Levítico 13:1
" Falou mais o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique Levítico 13 na sua vida hoje
59 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
As leis de lepra não tratam apenas de saúde física, mas da pureza ritual necessária para viver próximo da presença de Deus. A impureza rompe a comunhão do indivíduo com a comunidade e com o santuário, por isso é levada tão a sério.
O sacerdote não é médico no sentido moderno, mas responsável por discernir, à luz das instruções divinas, se alguém está limpo ou imundo. Ele observa, isola, reavalia e declara o estado ritual da pessoa ou objeto.
Há períodos de observação de sete dias, repetições de exame e distinções minuciosas entre sintomas semelhantes. A decisão não é precipitada, mas fruto de avaliação paciente e sistemática.
O leproso declarado imundo vive isolado, com sinais visíveis de sua condição, para não contaminar a comunidade. Também roupas e peles contaminadas são queimadas. A santidade do povo exige medidas drásticas quando necessário.
Mesmo após sinais preocupantes, há possibilidade de mudança: algumas pragas regridem e a pessoa é declarada limpa. Até roupas podem ser lavadas e, se a praga desaparecer, são consideradas puras novamente.
Levítico 13 se insere nas leis de pureza dadas a Israel no deserto, após o êxodo do Egito. O povo vivia em tendas, em um acampamento organizado ao redor do tabernáculo, símbolo da presença de Deus no meio da nação. A proximidade da presença santa de Deus exigia uma disciplina rigorosa em relação à pureza ritual.
A palavra “lepra” aqui não se limita à hanseníase conhecida hoje. Abrange diversas doenças de pele e até mofos e fungos em tecidos e peles. Num contexto sem medicina moderna, epidemias podiam devastar uma comunidade nômade; por isso, controlar problemas de pele e contaminações em roupas e peles era vital.
O sacerdote tinha função central, não apenas no culto, mas também na vida cotidiana. Era responsável por aplicar as instruções divinas, distinguir entre limpo e imundo e preservar a integridade do povo. A repetição de períodos de sete dias reflete o padrão simbólico de completude e tempo adequado para observação. O isolamento do impuro fora do arraial visava tanto a saúde pública quanto a proteção da santidade do santuário.
As descrições detalhadas de manchas, pelos, inchações e cores indicam um sistema de diagnóstico ritual elaborado, próprio da aliança de Israel com o Senhor, em que toda a vida – corpo, casa, roupas – estava sob a esfera da santidade de Deus.
Levítico 13 apresenta uma estrutura legal casuística, organizada por situações específicas e seus desdobramentos:
Introdução e princípio geral (13:1-3)
Casos de pústulas e manchas iniciais na pele (13:4-8)
Lepra estabelecida na pele (13:9-17)
Lepra surgindo de úlcera anterior (13:18-23)
Lepra surgindo de queimadura (13:24-28)
Tinha na cabeça ou na barba (13:29-37)
Manchas brancas na pele (impigem) (13:38-39)
Calvície e lepra na calvície (13:40-44)
Condição social do leproso declarado imundo (13:45-46)
Lepra em roupas e objetos de tecido ou pele (13:47-59)
O texto avança por blocos de casos, sempre mantendo o padrão: diagnóstico minucioso, possível isolamento, reavaliação e, por fim, declaração de pureza ou impureza.
Levítico 13 revela vários aspectos importantes da teologia bíblica:
Santidade de Deus e alcance da impureza A santidade de Deus exige que tudo o que se aproxima Dele seja puro. A impureza não é apenas moral, mas também ritual e física. Doenças de pele e contaminações em objetos entram nessa categoria, afetando a possibilidade de participar plenamente da vida comunitária e do culto. A pureza não é um detalhe externo, mas parte da resposta de um povo que vive diante de um Deus santo.
O pecado como realidade contaminante (imagem e paralelo) Embora o capítulo trate de impureza ritual, torna-se ao longo da Bíblia uma poderosa metáfora do pecado: algo que começa pequeno, pode se espalhar, contamina o ambiente e exige discernimento e, às vezes, separação. O isolamento e a necessidade de declaração de pureza apontam para a seriedade de qualquer ruptura com a ordem santa estabelecida por Deus.
Mediação sacerdotal e necessidade de um mediador perfeito O sacerdote discerne, declara, separa e, mais tarde, em Levítico 14, supervisiona a reintegração dos purificados. Isso destaca a função mediadora entre Deus e o povo. No horizonte bíblico mais amplo, essa função prepara o entendimento da obra de Cristo como Sumo Sacerdote perfeito, que não apenas diagnostica, mas cura e purifica de fato.
Cuidado de Deus pela comunidade inteira As regras, embora duras, visam proteger a coletividade. Deus não ignora o sofrimento de quem é isolado, mas também não negligencia o bem de muitos. A legislação expressa um cuidado abrangente: corpo, relações sociais, ambiente de moradia e culto. Santidade e saúde comunitária caminham juntas.
Possibilidade de restauração e pureza O capítulo não termina em condenação permanente. Há inúmeros cenários em que a pessoa ou o objeto é declarado limpo após um tempo de observação e tratamento adequado. A teologia da pureza bíblica mantém a tensão entre a seriedade da impureza e a real possibilidade de retorno à comunhão, mediante o caminho estabelecido por Deus.
Deus interessado nos detalhes concretos da vida A atenção às nuances de cor, profundidade e evolução das manchas mostra um Deus que não trata a humanidade de forma abstrata. Ele se envolve nas questões bem práticas da vida física, de saúde e de convívio, mostrando que a fé bíblica alcança todas as dimensões da existência.
Ler Levítico 13 pode despertar desconforto e até sentimentos de exclusão, por causa do isolamento do leproso e das descrições minuciosas de doenças. Ao mesmo tempo, o capítulo oferece pontos terapêuticos importantes para pensar saúde emocional e comunitária.
A figura do sacerdote como alguém que examina com calma, observa por períodos, reavalia e só então declara um veredito aponta para a importância de processos, e não decisões impulsivas. Situações complexas – inclusive emocionais – muitas vezes pedem tempo de observação, acompanhamento cuidadoso e avaliações progressivas.
O isolamento do leproso, doloroso, tem intento de proteção da comunidade. Isso pode iluminar a necessidade, em alguns contextos, de estabelecer limites saudáveis para evitar danos maiores, sem perder de vista a dignidade de quem é limitado ou afastado. A dor da separação não é ignorada, mas colocada em perspectiva de cuidado coletivo.
O texto também traz uma dimensão de esperança: nem toda mancha é lepra, nem toda condição difícil é definitiva. Há espaço para regressão da praga, declaração de pureza e reintegração. Em termos emocionais, isso ressoa com a ideia de que crises, rupturas e períodos de “isolamento” nem sempre são sentenças finais, mas podem ser etapas de diagnóstico, cura e reorganização.
Por fim, o valor dado à comunidade – cuidar para que o mal não se espalhe – sugere que vidas interligadas pedem responsabilidade mútua. Doenças, vícios, padrões destrutivos e feridas emocionais podem ter impacto coletivo; reconhecê-los e tratá-los com seriedade é um ato de amor.
Levítico 13 descreve isolamento rigoroso, marcação visível da pessoa como “imunda” e separação forçada da comunidade. Em leitores vulneráveis, isso pode ativar memórias ou sentimentos de rejeição, exclusão, vergonha profunda, bullying, discriminação por aparência, enfermidade ou condição social.
Quadros de ansiedade social, depressão, pensamentos de indignidade espiritual ou sensação de “ser um problema para os outros” podem ser intensificados se a leitura for interpretada como se Deus desejasse rejeitar pessoas doentes ou frágeis. O texto, porém, fala de um contexto ritual específico de Israel, não de um julgamento de valor sobre o valor humano de quem sofre.
Em pessoas com histórico de espiritualidade marcada por legalismo severo, o vocabulário de pureza/impureza pode reforçar autocondenação ou medo obsessivo de contaminação espiritual. Nesses casos, pode ser importante ler o capítulo à luz da mensagem mais ampla das Escrituras, que enfatiza graça, misericórdia e acolhimento dos doentes e marginalizados, especialmente na pessoa de Cristo.
Se a leitura despertar culpa esmagadora, pensamentos de autoexclusão, de ser intrinsecamente “imundo” ou sem lugar na comunidade, isso indica necessidade de apoio pastoral, terapêutico ou médico especializado, para que os temas de pureza e santidade sejam reinterpretados de forma saudável e restauradora.
Levítico 13, embora pertença a um sistema ritual antigo, inspira aplicações práticas relevantes:
Cuidar seriamente do que pode contaminar muitos Assim como a lepra e a praga nas roupas precisavam ser avaliadas e, se necessário, eliminadas, comportamentos, vícios e padrões destrutivos também exigem atenção. Pequenos sinais de desonestidade, amargura, violência ou abuso, se ignorados, podem se espalhar e ferir famílias, igrejas e ambientes de trabalho.
Valorizar processos de discernimento cuidadoso O capítulo mostra que, diante de casos duvidosos, não se toma decisão apressada: observa-se, espera-se sete dias, reexamina-se. Em escolhas importantes – relacionamentos, decisões profissionais, conflitos – a prudência, a observação ao longo do tempo e o conselho de pessoas maduras podem evitar julgamentos equivocados.
Estabelecer limites para proteção mútua A separação do leproso e a queima de roupas contaminadas ilustram limites rígidos para conter dano. Na prática, isso pode se traduzir em limites claros diante de abuso, violência, crimes, dependências químicas ou comportamentos que colocam outros em risco. Limites não são falta de amor, mas expressão de cuidado responsável.
Reconhecer que aparência nem sempre diz tudo Nem toda mancha é lepra, e nem toda situação difícil é sinal de condenação. O texto alerta contra diagnósticos superficiais. Aplicado à convivência, isso significa não rotular pessoas com base em impressões rápidas, boatos ou momentos isolados, mas buscar compreender a história por trás de cada um.
Dar espaço para processos de cura e reintegração O isolamento não é fim da história; quando a praga regride, a pessoa é declarada limpa. Em comunidades de fé e relações pessoais, é importante criar caminhos para restauração: depois de arrependimento, tratamento e mudança, abrir espaço para que quem caiu possa voltar a participar de forma saudável.
Cuidar também do “ambiente” e não só da pessoa A lepra nas roupas lembra que, muitas vezes, o problema não está só na pessoa, mas também nos contextos e estruturas que a cercam. Ambientes tóxicos, culturas de abuso, sistemas injustos precisam ser revistos, lavados, às vezes até “queimados” – mudados radicalmente – para promover verdadeira saúde.
Em Levítico 13, “lepra” é um termo amplo que abrange várias doenças de pele e até pragas em tecidos e peles, como fungos ou mofo. Não se limita à hanseníase moderna. O foco principal é a pureza ritual, não um diagnóstico médico moderno. A presença dessas pragas podia tornar alguém ou algo impuro para o culto e a vida comunitária.
O leproso declarado imundo devia habitar fora do arraial (13:46) para proteger a comunidade, tanto de possíveis riscos físicos quanto de impureza ritual que afetaria o relacionamento do povo com Deus. O isolamento tinha função de contenção e preservação da santidade do povo, num contexto em que Deus habitava no meio do acampamento.
O sacerdote examinava a praga, decidia se a situação era duvidosa, isolava a pessoa ou o objeto por sete dias, reexaminava e, por fim, declarava limpo ou imundo. Ele não era médico no sentido moderno, mas responsável por aplicar as instruções de Deus e preservar a pureza ritual de Israel (13:2-8, 50-55).
Os detalhes permitem distinguir entre diferentes tipos de problemas: alguns eram temporários e inofensivos, outros indicavam uma praga mais séria. Esses critérios visavam evitar tanto injustiça (chamar de imundo quem não estava) quanto negligência (ignorar algo realmente perigoso). É um sistema de diagnóstico ritual minucioso, adequado à realidade daquele povo.
Levítico 13 enfatiza pureza, mediação sacerdotal e a seriedade da contaminação, temas que ganham profundidade ao longo da Bíblia. A lepra torna-se imagem do pecado, que isola e contamina. No Novo Testamento, Jesus se aproxima dos leprosos, toca e purifica, mostrando que Ele é o Sumo Sacerdote e o Médico que não apenas declara, mas remove a impureza e restaura a comunhão.
Levítico 13 descreve um cenário carregado de dor humana: pessoas que começam com uma pequena mancha e, de repente, têm a vida virada de cabeça para baixo, sendo examinadas, isoladas, marcadas como “imundas” e afastadas de todos. Atrás de cada caso descrito, há alguém lidando com medo, vergonha e solidão. O coração do texto, porém, não é desprezo, mas cuidado. O povo inteiro precisava ser protegido; ainda assim, o processo é cuidadoso, cheio de etapas, reexames e possibilidades de ser declarado limpo. A figura do sacerdote que olha de perto, observa, espera sete dias, olha de novo, não é apenas de um juiz implacável, mas de alguém que leva a sério o sofrimento e evita condenar depressa. A lei não parte do princípio de que toda mancha é lepra; há espaço para reconhecer inflamações passageiras, manchas inofensivas, impigens que não tornam a pessoa impura. No fundo, há uma mensagem de que nem todo sinal visível conta toda a história, e de que não se deve definir uma vida por um momento ou um sintoma. A parte mais dura é ver o leproso com roupas rasgadas, cabeça descoberta, cobrindo o lábio e gritando “Imundo” (13:45). É uma imagem forte de alguém cuja dor interna é exposta publicamente. O texto mostra como a impureza rompe vínculos e cria distância. Ao mesmo tempo, essa dor não é naturalizada; é tratada como algo grave, que não deveria ser permanente. Mais adiante, as Escrituras mostrarão Deus se aproximando, acolhendo e restaurando essas mesmas pessoas marginalizadas. Para quem enfrenta doenças, limitações físicas, marcas no corpo ou no passado que parecem rótulos difíceis de carregar, esse capítulo ecoa a realidade de se sentir observado, examinado e, às vezes, julgado. Mas ele também abre espaço para imaginar um olhar diferente: o de um Deus que conhece cada detalhe, que não se engana com aparências e que prepara caminhos de volta, de purificação e de reintegração. A dor da separação e do estigma é reconhecida, e a esperança de restauração não é esquecida.
Teologicamente e historicamente, Levítico 13 é um texto-chave para compreender a teologia da pureza em Israel. O capítulo se concentra na “tzaraat” – traduzida como lepra – abrangendo não apenas doenças de pele, mas também pragas em tecidos e peles. A questão central não é medicina clínica moderna, mas ritual: quem pode ou não participar plenamente do culto e da vida comunitária junto ao tabernáculo. O papel do sacerdote merece destaque. Ele funciona como especialista em pureza, aplicando critérios revelados por Deus: análise de profundidade da mancha, mudança de cor dos pelos, presença de carne viva, expansão ou regressão da área afetada, entre outros. Casos incertos são tratados com isolamento de sete dias, seguido de reexame (13:4-6, 21, 26, 31, 50-54). O número sete remete ao padrão de plenitude e ao tempo necessário para que a condição se manifeste de forma mais clara. É um sistema de diagnóstico gradual, evitando tanto condenação precipitada quanto negligência. Um ponto intrigante é o caso do indivíduo coberto por lepra que se torna todo branco e é declarado limpo (13:12-13), enquanto a presença de “carne viva” indica impureza (13:10-11, 14-15). Muitos intérpretes entendem que a carne viva representa uma forma ativa e infecciosa da praga, ao passo que o branqueamento completo poderia indicar uma fase não contagiosa ou em regressão. O texto não detalha causas biológicas, mas estabelece critérios visuais consistentes para o discernimento ritual. Levítico 13 também amplia o conceito de impureza para além do corpo, alcançando roupas e peles (13:47-59). A “lepra roedora” nas vestes funciona como analogia visual poderosa da contaminação que corrói o ambiente. O procedimento – isolamento do objeto, lavagem, novo exame, eventual queima – mostra que a pureza em Israel era abrangente: pessoas, objetos e até o espaço de habitação deviam ser mantidos sob o padrão da santidade divina. Literariamente, o capítulo segue o formato de leis casuísticas (“se acontecer X, faça Y”), classificando tipos de casos: pústulas, queimaduras, tinha, impigem, calvície, lepra na roupa. Essa organização ensina o povo a pensar em categorias de pureza e impureza, treinando a comunidade a discernir e aplicar os princípios recebidos. No desenvolvimento bíblico posterior, esses temas convergem na figura de Cristo, que assume tanto o papel de Sacerdote quanto de lugar de pureza definitiva, substituindo o sistema ritual complexo por uma purificação profunda e definitiva.
Levítico 13 parece distante da vida moderna, com suas descrições de manchas, pelos e roupas contaminadas. Mas, em termos práticos, o capítulo oferece um retrato de como uma comunidade lida com aquilo que pode prejudicar a todos se não for tratado com seriedade. A lepra é um símbolo de problemas que se espalham: uma crise de caráter, uma cultura de mentira, um ambiente tóxico em casa ou no trabalho, hábitos destrutivos que afetam gente ao redor. Na vida diária, o princípio do exame cuidadoso é extremamente útil. Diante de conflitos familiares, problemas de comportamento de filhos, questões no trabalho ou na igreja, a tendência é julgar rapidamente. O modelo sacerdotal, porém, é diferente: examinar, esperar, observar se se espalha, reexaminar (13:4-6). Isso sugere conversas bem feitas, tempo para ver se há mudança, abertura para a possibilidade de que não seja tão grave quanto parece – ou, ao contrário, de que seja mais sério do que se imaginava. Outro aspecto prático é a necessidade de limites claros. Quando a praga é confirmada como lepra, a pessoa é declarada imunda e separada (13:44-46); quando a roupa está comprometida, deve ser queimada (13:51-52, 57). Aplicado a relacionamentos e contextos atuais, isso lembra que há momentos em que é preciso dizer “basta”: cortar comportamentos abusivos, encerrar práticas desonestas, romper com ambientes que corroem a integridade. Nem tudo pode ser “lavado” indefinidamente; às vezes, a solução é remover o que contamina. Ao mesmo tempo, o capítulo convida a não confundir calvície com lepra, nem impigem com praga séria (13:38-41). Em termos práticos, isso é um alerta contra exageros: nem toda diferença, fraqueza ou limitação é sinal de perigo. Em família, no trabalho e na igreja, isso significa aprender a discernir o que realmente precisa de intervenção firme e o que é apenas traço de personalidade, fase ou limitação que pode ser acolhida. Por fim, a possibilidade de ser declarado limpo (13:6, 17, 23, 34, 37, 58) aponta para a importância de criar caminhos de volta. Pessoas que passaram por quedas morais, problemas de saúde mental, dependências ou conflitos sérios podem, com tempo, acompanhamento e mudança real, ser reinseridas na convivência de forma saudável. Comunidades e famílias que aplicam princípios semelhantes aos de Levítico 13 combinam responsabilidade (proteger o grupo) com misericórdia (abrir espaço para restauração).
Na perspectiva espiritual, Levítico 13 expõe de forma concreta a tensão entre a santidade de Deus e a condição frágil da humanidade. A lepra, que afasta da comunidade e do santuário, é uma imagem forte daquilo que o pecado faz: rompe comunhão, isola, marca a pessoa com um rótulo que parece definitivo. O leproso, clamando “Imundo, imundo” (13:45), traz à tona a consciência de que algo dentro de si está em desacordo com a presença santa de Deus. Ao longo da história bíblica, essa imagem é aprofundada. O problema espiritual humano não é apenas uma “mancha superficial”, mas algo que pode ser profundo, invasivo e incapaz de ser resolvido por esforço próprio. Os sacerdotes de Levítico podiam examinar, isolar e declarar puro ou impuro, mas não podiam mudar a realidade do coração. A lei expõe e delimita a impureza, mas não provê, em si mesma, a transformação final. Essa tensão aponta para a necessidade de um mediador maior. O sistema de pureza de Levítico prepara o terreno para que se compreenda a obra daquele que, mais tarde, se aproximaria dos impuros, tocaria leprosos e os tornaria limpos. Quando alguém que é fonte de santidade e vida toca o impuro sem ser contaminado, mas, ao contrário, comunicando pureza, o paradigma muda. A distância entre o Santo e o impuro é vencida por iniciativa do próprio Deus. Do ponto de vista da formação espiritual, Levítico 13 convida a uma sensibilidade mais aguda ao que contamina a alma e as relações. Pequenos “sinais” – ressentimentos, orgulho, idolatrias discretas – podem se espalhar se não forem trazidos à luz e avaliados diante de Deus. Ao mesmo tempo, o capítulo ensina que discernimento e tempo fazem parte do processo: há momentos de isolamento interior, de exame de consciência, de silêncio e espera, nos quais a pessoa permite que Deus mostre se a “praga” está se estendendo ou regredindo. A esperança que transparece nas declarações de pureza prefigura a realidade de uma purificação mais profunda: a possibilidade de ser lavado, restaurado e reintegrado à comunhão divina e comunitária. Espiritualmente, isso aponta para uma vida em que não se nega a gravidade do mal, mas também não se perde de vista a promessa de um Deus que se ocupa de limpar, refazer e habitar no meio de um povo santificado por Sua própria ação.
" Falou mais o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo: "
" Quando um homem tiver na pele da sua carne, inchação, ou pústula, ou mancha lustrosa, na pele de sua carne como praga da lepra, então será levado a Arão, o sacerdote, ou a um de seus filhos, os sacerdotes. "
" E o sacerdote examinará a praga na pele da carne; se o pêlo na praga se tornou branco, e a praga parecer mais profunda do que a pele da sua carne, é praga de lepra; o sacerdote o examinará, e o declarará por imundo. "
" Mas, se a mancha na pele de sua carne for branca, e não parecer mais profunda do que a pele, e o pêlo não se tornou branco, então o sacerdote encerrará o que tem a praga por sete dias; "
" E ao sétimo dia o sacerdote o examinará; e eis que, se a praga, ao seu parecer parou, e na pele não se estendeu, então o sacerdote o encerrará por outros sete dias; 6 "
" E o sacerdote ao sétimo dia o examinará outra vez; e eis que, se a praga se recolheu, e na pele não se estendeu, então o sacerdote o declarará por limpo; é uma pústula; e lavará as suas vestes, e será limpo. "
" Mas, se a pústula na pele se estende grandemente, depois que foi mostrado ao sacerdote para a sua purificação, outra vez será mostrado ao sacerdote, "
" E o sacerdote o examinará, e eis que, se a pústula na pele se tem estendido, o sacerdote o declarará por imundo; é lepra. "
" Quando no homem houver praga de lepra, será levado ao sacerdote, "
" E o sacerdote o examinará, e eis que, se há inchação branca na pele, a qual tornou o pêlo em branco, e houver carne viva na inchação, "
" Lepra inveterada é na pele da sua carne; portanto, o sacerdote o declarará por imundo; não o encerrará, porque imundo é. "
" E, se a lepra se espalhar de todo na pele, e a lepra cobrir toda a pele do que tem a praga, desde a sua cabeça até aos seus pés, quanto podem ver os olhos do sacerdote, "
" Então o sacerdote examinará, e eis que, se a lepra tem coberto toda a sua carne, então declarará o que tem a praga por limpo; todo se tornou branco; limpo está. "
" Mas no dia em que aparecer nela carne viva será imundo. "
" Vendo, pois, o sacerdote a carne viva, declará-lo-á por imundo; a carne é imunda; é lepra. "
" Ou, tornando a carne viva, e mudando-se em branca, então virá ao sacerdote, "
" E este o examinará, e eis que, se a praga se tornou branca, então o sacerdote declarará limpo o que tem a praga; limpo está. "
" Se também a carne, em cuja pele houver alguma úlcera, sarar, "
" E, em lugar da pústula, vier inchação branca ou mancha lustrosa, tirando a vermelho, mostrar-se-á então ao sacerdote. "
" E o sacerdote examinará, e eis que, se ela parece mais funda do que a pele, e o seu pêlo se tornou branco, o sacerdote o declarará por imundo; é praga da lepra que brotou da pústula. "
" E o sacerdote, vendo-a, e eis que se nela não houver pêlo branco, nem estiver mais funda do que a pele, mas encolhida, então o sacerdote o encerrará por sete dias. "
" Se ela grandemente se estender na pele, o sacerdote o declarará por imundo; praga é. "
" Mas se a mancha parar no seu lugar, não se estendendo, inflamação da pústula é; o sacerdote, pois, o declarará por limpo. "
" Ou, quando na pele da carne houver queimadura de fogo, e no que é sarado da queimadura houver mancha lustrosa, tirando a vermelho ou branco, "
" E o sacerdote vendo-a, e eis que se o pêlo na mancha se tornou branco e ela parece mais funda do que a pele, lepra é, que floresceu pela queimadura; portanto o sacerdote o declarará por imundo; é praga de lepra. "
" Mas, se o sacerdote, vendo-a, e eis que, se na mancha não aparecer pêlo branco, nem estiver mais funda do que a pele, mas recolhida, o sacerdote o encerrará por sete dias. "
" Depois o sacerdote o examinará ao sétimo dia; se grandemente se houver estendido na pele, o sacerdote o declarará por imundo; é praga de lepra. "
" Mas se a mancha parar no seu lugar, e na pele não se estender, mas se recolher, inchação da queimadura é; portanto o sacerdote o declarará por limpo, porque inflamação é da queimadura. "
" E, quando homem ou mulher tiver chaga na cabeça ou na barba, "
" E o sacerdote, examinando a chaga, e eis que, se ela parece mais funda do que a pele, e pêlo amarelo fino há nela, o sacerdote o declarará por imundo; é tinha, é lepra da cabeça ou da barba. "
" Mas, se o sacerdote, havendo examinado a praga da tinha, e eis que, se ela não parece mais funda do que a pele, e se nela não houver pêlo preto, então o sacerdote encerrará o que tem a praga da tinha por sete dias. "
" E o sacerdote examinará a praga ao sétimo dia; e eis que, se a tinha não se tiver estendido, e nela não houver pêlo amarelo, nem a tinha parecer mais funda do que a pele, "
" Então se rapará; mas não rapará a tinha; e o sacerdote segunda vez encerrará o que tem a tinha por sete dias. "
" Depois o sacerdote examinará a tinha ao sétimo dia; e eis que, se a tinha não se houver estendido na pele, e ela não parecer mais funda do que a pele, o sacerdote o declarará por limpo, e lavará as suas vestes, e será limpo. "
" Mas, se a tinha, depois da sua purificação, se houver estendido grandemente na pele, "
" Então o sacerdote o examinará, e eis que, se a tinha se tem estendido na pele, o sacerdote não buscará pêlo amarelo; imundo está. "
" Mas, se a tinha ao seu ver parou, e pêlo preto nela cresceu, a tinha está sã, limpo está; portanto o sacerdote o declarará por limpo. "
" E, quando homem ou mulher tiver manchas lustrosas brancas na pele da sua carne, "
" Então o sacerdote olhará, e eis que, se na pele da sua carne aparecem manchas lustrosas escurecidas, é impigem que floresceu na pele, limpo está. "
" E, quando os cabelos do homem caírem da cabeça, calvo é, mas limpo está. "
" E, se lhe caírem os cabelos na frente da cabeça, meio calvo é; mas limpo está. "
" Porém, se na calva, ou na meia calva, houver praga branca avermelhada, é lepra, florescendo na sua calva ou na sua meia calva. "
" Havendo, pois, o sacerdote examinado, e eis que, se a inchação da praga, na sua calva ou meia calva, está branca, tirando a vermelho, como parece a lepra na pele da carne, "
" Leproso é aquele homem, imundo está; o sacerdote o declarará totalmente por imundo, na sua cabeça tem a praga. "
" Também as vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgadas, e a sua cabeça será descoberta, e cobrirá o lábio superior, e clamará: Imundo, imundo. "
" Todos os dias em que a praga houver nele, será imundo; imundo está, habitará só; a sua habitação será fora do arraial. "
" Quando também em alguma roupa houver praga de lepra, em roupa de lã, ou em roupa de linho, "
" Ou no fio urdido, ou no fio tecido, seja de linho, ou seja de lã, ou em pele, ou em qualquer obra de peles, "
" E a praga na roupa, ou na pele, ou no fio urdido, ou no fio tecido, ou em qualquer coisa de peles aparecer verde ou vermelha, praga de lepra é, por isso se mostrará ao sacerdote, "
" E o sacerdote examinará a praga, e encerrará aquilo que tem a praga por sete dias. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.