Levítico 7 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Levítico 7 na sua vida hoje

38 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Levítico 7?

Levítico 7 conclui as instruções sobre os sacrifícios, detalhando a lei da oferta pela culpa, os sacrifícios pacíficos (especialmente os de ação de graças, votos e ofertas voluntárias), a parte dos sacerdotes nas ofertas e a proibição de comer gordura e sangue. O capítulo também resume todas as principais ofertas estabelecidas por Deus no Sinai, mostrando como elas regulavam a adoração, a pureza e a vida comunitária de Israel.

Temas principais em Levítico 7

Santidade e seriedade da culpa e do pecado (versículos 1-7)

A oferta pela culpa é chamada de "coisa santíssima" e segue regras específicas. A culpa não é tratada de modo leve; precisa de expiação definida por Deus, mostrando que a reconciliação é algo sagrado.

Versículos-chave: 1, 5, 7

Participação dos sacerdotes e sustento do ministério (versículos 6-10, 8, 31-36)

Deus estabelece porções específicas das ofertas para os sacerdotes, como o couro do holocausto, certas ofertas de cereais, o peito e a espádua direita. O sustento dos que ministram é integrado à adoração.

Versículos-chave: 8, 10, 34, 35

Sacrifícios pacíficos e gratidão organizada (versículos 11-18, 29-34)

Os sacrifícios pacíficos, sobretudo de ação de graças, votos e ofertas voluntárias, revelam um culto marcado por gratidão, compromisso e generosidade, com regras sobre o que comer e quando.

Versículos-chave: 11, 12, 15, 16, 30

Pureza, alimentação e separação do impuro (versículos 19-27)

Comer a carne do sacrifício em impureza, ou comer gordura e sangue, trazia a pena de ser extirpado do povo. Deus forma um povo que leva a sério a pureza e os limites que Ele estabelece.

Versículos-chave: 20, 21, 23, 26, 27

Estatuto perpétuo e aliança duradoura (versículos 34-38)

As porções sacerdotais e as leis dos sacrifícios são chamadas de estatuto perpétuo, ligadas ao dia da unção de Arão e seus filhos, mostrando a continuidade da aliança e do serviço diante de Deus.

Versículos-chave: 34, 36, 37, 38

Contexto histórico e literario

Levítico 7 está inserido no conjunto das leis sacrificiais dadas no início do livro, provavelmente durante o período em que Israel estava acampado ao pé do Sinai, após a saída do Egito. O capítulo aprofunda instruções já iniciadas nos capítulos 1–6 sobre holocaustos, ofertas de cereais, ofertas pelo pecado, pela culpa e sacrifícios pacíficos. No contexto do antigo Oriente Próximo, sacrifícios faziam parte da religião de muitos povos, mas em Israel eles são rigidamente definidos por Deus, conectados à santidade, à aliança e à presença divina no meio do povo. A menção ao "monte Sinai" e ao "deserto de Sinai" (v. 38) ancora essas instruções num momento específico da história de Israel: o tempo de organização do culto e da vida comunitária após a libertação do Egito, logo antes da jornada pelo deserto em direção à Terra Prometida. As porções dadas a Arão e seus filhos refletem o estabelecimento do sacerdócio aarônico como instituição permanente, sustentada pelas ofertas do povo. A proibição de comer sangue e gordura ecoa outras leis antigas, mas aqui assume um valor teológico: a vida (no sangue) pertence a Deus, e a melhor parte (a gordura das ofertas) também é dedicada a Ele.

Estrutura de Levítico 7

O capítulo possui uma estrutura ordenada e temática, que pode ser resumida assim:

  1. Lei da oferta pela culpa (1–7)

    • Declaração de santidade (1)
    • Local do sacrifício e aspersão do sangue (2)
    • Detalhes da gordura e órgãos ofertados (3–5)
    • Quem pode comer e onde comer (6)
    • Equiparação entre oferta pelo pecado e pela culpa (7)
  2. Direitos dos sacerdotes nas ofertas e sacrifícios (8–10)

    • Couro do holocausto para o sacerdote (8)
    • Ofertas de cereais preparadas no forno, frigideira e caçoula (9)
    • Repartição das ofertas de cereais entre os filhos de Arão (10)
  3. Lei do sacrifício pacífico (11–21)

    • Sacrifício pacífico de ação de graças e seus pães (11–13)
    • Oferta alçada ao Senhor e porção do sacerdote (14)
    • Prazo para comer a carne da oferta de ação de graças (15)
    • Regras para voto e oferta voluntária (16–17)
    • Proibição de comer no terceiro dia; invalidade do sacrifício (18)
    • Contaminação por contato com coisas imundas (19)
    • Consequências de comer em estado de imundícia (20–21)
  4. Proibição de comer gordura e sangue (22–27)

    • Proibição da gordura de boi, carneiro e cabra (23–24)
    • Consequência de comer gordura de animais usados em oferta (25)
    • Proibição universal de comer sangue (26)
    • Pena de ser extirpado por comer sangue (27)
  5. Reafirmação das porções dos sacerdotes nos sacrifícios pacíficos (28–34)

    • O ofertante traz com as próprias mãos a oferta (29–30)
    • Queima da gordura, mas o peito é para Arão e seus filhos (31)
    • Espádua direita como oferta alçada ao sacerdote (32–33)
    • O peito movido e a espádua alçada como estatuto perpétuo (34)
  6. Conclusão geral das leis dos sacrifícios (35–38)

    • Porção de Arão e seus filhos desde sua apresentação ao sacerdócio (35)
    • Estatuto perpétuo desde o dia da unção (36)
    • Resumo das leis de todos os tipos de ofertas (37)
    • Referência ao mandamento dado no Sinai (38)

O texto alterna prescrições técnicas com afirmações teológicas breves ("coisa santíssima", "estatuto perpétuo"), ancorando regras práticas em princípios espirituais.

Significado teológico

Levítico 7 aprofunda a compreensão bíblica da santidade de Deus, da seriedade do pecado e da forma como o Senhor ordena a aproximação do seu povo. Ao chamar a oferta pela culpa de "coisa santíssima" (v. 1), o texto afirma que a reparação de ofensas contra Deus e contra o próximo é assunto sagrado, não apenas questão ética ou social.

A distinção entre tipos de sacrifícios (culpa, pecado, pacífico, ação de graças, voto, oferta voluntária) mostra que a comunhão com Deus é multifacetada: há espaço tanto para o arrependimento quanto para a gratidão, tanto para a reparação quanto para a celebração. O culto não é apenas remediar falhas, mas também reconhecer a bondade de Deus.

A proibição de comer gordura e sangue (v. 23–27) tem forte peso teológico. Em Levítico, o sangue representa a vida e está ligado à expiação (especialmente em Lv 17). Ao reservar o sangue completamente para Deus, o texto reforça que a vida pertence a Ele. A gordura, sendo a melhor parte do animal, simboliza a honra devida ao Senhor; é queimada no altar como expressão de que o melhor é dedicado a Deus.

O capítulo também destaca o papel mediador do sacerdócio. As porções dadas a Arão e seus filhos (v. 31–36) não são meros detalhes administrativos, mas parte do sistema pelo qual Deus sustenta aqueles que servem diante dEle. O sacerdócio é instituído por ordem divina e perpetuado como estatuto, apontando para a necessidade contínua de intermediação entre um Deus santo e um povo pecador.

Teologicamente, Levítico 7 prepara o terreno para compreender o sacrifício de Cristo. A multiplicidade de ofertas, a importância do sangue, a necessidade de pureza e o papel do sacerdote encontram sua plenitude em Jesus, que é ao mesmo tempo sacerdote e oferta perfeita. As exigências rígidas sobre o que torna um sacrifício aceitável ou não (v. 18) ecoam no Novo Testamento, onde a aceitação diante de Deus é ligada ao sacrifício único e suficiente do Messias.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Lido em chave terapêutica, Levítico 7 mostra um Deus que organiza a culpa, a reparação e a gratidão dentro de um sistema claro. Isso dialoga com experiências humanas de culpa difusa, vergonha e desorganização emocional. Em vez de deixar o povo preso a sentimentos vagos de erro, o Senhor dá caminhos concretos para lidar com a culpa, restaurar relacionamentos e expressar gratidão.

A repetição de "estatuto perpétuo" e de expressões como "coisa santíssima" reforça a ideia de segurança: a relação com Deus não depende do humor do momento, mas de princípios estáveis. Esse senso de estrutura pode ser especialmente consolador para quem vive ansiedade ou medo de rejeição divina.

Também se percebe um cuidado com limites saudáveis: há o que pode ser comido, quando e por quem; há o que é proibido e as consequências de ultrapassar essas fronteiras. Esses limites claros ajudam a construir um senso de identidade e pertencimento, mostrando que o grupo se organiza em torno de valores compartilhados. A pureza ritual, mesmo distante da realidade contemporânea, simboliza a importância de não misturar aquilo que contamina com aquilo que é dedicado a Deus, imagem que pode ser aplicada à saúde emocional e espiritual.

O texto reconhece a seriedade das transgressões (ser "extirpado do seu povo"), mas também pressupõe possibilidade de reparação através de ofertas adequadas. Essa tensão entre responsabilidade e possibilidade de restauração é fundamental para um olhar terapêutico equilibrado, que nem minimiza a culpa nem nega a esperança de recomeço.

warning Importante: maus usos comuns

Algumas leituras podem desencadear desconfortos intensos em pessoas sensíveis a temas de culpa, punição ou rejeição. A expressão "aquela pessoa será extirpada do seu povo" (v. 20, 21, 25, 27) pode ser associada a experiências de exclusão familiar, religiosa ou social, despertando lembranças de rejeição e abandono. É importante lembrar que esse texto descreve a organização de uma nação teocrática antiga, não um modelo literal de como comunidades de fé devem tratar falhas hoje.

A linguagem sobre imundícia e contaminação (v. 19–21) pode ser mal interpretada por quem já vive com sentimentos profundos de sujeira, vergonha ou indignidade, especialmente em casos de abuso, traumas ou transtornos obsessivo-compulsivos ligados à pureza. Nesses casos, é necessário cuidado para não espiritualizar patologias ou reforçar a ideia de que a pessoa é irremediavelmente "impura".

A ênfase na pena de exclusão por comer gordura e sangue (v. 23–27) pode ser lida de forma legalista, alimentando medo de errar e ansiedade religiosa. Uma leitura saudável requer situar o texto na sua época, ver o quadro maior da graça revelada em toda a Escritura e compreender que, em Cristo, o acesso a Deus não depende de observar rituais alimentares, mas da fé nEle.

Aplicação prática para hoje

Levítico 7 inspira aplicações práticas em várias áreas da vida contemporânea:

  1. Tratar a culpa de forma responsável: A oferta pela culpa mostra que erros e injustiças precisam ser reconhecidos e reparados. Isso aponta para a importância de pedir perdão, buscar reconciliação e, quando possível, reparar danos materiais ou emocionais.

  2. Organizar a gratidão: Os sacrifícios pacíficos de ação de graças mostram que a gratidão pode ser expressa de forma concreta, planejada e compartilhada com outros. Em vez de gratidão apenas interior, a vida pode incluir gestos, celebrações e generosidade para com Deus e o próximo.

  3. Respeitar limites saudáveis: As proibições sobre comer gordura, sangue e sobre participar dos sacrifícios em estado de impureza lembram que nem tudo é adequado em qualquer circunstância. Isso estimula o discernimento sobre o que convém consumir, participar ou permitir na própria vida, reconhecendo consequências para escolhas imprudentes.

  4. Valorizar quem serve espiritualmente: As porções dadas aos sacerdotes indicam que o povo participa do sustento de quem se dedica ao serviço espiritual. Hoje, isso inspira cuidado, honra e apoio a pessoas e ministérios que se dedicam ao ensino, cuidado pastoral e serviço ao corpo de Cristo.

  5. Cultivar ordem na devoção: As instruções exatas sobre como e quando comer a carne do sacrifício mostram que a adoração não é desorganizada. Aplicado à vida atual, isso incentiva práticas espirituais com intencionalidade, regularidade e respeito ao que Deus revela em sua Palavra.

  6. Reconhecer que a vida pertence a Deus: A proibição de comer sangue destaca que a vida vem de Deus e a Ele pertence. Isso pode se traduzir em respeito à própria vida e à do próximo, nas decisões éticas, no cuidado com o corpo e na forma como se lida com sofrimento e morte.

Perguntas frequentes

O que é a oferta pela culpa mencionada em Levítico 7?

A oferta pela culpa era um tipo específico de sacrifício para tratar pecados ligados a prejuízos concretos, ofensas contra o santuário ou contra o próximo, que exigiam reparação. Em Levítico 7, ela é chamada de "coisa santíssima" e segue regras semelhantes à oferta pelo pecado (v. 1–7). Além do sacrifício em si, geralmente envolvia restituição do dano causado, enfatizando que a reconciliação implicava tanto perdão quanto correção prática do erro.

Qual a diferença entre sacrifício pacífico de ação de graças, voto e oferta voluntária?

Todos pertencem à categoria de sacrifícios pacíficos, mas com intenções diferentes. A ação de graças era uma resposta a benefícios recebidos de Deus, marcada por pães especiais e consumo da carne no mesmo dia (v. 12–15). O sacrifício de voto era ligado ao cumprimento de um compromisso assumido diante do Senhor, e a oferta voluntária era um ato espontâneo de dedicação, ambos com prazo de dois dias para consumo (v. 16–17). Assim, o mesmo tipo de sacrifício podia expressar gratidão, compromisso ou devoção espontânea.

Por que era proibido comer gordura e sangue?

A gordura das ofertas e o sangue tinham significado simbólico e teológico. A gordura representava a melhor parte do animal e era totalmente queimada ao Senhor, indicando que o melhor pertencia a Ele (v. 23–25, 31). O sangue, em toda a teologia de Levítico, representa a vida, usada por Deus para expiação no altar. Por isso, o povo não podia consumi-lo (v. 26–27). A proibição protegia o sentido de que a vida pertence a Deus e de que a reconciliação com Ele ocorre nos termos que Ele estabelece.

O que significa ser "extirpado do seu povo" em Levítico 7?

Ser "extirpado do seu povo" indica uma penalidade séria para certas transgressões, como comer da carne do sacrifício em estado de impureza ou consumir gordura e sangue (v. 20–21, 25, 27). A expressão pode envolver excomunhão, exclusão da comunidade e, em alguns casos, deixar a pessoa entregue ao juízo de Deus. O objetivo era preservar a santidade do povo e deixar claro que certas atitudes feriam profundamente a aliança com o Senhor.

Como Levítico 7 se relaciona com o sacrifício de Jesus?

Levítico 7 faz parte do sistema de sacrifícios que aponta para a necessidade de expiação, pureza e intermediação sacerdotal. No Novo Testamento, Jesus é apresentado como o Cordeiro de Deus e como o grande Sumo Sacerdote. Ele cumpre e supera essas leis ao oferecer um sacrifício único, perfeito e definitivo. O cuidado com o sangue, a seriedade da culpa e a importância do sacerdote em Levítico ajudam a entender a profundidade do que Cristo realizou na cruz em favor da humanidade.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Neste capítulo, percebe-se um Deus que não trata a culpa de forma vaga ou confusa. Ele oferece caminhos concretos para lidar com o que deu errado, para reparar o que foi ferido e para retomar a comunhão. A oferta pela culpa sendo chamada de "coisa santíssima" mostra que Deus não ignora as falhas, mas também não abandona quem erra; Ele cria um lugar sagrado para a reconciliação. Os sacrifícios pacíficos de ação de graças mostram que a relação com Deus não é feita apenas de lágrimas e arrependimento, mas também de celebração, mesa compartilhada e gratidão organizada. A presença de pães, bolos e refeições lembra que Deus quer ser reconhecido também nas alegrias, nas respostas recebidas e nos votos cumpridos. Ao mesmo tempo, as advertências sobre pureza e impureza podem soar duras, mas revelam a seriedade com que Deus cuida do coração e do corpo do seu povo. Não é qualquer jeito, qualquer motivação, qualquer estado interior. Há um zelo para que aquilo que é santo não seja banalizado. Em termos emocionais, isso se aproxima da necessidade de proteger o que é precioso: a fé, a esperança, os vínculos mais profundos. Há também consolo na ideia de que o serviço espiritual não é esquecido por Deus. As porções destinadas a Arão e seus filhos mostram um Senhor que vê e sustenta aqueles que se dedicam ao cuidado espiritual dos outros. Em meio a tanta estrutura, aparece a bondade silenciosa de um Deus que pensa em detalhes, inclui quem serve e cria espaço para que a culpa seja tratada, a gratidão seja expressa e o povo viva na segurança da aliança.

Mind
Mind

Levítico 7 conclui a seção sacrificial (Lv 1–7) com foco em três eixos: a normatização da oferta pela culpa, a regulamentação dos sacrifícios pacíficos e a fixação das porções sacerdotais. Do ponto de vista exegético, o texto reforça a distinção entre oferta pelo pecado (ḥaṭṭa’t) e oferta pela culpa (’asham), ainda que no versículo 7 sejam aproximadas por uma "mesma lei" quanto ao uso e à parte sacerdotal. A oferta pela culpa se relaciona a transgressões que exigem reparação específica, inclusive material, e, portanto, tem forte componente jurídico-social além da dimensão cultual. A seção sobre sacrifícios pacíficos (zebaḥ šĕlāmîm) enfatiza seus subtipos: ação de graças (tôdâ), voto e oferta voluntária. Cada um traz implicações temporais (prazo para consumo da carne) e litúrgicas (tipos de pães, ofertas alçadas e movidas). A proibição de consumo ao terceiro dia (v. 18) destaca a importância de não prolongar artificialmente a comunhão representada pela refeição sacrificial, evitando práticas mágicas ou meramente utilitárias da religião. Comer após o tempo determinado transforma algo santo em "coisa abominável", invertendo sua finalidade. As prescrições alimentares sobre gordura e sangue (v. 23–27) fazem eco a Levítico 3 e antecipam desenvolver posterior em Levítico 17. A teologia da vida no sangue encontra respaldo amplo no Antigo Testamento, conectando o uso ritual do sangue à expiação e ao reconhecimento de que a vida vem de Deus e volta a Ele. A reserva da gordura das ofertas como porção de Yahweh se harmoniza com a prática de oferecer a parte mais valiosa ao divino, comum no mundo antigo, mas aqui regulada e integrada em um sistema de aliança. Do ponto de vista literário, os versículos 35–38 atuam como uma espécie de colofão, recapitulando os tipos de oferta e vinculando-os ao evento histórico do Sinai. O texto reforça que essa legislação não é fruto de iniciativa humana, mas de ordem divina explícita. Também consolida o status do sacerdócio aarônico ao associar suas porções às ofertas queimadas e à unção sacerdotal. Em um quadro canônico maior, Levítico 7 serve como pano de fundo para temas centrais da cristologia neotestamentária: o sacerdócio de Cristo, a unidade e suficiência do seu sacrifício, e a reinterpretação dos sacrifícios em termos de vida consagrada, louvor e partilha.

Life
Life

Levítico 7 mostra uma fé que se expressa no cotidiano de forma organizada e concreta. Não se trata apenas de conceitos espirituais abstratos, mas de horários, alimentos, porções e responsabilidades bem definidos. Isso inspira uma vida prática em que a espiritualidade se reflete em escolhas objetivas: como se lida com a culpa, como se administra recursos, como se honra quem serve e como se expressa gratidão. A oferta pela culpa aponta para a importância de não varrer erros para debaixo do tapete. Em termos de vida diária, isso significa reconhecer quando se causa dano, assumir responsabilidade e, quando possível, reparar. Não basta apenas sentir remorso interno; é preciso traduzir arrependimento em atitudes que corrijam caminhos tortos. Os sacrifícios pacíficos de ação de graças, votos e ofertas voluntárias revelam um estilo de vida em que promessas não são feitas levianamente. Se há voto, ele é cumprido; se há gratidão, ela se manifesta de forma organizada, até com partilha à mesa. Isso inspira a fazer compromissos realistas, honrar a palavra dada e criar hábitos concretos para agradecer — seja por meio de generosidade com pessoas em necessidade, seja por participar mais ativamente na comunidade de fé. As proibições sobre gordura, sangue e consumo em estado de impureza lembram que nem toda liberdade é saudável. Há limites que protegem, até em áreas simples como alimentação, corpo e convivência. Traduzido para hoje, isso sugere examinar o que se consome — não apenas como alimento, mas também em termos de conteúdo, relacionamentos e ambientes — e reconhecer que certas escolhas têm impacto espiritual, emocional e comunitário. Por fim, as porções reservadas para Arão e seus filhos destacam a importância de sustentar quem se dedica ao serviço espiritual. Isso se conecta ao uso responsável de recursos e ao reconhecimento de que ministérios e serviços precisam de apoio concreto para existir. Uma fé madura olha para o todo: trata a culpa de forma honesta, expressa gratidão, respeita limites saudáveis e enxerga o valor real do serviço espiritual na vida prática.

Soul
Soul

No horizonte da formação espiritual, Levítico 7 mostra um Deus que ensina seu povo a relacionar-se com Ele de modo profundo e ordenado. Cada tipo de oferta aponta para uma dimensão da vida diante de Deus: culpa a ser confessada e tratada, pecados a serem cobertos, gratidão a ser celebrada, votos a serem honrados e devoção espontânea a ser acolhida. A espiritualidade bíblica aqui não é genérica; é estruturada em torno da santidade, da aliança e da presença divina no meio do povo. A insistência em que certas ofertas são "coisa santíssima" treina o coração para reconhecer que nem tudo é comum. Há espaços, tempos e atitudes que são separados para Deus. Essa consciência forma uma visão de mundo em que a vida não é plana, mas marcada por momentos e gestos de consagração. Com o tempo, isso molda uma identidade espiritual que vê cada área da existência como potencialmente oferecida a Deus. A proibição de comer sangue e gordura revela algo essencial: a vida pertence a Deus e o melhor Lhe é devido. Isso remete a uma postura interior de entrega: não apenas "uma parte" da existência, mas o centro e o melhor da vida são devolvidos ao Criador. A espiritualidade amadurecida aprende a não reter para si o que é mais precioso — tempo, dons, afetos, futuro — mas a reconhecer que tudo encontra seu verdadeiro sentido quando volta à fonte. O resumo final das leis dos sacrifícios (v. 37–38) recorda que tudo foi ordenado no Sinai, no contexto de uma aliança em que Deus mesmo tomou a iniciativa de se revelar e de estabelecer um caminho de acesso. A longo prazo, essa pedagogia sacrificial prepara a compreensão do sacrifício de Cristo, que reúne em si a expiação da culpa, a oferta pelo pecado, o sacrifício pacífico e a consagração plena. A vida espiritual encontra descanso quando percebe que, por trás de cada detalhe ritual, está um Deus que conduz seu povo em direção a uma comunhão mais profunda, culminando na obra consumada do Messias e na chamada a viver como oferta viva, santa e agradável a Deus.

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Versículos em Levítico 7

Levítico 7:2

" No lugar onde degolam o holocausto, degolarão a oferta pela expiação da culpa, e o seu sangue se espargirá sobre o altar em redor. "

Levítico 7:4

" Também ambos os rins, e a gordura que neles há, que está junto aos lombos, e o redenho sobre o fígado, com os rins se tirará; "

Levítico 7:7

" Como a expiação pelo pecado, assim será a expiação da culpa; uma mesma lei haverá para elas; será do sacerdote que houver feito propiciação com ela. "

Levítico 7:9

" Como também toda a oferta que se cozer no forno, com tudo que se preparar na frigideira e na caçoula, será do sacerdote que a oferecer. "

Levítico 7:12

" Se o oferecer por oferta de ação de graças, com o sacrifício de ação de graças, oferecerá bolos ázimos amassados com azeite; e coscorões ázimos amassados com azeite; e os bolos amassados com azeite serão fritos, de flor de farinha. "

Levítico 7:13

" Com os bolos oferecerá por sua oferta pão levedado, com o sacrifício de ação de graças da sua oferta pacífica. "

Levítico 7:14

" E de toda a oferta oferecerá uma parte por oferta alçada ao Senhor, que será do sacerdote que espargir o sangue da oferta pacífica. "

Levítico 7:15

" Mas a carne do sacrifício de ação de graças da sua oferta pacífica se comerá no dia do seu oferecimento; nada se deixará dela até à manhã. "

Levítico 7:16

" E, se o sacrifício da sua oferta for voto, ou oferta voluntária, no dia em que oferecer o seu sacrifício se comerá; e o que dele ficar também se comerá no dia seguinte; "

Levítico 7:18

" Porque, se da carne do seu sacrifício pacífico se comer ao terceiro dia, aquele que a ofereceu não será aceito, nem lhe será imputado; coisa abominável será, e a pessoa que dela comer levará a sua iniqüidade. "

Levítico 7:19

" E a carne que tocar alguma coisa imunda não se comerá; com fogo será queimada; mas da outra carne, qualquer que estiver limpo, comerá dela. "

Levítico 7:20

" Porém, se alguma pessoa comer a carne do sacrifício pacífico, que é do Senhor, tendo ela sobre si a sua imundícia, aquela pessoa será extirpada do seu povo. "

Levítico 7:21

" E, se uma pessoa tocar alguma coisa imunda, como imundícia de homem, ou gado imundo, ou qualquer abominação imunda, e comer da carne do sacrifício pacífico, que é do Senhor, aquela pessoa será extirpada do seu povo. "

Levítico 7:24

" Porém pode-se usar da gordura de corpo morto, e da gordura do dilacerado por feras, para toda a obra, mas de nenhuma maneira a comereis; "

Levítico 7:25

" Porque qualquer que comer a gordura do animal, do qual se oferecer ao Senhor oferta queimada, a pessoa que a comer será extirpada do seu povo. "

Levítico 7:29

" Fala aos filhos de Israel, dizendo: Quem oferecer ao Senhor o seu sacrifício pacífico, trará a sua oferta ao Senhor do seu sacrifício pacífico. "

Levítico 7:30

" As suas próprias mãos trarão as ofertas queimadas do Senhor; a gordura do peito com o peito trará para movê-lo por oferta movida perante o Senhor. "

Levítico 7:33

" Aquele dos filhos de Arão que oferecer o sangue do sacrifício pacífico, e a gordura, esse terá a espádua direita para a sua porção; "

Levítico 7:34

" Porque o peito movido e a espádua alçada tomei dos filhos de Israel dos seus sacrifícios pacíficos, e os dei a Arão, o sacerdote, e a seus filhos, por estatuto perpétuo dos filhos de Israel. "

Levítico 7:35

" Esta é a porção de Arão e a porção de seus filhos das ofertas queimadas do Senhor, desde o dia em que ele os apresentou para administrar o sacerdócio ao Senhor. "

Levítico 7:36

" O que o Senhor ordenou que se lhes desse dentre os filhos de Israel no dia em que os ungiu; estatuto perpétuo é pelas suas gerações. "

Levítico 7:37

" Esta é a lei do holocausto, da oferta de alimentos, e da expiação do pecado, e da expiação da culpa, e da oferta das consagrações, e do sacrifício pacífico, "

Levítico 7:38

" Que o Senhor ordenou a Moisés no monte Sinai, no dia em que ordenou aos filhos de Israel que oferecessem as suas ofertas ao Senhor, no deserto de Sinai. "

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