Deuteronômio 19:1
" E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. "
Entenda os temas principais e aplique Deuteronômio 19 na sua vida hoje
48 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O texto não incentiva o divórcio, mas regula uma prática existente, impondo limites para evitar que a mulher fosse tratada como objeto e impedindo que o primeiro marido a retomasse após segundo casamento ou viuvez. Essa restrição visa preservar a santidade da comunidade e impedir manipulações relacionais.
O homem recém-casado é isento de guerra e de outros encargos por um ano, a fim de se dedicar à sua nova esposa. A lei protege o vínculo conjugal e reconhece a importância de tempo e presença para firmar o casamento.
Versículos-chave: 5
Não se pode tomar em penhor os instrumentos básicos de trabalho nem a capa do pobre durante a noite. O empréstimo e a cobrança de penhor devem respeitar a dignidade do devedor, garantindo que ele possa continuar vivendo e trabalhando.
O capítulo insiste na proteção do diarista pobre e na garantia de pagamento imediato. Também ordena que parte da colheita fique para estrangeiros, órfãos e viúvas, criando uma rede de provisão prática em favor dos mais frágeis da sociedade.
Cada pessoa responde pelo seu próprio pecado, e não pelos pecados dos pais ou dos filhos. O sequestro e escravização de um irmão é crime gravíssimo, punido com morte, para remover o mal do meio do povo.
A lembrança de ter sido escravo no Egito e de ter sido liberto por Deus é a base do mandamento de agir com misericórdia e justiça. O povo é chamado a tratar os outros como Deus os tratou: com libertação, cuidado e graça.
Deuteronômio 24 faz parte do longo discurso de Moisés às vésperas da entrada de Israel na terra prometida. O povo está prestes a deixar o contexto nômade do deserto para assumir uma vida agrícola e urbana em Canaã, o que exige leis que regulem a convivência, o trabalho, o casamento e as relações econômicas.
As normas sobre divórcio (v.1-4) refletem uma prática já conhecida no antigo Oriente Próximo. A carta de repúdio era um documento que formalizava a separação e, de certa forma, protegia a mulher ao permitir que ela se casasse novamente. A proibição de o primeiro marido retomá-la após outro casamento evitava arranjos abusivos e protegia a estrutura familiar.
A isenção militar para o recém-casado (v.5) também aparece em outros contextos antigos, demonstrando a preocupação em fortalecer a família como célula básica da sociedade. Já a proibição de penhorar as mós (v.6) reflete uma economia agrária, em que as pedras de moinho eram essenciais para transformar grãos em alimento diário.
A pena de morte para sequestro e escravização (v.7) deve ser lida à luz da recente lembrança da escravidão no Egito: escravizar um irmão em Israel era negar a própria história de libertação. As instruções sobre lepra (v.8-9) mostram a importância da função sacerdotal no cuidado sanitário e ritual, lembrando o episódio de Miriã como alerta contra rebeldia e ingratidão.
As leis sobre penhor, salário diário e proteção de estrangeiros, órfãos e viúvas (v.10-22) refletem o ideal de uma sociedade onde justiça social e temor de Deus caminham juntos. O sistema de deixar espigas, azeitonas e uvas para os necessitados funcionava como um mecanismo concreto de assistência, sem necessidade de uma burocracia complexa, e mantinha viva a memória da dependência de Deus e da experiência de escravidão no Egito.
O capítulo apresenta uma sequência de leis casuísticas (do tipo "se... então"). Elas não formam um tratado sistemático, mas uma coleção temática em torno de justiça e misericórdia nas relações humanas.
A repetição da lembrança do Egito (v.18, 22) cria um arco literário que amarra as leis de justiça social à identidade teológica do povo.
Deuteronômio 24 revela um Deus que se importa profundamente com a forma como o seu povo lida com poder, vulnerabilidade e justiça. As leis não são apenas regulamentos civis; elas expressam o caráter de Deus: santo, justo e misericordioso.
No tema do divórcio (v.1-4), o texto mostra que Deus conhece a dureza do coração humano e, por um tempo, tolera e regula certos costumes para limitar o dano, sem os apresentar como ideal definitivo. Em outras partes da Escritura, especialmente nos evangelhos, o ideal de fidelidade conjugal é reafirmado com mais clareza, mostrando um desenvolvimento na compreensão da vontade de Deus.
A proteção ao recém-casado (v.5) e a proibição de penhorar instrumentos de trabalho ou a capa do pobre (v.6, 10-13) revelam que Deus valoriza relacionamentos e vidas reais acima de lucros e ganhos imediatos. Não é uma espiritualidade abstrata, mas uma fé que atinge contratos, finanças e organização social.
A severidade contra o sequestro e escravização (v.7) e a afirmação da responsabilidade individual (v.16) destacam a seriedade do pecado contra a dignidade humana e corrigem distorções sobre culpa herdada. Cada pessoa se coloca pessoalmente diante de Deus.
A insistência em proteger estrangeiro, órfão e viúva (v.14-15, 17-22) mostra que Deus se identifica com os fracos e estabelece um padrão para seu povo: lembrar da própria história de sofrimento e libertação para tratar o próximo com generosidade e compaixão. A memória da redenção se torna base da ética.
Teologicamente, o capítulo reforça a ideia de que a lei de Deus não é apenas um código religioso, mas um caminho para refletir o coração do próprio Deus em uma sociedade marcada por desigualdade e vulnerabilidade.
Lido em chave terapêutica, Deuteronômio 24 apresenta um ambiente em que Deus se preocupa com quem é facilmente explorado: mulheres em situação de divórcio, trabalhadores diaristas, pobres endividados, estrangeiros, órfãos e viúvas. Essa ênfase pode oferecer conforto a pessoas que já sofreram injustiça, rejeição ou abuso de poder.
O texto traz uma sensação de limite saudável: há fronteiras colocadas por Deus contra opressão financeira, emocional e social. A ideia de que não se pode tomar como penhor algo que comprometa a vida do outro (v.6, 12-13) ressoa com a necessidade contemporânea de relações mais humanas, em que a dignidade vem antes do interesse.
Ao afirmar a responsabilidade individual (v.16), o capítulo também ajuda a separar culpa real de culpa indevida. Em contextos familiares marcados por vergonha, acusações generalizadas ou padrões destrutivos, essa palavra aponta para uma responsabilização justa, sem carregar alguém com o peso dos erros de outros.
A memória do Egito como lugar de escravidão e da libertação como ação de Deus (v.18, 22) funciona como base para uma autoestima restaurada: o povo não é definido pelo passado de opressão, mas pela graça do Deus que resgata. Isso pode sustentar processos de cura em pessoas marcadas por histórias difíceis, lembrando que a identidade não está presa à dor vivida.
Por fim, a provisão concreta para quem passa necessidade (v.19-21) reforça que cuidado espiritual e cuidado material caminham juntos. Isso inspira comunidades a se tornarem espaços acolhedores, onde vulnerabilidade não é motivo de vergonha, mas de cuidado mútuo.
Algumas passagens, lidas isoladamente ou sem contexto, podem acionar lembranças dolorosas ou interpretações distorcidas.
Questões de divórcio (v.1-4): Pessoas marcadas por separações, traições ou relacionamentos abusivos podem ler esse trecho com culpa intensa ou sentirem que seu valor é diminuído. É importante lembrar que o texto regula um costume da época e não pretende esgotar o ensino bíblico sobre casamento e graça.
Punição severa (v.7): A pena de morte para sequestro pode ser assustadora para quem já vivenciou violência ou tem grande sensibilidade à ideia de juízo. É necessário acolher essas reações e lembrar que o objetivo era proteger o povo contra crimes extremos.
Responsabilidade individual (v.16): Para quem já carrega culpa excessiva, esse versículo pode ser mal lido como uma condenação implacável, em vez de um princípio de justiça. Ao mesmo tempo, pessoas vindas de lares abusivos podem lutar com sentimentos de lealdade conflituosa ao ver que Deus não confunde culpas entre gerações.
Temas de pobreza e vulnerabilidade (v.10-15, 19-21): Quem vive hoje em situação de carência material pode sentir contraste doloroso entre o ideal de cuidado descrito no texto e a realidade de abandono. Essa tensão precisa ser recebida com empatia, sem respostas simplistas.
Nesses trechos, uma leitura segura envolve contextualização, espaço para sentimentos ambíguos e ênfase na continuidade da revelação bíblica, que mostra o Deus que também perdoa, restaura e acolhe os quebrados.
Deuteronômio 24 inspira posturas concretas em diferentes áreas da vida:
Relacionamentos e casamento: O cuidado com o recém-casado (v.5) mostra a importância de investir tempo, atenção e presença para fortalecer a vida conjugal, especialmente no início. Isso se traduz em priorizar o vínculo acima de tarefas e demandas externas.
Trabalho e finanças: As leis sobre penhor e salário apontam para uma ética profissional em que contratos, cobranças e negociações preservam a dignidade do outro. Práticas como pagar em dia, não explorar dificuldades econômicas e evitar lucros às custas da miséria do próximo refletem o espírito do texto.
Liderança e poder: A severidade contra o sequestro e escravização (v.7) e a proteção aos vulneráveis (v.17) lembram que qualquer posição de autoridade — seja em família, igreja ou trabalho — deve ser exercida a serviço da vida, nunca para controle, opressão ou captura do outro.
Responsabilidade pessoal: O princípio de que cada um responde por seu próprio pecado (v.16) encoraja a assumir decisões e consequências sem terceirizar culpas, mas também a recusar fardos de culpa que não pertencem à pessoa.
Solidariedade prática: Deixar parte da colheita para estrangeiro, órfão e viúva (v.19-21) inspira, hoje, atitudes de generosidade estrutural: reservar parte da renda ou do tempo para apoiar quem está em vulnerabilidade, engajar-se em ações de assistência e construir ambientes comunitários onde ninguém fica completamente desamparado.
Memória e compaixão: Lembrar da própria história de dor, limitações ou pobreza, como Israel devia lembrar do Egito (v.18, 22), ajuda a cultivar humildade e empatia, combatendo o orgulho espiritual e a indiferença diante do sofrimento alheio.
O texto não apresenta o divórcio como ideal de Deus para o casamento. Ele parte de uma prática já existente no contexto da época e estabelece limites para reduzir danos, principalmente em relação à mulher. A lei regula uma realidade dura, sem significar que essa seja a vontade plena de Deus. Em outras passagens da Bíblia, especialmente nos evangelhos, a fidelidade conjugal é reafirmada como projeto original do Senhor.
A proibição de o primeiro marido tomar de volta a mulher após um segundo casamento (ou viuvez) visava impedir que o casamento fosse tratado de forma leviana ou manipuladora, como se a mulher fosse um objeto que pode ser descartado e depois retomado conforme a conveniência. Essa restrição protegia a dignidade da mulher e a santidade da comunidade, evitando arranjos que Deus chama de abominação.
As mós eram pedras de moinho usadas para moer o grão, base da alimentação diária. Penhorá-las significaria tirar do devedor sua possibilidade de produzir comida. De forma semelhante, reter a capa do pobre durante a noite o deixaria sem proteção para dormir. A lei ensina que nenhum direito financeiro pode passar por cima das necessidades básicas de sobrevivência e da dignidade da pessoa.
O diarista pobre vivia do que ganhava naquele dia; atrasar o pagamento significava colocar em risco sua alimentação e a de sua família. Por isso, a lei determina que o salário seja pago antes do pôr do sol, reconhecendo a urgência da necessidade do trabalhador. O texto afirma que reter indevidamente esse pagamento é pecado diante do Senhor.
Essa afirmação estabelece o princípio da responsabilidade individual: ninguém deve ser executado ou punido judicialmente pelo pecado de outro, nem pais pelos filhos nem filhos pelos pais. Embora existam consequências coletivas do pecado em várias partes da Bíblia, em termos de justiça legal e culpa pessoal, cada um responde diante de Deus pelos próprios atos.
A lembrança da escravidão no Egito serve como base ética e espiritual para a vida em comunidade. Quem foi oprimido e foi libertado por Deus é chamado a não repetir opressões sobre outros, especialmente estrangeiros, órfãos e viúvas. Recordar o passado de dor e a graça recebida alimenta a compaixão, impede o orgulho e inspira uma prática de justiça e misericórdia.
Deuteronômio 24 mostra um Deus que não é indiferente às histórias partidas, às dores da injustiça e às marcas que o abuso de poder deixa no coração. Há situações duras no texto — divórcio, pobreza, escravidão —, mas em meio a tudo isso aparece um fio de cuidado: Deus colocando limites para proteger quem mais sofre. Quando a lei impede que se tome o que garante a vida do pobre, ou manda devolver o penhor antes do pôr do sol, ela revela a preocupação de Deus com a noite de cada pessoa, com o frio que poderia sentir, com o medo de ficar sem nada. Não é só uma regra; é um gesto de ternura inscrito na lei. O mesmo vale para o trabalhador diarista, que depende do salário daquele dia. Deus vê a ansiedade de quem não sabe se vai ter comida na mesa e chama isso pelo nome: pecado, quando alguém brinca com essa necessidade. Isso diz muito sobre como Ele olha para quem está cansado de ser explorado. Também consola perceber que Deus não confunde culpas. "Cada um morrerá pelo seu pecado" quebra cadeias de acusações injustas que, muitas vezes, atravessam gerações. Não é a família, o sobrenome ou o passado que definem, diante de Deus, quem alguém é. E, no fundo do capítulo, brilha uma lembrança amorosa: "Lembra-te de que foste servo no Egito". Deus não esquece as escravidões que já foram vividas — opressões, humilhações, medos antigos —, mas também não reduz ninguém a isso. Ele lembra para dizer: houve um tempo em que a dor parecia ter a última palavra, mas Eu entrei na história e libertei. A partir dessa memória, nasce um jeito novo e mais humano de viver, tratar os outros e também de olhar para si mesmo.
Do ponto de vista da interpretação bíblica, Deuteronômio 24 é um bom exemplo de como a Torá lida com realidades imperfeitas, regulando práticas já existentes e, ao mesmo tempo, sinalizando valores mais altos. Os versículos 1–4 tratam do divórcio dentro de uma moldura jurídica casuística (“se… então…”). A expressão “coisa indecente” indica algo vergonhoso ou desonroso, mas o texto não define detalhadamente a causa, justamente porque o foco é o que se faz depois: a emissão da carta de repúdio, a possibilidade de novo casamento e a proibição de o primeiro marido retomar a mulher após um segundo casamento ou viuvez. Do ponto de vista histórico, isso protege a mulher de ser objeto em jogos de interesse e impede a banalização do vínculo matrimonial. O verso 5 amplia a compreensão teológica do casamento: a aliança conjugal é tão relevante para Deus que justifica até isenção de serviço militar por um período. A lei reconhece que o casamento precisa de tempo para ser consolidado. A proibição de penhorar as mós (v.6) e as instruções detalhadas sobre penhor (v.10-13) desenvolvem uma ética econômica que coloca a sobrevivência e a honra do devedor acima dos direitos do credor. É interessante notar o cuidado com o espaço doméstico: o credor não pode entrar na casa do outro; deve ficar do lado de fora. Há aqui um reconhecimento da privacidade e da dignidade do devedor, mesmo endividado. O versículo 7, ao condenar o sequestro e a escravização de um irmão com pena de morte, conecta-se fortemente à memória da escravidão no Egito. Do ponto de vista teológico, escravizar o compatriota é negar a própria identidade de povo libertado. Os versículos 8–9 demonstram a interligação entre lei, culto e saúde pública: o tratamento da lepra é confiado aos sacerdotes levitas, e o episódio de Miriã serve como lembrança de que rebelião e ingratidão têm consequências. Em 24:16, aparece um princípio jurídico relevante: a responsabilidade individual pela culpa, que corrige práticas coletivas de punição indiscriminada. É um avanço em relação a costumes em que famílias inteiras podiam ser punidas pelo erro de um só. Por fim, os versículos 17–22 reúnem uma teologia social robusta: justiça no tribunal, proteção contra penhor abusivo, e um sistema de provisão para estrangeiro, órfão e viúva, por meio das sobras da colheita. A motivação é teológica, não apenas humanitária: “lembra-te de que foste servo no Egito”. A ética da aliança nasce da experiência da graça. Assim, o capítulo contribui para uma compreensão de lei divina que é, ao mesmo tempo, realista quanto à dureza humana e profundamente comprometida com a dignidade dos vulneráveis.
Lendo Deuteronômio 24 com os pés no chão da vida diária, aparecem vários princípios práticos para organizar relacionamentos, trabalho e dinheiro. O cuidado com o recém-casado (v.5) destaca algo facilmente esquecido: nenhuma relação se sustenta só com boas intenções; precisa de presença, tempo e prioridade. Aquele primeiro ano é visto como um investimento, não um luxo. O princípio vale para hoje: fases novas — casamento, mudança de cidade, chegada de um filho — pedem ajustes concretos na agenda e nas expectativas. Na área financeira, o capítulo oferece uma espécie de “ética do credor”. Quem tem mais poder — seja banco, patrão, dono da casa, ou alguém que empresta dinheiro — não pode passar por cima da vida de quem está em dificuldade. Não tomar o “instrumento de trabalho” como garantia, não invadir a casa do outro para cobrar, devolver o penhor ao pôr do sol (v.6, 10-13) apontam para práticas de cobrança firmes, mas humanas. Em termos atuais: contratos claros, cobranças respeitosas, sensibilidade às limitações reais do outro. O tratamento do trabalhador diarista (v.14-15) fala diretamente ao mundo do trabalho informal, tão presente na realidade brasileira. Deus se importa com quem vive de bico, diária, “freela”. Pagar em dia, não adiar para ganhar vantagem, não usar a necessidade do outro para explorá-lo são atitudes que honram esse texto. O princípio da responsabilidade individual (v.16) ajuda também na vida familiar. Ele aponta para a importância de cada um responder pelos próprios atos, sem injustamente carregar ou jogar culpas. Isso desafia tanto a postura de vitimização quanto a de controle, em que alguém tenta carregar ou tirar a responsabilidade que cabe ao outro. Por fim, a instrução de deixar parte da colheita para estrangeiro, órfão e viúva (v.19-21) inspira um estilo de vida com “margem” para generosidade. Em vez de consumir tudo, o povo é chamado a conscientemente deixar algo para quem não tem. Em termos práticos, isso se traduz em reservar parte da renda, do tempo ou dos recursos para ajudar quem está em situação de vulnerabilidade. Assim, o cuidado com o próximo deixa de ser apenas resposta a emergências e passa a ser um modo organizado de viver.
Espiritualmente, Deuteronômio 24 é um chamado a ver a vida cotidiana como lugar onde se revela quem Deus é e quem o seu povo é. Cada lei toca em uma dimensão concreta — casamento, dívidas, trabalho diário, colheita —, mas por trás de tudo aparece um fio espiritual: a memória da libertação e a dignidade de cada pessoa diante de Deus. Quando o texto lembra: “Foste servo no Egito” (v.18, 22), não é apenas um dado histórico. É um convite à identidade. Israel devia olhar para si e lembrar: fomos escravos, mas o Senhor nos libertou. Essa consciência molda o coração: quem sabe que foi resgatado tende a se tornar mais misericordioso. A espiritualidade que brota desse capítulo é uma fé que nunca se esquece de onde Deus tirou o seu povo. O princípio de que cada um morre pelo próprio pecado (v.16) aponta para a seriedade da vida diante de Deus. A relação com Ele é pessoal: não se entra na aliança apenas por herança de sangue, nem se foge da responsabilidade escondendo-se atrás da família ou do grupo. Essa mesma verdade prepara o terreno para a mensagem posterior da Escritura, em que a responsabilidade pessoal pelo pecado encontra resposta na graça oferecida por Deus. Ao mesmo tempo, o cuidado com o estrangeiro, o órfão e a viúva (v.17-22) revela muito sobre o coração do Senhor: Ele se inclina para quem tem menos proteção e menos voz. A vida espiritual madura passa a enxergar Deus nos detalhes de como se trata quem não pode retribuir. Não é só uma questão social; é um ato de adoração vivida. As leis sobre penhor e salário (v.10-15) também têm um alcance contemplativo: convidam a reconhecer que a terra, o trabalho e a colheita pertencem, em última instância, a Deus. O povo administra aquilo que recebeu. Quando deixa espigas no campo ou uvas na videira, está confessando na prática: “não sou dono absoluto; sou mordomo”. Assim, o capítulo nos ajuda a ver que a espiritualidade bíblica não separa justiça e piedade, economia e devoção, memória e obediência. Viver diante de Deus é deixar que a experiência de ter sido libertado molde o coração, os relacionamentos, o uso do poder e o cuidado com quem está à margem.
" E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. "
" E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico. "
" E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. "
" E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali. "
" E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa. "
" E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente. "
" E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador. "
" E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. "
" E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. "
" Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. "
" E, ouvindo eles estas coisas, ele prosseguiu, e contou uma parábola; porquanto estava perto de Jerusalém, e cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus. "
" Disse pois: Certo homem nobre partiu para uma terra remota, a fim de tomar para si um reino e voltar depois. "
Lucas 19:12 mostra Jesus explicando que Ele é como o nobre que vai embora, recebe o reino e depois volta. Nesse tempo de espera, cada …
Ler análise completa" E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociai até que eu venha. "
" Mas os seus concidadãos odiavam-no, e mandaram após ele embaixadores, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós. "
" E aconteceu que, voltando ele, depois de ter tomado o reino, disse que lhe chamassem aqueles servos, a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que cada um tinha ganhado, negociando. "
" E veio o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas. "
" E ele lhe disse: Bem está, servo bom, porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás autoridade. "
" E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas. "
" E a este disse também: Sê tu também sobre cinco cidades. "
" E veio outro, dizendo: Senhor, aqui está a tua mina, que guardei num lenço; "
" Porque tive medo de ti, que és homem rigoroso, que tomas o que não puseste, e segas o que não semeaste. "
" Porém, ele lhe disse: Mau servo, pela tua boca te julgarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não pus, e sego o que não semeei; "
" Por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o exigisse com os juros? "
" E disse aos que estavam com ele: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas. "
" (E disseram-lhe eles: Senhor, ele tem dez minas. ) "
" Pois eu vos digo que a qualquer que tiver ser-lhe-á dado, mas ao que não tiver, até o que tem lhe será tirado. "
" E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim. "
" E, dito isto, ia caminhando adiante, subindo para Jerusalém. "
" E aconteceu que, chegando perto de Betfagé, e de Betânia, ao monte chamado das Oliveiras, mandou dois dos seus discípulos, "
" Dizendo: Ide à aldeia que está defronte, e aí, ao entrar, achareis preso um jumentinho em que nenhum homem ainda montou; soltai-o e trazei-o. "
" E, se alguém vos perguntar: Por que o soltais? assim lhe direis: Porque o Senhor o há de mister. "
" E, indo os que haviam sido mandados, acharam como lhes dissera. "
" E, quando soltaram o jumentinho, seus donos lhes disseram: Por que soltais o jumentinho? "
" E eles responderam: O Senhor o há de mister. "
" E trouxeram-no a Jesus; e, lançando sobre o jumentinho as suas vestes, puseram Jesus em cima. "
" E, indo ele, estendiam no caminho as suas vestes. "
" E, quando já chegava perto da descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto, "
" Dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas. "
Lucas 19:38 mostra o povo reconhecendo Jesus como Rei enviado por Deus e celebrando sua chegada com alegria. O versículo destaca que o verdadeiro governo …
Ler análise completa" E disseram-lhe de entre a multidão alguns dos fariseus: Mestre, repreende os teus discípulos. "
" E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão. "
" E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, "
" Dizendo: Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. "
Lucas 19:42 mostra Jesus lamentando porque Jerusalém não reconheceu a chance de ter paz com Deus. Fala de oportunidades perdidas por falta de atenção espiritual. …
Ler análise completa" Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todos os lados; "
" E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação. "
" E, entrando no templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam, "
" Dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores. "
Lucas 19:46 mostra Jesus denunciando pessoas que usavam o templo para lucro e engano, em vez de buscar a Deus. O versículo ensina que o …
Ler análise completa" E todos os dias ensinava no templo; mas os principais dos sacerdotes, e os escribas, e os principais do povo procuravam matá-lo. "
" E não achavam meio de o fazer, porque todo o povo pendia para ele, escutando-o. "
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