2 Samuel 23:1
" E estas são as últimas palavras de Davi: Diz Davi, filho de Jessé, e diz o homem que foi levantado em altura, o ungido do Deus de Jacó, e o suave em salmos de Israel. "
Entenda os temas principais e aplique 2 Samuel 23 na sua vida hoje
39 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Davi se apresenta como ungido de Deus, porta-voz do Espírito do Senhor, e anuncia a visão de um governante justo que reina no temor de Deus, comparado à luz da manhã após a chuva. Mesmo reconhecendo que sua própria casa não corresponde plenamente a esse ideal, Davi descansa na aliança eterna que Deus estabeleceu com ele.
Enquanto o governante justo é descrito como luz e vida para o povo, os filhos de Belial são comparados a espinhos jogados fora, perigosos ao toque e destinados ao fogo. A linguagem contrasta a proteção que Deus oferece por meio de um líder justo com o julgamento reservado aos perversos.
O capítulo celebra guerreiros que enfrentaram números esmagadores, permaneceram firmes quando outros fugiram e arriscaram a própria vida em atos de lealdade. Sua coragem é interpretada como instrumento pelo qual o Senhor concede grandes livramentos ao povo.
Quando três guerreiros trazem água de Belém a Davi, ele se recusa a bebê-la por respeito ao risco que correram, derramando-a perante o Senhor. A atitude revela um coração que teme a Deus e valoriza vidas humanas mais do que desejos pessoais.
A longa lista de nomes encerra o capítulo, registrando os trinta e sete poderosos de Davi. Cada nome marca uma participação na história da redenção, mostrando que Deus valoriza e registra o serviço fiel, mesmo daqueles menos conhecidos.
2 Samuel 23 se situa no final da vida de Davi, quando seu reinado está consolidado, mas ele já atravessou muitas crises, como as rebeliões internas e conflitos familiares. As “últimas palavras” seguem o padrão dos discursos de despedida no Antigo Testamento (como Jacó e Moisés), combinando memória, profecia e esperança futura.
A menção ao “justo que domine sobre os homens” se conecta à aliança davídica de 2 Samuel 7, onde Deus promete estabelecer a casa de Davi e um descendente seu no trono. Na época, Israel vivia cercado por inimigos fortes, como os filisteus, e a defesa do reino dependia de líderes militares habilidosos. Por isso, a seção sobre os “poderosos de Davi” reflete a importância da elite guerreira num contexto de constantes guerras.
Os lugares citados – Belém, vale de Refaim, Cabzeel, Gibeá, Anatote e outros – eram cidades e regiões reais de Israel e dos povos vizinhos (como Moabe e os amonitas). A cena dos três que rompem o arraial filisteu para buscar água em Belém revela que a cidade natal de Davi estava sob ocupação inimiga em determinado momento. A presença de Urias, o heteu, entre os trinta e sete lembra que havia estrangeiros integrados ao exército de Israel, ressaltando a tragédia do pecado de Davi ao mandar matá-lo em 2 Samuel 11.
O texto mostra também a organização militar da época: havia um grupo de “três” de destaque, um círculo de “trinta” e outros guerreiros notáveis. Essa estrutura ajuda a entender relatos anteriores de batalhas e a influência de figuras como Joabe, Abisai e Benaia no governo de Davi.
O capítulo apresenta uma estrutura em duas grandes partes, com subdivisões claras:
Últimas palavras de Davi (23:1-7)
Lista e feitos dos poderosos de Davi (23:8-39) A. Os três principais valentes e suas façanhas (23:8-12)
B. O episódio da água de Belém (23:13-17)
C. Outros líderes de destaque (23:18-23)
D. Lista dos trinta e sete valentes (23:24-39)
2 Samuel 23 une reflexão teológica profunda com memória histórica. As últimas palavras de Davi enfatizam a iniciativa de Deus: é o Espírito do Senhor que fala, é a Rocha de Israel que anuncia seu plano, é Deus quem estabelece a aliança eterna. A figura do “justo que domine sobre os homens” remete, em primeiro plano, ao ideal de um rei piedoso em Israel, mas também aponta para a promessa de um descendente de Davi que cumpriria plenamente esse padrão.
A imagem do governante justo como luz da manhã após a chuva sugere que o governo desejado por Deus traz renovação, fertilidade e esperança. Em contraste, os ímpios são como espinhos inúteis, perigosos e destinados ao fogo. A teologia do capítulo, portanto, afirma que a ordem e a vida do povo dependem do governo de Deus e da justiça no exercício de autoridade.
Davi reconhece que sua própria casa não corresponde perfeitamente ao ideal apresentado, ainda que Deus tenha estabelecido com ele uma aliança eterna bem ordenada e guardada. Esse reconhecimento preserva a tensão entre a promessa inabalável de Deus e as falhas humanas. A segurança não está na perfeição da casa de Davi, mas na fidelidade de Deus à sua aliança.
A seção sobre os valentes mostra que o agir de Deus na história passa por pessoas concretas, com nomes, origens e histórias particulares. Lutas e vitórias são atribuídas ao Senhor: “naquele dia o Senhor efetuou um grande livramento”. O texto equilibra o valor da coragem humana com o reconhecimento da soberania divina.
Quando Davi derrama a água diante do Senhor, ele transforma um gesto de bravura em ato de adoração. O episódio revela um princípio teológico importante: o verdadeiro líder vê tudo diante de Deus e se recusa a desfrutar de algo que custou o risco de vidas inocentes. O temor do Senhor e o respeito pela vida humana se entrelaçam.
Por fim, o fato de Urias, o heteu, figurar na lista lembra que Deus conhece e honra aqueles que permanecem fiéis, mesmo se sofreram injustiça nas mãos de outros. A memória de seus nomes é um testemunho de que nenhuma fidelidade passa despercebida aos olhos do Senhor.
Este capítulo pode oferecer consolo e estrutura emocional em tempos de desânimo, culpa ou sensação de invisibilidade. Ao ver Davi, já no fim da vida, refletindo sobre a fidelidade de Deus apesar das falhas de sua casa, surge uma perspectiva de esperança: a história pessoal não é definida apenas pelos erros, mas pela aliança e pela graça de Deus.
A imagem da luz da manhã após chuva, ligada a um governo justo, pode funcionar como metáfora poderosa para mente e coração cansados: depois de períodos de tempestade, Deus é capaz de trazer clareza e renovação. Para quem enfrenta feridas relacionadas a autoridade abusiva ou injusta, a visão de um governante que reina no temor de Deus oferece um modelo saudável de liderança, lembrando que o padrão de Deus é diferente do poder opressor.
A lista de nomes e feitos dos valentes valida o esforço de quem luta em silêncio, permanece firme quando outros desistem ou faz o que é certo sem notoriedade. Saber que Deus registra nomes e histórias ressignifica experiências de sofrimento, trabalho árduo e sacrifício não reconhecido.
A atitude de Davi com a água de Belém também pode aliviar sentimentos de culpa desproporcionais: ele honra o sacrifício dos outros, não se colocando acima, nem explorando o risco que correram. Isso sustenta uma ética relacional baseada em respeito e cuidado, oferecendo um contraste com dinâmicas de exploração ou culpa manipuladora.
Em termos emocionais, o capítulo cria um espaço para que a pessoa reconheça suas falhas, admita que sua “casa” não é como deveria ser, mas ainda assim confie na aliança de Deus que sustenta, ordena e guarda. Essa combinação de realismo e esperança é terapeuticamente valiosa para quem vive entre arrependimento e medo do futuro.
Algumas leituras deste capítulo podem gerar tensões em pessoas sensíveis a temas de violência, guerra e sacrifício extremo:
1) Narrativas de guerra e morte: As descrições de mortes em massa (oitocentos, trezentos), lutas corpo a corpo e o leão morto na cova podem despertar ansiedade, gatilhos relacionados a trauma, violência ou experiências de conflito armado.
2) Idealização de heroísmo extremo: A exaltação de feitos extraordinários pode ser mal interpretada como exigência de coragem sobre-humana em todos os momentos, aumentando a autocrítica em quem se sente frágil, esgotado ou incapaz de “fazer grandes coisas”.
3) Linguagem de juízo e fogo: A imagem dos ímpios como espinhos lançados ao fogo pode ser angustiante para pessoas com tendência a culpa excessiva, medo intenso de condenação ou com histórico de discursos religiosos punitivos.
4) Temas de abuso de poder (contexto maior de Davi e Urias): Embora o capítulo apenas cite Urias, o heteu, para quem conhece a história completa pode emergir dor ao lembrar da traição e morte injusta dele. Isso pode reativar memórias de traição por parte de pessoas em posição de autoridade.
Nesses casos, é importante uma leitura cuidadosa, com acompanhamento sensível, ajudando a distinguir entre a descrição histórica do texto e a vontade de Deus quanto ao cuidado, à justiça e à proteção das pessoas.
2 Samuel 23 oferece diversos princípios práticos para a vida diária:
1) Liderança com temor de Deus: O padrão de um governante justo que domina no temor de Deus aponta para qualquer posição de influência — família, trabalho, comunidade. Liderar bem envolve consciência de que Deus é a Rocha, sentido de prestação de contas e compromisso com justiça, e não apenas com resultados.
2) Reconhecimento da própria limitação: Davi admite que sua casa não corresponde plenamente ao ideal, mas se ancora na aliança eterna de Deus. Em termos práticos, esse modelo incentiva a assumir falhas, sem negar responsabilidades, e ao mesmo tempo confiar que Deus ainda pode organizar e guardar a história pessoal e familiar.
3) Perseverança em meio ao abandono: Eleazar e Samá permanecem lutando quando tantos fogem. Na vida cotidiana, isso se traduz em continuar fazendo o que é certo, mesmo quando o apoio diminui, sem confundir perseverança com teimosia destrutiva. O texto destaca que é o Senhor quem concede o livramento, evitando o orgulho.
4) Respeito pela vida e pelos sacrifícios alheios: O episódio da água de Belém mostra um líder que não usa a devoção dos outros para benefício próprio. Em ambientes familiares, comunitários ou profissionais, isso inspira cuidado com as pessoas que se sacrificam, valorizando seus limites, evitando exploração e reconhecendo publicamente o esforço delas.
5) Memória e gratidão: A extensa lista de nomes incentiva a cultivar memória agradecida por quem contribuiu para o bem da comunidade, da família ou da igreja. Em termos práticos, isso pode se expressar em palavras de reconhecimento, registro de histórias e valorização de quem normalmente passa despercebido.
6) Coragem em escala realista: Os feitos dos valentes são extraordinários, mas o capítulo também mostra ações simples com grande significado, como proteger um campo de lentilhas. No cotidiano, coragem pode significar manter integridade em decisões financeiras, proteger alguém em situação de vulnerabilidade ou persistir em fidelidade em tarefas pequenas.
7) Integrar fé e trabalho: Os guerreiros atuam em seu “trabalho” de combate, e o texto afirma repetidamente que foi o Senhor quem trouxe o livramento. Isso sinaliza que o exercício profissional e as habilidades humanas podem ser vividos diante de Deus, buscando nele direção, caráter e propósito, e não apenas resultado.
As últimas palavras de Davi são apresentadas como um discurso profético, inspirado pelo Espírito do Senhor. Ele fala sobre um governante justo que domina no temor de Deus, trazendo luz e vida para o povo, como a manhã clara após a chuva. Davi reconhece que sua própria casa não corresponde plenamente a esse ideal, mas declara que Deus estabeleceu com ele uma aliança eterna, bem ordenada e guardada. Assim, suas últimas palavras combinam confissão de limitação humana com firme confiança na fidelidade de Deus e na esperança de um reino governado com justiça.
O “justo que domine sobre os homens” é, em primeiro plano, a descrição do ideal de um rei em Israel: alguém que exerce autoridade com justiça e no temor de Deus, trazendo bênção e segurança ao povo. No contexto da aliança davídica, essa figura se conecta à promessa de um descendente de Davi que governaria de modo especial sob a mão de Deus. Ao longo da tradição bíblica, essa expectativa se torna cada vez mais associada à figura messiânica, o Rei perfeito que cumpriria plenamente esse padrão de justiça e temor do Senhor.
Quando os três poderosos atravessaram o acampamento dos filisteus para buscar água da cisterna de Belém, fizeram isso com grande risco de vida. Ao receber a água, Davi percebeu que bebê-la seria, simbolicamente, como beber o “sangue dos homens” que arriscaram tudo por ele. Por respeito à vida deles e por temor a Deus, ele derramou a água perante o Senhor, transformando o presente em oferta de adoração. Esse gesto mostra que Davi não queria se beneficiar de um sacrifício que considerava excessivo em relação ao que havia pedido de forma impulsiva.
Os poderosos de Davi eram guerreiros de elite que se destacaram por coragem, habilidade e lealdade ao rei. O capítulo menciona um grupo especial de três, outros líderes como Abisai e Benaia, e um conjunto maior conhecido como “os trinta”, chegando ao total de trinta e sete homens. Eles vieram de diferentes regiões e origens, incluindo estrangeiros como Urias, o heteu. Suas façanhas em batalha foram um instrumento importante para a consolidação do reino de Davi, e o texto registra seus nomes como forma de honra e memória.
Urias, o heteu, aparece na lista final entre os trinta e sete poderosos de Davi. Sua menção lembra que ele era um guerreiro de destaque e fiel ao rei, o que torna ainda mais grave o pecado de Davi narrado em 2 Samuel 11, quando Davi toma a esposa de Urias e ordena sua morte. Ao registrar o nome de Urias entre os valentes, o texto bíblico reconhece sua honra e fidelidade, mostrando que Deus não apaga a dignidade de quem foi injustiçado, mesmo que tenha sido traído por alguém em posição de autoridade.
Esse capítulo mostra um Davi envelhecido, olhando para trás e para frente ao mesmo tempo. Ele enxerga que sua casa não é perfeita, que há rachaduras, pecados e falhas, mas ainda assim se apoia na aliança eterna que Deus fez com ele. Essa mistura de arrependimento, consciência de limites e confiança na fidelidade de Deus fala profundamente ao coração de quem carrega peso por erros passados. A imagem do governante justo como luz da manhã depois da chuva soa como um suspiro de alívio para almas cansadas. É como se Deus dissesse que, mesmo depois de longas noites de tempestade, ainda é possível amanhecer, ainda é possível ver o chão molhado se transformando em vida nova. O coração ferido por lideranças duras ou injustas encontra aqui o retrato de um cuidado diferente: autoridade que abençoa, não que oprime. Há também um carinho silencioso na lista de nomes. Pessoas que talvez fossem esquecidas pela história acabam registradas para sempre. Gente que lutou, sofreu, ficou firme quando outros fugiram, e que talvez não tenha recebido todos os agradecimentos que merecia. O texto mostra que Deus vê. Nada do que é vivido com fidelidade passa despercebido. O gesto de Davi ao derramar a água de Belém é muito sensível: ele percebe que aquele presente custou demais. Em vez de assumir como se fosse algo trivial, ele transforma em adoração, em respeito, em cuidado pelas vidas envolvidas. Entre as linhas, aparece a mensagem de que Deus se importa com o esforço, com o risco, com o cansaço de cada um. O coração que se sente usado, explorado ou não valorizado pode encontrar consolo ao saber que, diante de Deus, cada gota de sacrifício tem peso e significado. No fim, 2 Samuel 23 mostra que a história de alguém não é resumida apenas pelos momentos de glória ou de queda, mas por uma caminhada inteira sustentada pela graça. Mesmo quando a casa não é como deveria ser, a aliança de Deus continua firme, e isso abre espaço para esperança, restauração e descanso interior.
2 Samuel 23 é um texto rico em teologia, história e estrutura literária. As últimas palavras de Davi se encaixam em um padrão conhecido no Antigo Testamento: discursos de despedida que combinam memória, instrução e profecia (como Jacó em Gênesis 49 e Moisés em Deuteronômio 32–33). O autor apresenta Davi com títulos significativos: filho de Jessé, homem exaltado, ungido do Deus de Jacó, suave em salmos de Israel. Essa caracterização ressalta tanto sua origem humilde quanto sua elevação por Deus e seu papel como salmista. Os versículos 2–3 são teologicamente centrais: o Espírito do Senhor fala por meio de Davi e a sua palavra está na boca do rei. Aqui se encontra uma base importante para entender a inspiração da Escritura, especialmente dos salmos ligados a Davi. Ao afirmar que Deus, a Rocha de Israel, falou a ele sobre um governante justo, o texto ancora a esperança política e social de Israel na revelação divina, não em teorias humanas de governo. A descrição do governante justo nos versículos 3–4 ecoa o ideal do rei em textos como Deuteronômio 17:14–20 e Salmos 72. Ele domina no temor de Deus e, por isso, traz vida, segurança e prosperidade, tal como a luz da manhã e a chuva que faz brotar a erva. Esses versículos alimentam, ao longo da história bíblica, a expectativa de um rei davídico ideal, o que prepara o terreno para leituras messiânicas. No versículo 5, há uma tensão interessante: Davi reconhece que sua casa não corresponde plenamente ao ideal, mas afirma com força a aliança eterna, bem ordenada e guardada. O texto, em hebraico, pode ser lido de maneiras diversas, gerando discussões exegéticas sobre se Davi está lamentando a situação atual ou enfatizando a firmeza da aliança. Contudo, o núcleo é claro: a confiança última está no compromisso irrevogável de Deus. Os versículos 6–7 introduzem a figura dos ímpios como espinhos, reforçando a temática sapienciai do contraste entre justos e perversos. Eles são inúteis e perigosos, exigem proteção especial para serem manuseados e terminam no fogo. Essa linguagem se aproxima da literatura de sabedoria, onde imagens naturais ilustram realidades morais e espirituais. A seção dos poderosos (23:8–39) tem valor histórico e literário. Historicamente, oferece vislumbres da organização militar de Davi, com um grupo de elite (os três), líderes destacados (como Abisai e Benaia) e os trinta guerreiros. Literariamente, funciona como memorial de honra e como reforço da ideia de que o reino foi estabelecido por meio da coragem e da lealdade de indivíduos específicos, ainda que o autor atribua os grandes livramentos ao Senhor. O episódio da água de Belém (23:13–17) é teologicamente denso. O desejo de Davi não é uma ordem, mas um suspiro; os três o interpretam como oportunidade de expressar lealdade extrema. A resposta de Davi, ao derramar a água diante do Senhor, impede que a devoção pessoal se torne idolatria em torno da figura do rei. Ele redireciona a honra exclusivamente a Deus e preserva a dignidade dos guerreiros. Por fim, a menção de Urias, o heteu, no versículo 39, tem função narrativa significativa. O leitor que conhece a história anterior é lembrado do contraste entre a fidelidade de Urias e o pecado de Davi, o que reforça a complexidade da figura de Davi: ao mesmo tempo, ungido do Senhor e pecador arrependido. O capítulo, assim, serve como ponte entre a promessa da aliança davídica e a necessidade de um descendente que supere as falhas do próprio Davi.
Em termos práticos, 2 Samuel 23 pinta um retrato bem concreto de liderança, lealdade e caráter em situações de pressão. O ideal de um governante justo que domina no temor de Deus desafia qualquer pessoa que tenha responsabilidade sobre outros — em casa, no trabalho, na igreja — a enxergar autoridade não como privilégio, mas como serviço responsável diante de Deus. A honestidade de Davi ao admitir que sua casa não corresponde ao padrão mostra um caminho realista para quem lidera ou cuida de outros: reconhecer erros, lidar com consequências e, ao mesmo tempo, ajustar o rumo sob a orientação de Deus. Fugir da negação e da autoproteção é um passo importante para restaurar confiança em qualquer ambiente, seja familiar, profissional ou comunitário. Os valentes de Davi são exemplos de perseverança e foco em meio ao medo coletivo. Eleazar continua lutando quando outros se retiram; Samá permanece firme para defender um simples campo de lentilhas. Isso mostra que responsabilidade não é medida apenas pela visibilidade da tarefa, mas pela fidelidade em proteger o que foi confiado, mesmo quando parece pequeno. Na prática, pode significar manter integridade em tarefas rotineiras, proteger um colega injustiçado no trabalho ou sustentar valores em meio a pressões contrárias. O episódio da água de Belém traz lições diretas para relações de poder e cuidado. Davi, como líder, recusa transformar o sacrifício extremo de seus homens em benefício pessoal. Em ambientes de liderança, isso se traduz em evitar exigir de outros o que coloca em risco a saúde, a segurança ou a dignidade deles apenas para cumprir desejos ou metas. É um chamado a revisar expectativas, cargas de trabalho, discursos de “sacrifício” e a cultivar respeito pelas limitações reais das pessoas. A lista de nomes dos guerreiros incentiva um tipo de cultura organizacional e familiar que valoriza pessoas concretas, não apenas resultados. Isso se aplica a dar crédito a quem participa de conquistas, lembrar histórias de quem ajudou a chegar até aqui, e construir espaços em que o esforço de cada um é reconhecido, inclusive o de quem atua nos bastidores. Outro ponto prático é a forma como o texto conecta bravura humana com ação divina: os homens lutam, mas é o Senhor quem efetua o grande livramento. Essa perspectiva protege de dois extremos: a passividade (esperar tudo cair do céu sem responsabilidade) e o ativismo orgulhoso (achar que tudo depende apenas de esforço humano). No cotidiano, isso se traduz em planejar, trabalhar e se posicionar com responsabilidade, ao mesmo tempo em que se busca a direção e a intervenção de Deus. Por fim, a presença de Urias, o heteu, entre os valentes lembra que decisões injustas no topo têm impacto real em pessoas fiéis e competentes. Para quem exerce influência, é um alerta para considerar seriamente as consequências éticas de cada escolha. Para quem foi injustiçado, é um lembrete de que, mesmo quando pessoas falham, Deus conhece o nome, a história e a fidelidade de cada um.
" E estas são as últimas palavras de Davi: Diz Davi, filho de Jessé, e diz o homem que foi levantado em altura, o ungido do Deus de Jacó, e o suave em salmos de Israel. "
" O Espírito do Senhor falou por mim, e a sua palavra está na minha boca. "
2 Samuel 23:2 mostra Davi reconhecendo que não fala por conta própria, mas guiado pelo Espírito de Deus. O versículo ensina que Deus pode inspirar …
Ler analise completa" Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Haverá um justo que domine sobre os homens, que domine no temor de Deus. "
" E será como a luz da manhã, quando sai o sol, da manhã sem nuvens, quando pelo seu resplendor e pela chuva a erva brota da terra. "
" Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus, contudo estabeleceu comigo uma aliança eterna, que em tudo será bem ordenado e guardado, pois toda a minha salvação e todo o meu prazer está nele, apesar de que ainda não o faz brotar. "
" Porém os filhos de Belial todos serão como os espinhos que se lançam fora, porque não podem ser tocados com a mão. "
" Mas qualquer que os tocar se armará de ferro e da haste de uma lança; e a fogo serão totalmente queimados no mesmo lugar. "
" Estes são os nomes dos poderosos que Davi teve: Josebe-Bassebete, filho de Taquemoni, o principal dos capitães; este era Adino, o eznita, que se opusera a oitocentos, e os feriu de uma vez. "
" E depois dele Eleazar, filho de Dodó, filho de Aoí, entre os três valentes que estavam com Davi quando provocaram os filisteus que ali se ajuntaram à peleja, e quando se retiraram os homens de Israel. "
" Este se levantou, e feriu os filisteus, até lhe cansar a mão e ficar a mão pegada à espada; e naquele dia o Senhor efetuou um grande livramento; e o povo voltou junto dele, somente a tomar o despojo. "
" E depois dele Samá, filho de Agé, o hararita, quando os filisteus se ajuntaram numa multidão, onde havia um pedaço de terra cheio de lentilhas, e o povo fugira de diante dos filisteus. "
" Este, pois, se pôs no meio daquele pedaço de terra, e o defendeu, e feriu os filisteus; e o Senhor efetuou um grande livramento. "
" Também três dos trinta chefes desceram, e no tempo da sega foram a Davi, à caverna de Adulão; e a multidão dos filisteus acampara no vale de Refaim. "
" Davi estava então num lugar forte, e a guarnição dos filisteus em Belém. "
" E teve Davi desejo, e disse: Quem me dera beber da água da cisterna de Belém, que está junto à porta! "
" Então aqueles três poderosos romperam pelo arraial dos filisteus, e tiraram água da cisterna de Belém, que está junto à porta, e a tomaram, e a trouxeram a Davi; porém ele não a quis beber, mas derramou-a perante o Senhor. "
" E disse: Guarda-me, ó Senhor, de que tal faça; beberia eu o sangue dos homens que foram com risco da sua vida? De maneira que não a quis beber; isto fizeram aqueles três poderosos. "
" Também Abisai, irmão de Joabe, filho de Zeruia, era chefe de três; e este alçou a sua lança contra trezentos e os feriu; e tinha nome entre os três. "
" Porventura este não era o mais nobre dentre estes três? Pois era o primeiro deles; porém aos primeiros três não chegou. "
" Também Benaia, filho de Joiada, filho de um homem valoroso de Cabzeel, grande em obras, este feriu dois fortes heróis de Moabe; e desceu ele, e feriu um leão no meio duma cova, no tempo da neve. "
" Também este feriu um egípcio, homem de respeito; e na mão do egípcio havia uma lança, porém ele desceu a ele com um cajado, e arrancou a lança da mão do egípcio, e com ela o matou. "
" Estas coisas fez Benaia, filho de Joiada, pelo que teve nome entre três poderosos. "
" Dentre os trinta ele era o mais nobre, porém aos três primeiros não chegou; e Davi o pôs sobre os seus guardas. "
" Asael, irmão de Joabe, estava entre os trinta; El-Hanã, filho de Dodó, de Belém; "
" Samá, harodita; Elica, harodita; "
" Helez, paltita; Ira, filho de Iques, tecoíta; "
" Abiezer, anatotita; Mebunai, husatita; "
" Zalmom, aoíta; Maarai, netofatita; "
" Elebe, filho de Baaná, netofatita; Itai, filho de Ribai, de Gibeá dos filhos de Benjamim; "
" Benaia, piratonita; Hidai, do ribeiro de Gaás; "
" Abi-Albom, arbatita; Azmavete, barumita; "
" Eliaba, saalbonita; os filhos de Jásen e Jônatas; "
" Samá, hararita, Aião, filho de Sarar, ararita; "
" Elifelete, filho de Aasbai, filho de um maacatita; Eliã, filho de Aitofel, gilonita; "
" Hesrai, carmelita; Paarai, arbita; "
" Igal, filho de Natã, de Zobá; Bani, gadita; "
" Zeleque, amonita; Naarai, beerotita, o que trazia as armas de Joabe, filho de Zeruia; "
" Ira, itrita; Garebe, itrita; "
" Urias, heteu; trinta e sete ao todo. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.