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2 Samuel 12:1 - Significado e aplicacao

Entenda como este versiculo fala com o que voce esta vivendo e como aplica-lo hoje

Traducao: Almeida Corrigida Fiel

" E o SENHOR enviou Natã a Davi; e, apresentando-se ele a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. "

2 Samuel 12:1

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1

E o SENHOR enviou Natã a Davi; e, apresentando-se ele a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre.

2

O rico possuía muitíssimas ovelhas e vacas.

3

Mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e criara; e ela tinha crescido com ele e com seus filhos; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia em seu regaço, e a tinha como filha.

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Parece que se passou bastante tempo entre o adultério de Davi com Bate-Seba e o momento em que ele foi levado ao arrependimento. Quando Natã veio falar com ele, a criança já havia nascido (2 Samuel 12:14); assim, Davi carregara a culpa desse pecado por cerca de nove meses. Pelo que podemos perceber, ele ainda não havia se arrependido publicamente, embora possamos supor que sua consciência o afligisse em segredo diante de Deus.

É razoável pensar que Natã foi enviado logo após o nascimento da criança, quando o caso já era conhecido e comentado. Isso teria conduzido Davi a confessar o pecado abertamente, trazendo glória a Deus, servindo de advertência aos outros e permitindo-lhe receber o perdão, ainda que com certas consequências. Durante aqueles meses, porém, podemos supor com justiça que sua alegria e a vitalidade da sua fé estavam abatidas, e sua comunhão com Deus, interrompida.

Ele parece não ter escrito salmos nesse período; sua harpa estava “desafinada”, e sua alma era como uma árvore no inverno, viva apenas na raiz. Depois que Natã veio a ele, Davi orou: “Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário” (Salmo 51:12, Salmo 51:15).

Observe-se, em primeiro lugar, o mensageiro que Deus enviou a Davi. No fim do capítulo anterior, lemos que o que Davi fizera desagradou ao Senhor. Poderíamos imaginar que o Senhor enviaria inimigos para o atacarem, terrores para o dominarem, ou a morte para o prender. Em vez disso, enviou um profeta, Natã, amigo fiel e conselheiro de Davi, para instruí-lo e corrigi-lo (2 Samuel 12:1).

Não foi Davi quem mandou chamar Natã, embora nunca tivesse precisado tanto de um conselheiro espiritual. Deus é quem envia Natã a Davi. Isso mostra que, ainda que Deus permita que o seu povo caia em pecado, não permite que permaneça nele. Davi seguia teimosamente pelo caminho do próprio coração e, se fosse deixado entregue a si mesmo, iria cada vez mais longe de Deus. Mas o Senhor diz: “Tenho visto os seus caminhos, e o sararei” (Isaías 57:17, Isaías 57:18).

Muitas vezes Deus vem ao nosso encontro antes mesmo que o busquemos. Se não fosse assim, certamente pereceríamos. Natã havia sido o profeta por meio de quem Deus anteriormente dera a Davi uma mensagem de bondade e promessa (2 Samuel 7:4), e agora, pelo mesmo homem, envia uma mensagem de repreensão. Devemos receber a Palavra de Deus por meio de seus ministros, tanto quando ela traz consolo quanto quando traz advertência.

Natã obedeceu ao chamado celestial e foi, em missão de Deus, até Davi. Ele não disse: “Davi pecou, portanto não chegarei perto dele.” Pelo contrário, tratou-o como um irmão a ser corrigido, e não como um inimigo a ser odiado (2 Tessalonicenses 3:15). Também não disse: “Davi é rei, não ouso repreendê-lo.” Não; quando Deus o envia, ele firma o rosto como pederneira (Isaías 50:7).

Em segundo lugar, considere-se a mensagem que Natã trouxe para convencer Davi. Ele começou com uma parábola, de modo que Davi ouvisse a história como se fosse uma denúncia contra um de seus súditos, que havia prejudicado um vizinho pobre. Natã provavelmente muitas vezes comparecera diante de Davi para tratar de casos assim, por isso essa abordagem não levantaria suspeitas. É apropriado que aqueles que têm acesso aos governantes falem em favor dos injustiçados, para que a justiça seja feita.

Natã relata uma grave injustiça. Um homem rico tinha muitas ovelhas e vacas (2 Samuel 12:2), enquanto o pobre possuía apenas uma cordeirinha (2 Samuel 12:3). O mundo é dividido de forma muito desigual, mas Deus ordena tudo com sabedoria, justiça e bondade, para que os ricos aprendam generosidade e os pobres aprendam contentamento. A única cordeira do pobre era como um animal de estimação; ele a criara junto com seus filhos. Ele a amava, ela comia do seu bocado e era como um membro da família.

Chegando um viajante à casa do rico, este tomou à força a cordeira do pobre e mandou prepará-la para o hóspede (2 Samuel 12:4). Fez isso ou por avareza, por não querer gastar do que era seu, ou, mais provavelmente, por luxo, achando que o animal criado com tanto cuidado daria uma carne mais delicada. Natã usa essa história para expor a maldade do que Davi havia feito a Bate-Seba.

Davi tinha muitas mulheres e concubinas, ainda que as mantivesse separadas, como os ricos mantêm seus rebanhos no campo. Se ele tivesse apenas uma esposa, querida para ele como a cordeira para o seu dono, e amada da forma como a Escritura descreve a esposa amada, o amor dela lhe teria sido suficiente, e ele não teria olhado para outra (Provérbios 5:19). O casamento é uma proteção contra o pecado sexual, mas ter muitas mulheres não é. Quando alguém rompe a lei de Deus sobre a fidelidade de “uma só carne”, a luxúria raramente pára por si mesma.

Urias, como o homem pobre da história, tinha apenas uma esposa, e ela lhe era tão preciosa quanto a própria vida. Ele não desejava que outra mulher repousasse em seu seio. Alguns escritores judeus, como observa o bispo Patrick, entenderam o viajante da parábola como o mau desejo que entrou no coração de Davi. Dizem que esse desejo poderia ter sido satisfeito com o que Davi já possuía, mas nada o contentou senão a esposa amada de Urias. Notam ainda que esse mau desejo é chamado de viajante porque, no começo, apenas passa; depois, se demora; por fim, domina a casa. Na história, o viajante é chamado de “homem” no final, mostrando como a luxúria cresce até se tornar senhora.

Alguns, porém, observam que, no caso de Davi, a luxúria foi apenas como um viajante que se hospeda por uma noite; não passou a morar e a reinar permanentemente em seu coração. Por meio da parábola, Natã arranca de Davi uma sentença contra si mesmo. Pensando tratar-se de um caso real e confiando no relato de Natã, Davi imediatamente profere juízo e o confirma com juramento (2 Samuel 12:5, 2 Samuel 12:6). Ele declara que o homem deveria restituir quatro vezes mais, conforme a lei (Êxodo 22:1), e que merecia a morte por sua crueldade e tirania.

Se um pobre rouba de um rico por fome, deve restituir, ainda que isso lhe custe tudo o que possui (Provérbios 6:30, Provérbios 6:31). Salomão mais tarde compara o adultério a esse pecado (Provérbios 6:32). Mas, se um rico rouba por simples capricho, sem necessidade, apenas para ser duro e abusivo, ele é digno de morte, pois a simples restituição mal o puniria. Se a sentença de Davi parece severa, talvez seja porque seu espírito ainda estava azedado pela culpa, sem ter recebido ainda a misericórdia.

Então Natã, por fim, aplica a parábola diretamente a Davi.

Natã começou com uma parábola, e isso mostra sua sabedoria. É preciso muito cuidado ao repreender alguém. A repreensão é bem conduzida quando, como aqui, o culpado é levado a condenar a si mesmo sem perceber de início. Mas, quando Natã aplica a lição, também se mostra fiel, falando ao rei Davi com a mesma franqueza com que falaria a qualquer outra pessoa. Em palavras claras, ele diz: “Tu és esse homem; tu fizeste isso, e fizeste um mal ainda maior ao teu próximo. Pelos teus próprios lábios, declaraste que és digno de morte, e serás julgado pelo teu próprio juízo.”

Natã fala imediatamente da parte de Deus e em nome de Deus. Ele começa: “Assim diz o Senhor, Deus de Israel”, um nome santo e solene para Davi, que deveria prender por completo sua atenção. Natã já não fala como suplicante em favor de um pobre, mas como embaixador do grande Deus, em cuja presença não há parcialidade. Deus lembra primeiro a Davi, por meio de Natã, as grandes coisas que já fizera e que planejava fazer por ele. Ungiu-o rei, manteve-o no trono, deu-lhe a casa e os bens de seu antecessor e de outros que antes tinham poder sobre ele, como Nabal. Também lhe deu a casa de Israel e de Judá, de modo que as riquezas do reino estavam ao seu serviço e o povo tinha prazer em agradá-lo.

Deus ainda estava disposto a dar a Davi muito mais, se ele tivesse necessidade. Isso mostra como Deus é generoso em seus dons. Da parte dele, nunca somos tratados com mesquinharia. Quando já nos deu muito, ainda pode dar ainda mais. Isso torna ainda pior a nossa insatisfação e a cobiça daquilo que Deus proibiu. É ingratidão desejar o que Deus vedou, quando temos liberdade para pedir o que ele prometeu — e isso deveria bastar.

Natã acusa então Davi de um grave e orgulhoso desprezo pela autoridade de Deus nos pecados que cometeu: “Por que, confiando no teu poder real, desprezaste o mandamento do Senhor?” Aí está a raiz e a feiúra do pecado: tratar a lei de Deus e o próprio Legislador como se pouco importassem. Age-se como se a lei fosse fraca, os mandamentos pequenos e as ameaças irrelevantes. Davi havia falado da lei de Deus com mais honra do que quase qualquer outro, e ainda assim, neste caso, é justamente acusado de tê-la desprezado.

O adultério de Davi com Bate-Seba, mulher de Urias, que deu início a todo esse mal, não é mencionado aqui, talvez porque ele já estivesse convencido de culpa nesse ponto. Mas o assassinato de Urias é mencionado duas vezes. Natã diz: “Tu mataste Urias à espada”, ainda que não tenha sido com a espada do próprio Davi, mas, na prática, por sua ordem, quando colocou Urias na linha de frente da batalha. Quem planeja a maldade e a manda executar é tão culpado quanto quem a pratica com as próprias mãos. Natã repete essa acusação com ainda mais força, dizendo que Davi matou Urias “com a espada dos amonitas”, aqueles incircuncisos inimigos de Deus e de Israel.

O casamento com Bate-Seba também é mencionado duas vezes, porque Davi talvez pensasse que não havia mal nisso. Natã diz: “Tomaste a mulher de Urias para ser tua mulher”, e torna a repetir. Casar-se com a mulher que ele primeiro desonrou, depois de matar o marido dela, foi um insulto ao próprio casamento. Era quase transformar o casamento em disfarce para a maldade. Em tudo isso, Davi desprezou a palavra do Senhor, não só o mandamento de Deus contra esses pecados, mas também a promessa especial que antes lhe havia sido enviada por meio do próprio Natã, de que Deus lhe edificaria uma casa. Se Davi tivesse realmente valorizado essa santa promessa, não teria contaminado sua casa com luxúria e sangue.

Natã então adverte Davi sobre um juízo duradouro sobre sua família por causa desse pecado: “A espada nunca se apartará da tua casa.” Isso significa que problemas e violências continuariam em sua família, durante sua vida e depois dela, marcando grande parte da vida dele e de sua descendência com guerras. Isso aponta para as mortes entre seus filhos, Amnom, Absalão e Adonias, todos abatidos à espada. Deus havia prometido que a sua misericórdia não se apartaria de Davi e de sua casa (2 Samuel 7:15), e agora diz que a espada também não se apartaria. Pode a misericórdia permanecer junto com a espada? Pode, sim. Uma pessoa pode passar por sofrimentos severos e prolongados e, mesmo assim, não ser excluída da graça da aliança de Deus.

A razão é dada claramente: “Porque tu me desprezaste.” Quem despreza a palavra e a lei de Deus, despreza o próprio Deus e será tratado com leveza. Natã também diz que a própria família de Davi se tornaria o seu tormento: “Da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti.” O pecado traz problemas para dentro da família, e muitas vezes um pecado é usado para castigar outro. Ele ainda anuncia que as mulheres de Davi seriam motivo de vergonha, sendo publicamente desonradas diante de todo o Israel (2 Samuel 12:11, 12). Natã não diz que isso seria feito pelo próprio filho de Davi, talvez para que a profecia não fosse dificultada por ser clara demais. No entanto, mais tarde Absalão fez exatamente isso, seguindo o conselho de Aitofel (2 Samuel 16:21, 22).

Aquele que havia contaminado a mulher do próximo agora teria suas próprias mulheres contaminadas, pois esse era muitas vezes o modo como tal pecado era castigado. Jó dá a entender isso em seu juramento solene (Jó 31:10), e Oséias também fala nessa linha (Oséias 4:14). O pecado de Davi tinha sido oculto e cuidadosamente encoberto, mas seu castigo seria público e amplamente conhecido, trazendo-lhe grande vergonha. Seu velho pecado no caso de Urias, ainda que praticado muitos anos antes, voltaria então à lembrança pública e seria comentado por toda parte. Assim como um rosto se reflete em outro no espelho, muitas vezes o castigo corresponde ao pecado. Aqui é sangue por sangue e impureza por impureza. Dessa maneira, Deus mostraria o quanto odeia o pecado, mesmo na vida do seu próprio povo, e que, onde quer que o encontre, não o deixará sem correção.

Davi então confessou seu pecado com coração verdadeiramente arrependido. Ele não tentou se desculpar nem suavizar o que havia feito. Disse simplesmente: “Pequei contra o Senhor” (2 Samuel 12:13). Provavelmente falou mais do que isso, mas essas palavras já bastam para mostrar que as advertências de Natã o haviam realmente humilhado e que Davi aceitou a acusação. Ele reconhece sua culpa: “Pequei”, e torna a ofensa mais grave ao acrescentar: “contra o Senhor.” Ele aprofunda esse mesmo pensamento no salmo que escreveu sobre esse acontecimento: “Contra ti, contra ti somente pequei” (Salmo 51:4).

Quando Davi confessou, Natã declarou o seu perdão, embora ainda ficasse um aviso ligado a isso. Vendo que Davi estava verdadeiramente contrito, Natã o assegurou, em nome de Deus, de que o seu pecado estava perdoado: “Também o Senhor perdoou o teu pecado; não morrerás.” Isso significa que ele não morreria eternamente, nem seria para sempre rejeitado por Deus, o que teria acontecido se o Senhor não tivesse removido o seu pecado. A culpa que merecia castigo foi cancelada e posta de lado.

Perdão significa isto: o teu pecado não será a tua ruína final. A espada continuaria na casa de Davi, mas não o cortaria em juízo definitivo. Ele havia merecido a morte como adúltero e assassino, mas Deus não o fulminaria como, com justiça, poderia ter feito. Embora Davi fosse ser disciplinado pelo Senhor durante toda a sua vida, ele não seria condenado juntamente com o mundo.

Isso mostra como Deus está pronto a perdoar o pecado. Davi talvez pensasse nisso quando escreveu: “Confessei, e tu perdoaste” (Salmo 32:5). Por isso, grandes pecadores não devem desesperar da misericórdia se se arrependerem de verdade. Quem é Deus como o Senhor, que perdoa a iniquidade?

Contudo, Deus também decretou a morte do filho (2 Samuel 12:14). Aqui vemos o senhorio e a autoridade de Deus. O pai culpado vive, e o inocente infante morre, mas todas as almas pertencem a Deus, e Ele pode glorificar a si mesmo em suas criaturas como quiser.

Davi havia pecado contra a honra de Deus e dado motivo para que os inimigos do Senhor blasfemassem. Os ímpios daquele tempo, incrédulos, idólatras e perversos, se alegrariam com a queda de Davi. Falaram mal de Deus e de sua lei ao verem um homem culpado de pecados tão graves que ainda afirmava honrar a ambos. Eles poderiam dizer: “Estes são os teus crentes. Este é o homem que ora, canta salmos e se mostra tão devoto. De que servem tais práticas se não guardam o homem do adultério e do assassinato?” Também poderiam perguntar: “Acaso Saul não foi rejeitado por algo menor? Por que então Davi ainda vive e reina?” Eles não entendiam que Deus julga pelo coração, e não como o ser humano julga.

Ainda hoje, alguns se endurecem no pecado usando o exemplo de Davi. Ninguém tem desculpa verdadeira para falar contra Deus, sua palavra ou seus caminhos por causa de Davi. A culpa é do próprio pecado de cada um. No entanto, aquele que pôs o tropeço diante deles ainda responderá por lhes ter dado, se não a causa, ao menos o pretexto para sua acusação. Esse é o grande mal dos pecados escandalosos praticados por aqueles que professam fé e pertencem a Deus: fornecem aos inimigos de Deus material para zombaria e blasfêmia (Romanos 2:24).

Deus, portanto, defenderá a sua honra mostrando o seu desagrado contra o pecado de Davi e fazendo o mundo ver que, embora ame Davi, odeia o seu pecado. Ele escolhe fazer isso por meio da morte do filho. Um proprietário pode tomar qualquer parte do que lhe pertence. Talvez a morte de crianças fosse menos comum naquele tempo do que é agora, o que faria dessa perda incomum um sinal ainda mais claro do desagrado de Deus. Isso também corresponde ao que Deus tantas vezes havia declarado, que visitaria a iniquidade dos pais sobre os filhos.

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