2 Samuel 10 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 2 Samuel 10 na sua vida hoje

19 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 2 Samuel 10?

2 Samuel 10 narra como um gesto de bondade de Davi ao novo rei dos amonitas é interpretado como ameaça, gerando humilhação pública aos mensageiros de Israel e culminando em uma guerra. Joabe e Abisai lideram o exército com coragem e confiança na soberania de Deus, e Davi, por fim, derrota uma grande coalizão síria. O capítulo mostra como a desconfiança e o orgulho podem acender conflitos desnecessários, enquanto o Senhor permanece no controle das nações.

Temas principais em 2 Samuel 10

Benevolência mal interpretada e ruptura de alianças (versículos 2–4)

Davi deseja consolar Hanum em respeito ao favor recebido de Naás, mas os príncipes de Amom interpretam o gesto como espionagem. A suspeita transforma consolo em conflito e destrói qualquer possibilidade de paz.

Versículos-chave: 2, 3, 4

Humilhação e dignidade restaurada (versículos 4–5)

Os servos de Davi sofrem humilhação pública ao terem metade da barba e das vestes cortadas. A reação de Davi busca preservar a dignidade deles, dando tempo para se restabelecerem antes de voltarem a Jerusalém.

Versículos-chave: 4, 5

Escalada desnecessária de conflito (versículos 6–8)

Ao perceberem que se tornaram abomináveis para Davi, os amonitas não procuram arrependimento ou reconciliação, mas contratam exércitos estrangeiros e ampliam o conflito regional.

Versículos-chave: 6, 7, 8

Coragem responsável e confiança na soberania de Deus (versículos 9–12)

Joabe organiza estrategicamente o exército com Abisai e os exorta a se esforçarem pelo povo e pelas cidades de Deus, enquanto se submetem ao resultado que o Senhor considerar adequado.

Versículos-chave: 11, 12

Derrota dos inimigos e estabelecimento de paz (versículos 15–19)

Após a fuga dos sírios e amonitas, Davi lidera pessoalmente uma nova campanha, derrota um poderoso exército aliado, e os reis vassalos de Hadadezer fazem paz e passam a servir Israel.

Versículos-chave: 17, 18, 19

Contexto histórico e literario

O contexto de 2 Samuel 10 está no período do reino unificado de Israel sob Davi, quando o poder e a influência de Israel estavam em expansão. Os filhos de Amom habitavam a leste do Jordão, com capital em Rabá, e tinham histórico de tensões e momentos de relativa paz com Israel. Naás, rei de Amom, havia, em algum momento, tratado Davi com benevolência, talvez em tempos de perseguição por Saul ou em acordos políticos regionais.

A morte de Naás e a ascensão de seu filho Hanum abrem espaço para uma redefinição das relações diplomáticas. Em vez de consolidar uma aliança com Israel, os conselheiros amonitas interpretam a missão de consolo como espionagem, refletindo o clima de desconfiança entre povos vizinhos. A humilhação dos mensageiros – cortar metade da barba e das vestes até às nádegas – era uma grave afronta no mundo antigo, especialmente em culturas onde a barba representava honra masculina.

Para se fortalecerem, os amonitas contratam sírios de Bete-Reobe e Zobá, além de contingentes de Maaca e Tobe. Hadadezer, rei de Zobá, já havia sido derrotado por Davi anteriormente (capítulos 8–9) e volta à cena mobilizando tropas "do outro lado do rio", provavelmente referência à região ao norte do Eufrates. O texto mostra Israel enfrentando uma coalizão internacional, o que ressalta o peso geopolítico do reino de Davi. As vitórias israelitas revelam não apenas habilidade militar, mas também a convicção de que o Senhor, Deus de Israel, é soberano acima das alianças humanas.

Estrutura de 2 Samuel 10

O capítulo apresenta uma estrutura narrativa clara e progressiva:

  1. Introdução: morte de Naás e sucessão de Hanum (v.1)
    Situação inicial: transição de poder em Amom.

  2. Gesto de benevolência de Davi e sua distorção (v.2–3)
    Davi envia consoladores; os príncipes amonitas interpretam com suspeita.

  3. Humilhação dos mensageiros de Davi (v.4–5)
    O insulto simbólico à honra de Israel e o cuidado de Davi em preservar a dignidade dos servos.

  4. Preparação militar dos amonitas e aliados sírios (v.6–8)
    Percebendo a gravidade da ofensa, Amom contrata exércitos sírios e organiza duas frentes de batalha.

  5. Estratégia e coragem de Joabe e Abisai (v.9–12)
    Divisão das tropas, pacto de ajuda mútua e declaração de confiança na soberania divina.

  6. Primeira vitória: fuga dos sírios e amonitas (v.13–14)
    Os sírios recuam; os amonitas se refugiam na cidade; Joabe retorna a Jerusalém.

  7. Reagrupar dos sírios e contra-ataque ampliado (v.15–16)
    Hadadezer mobiliza tropas adicionais; Sobaque lidera o exército.

  8. Intervenção direta de Davi e grande vitória final (v.17–18)
    Davi reúne todo Israel, cruza o Jordão, derrota maciçamente os sírios e mata o comandante Sobaque.

  9. Conclusão: paz forçada e nova configuração de poder (v.19)
    Reis vassalos de Hadadezer fazem paz com Israel e o servem; os sírios temem ajudar Amom novamente.

A narrativa alterna entre gestos diplomáticos e respostas militares, usando a humilhação inicial como gatilho dramático para a escalada dos conflitos e para realçar a liderança de Davi e seus comandantes.

Significado teológico

Teologicamente, 2 Samuel 10 evidencia a tensão entre a intenção humana e a interpretação humana. Davi age com benevolência, mas o coração desconfiado dos príncipes amonitas transforma graça em ameaça. Isso ressalta a fragilidade das relações humanas quando não há confiança e revela como o pecado (suspeita, orgulho, dureza) pode multiplicar maldade a partir de um gesto de bondade.

O capítulo também reforça o tema da honra do povo de Deus. A humilhação dos servos de Davi não é apenas uma ofensa pessoal; é um ataque simbólico à nação e, indiretamente, ao Deus que a representa. A resposta de Davi não é impulsiva nem meramente vingativa: ele primeiro protege a dignidade dos seus servos, depois responde militarmente em defesa do povo e das "cidades de nosso Deus" (v.12). Assim, a honra de Israel está ligada ao compromisso de Deus com o seu povo.

A fala de Joabe em 10:12 oferece uma síntese teológica importante: responsabilidade humana combinada com confiança na soberania divina. Ele convoca à coragem e ao esforço pelo bem do povo, ao mesmo tempo em que se submete ao resultado: "faça o Senhor o que bem parecer aos seus olhos". O texto não apresenta uma fé passiva, mas uma fé que age com coragem e, ainda assim, descansa na decisão de Deus.

Por fim, a vitória sobre uma coalizão internacional de sírios e aliados reforça a mensagem de que o Senhor é o verdadeiro Rei sobre as nações. Os reis vassalos de Hadadezer, ao fazerem paz e servirem Israel, apontam para o tema amplo das Escrituras: os reinos da terra acabam se curvando ao propósito de Deus. Mesmo a hostilidade inicial dos amonitas e dos sírios é utilizada por Deus para consolidar o reinado de Davi e preparar o cenário para as promessas messiânicas ligadas à sua casa.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo toca em temas sensíveis à experiência humana: intenções mal interpretadas, humilhação pública, vergonha e escalada de conflitos. A reação dos amonitas mostra como o medo e a desconfiança podem distorcer gestos de bondade, gerando feridas de relacionamento e até guerras. A humilhação dos servos de Davi ilustra a dor de ter a honra abalada e a importância de cuidado e tempo para restaurar a dignidade.

Davi não ignora a vergonha dos seus servos nem os expõe ainda mais. Ele lhes oferece um espaço seguro (Jericó) e tempo para se recompor. Esse detalhe narrativo ressoa com a necessidade humana de acolhimento após situações de vergonha ou abuso simbólico: antes de voltar à rotina, é preciso recuperar a identidade e a confiança. Ao mesmo tempo, a postura de Joabe e Abisai mostra que, em meio a ameaças, é possível unir coragem, cooperação e confiança em Deus.

Do ponto de vista emocional, 2 Samuel 10 espelha a realidade de como mal-entendidos e conselhos ruins podem amplificar conflitos. A falta de diálogo e a escolha por soluções armadas revelam um caminho de endurecimento que aumenta a dor para todos. Em contraste, a confiança na soberania de Deus, expressa por Joabe, oferece um eixo de estabilidade diante de circunstâncias fora de controle humano.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos do texto podem acionar memórias difíceis ou gatilhos emocionais. A humilhação pública dos servos de Davi (v.4) pode remeter a experiências de vergonha, bullying, exposição do corpo ou desrespeito à integridade física. Leitores que passaram por abuso, vexame público ou ridicularização podem sentir desconforto.

A narrativa de guerra, com batalhas, mortes em massa e derrota de inimigos (v.13–18), pode despertar ansiedade em pessoas sensíveis a violência ou que carregam traumas relacionados a conflitos, violência urbana, militar ou familiar. A decisão dos amonitas de responder à ofensa com preparação para guerra, em vez de buscar reparação, também pode tocar em vivências de conflitos prolongados ou relações marcadas por vingança.

Quem se sente frequentemente mal interpretado ou injustamente acusado pode se identificar de forma dolorosa com a distorção do gesto de Davi (v.2–3). Nessas situações, é importante acolher as próprias reações emocionais diante do texto, reconhecer limites pessoais e, se necessário, buscar apoio seguro de pessoas maduras na fé ou profissionais de cuidado emocional.

Aplicação prática para hoje

2 Samuel 10 oferece várias implicações práticas para a vida cotidiana:

  1. Cuidado com a interpretação das intenções alheias
    Os príncipes de Amom projetam suspeitas sobre um gesto sincero de consolo e arrastam sua nação para uma crise. Na convivência diária, em família, trabalho ou igreja, assumir más intenções sem ouvir, perguntar e discernir pode destruir relacionamentos e gerar conflitos desnecessários.

  2. Responsabilidade no conselho que se dá
    Os líderes de Amom influenciam Hanum a tomar uma decisão humilhante e desastrosa. O texto lembra o peso das palavras de quem aconselha: conselhos movidos por medo, orgulho ou ressentimento tendem a produzir mais dor do que proteção.

  3. Cuidado com quem foi humilhado
    Davi não exige que seus servos retornem imediatamente a Jerusalém; ele lhes dá tempo para recuperar a barba e, com isso, a honra. Em contextos atuais, isso aponta para a importância de oferecer espaço, discrição e tempo a quem passou por situações de vergonha, sem minimizar a dor nem acelerar processos de cura.

  4. Coragem aliada à dependência de Deus
    Joabe planeja, organiza, age e, ao mesmo tempo, confia: "faça o Senhor o que bem parecer aos seus olhos". A vida cristã prática envolve decisões ponderadas, esforço responsável e, ainda assim, a consciência de que o resultado final pertence a Deus.

  5. Evitar escaladas desnecessárias de conflito
    Ao perceberem que se tornaram abomináveis, os amonitas poderiam ter buscado diálogo ou reparação. Em vez disso, ampliam a crise. Em conflitos pessoais, é possível aprender a interromper a escalada: reconhecer falhas, pedir perdão, buscar reconciliação e não transformar ofensas em guerras prolongadas.

  6. Valor da cooperação em tempos de crise
    O pacto de apoio mútuo entre Joabe e Abisai evidencia a força da unidade em momentos difíceis. Em desafios familiares, comunitários ou profissionais, caminhar sozinho tende a fragilizar; dividir responsabilidades e se apoiar em pessoas confiáveis fortalece e protege.

Perguntas frequentes

Por que Hanum humilhou os mensageiros de Davi se Davi queria consolá-lo?

Hanum foi influenciado pelos príncipes dos filhos de Amom, que desconfiaram das intenções de Davi e interpretaram a comitiva de consoladores como um grupo de espiões. Em vez de verificar a intenção real, Hanum aceitou a leitura desconfiada de seus conselheiros, o que o levou a um gesto extremo de humilhação contra Israel. O episódio ilustra como conselhos baseados em medo e suspeita podem distorcer a percepção da realidade e provocar decisões injustas.

Qual o significado de raspar metade da barba e cortar as vestes dos servos de Davi?

No contexto da época, a barba era símbolo de honra masculina e respeito social. Raspar apenas metade da barba e cortar as vestes até às nádegas eram formas de ridicularizar e desonrar publicamente alguém. Não se trata apenas de agressão física, mas de uma afronta à identidade e à dignidade, tanto pessoal quanto nacional. A reação de Davi, ao permitir que eles ficassem em Jericó até que a barba crescesse, mostra sensibilidade em restaurar a honra desses homens.

Por que os amonitas contrataram sírios para lutar contra Israel?

Depois de perceberem que se tornaram "abomináveis" aos olhos de Davi por causa da humilhação aos mensageiros, os amonitas esperavam uma resposta militar de Israel. Em vez de buscar reconciliação ou reparação, optaram por se fortalecer militarmente, contratando exércitos mercenários sírios de Bete-Reobe, Zobá, Maaca e Tobe. Essa escolha mostra sua confiança em alianças humanas e poder militar, em contraste com a confiança de Israel no Senhor.

O que revela a fala de Joabe em 2 Samuel 10:12 sobre a fé em Deus?

A declaração de Joabe une responsabilidade humana e submissão à vontade de Deus. Ele conclama à coragem e ao esforço máximo "pelo nosso povo e pelas cidades de nosso Deus", destacando que há um dever a cumprir. Ao mesmo tempo, reconhece que o resultado final pertence ao Senhor: "faça o Senhor o que bem parecer aos seus olhos". Essa postura reflete uma fé madura, que não é passiva nem fatalista, mas que age com dedicação enquanto descansa na soberania de Deus.

Qual o resultado final do conflito com os sírios e o que isso significa?

Após a fuga inicial dos sírios diante de Joabe, eles se reorganizam com reforços chamados por Hadadezer. Davi então reúne todo Israel, atravessa o Jordão e os derrota de forma decisiva, ferindo muitos homens e matando o comandante Sobaque. Como consequência, os reis servos de Hadadezer fazem paz com Israel e passam a servi-lo, e os sírios deixam de socorrer os filhos de Amom. Isso significa que o poder de Israel se consolida na região e que o Senhor, por meio de Davi, estabelece sua supremacia sobre as nações ao redor.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

2 Samuel 10 espalha pela narrativa uma mistura de carinho rejeitado, vergonha profunda e coragem em meio a circunstâncias dolorosas. Davi parte de um lugar de gratidão e memória: ele se lembra da benevolência de Naás e deseja, com sinceridade, consolar Hanum. O que nasce de um coração grato é recebido com desconfiança e medo, transformando consolo em agressão. Essa dinâmica toca a dor de quando gestos de carinho são suspeitados ou devolvidos com frieza e ferimento. A humilhação sofrida pelos servos de Davi é impressionante: metade da barba raspada, roupas cortadas até expor o corpo. Essas imagens carregam a dor de se sentir exposto, ridicularizado, diminuído diante dos outros. No meio disso, há um pequeno gesto de cuidado que não deve passar despercebido: Davi não os coloca numa situação ainda mais constrangedora; ele reconhece a vergonha deles e lhes oferece um tempo de resguardo em Jericó até que a barba volte a crescer. Há delicadeza nesse cuidado, como se a narrativa dissesse que a vergonha não é destino final, mas uma fase a ser atravessada com proteção e tempo. O capítulo também mostra que, quando o medo governa as decisões — como aconteceu com os conselheiros de Hanum —, facilmente se ferem pessoas inocentes e se quebram pontes que poderiam ser de paz. Em contraste, Joabe encoraja o povo a se fortalecer, lembrando que não lutam apenas por si, mas pelas cidades de Deus, e que, acima de qualquer resultado, a história continua nas mãos do Senhor. Em meio à exposição, à incompreensão e às guerras que surgem sem que se deseje, o texto guarda essa esperança: a honra que foi ferida pode ser cuidada, o medo não precisa ter a última palavra e, por trás dos conflitos, existe um Deus que continua soberano e presente.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético e histórico, 2 Samuel 10 é um elo importante na narrativa do reinado de Davi, conectando sua política externa à consolidação de seu domínio regional. O texto começa com um dado político: a morte de Naás, rei de Amom, e a ascensão de Hanum. Davi aproveita a transição para reafirmar laços, possivelmente baseados em benefícios recebidos no passado. A expressão de benevolência (hesed, em termos teológicos mais amplos) é reconfigurada pelos príncipes amonitas em categoria de ameaça, destacando a tensão entre diplomacia e espionagem no Antigo Oriente Próximo. A humilhação aplicada aos embaixadores de Davi deve ser entendida como um ato de guerra simbólica. Raspar metade da barba e cortar as vestes até às nádegas violava códigos de honra e protocolos diplomáticos, algo muito mais grave do que uma simples ofensa pessoal. Davi responde com duas ações: proteção da honra dos embaixadores (v.5) e, diante do agravamento geopolítico, mobilização militar. A reação dos amonitas, ao contratar tropas de Zobá, Bete-Reobe, Maaca e Tobe, mostra o padrão de coalizões bélicas bastante comum à época. Hadadezer, já conhecido do capítulo 8, reaparece como figura central da oposição regional ao poder de Davi. Literariamente, o texto organiza a batalha em duas etapas: primeiro, o comando está nas mãos de Joabe e Abisai, com destaque para a sua estratégia frente e retaguarda (sírios e amonitas) e o pacto de socorro mútuo. A declaração de Joabe no versículo 12 é teologicamente densa, unindo o esforço humano consciente à aceitação da vontade divina. Em seguida, a narrativa sobe em escala: após a derrota dos sírios, eles se reorganizam sob Hadadezer e Sobaque, o que exige a intervenção direta de Davi. A vitória final, com números expressivos de mortos, tem função mais teológica do que estatística: sinaliza claramente que as forças combinadas das nações não podem frustrar o propósito de Deus para o seu ungido. Por fim, o versículo 19 funciona como clímax político: reis servos de Hadadezer fazem paz com Israel e passam a servi-lo. A expressão sintetiza a teologia de realeza presente em Samuel: o rei escolhido por Deus não é apenas líder interno, mas figura que, sob a mão do Senhor, passa a ser referência para as nações. O tema do domínio internacional de Davi prepara o pano de fundo para promessas ainda mais amplas que, em perspectiva bíblica maior, apontam para o governo messiânico sobre todos os povos.

Life
Life

Aplicado à vida prática, 2 Samuel 10 ilustra como decisões tomadas a partir de medo, orgulho ou conselhos distorcidos criam problemas que poderiam ser evitados. Hanum recebe um gesto de consolo de Davi, mas escuta vozes que interpretam tudo pelo pior ângulo possível. Isso acontece em muitos ambientes: uma palavra bem-intencionada é lida como ameaça, um gesto de ajuda é visto como manipulação, e, em vez de esclarecer, as pessoas reagem com agressão. O resultado, como no texto, é a ruptura de relações e a necessidade de lidar com consequências muito maiores. Os conselheiros de Hanum são um alerta sobre o tipo de influência que se permite ao redor: conselheiros movidos por suspeita, insegurança e falta de discernimento tendem a incentivar decisões extremas. Eles não sugerem diálogo, nem checagem de intenções, mas partem direto para o pior cenário possível. Na prática, isso mostra a importância de construir um círculo de influência formado por pessoas que avaliam fatos com equilíbrio, têm senso de justiça e buscam a paz antes do confronto. A postura de Davi diante da humilhação dos seus servos também é instrutiva. Ele não expõe ainda mais quem já foi exposto; não força um retorno imediato. Ele cria um espaço de recuperação em Jericó. Em famílias, igrejas e locais de trabalho, é possível aprender a lidar assim com quem foi envergonhado: não se trata de esconder o problema, mas de proteger a pessoa enquanto ela recupera a confiança. Por outro lado, Joabe e Abisai exemplificam como enfrentar crises externas: eles planejam com clareza, dividem responsabilidades, combinam apoio mútuo e reconhecem que há algo maior em jogo — o bem do povo e das cidades de Deus. Em termos de cotidiano, isso se traduz em cooperação em vez de isolamento, coragem em vez de paralisia e disposição para fazer o que está ao alcance, sabendo que nem tudo está sob controle humano. O capítulo demonstra que muitos conflitos poderiam ser evitados com humildade, boa escuta e arrependimento, mas quando a guerra é imposta, é possível enfrentá-la com estratégia, unidade e dependência de Deus.

Soul
Soul

Sob uma lente espiritual mais profunda, 2 Samuel 10 revela como o coração humano reage à graça quando dominado por medo e soberba. Davi estende um gesto de benevolência, quase como uma sombra de graça imerecida baseada em uma bondade anterior. No entanto, os príncipes de Amom respondem com suspeita e distorção. Em termos espirituais, isso ecoa a tendência humana de enxergar o favor de Deus como ameaça à própria autonomia: em vez de acolher o consolo, muitos interpretam a aproximação divina como invasão a ser repelida. A humilhação dos servos de Davi, representantes do rei, aponta simbolicamente para a forma como o mundo muitas vezes trata os que pertencem a Deus: desprezo, ridicularização, exposição. A narrativa, porém, não termina na humilhação; ela passa pela proteção do rei, pelo tempo de restauração e culmina em vitória e paz. Em chave espiritual, isso se conecta à dinâmica da própria história da salvação: a vergonha não é o fim da jornada para o povo de Deus, porque há um Rei que vela pela honra dos seus e caminha com eles até que a glória substitua a exposição. Quando Joabe declara que devem se esforçar "pelo nosso povo, e pelas cidades de nosso Deus; e faça o Senhor o que bem parecer aos seus olhos", há uma síntese de espiritualidade madura: assumir responsabilidade no presente visível e, ao mesmo tempo, render o resultado final ao juízo perfeito de Deus. Essa postura convida a uma vida em que cada batalha, cada conflito, cada situação de injustiça é encarada não apenas como problema imediato, mas como parte de um cenário maior em que Deus constrói sua história. A derrota dos reis aliados e a submissão deles a Israel apontam para uma realidade escatológica mais ampla: no fim, todos os poderes e reinos acabam se curvando ao propósito de Deus. A narrativa antecipa a visão de um Rei maior que Davi, diante de quem todas as nações se dobram. Assim, 2 Samuel 10 chama à confiança de que, apesar das humilhações, mal-entendidos e guerras deste tempo, há um governo soberano que conduz a história para um desfecho em que a justiça, a paz e a honra definitiva do povo de Deus serão plenamente manifestas.

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Versículos em 2 Samuel 10

2 Samuel 10:2

" Então disse Davi: Usarei de benevolência com Hanum, filho de Naás, como seu pai usou de benevolência comigo. E enviou Davi os seus servos para consolá-lo acerca de seu pai; e foram os servos de Davi à terra dos filhos de Amom. "

2 Samuel 10:3

" Então disseram os príncipes dos filhos de Amom a seu senhor, Hanum: Porventura honra Davi a teu pai aos teus olhos, porque te enviou consoladores? Não te enviou antes Davi os seus servos para reconhecerem esta cidade, e para espiá-la, e para transtorná-la? "

2 Samuel 10:4

" Então tomou Hanum os servos de Davi, e lhes raspou metade da barba, e lhes cortou metade das vestes, até às nádegas, e os despediu. "

2 Samuel 10:5

" Quando isso foi informado a Davi, enviou ele mensageiros a encontrá-los, porque estavam aqueles homens sobremaneira envergonhados. Mandou o rei dizer-lhes: Deixai-vos estar em Jericó, até que vos torne a crescer a barba, e então voltai. "

2 Samuel 10:6

" Vendo, pois, os filhos de Amom que se tinham feito abomináveis para com Davi, enviaram os filhos de Amom, e alugaram dos sírios de Bete-Reobe e dos sírios de Zobá vinte mil homens de pé, e do rei de Maaca mil homens e dos homens de Tobe doze mil homens. "

2 Samuel 10:8

" E saíram os filhos de Amom, e ordenaram a batalha à entrada da porta; mas os sírios de Zobá e Reobe, e os homens de Tobe e Maaca estavam à parte no campo. "

2 Samuel 10:9

" Vendo, pois, Joabe que a batalha estava preparada contra ele pela frente e pela retaguarda, escolheu dentre todos os homens de Israel, e formou-os em linha contra os sírios. "

2 Samuel 10:11

" E disse: Se os sírios forem mais fortes do que eu, tu me virás em socorro; e, se os filhos de Amom forem mais fortes do que tu, irei a socorrer-te. "

2 Samuel 10:12

" Esforça-te, pois, e esforcemo-nos pelo nosso povo, e pelas cidades de nosso Deus; e faça o Senhor o que bem parecer aos seus olhos. "

2 Samuel 10:14

" E, vendo os filhos de Amom que os sírios fugiam, também eles fugiram de diante de Abisai, e entraram na cidade; e voltou Joabe dos filhos de Amom, e veio para Jerusalém. "

2 Samuel 10:16

" E mandou Hadadezer, e fez sair os sírios que estavam do outro lado do rio, e vieram a Helã; e Sobaque, capitão do exército de Hadadezer, marchava diante deles. "

2 Samuel 10:17

" Do que informado Davi, ajuntou a todo o Israel, e passou o Jordão, e foi a Helã; e os sírios se puseram em ordem contra Davi, e pelejaram com ele. "

2 Samuel 10:18

" Porém os sírios fugiram de diante de Israel, e Davi feriu dentre os sírios aos homens de setecentos carros, e quarenta mil homens de cavalaria; feriu também a Sobaque, capitão do exército, que morreu ali. "

2 Samuel 10:19

" Vendo, pois, todos os reis, servos de Hadadezer, que foram feridos diante de Israel, fizeram paz com Israel, e o serviram; e temeram os sírios de socorrer aos filhos de Amom. "

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