2 Samuel 12:1
" E o SENHOR enviou Natã a Davi; e, apresentando-se ele a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. "
Entenda os temas principais e aplique 2 Samuel 12 na sua vida hoje
31 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Deus não deixa o pecado de Davi escondido. Por meio da parábola de Natã, Davi é levado a enxergar a gravidade de sua injustiça e finalmente confessa: "Pequei contra o Senhor". A confrontação amorosa de Deus visa trazer o pecador ao arrependimento, não à destruição.
Mesmo após a confissão de Davi e a declaração de perdão, as consequências de seu pecado atingem sua casa, incluindo a morte do filho e a promessa de que a espada não se apartaria de sua família. O texto mostra que o perdão de Deus é real, mas não anula automaticamente todos os efeitos das escolhas erradas.
Davi jejua e clama enquanto a criança ainda vive, mas, ao saber da morte, interrompe o jejum, adora a Deus e aceita que não pode trazê-la de volta. Sua frase "Eu irei a ela" aponta para uma esperança além da morte e uma entrega à soberania divina, mesmo em meio à dor profunda.
Após a tragédia, Davi consola Bate-Seba, nasce Salomão e o menino recebe também o nome de Jedidias, "amado do Senhor". Em meio às consequências do pecado, Deus escreve uma nova etapa marcada por graça, amor e promessa, já que Salomão se tornará herdeiro central na história de Israel.
A segunda parte do capítulo retorna à guerra contra Rabá. Davi assume a conquista final, recebe a coroa do rei inimigo e impõe dura punição aos amonitas. O contraste entre o juízo de Deus sobre Davi e a vitória militar mostra a complexidade de um rei que é ao mesmo tempo disciplinado por Deus e ainda usado como instrumento de juízo contra outras nações.
2 Samuel 12 se situa no período da monarquia unida de Israel, durante o reinado de Davi em Jerusalém, aproximadamente no século X a.C. O episódio ocorre logo após o adultério de Davi com Bate-Seba e a morte de Urias, descritos em 2 Samuel 11. Natã é um profeta da corte, alguém que tem acesso direto ao rei e exerce o papel de porta-voz de Deus, inclusive para confrontar abusos de poder.
A parábola usada por Natã sobre o rico e o pobre reflete a economia agropecuária da época, em que rebanhos eram sinal de riqueza e cordeiras podiam ser quase tratados como membros da família. A exigência de restituição quadruplicada lembra a legislação mosaica sobre roubo e dano (como em Êxodo 22), mostrando que a acusação contra Davi tem base na própria lei de Deus.
O conflito com os amonitas e a tomada de Rabá fazem parte de uma campanha militar mais longa. Joabe, comandante do exército, lidera o cerco e aguarda Davi para que a vitória final seja atribuída ao rei. A coroa pesada, adornada com pedras preciosas, simboliza a transferência de poder e domínio sobre aquela região. A descrição do tratamento dado ao povo de Rabá é dura e reflete a lógica de guerra e de juízo da época, em um contexto em que conflitos entre nações envolviam submissão completa e punições severas.
Dentro da narrativa maior de Samuel, este capítulo marca um ponto de virada na história de Davi. A partir daqui, cumprem-se as palavras de Natã sobre a espada em sua casa: problemas familiares, rivalidades e violência interna começam a se multiplicar. Ao mesmo tempo, o nascimento de Salomão, amado pelo Senhor, prepara o caminho para a próxima etapa da história de Israel, com a construção do templo e a consolidação da monarquia davídica.
O capítulo pode ser dividido em quatro grandes movimentos literários:
1) Parábola e confronto de Natã (vv. 1-9) - Natã conta a história do rico e do pobre (vv. 1-4), despertando a indignação moral de Davi. - Davi pronuncia sentença contra o homem da parábola (vv. 5-6). - Natã revela: "Tu és este homem" e transmite a palavra do Senhor, lembrando as bênçãos recebidas e declarando o desprezo de Davi pela palavra de Deus (vv. 7-9).
2) Juízo, confissão e perdão (vv. 10-15a) - Anúncio das consequências: a espada não se apartará da casa de Davi, o mal surgirá de dentro de sua própria família e o pecado oculto será exposto publicamente (vv. 10-12). - Confissão simples e direta de Davi: "Pequei contra o Senhor" (v. 13a). - Declaração de perdão, mas também da morte do filho como consequência e escândalo diante dos inimigos de Deus (vv. 13b-14). - Saída de Natã, marcando o fim do oráculo profético (v. 15a).
3) Do luto à adoração e à restauração (vv. 15b-25) - Doença e morte da criança; jejum e prostração de Davi, acompanhados da preocupação dos servos (vv. 15b-18). - Reação surpreendente após a morte: Davi se levanta, se lava, se unge, se veste, entra na casa do Senhor e adora; depois volta para casa e come (vv. 19-20). - Explicação teológica e prática de Davi sobre sua atitude antes e depois da morte da criança, incluindo a afirmação de que irá até ela (vv. 21-23). - Consolo de Bate-Seba, nascimento de Salomão e declaração de que o Senhor o amou, com o nome especial Jedidias dado por meio de Natã (vv. 24-25).
4) Conclusão da guerra contra Rabá (vv. 26-31) - Relato do avanço de Joabe e tomada da "cidade das águas", provavelmente a parte estratégica de Rabá (vv. 26-27). - Convocação de Davi para concluir o cerco e ficar associado à vitória (v. 28). - Davi reúne o povo, toma a cidade, recebe a coroa do rei inimigo e recolhe grande despojo (vv. 29-30). - Descrição da severa punição imposta aos amonitas e retorno de Davi a Jerusalém (v. 31).
A narrativa alterna entre cenas intensamente pessoais (pecado, luto, consolo, nascimento de um filho) e cenas políticas e militares (guerra, conquista, coroa), revelando a complexidade da vida de um rei diante de Deus.
2 Samuel 12 oferece uma visão profunda da justiça e da misericórdia de Deus atuando simultaneamente. Deus leva o pecado a sério; mesmo um rei segundo o coração de Deus não está acima da correção. O envio de Natã mostra que Deus se envolve na história para expor o que foi feito em oculto, chamando o pecador à verdade. A pergunta de Deus por meio do profeta — "Por que desprezaste a palavra do Senhor?" — revela que, no centro de todo pecado, há uma rejeição à autoridade e à bondade de Deus.
Ao mesmo tempo, o capítulo enfatiza o poder do arrependimento genuíno. A confissão breve e direta de Davi encontra resposta imediata da graça: "Também o Senhor perdoou o teu pecado; não morrerás". A teologia da aliança aparece aqui com força: Deus não abandona Davi, mas disciplina, corrige e, a partir da queda, continua sua promessa. O perdão não significa ausência de consequência histórica, mas restauração do relacionamento com Deus.
A morte da criança suscita reflexões profundas sobre sofrimento, culpa e soberania divina. O texto não oferece todas as respostas, mas mostra Davi lançando-se em oração enquanto há esperança de livramento e, depois, rendendo-se à decisão de Deus com adoração, mesmo em meio à perda. Sua declaração "Eu irei a ela" aponta para uma fé na continuidade da vida para além da morte.
O nascimento de Salomão, amado pelo Senhor, e o nome Jedidias, dado por meio de Natã, introduzem um fio de esperança: Deus é capaz de fazer surgir, do contexto de pecado e dor, um instrumento importante para o cumprimento de seu plano. A linhagem messiânica que passa por Davi e Salomão indica que, desde já, Deus prepara o caminho para o Rei perfeito, em quem justiça e misericórdia se encontrarão plenamente.
Por fim, o capítulo ressalta a responsabilidade de quem exerce autoridade. O abuso de poder de Davi gera desastre dentro de sua própria casa, ao passo que, no campo político-militar, ele ainda é usado como agente de juízo. O texto convida a reconhecer que nenhum líder está isento de prestar contas a Deus, e que a verdadeira grandeza não está na vitória militar ou na coroa recebida, mas na capacidade de se humilhar, confessar e se submeter ao juízo e à graça do Senhor.
Este capítulo toca em temas sensíveis como culpa, confrontação, disciplina, perda de um filho, luto e recomeço. Do ponto de vista emocional, a narrativa de Davi mostra um ciclo completo: pecado escondido, revelação dolorosa, confissão, dor pelas consequências, lamento intenso, aceitação e, por fim, algum tipo de reconstrução.
A forma como Natã aborda Davi ilustra uma confrontação cuidadosa e ao mesmo tempo firme: ele usa uma história que desperta empatia e senso de justiça antes de apontar diretamente a culpa. Isso reflete a importância de abordagens sábias ao tratar de falhas graves, respeitando a dignidade da pessoa, mas sem minimizar o erro.
O luto de Davi pela criança mostra uma expressão saudável de dor: jejum, choro, prostração. Ele não reprime a angústia, mas também não fica preso a ela quando a situação se torna irreversível. Após a morte, ele se levanta, cuida de si mesmo, volta a adorar e retoma a rotina, o que lembra a necessidade de transitar do luto agudo para uma fase de adaptação.
A consolação de Bate-Seba e o nascimento de Salomão evidenciam que, mesmo após traumas profundos e perdas, é possível experimentar afeto, consolo mútuo e novos começos. O texto não apaga a dor anterior, mas mostra que a história não termina no ponto mais escuro.
Vários elementos deste capítulo podem ser gatilhos emocionais significativos:
Pessoas em quadro de depressão grave, ideação suicida, luto recente por perda de filhos ou histórico de abuso espiritual podem precisar ler este texto com acompanhamento pastoral cuidadoso e, se necessário, apoio psicológico profissional. A leitura isolada e sem contexto, especialmente de trechos sobre juízo e morte, pode agravar sentimentos de culpa tóxica ou desesperança em alguns casos.
2 Samuel 12 sugere algumas aplicações práticas importantes para a vida cotidiana:
A parábola permite que Davi, como juiz e rei, exerça primeiro seu senso de justiça sobre uma situação aparentemente externa a ele. Ao se indignar com o homem rico que tomou a cordeira do pobre, Davi pronuncia, sem perceber, um juízo sobre o tipo de injustiça que ele mesmo cometeu. Quando Natã diz "Tu és este homem", a máscara cai e Davi é confrontado não apenas por uma acusação, mas por sua própria consciência. Essa abordagem pedagógica toca o coração, evita uma defesa imediata e mostra a sabedoria de Deus em levar as pessoas ao arrependimento de dentro para fora.
O texto apresenta a morte da criança como uma consequência grave do pecado de Davi e como um escândalo que deu motivo para blasfêmias contra o Senhor (v. 14). A Escritura, porém, não explica em detalhes todos os "porquês" dessa decisão divina. É importante notar que o perdão aqui diz respeito ao relacionamento de Davi com Deus e à sua própria vida preservada, enquanto as consequências históricas do pecado ainda se desenrolam. A Bíblia frequentemente mostra que o pecado de líderes espirituais e políticos tem efeitos profundos sobre outros. O episódio provoca perguntas difíceis, mas reforça que o perdão não significa ausência de dor neste mundo caído, nem anula a seriedade do pecado, especialmente quando ligado a abuso de poder e derramamento de sangue inocente.
Davi reconhece que a morte da criança é definitiva no plano terreno: ela não voltará à vida. Ao dizer "Eu irei a ela", ele expressa uma esperança de reencontro no futuro, indicando fé em uma realidade após a morte. Embora o texto não desenvolva uma doutrina completa sobre o estado das crianças que morrem, essa frase sugere que Davi não vê o destino do filho como aniquilação, mas como uma existência à qual, um dia, ele mesmo chegará. Assim, a declaração mistura resignação diante da realidade da morte com uma esperança silenciosa em algo além dela.
O menino é chamado de Salomão por Davi e Bate-Seba, mas o Senhor, por meio de Natã, lhe dá o nome de Jedidias, que significa "amado do Senhor" (v. 25). Esse nome simbólico é um sinal público de que, apesar do contexto doloroso da história de Davi e Bate-Seba, Deus derrama graça sobre aquela criança e sobre o futuro que ela representa. Salomão se tornará o herdeiro do trono e terá papel central na continuidade da aliança davídica. O nome Jedidias destaca que o favor de Deus não está preso à perfeição humana e que, mesmo depois de pecado e juízo, Deus é capaz de demonstrar amor e escolher alguém para cumprir seus propósitos.
O tratamento severo dado aos amonitas em 2 Samuel 12:31 reflete a realidade dura das guerras do Antigo Oriente Médio, em que conflitos entre nações envolviam juízo, subjugação e punições pesadas. Davi, como rei de uma nação teocrática, também é apresentado em outras partes da Escritura como instrumento do juízo de Deus sobre povos que se opunham a Israel. Isso não significa que todas as suas ações militares sejam modelos a serem imitados em qualquer contexto, mas que, em seu tempo, Davi exerceu um papel de governante e guerreiro dentro de uma lógica de guerra antiga. O próprio capítulo deixa claro que Davi, apesar de ser chamado e usado por Deus, é um homem pecador que também precisa de correção. A Bíblia mostra o rei como figura complexa: capaz de grandes atos de fé e também de decisões duras e até problemáticas à luz da revelação progressiva da justiça e da misericórdia de Deus.
2 Samuel 12 retrata um dos pontos mais dolorosos da história de Davi. É a queda exposta, a culpa escancarada, a dor da perda e, ao mesmo tempo, o abraço da graça. Em poucas linhas, o texto percorre emoções intensas: indignação, vergonha, medo, luto, perplexidade, consolo e esperança. A forma como Natã se aproxima de Davi é cheia de cuidado: uma história, uma imagem de um pobre e sua cordeira tão amada, quase como uma filha. Essa cena desperta compaixão antes mesmo da confrontação. Há ternura até no modo como Deus mostra o pecado, porque Ele quer restaurar, não apenas acusar. Davi, que estava endurecido, volta a sentir: primeiro fica indignado com a injustiça, depois enxerga que aquela injustiça é a dele. O coração quebra quando ele diz, sem rodeios: "Pequei contra o Senhor". A sequência é muito difícil: a doença e a morte da criança. O texto permite ver o rei prostrado no chão, chorando, jejuando, recusando consolo. Ele não é um herói inabalável; é um pai em desespero. Quando a morte se confirma, Davi não nega a dor, mas escolhe se levantar, se lavar, voltar à adoração. Não é um gesto de frieza, mas de rendição: ele reconhece que fez tudo o que podia enquanto havia esperança e, agora, coloca a dor no colo de Deus. A frase "Eu irei a ela" carrega um fio de esperança no meio do pranto. Há também espaço para o consolo humano. Davi consola Bate-Seba; os dois compartilham uma dor que ninguém mais entende na mesma profundidade. Dessa intimidade marcada por lágrimas nasce Salomão, e o texto diz algo surpreendente: "o Senhor o amou". A graça de Deus atravessa a culpa, a perda e a vergonha, e planta um novo começo justamente ali onde o coração tinha sido mais ferido. Ao longo de todo o capítulo, Deus não minimiza o pecado de Davi, mas também não o abandona. O Senhor o confronta, o perdoa, o disciplina, o sustenta no luto e, por fim, lhe dá um filho amado. Em meio a histórias de erro e consequências duras, o texto sussurra que corações quebrados ainda podem ser alcançados, cuidados e reconstruídos pelo amor fiel de Deus.
2 Samuel 12 é um texto chave para compreender a teologia do pecado, do juízo e da graça na narrativa de Samuel. Literariamente, o capítulo está diretamente conectado a 2 Samuel 11 e funciona como um oráculo profético de julgamento sobre a casa de Davi. A parábola do rico e do pobre emprega um recurso retórico eficaz: por meio de uma história aparentemente externa, Natã conduz Davi a pronunciar a sentença que, na verdade, recai sobre si mesmo. A referência à restituição quadruplicada evoca a legislação de Êxodo 22, situando o caso de Davi no âmbito da lei do Senhor, não apenas em um nível moral genérico. Teologicamente, o discurso de Natã sublinha alguns pontos fundamentais. Primeiro, a origem das bênçãos de Davi: é o Senhor que o ungiu, livrou de Saul e lhe deu casa e reino (vv. 7-8). O pecado não é apenas uma falha ética, mas um desprezo pela palavra e pela graça de Deus (v. 9). Segundo, as consequências são formuladas nos termos de "medida por medida": Davi tomou a mulher de outro em oculto; alguém de sua própria casa tomará as suas mulheres à vista de todo Israel (vv. 10-12). O princípio de retribuição funciona aqui na esfera histórica, dentro da aliança davídica. A resposta de Davi é notavelmente concisa. Em vez de autopreservação política, há reconhecimento imediato: "Pequei contra o Senhor" (v. 13). Correlativamente, a resposta divina, por meio de Natã, é dupla: perdão e juízo. "Não morrerás" indica que a pena de morte implícita pela lei (adultério e homicídio) é retirada. Porém, o juízo se manifesta na espada que não se afastará de sua casa e na morte do filho. O versículo 14 vincula a seriedade da punição ao escândalo público diante dos inimigos do Senhor, sugerindo que, no contexto da aliança, o comportamento do rei afeta o testemunho de Deus entre as nações. A seção sobre a enfermidade e morte da criança (vv. 15-23) explora a interação entre soberania divina e oração. Davi jejua e clama enquanto há possibilidade de mudança; após a morte, ele aceita o resultado como definitivo. Sua explicação apresenta uma teologia prática: a oração pode, sim, buscar a compaixão de Deus: "Quem sabe se Deus se compadecerá?"; mas quando o desfecho se confirma, a fé se expressa em adoração e na aceitação dos limites humanos. O nascimento de Salomão, com o nome adicional Jedidias, introduz um novo eixo na narrativa. O amor de Deus sobre essa criança aponta para a continuidade da promessa a Davi, mesmo depois da queda. Em termos de história da salvação, Salomão será o construtor do templo e elo importante na linhagem messiânica. Assim, o capítulo tensiona, de forma sofisticada, juízo e graça: a casa de Davi é julgada, mas não rejeitada; o pecado é exposto, mas a promessa permanece. A seção final (vv. 26-31) reforça o pano de fundo político-militar e mostra que a disciplina de Deus não anula o papel de Davi como rei guerreiro. A participação tardia de Davi na tomada de Rabá, após ter permanecido em Jerusalém na campanha anterior (2Sm 11:1), corrige parcialmente a falha anterior de liderança. O relato da coroa e dos despojos tem função de afirmar o poder real, enquanto a menção às punições impostas aos amonitas reflete a dureza da guerra antiga e a visão de Israel como instrumento de juízo. Esse conjunto mantém a complexidade teológica do retrato de Davi: um rei da aliança, profundamente falho, disciplinado e, ainda assim, preservado e utilizado por Deus.
2 Samuel 12 é um retrato forte das consequências práticas de escolhas erradas, especialmente quando ligadas a abuso de poder, família e responsabilidade espiritual. A história de Davi mostra que decisões tomadas "em oculto" podem explodir em público e atingir mais gente do que se imagina. No campo das relações, Davi quebra diversas fronteiras: trai a confiança de Urias, usa seu poder de rei para tomar a mulher de outro, e ainda organiza a morte de um homem justo. Tudo isso começa com uma sequência aparentemente "pequena" de decisões mal orientadas. O confronto de Natã mostra que Deus não ignora a injustiça, mesmo quando cometida por quem é líder, respeitado ou bem-sucedido. Em termos práticos, isso alerta para a importância de limites claros em áreas como sexualidade, uso de autoridade, manipulação e mentira. A reação de Davi ao ser confrontado é um exemplo de como lidar, na prática, com falhas graves. Em vez de atacar Natã, se vitimizar ou tentar justificar o injustificável, ele assume: "Pequei". Esse tipo de reconhecimento é decisivo em qualquer ambiente — casamento, família, trabalho ou igreja. Sem confissão honesta, não há reconstrução verdadeira de confiança. As consequências na casa de Davi ensinam que o perdão não apaga automaticamente todos os efeitos das atitudes. Um líder pode ser restaurado espiritualmente e ainda assim precisar lidar por anos com desdobramentos em sua família, na equipe ou na comunidade. Isso encoraja a pensar duas vezes antes de ceder a impulsos momentâneos que podem custar caro a outros. Na parte do luto, Davi oferece um modelo de equilíbrio entre luta e aceitação. Ele ora intensamente e jejua enquanto ainda existe possibilidade de mudança, mas, quando a morte da criança se confirma, ele retoma cuidados básicos e volta à adoração. Em situações difíceis, isso inspira a manter a postura de clamar com fé, sem deixar de reconhecer, quando chega a hora, que certos resultados não podem ser revertidos. Nessa hora, insistir em jejum e autoabandono pode deixar de ser espiritual e se tornar autodestrutivo. A forma como Davi consola Bate-Seba e reaproxima o relacionamento sugere que grandes falhas e dores não precisam destruir para sempre os vínculos familiares. Embora a história deles comece de forma torta, há espaço para arrependimento, consolo mútuo e um recomeço melhor do que o início. O nascimento de Salomão, amado por Deus, mostra que uma nova etapa pode ser construída com mais responsabilidade e temor do Senhor. Por fim, a retomada da liderança de Davi na guerra lembra que, mesmo depois de quedas graves, ainda há tarefas a cumprir. Reconstruir a confiança passa por voltar a agir corretamente nas responsabilidades presentes: assumir o que precisa ser assumido, corrigir rumos, cuidar das pessoas afetadas e conduzir a vida de forma mais íntegra e transparente diante de Deus e dos outros.
2 Samuel 12 abre uma janela profunda para a dinâmica da alma diante de Deus. Davi, o homem que havia experimentado tantas vezes a presença e o favor divinos, se vê agora desmascarado em seu pecado mais sombrio. A pergunta que ecoa no texto é espiritual: o que acontece quando alguém que conhece a Deus o desonra de forma tão séria? O envio de Natã mostra que Deus não abandona nem se cala. O silêncio aparente após o pecado de Davi não é indiferença; é um tempo até o momento da confrontação. A parábola e a frase "Tu és este homem" atingem não apenas a mente de Davi, mas o centro de sua identidade. O rei justo, pastor do povo, descobre que se comportou como o opressor rico. Espiritualmente, essa revelação é um chamado ao arrependimento profundo, não apenas a um ajuste de comportamento, mas a uma mudança de coração. A confissão de Davi — "Pequei contra o Senhor" — é curta, mas carrega um reconhecimento fundamental: todo pecado, por mais que fira pessoas, é antes de tudo uma afronta ao próprio Deus. Na perspectiva eterna, o que está em jogo é a relação do ser humano com o Criador. O perdão anunciado por Natã, portanto, é mais que alívio psicológico; é restauração do vínculo com Deus, é vida preservada diante de um Deus santo que poderia, com justiça, retirar a própria existência do pecador. A morte da criança traz à tona uma questão dolorosa para a alma: por que inocentes sofrem por causa do pecado de outros? O texto não oferece uma explicação filosófica completa, mas convida a uma postura de reverência diante dos mistérios de Deus. Davi não recebe todas as respostas; ele recebe a oportunidade de buscar a Deus enquanto há esperança e, depois, de se curvar em adoração diante do que não pode mudar. Quando diz "Eu irei a ela", Davi projeta o olhar para além do tempo, para uma realidade onde a separação é revertida. A esperança de vida após a morte não é aqui um conceito abstrato, mas a única forma de a alma suportar uma perda irreparável. O nascimento de Salomão, amado pelo Senhor, carrega uma mensagem poderosa: a graça de Deus é capaz de atravessar linhas que parecem definitivas. Da relação marcada por pecado, juízo e luto, surge alguém que receberá um nome profético: Jedidias, "amado do Senhor". Em termos espirituais, isso antecipa a lógica do evangelho: Deus não apaga a história, mas entra nela, transforma e gera algo novo, por pura misericórdia. Ao longo de todo o capítulo, o fio condutor é a fidelidade de Deus à sua aliança. Davi é disciplinado, mas não rejeitado. A espada não se apartará de sua casa, mas a promessa de um trono eterno permanece. Essa tensão aponta para a necessidade de um Rei maior, sem pecado, que carregue o juízo sem merecê-lo e estabeleça um reino onde justiça e misericórdia se beijam plenamente. A trajetória de Davi em 2 Samuel 12, com queda, disciplina, perdão e renovação de esperança, prepara o coração para compreender o tipo de salvação que Deus realiza: não apenas correção de erros, mas restauração profunda da relação com Ele e uma esperança que ultrapassa a morte.
" E o SENHOR enviou Natã a Davi; e, apresentando-se ele a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. "
" O rico possuía muitíssimas ovelhas e vacas. "
" Mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e criara; e ela tinha crescido com ele e com seus filhos; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia em seu regaço, e a tinha como filha. "
" E, vindo um viajante ao homem rico, deixou este de tomar das suas ovelhas e das suas vacas para assar para o viajante que viera a ele; e tomou a cordeira do homem pobre, e a preparou para o homem que viera a ele. "
" Então o furor de Davi se acendeu em grande maneira contra aquele homem, e disse a Natã: Vive o Senhor, que digno de morte é o homem que fez isso. "
" E pela cordeira tornará a dar o quadruplicado, porque fez tal coisa, e porque não se compadeceu. "
" Então disse Natã a Davi: Tu és este homem. Assim diz o Senhor Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel, e eu te livrei das mãos de Saul; "
" E te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio, e também te dei a casa de Israel e de Judá, e, se isto é pouco, mais te acrescentaria tais e tais coisas. "
" Por que, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o heteu, feriste à espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom. "
" Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher. "
" Assim diz o Senhor: Eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol. "
" Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perante o sol. "
" Então disse Davi a Natã: Pequei contra o Senhor. E disse Natã a Davi: Também o Senhor perdoou o teu pecado; não morrerás. "
" Todavia, porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do Senhor blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá. "
" Então Natã foi para sua casa; e o Senhor feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi, e adoeceu gravemente. "
" E buscou Davi a Deus pela criança; e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra. "
2 Samuel 12:16 mostra Davi desesperado, jejuando e orando pela vida do filho doente, reconhecendo que só Deus podia agir. O versículo ensina que, em …
Ler analise completa" Então os anciãos da sua casa se levantaram e foram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis, e não comeu pão com eles. "
" E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança estava morta, porque diziam: Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança está morta? Porque mais lhe afligiria. "
" Viu, porém, Davi que seus servos falavam baixo, e entendeu Davi que a criança estava morta, pelo que disse Davi a seus servos: Está morta a criança? E eles disseram: Está morta. "
" Então Davi se levantou da terra, e se lavou, e se ungiu, e mudou de roupas, e entrou na casa do Senhor, e adorou. Então foi à sua casa, e pediu pão; e lhe puseram pão, e comeu. "
" E disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que morreu a criança te levantaste e comeste pão. "
" E disse ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se DEUS se compadecerá de mim, e viverá a criança? "
" Porém, agora que está morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim. "
" Então consolou Davi a Bate-Seba, sua mulher, e entrou a ela, e se deitou com ela, e ela deu à luz um filho, e deu-lhe o nome de Salomão; e o Senhor o amou. "
" E enviou pela mão do profeta Natã, dando-lhe o nome de Jedidias, por amor ao Senhor. "
" Ora pelejou Joabe contra Rabá, dos filhos de Amom, e tomou a cidade real. "
" Então mandou Joabe mensageiros a Davi, e disse: Pelejei contra Rabá, e também tomei a cidade das águas. "
" Ajunta, pois, agora o restante do povo, e cerca a cidade, e toma-a, para que tomando eu a cidade, não se aclame sobre ela o meu nome. "
" Então ajuntou Davi a todo o povo, e marchou para Rabá, e pelejou contra ela, e a tomou. "
" E tirou a coroa da cabeça do seu rei, cujo peso era de um talento de ouro, e havia nela pedras preciosas, e foi posta sobre a cabeça de Davi; e da cidade levou mui grande despojo. "
" E, trazendo o povo que havia nela, o pôs às serras, e às talhadeiras de ferro, e aos machados de ferro, e os fez passar por forno de tijolos; e assim fez a todas as cidades dos filhos de Amom; e voltou Davi e todo o povo para Jerusalém. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.