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Lucas 19:11 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E, ouvindo eles estas coisas, ele prosseguiu, e contou uma parábola; porquanto estava perto de Jerusalém, e cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus. "

Lucas 19:11

menu_book Versículo no contexto

9 E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.

10 Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

11 E, ouvindo eles estas coisas, ele prosseguiu, e contou uma parábola; porquanto estava perto de Jerusalém, e cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus.

12 Disse pois: Certo homem nobre partiu para uma terra remota, a fim de tomar para si um reino e voltar depois.

13 E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociai até que eu venha.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nosso Senhor Jesus está agora a caminho de Jerusalém para sua última Páscoa, quando haveria de sofrer e morrer. Nesse momento, somos informados de como as esperanças de seus amigos se elevaram. Eles imaginavam que o reino de Deus se manifestaria de imediato (Lucas 19:11). Os fariseus o esperavam para aquele tempo (Lucas 17:20), e parece que os próprios discípulos de Cristo também, embora ambos tivessem uma ideia errada sobre esse reino. Os fariseus pensavam que ele seria estabelecido por algum outro governante terreno. Os discípulos criam que o seu Mestre o traria, mas com poder e glória exteriores, já que sabiam que ele podia manifestar grande poder por meio de milagres quando quisesse.

Eles supunham que Jerusalém seria o centro desse reino. Assim, agora que ele subia para lá, esperavam vê-lo em breve no trono. Mesmo pessoas piedosas podem entender mal o reino de Cristo e imaginar que aquilo que só virá mais tarde está prestes a aparecer imediatamente.

Cristo corrige os enganos deles de três maneiras. Primeiro, eles esperavam que ele aparecesse logo em glória, mas ele lhes diz que não será publicamente coroado Rei por ainda muito tempo. Ele é como certo homem nobre, um homem de alta linhagem, porque é o Senhor vindo do céu e tem direito ao reino por nascimento. Mas esse homem vai para uma terra distante para receber para si um reino.

Cristo precisa ir ao céu, sentar-se à direita do Pai e ali receber honra e glória. Só então o Espírito seria derramado, por meio do qual seu reino seria estabelecido na terra, e uma igreja lhe seria formada entre os gentios. Ele deve receber o reino, e então voltar. Ele “voltou” quando o Espírito foi derramado e quando Jerusalém foi destruída. Nessa altura, toda aquela geração de amigos e inimigos que o haviam conhecido em pessoa já tinha morrido e prestado contas de si. Mas o retorno principal indicado aqui é o grande Dia, que ainda aguardamos. Aquilo que eles pensavam que apareceria logo, Cristo afirma que não surgirá até que esse mesmo Jesus, que foi elevado ao céu, volte da mesma maneira (Atos 1:11).

Segundo, eles esperavam que seus apóstolos e seguidores mais próximos fossem logo elevados a honra e posição. Imaginavam-se todos transformados em príncipes, conselheiros importantes e juízes, com toda a riqueza e ostentação da vida na corte. Mas Cristo lhes diz que, em vez disso, pretendia que fossem pessoas de trabalho. Não deveriam esperar outra promoção neste mundo além da vida de labor e serviço comum. Ele lhes daria recursos a serem usados, para que o servissem e apoiassem seu reino entre as pessoas.

Esse é o verdadeiro privilégio de um cristão e, de modo especial, de um ministro. Se o valorizarmos como devemos, passaremos a olhar as honras terrenas com um santo desprezo. Os apóstolos andavam sonhando em sentar-se à sua direita e à sua esquerda em seu reino, gozando de descanso após o trabalho presente e de honra após a vergonha presente. Cristo lhes apresenta um quadro que deveria encher seus corações de preocupação e seriedade, e não de ambição orgulhosa.

Eles têm agora uma grande obra a realizar. Seu Mestre parte para receber o reino, e, ao despedir-se, entrega a cada um deles uma mina. Esta quantia, segundo anotações antigas, equivaleria a alguma soma moderada de dinheiro. Isso aponta para a mesma verdade dos talentos na parábola paralela de Mateus 25, isto é, todos os dons que Cristo concedeu aos apóstolos, juntamente com as oportunidades e capacidades que tinham para servir ao seu reino. E isso também se aplica, em grau menor, a outros ministros e cristãos semelhantes a eles.

Ele pode ter usado essa imagem para mantê-los humildes. A honra deles neste mundo é apenas a de negociantes, e nem mesmo de grandes comerciantes com somas elevadas. São como pequenos negociantes que precisam trabalhar com esforço e cuidado para aproveitar bem o pouco que têm. Ele entregou essas minas a seus servos, não para que comprassem roupas finas ou uma carruagem magnífica para si, como eles imaginavam, mas com esta ordem: “Negociai até que eu venha.” A ideia é: “Estejam ocupados.”

Essa era a obra deles: pregar o evangelho, estabelecer uma igreja para Cristo no mundo, trazer as nações à obediência da fé e fortalecê-las nessa fé. Receberiam poder para isso, porque seriam cheios do Espírito Santo (Atos 1:8). Quando Cristo soprou sobre os onze discípulos e disse: “Recebei o Espírito Santo”, ali ele estava lhes entregando essas “minas”. Seu mandamento era: “Agora cuidem do trabalho de vocês e façam-no com empenho. Apliquem-se a isso e perseverem. Dediquem-se inteiramente a fazer todo o bem possível às almas das pessoas, conduzindo-as a Cristo.”

Todos os cristãos têm trabalho a realizar para Cristo neste mundo, e os ministros de modo especial. Uns não foram batizados, e outros não foram ordenados, para ficarem ociosos. Aqueles a quem Cristo chama para sua obra, ele também capacita com os dons necessários. Em troca, ele espera que esses dons sejam postos a seu serviço. Ele entrega as minas com esta ordem: “Vão trabalhar, vão negociar.” O Espírito é dado a cada um visando ao proveito comum (1 Coríntios 12:7). E, conforme cada um recebeu um dom, deve usá-lo para servir aos outros (1 Pedro 4:10).

Devemos permanecer atentos ao nosso encargo até que nosso Senhor volte, independentemente dos problemas ou oposição que enfrentarmos. Só quem perseverar até o fim será salvo. Terceiro, eles têm de prestar em breve um grande acerto de contas. Esses servos são chamados à presença dele para mostrar como usaram os dons com que tinham sido honrados, que serviço prestaram a Cristo e que bem fizeram às almas das pessoas, para que ele saiba quanto cada um ganhou negociando.

Os que trabalham fielmente no serviço de Cristo hão de ganhar algo. Isso não pode ser dito da obra deste mundo, pois muitos trabalhadores aqui perdem em vez de ganhar. Mas os que negociam por Cristo certamente ganharão. Mesmo que Israel não se converta, ainda assim serão honrados. A conversão de almas é um ganho real. Cada verdadeiro convertido é lucro certo para Jesus Cristo.

Os ministros são apenas instrumentos dele, e terão de prestar contas de quantos trouxeram na rede do evangelho e de quantos foram persuadidos a vir para a festa de casamento. Em outras palavras, terão de dizer o que ganharam negociando. Note agora o bom relatório apresentado por alguns dos servos e o elogio de seu senhor.

Dois exemplos são mencionados em (Lucas 19:16) e (Lucas 19:19). Ambos os servos obtiveram ganhos reais, mas não iguais: um ganhou mais dez minas negociando, o outro ganhou cinco. Os que são diligentes e fiéis no serviço de Cristo muitas vezes recebem a bênção de se tornarem bênção nos lugares onde vivem. Verão o fruto do seu trabalho e não trabalharão em vão.

Ainda assim, nem todos os servos fiéis têm o mesmo êxito visível. A diferença também pode sugerir que um trabalhou com mais afinco e se entregou mais completamente à tarefa do que o outro, e por isso teve resultados maiores. Paulo, que aqui pode ser figurado pelo servo que ganhou dez minas, diz que trabalhou mais do que os demais e anunciou plenamente o evangelho. No entanto, ele sabia que isso se devia à graça de Deus.

Ambos os servos também reconheceram sua dívida com o senhor por lhes dar a oportunidade e a capacidade de servi-lo. Em essência, dizem: “Senhor, não foi minha habilidade, mas a tua mina, que rendeu essas minas.” Deus deve receber toda a glória por qualquer ganho que tenhamos. “Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória” (Salmo 115:1). Paulo diz a mesma coisa quando escreve: “Trabalhei mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1 Coríntios 15:10). Ele não se gloria no que fez, mas no que Deus fez por meio dele (Romanos 15:18).

Ambos os servos foram elogiados por sua fidelidade e esforço: “Bem está, servo bom” (Lucas 19:17). Ele diz o mesmo ao outro servo em (Lucas 19:19). Os que fazem o bem receberão louvor por causa disso. Faça o que é reto, e Cristo dirá: “Bem está.” Se ele fala essa palavra, pouco importa quem fale contra você. Veja (Gênesis 4:7).

Eles também foram recompensados de acordo com o aumento que haviam conseguido. O senhor, em essência, diz: “Porque foste fiel no mínimo, e não disseste: ‘É só uma mina, não vale a pena negociar com ela’, mas a usaste de modo sincero e humilde, terás autoridade sobre dez cidades.” Os que começam em posição humilde e permanecem fiéis estão em bom caminho para ser elevados. O diácono que servir bem alcança para si uma boa posição (1 Timóteo 3:13).

Isso também aponta para duas promessas feitas aos apóstolos. Primeiro, depois de trabalharem para plantar muitas igrejas, teriam a alegria e a honra de guiá-las. Seriam respeitados e amados pelos cristãos sinceros. Quem cuida da figueira come do seu fruto, e quem se afadiga no ensino é digno de dupla honra. Segundo, depois de servirem à sua geração conforme a vontade de Cristo, mesmo que fossem desprezados, maltratados e arrancados deste mundo em vergonha ou perseguição, como de fato aconteceu com os apóstolos, reinariam com Cristo no mundo vindouro. Sentar-se-iam com ele em seu trono e participariam da autoridade sobre as nações (Apocalipse 2:26).

Isso mostra que a alegria do céu será uma promoção infinitamente maior para um bom ministro ou crente do que seria, para um comerciante pobre, ser colocado como governador de dez cidades. O servo que ganhou apenas cinco minas recebeu autoridade sobre cinco cidades. Isso sugere que há graus de glória no céu. Todo vaso estará cheio, mas nem todos terão o mesmo tamanho. Os graus de glória lá corresponderão aos graus de utilidade aqui.

Em seguida vem o mau relatório de um dos servos e a sentença proferida por causa de sua preguiça e infidelidade, em (Lucas 19:20 e seguintes). Ele confessou que não negociou com a mina que lhe foi confiada: “Senhor, aqui está a tua mina. Não a fiz crescer, mas também não a perdi. Guardei-a embrulhada num lenço.” Isso retrata a pessoa descuidada, que possui dons, mas nunca os usa para o bem. Tal pessoa não se importa se o reino de Cristo avança ou recua. Não quer ter trabalho, nem gastar esforço, nem correr risco algum. Esses são os servos que escondem sua mina num lenço. Pensam que basta dizer que não fizeram mal, embora também não tenham feito bem algum.

Ele então tentou se desculpar, mas sua desculpa apenas agravou o caso. Disse: “Tive medo de ti, porque és homem rigoroso” (Lucas 19:21). A palavra indica alguém áspero, duro. Acusou o seu senhor de fazer exigências injustas, como se ele quisesse tomar o que não havia dado e esperasse ceifar onde não havia semeado. Mas, na verdade, o senhor esperava um retorno proporcional ao que havia confiado, assim como o lavrador espera colheita da semente que lançou. O servo não tinha motivo real para temer o senhor, nem para culpar suas expectativas. Aquilo era apenas uma desculpa fraca para a preguiça, sem fundamento algum. Quando os crentes preguiçosos são examinados, suas desculpas geralmente trazem vergonha, não defesa.

O senhor volta contra o servo as próprias palavras dele: “Pelas tuas palavras te julgarei, servo mau” (Lucas 19:22). Ele é condenado tanto pelos seus atos quanto pela sua própria alegação. Se o servo achava demais obter lucro por meio de negociações, ao menos poderia ter colocado o dinheiro num banco, para render juros. Assim, o senhor receberia de volta o que era seu, com algum ganho. Se ele realmente temesse perder o principal, e por isso não quis negociar, ainda assim não teria desculpa por não tê-lo colocado a juros, onde estaria seguro. Quaisquer que sejam as desculpas que os crentes preguiçosos ofereçam, a verdadeira razão é uma indiferença assentada em relação a Cristo e ao seu reino. Não se importam se a fé cresce ou diminui, desde que possam permanecer confortáveis.

Por isso, a sua mina lhe é tirada (Lucas 19:24). É justo que os que não querem usar seus dons venham a perdê-los, e que os que lidam falsamente não sejam mais considerados dignos de confiança. Se alguém não quer servir ao seu Senhor com o que o Senhor lhe dá, por que deveria ser deixado à vontade para usar isso só para si mesmo? “Tirai-lhe a mina.”

Então ela é dada ao que tinha dez minas. Quando alguns objetam, porque ele já tinha muito, dizendo: “Senhor, ele tem dez minas” (Lucas 19:25), a resposta é: “A todo o que tiver será dado” (Lucas 19:26). Essa é uma regra de justiça. Aqueles que mostraram maior diligência devem ser mais encorajados, e os que mais se esforçaram para fazer o bem devem ter oportunidades mais amplas de fazê-lo e um campo de serviço maior.

A graça e os dons que uma pessoa usa bem crescerão, de modo que ela poderá usá-los para ainda mais bem. Mas aqueles que guardam seus dons como se não tivessem nenhum, que nada de proveitoso fazem com eles, acabarão por perdê-los. Se trabalharmos para aumentar a graça que já temos, Deus nos dará mais. Se a negligenciarmos e a deixarmos enfraquecer, devemos esperar que Deus a deixe definhar também. Cristo dá este aviso necessário aos discípulos, para que, enquanto esperavam honras na terra, não descuidassem de seu verdadeiro trabalho e não perdessem a sua felicidade no céu.

Os discípulos também esperavam que, quando o reino de Deus se manifestasse, a nação judaica logo o recebesse, se submetesse a Cristo e perdesse todo o ódio contra ele e contra o seu evangelho. Mas Cristo lhes diz que, depois de sua partida, a maioria deles permaneceria teimosa e rebelde, e isso levaria à sua ruína. Isso é mostrado na mensagem que seus cidadãos enviaram após ele, em (Lucas 19:14). Eles se opuseram a ele enquanto ele ainda era humilde e desconhecido e, mesmo depois de ele subir à glória para receber o seu reino, mantiveram o ódio. Protestaram contra o seu governo e disseram: “Não queremos que este reine sobre nós.”

Isso se cumpriu na ampla incredulidade dos judeus depois da ascensão de Cristo e do estabelecimento do reino do evangelho. Eles não quiseram se dobrar ao seu governo nem se submeter à sua autoridade. Suas palavras ecoam (Salmo 2:1-3) e (Atos 4:26). E também representam todos os incrédulos. Muitos podem até querer que Cristo os salve, mas não querem que ele governe sobre eles. No entanto, Cristo é Salvador apenas daqueles que também o recebem como Rei e estão dispostos a obedecê-lo.

A sentença deles é mostrada no retorno de Cristo: “Trazei aqui estes meus inimigos” (Lucas 19:27). Quando seus súditos fiéis forem honrados e recompensados, ele também julgará seus inimigos, especialmente a nação judaica, cuja condenação está figurada aqui. Quando Cristo estabeleceu o reino do evangelho e conferiu honra ao ministério do evangelho, chamou os judeus a prestar contas. Eles haviam rejeitado abertamente o seu ofício real quando disseram: “Não temos rei, senão César”, e não quiseram reconhecê-lo como seu rei. Apelaram a César, e César seria a sua ruína.

Então o reino de Deus se manifestou de outra forma, quando o juízo caiu sobre esses inimigos obstinados de Cristo e de seu domínio. Eles foram trazidos e mortos diante dele. Nenhuma guerra causou tanto morticínio quanto as guerras dos judeus. Aquela nação viveu para ver o cristianismo vitorioso entre os gentios, apesar de seu próprio ódio e oposição, e depois foi removida como escória sem valor. A ira de Cristo veio sobre eles plenamente (1 Tessalonicenses 2:15-16), e sua destruição honrou grandemente a Cristo e trouxe paz à igreja. Isso também se aplica a todos os que continuam recusando a fé e certamente perecerão nela.

Ruína completa será a sorte certa de todos os inimigos de Cristo. No dia do juízo, todos serão trazidos e mortos diante dele. Trazei-os aqui, para que santos e anjos vejam o resultado, como em (Josué 10:22, 24). Trazei-os aqui, para que vejam a glória e a alegria de Cristo e de seu povo, a quem odiaram e perseguiram. Trazei-os aqui, para que suas desculpas fracas sejam emudecidas e a sentença seja proferida de acordo com o que merecem. Trazei-os, e matai-os diante de mim, como Agague foi trazido diante de Samuel. O Salvador que eles rejeitaram estará presente para vê-los julgados e não intercederá por eles.

Os que não querem que Cristo reine sobre eles serão tratados como inimigos dele. Podemos ser tentados a pensar que apenas os perseguidores declarados do cristianismo, ou pelo menos os zombadores, são inimigos de Cristo. Mas aqui se vê que também são contados como inimigos aqueles que rejeitam as condições da salvação, não querem se submeter ao governo de Cristo e desejam ser seus próprios senhores. Quem não quiser ser governado pela graça de Cristo certamente será arruinado pela ira de Cristo.

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