2 Samuel 13:1
" E aconteceu depois disto que, tendo Absalão, filho de Davi, uma irmã formosa, cujo nome era Tamar, Amnom, filho de Davi, amou-a. "
Entenda os temas principais e aplique 2 Samuel 13 na sua vida hoje
39 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
O desejo de Amnom por Tamar não é amor verdadeiro, mas cobiça egoísta que o leva à manipulação e ao estupro. O texto expõe o abuso de poder, a objetificação de Tamar e a transformação de um falso "amor" em ódio após o ato, mostrando a completa corrupção do coração de Amnom.
Tamar tenta resistir e argumenta, mas é violentada e depois rejeitada e expulsa. Ela rasga suas vestes, coloca cinza na cabeça e clama, porém acaba vivendo solitária na casa de Absalão. O capítulo evidencia a dor, a vergonha imposta, o silenciamento e a falta de reparação à vítima.
Davi se ira ao ouvir o que aconteceu, mas o texto não relata qualquer disciplina ou justiça aplicada a Amnom. Essa omissão cria espaço para o ódio de Absalão amadurecer em vingança, substituindo a justiça formal por justiça pelas próprias mãos.
Absalão guarda silêncio por anos, alimentando ódio contra Amnom. Sua vingança planejada durante a festa dos tosquiadores resulta em assassinato, fuga e pranto geral. A família real se desintegra internamente, e cada pecado gera outra tragédia.
Davi rasga suas vestes diante da notícia da morte dos filhos, depois chora amargamente com os demais. Mais tarde, o texto registra suas saudades de Absalão, já consolado quanto a Amnom. Há um luto complexo, misturado a possíveis culpas, omissões e afeto frustrado.
2 Samuel 13 se passa no período do reinado de Davi, quando o reino unido de Israel já estava estabelecido e a corte real organizada. Como rei, Davi tinha vários filhos de diferentes esposas e concubinas, o que criava uma teia complexa de relações, rivalidades e disputas internas pela sucessão. Absalão e Tamar são filhos de Maaca, filha do rei de Gesur (2 Sm 3:3), o que explica a possibilidade de Absalão se refugiar em Gesur após matar Amnom.
A cultura da época dava grande valor à virgindade das filhas de reis, simbolizada pela "roupa de muitas cores" usada por Tamar. Esse tipo de vestimenta marcava o status de pureza e honra de uma princesa, de modo que a violência contra ela não era apenas pessoal, mas também um atentado contra a honra da família real. Ao rasgar a roupa e colocar cinza na cabeça, Tamar assume publicamente o luto pela perda irrecuperável dessa honra social.
A festa de tosquia (vv. 23-24) era um momento de celebração e fartura no calendário agrícola, em que se reuniam parentes e servos para comer e beber. Era um contexto social típico para encontros familiares, mas também, ocasionalmente, para conspirações, porque havia muita gente, vinho e clima festivo.
Em termos legais, a lei mosaica condenava severamente o estupro e previa reparação, punição e proteção da mulher (por exemplo, Deuteronômio 22). O relato de 2 Samuel 13, ao não registrar nenhuma ação judicial clara por parte de Davi, enfatiza o contraste entre o ideal da lei de Deus e a prática falha, mesmo na casa do rei. A fuga de Absalão para Gesur, reino estrangeiro ao nordeste de Israel, mostra também as alianças políticas de Davi e como elas impactavam decisões familiares e de segurança.
O capítulo é construído como uma narrativa trágica em dois grandes atos, com uma progressão lenta e intencional rumo ao clímax e às consequências:
Introdução do conflito interno de Amnom (vv. 1-5)
Execução da trama contra Tamar (vv. 6-11)
Estupro e rejeição de Tamar (vv. 12-19)
Reação da família: silêncio, ira e ódio (vv. 20-22)
Plano de vingança de Absalão (vv. 23-27)
Assassinato de Amnom (vv. 28-29)
Notícia distorcida e esclarecimento (vv. 30-33)
Choro, exílio e saudade (vv. 34-39)
A narrativa utiliza diálogos fortes (especialmente os de Tamar) e símbolos visuais (roupa colorida, cinza, vestes rasgadas) para enfatizar a profundidade da injustiça e do luto. O uso do tempo — dois anos até a vingança e três anos de exílio — mostra que as consequências do pecado se desenrolam de forma prolongada.
2 Samuel 13 apresenta de forma crua como o pecado, quando não é confrontado e tratado com justiça, se espalha e destrói relacionamentos, famílias e nações. O episódio liga-se ao contexto maior do pecado de Davi com Bate-Seba e do anúncio divino de que a espada não se apartaria de sua casa (2 Sm 12:10). O que começa na vida pessoal do rei ecoa na vida de seus filhos.
A figura de Tamar mostra a dignidade e vulnerabilidade de quem sofre violência. A Escritura não minimiza o trauma, a vergonha imposta e o clamor da vítima. Sua fala é teologicamente lúcida: ela chama o ato de "loucura em Israel" (v. 12), alinhando-se com a lei de Deus, e destaca as consequências morais para ambos. A narrativa reforça que a violação da pessoa do outro é uma afronta direta à ordem de Deus para sua comunidade.
A omissão de Davi, embora irado, ressalta a responsabilidade das autoridades diante da injustiça. Quando quem deve aplicar justiça deixa de fazê-lo, outros tentam substituí-la com vingança. Absalão assume o papel de juiz por conta própria, mas sua vingança não é restauradora nem justa; é movida por ódio, gera mais morte e prepara o terreno para rebelião futura. O capítulo, portanto, diferencia fortemente justiça de vingança.
Teologicamente, o texto ressalta ainda a incapacidade dos laços familiares, da força e mesmo da realeza de curar o coração humano sem arrependimento e direção de Deus. Amnom é filho do rei, mas isso não o impede de cometer atrocidades. Absalão é irmão da vítima, mas sua resposta não é consolo e restauração, mas homicídio e fuga. Davi ama seus filhos, mas falha em corrigi-los e protegê-los. A narrativa aponta para a necessidade de um Rei justo e puro, que trate o pecado com verdade, dê voz aos feridos e estabeleça justiça sem se corromper — realidade plenamente cumprida em Cristo.
Por fim, o capítulo também revela a seriedade das consequências do pecado sexual, da manipulação e do abuso de poder. A tragédia não se limita ao momento do ataque; se desdobra em anos de luto, exílio, divisões e rupturas. Deus, que vê o clamor dos oprimidos, não aprova nem ignora tais males, mesmo quando pessoas influentes parecem escapar de responsabilização humana.
Como narrativa, 2 Samuel 13 toca em temas profundamente sensíveis: abuso sexual, violência familiar, silêncio e abandono da vítima, ódio acumulado, vingança, luto prolongado e sentimentos complexos em relações com pais e irmãos. A história de Tamar ecoa a experiência de muitas pessoas que sofreram agressões, foram desacreditadas, silenciadas ou deixadas sem justiça.
Do ponto de vista emocional, o capítulo valida a gravidade do trauma. Tamar chora, rasga a roupa, carrega cinza, clama em público e vive isolada. Sua dor não é apresentada como algo pequeno ou passageiro, mas como algo que marca sua história. A ira de Davi mostra que o mal é real e revoltante, mesmo quando a reação prática fica aquém do necessário.
A ausência de intervenção eficaz enfatiza como ambientes familiares e comunitários podem falhar em proteger e cuidar de vítimas. Isso pode gerar nas pessoas sentimentos de abandono, vergonha imposta, confusão sobre culpa e uma busca desesperada por algum tipo de reparação, como se vê em Absalão. A narrativa ilustra como o ódio não processado e o ressentimento guardado ao longo do tempo podem se transformar em atos destrutivos que, em vez de curar, produzem mais dor.
Ao mesmo tempo, o texto lembra que Deus inclui na sua Palavra histórias assim, sem maquiar a realidade. Isso abre espaço para que sentimentos de dor, indignação, tristeza profunda e questionamentos encontrem lugar legítimo diante dEle. Para uma perspectiva de cuidado, este capítulo incentiva a levar o sofrimento à luz, a reconhecer que a culpa pertence ao agressor, não à vítima, e a perceber a importância de ambientes que acolham, protejam e promovam justiça e cura, em vez de silenciar.
Este capítulo contém elementos que podem ser especialmente desencadeadores para pessoas sensíveis a determinados temas:
Para pessoas com histórico de trauma, abuso ou luto recente, o contato com este texto pode exigir apoio emocional adequado, espaço seguro para processar reações e, em alguns casos, acompanhamento profissional.
2 Samuel 13 oferece aprendizados duros, porém relevantes, para a vida cotidiana:
Diferenciar amor de desejo egoísta
A postura de Amnom mostra que chamar algo de "amor" não o torna amor verdadeiro. Amor bíblico considera o bem do outro, não força, não manipula, não se aproveita da vulnerabilidade. Em relacionamentos afetivos, o capítulo convida à autoavaliação: se há pressão, mentira, imposição ou desrespeito a limites claros, não se trata de amor.
Reconhecer a gravidade da violência sexual
A narrativa não minimiza o estupro nem o apresenta como algo privado ou "menor". Comunidades, famílias e igrejas são chamadas a levar a sério denúncias, proteger vulneráveis, denunciar abusos e apoiar vítimas, em vez de silenciá-las ou culpá-las.
Não normalizar o silêncio e o isolamento da vítima
Tamar termina isolada na casa de Absalão, carregando sua dor. Esse isolamento reforça o sofrimento. Na prática, isso aponta para a necessidade de redes de apoio, escuta acolhedora e caminhos concretos de cuidado, em vez de frases que incentivem a "esquecer" ou "engolir" a dor.
Lidar com a ira de forma justa, não vingativa
A ira diante do mal é legítima, mas o caminho de Absalão mostra o perigo de guardá-la até que se transforme em vingança. Em conflitos familiares ou feridas profundas, é importante buscar justiça por meios corretos, apoio de pessoas sábias e, quando necessário, recursos legais, em vez de planejar retribuição pessoal.
Responsabilidade de pais e líderes
A omissão de Davi destaca a importância de agir, não apenas sentir. Pais, líderes e autoridades carregam a responsabilidade de confrontar o pecado, proteger vulneráveis e aplicar correção com justiça e amor. A passividade pode abrir espaço para que outros reajam de forma destrutiva.
Valorizar a verdade e a comunicação clara
O boato inicial de que todos os filhos tinham morrido mostra como notícias distorcidas ampliam o pânico e o sofrimento. Na vida diária, é fundamental verificar informações, evitar espalhar rumores e procurar quem realmente sabe dos fatos antes de reagir.
Reconhecer que feridas não tratadas se prolongam
Dois anos se passam até a vingança, três anos de exílio se seguem, e o luto continua. Conflitos familiares profundos, traumas e pecados escondidos não desaparecem com o tempo. O texto incentiva a buscar cura intencional: conversas difíceis, arrependimento, perdão processado com cuidado, aconselhamento e, quando necessário, reconciliação estruturada.
Tamar e Amnom eram meio-irmãos. Ambos eram filhos de Davi, mas de mães diferentes. Tamar e Absalão eram irmãos de mesmo pai e mesma mãe (Maaca), enquanto Amnom era filho de outra mulher, Ainoã. Amnom, portanto, comete não só um ato de violência sexual, mas também um incesto, algo claramente condenado pela lei de Deus.
Quando Tamar sugere que Amnom fale com o rei, ela está tentando, em desespero, evitar o estupro imediato. Sua fala pode refletir a expectativa de que, como rei, Davi teria autoridade para decidir casamentos dentro da família real, ou simplesmente ser uma tentativa de ganhar tempo. O texto não diz que esse casamento seria correto diante de Deus; o foco é mostrar que Tamar tenta de todas as formas afastar Amnom de sua decisão violenta.
O texto relata que Davi "muito se lhe acendeu a ira" (v. 21), mas não registra qualquer punição ou medida disciplinar concreta contra Amnom. Alguns intérpretes sugerem que seu amor pelo filho primogênito, somado à própria culpa recente de Davi por pecados graves, pode ter contribuído para sua omissão. Seja qual for o motivo exato, a narrativa destaca esse silêncio como parte da tragédia: a ausência de justiça abre caminho para a vingança de Absalão.
Não. A narrativa descreve, mas não aprova, a atitude de Absalão. Ele vive dois anos nutrindo ódio em silêncio e, em vez de buscar justiça pelos caminhos adequados, arma um plano para matar seu irmão em um contexto de festa. A Escritura faz distinção entre justiça, que busca reparação e ordem, e vingança pessoal, que nasce do ódio e gera novas injustiças. O resultado da ação de Absalão é mais dor, fuga e divisão na família real.
Absalão foge para Gesur porque seu avô materno, Talmai, era rei dessa região. Ali ele encontraria proteção política contra qualquer tentativa de punição imediata por ter matado Amnom. O tempo de três anos destaca a gravidade da ruptura familiar e a dificuldade de Davi em lidar com a situação. Enquanto isso, Davi chora e depois passa a ter saudades de Absalão, já consolado quanto à morte de Amnom (v. 39).
2 Samuel 13 é um dos capítulos mais dolorosos da história de Israel. Nele aparecem rostos conhecidos — filhos de Davi, uma princesa, um príncipe, o próprio rei — e, ainda assim, o que domina a cena é a dor de uma jovem violentada, o silêncio pesado da família e um ciclo de ódio que só aumenta o sofrimento. Tamar se destaca como alguém que tenta se defender com palavras, com argumentos, com apelos à consciência do outro. Mesmo assim, sua voz é calada à força. Depois, ela é rejeitada, jogada para fora, rasga suas vestes e coloca cinza sobre a cabeça. A Bíblia não esconde sua vergonha, seu clamor, sua solidão. Isso mostra que a dor de quem é ferido dessa forma não é invisível para Deus. Ele registrou a história de Tamar não para aprovar o que aconteceu, mas para garantir que sua dor não ficasse apagada. O silêncio de Absalão e a omissão de Davi aprofundam a sensação de abandono: Tamar é orientada a calar-se, seu pai se ira, mas nada muda para ela. Essa parte do relato fala da ferida de quem, além de ser machucado, não encontra proteção nem justiça onde mais esperava acolhimento. O capítulo acolhe essa realidade, por mais difícil que seja olhar para ela. Ao longo da narrativa, lágrimas enchem a casa de Davi: Tamar chora, os filhos do rei choram, o próprio Davi chora. É um lar marcado por pranto e perdas acumuladas. Mesmo assim, há um detalhe importante: Deus não elimina essa história de sua Palavra. Ele a conserva, como que dizendo que as dores profundas, as violências sofridas, o luto confuso e a saudade não são irrelevantes nem esquecidos por Ele. 2 Samuel 13 oferece, assim, um espaço para nomear tristezas que muitas vezes ficam escondidas. Mostra que sentimentos de revolta, vergonha, solidão e confusão têm lugar nos relatos bíblicos. E aponta, de modo discreto, para a necessidade de um cuidado que supere o silêncio, uma justiça que vá além da vingança e um consolo que enxergue a pessoa ferida por completo, incluindo sua dignidade, sua história e sua voz.
Em termos de estudo bíblico, 2 Samuel 13 é um elo significativo na sequência iniciada com o pecado de Davi em 2 Samuel 11–12. O anúncio profético de Natã, de que a espada não se apartaria da casa de Davi, encontra aqui um desenvolvimento concreto: discórdia, violência sexual, homicídio e divisão interna na família real. Literariamente, o capítulo apresenta um paralelismo irônico com a história de Davi e Bate-Seba. Lá, o rei usa a sua posição para tomar a mulher de outro homem e, depois, organiza a morte de Urias para tentar encobrir sua culpa. Aqui, um filho do rei usa sua posição e proximidade com o pai para enganar, violar e descartar Tamar; em seguida, outro filho recorre à astúcia, ao tempo e à ocasião festiva para matar o agressor. O texto sugere uma espécie de espiral: aquilo que o líder faz abre uma trilha que seus descendentes percorrem de forma ainda mais caótica. Do ponto de vista da lei de Moisés, os atos de Amnom são condenáveis em múltiplos níveis: incesto, estupro e desonra a uma virgem. Tamar, ao chamar a conduta de Amnom de "loucura em Israel" (v. 12), ecoa a linguagem usada em textos legais para ações que rompem radicalmente com a santidade exigida para o povo de Deus. Sua menção à possibilidade de falar com o rei (v. 13) não legitima o casamento, mas funciona como estratégia no discurso narrativo: uma tentativa de apelar à ordem social e à autoridade superior para dissuadir o agressor. A figura de Jonadabe é outra peça importante. Ele é descrito como "mui sagaz" (v. 3), termo que pode ter conotação neutra, mas aqui assume tom negativo: seu intelecto é empregado para arquitetar um plano perverso. No final do capítulo, ele reaparece como alguém que, curiosamente, sabe interpretar corretamente o que realmente aconteceu com os filhos do rei (vv. 32-35). O narrador, porém, não o apresenta como um sábio conselheiro, e sim como alguém que se move com frieza em meio ao caos que ajudou a criar. A ira de Davi sem ação (v. 21) é um dos elementos teológicos e narrativos mais comentados. A ausência de uma resposta judicial adequada por parte do rei contrasta com seu papel esperado como guardião da justiça e com sua própria experiência anterior, quando Natã o confrontou com ousadia. Essa omissão se torna o pano de fundo sobre o qual o ódio de Absalão amadurece e sua vingança se organiza. O texto, portanto, não apenas relata tragédias pessoais, mas também reflete sobre o peso da liderança e as consequências da falha em aplicar a lei e cuidar dos injustiçados. No conjunto de Samuel, 2 Samuel 13 também funciona como introdução ao arco narrativo de Absalão, que culminará em sua rebelião e morte. O capítulo ajuda a entender suas motivações humanas — dor pela irmã, ressentimento contra Amnom, talvez desilusão com Davi — sem, contudo, justificar suas atitudes. Assim, a narrativa mantém a tensão entre compreender fatores históricos e psicológicos e, ao mesmo tempo, afirmar a responsabilidade moral dos personagens diante de Deus.
2 Samuel 13 traz à tona situações que, embora ocorram em um palácio de outra época, se repetem em muitos lares: desejo descontrolado, abuso de confiança, violência, silêncio cúmplice, vingança e distanciamento entre pais e filhos. A narrativa revela como decisões individuais, não tratadas com verdade e responsabilidade, têm impacto coletivo e de longo prazo. Na vida prática, a história de Amnom ilustra o perigo de alimentar fantasias e desejos sem freio. Ele não busca ajuda para lidar com seu coração; em vez disso, nutre uma fixação, aceita conselhos tóxicos e arquitetos de manipulação. Hoje, padrões semelhantes podem aparecer em acessos descontrolados à pornografia, em conversas secretas, em investimentos emocionais desonestos, tudo isso abrindo espaço para o uso do outro como objeto. Tamar representa pessoas que, em ambientes que deveriam ser seguros, são feridas justamente por quem tinha a responsabilidade de protegê-las. Sua experiência ressalta a importância de construir relações familiares e comunitárias baseadas em respeito, transparência e proteção dos mais vulneráveis. Isso inclui estabelecer limites claros, ensinar sobre consentimento, reconhecer sinais de abuso emocional ou físico e criar espaços onde denúncias possam ser feitas com segurança. Absalão evidencia outro risco: guardar mágoa como se fosse justiça. Em vez de buscar caminhos corretos para lidar com o crime cometido contra sua irmã — diálogo, confronto transparente, busca por intervenção sábia — ele se fecha, cultiva o ódio por anos e monta um plano de vingança. No dia a dia, isso se reflete em famílias onde feridas antigas são lembradas constantemente, conversas difíceis nunca acontecem e, em momentos estratégicos, alguém "acerta as contas" de forma destrutiva. O resultado é mais separação, medo e perdas. A postura de Davi, por sua vez, lembra que sentimentos não substituem atitudes. Ele sente ira, mas não vemos ações efetivas de cuidado com Tamar, correção de Amnom ou contenção do ódio de Absalão. Em papéis de liderança — como pai, mãe, chefe, líder de ministério — é fundamental combinar sensibilidade com decisões firmes: ouvir, investigar, corrigir, proteger e, se necessário, aplicar consequências claras. Este capítulo, portanto, encoraja a cultivar relacionamentos onde problemas difíceis não sejam varridos para debaixo do tapete. Convida a levar conflitos graves para a luz, buscar ajuda de pessoas maduras e confiáveis, usar recursos legais quando há crime e trabalhar por reconciliações que não ignorem a verdade nem apaguem a responsabilidade de cada um. Ao invés de deixar o tempo sozinho tentar resolver tudo, o texto aponta para a importância de ações concretas na direção de justiça e restauração.
" E aconteceu depois disto que, tendo Absalão, filho de Davi, uma irmã formosa, cujo nome era Tamar, Amnom, filho de Davi, amou-a. "
" E angustiou-se Amnom, até adoecer, por Tamar, sua irmã, porque era virgem; e parecia aos olhos de Amnom dificultoso fazer-lhe coisa alguma. "
2 Samuel 13:2 mostra Amnom dominado por um desejo obsessivo por Tamar, a ponto de adoecer. Ele não via um caminho correto para se aproximar …
Ler analise completa" Tinha, porém, Amnom um amigo, cujo nome era Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi; e era Jonadabe homem mui sagaz. "
" O qual lhe disse: Por que tu de dia em dia tanto emagreces, sendo filho do rei? Não mo farás saber a mim? Então lhe disse Amnom: Amo a Tamar, irmã de Absalão, meu irmão. "
" E Jonadabe lhe disse: Deita-te na tua cama, e finge-te doente; e, quando teu pai te vier visitar, dize-lhe: Peço-te que minha irmã Tamar venha, e me dê de comer pão, e prepare a comida diante dos meus olhos, para que eu a veja e coma da sua mão. "
" Deitou-se, pois, Amnom, e fingiu-se doente; e, vindo o rei visitá-lo, disse Amnom, ao rei: Peço-te que minha irmã Tamar venha, e prepare dois bolos diante dos meus olhos, para que eu coma de sua mão. "
" Mandou então Davi à casa, a Tamar, dizendo: Vai à casa de Amnom, teu irmão, e faze-lhe alguma comida. "
" E foi Tamar à casa de Amnom, seu irmão (ele porém estava deitado), e tomou massa, e a amassou, e fez bolos diante dos seus olhos, e cozeu os bolos. "
" E tomou a frigideira, e os tirou diante dele; porém ele recusou comer. E disse Amnom: Fazei retirar a todos da minha presença. E todos se retiraram dele. "
" Então disse Amnom a Tamar: Traze a comida ao quarto, e comerei da tua mão. E tomou Tamar os bolos que fizera, e levou-os a Amnom, seu irmão, no quarto. "
" E chegando-lhos, para que comesse, pegou dela, e disse-lhe: Vem, deita-te comigo, minha irmã. "
" Porém ela lhe disse: Não, meu irmão, não me forces, porque não se faz assim em Israel; não faças tal loucura. "
" Porque, aonde iria eu com a minha vergonha? E tu serias como um dos loucos de Israel. Agora, pois, peço-te que fales ao rei, porque não me negará a ti. "
" Porém ele não quis dar ouvidos à sua voz; antes, sendo mais forte do que ela, a forçou, e se deitou com ela. "
" Depois Amnom sentiu grande aversão por ela, pois maior era o ódio que sentiu por ela do que o amor com que a amara. E disse-lhe Amnom: Levanta-te, e vai-te. "
" Então ela lhe disse: Não há razão de me despedires assim; maior seria este mal do que o outro que já me tens feito. Porém não lhe quis dar ouvidos. "
" E chamou a seu moço que o servia, e disse: Ponha fora a esta, e fecha a porta após ela. "
" E trazia ela uma roupa de muitas cores (porque assim se vestiam as filhas virgens dos reis); e seu servo a pôs para fora, e fechou a porta após ela. "
" Então Tamar tomou cinza sobre a sua cabeça, e a roupa de muitas cores que trazia rasgou; e pôs as mãos sobre a cabeça, e foi andando e clamando. "
" E Absalão, seu irmão, lhe disse: Esteve Amnom, teu irmão, contigo? Ora, pois, minha irmã, cala-te; é teu irmão. Não se angustie o teu coração por isto. Assim ficou Tamar, e esteve solitária em casa de Absalão seu irmão. "
" E, ouvindo o rei Davi todas estas coisas, muito se lhe acendeu a ira. "
" Porém Absalão não falou com Amnom, nem mal nem bem; porque Absalão odiava a Amnom, por ter forçado a Tamar sua irmã. "
" E aconteceu que, passados dois anos inteiros, Absalão tinha tosquiadores em Baal-Hazor, que está junto a Efraim; e convidou Absalão a todos os filhos do rei. "
" E foi Absalão ao rei, e disse: Eis que teu servo tem tosquiadores; peço que o rei e os seus servos venham com o teu servo. "
" O rei, porém, disse a Absalão: Não, filho meu, não vamos todos juntos, para não te sermos pesados. E instou com ele; porém não quis ir, mas o abençoou. "
" Então disse Absalão: Quando não, deixa ir conosco Amnom, meu irmão. Porém o rei disse: Para que iria contigo? "
" E, instando Absalão com ele, deixou ir com ele a Amnom, e a todos os filhos do rei. "
" E Absalão deu ordem aos seus servos, dizendo: Tomai sentido; quando o coração de Amnom estiver alegre do vinho, e eu vos disser: Feri a Amnom, então o matareis; não temais: porque porventura não sou eu quem vo-lo ordenei? Esforçai-vos, e sede valentes. "
" E os servos de Absalão fizeram a Amnom como Absalão lho havia ordenado. Então todos os filhos do rei se levantaram, e montaram cada um no seu mulo, e fugiram. "
" E aconteceu que, estando eles ainda no caminho, chegou a nova a Davi, dizendo-se: Absalão feriu a todos os filhos do rei, e nenhum deles ficou. "
" Então o rei se levantou, e rasgou as suas vestes, e se lançou por terra; da mesma maneira todos os seus servos estavam com vestes rotas. "
" Mas Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi, respondeu, e disse: Não diga o meu senhor que mataram a todos os moços filhos do rei, porque só morreu Amnom; porque assim tinha resolvido fazer Absalão, desde o dia em que forçou a Tamar sua irmã. "
" Não se lhe ponha, pois, agora no coração do rei meu senhor tal coisa, dizendo: Morreram todos os filhos do rei; porque só morreu Amnom. "
" E Absalão fugiu; e o moço que estava de guarda, levantou os seus olhos, e olhou; e eis que muito povo vinha pelo caminho por detrás dele, pelo lado do monte. "
" Então disse Jonadabe ao rei: Eis aqui vêm os filhos do rei; conforme à palavra de teu servo, assim sucedeu. "
" E aconteceu que, como acabou de falar, os filhos do rei vieram, e levantaram a sua voz, e choraram; e também o rei e todos os seus servos choraram amargamente. "
" Assim Absalão fugiu, e foi a Talmai, filho de Amiur, rei de Gesur. E Davi pranteava por seu filho todos aqueles dias. "
" Assim Absalão fugiu, e foi para Gesur; esteve ali três anos. "
" Então tinha o rei Davi saudades de Absalão; porque já se tinha consolado acerca da morte de Amnom. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.