2 Samuel 6 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 2 Samuel 6 na sua vida hoje

23 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 2 Samuel 6?

Segundo Samuel 6 narra a tentativa de Davi de trazer a arca de Deus para Jerusalém. A primeira procissão é marcada por alegria, música e festa, mas termina tragicamente com a morte de Uzá por tocar na arca. Temendo ao Senhor, Davi interrompe o plano e a arca permanece três meses na casa de Obede-Edom, que é grandemente abençoado. Ao perceber essa bênção, Davi traz novamente a arca, agora de forma reverente, com sacrifícios, danças e grande celebração diante do Senhor. O capítulo termina com o contraste entre a adoração humilde e exuberante de Davi e o desprezo de Mical, o que resulta em sua esterilidade.

Temas principais em 2 Samuel 6

Santidadede Deus e reverência na adoração (versiculos 2-8)

A morte de Uzá revela que a presença de Deus é santa e não pode ser tratada de forma descuidada, mesmo com boas intenções. A arca não poderia ser transportada de qualquer jeito, pois representava a santidade e a presença do Senhor no meio do povo.

Versiculos-chave: 6, 7

Temor do Senhor que conduz à obediência (versiculos 8-13)

Depois do juízo sobre Uzá, Davi é tomado de temor e interrompe a jornada da arca. Mais tarde, esse temor se transforma em obediência e cuidado em fazer tudo segundo a vontade de Deus, não apenas com entusiasmo, mas também com submissão.

Versiculos-chave: 9, 13

Alegria e liberdade na presença de Deus (versiculos 14-19)

Davi dança, salta e celebra com todas as suas forças diante do Senhor, demonstrando que a verdadeira adoração envolve o coração inteiro, sem preocupação com aparências ou status social.

Versiculos-chave: 14, 15

Bênção ligada à presença de Deus (versiculos 10-12)

A casa de Obede-Edom é abençoada por causa da arca, mostrando que, onde a presença de Deus é acolhida com respeito, ali há favor e prosperidade segundo os propósitos divinos.

Versiculos-chave: 11, 12

Orgulho humano versus humildade diante de Deus (versiculos 16, 20-23)

O desprezo de Mical pela forma como Davi adorava revela um coração preocupado com honra humana e aparência. Em contraste, Davi escolhe humilhar-se diante do Senhor, ainda que isso pareça vergonhoso aos olhos dos outros.

Versiculos-chave: 21, 22

Contexto historico e literario

Este capítulo se passa durante o reinado inicial de Davi sobre todo o Israel, depois de ele ter conquistado Jerusalém e estabelecido ali sua capital (a Cidade de Davi). A arca de Deus, sinal visível da presença divina entre o povo, estava havia anos na casa de Abinadabe, em Gibeá. A arca era um objeto sagrado, construída no tempo de Moisés, e deveria ser transportada pelos levitas, nos varais, sobre os ombros, conforme a Lei. Davi decide trazer a arca para Jerusalém como parte do seu projeto de unificar o culto ao Senhor no novo centro político e religioso do reino. O episódio de Uzá relembra a seriedade das leis do santuário. Já Obede-Edom é chamado de giteu, provavelmente ligado aos gateus levitas ou residente estrangeiro em Israel que acolhe a arca com respeito. O contraste entre Davi e Mical também é carregado de significado político: Mical é filha de Saul, casa ligada ao antigo regime, e seu desprezo simboliza a resistência ao novo modo como Davi exerce seu reinado perante Deus.

Estrutura de 2 Samuel 6

O capítulo apresenta uma narrativa bem definida, com movimentos contrastantes de tragédia e alegria:

  1. Convocação e primeira tentativa de transportar a arca (vv.1-5): Davi reúne trinta mil homens de Israel e organiza uma grande celebração com música e festa para trazer a arca da casa de Abinadabe.
  2. Incidente trágico com Uzá (vv.6-8): Ao tentar segurar a arca que parecia pender, Uzá é ferido por Deus e morre, interrompendo abruptamente o clima de alegria.
  3. Temor de Davi e pausa na transferência (vv.9-11): Davi teme ao Senhor e decide não levar a arca a Jerusalém, deixando-a na casa de Obede-Edom, que é abençoado.
  4. Segunda tentativa, agora marcada por reverência e sacrifício (vv.12-15): Ao ouvir sobre a bênção na casa de Obede-Edom, Davi traz novamente a arca, com sacrifícios, júbilo, trombetas e sua dança diante do Senhor.
  5. Entrega da arca, sacrifícios e distribuição de alimentos (vv.16-19): A arca é colocada na tenda preparada por Davi; ele oferece holocaustos, ofertas pacíficas, abençoa o povo e reparte alimento e bebida a todos.
  6. Conflito doméstico entre Davi e Mical (vv.20-23): Ao voltar para sua casa, Davi é confrontado por Mical, que o critica. Davi responde afirmando que sua prioridade é honrar o Senhor, e o texto conclui com a nota da esterilidade de Mical.

A estrutura destaca dois grandes contrastes: entre a primeira e a segunda procissão da arca (imprudência versus reverência) e entre a postura de Davi e a de Mical (humildade adoradora versus orgulho crítico).

Significado teologico

O capítulo enfatiza a santidade de Deus e a necessidade de unir zelo com obediência. A morte de Uzá mostra que a presença divina não é controlável nem manipulável pela boa vontade humana; Deus havia estabelecido normas claras para o transporte da arca, e ignorá-las traz consequências sérias. Ao mesmo tempo, o texto ressalta que, quando a presença de Deus é acolhida com respeito e fé, ela se torna fonte de bênção, como na casa de Obede-Edom.

Teologicamente, Davi aparece como rei que deseja centralizar a vida espiritual de Israel ao redor da presença de Deus, trazendo a arca para Jerusalém. Seu modo de adorar — com danças, sacrifícios e alegria intensa — aponta para um coração entregue a Deus acima da sua própria honra. O contraste com Mical evidencia uma tensão entre religiosidade voltada à aparência e uma devoção que prioriza a aprovação divina.

A arca, situada no centro do relato, simboliza a aliança de Deus com Israel. Sua entrada na cidade de Davi prepara o cenário para o que virá em seguida: as promessas divinas ao reino de Davi e a construção de um culto mais estruturado em Jerusalém. O capítulo, portanto, mostra que a verdadeira adoração exige reverência à santidade de Deus, celebração da sua presença e humildade diante dele.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Este capítulo apresenta movimentos emocionais intensos: alegria coletiva, choque diante da morte de Uzá, medo, recuo, depois nova alegria e, por fim, conflito conjugal. Davi experimenta frustrações profundas e mudanças bruscas de sentimento. Isso espelha como a vida espiritual pode envolver tanto festas quanto crises.

Em termos de cuidado emocional, o texto mostra um líder que não esconde dor nem temor. Davi se contrista com a ruptura causada pela morte de Uzá e teme ao Senhor, interrompendo seus planos. Mais tarde, encontra uma forma saudável de expressar sua devoção, dançando e alegrando-se com liberdade. Já Mical ilustra o impacto do desprezo e da crítica dura dentro do lar, gerando afastamento e esterilidade relacional.

A narrativa sugere que emoções intensas podem ser apresentadas a Deus, e que alegria espiritual verdadeira não precisa se submeter ao orgulho ou à busca de aprovação social. A presença de Deus, quando recebida com respeito e entrega, se torna fonte de restauração e bênção, inclusive em ambientes marcados antes por medo e perda.

warning Importante: maus usos comuns

O texto traz alguns pontos de atenção que podem tocar em experiências dolorosas:

  • A morte súbita de Uzá pode despertar lembranças de perdas inesperadas, acidentes ou a sensação de punição divina.
  • O temor de Davi e sua dificuldade inicial em receber a arca em sua casa podem ecoar sentimentos de medo da presença de Deus ou de rejeição espiritual.
  • O desprezo de Mical e suas palavras agressivas ao marido podem lembrar situações de humilhação, críticas duras ou desrespeito dentro de relacionamentos e família.
  • A esterilidade de Mical mencionada ao final pode ser sensível para quem enfrenta infertilidade, frustrações familiares ou solidão.

Para quem se sente vulnerável nessas áreas, é importante perceber que o texto descreve acontecimentos específicos na história da salvação, não como um padrão mecânico para todas as situações humanas. Pode ser útil ler este capítulo com apoio pastoral, terapêutico ou em comunidade, permitindo que as emoções despertadas sejam acolhidas e trabalhadas com cuidado.

Aplicacao pratica para hoje

2 Samuel 6 oferece aplicações práticas para a vida de fé, relacionamentos e liderança.

Na relação com Deus, o texto aponta para a importância de unir entusiasmo espiritual com obediência à vontade revelada. A boa intenção de Davi ao trazer a arca não substituiu o cuidado de seguir as orientações divinas. A vida prática de fé envolve desejo sincero de agradar a Deus, mas também disposição em conhecer e respeitar o que ele estabelece.

A postura de Davi na adoração mostra uma liberdade interior que não depende da aprovação humana. Ele estava disposto a parecer desprezível aos olhos de alguns para alegrar-se diante do Senhor. Isso desafia a viver com menos apego à imagem pessoal e mais foco em honrar a Deus, seja no culto comunitário, seja no cotidiano.

No âmbito dos relacionamentos, o contraste entre Davi e Mical alerta sobre o poder destrutivo do desprezo e da ironia dentro do casamento e da família. Palavras que ridicularizam a fé ou a forma de adoração do outro produzem distanciamento e dureza de coração. O capítulo reforça a necessidade de respeito mútuo, mesmo quando há diferenças de expressão espiritual ou de temperamento.

Além disso, a casa de Obede-Edom ilustra que acolher a presença de Deus com reverência traz um tipo de bênção que alcança toda a casa. A vida familiar e comunitária se fortalece quando a presença de Deus é desejada e honrada nas decisões, nos valores e no ambiente do lar.

Perguntas frequentes

Por que Deus feriu Uzá quando ele tocou na arca?

Uzá tocou na arca quando os bois a deixaram pender, aparentemente com a intenção de protegê-la. No entanto, pela Lei, a arca era extremamente santa: não deveria ser tocada diretamente, e havia um modo específico de transporte, por levitas, com varais, sem contato físico. O ato de Uzá, visto como imprudência, mostra que a presença de Deus não pode ser tratada de forma comum, mesmo em situações de risco. O texto enfatiza a santidade divina e a seriedade de desobedecer a instruções dadas para preservar essa santidade.

Por que Davi teve medo de receber a arca em sua casa?

Depois da morte de Uzá, Davi ficou profundamente abatido e temeu o Senhor. Ele percebeu que a presença de Deus não podia ser conduzida apenas com festa e boa intenção, mas exigia reverência e obediência. O medo de Davi o levou a interromper o plano e deixar a arca na casa de Obede-Edom. Esse temor não é apenas pavor, mas um reconhecimento sério da grandeza e santidade de Deus, que o levou, mais tarde, a trazer a arca de modo mais cuidadoso e reverente.

Quem foi Obede-Edom e por que sua casa foi abençoada?

Obede-Edom, chamado de giteu, era o homem em cuja casa a arca permaneceu por três meses, após o incidente com Uzá. Embora o texto não detalhe sua história pessoal, ele aparece como alguém que recebeu a arca e a presença de Deus em sua casa. Durante esse período, o Senhor abençoou Obede-Edom e tudo o que ele possuía. A narrativa destaca que a presença de Deus, acolhida de modo adequado, se torna fonte de bênção duradoura.

Por que Mical desprezou Davi quando ele dançava diante do Senhor?

Mical, filha de Saul e esposa de Davi, viu o rei dançando e saltando diante do Senhor e o desprezou em seu coração. Ela interpretou o comportamento de Davi como algo indigno de um rei, vendo apenas exposição e vergonhosa simplicidade diante das servas. Sua reação revela preocupação com dignidade externa, status e aparência, em contraste com a prioridade de Davi em alegrar-se diante de Deus, ainda que isso o tornasse aparentemente desprezível aos olhos humanos.

O que significa a resposta de Davi a Mical sobre humilhar-se diante do Senhor?

Davi responde a Mical dizendo que se alegrou perante o Senhor, que o escolheu em lugar de Saul, e que ainda mais se humilharia aos seus próprios olhos. Isso significa que, para Davi, a verdadeira honra vem de Deus, não dos padrões humanos de prestígio. Ele estava disposto a ser visto como simples ou humilhado, desde que sua adoração fosse sincera diante do Senhor. Sua resposta mostra uma prioridade clara: agradar a Deus antes de preservar sua própria imagem diante dos outros.

Por que o texto menciona que Mical não teve filhos até sua morte?

A menção de que Mical não teve filhos até o dia de sua morte funciona como uma conclusão simbólica para o conflito com Davi. O texto não explica em detalhes se essa esterilidade foi direta intervenção divina ou resultado do rompimento do relacionamento conjugal. Em termos narrativos, ela representa a falta de fruto e continuação da casa de Saul através de Mical, em contraste com a casa de Davi, que seria alvo das promessas de Deus nas gerações seguintes.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Este capítulo acompanha um percurso emocional muito intenso. Começa com uma grande festa, música, danças e expectativa boa em torno da arca do Senhor. Mas, no meio da alegria, vem uma dor abrupta: Uzá morre ao tocar na arca, e tudo parece desmoronar. Davi fica contristado, ferido por dentro, sem entender por que, em meio a um momento tão bonito, uma tragédia foi permitida. Essa mistura de júbilo e luto, coragem e medo, aproxima a experiência de Davi de tantas histórias humanas marcadas por rupturas inesperadas. Ele queria fazer algo bom, mas se vê confrontado com a santidade de Deus e com seus próprios limites. O texto não suaviza essa tensão: mostra um homem que, diante da dor, recua, teme e muda os planos. Com o tempo, porém, a presença de Deus na casa de Obede-Edom se revela como fonte de bênção. Onde antes havia medo, começam a surgir sinais de vida, cuidado e favor. Isso encoraja Davi a se aproximar novamente, agora com um coração mais sensível e reverente. A segunda procissão já não é só uma festa empolgada, mas uma celebração amadurecida, em que ele pode se alegrar com todas as forças diante do Senhor. A reação de Mical revela outra dor: o desprezo dentro de casa. Enquanto Davi se entrega em adoração, ela o olha com desdém, ironiza, rebaixa, chama de vadios aqueles com quem ele se iguala. O texto expõe como o coração pode se fechar, escolhendo a frieza da crítica no lugar da simplicidade da adoração. Essa frieza gera esterilidade, não apenas física, mas também afetiva. No meio de tudo isso, transparece um Deus que continua presente: santo, sim, mas também disposto a abençoar; exigente com sua honra, porém capaz de transformar casas e histórias que o acolhem. A jornada de Davi mostra que é possível atravessar momentos de choque e medo e, ainda assim, encontrar um modo mais profundo e humilde de se alegrar diante de Deus, sem a necessidade de parecer forte ou perfeito aos olhos dos outros.

Mind
Mind

O relato de 2 Samuel 6 é teologicamente e literariamente denso. Ele descreve a centralização da arca da aliança em Jerusalém, elemento-chave para compreender a teologia davídica da presença de Deus. A arca, associada ao nome do Senhor dos Exércitos que se assenta entre os querubins, simboliza a entronização de Deus em meio ao seu povo. Do ponto de vista da Lei, há um contraste deliberado entre o modo correto de transportar a arca, prescrito no Pentateuco (carregada pelos levitas, nos varais, sem ser tocada), e o procedimento adotado inicialmente por Davi: colocá-la em um carro novo, guiado por Uzá e Aiô. A narrativa de Uzá, ferido ao tocar na arca, ressalta a inviolabilidade da santidade divina. O verbo relacionado à imprudência destaca que não se trata apenas de um gesto impulsivo, mas de uma violação de fronteiras sagradas. A resposta de Davi — temor e suspensão da transferência — marca um ponto de virada. Sua decisão de deixar a arca na casa de Obede-Edom permite à narrativa mostrar outro aspecto da presença divina: a bênção concreta sobre a casa onde a arca permanece. O autor sublinha que a mesma presença que pode julgar também pode abençoar abundantemente, dependendo da forma como é recebida. A segunda tentativa de levar a arca é descrita com detalhes litúrgicos: sacrifícios após seis passos, vestes sacerdotais (éfode de linho), som de trombetas, holocaustos e ofertas pacíficas. Isso sugere um alinhamento mais próximo às prescrições cultuais, combinando reverência e alegria. Davi assume um papel quase sacerdotal ao abençoar o povo em nome do Senhor e repartir alimento e bebida, reforçando seu lugar como mediador do bem-estar espiritual de Israel. O episódio com Mical traz uma camada sociopolítica e teológica. Como filha de Saul, ela representa a antiga casa real. Seu desprezo pela forma de adoração de Davi ecoa uma visão de realeza mais rígida, centrada em honra externa e distância hierárquica. Já Davi defende uma concepção de realeza subordinada à escolha divina: ele foi preferido a Saul e a toda sua casa. A verdadeira dignidade do rei está em alegrar-se diante do Senhor, mesmo que isso implique humilhação aos olhos humanos. O comentário final sobre a esterilidade de Mical funciona como fechamento literário e teológico: a casa de Saul não produzirá herdeiros por meio dela, enquanto o foco da história se volta para a linhagem de Davi, que em breve receberá promessas duradouras. Assim, o capítulo articula santidade, presença, culto, realeza e juízo em um único movimento narrativo.

Life
Life

2 Samuel 6 toca em temas muito concretos para a vida cotidiana: liderança, família, honra, escolhas e consequências. Na liderança, Davi mostra como é possível ter um grande projeto — trazer a arca para Jerusalém — e, mesmo assim, falhar em detalhes essenciais. O entusiasmo inicial não foi acompanhado de atenção às orientações de Deus sobre o transporte da arca. Isso lembra que, em qualquer projeto importante, não basta ter objetivos nobres; é preciso conhecer bem os parâmetros corretos, estruturar com cuidado, consultar quem entende (no caso, os levitas e a Lei) e não confiar apenas na boa vontade. Quando a tragédia acontece, Davi ajusta o rumo. Ele não insiste no erro só para não dar o braço a torcer; interrompe o plano, aguarda, observa o que acontece na casa de Obede-Edom e, então, retoma com outro espírito. Essa disposição de rever o caminho, aprender e corrigir é fundamental tanto no trabalho quanto na família e na vida comunitária. O estilo de adoração de Davi revela um coração livre da necessidade de parecer sempre impecável. Ele dança, se alegra com intensidade, não se prende à imagem de rei distante. Na prática, isso fala de uma vida menos governada pela opinião alheia e mais guiada pelo desejo de agradar a Deus. Em contextos profissionais e sociais, essa postura pode significar agir com integridade mesmo quando isso não reforça o próprio status. No lar, o conflito com Mical expõe como palavras de desprezo minam relacionamentos. Ela não apenas discorda; ela ridiculariza, acusa Davi de se expor como um qualquer. Essa atitude alimenta distanciamento e, no fim, esterilidade — um símbolo de relações que deixam de produzir vida. Em termos práticos, o capítulo convida a abandonar ironias e humilhações dentro da casa, substituindo-as por respeito, mesmo quando há diferenças fortes de visão e temperamento. Por outro lado, a casa de Obede-Edom ilustra como a forma de receber a presença de Deus afeta o ambiente inteiro. Quando valores, práticas e decisões do lar se alinham ao temor e ao respeito por Deus, o resultado tende a ser um clima mais saudável, justo e acolhedor. Isso se reflete em como se lida com finanças, trabalho, descanso, conflitos e prioridades diárias.

Soul
Soul

A narrativa de 2 Samuel 6 coloca a questão central da vida espiritual: como viver diante de um Deus ao mesmo tempo santo e presente. A arca simboliza essa tensão. Não é um objeto comum, manejável a gosto humano; ela aponta para um Deus que se aproxima, mas que permanece infinitamente distinto. A morte de Uzá é um choque espiritual. Ela impede que a presença de Deus seja banalizada. A proximidade com o sagrado não é uma extensão automática da própria vontade. Em termos de jornada espiritual, isso confronta qualquer tentativa de controlar Deus, usar seu nome, seus símbolos ou sua Palavra para fins meramente humanos. O temor que nasce em Davi é um dom ambíguo: doloroso, mas necessário para reorganizar o coração diante da santidade divina. Ao mesmo tempo, a permanência da arca na casa de Obede-Edom mostra outra face da realidade espiritual: onde Deus é acolhido com respeito, sua presença se torna fonte de vida, crescimento e proteção. A bênção que alcança “tudo quanto tem” antecipa a visão de uma vida integrada, em que o relacionamento com Deus permeia todas as áreas, e não apenas momentos religiosos. Quando Davi volta a trazer a arca, agora com sacrifícios e profunda alegria, ele encarna uma espiritualidade madura: temor e festa, reverência e liberdade. A dança diante do Senhor não é um espetáculo vazio; é expressão de um coração que se reconhece pequeno e, justamente por isso, pode se alegrar sem máscaras. Humilhar-se aos próprios olhos para honrar a Deus é uma chave espiritual profunda: quem deixa de buscar sua própria glória abre espaço para que a glória de Deus se manifeste. Mical, por sua vez, representa uma espiritualidade endurecida, mais preocupada com protocolo e aparência do que com a verdade do coração diante de Deus. Sua esterilidade final é um retrato da vida espiritual que se fecha à alegria e à liberdade do Espírito: permanece, mas não frutifica. No horizonte eterno, este capítulo prepara o caminho para a compreensão da presença definitiva de Deus entre os homens. A arca, a cidade de Davi, o culto em Jerusalém, tudo aponta para um futuro em que a presença divina não estará mais restrita a um objeto ou lugar, mas habitará plenamente no meio do seu povo. A resposta de Davi — um rei que prefere ser humilhado contanto que Deus seja honrado — antecipa a lógica do Reino, em que a verdadeira grandeza se revela na humildade diante do Pai.

IA crista companheira

Pronto para aplicar 2 Samuel 6? Receba orientacao personalizada

Junte-se a milhares de pessoas aprofundando sua compreensao das Escrituras com planos de estudo personalizados, aplicacoes de versiculos e reflexoes guiadas.

1 Sua pergunta arrow_forward 2 Correspondencia biblica arrow_forward 3 Aplicacao guiada

✓ Sem cartao de credito • ✓ Seus dados ficam privados • ✓ 60 creditos gratis

Versiculos em 2 Samuel 6

2 Samuel 6:2

" E levantou-se Davi, e partiu, com todo o povo que tinha consigo, para Baalim de Judá, para levarem dali para cima a arca de Deus, sobre a qual se invoca o nome, o nome do Senhor dos Exércitos, que se assenta entre os querubins. "

2 Samuel 6:3

" E puseram a arca de Deus em um carro novo, e a levaram da casa de Abinadabe, que está em Gibeá; e Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro novo. "

2 Samuel 6:5

" E Davi, e toda a casa de Israel, festejavam perante o Senhor, com toda a sorte de instrumentos de pau de faia, como também com harpas, e com saltérios, e com tamboris, e com pandeiros, e com címbalos. "

2 Samuel 6:6

" E, chegando à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à arca de Deus, e pegou nela; porque os bois a deixavam pender. "

2 Samuel 6:7

" Então a ira do Senhor se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por esta imprudência; e morreu ali junto à arca de Deus. "

2 Samuel 6:8

" E Davi se contristou, porque o Senhor abrira rotura em Uzá; e chamou àquele lugar Perez-Uzá, até ao dia de hoje. "

2 Samuel 6:10

" E não quis Davi retirar para junto de si a arca do Senhor, à cidade de Davi; mas Davi a fez levar à casa de Obede-Edom, o giteu. "

2 Samuel 6:11

" E ficou a arca do Senhor em casa de Obede-Edom, o giteu, três meses; e abençoou o Senhor a Obede-Edom, e a toda a sua casa. "

2 Samuel 6:12

" Então avisaram a Davi, dizendo: Abençoou o Senhor a casa de Obede-Edom, e tudo quanto tem, por causa da arca de Deus; foi pois Davi, e trouxe a arca de Deus para cima, da casa de Obede-Edom, à cidade de Davi, com alegria. "

2 Samuel 6:13

" E sucedeu que, quando os que levavam a arca do Senhor tinham dado seis passos, sacrificava bois e carneiros cevados. "

2 Samuel 6:14

" E Davi saltava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava Davi cingido de um éfode de linho. "

2 Samuel 6:14 mostra Davi celebrando a presença de Deus com alegria sincera, sem vergonha ou preocupação com a opinião dos outros. O éfode de …

Ler analise completa

2 Samuel 6:16

" E sucedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi, que ia bailando e saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração. "

2 Samuel 6:17

" E introduzindo a arca do Senhor, a puseram no seu lugar, na tenda que Davi lhe armara; e ofereceu Davi holocaustos e ofertas pacíficas perante o Senhor. "

2 Samuel 6:18

" E acabando Davi de oferecer os holocaustos e ofertas pacíficas, abençoou o povo em nome do Senhor dos Exércitos. "

2 Samuel 6:19

" E repartiu a todo o povo, e a toda a multidão de Israel, desde os homens até às mulheres, a cada um, um bolo de pão, e um bom pedaço de carne, e um frasco de vinho; então retirou-se todo o povo, cada um para sua casa, "

2 Samuel 6:20

" E, voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, a filha de Saul, saiu a encontrar-se com Davi, e disse: Quão honrado foi o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre qualquer dos vadios. "

2 Samuel 6:21

" Disse, porém, Davi a Mical: Perante o Senhor, que me escolheu preferindo-me a teu pai, e a toda a sua casa, mandando-me que fosse soberano sobre o povo do Senhor, sobre Israel, perante o Senhor tenho me alegrado. "

2 Samuel 6:22

" E ainda mais do que isto me envilecerei, e me humilharei aos meus olhos; mas das servas, de quem falaste, delas serei honrado. "

2 Samuel 6:23

" E Mical, a filha de Saul, não teve filhos, até o dia da sua morte. "

2 Samuel 6:23 mostra que Mical ficou sem filhos como consequência de desprezar a forma sincera com que Davi adorou a Deus. O versículo alerta …

Ler analise completa

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.