povo se eles imitassem as práticas das nações, mostrando que o pecado tem efeitos comunitários e cósmicos.

Versículos-chave: 3, 9, 16, 22

Contexto histórico e literario

Levítico 20 está inserido no chamado Código de Santidade (Levítico 17–26), que sistematiza leis para que Israel viva como um povo distinto, consagrado ao Senhor. O contexto é o período após o êxodo do Egito, enquanto Israel ainda está no deserto, recebendo instruções para quando entrar na terra de Canaã.

As práticas condenadas no capítulo eram comuns em culturas vizinhas: o culto a Moloque, possivelmente envolvendo sacrifício infantil pelo fogo, era associado a povos como os amonitas e alguns cananeus. Relações sexuais incestuosas, cultos com prostituição religiosa, práticas homossexuais e bestialidade são amplamente atestados em relatos antigos, muitas vezes ligados a rituais religiosos e à fertilidade.

As penas mencionadas (principalmente morte e exclusão do povo) refletem um contexto de teocracia, em que a lei religiosa e a lei civil estão unidas. Profanar o nome de Deus ou o santuário não era apenas um erro privado, mas ameaça à própria existência da comunidade da aliança. A linguagem de “a terra vos vomitar” mostra como Israel via a terra prometida como um lugar sob o governo direto do Senhor: nações que a contaminavam eram expulsas, e o mesmo poderia acontecer com Israel se imitasse tais práticas.

Estrutura de Levítico 20

O capítulo apresenta uma estrutura de código legal com forte ênfase repetitiva, típica de textos normativos hebraicos:

  1. Introdução da revelação divina (v.1):

    • Fórmula profética: “Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo…”, estabelecendo autoridade.
  2. Leis sobre Moloque e idolatria (v.2-5):

    • Proibição do sacrifício de filhos a Moloque.
    • Penas: apedrejamento pelo povo e oposição direta do Senhor.
    • Reprimenda ao encobrimento da prática pela comunidade.
  3. Proibição de práticas ocultistas (v.6-8):

    • Condenação a quem busca adivinhadores e encantadores.
    • Lembrete duplo: santificai-vos; o Senhor é quem santifica.
  4. Penas para pecados familiares e sexuais (v.9-21):

    • v.9: Maldição aos pais.
    • v.10: Adultério.
    • v.11-12: Relações com madrasta e nora.
    • v.13-16: Relações entre homens e com animais (bestialidade, tanto do homem quanto da mulher).
    • v.17-21: Incesto entre irmãos, com tias e com cunhada.
    • Refrão jurídico: “certamente morrerão”, “seu sangue será sobre eles”, “serão extirpados”.
  5. Advertência sobre a terra e os costumes das nações (v.22-24):

    • Chamado a guardar estatutos e juízos.
    • Imagem da terra que “vomita” quem a contamina.
    • Promessa da terra que mana leite e mel, dada em herança.
  6. Reafirmação da separação e distinção (v.25-26):

    • Separação entre animais limpos e imundos.
    • Chamado à santidade com fundamento no caráter santo de Deus.
    • Identidade: “vos separei dos povos, para serdes meus”.
  7. Conclusão com proibição a necromantes e adivinhos (v.27):

    • Retorno ao tema do ocultismo com pena de morte por apedrejamento.

O texto combina prescrições específicas (casos concretos) com afirmações teológicas gerais (quem Deus é, quem o povo deve ser), criando um fluxo entre lei e identidade.

Significado teológico

Levítico 20 reforça a doutrina bíblica da santidade de Deus e de seu povo. A santidade divina não é abstrata, mas se expressa em mandamentos concretos que regulam culto, sexualidade, família e justiça. O povo é chamado a espelhar o caráter de Deus em sua ética: “Sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus”.

O capítulo também revela a seriedade da idolatria. Entregar filhos a Moloque, consultar espíritos ou adivinhos é descrito como prostituição espiritual, uma quebra direta da aliança. A expressão “porei a minha face contra esse homem” enfatiza que o principal problema do pecado é tornar-se objeto da oposição de Deus, mais do que as consequências sociais em si.

Outro ponto teológico central é a responsabilidade pessoal. A repetição “o seu sangue será sobre ele(s)” demonstra que cada indivíduo presta contas diante de Deus por suas escolhas. Ao mesmo tempo, o texto mostra dimensões coletivas do pecado, pois certas práticas poderiam levar a terra a “vomitar” todo o povo. O pecado é apresentado como força contaminadora que afeta comunidade, culto e criação.

A distinção entre Israel e as nações não é mera superioridade étnica, mas vocação espiritual. Deus separa o povo “para serdes meus”, expressão de eleição graciosa e de pertença exclusiva. A obediência às leis é resposta a essa graça, não tentativa de comprá-la.

Do ponto de vista mais amplo da revelação bíblica, a severidade das penas ressalta a gravidade do pecado e prepara o terreno para a compreensão do sacrifício de Cristo. Se o salário do pecado é a morte, então a oferta de Jesus como substituto revela a profundidade da justiça e da misericórdia divinas. Em Cristo, a santidade exigida não é abolida, mas cumprida, e a separação de um povo santo se expressa agora de forma espiritual e ética no meio das nações.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Para leitores contemporâneos, Levítico 20 pode despertar reações intensas: choque com a linguagem de morte e apedrejamento, desconforto com temas de sexualidade, culpa ou medo diante de pecados passados, ou até revolta frente ao rigor das leis. Em termos de cuidado emocional, o capítulo confronta a tendência de minimizar o pecado e, ao mesmo tempo, pode ativar feridas em pessoas que sofreram abusos, repressões religiosas duras ou exclusões comunitárias.

Do ponto de vista terapêutico, o texto dialoga com questões de limites saudáveis, proteção da família, integridade do corpo e da alma, e a busca por fontes de orientação espiritual seguras. Ele traz a noção de que nem tudo que é culturalmente aceito é saudável ou abençoado, e que escolhas espirituais e sexuais têm impacto profundo na identidade, nos vínculos e no bem-estar.

O capítulo também pode ser lido como uma tentativa de quebrar ciclos destrutivos, colocando barreiras firmes contra práticas violentas, abusivas e degradantes. Ainda que as penas reflitam um contexto antigo, o princípio de que Deus se importa com vítimas, com crianças, com a dignidade do corpo e com a fidelidade nas relações pode ser visto como elemento de cura e proteção.

No cuidado com pessoas marcadas por culpa, vergonha ou exclusão, é importante ler este texto à luz do conjunto da Escritura, que aponta para arrependimento, perdão e restauração em Deus. O chamado à santidade, quando compreendido dentro da graça, pode se tornar um convite a uma vida mais íntegra, segura e plena, em vez de apenas uma fonte de medo.

warning Importante: maus usos comuns

Este capítulo contém conteúdo potencialmente desencadeador para diversas pessoas:

  1. Linguagem de punição severa e morte (apedrejamento, queimar com fogo) pode reacender memórias de violência, traumas religiosos ou experiências de disciplina abusiva.
  2. Listas de pecados sexuais, incluindo incesto e bestialidade, podem ativar lembranças dolorosas em sobreviventes de abuso sexual, especialmente dentro da família.
  3. Os versículos sobre relações entre pessoas do mesmo sexo, lidos de maneira isolada e desvinculados do conjunto da Bíblia e do contexto histórico, podem ser usados para justificar discursos de ódio, exclusão ou violência, o que é espiritualmente e emocionalmente nocivo.
  4. A expressão recorrente de que “certamente morrerão” pode ser mal interpretada por pessoas em sofrimento intenso, com tendência à autodepreciação extrema ou ideação suicida, como se não houvesse possibilidade de perdão ou mudança.
  5. A temática de maldição aos pais pode ser mal usada para silenciar denúncias legítimas de abuso, encorajando um respeito cego em vez de proteção às vítimas.

Diante desses riscos, é necessário cuidado pastoral e psicológico: leitura acompanhada, espaço para acolher sentimentos de medo, vergonha ou revolta, esclarecimento de contexto histórico e teológico, e afirmação clara de que, em Cristo, há graça, perdão e restauração. Pessoas em crise emocional aguda ou com histórico de trauma podem precisar de apoio profissional ao lidar com textos tão intensos.

Aplicação prática para hoje

Levítico 20 contribui com princípios práticos para a vida, ainda que suas penas específicas pertençam a um contexto antigo:

  1. Cuidado com o que ocupa o lugar central do coração. A idolatria a Moloque pode ser lida hoje como qualquer devoção que exige sacrifícios desumanos: trabalho, status, dinheiro ou vícios que “consomem” tempo, saúde e, simbolicamente, a vida dos filhos. O princípio é avaliar o que está recebendo a dedicação que pertence somente a Deus.

  2. Rejeição de fontes espirituais duvidosas. A busca por adivinhos, espíritos e práticas de ocultismo encontra paralelos contemporâneos em consultas que tentam controlar o futuro ou manipular forças espirituais. O capítulo incentiva a confiar no Senhor como única fonte segura de direção e proteção espiritual.

  3. Valorização da família e dos laços de respeito. A importância de honrar pai e mãe, proteger o casamento e evitar confusões nos vínculos familiares pode ser aplicada em investir em relacionamentos transparentes, em limites claros e em proteção dos mais vulneráveis, especialmente crianças e dependentes.

  4. Consciência do impacto das escolhas. A imagem da terra que “vomita” sugere que decisões individuais têm efeito coletivo. Em termos práticos, isso inspira responsabilidade social: decisões sobre sexualidade, honestidade, fé e justiça contribuem para um ambiente mais saudável ou mais tóxico ao redor.

  5. Cultivo de uma identidade distinta. Ser separado por Deus não implica isolamento social, mas coerência ética. No cotidiano, isso pode significar escolhas diferentes em área de entretenimento, relacionamentos, trabalho e finanças, guiadas por valores do Reino de Deus e não apenas pela cultura dominante.

  6. Integração entre fé e corpo. As leis sexuais ressaltam que o corpo participa da espiritualidade. Uma aplicação prática é tratar o próprio corpo e o corpo do outro com respeito, evitando tudo que objetifica, viola ou explora, buscando relações marcadas por fidelidade, consentimento responsável e dignidade.

Perguntas frequentes

Por que Levítico 20 apresenta penas tão severas, como apedrejamento e morte?

As penas de Levítico 20 refletem um contexto de teocracia em que Israel era governado diretamente pela lei de Deus, e certos pecados eram considerados ameaças à sobrevivência espiritual e social do povo. Idolatria com sacrifício infantil, bestialidade, incesto e outras práticas não eram vistos apenas como falhas morais individuais, mas como contaminação do povo e profanação do nome de Deus. A severidade das penas destaca a gravidade do pecado e a necessidade de proteger vítimas e a comunidade. Na leitura cristã, essas leis apontam para a seriedade do pecado e preparam a compreensão do sacrifício de Cristo, que assume sobre si a penalidade última em lugar do pecador.

O que significava dar filhos a Moloque em Levítico 20?

Dar filhos a Moloque provavelmente envolvia sacrifícios infantis por fogo a uma divindade associada à fertilidade e proteção. Arqueologia e textos antigos sugerem que alguns povos cananeus e vizinhos praticavam esse tipo de ritual. Em Levítico 20, tal prática é vista como totalmente incompatível com o culto ao Deus de Israel, pois destrói vidas inocentes, contamina o santuário e profana o nome do Senhor. Por isso, Deus se coloca pessoalmente contra quem faz isso e contra quem encobre tal crime.

Como entender hoje as proibições sobre práticas de adivinhação e necromancia?

As proibições de consultar adivinhos, encantadores, necromantes e espíritos de adivinhação reafirmam que a orientação espiritual deve vir de Deus, não de tentativas de manipular o invisível ou obter controle sobre o futuro. Hoje, práticas semelhantes podem aparecer em diferentes roupagens religiosas ou esotéricas. O princípio permanece: buscar segurança em poderes ou entidades fora do Deus vivo é visto como infidelidade espiritual. Em vez disso, a fé bíblica convida a confiar na Palavra de Deus, na oração e na condução do Espírito Santo.

Por que Levítico 20 condena tantos tipos de relacionamentos sexuais?

O capítulo busca proteger a ordem criacional, a dignidade das pessoas e a estabilidade da família. Relações incestuosas, adultério, práticas com animais e outras mencionadas frequentemente estavam ligadas a abusos de poder, destruição de lares, confusão de papéis familiares e até rituais religiosos pagãos. Ao traçar limites claros, a lei visa impedir exploração, violência e confusão nos vínculos. Embora os contextos culturais mudem, o princípio de que Deus se importa com a forma como o corpo é usado, com a fidelidade e com a proteção dos vulneráveis permanece relevante.

O que significa a expressão “vos separei dos povos, para serdes meus” em Levítico 20?

Essa expressão resume a identidade de Israel como povo da aliança. Deus escolhe, retira e separa Israel de outros povos para um relacionamento especial, em que Ele é o Deus deles e eles são o seu povo. A separação não é apenas geográfica ou cultural, mas ética e espiritual: envolve viver de modo diferente, refletindo o caráter santo de Deus nas práticas diárias. No desdobramento bíblico, essa ideia continua: Deus forma um povo santo no meio das nações, chamado a pertencer a Ele e a espelhar sua santidade em amor, justiça e pureza.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Levítico 20 pode soar duro e até assustador. A linguagem de morte, juízo e separação pode pesar muito no coração de quem carrega histórias difíceis, pecados passados ou memórias de disciplina religiosa severa. Ainda assim, por trás desse rigor existe um Deus profundamente comprometido em proteger vidas e corações. O texto mostra um Deus que não suporta ver crianças sacrificadas, famílias destruídas, corpos usados como objetos, pessoas se prendendo a forças espirituais que as escravizam. A paixão divina pela santidade é, em grande parte, paixão por proteger o que é frágil, vulnerável e precioso. Quando o capítulo fala de abominação e confusão, ele olha para realidades que ferem profundamente pessoas reais. Para quem sente culpa ou vergonha ao ler esses versículos, o restante da Escritura revela que Deus não deixa a história terminar no juízo. Ele mesmo providencia, em Jesus, um caminho de perdão e restauração. Nada anula a seriedade do pecado, mas nada é maior que a graça de Deus que acolhe quem se volta para Ele. A santidade que aqui parece apenas peso, em Cristo se torna também promessa de cura: uma vida em que a alma não precisa mais ser dominada por medo, por segredos ou por correntes espirituais. Este capítulo pode ser lido como o grito de um Pai que não aceita ver seus filhos se destruindo, nem sendo entregues a práticas que os desumanizam. Por trás das palavras fortes, há zelo, há amor e há o desejo de um povo que viva em segurança, em relações saudáveis e na luz. E, para corações machucados, essa mesma voz que confronta o mal é a voz que consola, levanta e recomeça histórias, sem abandonar ninguém que se achega a Ele.

Mind
Mind

Levítico 20 funciona como complemento penal de leis já apresentadas em Levítico 18. Se ali temos uma lista de proibições, aqui encontramos a determinação das sanções, sempre ancoradas em duas ideias: a santidade de Deus e a vocação de Israel como povo separado. Tecnicamente, o texto faz parte do Código de Santidade e revela a teologia de que a obediência à lei não é mera questão civil, mas expressão da aliança. O capítulo começa com o caso paradigmático de Moloque (v.2-5). O sacrifício infantil, além de moralmente repulsivo, é apresentado como profanação do santuário e do nome de Deus. Notável é que a responsabilidade é tanto individual como comunitária: se o povo se omite em punir, o próprio Senhor “põe a sua face” contra o indivíduo e seus seguidores. A comunidade é convocada a preservar a pureza do culto. Em seguida, vêm as proibições relacionadas ao ocultismo (v.6, 27). A linguagem de “prostituir-se” com adivinhadores e necromantes evidencia que o problema não é apenas cognitivo (buscar informação sobre o futuro), mas de lealdade espiritual. A pena de morte sublinha o quanto essas práticas competem com a relação de confiança exclusiva em Yahweh. O bloco maior (v.9-21) trata de uma variedade de delitos familiares e sexuais. Muitos deles podem ser compreendidos à luz do antigo Oriente Próximo, em que o abuso de poder dentro da família, o uso sexual de parentes e a bestialidade não eram incomuns, inclusive em contextos cultuais. Israel é chamado a uma ética distinta, que proteja a estrutura familiar, coíba abusos e reforce a fidelidade conjugal. A repetição de expressões como “confusão”, “torpeza” e “abominação” não descreve apenas repulsa moral, mas também desordem em relação ao designo criacional. A seção final (v.22-26) amarra teologicamente o capítulo. A “terra que vos vomita” ecoa a maldição aplicada às nações cananeias: elas são expulsas não por etnia, mas por práticas contrárias à santidade divina. Israel não está imune; se imitar as mesmas obras, sofrerá destino semelhante. A distinção entre animais limpos e imundos serve como metáfora pedagógica da distinção mais ampla que Deus quer imprimir na vida do povo. Do ponto de vista da teologia bíblica, é importante observar que esses códigos regulam uma sociedade específica num período específico da revelação. O Novo Testamento não replica o sistema penal da teocracia israelita, mas mantém princípios éticos e espirituais (santidade, fidelidade, rejeição da idolatria e do ocultismo), reinterpretando-os à luz da obra de Cristo e da formação da igreja espalhada entre as nações.

Life
Life

Lido no cotidiano, Levítico 20 fala sobre limites claros para proteger vidas, famílias e comunidades. Em vez de ser apenas uma lista distante de leis antigas, ele expõe o que acontece quando não há fronteiras saudáveis em três áreas: culto, sexualidade e família. No campo do culto, entregar filhos a Moloque e buscar adivinhos e necromantes mostram o risco de sacrificar o que é mais precioso em troca de sensação de controle, proteção ou sucesso. Traduzido para hoje, há situações em que pessoas sacrificam tempo com os filhos, princípios éticos ou a própria saúde em nome de trabalho, dinheiro ou status. O princípio prático aqui é reconhecer quando algo se tornou um “deus” que exige demais, e reposicionar Deus no centro das decisões. Na esfera da sexualidade e da família, o texto aponta para ambientes marcados por confusão de papéis, traição e abuso. Adultério, incesto e outras práticas citadas refletem o uso do corpo do outro como objeto e a quebra de confiança básica que sustenta lares saudáveis. Em termos práticos, isso incentiva a cultivar relacionamentos com respeito, consentimento responsável e fidelidade. Também chama atenção para o dever de proteger os vulneráveis em qualquer família ou comunidade, rompendo ciclos de silêncio e conivência com situações abusivas. O capítulo também ensina sobre responsabilidade coletiva. A comunidade não deveria fechar os olhos para o pecado destrutivo. Aplicado hoje, isso pode significar criar ambientes em igrejas, famílias e trabalhos onde não se acobertam injustiças, abusos ou práticas que prejudicam outros, mas se busca correção justa, apoio a vítimas e restauração para quem se arrepende. Por fim, a ideia de “ser separados” indica um estilo de vida diferente, não necessariamente visível em roupas ou ritos, mas em atitudes: escolhas éticas no trabalho, honestidade em contratos, cuidado com o corpo, respeito aos limites do outro e recusa em seguir padrões culturais que desumanizam. É um chamado a decisões diárias que, pouco a pouco, constroem uma vida mais íntegra, segura e alinhada com os valores de Deus.

Soul
Soul

Levítico 20 convida a olhar a vida sob a ótica da eternidade, onde santidade não é apenas moralismo, mas alinhamento profundo com o próprio ser de Deus. A insistência divina em separar Israel de práticas destrutivas revela uma verdade espiritual: o coração humano, deixado sem direção, tende a misturar culto, desejo e busca por poder de maneiras que escravizam e afastam do Autor da vida. Quando o texto fala em prostituição com Moloque, adivinhos e espíritos, descreve uma troca de alianças espirituais. Em vez de confiar no Deus vivo, pessoas se ligam a forças que prometem controle, segurança ou prazer rápido. Espiritualmente, isso se torna uma rota de perda de identidade: o povo chamado a ser “do Senhor” passa a pertencer a outros senhores. O chamado à santidade é, então, chamado à volta para casa, à pertença exclusiva: “vos separei dos povos, para serdes meus”. A seriedade das penas lança luz sobre a doutrina do pecado: diante de um Deus santo, o mal não é banal. A repetição “o seu sangue será sobre ele” antecipa a lógica espiritual que será plenamente revelada na cruz: o pecado traz morte. A diferença é que, em Cristo, o próprio Deus assume sobre si o peso que aqui recai sobre o pecador. A santidade exigida permanece, mas a via de acesso é a graça. Quem crê é chamado a viver uma vida separada, não para ganhar aceitação, mas porque já foi acolhido. No horizonte da eternidade, o capítulo aponta para um Reino em que não haverá mais sacrifício de inocentes, nem abuso de corpo, nem engano espiritual. A disciplina dura contra práticas destrutivas antecipa um futuro em que tudo que corrompe será definitivamente removido. A vocação do povo santo é antecipar esse futuro no presente: pessoas que, pelo Espírito, vivem de maneira diferente, sinalizando que pertencem a outro Reino. Assim, Levítico 20, lido através da lente da revelação plena em Cristo, ecoa um convite à consagração integral: corpo, afetos, decisões, espiritualidade. Não se trata apenas de evitar pecados específicos, mas de abraçar uma identidade de aliança: ser do Senhor, caminhar na luz e deixar que a santidade de Deus molde o ser inteiro, preparando para a comunhão eterna com Ele.

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Versículos em Levítico 20

Levítico 20:2

" Também dirás aos filhos de Israel: Qualquer que, dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam em Israel, der da sua descendência a Moloque, certamente morrerá; o povo da terra o apedrejará. "

Levítico 20:3

" E eu porei a minha face contra esse homem, e o extirparei do meio do seu povo, porquanto deu da sua descendência a Moloque, para contaminar o meu santuário e profanar o meu santo nome. "

Levítico 20:4

" E, se o povo da terra de alguma maneira esconder os seus olhos daquele homem, quando der, da sua descendência a Moloque, para não o matar, "

Levítico 20:5

" Então eu porei a minha face contra aquele homem, e contra a sua família, e o extirparei do meio do seu povo, bem como a todos que forem após ele, prostituindo-se com Moloque. "

Levítico 20:6

" Quando alguém se virar para os adivinhadores e encantadores, para se prostituir com eles, eu porei a minha face contra ele, e o extirparei do meio do seu povo. "

Levítico 20:9

" Quando um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá; amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue será sobre ele. "

Levítico 20:10

" Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera. "

Levítico 20:11

" E o homem que se deitar com a mulher de seu pai descobriu a nudez de seu pai; ambos certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles. "

Levítico 20:12

" Semelhantemente, quando um homem se deitar com a sua nora, ambos certamente morrerão; fizeram confusão; o seu sangue será sobre eles. "

Levítico 20:13

" Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles. "

Levítico 20:14

" E, quando um homem tomar uma mulher e a sua mãe, maldade é; a ele e a elas queimarão com fogo, para que não haja maldade no meio de vós. "

Levítico 20:16

" Também a mulher que se chegar a algum animal, para ajuntar-se com ele, aquela mulher matarás bem assim como o animal; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles. "

Levítico 20:17

" E, quando um homem tomar a sua irmã, filha de seu pai, ou filha de sua mãe, e vir a nudez dela, e ela a sua, torpeza é; portanto serão extirpados aos olhos dos filhos do seu povo; descobriu a nudez de sua irmã, levará sobre si a sua iniqüidade. "

Levítico 20:18

" E, quando um homem se deitar com uma mulher no tempo da sua enfermidade, e descobrir a sua nudez, descobrindo a sua fonte, e ela descobrir a fonte do seu sangue, ambos serão extirpados do meio do seu povo. "

Levítico 20:19

" Também a nudez da irmã de tua mãe, ou da irmã de teu pai não descobrirás; porquanto descobriu a sua parenta, sobre si levarão a sua iniqüidade. "

Levítico 20:20

" Quando também um homem se deitar com a sua tia descobriu a nudez de seu tio; seu pecado sobre si levarão; sem filhos morrerão. "

Levítico 20:22

" Guardai, pois, todos os meus estatutos, e todos os meus juízos, e cumpri-os, para que não vos vomite a terra, para a qual eu vos levo para habitar nela. "

Levítico 20:23

" E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. "

Levítico 20:24

" E a vós vos tenho dito: Em herança possuireis a sua terra, e eu a darei a vós, para a possuirdes, terra que mana leite e mel. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos separei dos povos. "

Levítico 20:25

" Fareis, pois, diferença entre os animais limpos e imundos, e entre as aves imundas e as limpas; e as vossas almas não fareis abomináveis por causa dos animais, ou das aves, ou de tudo o que se arrasta sobre a terra; as quais coisas apartei de vós, para tê-las por imundas. "

Levítico 20:27

" Quando, pois, algum homem ou mulher em si tiver um espírito de necromancia ou espírito de adivinhação, certamente morrerá; serão apedrejados; o seu sangue será sobre eles. "

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