Deuteronômio 16:1
" E dizia também aos seus discípulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens. "
Entenda os temas principais e aplique Deuteronômio 16 na sua vida hoje
31 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O caso do morto encontrado no campo mostra que a nação inteira é chamada a lidar com a culpa do sangue derramado, mesmo quando o culpado é desconhecido. Um ritual com a novilha, os anciãos e os sacerdotes coloca diante de Deus a confissão, o pedido de perdão e o compromisso de manter o povo e a terra livres da culpa de sangue inocente.
Mesmo em contexto de guerra, Deus estabelece limites para o tratamento de prisioneiras. A mulher estrangeira não deveria ser reduzida a objeto. Havia tempo para luto, mudança de status e proteção contra exploração posterior, mostrando que a guerra não suspende a responsabilidade moral do povo de Deus.
A lei sobre o filho primogênito protege contra favoritismos emocionais dos pais. Mesmo que o pai ame mais uma esposa do que a outra, ele não pode distorcer a herança. O direito do primogênito é preservado como questão de justiça e ordem, e não de preferência afetiva.
O caso do filho contumaz e rebelde mostra a seriedade da desobediência persistente, combinada com descontrole moral. Não se trata de uma simples rebeldia adolescente, mas de um comportamento destrutivo para a família e para a comunidade, tratado como ameaça à santidade do povo.
O condenado pendurado em madeiro é descrito como maldito de Deus, e seu corpo não pode ficar exposto durante a noite. O cuidado em sepultá-lo no mesmo dia mostra respeito pela terra, pelo corpo humano e pela necessidade de não prolongar o sinal da maldição no meio do povo.
Deuteronômio 21 faz parte do grande discurso de Moisés às vésperas da entrada de Israel na terra prometida. O povo está às margens do Jordão, prestes a deixar o deserto e organizar-se como nação estabelecida. Nesse contexto, são dadas leis que tratam de situações menos frequentes, mas muito delicadas, voltadas à preservação da pureza da terra, da justiça comunitária e da ordem familiar.
A primeira situação (vs. 1–9) usa um ritual com a novilha em um vale não cultivado, envolvendo anciãos e sacerdotes. Isso reflete uma sociedade agrária, em que a terra, o sangue e o culto a Deus estão profundamente ligados. O assassinato não resolvido não podia ser ignorado; a culpa “pendente” ameaçava toda a comunidade.
Os versículos 10–14 se referem às guerras de conquista e às prisioneiras de povos inimigos. Em contraste com outros povos do Antigo Oriente Próximo, que frequentemente tratavam prisioneiras apenas como saque, Israel recebe normas que introduzem certo grau de dignidade: tempo de luto, mudança de roupas, proibição de venda como escrava.
Nos versículos 15–17, a lei sobre o primogênito dialoga com uma cultura em que a primogenitura tinha implicações econômicas, sociais e espirituais. Em uma realidade onde a poligamia existia, esta lei funciona como contenção do favoritismo, algo também visto na própria história de patriarcas como Jacó.
O caso do filho rebelde (18–21) situa-se numa época em que a família era a unidade básica da sociedade e a desintegração da autoridade dos pais ameaçava a estabilidade coletiva. A participação dos anciãos na porta da cidade indica um sistema jurídico comunitário, não uma decisão privada e impulsiva dos pais.
Por fim, a regulamentação sobre o corpo do condenado pendurado (22–23) reflete a necessidade de afastar a impureza cerimonial da terra. No contexto da aliança, a terra é dom de Deus e deve permanecer limpa da memória prolongada da maldição e do juízo.
O capítulo se organiza em cinco blocos legislativos, cada um tratando de um caso específico, geralmente em forma de casuística (“Quando... então...”):
Assassinato não esclarecido e ritual de expiação (21.1–9)
Prisioneira de guerra como esposa (21.10–14)
Direito do primogênito em lar com duas esposas (21.15–17)
Filho contumaz e rebelde (21.18–21)
Condenado pendurado em madeiro (21.22–23)
Deuteronômio 21 revela a seriedade da aliança de Deus com seu povo e como isso se traduz em leis para situações difíceis.
Em primeiro lugar, destaca-se a santidade da vida. O sangue inocente clamando da terra é um tema que remete a Gênesis (Caim e Abel) e se renova aqui. O assassinato não esclarecido não podia ser varrido para baixo do tapete. A comunidade precisava lidar com a culpa diante de Deus, reconhecendo que toda injustiça afeta a relação com Ele.
Além disso, o capítulo mostra que Deus não se desinteressa dos detalhes duros da realidade: guerra, violência, conflitos familiares, filhos rebeldes, execução de criminosos. A lei não legitima a violência por si, mas a cerca de limites. Em um contexto antigo marcado por abusos, o texto coloca freios: proteção parcial da prisioneira de guerra; garantia de direito ao filho não favorecido; necessidade de processo público no caso do filho contumaz; e até respeito ao corpo do condenado.
A justiça de Deus envolve tanto dimensão comunitária quanto familiar. Pais não podem distorcer a herança por afeto preferencial; a rebeldia extrema não é apenas problema privado, mas risco à ordem do povo de Deus. As portas da cidade, onde se julgava, tornam-se símbolo de que a fé bíblica não está restrita ao culto, mas se traduz em decisões concretas do dia a dia.
Há também uma dimensão de pureza da terra. A terra é dom da graça divina e não deve ser manchada nem pelo sangue inocente nem pela prolongação do sinal de maldição (corpo no madeiro). Essa ligação entre pecado, culpa e território reforça a ideia de que a vida em aliança abrange todas as esferas: espiritual, social e material.
Por fim, a afirmação de que o pendurado em madeiro é “maldito de Deus” ganha grande relevo posterior, quando a tradição cristã enxerga nessa imagem uma chave para entender a morte de Cristo como aquele que tomou sobre si a maldição da lei. Em seu contexto original, porém, o foco do texto é sublinhar a seriedade do juízo divino e a necessidade de que até o ato de justiça seja conduzido com respeito à santidade da terra e à dignidade mínima do corpo humano.
Este capítulo lida com temas que tocam dores humanas profundas: morte violenta, culpa coletiva, abuso de poder, favoritismo familiar, rebeldia destrutiva e juízo severo. Em todos esses cenários, aparece a tensão entre justiça e cuidado, entre limite e compaixão.
Há uma dimensão de luto e purificação comunitária no ritual pelo morto desconhecido. A comunidade não é autorizada a ignorar a dor, mas precisa reconhecer que algo grave aconteceu e trazer essa realidade à presença de Deus. Isso se conecta a processos de elaboração de traumas coletivos, onde se reconhece a perda, a culpa possível e a necessidade de restauração.
A lei sobre a prisioneira de guerra, mesmo dentro de uma cultura antiga marcada pela desigualdade, mostra um movimento em direção à humanização de quem está vulnerável: reconhecimento do luto, tempo de adaptação, proibição de exploração posterior. Essa perspectiva ajuda a refletir sobre como estruturas legais podem tanto ferir como proteger os mais fracos.
As leis sobre o primogênito e o filho rebelde expõem dinâmicas familiares complexas: favoritismo, injustiça, rebeldia crônica. O texto não romantiza a família; mostra que ela pode ser lugar de dor e conflito, mas também de responsabilidade séria diante de Deus e da comunidade.
Por fim, a preocupação com o corpo do condenado lembra que, mesmo em cenários de culpa e punição, ainda há um resquício de dignidade a ser preservado. Em termos terapêuticos, isso fala da necessidade de reconhecer a humanidade, mesmo em quem errou gravemente, e de não prolongar sinais de vergonha para além do necessário.
O conteúdo deste capítulo pode acionar gatilhos importantes:
Em contextos pastorais e terapêuticos, é importante ler o capítulo com cuidado, ressaltando o contexto histórico-cultural, evitando o uso dessas passagens para justificar violência, abandono familiar, punições cruéis ou opressão religiosa. Uma abordagem responsável precisa distinguir entre a descrição de leis para Israel antigo e aplicações éticas para hoje, enfatizando a centralidade do amor, da misericórdia e da justiça equilibrada.
Deuteronômio 21 oferece princípios que podem ser traduzidos para a realidade atual, mesmo que suas formas específicas pertençam a outro tempo.
Valor da vida e responsabilidade coletiva: a comunidade não deve naturalizar mortes violentas nem injustiças sem solução. O princípio de enfrentar o “sangue inocente” inspira compromissos com transparência, investigação séria, cuidado com famílias enlutadas e políticas que protejam a vida, sobretudo de pessoas vulneráveis.
Limites na vitória e no poder: em contextos de poder (seja guerra, seja cargos, seja relacionamentos desiguais), este capítulo chama atenção para a tentação de tratar pessoas como coisas. O caminho de Deus aponta para estabelecer limites e garantir o mínimo de dignidade e liberdade a quem está na posição mais frágil.
Justiça acima de favoritismos: na família, no trabalho ou em qualquer grupo, o princípio que protege o direito do primogênito lembra que decisões não devem ser guiadas apenas por simpatias pessoais. Critérios estáveis, justos e transparentes são essenciais para evitar feridas duradouras de injustiça e comparação.
Seriedade da rebeldia persistente: sem replicar as penas antigas, o texto alerta para os efeitos destrutivos de uma rebeldia que despreza continuamente correções e conselhos. Comunidades saudáveis não ignoram comportamentos autodestrutivos e prejudiciais ao grupo; procuram formas responsáveis de intervenção, disciplina e, se possível, restauração.
Dignidade mesmo no erro: o cuidado com o corpo do condenado mostra que, mesmo quando alguém é culpado, existem limites éticos no modo de punir e de expor. Isso se aplica hoje a debates sobre sistema prisional, linguagem pública sobre quem erra, cultura do cancelamento e formas de lidar com a vergonha: juízo não deve se transformar em crueldade nem em espetáculo.
No conjunto, o capítulo convida a uma ética que leva a sério a santidade de Deus e, ao mesmo tempo, procura proteger a vida, a dignidade e a justiça nas relações humanas.
No contexto de Israel, o derramamento de sangue inocente contaminava a terra e colocava a comunidade debaixo de culpa diante de Deus. Quando não se sabia quem era o culpado, não bastava ignorar o fato. O ritual com a novilha, os anciãos e os sacerdotes representava um reconhecimento público da gravidade do crime, a confissão de que a cidade mais próxima não sabia quem matou, o pedido de misericórdia a Deus e a busca por expiação. Assim, o povo afirmava que não aceitava a normalização da violência nem a indiferença diante da morte injusta.
O texto descreve uma realidade dura do mundo antigo, em que a guerra frequentemente resultava em escravidão e abuso sexual. Dentro dessa realidade, a lei de Deuteronômio 21 coloca limites: permite apenas o relacionamento dentro da estrutura de casamento, exige um período de luto e transição, proíbe a venda posterior como escrava e impede que a mulher seja tratada como simples propriedade. Isso não significa que o modelo seja ideal ou normativo para todos os tempos, mas revela um movimento de proteção maior em comparação com outras culturas da época.
O direito de primogenitura era o privilégio jurídico e econômico do primeiro filho homem, que recebia porção dobrada da herança. Isso vinha acompanhado de responsabilidades, como sustentar a família em certas situações e dar continuidade ao nome e ao patrimônio. Em Deuteronômio 21, a lei impede que o pai, por favoritismo, desvie a primogenitura do filho mais velho apenas porque ama mais outra esposa e outro filho. A intenção é garantir uma justiça estável, não sujeita aos humores afetivos do pai.
O filho descrito no texto não é apenas desobediente ocasional, mas alguém que persiste na rebeldia mesmo após correções e disciplina dos pais. Ele é caracterizado como comilão e beberrão, termos que apontam para descontrole moral e vícios que trazem vergonha e prejuízo à família. Em uma sociedade onde a família sustentava a estrutura social e econômica, um filho assim era visto como ameaça séria, e o caso chegava à esfera pública, aos anciãos da cidade. A pena severa reflete tanto a gravidade atribuída a esse comportamento quanto o contexto jurídico do Israel antigo, não devendo ser transferida literalmente para práticas atuais.
No contexto de Deuteronômio 21, pendurar alguém em madeiro após a execução era um sinal público de que aquela pessoa estava sob juízo divino por causa de pecado grave. A expressão “maldito de Deus” indica que a pessoa carregava, de forma exemplar, o peso da condenação da lei. Por isso, seu corpo não podia ficar exposto à noite, para que a maldição não permanecesse simbolicamente sobre a terra. O sepultamento rápido evitava prolongar o sinal visível de juízo e preservava a pureza da terra concedida pelo Senhor.
Este capítulo toca em histórias de morte, injustiça, violência e conflitos dentro de casa. Tem cenas duras, que lembram como o mundo pode ser cruel. No meio disso, aparecem pequenos sinais de cuidado: uma comunidade que não ignora o corpo de alguém jogado no campo; anciãos e sacerdotes que se levantam para dizer, diante de Deus: “não fomos nós, mas precisamos da tua misericórdia”; uma mulher estrangeira que ganha tempo para chorar a família perdida; até um condenado que, mesmo errado, não deve ter o corpo exposto para sempre. Deus não se afasta dos lugares difíceis. Ele entra em assuntos que muitos preferem não ver: lutos sem resposta, relações marcadas por abuso de poder, famílias feridas por favoritismo e rebeldia, histórias que acabam em vergonha. Não é um Deus indiferente. É um Deus que olha para o sangue derramado, para a dor que ficou, para a culpa que ninguém sabe exatamente onde colocar. Há também um peso, é verdade: a noção de que certas atitudes destroem tanto, que toda a comunidade precisa se posicionar. Isso pode assustar quem já se sente culpado demais ou vem de ambientes religiosos muito severos. Olhando o capítulo inteiro, porém, aparece um fio que atravessa tudo: Deus leva a sério a vida humana e não aceita que a maldade seja tratada com leveza. Para quem carrega memórias de injustiça, de brigas familiares, de disciplina que virou violência ou de vergonha pública, esse texto pode ser doloroso. Ele também pode lembrar que, na história bíblica, Deus caminha com um povo real, cheio de dureza. Não é um povo perfeito; é um povo em processo. E, mesmo num contexto de leis tão fortes, já se percebe uma direção: a vida vale, a dignidade importa, a terra e as pessoas não foram feitas para viver sob maldição permanente. No fundo, este capítulo sussurra que Deus vê até o que caiu no campo, esquecido, sem explicação. Ele vê o injustiçado, o humilhado, o rejeitado, o envergonhado. E preparar um caminho de justiça, ainda que duro, também é uma forma de dizer: a dor não passa despercebida, e a maldade não terá a última palavra.
Deuteronômio 21 é um bom exemplo de legislação casuística em Israel: leis formuladas a partir de casos específicos, que iluminam princípios gerais. O conjunto do capítulo revela um fio condutor: a relação entre culpa, santidade e convivência na terra prometida. Nos versículos 1–9, a lei sobre o morto não identificado ecoa a tradição bíblica de que o sangue inocente clama a Deus. Quando o culpado é desconhecido, a culpa potencial paira sobre a comunidade inteira. O rito com a novilha, envolvendo anciãos (representantes civis) e sacerdotes (representantes cultuais), cria uma ponte entre a esfera jurídica e a litúrgica. A lavagem de mãos e a declaração de inocência não são mero formalismo: estabelecem publicamente que o povo repudia o crime e suplica expiação divina. Na sequência (10–14), temos uma lei de guerra que funciona como limitação a práticas comuns de abuso. Em vez de permitir a apropriação imediata e sexual da prisioneira, a lei impõe um intervalo: raspar a cabeça, cortar as unhas, trocar as vestes de cativeiro, chorar os pais. São sinais de ruptura com a identidade anterior, mas também de reconhecimento da sua humanidade. O dispositivo que proíbe vendê-la depois reforça que ela não pode ser tratada como simples mercadoria. Os versículos 15–17 deslocam o foco para a herança. Num contexto de poligamia tolerada, a lei protege o primogênito contra distorções baseadas em afetos. O pai não tem liberdade absoluta para reorganizar a herança conforme sua preferência. Assim, a primogenitura é tratada como direito objetivo, não como prêmio emocional. Em termos teológicos, isso ressalta que a aliança molda até a estrutura de poder dentro da família. O caso do filho contumaz (18–21) é um dos textos mais difíceis à leitura moderna. A criteriosa formulação do texto indica que não se trata de um jovem questionador, mas de alguém marcado por rebeldia persistente, não responsiva à disciplina, associado a comportamentos degradantes (comilança e embriaguez). A ida até os anciãos na porta da cidade retira o poder de vida e morte das mãos dos pais sozinhos; há um julgamento comunitário. A pena de apedrejamento se conecta ao tema “tirarás o mal do meio de ti”, recorrente em Deuteronômio, reforçando o caráter exemplar da medida. Por fim, os versículos 22–23 lidam com um caso de exposição pós-execução, comum em vários povos da região. O texto permite a exposição temporária como sinal público de juízo, mas a limita estritamente: o corpo não pode pernoitar no madeiro. A explicação teológica é contundente: o pendurado é maldito de Deus. Isso não significa que todo condenado seja menos humano, mas que sua situação ilustra o peso da maldição da aliança para transgressores graves. O cuidado em sepultá-lo ainda no mesmo dia mostra tensão entre a necessidade de tornar o juízo visível e a necessidade de não prolongar o estado de impureza sobre a terra. Assim, o capítulo projeta uma sociedade em que crimes não podem ser ocultados, vitórias militares não suspendem a ética, afetos não distorcem a justiça, desordens familiares persistentes não são banalizadas e nem mesmo a punição do culpado dispensa respeito por limites morais. Tudo isso sob a consciência de que Deus é Senhor da terra e juiz do seu povo.
Lendo Deuteronômio 21 com olhar prático, aparecem várias lições sobre como organizar a vida em comunidade e dentro de casa. O primeiro bloco ensina que tragédias sem explicação não devem ser varridas para debaixo do tapete. Quando a morte ou a injustiça acontecem e ninguém se responsabiliza, um lugar saudável precisa assumir, coletivamente, que algo grave ocorreu. Na prática, isso inspira transparência: investigações sérias, apoio a famílias enlutadas, cuidado para que casos difíceis não sejam silenciados nem tratados como simples estatística. A lei sobre a prisioneira de guerra mostra que ter poder sobre alguém não autoriza usar essa pessoa como objeto. Há um princípio importante aqui: em qualquer relação desigual (chefe e funcionário, líder e liderado, cônjuges com forte diferença de dependência, etc.), quem tem mais poder é chamado a colocar limites em si mesmo. O texto aponta para a importância de reconhecer a dor da outra pessoa, dar tempo de adaptação e não transformar o relacionamento em coisa descartável. Quanto ao primogênito, o foco é a justiça acima de favoritismos. Famílias, times de trabalho, ministérios e grupos em geral adoecem quando decisões importantes são tomadas por simpatia pessoal, e não por critérios justos. O capítulo convida a revisar como se distribuem responsabilidades, oportunidades e recompensas, para que a organização não seja guiada apenas por quem é “queridinho” de alguém. O trecho sobre o filho contumaz, embora pertença a outro tempo e não sirva como modelo de punição hoje, levanta um ponto relevante: rebeldia crônica, unida a vício e desrespeito contínuo, não é apenas “fase”. A comunidade precisa desenvolver formas responsáveis de lidar com comportamentos que destroem a si mesmos e aos outros, oferecendo limites, ajuda, mas também proteção aos que sofrem ao redor. A mensagem não é autorizar castigos extremos, e sim lembrar que ignorar problemas sérios também é uma forma de abandono. Por fim, o cuidado com o corpo do condenado aponta para um princípio atual: até quem erra gravemente continua sendo humano. Em tempos de exposição pública, cancelamento nas redes e humilhação prolongada, o texto lembra que existe um limite ético na forma de lidar com a culpa dos outros. Punir, corrigir, responsabilizar é necessário; transformar o erro numa vitrine permanente de vergonha, não. No cotidiano, Deuteronômio 21 encoraja a construir ambientes onde a vida é levada a sério, o poder é vigiado, a justiça vale mais do que preferências pessoais, problemas críticos são enfrentados e até o pecador é tratado com um mínimo de respeito à sua humanidade.
Espiritualmente, este capítulo coloca a alma diante de duas realidades que caminham juntas: a santidade de Deus e a fragilidade humana. A terra prometida não é apenas um espaço geográfico, mas um cenário de relacionamento profundo entre Deus e seu povo. Por isso, sangue inocente, injustiça familiar, rebeldia persistente e maldição não podem ser tratados como detalhes. O ritual pelo morto desconhecido mostra um povo que, mesmo sem saber quem errou, se coloca diante de Deus pedindo expiação. Há uma consciência de que a culpa, mesmo difusa, pesa espiritualmente sobre a comunidade. Isso aponta para uma dimensão muitas vezes esquecida: o pecado não é apenas questão individual; ele repercute no tecido espiritual do povo. A intercessão, a confissão e a busca de reconciliação fazem parte da saúde espiritual coletiva. A prisioneira de guerra, o filho primogênito e o filho rebelde ilustram como o pecado afeta relações profundamente cotidianas: casamento, herança, autoridade de pais, uso do corpo, comida, bebida. A espiritualidade bíblica não separa vida com Deus de decisões concretas sobre poder, afeto e disciplina. O modo como alguém trata quem está em posição frágil, o modo como lida com favoritismos e o modo como responde à correção revelam algo sobre o coração diante de Deus. O texto também fala da seriedade da rebeldia que resiste persistentemente à correção. Não se trata de uma alma em luta sincera, que cai e se levanta, mas de uma postura de endurecimento, que rejeita qualquer voz de sabedoria. Espiritualmente, isso ecoa o perigo de um coração que, ao longo do tempo, se torna insensível à verdade, à graça e ao chamado ao arrependimento. Quando o capítulo afirma que o pendurado em madeiro é “maldito de Deus”, sublinha o peso extremo do pecado à luz da aliança. A imagem do corpo exposto, e logo sepultado, é um lembrete visível de que a maldição é real, mas também não é chamada a permanecer indefinidamente pairando sobre a terra. Há algo de paradoxal aqui: o juízo é sério, porém o próprio texto limita o alcance simbólico da maldição ao ordenar o sepultamento no mesmo dia. À luz de toda a Escritura, essa tensão prepara o coração para compreender que a maldição não é a palavra final de Deus. Mesmo no Antigo Testamento, a lei que mostra a gravidade do pecado convive com o chamado à misericórdia, à expiação e ao perdão. Deuteronômio 21, com sua dureza, lembra a profundidade do problema do pecado e, ao mesmo tempo, a necessidade de uma solução que vá além do mero castigo: uma obra de Deus que possa, de fato, tirar o mal do meio do povo e restaurar a terra, a comunidade e o coração à plena comunhão com Ele.
" E dizia também aos seus discípulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens. "
" E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo. "
" E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha. "
" Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas. "
Lucas 16:4 mostra o administrador percebendo que precisa agir com urgência e inteligência antes de perder o cargo. O versículo ensina a planejar bem o …
Ler análise completa" E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor? "
" E ele respondeu: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e assentando-te já, escreve cinqüenta. "
" Disse depois a outro: E tu, quanto deves? E ele respondeu: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e escreve oitenta. "
" E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz. "
" E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. "
" Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito. "
Lucas 16:10 mostra que o caráter aparece nas pequenas escolhas do dia a dia. Quem é honesto com pouco dinheiro, nos horários, nas tarefas simples …
Ler análise completa" Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras? "
Lucas 16:11 ensina que a forma de lidar com dinheiro e bens materiais revela se alguém é confiável para receber bênçãos maiores de Deus. Quando …
Ler análise completa" E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso? "
" Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. "
" E os fariseus, que eram avarentos, ouviam todas estas coisas, e zombavam dele. "
" E disse-lhes: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações, porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação. "
" A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele. "
Lucas 16:16 mostra que, com João Batista e Jesus, começa uma nova fase: o centro não é mais a lei antiga, mas o anúncio do …
Ler análise completa" E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei. "
" Qualquer que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido, adultera também. "
Lucas 16:18 mostra que Deus leva o casamento muito a sério e vê o divórcio sem causa justa e o novo casamento como adultério. A …
Ler análise completa" Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. "
Lucas 16:19 mostra um rico que vivia no luxo, indiferente ao sofrimento ao seu redor. O versículo alerta contra uma vida centrada em status, consumo …
Ler análise completa" Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele; "
" E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. "
" E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. "
" E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. "
" E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. "
" Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. "
" E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. "
" E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, "
" Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. "
" Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. "
Lucas 16:29 mostra que Deus já deixou orientação suficiente na Bíblia. Em vez de exigir sinais especiais, a pessoa é chamada a levar a sério …
Ler análise completa" E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. "
" Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite. "
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