Versículo em destaque
Levítico 11:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E falou o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo-lhes: "
Levítico 11:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 E falou o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo-lhes:
2 Fala aos filhos de Israel, dizendo: Estes são os animais, que comereis dentre todos os animais que há sobre a terra;
3 Dentre os animais, todo o que tem unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, e rumina, deles comereis.
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Agora que Arão havia sido consagrado como sumo sacerdote na casa de Deus, o Senhor falou com ele juntamente com Moisés e os constituiu como mensageiros conjuntos da sua vontade ao povo. Ele falou com ambos sobre este assunto porque cabia especialmente aos sacerdotes distinguir entre o que era limpo e o que era imundo, e ensinar o povo a fazer o mesmo. A função sacerdotal incluía não apenas o serviço no altar, mas também instruir o povo sobre a santidade em todos os aspectos da vida.
Depois do dilúvio, quando Deus fez aliança com Noé e seus filhos, Ele permitiu que comessem carne (Gênesis 9:3), enquanto antes disso estavam limitados às plantas da terra. Mas a liberdade dada à família de Noé aqui é limitada para Israel. Eles podiam comer carne, mas não qualquer carne. Alguns animais deviam ser tratados como imundos e proibidos, enquanto outros eram limpos e permitidos. A lei é muito detalhada e muito rigorosa.
Que razão se pode dar para uma lei assim? Por que o povo de Deus não deveria ter um uso tão livre de todas as criaturas como os outros? Em primeiro lugar, basta como razão o fato de que Deus assim o quis. A vontade de Deus é lei suficiente, e também razão suficiente, porque a sua vontade é a própria sabedoria. Ele escolheu isso para provar e treinar a obediência do seu povo, não só no culto do altar, mas também nas questões diárias de sua própria mesa, para que se lembrassem de que estavam debaixo de autoridade. Do mesmo modo, Deus provou a obediência de Adão no estado de inocência proibindo-o de comer de uma única árvore.
Em segundo lugar, a maior parte dos alimentos proibidos como imundos eram realmente prejudiciais à saúde e não próprios para alimentação. Mesmo aqueles que hoje julgamos inofensivos, como coelho, lebre e porco, podiam ser nocivos naquelas terras e àquele tipo de constituição física. Nesse caso, Deus agia como um pai sábio e amoroso que guarda os filhos de um alimento que sabe que lhes fará mal. O Senhor cuida do corpo, e é não só tolice, mas pecado, estragarmos nossa saúde apenas para agradar o apetite.
Em terceiro lugar, Deus queria que o seu povo fosse visivelmente diferente das outras nações, não só na adoração, mas também na vida comum. Assim Ele lhes mostrava que não deviam ser contados entre as nações. Parece que já havia alguma diferença de alimentação entre os hebreus e outros povos, preservada pela tradição, pois os egípcios e os hebreus não comiam juntos (Gênesis 43:32). Mesmo antes do dilúvio, já havia uma divisão entre animais limpos e imundos (Gênesis 7:2), embora muito disso tenha se perdido depois entre os gentios, junto com muitos outros atos de religião. Por esta lei, a distinção foi fixada e preservada entre os judeus, de modo que, tendo uma dieta própria, eles eram impedidos de estreita comunhão com vizinhos idólatras e, ao mesmo tempo, apontavam para o Israel espiritual de Deus: um povo que não seria moldado por regrinhas sobre comida, mas por um espírito santo e uma vida santa, e que não se deixaria tomar a forma deste mundo.
Os estudiosos também observam que muitas das criaturas aqui chamadas de imundas eram altamente honradas pelos pagãos, não tanto como alimento, mas usadas em adivinhações e em sacrifícios aos seus deuses. Assim, os mesmos animais que os gentios tratavam com respeito supersticioso são aqui marcados como imundos, mesmo nos casos em que os israelitas não fossem tentados a comê-los. Isso ajudava a manter um santo repúdio pelo que os gentios valorizavam de maneira idólatra. O porco era sagrado a Vênus, a coruja a Minerva, a águia a Júpiter, o cão a Hécate, e assim por diante, e todos esses são declarados imundos aqui.
Quanto aos animais terrestres, a regra é simples: somente os que tinham o casco fendido e ruminavam eram limpos. Eles são listados novamente na repetição da lei (Deuteronômio 14:4, Deuteronômio 14:5), onde fica claro que Israel ainda tinha bastante variedade e nenhum motivo real para reclamar de restrição. Qualquer animal que não tivesse as duas características era imundo. Por essa regra, carne de porco, lebre e coelho eram proibidos para eles, embora sejam comumente consumidos entre nós. Assim, sempre que comemos qualquer um desses, devemos agradecer a Deus pela liberdade que o evangelho nos dá nessa matéria, pois ele ensina que toda criatura de Deus é boa, e que não devemos chamar de comum ou imundo aquilo que Deus criou.
Alguns veem um sentido espiritual nessa regra. A meditação e outros atos de devoção feitos na vida oculta do coração podem ser representados pelo ruminar, como quem digere o alimento espiritual. A justiça e a bondade para com o próximo, junto com uma boa conduta exterior, podem ser representadas pelo casco fendido. Mas nenhuma dessas coisas, sozinha, é suficiente para nos tornar aceitáveis a Deus. As duas devem andar juntas: bons desejos no coração e boas obras na vida. Se qualquer uma delas faltar, não somos limpos.
De todas as criaturas proibidas aqui, nenhuma era mais detestada pelos judeus piedosos do que a carne de porco. Muitos foram mortos por Antíoco porque se recusaram a comê-la. Provavelmente este era o alimento em que corriam maior risco de serem tentados, por isso ensinaram a si mesmos e a seus filhos a sentir uma repulsa especial por ele, chegando a chamá-lo por outro nome, “coisa estranha”. Parece que os gentios o usavam de forma supersticiosa (Isaías 65:4), e assim Deus proibiu totalmente o seu povo de usá-lo, para que não aprendessem com os vizinhos a fazer um mau uso dele.
Alguns sugerem ainda que a proibição desses animais servia também como advertência contra os seus maus hábitos. Não devemos ser imundos nem revolver-nos na lama como os porcos, nem ser tímidos e fracos como as lebres, nem viver para o que está rente ao chão como os coelhos. Que ninguém, tendo honra, se faça semelhante aos animais que perecem. A lei proibia não só comê-los, mas até tocá-los, porque quem quer evitar o pecado deve afastar-se também de suas tentações e de tudo o que pende para ele ou conduz a ele.
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Deste capítulo
Levítico 11:2
"Fala aos filhos de Israel, dizendo: Estes são os animais, que comereis dentre todos os animais que há sobre a terra;"
Levítico 11:3
"Dentre os animais, todo o que tem unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, e rumina, deles comereis."
Levítico 11:4
"Destes, porém, não comereis; dos que ruminam ou dos que têm unhas fendidas; o camelo, que rumina, mas não tem unhas fendidas; esse vos será imundo;"
Levítico 11:5
"E o coelho, porque rumina, mas não tem as unhas fendidas; esse vos será imundo;"
Levítico 11:6
"E a lebre, porque rumina, mas não tem as unhas fendidas; essa vos será imunda."
Levítico 11:7
"Também o porco, porque tem unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, mas não rumina; este vos será imundo."
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