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Levítico 7:11 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E esta é a lei do sacrifício pacífico que se oferecerá ao Senhor: "

Levítico 7:11

menu_book Versículo no contexto

9 Como também toda a oferta que se cozer no forno, com tudo que se preparar na frigideira e na caçoula, será do sacerdote que a oferecer.

10 Também toda a oferta amassada com azeite, ou seca, será de todos os filhos de Arão, assim de um como de outro.

11 E esta é a lei do sacrifício pacífico que se oferecerá ao Senhor:

12 Se o oferecer por oferta de ação de graças, com o sacrifício de ação de graças, oferecerá bolos ázimos amassados com azeite; e coscorões ázimos amassados com azeite; e os bolos amassados com azeite serão fritos, de flor de farinha.

13 Com os bolos oferecerá por sua oferta pão levedado, com o sacrifício de ação de graças da sua oferta pacífica.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Tudo aqui diz respeito aos sacrifícios pacíficos. É uma reafirmação mais detalhada do que já havia sido dito antes, com vários acréscimos.

Em primeiro lugar, o texto esclarece melhor o propósito dos sacrifícios pacíficos. Eles eram trazidos como reconhecimento por algum livramento ou misericórdia especial já recebida, como cura de uma enfermidade, proteção em uma viagem, livramento no mar ou libertação do cativeiro, exemplos mencionados no Salmo 107. Nesses casos, o povo era chamado a oferecer um sacrifício de ações de graças (Levítico 7:22). Também podiam ser trazidos para cumprir um voto feito em tempo de angústia (Levítico 7:16), o que era menos honroso do que a gratidão espontânea, embora quebrar o voto fosse pior ainda. Ou podiam ser oferecidos voluntariamente enquanto se pedia a Deus alguma misericórdia ainda esperada. Nesse caso, o sacrifício vinha acompanhado de oração, assim como o sacrifício de ações de graças vinha acompanhado de louvor.

A lei não exigia esses sacrifícios pacíficos em todos esses casos, a não ser quando a pessoa se obrigara por um voto. Em contraste, quando se cometia um pecado, a lei exigia sacrifícios expiatórios. Oração e louvor são tão obrigatórios quanto o arrependimento, mas aqui Deus deixou mais espaço para a espontaneidade quando tratava de gratidão e esperança. Dessa forma, a sinceridade da devoção seria provada, e as ofertas voluntárias seriam mais honrosas e agradáveis. Ao tornar obrigatórios os sacrifícios expiatórios, Deus também mostrava a necessidade da grande propiciação, o sacrifício que realmente desvia o pecado.

Em segundo lugar, as regras para os sacrifícios pacíficos são explicadas com mais detalhe. Se o sacrifício fosse de ações de graças, ele tinha de ser acompanhado de uma oferta de alimentos, com bolos de diferentes tipos e coscorões (Levítico 7:12). Também devia incluir pão levedado, o que era algo próprio dos sacrifícios pacíficos. Esse pão não devia ser queimado sobre o altar, pois isso era proibido (Levítico 2:11), mas comido junto com a carne do sacrifício. Isso tornava a refeição completa e alegre. O pão sem fermento era menos agradável de comer, por isso, fora da Páscoa, Deus muitas vezes determinava o uso do pão levedado, mais leve e saboroso, para que o povo pudesse banquetear-se à mesa de Deus assim como à sua própria mesa.

Alguns entendem que uma oferta de alimentos era exigida com todo sacrifício pacífico, não apenas com o de ações de graças, porque Levítico 7:29 fala de uma oferta apresentada juntamente com ele. Em qualquer dos casos, a ideia é que tanto o altar quanto a mesa deviam estar bem supridos. A carne do sacrifício pacífico, tanto a porção do sacerdote quanto a porção do ofertante, devia ser comida rapidamente, não guardada crua, nem cozida para depois ser consumida fria. Se fosse sacrifício de ações de graças, tinha de ser comida no mesmo dia (Levítico 7:16). Se fosse por voto ou oferta voluntária, podia ser comida naquele dia ou no dia seguinte (Levítico 7:16). O que sobrasse depois disso tinha de ser queimado (Levítico 7:17). Se alguém comesse o que restasse depois do tempo determinado, seu procedimento seria considerado uma falta grave (Levítico 7:18).

Embora essa carne não precisasse ser comida no lugar santo, como as ofertas santíssimas, Deus ainda assim distinguiu claramente essa carne do alimento comum. O povo podia levá-la para suas tendas e comer ali, mas não devia tratá-la como carne qualquer. Outros alimentos podiam ser guardados, aquecidos de novo e comidos dias depois; com o sacrifício pacífico isso não era permitido. Devia ser consumido de uma vez. Deus queria preservar a carne santa de apodrecer ou ser desonrada por descuido. Também queria ensinar o povo a não ser avarento, nem dominado pelo medo ou ansiedade quanto ao amanhã, mas a desfrutar com alegria de seus dons (Eclesiastes 8:15). A carne do sacrifício pacífico era o “banquete” de Deus, por isso ele determinava como devia ser usada. Ele ordenou que fosse repartida generosamente com amigos e com os pobres, mostrando que ele é generoso e provê ricamente para o nosso prazer, dando o pão de cada dia no seu dia.

Quando o sacrifício era de ações de graças, essa partilha alegre tinha um peso especial, pois expressava um santo júbilo pela bondade de Deus por meio de um santo banquete. A lei é muito rigorosa aqui (Levítico 7:18). Se o ofertante não fizesse a carne ser comida dentro do prazo fixado e não queimasse o que sobrasse, a oferta não seria aceita nem contada a seu favor. A lição é clara: todo o proveito do serviço religioso se perde se não vivermos corretamente depois. Uma oferta não agrada a Deus se não transformar aquele que a apresenta. Se alguém parecia generoso em trazer um sacrifício pacífico, mas depois se mostrava mesquinho e duro ao usá-lo, era como se não tivesse oferecido nada. Pior ainda, aquilo se tornava algo abominável. Não há meio-termo entre a aceitação de Deus e sua rejeição. Se nossa pessoa e nossas ações são sinceras e corretas, são aceitas; se não, são uma abominação (Provérbios 15:8).

Quem comesse da carne depois do tempo estabelecido teria de levar a sua iniquidade, isto é, seria eliminado do meio do povo, como se explica em Levítico 19:8, quando a lei é repetida. Essa regra, que exigia comer o sacrifício pacífico antes do terceiro dia para que não se corrompesse, aponta para a ressurreição de Cristo ao terceiro dia, de modo que ele, o Santo de Deus, não visse a corrupção (Salmo 16:10). Alguns também entendem que isso nos ensina a receber a Cristo e a sua graça sem demora, pela fé hoje, enquanto se diz “hoje”, porque o tempo logo passará (Hebreus 3:13, Hebreus 3:14).

Em terceiro lugar, a carne e as pessoas que a comiam tinham de ser limpas. A carne em si não podia tocar em coisa impura. Se tocasse, não podia ser comida, mas devia ser queimada (Levítico 7:19). Se, ao ser levada do altar ao lugar da refeição, fosse tocada por um cão, por um cadáver ou por qualquer outra coisa imunda, já não servia para um banquete sagrado. Tudo o que é oferecido ao Deus santo deve ser puro e cuidadosamente guardado de qualquer contaminação. Em Ageu 2:12 vemos que a carne santa, por si só, não santificava o que era comum pelo simples contato. Esta lei vai além e mostra que o contato com a impureza podia transmitir contaminação. Isso ensina que o pecado se espalha com mais facilidade e frequência do que a graça.

Além disso, a carne tinha de ser comida por pessoas limpas. Quando alguém estava cerimonialmente impuro, era perigoso comer da carne dos sacrifícios pacíficos (Levítico 7:20-21). As coisas santas são para pessoas santas. Como esse alimento era santo em sentido cerimonial, qualquer pessoa em estado de impureza cerimonial era excluída dele. De forma semelhante, somos ensinados a nos guardar da mancha do pecado, para podermos desfrutar da bênção e do consolo do sacrifício de Cristo (1 Pedro 2:1-2).

Nossas consciências precisam ser purificadas das obras mortas, isto é, de atos que conduzem à morte espiritual, para servirmos ao Deus vivo (Hebreus 9:14). Mas se alguém ousa chegar à mesa do Senhor guardando ainda pecados não arrependidos, trata as coisas sagradas com leviandade. Tal pessoa come e bebe juízo para si, à semelhança daqueles que comiam dos sacrifícios pacíficos quando desrespeitavam esse mandamento (Levítico 7:20-21). O que pertence ao Senhor é santo e deve ser tratado com profunda reverência, não com mãos impuras. “Sede santos, porque Deus é santo, e vós pertenceis a ele.”

Aqui também é novamente proibido o consumo de sangue e da gordura interna, como já havia sido na lei do sacrifício pacífico (Levítico 3:17). A proibição da gordura parece referir-se aos animais de sacrifício, bois, ovelhas e bodes, não a todos os animais limpos em geral. É por isso que apenas os animais usados em sacrifício são mencionados (Levítico 7:23-25). O objetivo era manter diante do povo o respeito pelo altar de Deus, onde a gordura interna era queimada. Os judeus afirmam que, se alguém comesse mesmo uma pequena porção da gordura proibida, do tamanho de uma azeitona, corria o risco de ser eliminado pela mão de Deus, se o fizesse conscientemente. Se o fizesse por ignorância, tinha de trazer um sacrifício pelo pecado e pagar caro por sua negligência.

Também era ilícito comer a carne de animal morto por si mesmo ou despedaçado por feras, e era duplamente ilícito comer a sua gordura (Levítico 7:24). A proibição do sangue é mais ampla (Levítico 7:26-27), porque a gordura era oferecida a Deus apenas como ato de honra, mas o sangue fazia expiação pela alma. O sangue apontava mais claramente para o sacrifício de Cristo do que a queima da gordura, por isso merecia maior reverência, até que esses símbolos fossem cumpridos na oferta única do corpo de Cristo. Os judeus interpretam corretamente essa lei como proibindo o sangue da vida, como eles o chamam, não o que hoje chamaríamos de caldo ou molho da carne.

A parte do sacrifício pacífico que cabia aos sacerdotes também é estabelecida aqui. De cada animal oferecido como sacrifício pacífico, o sacerdote que o apresentava recebia para si o peito e a espádua direita (Levítico 7:30-34). Quando o sacrifício era morto, quem o oferecia tinha de apresentar a parte de Deus com as próprias mãos. Ao fazer isso, mostrava que a entregava de bom grado ao Senhor e desejava que fosse aceita. Ele a levantava em honra de Deus como o Deus do céu, e a movia de um lado para o outro, em reconhecimento de Deus como Senhor de toda a terra, oferecendo-lhe o sacrifício até onde podia alcançar.

Aquilo que era levantado e movido incluía a gordura, o peito e a espádua direita. Tudo era apresentado a Deus; em seguida, a gordura era queimada sobre o altar, enquanto o peito e a espádua eram dados ao sacerdote, pois ambos, ofertante e sacerdote, eram servos de Deus. Quando a gordura era queimada, o sacerdote recebia a sua porção e comia com a sua família, assim como o ofertante comia com a sua. Em santa alegria e gratidão, é algo adequado que nossos ministros vão adiante de nós e falem por nós diante de Deus. Há doçura quando quem planta e quem colhe se alegram juntos.

Alguns veem um significado nos pedaços dados aos sacerdotes. O peito e a espádua podem apontar para os afetos e as ações, que todo o povo de Deus deve consagrar à sua honra e que os sacerdotes também devem empregar no serviço da igreja. Cristo, nossa grande oferta pacífica, alimenta seus sacerdotes espirituais com o peito e a espádua, com seu amor mais profundo e seu apoio mais forte, pois ele é a sabedoria de Deus e o poder de Deus. Quando Saul foi escolhido para ser rei, Samuel mandou colocar diante dele a espádua do sacrifício pacífico (1 Samuel 9:24), o que indicava que algo grande e santo estava reservado para ele.

Jesus Cristo é nossa grande oferta pacífica. Ele se entregou em sacrifício, não só para pagar pelo pecado e livrar-nos da maldição, mas também para conquistar para nós a bênção e todo dom excelente. Quando participamos de bom grado dos dons da redenção, estamos nos alimentando do sacrifício. A Ceia do Senhor foi instituída para mostrar essa verdade.

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