Levítico 25:1
" Falou mais o SENHOR a Moisés no monte Sinai, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique Levítico 25 na sua vida hoje
55 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Deus ordena que a terra descanse a cada sete anos, sem plantio nem poda, como um sábado consagrado ao Senhor. Esse descanso lembra que a criação pertence a Deus, protege o solo e convida o povo a confiar na provisão divina, que supriria com abundância no sexto ano.
A cada cinquenta anos, o jubileu é proclamado com trombetas no Dia da Expiação. Nesse ano, há libertação e retorno: as propriedades vendidas voltam aos donos originais e famílias são reunidas. Isso impede a concentração definitiva de riquezas e reafirma que a terra é de Deus, que não permite que a miséria e a servidão se tornem destino irreversível em Israel.
As relações de compra e venda devem ser reguladas pelo número de colheitas até o jubileu, evitando engano e exploração. O temor a Deus é apresentado como base da integridade financeira, garantindo segurança na terra e fartura como fruto da obediência.
Quando um israelita empobrece, seus parentes são chamados a resgatar suas terras ou até a sua própria pessoa, se ele tiver se vendido. Há um forte chamado a sustentar o irmão enfraquecido, sem cobrar juros, para que possa viver com dignidade entre o povo.
Israelitas que se vendem por necessidade são tratados como diaristas e peregrinos, não como escravos permanentes. Devem ser liberados no jubileu, porque pertencem ao Senhor, que os tirou do Egito. Sobre o irmão israelita não se deve exercer domínio com rigor.
As casas nas cidades levíticas podem ser sempre resgatadas e retornam no jubileu, enquanto os campos ao redor não podem ser vendidos em definitivo, pois são sua possessão perpétua. Isso garante a estabilidade do serviço sacerdotal no meio do povo.
Levítico 25 se insere no contexto das leis dadas por Deus a Moisés no monte Sinai, antes da entrada de Israel na terra de Canaã. O povo estava sendo formado como uma nação santa, com um sistema jurídico e religioso distinto das nações vizinhas. Em muitos povos do Antigo Oriente Próximo, dívidas e crises econômicas podiam levar famílias inteiras a uma escravidão permanente, e terras vendidas dificilmente retornavam aos seus donos originais. Aqui, Deus estabelece um modelo diferente: a terra é vista como herança dada por Ele às tribos e famílias, e não como mercadoria absoluta. A ideia de anos sabáticos e do jubileu introduz um ritmo sagrado no tempo, com ciclos de descanso, remissão e recomeço social. Esses institutos protegiam a estrutura familiar, impediam a formação de uma elite proprietária permanente em Israel e mantinham viva a memória da libertação do Egito. O destaque para os levitas reflete seu papel especial: sem herança de terras como as outras tribos, eles dependiam de cidades e campos específicos, ligados diretamente ao serviço no santuário.
O capítulo é organizado de forma didática e progressiva:
Introdução e lei do ano sabático da terra (vv. 1-7):
Instituição do ano do jubileu (vv. 8-13):
Regras de comércio vinculadas ao jubileu (vv. 14-19):
Garantia da provisão divina para o ano sabático (vv. 20-22):
Princípio central: a terra pertence ao Senhor (vv. 23-24):
Leis sobre resgate de propriedades (vv. 25-34):
Cuidado com o irmão empobrecido e proibição de usura (vv. 35-38):
Tratamento do israelita vendido por necessidade (vv. 39-43):
Distinção entre israelitas e escravos estrangeiros (vv. 44-46):
Resgate do israelita vendido a estrangeiro (vv. 47-54):
Conclusão teológica (v. 55):
Levítico 25 revela um conjunto de verdades teológicas profundas que moldam a visão bíblica de Deus, da terra, do tempo e das relações humanas.
Primeiro, afirma-se de forma clara a soberania de Deus sobre a terra: "a terra é minha" (v. 23). Os israelitas não são donos absolutos, mas administradores da herança divina. Isso relativiza qualquer pretensão humana de posse total e dá à economia um caráter teológico: o uso da terra deve refletir o caráter do Doador.
Segundo, o capítulo mostra que o tempo é santificado por Deus. Anos sabáticos e o jubileu inserem pausas obrigatórias de descanso, redistribuição e libertação na vida nacional. O sábado da terra e o jubileu apontam para um Deus que ordena ritmos de trabalho e descanso, de acumular e devolver, de plantar e deixar repousar. O tempo não é apenas produtivo, mas também redentor.
Terceiro, a lei do jubileu encarna a graça restauradora. Propriedades retornam, dívidas são aliviadas, servos israelitas voltam às suas famílias. As consequências econômicas da pobreza não podem se tornar correntes inquebráveis. Essa estrutura social reflete o próprio caráter de Deus, que libertou Israel do Egito e não permite que seus servos sejam novamente escravizados de maneira definitiva.
Quarto, o temor do Senhor fundamenta a ética econômica. Não enganar o próximo, não cobrar juros do irmão pobre, não dominar com rigor: tudo isso é mandado "porque eu sou o Senhor vosso Deus" (vv. 17, 38). A justiça não é mera convenção social, mas resposta de reverência a Deus.
Quinto, o tratamento diferenciado entre israelitas e estrangeiros em questões de servidão revela a realidade cultural e legal da época, mas dentro de Israel é exigida uma comunidade marcada por fraternidade: "não vos assenhoreareis com rigor, uns sobre os outros" (v. 46). O princípio teológico de que Israel pertence a Deus como servos (vv. 42, 55) limita o poder humano e prepara o entendimento posterior de que toda autoridade deve servir, não oprimir.
Finalmente, o jubileu se torna um símbolo poderoso de libertação e restauração que ecoa em toda a Escritura. A ideia de um ano proclamado com trombetas, ligado ao Dia da Expiação, associa perdão, reconciliação e renovação social. Essa visão alimenta expectativas de um tempo definitivo de restauração plena, em que o povo de Deus viverá em liberdade completa sob o governo do Senhor.
Levítico 25 oferece um quadro que pode ser lido de forma terapêutica como um grande convite ao descanso, à esperança e à limitação da culpa e da vergonha ligadas ao fracasso material. A lei do ano sabático fala de parar de controlar tudo, aceitar limites e crer que a vida não depende apenas do próprio esforço. Isso pode aliviar a ansiedade de quem se sente constantemente pressionado a produzir e se sustentar.
O jubileu, com seu movimento de retorno e recomeço, toca em temas de culpa, perda e sensação de ponto sem volta. A estrutura que garante um novo início para famílias endividadas comunica que, diante de Deus, não existe apenas decadência contínua: há tempos determinados de restauração. Essa visão oferece conforto para histórias marcadas por dívidas emocionais, rupturas familiares e falhas graves.
A ênfase em sustentar o irmão enfraquecido, sem exploração, normaliza a experiência de fraqueza e necessidade. A pobreza é reconhecida como realidade possível, mas não como identidade definitiva, e o valor da pessoa não é medido apenas por sua capacidade de pagar ou produzir. Isso é terapêutico para quem internaliza o fracasso financeiro ou social como prova de menor valor.
Por fim, o lembrete constante de que o povo pertence a Deus e de que Ele os tirou da escravidão do Egito funda a identidade não no desempenho, mas na ação salvadora de Deus. Em termos emocionais, isso aponta para um senso de valor e pertencimento que não depende das circunstâncias externas.
O texto trata de temas sensíveis como pobreza extrema, perda de propriedades e formas de servidão e escravidão. Para pessoas com histórico de abuso, humilhação econômica ou experiências traumáticas de exploração no trabalho, essas passagens podem tocar em memórias dolorosas. A distinção entre tratamento de israelitas e de estrangeiros em relação à escravidão, lida fora do contexto histórico, pode ser especialmente perturbadora para quem sofreu discriminação ou racismo.
A linguagem de domínio, compra e venda de pessoas, mesmo em um contexto regulado, pode acionar sentimentos de desvalorização, desumanização ou gatilhos de violência doméstica e laboral. Há também risco de interpretações distorcidas, em que alguém use essas categorias antigas para justificar injustiças atuais ou abuso de poder em ambientes religiosos ou familiares.
Pessoas já muito sobrecarregadas por senso de obrigação podem ler as exigências do texto como mais peso, sem perceber o aspecto de cuidado e limite à exploração. Em situações de sofrimento intenso, é importante ler o capítulo com apoio pastoral ou terapêutico sensível, reconhecendo o contexto histórico e evitando que conceitos de servidão e submissão sejam aplicados de modo acrítico a relacionamentos atuais.
Levítico 25 inspira várias aplicações práticas para hoje, ainda que suas leis específicas não sejam reproduzidas literalmente.
Na área do trabalho e do descanso, o princípio do ano sabático convida a assumir ritmos saudáveis. Isso pode significar reservar tempos reais de descanso, férias, pausas semanais e limites claros para o trabalho, reconhecendo que a vida não depende apenas do próprio controle e desempenho. Organizações e famílias podem refletir esse princípio ao criar culturas que respeitam o descanso e não glorificam a exaustão.
No âmbito econômico, o capítulo sugere relacionamentos baseados em justiça e honestidade. Transações financeiras transparentes, preços justos, recusa à exploração em empréstimos, e respeito a contratos que levem em conta a realidade do outro ecoam a proibição de enganar o próximo. Isso pode se traduzir em práticas éticas nos negócios, recusa a lucros obtidos sobre a fragilidade dos outros e atenção aos mais vulneráveis economicamente.
O cuidado com o irmão empobrecido aponta para uma responsabilidade comunitária com quem passa por queda financeira ou emocional. Na prática, isso pode envolver ajuda material responsável, apoio profissional, criação de oportunidades de trabalho digno, acompanhamento e não apenas caridade pontual. A lógica é de restauração, não de dependência humilhante.
O conceito de jubileu inspira iniciativas de perdão e recomeço. Em escala pessoal, pode se expressar em romper ciclos de amargura, em renegociar dívidas familiares de forma justa, em dar novas oportunidades a quem falhou no passado. Em escala comunitária, pode motivar ações em favor de reconciliação social, inclusão e combate à pobreza estrutural.
Por fim, reconhecer que tudo pertence a Deus leva a uma vida de administração responsável de bens, tempo e relações. Isso pode orientar decisões financeiras, escolhas de carreira, uso da terra e dos recursos naturais, sempre com a consciência de que não são apenas direitos, mas encargos recebidos para serem usados com responsabilidade e misericórdia.
O ano sabático é o sétimo ano em um ciclo de sete anos, no qual a terra deveria descansar: não se podia semear o campo nem podar a vinha. Os frutos que nascessem espontaneamente serviriam de alimento para todos – donas da terra, servos, estrangeiros e animais. Esse ano era um sábado ao Senhor, lembrando que a terra pertence a Deus e que o povo deveria confiar na Sua provisão.
O ano do jubileu ocorria após sete ciclos de sete anos, ou seja, no quinquagésimo ano. Era proclamado com o toque de trombeta no Dia da Expiação. Nesse ano, a terra descansava como no ano sabático, as propriedades voltavam aos seus donos originais e as pessoas israelitas que haviam se vendido por necessidade eram libertas e voltavam às suas famílias. O jubileu impedia que a perda de terras e a servidão se tornassem permanentes em Israel.
Porque, na prática, não se vendia a terra de forma definitiva, mas o número de colheitas até o próximo jubileu. Quanto mais anos faltassem para o jubileu, maior o preço; quanto menos anos restassem, menor o valor. Isso reforçava que a terra era do Senhor e que cada família tinha direito permanente à sua herança, ainda que passasse por períodos de crise.
Quando o texto afirma que os israelitas são estrangeiros e peregrinos com Deus (v. 23), destaca que eles não são donos absolutos da terra, mas hóspedes sob o cuidado do Senhor. A identidade do povo não se baseia apenas na posse territorial, mas no relacionamento com Deus. Isso chama à humildade e ao reconhecimento de que tudo o que se possui é recebido e administrado diante dEle.
A pobreza é reconhecida como realidade possível, e são dadas instruções específicas para protegê-los. Parentes devem tentar resgatar as terras vendidas; se alguém se vender como servo, deve ser tratado como diarista e libertado no jubileu; não se deve cobrar juros nem explorar o irmão enfraquecido. A ideia central é que o necessitado não deve ser esmagado, mas sustentado, para que possa continuar vivendo com dignidade entre o povo de Deus.
No contexto de Levítico 25, israelitas não podiam ser tratados como escravos permanentes, pois eram servos do Senhor, tirados do Egito. Eles só podiam servir como diaristas até o jubileu. Já os escravos adquiridos das nações ao redor podiam ser mantidos como posse duradoura. Isso reflete a realidade social e jurídica da época, ao mesmo tempo em que cria, dentro de Israel, uma comunidade de irmãos na qual não era permitido dominar com rigor uns sobre os outros.
Levítico 25 desenha um cenário em que Deus não ignora o cansaço, as perdas e os fracassos do Seu povo. O ano sabático e o jubileu mostram um Deus que, no meio da dureza da vida, coloca pausas obrigatórias de descanso, de alívio e de recomeço. O povo não precisava viver em tensão constante, como se tudo dependesse deles: havia um tempo em que a terra parava, a dívida cessava de crescer, o servo voltava para casa. Esse capítulo acolhe a realidade de quem empobrece e se enfraquece. Não há romantização da força; há reconhecimento de que as forças podem decair. E, diante disso, o mandamento não é afastar-se do fraco, mas sustentá-lo, aproximar-se, evitar qualquer tipo de ganho em cima da dor dele. É uma imagem de comunidade que abraça em vez de julgar. Ao lembrar a todo momento: "Eu vos tirei da terra do Egito", Deus recorda uma identidade anterior a qualquer falha ou queda: antes de ser devedor, servo ou pobre, Israel é povo resgatado, gente que pertence ao Senhor. Esse fundamento oferece muito consolo a corações marcados por perdas materiais ou por histórias de humilhação. No centro do capítulo não está a capacidade das pessoas de se levantar sozinhas, mas um Deus que organiza a vida de tal forma que a opressão não tenha a última palavra. O jubileu, com seu anúncio de liberdade, fala de um Deus que escreve na história ciclos de retorno: retorno à terra, à família, ao descanso. Para corações cansados e aflitos, essa visão abre espaço para crer que Deus não deixa a história travada na ruína, mas preserva caminhos para restaurar o que parece definitivamente perdido.
Levítico 25 é um texto jurídico-teológico sofisticado, que apresenta uma visão integrada de teologia, economia, terra e tempo. As instituições do ano sabático e do jubileu se articulam a partir de uma premissa fundamental: a terra pertence ao Senhor (v. 23), e Israel é apenas administrador e hóspede. Essa compreensão corrige qualquer noção de propriedade absoluta e leva a um modelo singular de ordenamento social. Do ponto de vista exegético, o capítulo mostra a ampliação do princípio sabático: não apenas a semana, mas também os anos são estruturados em ciclos de sete. O sétimo ano é sabático para a terra; sete ciclos de sete anos culminam no jubileu, um mega-sábado de restauração. A proclamação do jubileu no Dia da Expiação une perdão de pecados e renovação das estruturas sociais, o que reflete a unidade entre culto e vida cotidiana no pensamento bíblico. As instruções sobre compra e venda, sobretudo nos vv. 14-17, revelam uma lógica econômica baseada no uso da terra, não na sua alienação definitiva. O cálculo do preço conforme o número de colheitas até o jubileu mostra que, na prática, se comercializa a produção e não a herança em si. Isso é reforçado pelas leis de resgate, que permitem a recuperação da propriedade em caso de melhora financeira ou por meio do parente resgatador (goel), figura importante também em outros textos bíblicos. As seções sobre servidão (vv. 39-55) fazem distinções entre israelitas e estrangeiros, refletindo a estrutura étnico-jurídica de Israel antigo. Ainda que a escravidão não seja abolida, ela é regulada com forte ênfase na proteção do israelita: ele não pode ser reduzido à condição de escravo permanente, pois sua identidade fundamental é de servo de Yahweh, libertado do Egito. Essa teologia da libertação passada (êxodo) molda o direito privado, limitando o poder de senhores humanos. A posição dos levitas, com direito perpétuo de resgate de suas casas e proibição de venda definitiva de seus campos, ressalta o papel dessa tribo como dedicada ao culto. Sua estabilidade territorial garante a continuidade do serviço religioso no meio do povo. Em conjunto, o capítulo traça um modelo de sociedade no qual a memória da salvação e o temor de Deus estruturam práticas concretas de justiça e misericórdia.
Levítico 25 traduz princípios que dialogam diretamente com a forma como se lida hoje com trabalho, dinheiro, propriedade e poder. A ideia de ano sabático confronta um estilo de vida orientado apenas por produtividade. Ela sugere que, em algum momento, é preciso parar, deixar de explorar o máximo possível da terra – ou de si mesmo – e admitir limites. Numa agenda moderna, isso poderia significar organizar rotinas com pausas reais, respeitar folgas, aprender a dizer não a demandas abusivas e aceitar que há épocas de menos produção sem que isso signifique fracasso. As regras de comércio desafiam práticas econômicas que se aproveitam da vulnerabilidade alheia. Ao ligar o valor da terra ao número de colheitas até o jubileu, o texto propõe um critério objetivo e transparente, reduzindo espaço para manipulação. Em termos atuais, inspira a buscar negociações claras, contratos justos e critérios definidos que não variem conforme o interesse de quem tem mais poder. O cuidado com o irmão que empobrece traz um chamado concreto à responsabilidade comunitária. Em vez de reforçar o estigma do fracasso, o texto assume que crises acontecem e orienta a reagir com suporte: resgatar quando possível, oferecer sustento, evitar juros e ganhos abusivos. Transposto para o cotidiano, isso pode significar apoiar familiares em dificuldades sem humilhar, pensar em formas de ajuda que gerem autonomia, não aproveitar fragilidades para tirar vantagem em negócios, e apoiar iniciativas que favoreçam inclusão econômica. O tratamento do israelita que se vende por necessidade como diarista, e não como escravo, aponta para uma ética de trabalho marcada por respeito à dignidade. Mesmo em relações de grande desigualdade, há limites para o que se pode exigir e para a forma como se trata quem está em posição de vulnerabilidade. Em ambientes profissionais de hoje, essa lógica se traduz em relações menos abusivas, em respeito a funcionários, diaristas, prestadores de serviço, e na recusa a explorar a necessidade de quem não tem muitas opções. Por fim, a consciência de que "a terra é minha" e que o povo é servo de Deus lembra que bens, talentos e posições não são absolutos. Isso influencia decisões de carreira, consumo, uso de recursos naturais e manejo de patrimônio, levando a perguntar não apenas o que é lucrativo, mas o que é responsável, solidário e coerente com o caráter de um Deus que estrutura a vida em favor da justiça e da misericórdia.
Levítico 25 amplia a compreensão da vida espiritual ao mostrar que Deus organiza não só o culto, mas também o tempo, a terra e as relações humanas de acordo com o Seu propósito. O ano sabático e o jubileu apontam para uma espiritualidade que aprende a descansar, a soltar o controle e a viver por confiança, não apenas por cálculo. A terra que descansa se torna um sinal visível de que a provisão última vem do Senhor, e não do esforço contínuo. O jubileu, proclamado no Dia da Expiação, une perdão e libertação em uma só celebração. Socialmente, terras voltam, servos regressam, dívidas são aliviadas; espiritualmente, isso retrata um Deus que escreve na história ciclos de graça e recomeço. A alma é convidada a enxergar o tempo não como linha contínua de acúmulo de perdas e fardos, mas como espaço onde Deus insere "anos aceitáveis" em que Ele restabelece, cura e reconduz. Quando o texto afirma que Israel é servo do Senhor, libertado do Egito, coloca a identidade espiritual antes de qualquer forma de escravidão humana. Essa verdade ecoa em toda a Escritura: a verdadeira liberdade não é apenas ausência de correntes externas, mas pertencimento ao Deus que salva. Reconhecer-se servo de Deus, e não de ídolos como riqueza, status ou autoimagem, torna-se fundamento de uma vida interior mais leve, menos escravizada a expectativas e medos. O princípio de que a terra é de Deus e o povo é dEle relativiza todas as posses e posições. Isso ajuda a alma a desapegar-se da ilusão de controle absoluto, lembrando que tudo o que se tem é recebido, temporário, destinado ao serviço e não ao domínio. Tal perspectiva orienta práticas de generosidade, contentamento e intercessão pelos que sofrem injustiça, como expressões de um coração alinhado ao governo de Deus. Visto em conjunto, o capítulo projeta uma esperança maior: um tempo definitivo em que a criação inteira experimentará algo semelhante a um grande jubileu, com descanso pleno, liberdade real e restauração de tudo o que foi quebrado. A leitura espiritual de Levítico 25 alimenta o anseio por essa realidade futura e convida a viver, já agora, sinais dessa liberdade na forma de perdão, reconciliação e confiança profunda no Senhor.
" Falou mais o SENHOR a Moisés no monte Sinai, dizendo: "
" Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando tiverdes entrado na terra, que eu vos dou, então a terra descansará um sábado ao Senhor. "
" Seis anos semearás a tua terra, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás os seus frutos; "
" Porém ao sétimo ano haverá sábado de descanso para a terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo nem podarás a tua vinha. "
" O que nascer de si mesmo da tua sega, não colherás, e as uvas da tua separação não vindimarás; ano de descanso será para a terra. "
" Mas os frutos do sábado da terra vos serão por alimento, a ti, e ao teu servo, e à tua serva, e ao teu diarista, e ao estrangeiro que peregrina contigo; "
" E ao teu gado, e aos teus animais, que estão na tua terra, todo o seu produto será por mantimento. "
" Também contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos; de maneira que os dias das sete semanas de anos te serão quarenta e nove anos. "
" Então no mês sétimo, aos dez do mês, farás passar a trombeta do jubileu; no dia da expiação fareis passar a trombeta por toda a vossa terra, "
" E santificareis o ano qüinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores; ano de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família. "
" O ano qüinquagésimo vos será jubileu; não semeareis nem colhereis o que nele nascer de si mesmo, nem nele vindimareis as uvas das separações, "
" Porque jubileu é, santo será para vós; a novidade do campo comereis. "
" Neste ano do jubileu tornareis cada um à sua possessão. "
" E quando venderdes alguma coisa ao vosso próximo, ou a comprardes da mão do vosso próximo, ninguém engane a seu irmão; "
" Conforme ao número dos anos, desde o jubileu, comprarás ao teu próximo; e conforme o número dos anos das colheitas, ele a venderá a ti. "
" Conforme se multipliquem os anos, aumentarás o seu preço, e conforme à diminuição dos anos abaixarás o seu preço; porque conforme o número das colheitas é que ele te vende. "
" Ninguém, pois, engane ao seu próximo; mas terás temor do teu Deus; porque eu sou o Senhor vosso Deus. "
" E observareis os meus estatutos, e guardareis os meus juízos, e os cumprireis; assim habitareis seguros na terra. "
" E a terra dará o seu fruto, e comereis a fartar, e nela habitareis seguros. "
" E se disserdes: Que comeremos no ano sétimo? eis que não havemos de semear nem fazer a nossa colheita; "
" Então eu mandarei a minha bênção sobre vós no sexto ano, para que dê fruto por três anos, "
" E no oitavo ano semeareis, e comereis da colheita velha até ao ano nono; até que venha a nova colheita, comereis a velha. "
" Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós sois estrangeiros e peregrinos comigo. "
" Portanto em toda a terra da vossa possessão dareis resgate à terra. "
" Quando teu irmão empobrecer e vender alguma parte da sua possessão, então virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que vendeu seu irmão. "
" E se alguém não tiver resgatador, porém conseguir o suficiente para o seu resgate, "
" Então contará os anos desde a sua venda, e o que ficar restituirá ao homem a quem a vendeu, e tornará à sua possessão. "
" Mas se não conseguir o suficiente para restituir-lha, então a que foi vendida ficará na mão do comprador até ao ano do jubileu; porém no ano do jubileu sairá, e ele tornará à sua possessão. "
" E, quando alguém vender uma casa de moradia em cidade murada, então poderá resgatá-la até que se cumpra o ano da sua venda; durante um ano inteiro será lícito o seu resgate. "
" Mas, se, cumprindo-se-lhe um ano inteiro, ainda não for resgatada, então a casa, que estiver na cidade que tem muro, em perpetuidade ficará ao que a comprou, pelas suas gerações; não sairá no jubileu. "
" Mas as casas das aldeias que não têm muro ao redor, serão estimadas como o campo da terra; para elas haverá resgate, e sairão no jubileu. "
" Mas, no tocante às cidades dos levitas, às casas das cidades da sua possessão, direito perpétuo de resgate terão os levitas. "
" E se alguém comprar dos levitas, uma casa, a casa comprada e a cidade da sua possessão sairão do poder do comprador no jubileu; porque as casas das cidades dos levitas são a sua possessão no meio dos filhos de Israel. "
" Mas o campo do arrabalde das suas cidades não se venderá, porque lhes é possessão perpétua. "
" E, quando teu irmão empobrecer, e as suas forças decaírem, então sustentá-lo-ás, como estrangeiro e peregrino viverá contigo. "
" Não tomarás dele juros, nem ganho; mas do teu Deus terás temor, para que teu irmão viva contigo. "
" Não lhe darás teu dinheiro com usura, nem darás do teu alimento por interesse. "
" Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos dar a terra de Canaã, para ser vosso Deus. "
" Quando também teu irmão empobrecer, estando ele contigo, e vender-se a ti, não o farás servir como escravo. "
" Como diarista, como peregrino estará contigo; até ao ano do jubileu te servirá; "
" Então sairá do teu serviço, ele e seus filhos com ele, e tornará à sua família e à possessão de seus pais. "
" Porque são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão vendidos como se vendem os escravos. "
" Não te assenhorearás dele com rigor, mas do teu Deus terás temor. "
" E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das nações que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas. "
" Também os comprareis dos filhos dos forasteiros que peregrinam entre vós, deles e das suas famílias que estiverem convosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por possessão. "
" E possuí-los-eis por herança para vossos filhos depois de vós, para herdarem a possessão; perpetuamente os fareis servir; mas sobre vossos irmãos, os filhos de Israel, não vos assenhoreareis com rigor, uns sobre os outros. "
" E se o estrangeiro ou peregrino que está contigo alcançar riqueza, e teu irmão, que está com ele, empobrecer, e vender-se ao estrangeiro ou peregrino que está contigo, ou a alguém da família do estrangeiro, "
" Depois que se houver vendido, haverá resgate para ele; um de seus irmãos o poderá resgatar; "
" Ou seu tio, ou o filho de seu tio o poderá resgatar; ou um dos seus parentes, da sua família, o poderá resgatar; ou, se alcançar riqueza, se resgatará a si mesmo. "
" E acertará com aquele que o comprou, desde o ano que se vendeu a ele até ao ano do jubileu, e o preço da sua venda será conforme o número dos anos; conforme os dias de um diarista estará com ele. "
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