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Levítico 17:1 - Significado e aplicação
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Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: "
Levítico 17:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo:
2 Fala a Arão e aos seus filhos, e a todos os filhos de Israel, e dize-lhes: Esta é a palavra que o Senhor ordenou, dizendo:
3 Qualquer homem da casa de Israel que degolar boi, ou cordeiro, ou cabra, no arraial, ou quem os degolar fora do arraial,
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Esta lei exigia que todo o povo de Israel trouxesse cada sacrifício ao altar de Deus e o oferecesse ali. Para entendê‑la corretamente, é preciso lembrar como as coisas eram antes e como essa ordenança mudou a situação.
Antes dessa lei, o povo podia construir altares e oferecer sacrifícios a Deus onde quisesse. Onde quer que Abraão armava sua tenda, ele erguia um altar, e cada chefe de família atuava como sacerdote de sua própria casa, como se vê em (Jó 1:5). Mas essa liberdade levou à idolatria. Quando cada um era seu próprio sacerdote e tinha seu próprio altar, aos poucos passaram a seguir seus próprios pensamentos vazios, inventando deuses para si mesmos e oferecendo sacrifícios a demônios, ou espíritos malignos, como é mencionado em (Levítico 17:7).
A palavra usada ali se refere a bodes ásperos ou peludos, porque se entendia que espíritos malignos se manifestavam sob essa forma. Faziam isso para atrair sacrifícios e levar as pessoas a pensar que o culto delas estava sendo aceito. Desde que o diabo se desviou de Deus e se tornou seu inimigo, sempre procurou tomar para si a honra que pertence a Deus. Teve até a ousadia de pedir que o Senhor Jesus Cristo o adorasse.
Os israelitas já haviam aprendido no Egito a sacrificar a demônios. E alguns deles, ao que parece, continuaram a fazer isso mesmo depois que o Deus de Israel havia demonstrado tão claramente seu poder no meio deles. A Escritura diz que eles se prostituíram após esses demônios, porque isso quebrava a aliança com Deus da mesma forma que o adultério quebra o casamento. Apegaram‑se à idolatria com tanta força, e era tão difícil desviá‑los dela, que Deus com toda razão se chama de Deus zeloso.
Essa lei resolveu a questão de maneira firme. Alguns entendem que, enquanto Israel estivesse no deserto, ninguém poderia matar boi, carneiro, novilho, cordeiro ou bode para simples alimentação, a não ser à porta do tabernáculo. Ali, o sangue e a gordura deveriam ser oferecidos a Deus no altar, e a carne seria devolvida ao adorador para ser comida como oferta pacífica. A formulação de (Levítico 17:3‑4) parece apoiar essa visão, porque fala de forma ampla sobre matar qualquer boi, cordeiro ou bode. Dr. Cudworth entendeu dessa forma e pensou que, enquanto o tabernáculo estivesse no meio do acampamento, eles não comiam carne alguma que não tivesse sido primeiro oferecida a Deus.
Segundo esse entendimento, essa regra foi mudada quando estavam para entrar em Canaã, como se vê em (Deuteronômio 12:21). A partir daí, podiam matar o gado maior e menor em casa, assim como matavam veados e gazelas. Mesmo assim, ainda precisavam comparecer diante de Deus no seu tabernáculo três vezes por ano, para comer e beber diante dele ali. Essa ideia também combina com a situação no deserto, pois o povo parece ter comido muito pouca carne que não viesse das ofertas pacíficas, preservando a maior parte do rebanho para reprodução até chegarem a Canaã. Isso ajuda a explicar por que reclamaram de falta de carne e se cansaram do maná (Números 11:4; Números 11:22).
Ainda assim, é difícil tratar essa disposição apenas como regra temporária, porque a lei a chama de estatuto perpétuo em (Levítico 17:7). Por isso, parece melhor entendê‑la como proibição de matar animais para sacrifício em qualquer lugar que não fosse o altar de Deus. Não deveriam mais fazer ofertas no campo aberto, como antes, nem mesmo ao verdadeiro Deus, mas deviam trazê‑las ao sacerdote, para serem oferecidas no altar do Senhor. A consagração recente tanto dos sacerdotes quanto do altar era um forte motivo para que se apegassem ao lugar que Deus havia claramente escolhido e aprovado.
Essa lei se aplicava não só aos israelitas, mas também aos estrangeiros que moravam entre eles, haviam sido circuncidados e se unido ao povo da aliança. Esses estavam especialmente em perigo de manter seus antigos costumes de culto. Se alguém quebrasse essa lei e oferecesse sacrifício em qualquer lugar além do tabernáculo, a culpa era muito séria. O sangue seria lançado sobre essa pessoa, porque ela havia derramado sangue, ainda que a vítima fosse apenas um animal (Levítico 17:4).
A razão é que o direito de matar animais nos pertence apenas por dádiva de Deus, e mesmo assim somente dentro dos limites que ele determina. Não devemos fazê‑lo com crueldade nem por superstição (Gênesis 9:3‑4). Nenhuma criatura foi tão abusada quanto quando o homem a transformou em falso deus ou em sacrifício a falsos deuses. Isso talvez faça parte do que o apóstolo quer dizer quando fala da criação sujeita à vaidade e à escravidão da corrupção (Romanos 8:20‑21; comparar com Romanos 1:23; Romanos 1:25). Os sacrifícios idólatras eram vistos não só como adultério espiritual, mas também como homicídio. Como diz Isaías, quem oferece tais sacrifícios é como quem mata um homem (Isaías 66:3).
A punição também era severa. Esse homem deveria ser eliminado do meio do seu povo. Se o crime fosse público e notório, o magistrado deveria puni‑lo. Se não fosse, Deus mesmo tomaria o caso em suas mãos, e o transgressor seria eliminado por um juízo direto da parte dele.
Deus deu essa lei por vários motivos. Um deles era impedir a idolatria e a superstição. Se os sacrifícios deveriam ser oferecidos a Deus de maneira correta e sem alterações, precisavam ser oferecidos pelos sacerdotes, que serviam na casa de Deus, e sob os olhos do sumo sacerdote, que supervisionava a casa e garantia que tudo fosse feito conforme o mandamento divino. Outro motivo era preservar a honra do templo e do altar de Deus, cuja dignidade especial seria enfraquecida se qualquer um pudesse sacrificar onde bem entendesse. Um terceiro motivo era conservar a unidade e o amor fraternal entre os israelitas, para que, encontrando‑se em um só altar, como filhos de uma família se assentam diariamente a uma mesma mesa, vivessem juntos como irmãos e fossem de um mesmo pensar no Senhor.
Quando Israel foi fiel, guardou essa lei com muito cuidado, como se vê na forte reação contra o altar construído pelas duas tribos e meia, altar que eles jamais teriam permitido se pensassem que era para sacrifícios (Josué 22:12 e seguintes). Mas por muitas gerações, a violação dessa lei se tornou um pecado vergonhoso e duradouro na congregação de Israel. Isso aparece repetidas vezes na história até mesmo dos bons reis: “Os altos não foram tirados”. Isso abriu a porta para as piores formas de idolatria. Contudo, em casos especiais, essa lei foi suspensa.
O sacrifício de Gideão (Juízes 6:26), o sacrifício de Manoá (Juízes 13:19), os sacrifícios de Samuel (1 Samuel 7:9; 1 Samuel 9:13; 1 Samuel 11:15), o sacrifício de Davi (2 Samuel 24:18) e o sacrifício de Elias (1 Reis 18:23) foram aceitos, embora não tenham sido oferecidos no lugar habitual. Mas esses casos foram mandados por anjos ou oferecidos por profetas. Alguns também entendem que, depois da destruição de Siló e antes da construção do templo, os sacrifícios foram mais tolerados em outros lugares, já que a arca e o altar não estavam fixos.
E o que essa lei significa para nós hoje? Os sacrifícios espirituais não estão limitados a um só lugar. Nosso Salvador deixou isso claro (João 4:21), e o apóstolo também (1 Timóteo 2:8), em harmonia com a profecia de que em todo lugar seria oferecido incenso (Malaquias 1:11). Já não existe um único templo visível ou um único altar de pedra que torne santa a oferta. A unidade do evangelho não está presa a um lugar, mas a um só coração e à unidade do Espírito.
Cristo é o nosso altar e o verdadeiro tabernáculo, a tenda santa onde Deus se encontra com o seu povo (Hebreus 8:2; Hebreus 13:10). Nele, Deus habita entre nós. Somente nele nossos sacrifícios se tornam agradáveis a Deus (1 Pedro 2:5). Levantar outros mediadores, isto é, outros intermediários, ou outros altares, ou outros sacrifícios pelo pecado, é na verdade levantar outros deuses. Cristo é o centro da unidade, o lugar para onde todo o Israel de Deus converge.
Mesmo assim, o culto público continua importante. Não devemos deixar de nos congregar com o povo de Deus (Hebreus 10:25). O Senhor ama as portas de Sião mais do que todas as moradas de Jacó, e nós também devemos amá‑las (Ezequiel 20:40). Deus aceita com prazer o culto que lhe prestamos em casa, mas isso não significa que devamos negligenciar a porta do tabernáculo, o lugar do culto público.
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Deste capítulo
Levítico 17:2
"Fala a Arão e aos seus filhos, e a todos os filhos de Israel, e dize-lhes: Esta é a palavra que o Senhor ordenou, dizendo:"
Levítico 17:3
"Qualquer homem da casa de Israel que degolar boi, ou cordeiro, ou cabra, no arraial, ou quem os degolar fora do arraial,"
Levítico 17:4
"E não os trouxer à porta da tenda da congregação, para oferecer oferta ao Senhor diante do tabernáculo do Senhor, a esse homem será imputado o sangue; derramou sangue; por isso será extirpado do seu povo;"
Levítico 17:5
"Para que os filhos de Israel, trazendo os seus sacrifícios, que oferecem sobre a face do campo, os tragam ao Senhor, à porta da tenda da congregação, ao sacerdote, e os ofereçam por sacrifícios pacíficos ao Senhor."
Levítico 17:6
"E o sacerdote espargirá o sangue sobre o altar do Senhor, à porta da tenda da congregação, e queimará a gordura por cheiro suave ao Senhor."
Levítico 17:7
"E nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos demônios, após os quais eles se prostituem; isto ser-lhes-á por estatuto perpétuo nas suas gerações."
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