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Lucas 16:19 - Significado e aplicacao
Entenda como este versiculo fala com o que voce esta vivendo e como aplica-lo hoje
Traducao: Almeida Corrigida Fiel
" Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. "
Lucas 16:19
O que significa Lucas 16:19?
Lucas 16:19 mostra um rico que vivia no luxo, indiferente ao sofrimento ao seu redor. O versículo alerta contra uma vida centrada em status, consumo e conforto, como gastar tudo consigo mesmo, ignorando vizinhos em necessidade, familiares endividados ou pessoas em situação de rua, sem compaixão nem responsabilidade.
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Versiculo no contexto
Entender os versiculos ao redor evita interpretacoes incorretas:
E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.
Qualquer que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido, adultera também.
Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.
Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele;
E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas.
Comentario Bible Guided
Assim como a parábola do filho pródigo coloca diante de nós a graça do evangelho, que nos anima a todos, esta parábola coloca diante de nós a ira vindoura, e tem o propósito de nos despertar. As pessoas estão profundamente adormecidas em seu pecado, se nem mesmo isso as abala. Os fariseus, que zombaram da advertência de Cristo contra o amor ao dinheiro e ao conforto, precisavam de algo que os tornasse mais sérios. Esta parábola faz isso ao mostrar o fim tanto da riqueza quanto da pobreza no mundo vindouro.
O evangelho de Cristo tende tanto a nos ajudar a aceitar a pobreza e o sofrimento, quanto a nos guardar do amor ao mundo e de uma vida sensual, isto é, vivida apenas para o prazer do corpo. Esta parábola cumpre os dois objetivos ao erguer o véu e mostrar o resultado no mundo por vir. Ela é diferente de outras parábolas de Cristo, nas quais as verdades espirituais são ilustradas por comparações terrenas, como o semeador e a semente, ou as ovelhas e os bodes. Aqui, a verdade espiritual é apresentada diretamente por meio de uma história sobre a condição diferente do justo e do ímpio neste mundo e no próximo.
Não precisamos tratá-la como registro de um acontecimento único e exato, mas ela espelha o que acontece todos os dias. Pobres piedosos, que os outros ignoram e pisam, morrem saindo de suas aflições e entram em alegria celestial, tornada ainda mais doce pelas tristezas que antes suportaram. Ricos entregues a si mesmos, que vivem em conforto e tratam os pobres sem misericórdia, morrem e entram em tormentos insuportáveis, agravados pela vida de prazeres que levaram. E uma vez ali, não podem obter qualquer alívio.
Se é uma parábola, onde está a “semelhança”? O diálogo entre Abraão e o rico é, na verdade, um recurso adicional, um quadro a mais para tornar a lição mais impactante, semelhante ao diálogo entre Deus e Satanás em Jó. Nosso Salvador veio tornar-nos mais familiarizados com o mundo vindouro e mostrar como este mundo aponta para ele. É isso que ele faz aqui.
Nessa descrição, como a chamaremos, podemos notar a diferença de condição entre um rico ímpio e um pobre piedoso neste mundo. Alguns, incluindo antigos judeus e outros depois deles, estavam prontos para tomar o sucesso exterior como sinal do favor de Deus. Mal conseguiam pensar bem de uma pessoa pobre. Cristo sempre corrigiu esse engano, e aqui o faz de maneira muito completa.
“Havia um homem rico” (Lucas 16:19). Costuma-se chamá-lo de Dives, palavra latina para “rico”. Mas já se observou que ele não recebe um nome próprio, ao contrário do pobre, porque dar nome a um rico numa cena dessas poderia despertar inveja e ira. Outros entendem que Cristo não quis honrar o rico com um nome, embora ele talvez imaginasse que suas terras manteriam sua memória viva por mais tempo que a do mendigo à sua porta. No entanto, aqui o nome do mendigo é preservado, enquanto o do rico se perde.
Esse homem rico “vestia-se de púrpura e de linho finíssimo”. Esse era o seu grande aparato. Tinha linho finíssimo para conforto, roupa limpa todos os dias, roupa de dia e roupa de noite. Usava púrpura por status, pois era traje de príncipes, e alguns pensam que Cristo talvez tivesse Herodes em mente. Ele nunca saía a não ser em grande esplendor. Além disso, “vivia todos os dias regalada e esplendidamente”: uma mesa farta com o melhor da comida, iguarias preparadas pela arte e pela natureza, rica prataria, servos com trajes caros e convidados que acrescentavam honra à sua casa.
O que havia de errado nisso? Não é pecado ser rico, vestir púrpura e linho finíssimo, ou manter uma mesa farta, se a pessoa pode fazê-lo. Não é dito que ele adquiriu seus bens por fraude, opressão ou extorsão. Nem mesmo se diz que fosse dado à bebedeira ou que fizesse outros se embriagarem. Contudo, Cristo está mostrando várias coisas. Uma pessoa pode ter muitos bens, beleza e prazer exteriores, e ainda assim perecer debaixo da ira e maldição de Deus. Não podemos concluir que Deus ama alguém porque lhe dá muito, nem que alguém ama a Deus porque recebe muito. A verdadeira felicidade não está nessas coisas.
Abundância e prazer também são perigosos, e para muitos se tornam um laço mortal. Conduzem ao luxo, ao egoísmo e ao esquecimento de Deus e do mundo vindouro. Esse homem poderia ter sido feliz se não tivesse posses e confortos tão grandes. O bem-estar e o deleite do corpo arruínam muitas almas e prejudicam seus maiores interesses. Comer boa comida e vestir boas roupas é lícito, mas isso muitas vezes se torna combustível para orgulho e luxo e, então, se torna pecado. Banquetear a nós mesmos e aos nossos amigos, enquanto ignoramos as angústias dos pobres e aflitos, é altamente ofensivo a Deus e mortal para a alma. O pecado do rico não estava principalmente em suas roupas ou em sua comida, mas no fato de que cuidava apenas de si mesmo.
Aqui também aparece um homem piedoso, destinado à felicidade eterna, em profunda pobreza e aflição. “Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro” (Lucas 16:20). Um mendigo com esse nome, conhecido por devoção e grande sofrimento, provavelmente era bem conhecido entre os piedosos naqueles dias. Era um mendigo, talvez um daqueles cujo nome significa “ajuda de Deus”, justamente aquilo de que os pobres precisam quando toda outra ajuda lhes falta. Este homem tinha sido reduzido ao estado mais baixo de miséria exterior que se poderia imaginar.
Seu corpo estava coberto de chagas, como o de Jó. Estar doente e fraco já é grande aflição, mas as chagas são ainda mais dolorosas e muito mais desagradáveis para quem convive com o doente. Além disso, era obrigado a mendigar pão e viver de restos de portas de ricos. Estava tão fraco e debilitado que nem sequer podia ir ali por si mesmo: precisava ser levado por alguém compassivo e colocado à porta do homem rico.
Os que não podem ajudar os pobres com dinheiro devem ajudá-los com esforço. Se não podem dar uma moeda, podem estender a mão. Se não podem levar pessoalmente o socorro, podem ir buscar quem o leve. Lázaro não tinha nada de seu para se sustentar, nenhuma família a quem recorrer, nem um sistema público que cuidasse dele. É sinal da triste decadência da igreja judaica naquele tempo o fato de um homem tão piedoso ser deixado sofrer por falta do necessário para viver.
Note o que ele desejava da mesa do rico: “desejava alimentar-se das migalhas” (Lucas 16:21). Ele nem sequer pedia as sobras da mesa do rico, embora tivesse direito a receber do melhor da comida. Teria ficado grato com as migalhas que caíam debaixo da mesa, os pedaços quebrados deixados pelo rico, até os restos dados aos cães. Os pobres precisam suplicar e ficar contentes com qualquer coisa que possam conseguir.
Isso é mencionado, primeiro, para mostrar a aflição do pobre e seu espírito humilde. Era pobre, mas se conformava em ser pobre. Não ficava à porta do rico gritando e fazendo escândalo. Antes, desejava, de modo silencioso e modesto, algumas migalhas para comer. Esse miserável era um bom homem, e estava debaixo do favor de Deus. Muitas vezes alguns dos santos e servos mais queridos de Deus sofrem intensamente neste mundo, enquanto pessoas ímpias prosperam e têm de sobra. Veja (Salmo 73:7, Salmo 73:10, Salmo 73:14). Aqui estava um filho da ira e herdeiro do inferno desfrutando casa farta e comida delicada, enquanto um filho do amor e herdeiro do céu jazia à porta, passando fome. Portanto, não devemos julgar a condição espiritual das pessoas por sua condição exterior.
Em segundo lugar, isso mostra a atitude do rico para com ele. Não é dito que o insultasse, que o expulsasse da porta ou que lhe fizesse mal direto. Mas ele claramente o ignorava. Não se importava com ele, não tinha nenhum cuidado por ele. Diante de sua própria porta havia um caso real e comovente que pedia caridade. O pobre tinha boa reputação, comportava-se bem, tinha todo motivo para ser socorrido. Um pequeno cuidado faria enorme diferença para ele. Ainda assim, o rico nem mesmo mandou colocá-lo num celeiro ou qualquer outro abrigo. Apenas o deixou ali.
Não basta que não esmaguemos nem maltratemos os pobres. Seremos considerados infiéis com os bens de nosso Senhor, naquele grande dia, se não os ajudarmos e aliviarmos. O juízo mais temível inclui estas palavras: “Tive fome, e não me destes de comer”. É difícil entender como pessoas ricas que leram o evangelho de Cristo e afirmam crer nele podem muitas vezes ser tão indiferentes às necessidades e sofrimentos dos pobres.
Os cães também o trataram de uma certa maneira. “E os cães vinham lamber-lhe as chagas.” O rico provavelmente mantinha cães de caça ou cães para seu prazer, e eles eram bem alimentados, enquanto o pobre Lázaro não conseguia o suficiente para se manter vivo. Os que alimentam seus cães e negligenciam os pobres terão muito que responder depois. É grande vergonha para muitos ricos que gastem com seus próprios confortos e prazeres o que poderia suprir necessidades e animar o coração de muitos cristãos aflitos. Ofendem a Deus e tratam com desprezo a vida humana quando mimam cães e cavalos e deixam famílias de vizinhos pobres passarem necessidades.
Esses cães vinham lamber as feridas do pobre Lázaro, e isso pode ser entendido de duas maneiras. Primeiro, como algo que piorava sua miséria. Suas chagas sangravam, e isso atraía os cães, como em outras passagens em que cães são atraídos por sangue (1 Reis 21:19; Salmos 68:23). Eles o atacavam ainda em vida, quase como se ele já estivesse morto. Ele não tinha força para afastá-los, e nenhum dos servos era bondoso o bastante para impedi-los. Os cães agiam como o seu dono, como se estivessem desfrutando um banquete ao se alimentarem de sangue humano.
Em segundo lugar, isso pode ser visto como um pequeno alívio em seu sofrimento. O senhor era duro de coração, mas os cães vinham lamber suas feridas, o que pode ter ajudado a limpá-las e acalmá-las um pouco. Não está dito que as sugavam, mas que as lambiam, e isso podia ter algum efeito benéfico. Os cães foram mais bondosos com ele do que o próprio dono.
Agora aparece o contraste entre a condição desse pobre piedoso e desse rico perverso na hora da morte e depois dela. Até aqui o homem mau parecia estar em vantagem, mas é preciso esperar para ver o desfecho. Ambos morreram (Lucas 16:22). O mendigo morreu, e o rico também morreu. A morte chega a ricos e pobres, piedosos e ímpios igualmente, e ali todos se encontram. Um morre em plena força, outro em profunda aflição, mas juntos se deitam no pó (Jó 21:26). A morte não favorece o rico por causa de sua riqueza, nem o pobre por causa de sua pobreza. Os santos morrem para que suas tristezas terminem e suas alegrias comecem. Os pecadores morrem para prestar contas de sua vida. Ricos e pobres igualmente precisam se preparar para a morte, porque ela vem para ambos.
O mendigo morreu primeiro. Deus muitas vezes tira os piedosos deste mundo enquanto deixa os ímpios continuarem a prosperar. Para o mendigo, foi misericórdia que seu sofrimento tenha acabado depressa. Como não podia encontrar outro abrigo ou descanso, foi escondido no túmulo, onde descansam os cansados.
O homem rico morreu e foi sepultado. Nada é dito sobre o sepultamento do pobre. Provavelmente cavaram uma cova em qualquer lugar e lançaram ali seu corpo sem qualquer cerimônia. Foi enterrado como um animal. É possível até que tenham deixado os mesmos cães que lambiam suas feridas roerem seus ossos. Mas o rico teve um grande funeral, deitado com honra, seguido por pranteadores, e um belo monumento foi colocado sobre o seu túmulo. Talvez ainda tenha havido um discurso fúnebre elogiando-o, falando de sua generosidade e da grande mesa que mantinha, pronunciado por aqueles que haviam desfrutado de sua hospitalidade. A Escritura diz que o ímpio é levado ao sepulcro com pompa, e posto na sepultura, e as pedras do vale lhe são adoçadas, se isso fosse possível (Jó 21:32, Jó 21:33). No entanto, toda essa cerimônia nada acrescenta à verdadeira felicidade do homem.
O mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. Quão maior foi a honra dada à sua alma, conduzida ao descanso por essa escolta celestial, do que a honra dada ao corpo do rico, carregado com tanta pompa até a sepultura. Observe-se três coisas. Primeiro, sua alma continuou existindo separada do corpo. Ela não morreu nem adormeceu com o corpo. Sua vida não se extinguiu com ele. Ele continuava vivo, consciente, agindo e sabendo o que lhe acontecia. Segundo, sua alma foi para outro mundo, o mundo dos espíritos, de volta para Deus que a deu, de volta ao seu verdadeiro lar. Isso faz parte do sentido de ter sido “carregada” para lá. O espírito do ser humano sobe para o alto. Terceiro, anjos cuidaram dela. Ela foi levada por anjos.
Eles são espíritos ministradores em favor dos que hão de herdar a salvação, não apenas enquanto vivem, mas também quando morrem. Deus lhes encarregou uma missão a respeito do seu povo, de sustentá-los em suas mãos, não só em suas jornadas aqui na terra, mas na grande viagem até seu lar eterno no céu. São guias e guardas em meio a lugares desconhecidos e perigosos.
A alma humana, se não estiver acorrentada à terra e por ela sobrecarregada, como acontece com as almas ímpias, tem uma espécie de impulso interior que a faz subir assim que se vê livre do corpo. Mas Cristo não confia seu povo apenas a isso. Ele envia mensageiros especiais para levá-los a si. Um anjo talvez parecesse suficiente, mas aqui aparecem vários, assim como muitos foram enviados para buscar Elias. Conta-se que Amasis, rei do Egito, fazia seu carro ser puxado por reis; mas que honra é essa comparada a esta? Os crentes sobem pelo poder da ascensão de Cristo, mas essa escolta de anjos lhes é acrescentada como dignidade e honra.
Os santos são conduzidos para o lar não apenas em segurança, mas com honra. De que valem os carregadores no funeral do rico, ainda que fossem homens de alta posição, comparados aos carregadores de Lázaro? Os anjos não tiveram medo de tocá-lo, porque as feridas estavam em seu corpo, não em sua alma. Sua alma foi conduzida a Deus sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante. Um bom homem disse certa vez, ao morrer: “Agora, benditos anjos, vinde cumprir o vosso dever”.
Ele foi levado para o seio de Abraão. Os judeus descreviam a felicidade dos justos depois da morte de três maneiras: ir para o jardim do Éden, ficar debaixo do trono da glória e ir para o seio de Abraão. É essa a figura que nosso Salvador usa aqui. Abraão era o pai dos fiéis, e para onde deveriam ser recolhidas as almas dos fiéis senão para junto dele? Como um pai afetuoso, ele as recebe em seu seio, especialmente quando ali chegam pela primeira vez, para as acolher e restaurar depois das tristezas e fadigas deste mundo.
Ele foi levado para o seio de Abraão, isto é, para participar de um banquete com ele. Nos banquetes, os convidados se reclinavam próximos uns dos outros, podendo recostar-se no peito do outro. No céu, os santos se assentam com Abraão, Isaque e Jacó. Abraão foi um grande e rico patriarca, mas no céu não julga indigno de si receber o pobre Lázaro em seu seio. Santos ricos e santos pobres se encontram no céu. Esse Lázaro pobre, que não conseguia sequer entrar pelo portão do rico, é levado para a sala do banquete, para o aposento do palácio celestial. Ele é deitado no seio de Abraão, embora o rico antes o tivesse desprezado e tratado como inferior até aos cães de seu rebanho.
A próxima notícia que se tem do rico, depois de sua morte e sepultamento, é que, no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos (Lucas 16:23). Sua condição é de terrível miséria. Ele está no inferno, no hades, isto é, no estado das almas separadas, e ali sofre a maior miséria e dor possíveis. Assim como as almas dos fiéis, logo que são libertas do peso do corpo, entram em alegria e bem-aventurança, também as almas ímpias e profanas, assim que a morte as arranca dos prazeres do corpo, entram em tormentos intermináveis, inúteis e sem esperança. Esse tormento ainda será maior e mais completo na ressurreição.
Esse homem rico tinha-se entregado totalmente aos prazeres do mundo visível. Estava absorvido por eles e os escolheu como sua porção, tornando-se completamente incapaz dos prazeres do mundo espiritual. Para uma mente tão carnal, esses prazeres não trariam deleite, não haveria gosto por eles, e por isso ele é excluído deles. Mas não é só isso. Ele foi duro para com os pobres de Deus, e por isso não apenas foi privado de misericórdia, mas recebeu juízo sem misericórdia. Caiu debaixo da pena de sofrimento e também da pena de perda.
Sua miséria é agravada pelo conhecimento que passa a ter da felicidade de Lázaro. Ele ergue os olhos e vê Abraão ao longe, e Lázaro em seu seio. É a alma que está em tormentos, e são os olhos da mente que se levantam. Ele começa a se perguntar o que teria acontecido com Lázaro. Não o encontra onde está, mas o vê claramente, tão nitidamente como se fora com olhos físicos, ao longe, no seio de Abraão. Já tínhamos visto algo semelhante, esse aumento da miséria dos perdidos, quando Jesus disse: “Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora” (Lucas 13:28).
Ele viu Abraão de longe. Ver Abraão, em si, deveria ser visão agradável, mas vê-lo à distância é doloroso. Perto dele, o rico via demônios e companheiros condenados, visões pavorosas e angustiantes. Ao longe, via Abraão. Toda visão no inferno acrescenta dor. Ele também viu Lázaro no seio de Abraão. Aquele mesmo Lázaro que ele antes tratara com desprezo, como se fosse indigno de qualquer atenção, agora é visto honrado e bem-aventurado. Essa visão lhe traz à memória o modo cruel como tratou Lázaro, e a felicidade de Lázaro torna sua própria miséria ainda mais insuportável.
Aqui temos o relato do que se passa entre o rico e Abraão no estado após a morte, um estado em que eles estão separados um do outro e ambos separados deste mundo. É provável que não haja, nem haverá, conversas reais entre santos glorificados e pecadores condenados. Porém, em descrições destinadas a comover o coração, tais diálogos são adequados, porque ajudam a mostrar quais seriam os pensamentos e sentimentos de cada um. Já que lemos sobre pecadores condenados sendo atormentados na presença do Cordeiro (Apocalipse 14:10) e sobre os servos fiéis de Deus contemplando aqueles que quebraram a aliança, onde “o seu bicho nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará” (Isaías 66:23-24), uma conversa assim não é fora de lugar.
Nessa conversa, em primeiro lugar temos o pedido que o rico faz a Abraão, pedindo algum alívio para sua miséria (Lucas 16:24). Vendo Abraão de longe, clamou a ele, como alguém em grande dor e urgência, misturando gritos com o pedido, para despertar compaixão. Aquele que antes falava com autoridade agora suplica em alta voz, mais alto do que Lázaro jamais havia suplicado à sua porta. Os cânticos das suas festas e prazeres desregrados se transformaram todos em gritos de tristeza.
Note o título que ele dá a Abraão: “Pai Abraão”. Muitos no inferno podem chamar Abraão de pai, porque eram filhos de Abraão segundo a carne, e muitos eram até, de nome e profissão externa, filhos da aliança feita com Abraão. É possível que esse rico antes tivesse zombado de Abraão e da história de Abraão, como zombadores fazem em tempos posteriores, mas agora lhe dá um título respeitoso, Pai Abraão. Virá o dia em que os ímpios ficarão contentes em buscar amizade com os justos e em reivindicar laços de família com eles, embora agora os desprezem. Nesta figura, Abraão representa Cristo, pois todo o juízo foi entregue a ele, e Abraão fala aqui com a mente de Cristo.
Os que agora desprezam a Cristo em breve estarão suplicando a ele: “Senhor, Senhor”.
Em segundo lugar, o rico descreve a sua miséria presente: “Estou atormentado nesta chama.” Ele está falando da dor da sua alma, então deve ser um fogo que age sobre a alma. A ira de Deus é esse fogo, pois oprime a consciência culpada. Assim também são o horror de mente e as duras falas de um coração que se acusa e se condena a si mesmo. Nada é mais doloroso ou assustador para o corpo do que o fogo, e a Escritura usa essa imagem para mostrar a agonia das almas perdidas.
Em terceiro lugar, ele pede a Abraão misericórdia por causa dessa miséria: “Tem misericórdia de mim.” Observe: virá o dia em que aqueles que agora fazem pouco caso da misericórdia de Deus vão suplicá-la desesperadamente. Clamarão por misericórdia quando o dia da misericórdia já tiver passado e a misericórdia não for mais oferecida. O homem que não teve misericórdia de Lázaro agora espera que Lázaro tenha misericórdia dele. Parece pensar: “Lázaro é mais bondoso do que eu jamais fui.” O favor específico que pede é este: “Manda Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo, e me refresque a língua.”
Aqui ele reclama especialmente do tormento da sua língua, como se essa parte sofresse mais. O castigo corresponde ao pecado. A língua é o instrumento da fala, de modo que essa dor o faz lembrar das palavras más que proferiu contra Deus e contra as pessoas: seus xingamentos, juramentos, blasfêmias, conversas duras e palavras obscenas. Ele é condenado pelas suas palavras, por isso sua língua é atormentada. A língua também é o instrumento do gosto, e essa dor o faz lembrar do seu amor guloso aos prazeres, dos quais um dia desfrutou tanto.
Ele pede apenas uma gota de água para refrescar a língua. Não diz: “Pai Abraão, livra-me desta miséria e tira-me deste abismo”, porque já perdeu toda esperança quanto a isso. Pede o menor alívio possível, apenas uma gota por um momento. Às vezes, talvez até tivesse uma má intenção escondida em relação a Lázaro, desejando usá‑lo e impedi‑lo de voltar para junto de Abraão. Um coração cheio de ira contra Deus também está cheio de ira contra o povo de Deus. Contudo, devemos falar o mais caridosamente possível até de um pecador perdido, e supor que ele queria mostrar respeito a Lázaro, já que agora se disporia de boa vontade a depender dele. Ele cita o nome de Lázaro porque o conhece, e pensa que Lázaro não se importaria de prestar esse pequeno favor a um velho conhecido.
Grotius cita aqui Platão, que descreveu o tormento das almas perversas e disse que elas vivem clamando àqueles que assassinaram ou prejudicaram, pedindo que perdoem as injustiças cometidas contra eles. Há um dia chegando em que os que agora odeiam e desprezam o povo de Deus ficariam felizes em receber deles qualquer sinal de bondade.
A resposta de Abraão foi, em termos gerais, uma recusa. Ele não lhe concede nem uma gota de água para refrescar a língua. Observe: os condenados no inferno não terão o menor alívio em sua dor. Se aproveitarmos as oportunidades presentes, um dia poderemos desfrutar de um consolo pleno e duradouro da parte da misericórdia de Deus. Mas, se desprezarmos a oferta agora, será inútil pedir, no inferno, sequer a menor gota de misericórdia. Veja como esse rico é justamente pago na mesma moeda: o que negou uma migalha é agora privado de uma gota. Agora nos é dito: “Pedi, e dar-se-vos-á”, mas, se perdermos este tempo favorável, poderemos pedir e não receber.
Mas Abraão diz mais do que apenas: “Você não terá nada que alivie seu tormento.” O que ele diz torna a dor do rico ainda mais aguda, porque tudo no inferno contribui para aumentar o tormento.
Primeiro, Abraão o chama de “filho”, uma palavra bondosa e gentil, mas que aqui só torna a recusa mais dura. Fecha-se a porta à compaixão que um pai poderia demonstrar. Ele tinha sido um filho, mas um filho rebelde, e agora está cortado e deserdado. Veja o engano daqueles que confiam na alegação “temos Abraão como pai”, quando encontramos um, provavelmente para sempre, no inferno, a quem Abraão chama de filho.
Segundo, Abraão o faz lembrar de como tinha sido a sua vida, e também a condição de Lázaro: “Filho, lembra-te.” Essas são palavras dolorosas. As lembranças das almas perdidas as atormentarão, e então a consciência despertará e fará sua obra, que aqui elas se recusaram a permitir que ela fizesse. Nada alimentará mais o fogo do inferno do que o “Filho, lembra-te.” Agora os pecadores são muitas vezes advertidos a lembrar-se, mas não o fazem, nem querem fazê-lo. Acham meios de evitar isso. “Lembra-te do teu Criador, do teu Redentor, lembra-te do fim da tua vida”, mas conseguem desviar-se dessas advertências e esquecer justamente as coisas para as quais a memória lhes foi dada. Assim, será justo que a sua miséria sem fim comece com um “Filho, lembra-te”, que eles não poderão afastar.
Que som terrível será este em nossos ouvidos: “Filho, lembra-te das muitas advertências que te foram dadas para não vires a este lugar de tormento, advertências que não quiseste ouvir. Lembra-te das ofertas graciosas de vida e glória eternas que te foram feitas, e que não quiseste aceitar.” Mas o que ele é especificamente chamado a lembrar aqui é isto: “Recebeste os teus bens em tua vida.” Abraão não diz que ele os abusou, mas que os recebeu. Ou seja: Deus foi muito generoso para com ele e pronto a lhe fazer bem, portanto não pode dizer que Deus lhe deve qualquer coisa, nem sequer uma gota de água. Recebeu o que lhe foi dado, e isso foi tudo. Nunca deu a Deus um retorno agradecido, nem qualquer uso verdadeiro daqueles dons. Era como um túmulo onde as bênçãos de Deus eram enterradas, não como um campo onde fossem semeadas. Recebeu os seus bens e os usou como se fossem absolutamente seus e como se nunca tivesse de prestar contas deles.
Ou melhor, essas eram as coisas que ele escolheu como seus bens, aquilo que considerava o melhor. Estava satisfeito com elas e as fez a sua porção. Teve as comidas mais finas, as melhores bebidas e as roupas mais caras, e nelas colocou a sua felicidade. Eram a sua recompensa, o seu conforto, o salário com que havia concordado, e já o recebeu. Cuidou apenas dos bens desta vida e não pensou em bens melhores na vida futura, portanto não tem motivo para esperá-los agora. O tempo dos seus bens passou, e agora é o tempo dos seus males, o tempo em que recebe o pagamento por todas as suas obras más. Já recebeu até a última gota de misericórdia que poderia esperar. Nada mais lhe resta agora senão ira, sem qualquer mistura de misericórdia.
“Lembra-te também”, diz Abraão, “dos males que Lázaro recebeu.”
Você pode invejar a felicidade dele agora, mas pense na grande miséria que ele sofreu durante a vida. Você teve tanto bem quanto se poderia esperar que tivesse um homem tão mau, e ele teve tanto mal quanto se poderia esperar que tivesse um homem tão bom. Ele recebeu seus males e os suportou com paciência. Tomou-os da mão de Deus, como fez Jó (Jó 2:10): “Receberemos o bem de Deus, e não receberíamos também o mal?” Ele os aceitou como remédio enviado para curar a doença de sua alma, e a cura foi completada.
Assim como os ímpios têm apenas coisas boas nesta vida e, na morte, são para sempre privados de todo bem, também os piedosos têm apenas coisas más nesta vida e, na morte, são para sempre colocados fora do alcance desses males. Ao colocar essas duas realidades diante do rico, Abraão desperta sua consciência. Ele o faz lembrar de como tratou Lázaro, quando ele, rico, desfrutava de seus bens, e Lázaro gemia sob seus males. O rico não consegue esquecer que se recusou a socorrer Lázaro naquele tempo; como poderia, então, esperar agora que Lázaro o socorresse? Se depois Lázaro tivesse se tornado rico e o rico se tornado pobre, Lázaro teria considerado ser seu dever ajudá‑lo, sem jogar em seu rosto a antiga falta de compaixão. Mas, na vida futura, em que Deus retribui a cada um segundo o que é justo, aqueles que agora são tratados por Deus e pelos homens melhor do que merecem devem esperar ser recompensados conforme as suas obras.
Abraão também o lembra da alegria presente de Lázaro e de sua própria miséria: agora a situação se inverteu, e assim deve permanecer para sempre. Agora Lázaro é consolado, e tu és atormentado. O rico não precisava ser informado de que estava atormentado, pois sentia isso de forma profunda. Ele também sabia que alguém no seio de Abraão não poderia estar senão consolado. Ainda assim, Abraão o recorda disso para que ele compare as duas condições e reconheça a justiça de Deus, que dá tribulação aos que atribulam o seu povo e descanso aos que são atribulados (2 Tessalonicenses 1:6-7).
Observe essas coisas. O céu é consolo, e o inferno é tormento. O céu é alegria, e o inferno é choro, lamento e dor em seu grau mais extremo. A alma, assim que deixa o corpo, vai imediatamente ou para o céu ou para o inferno, a consolo ou a tormento de uma vez. Ela não dorme, nem vai para um purgatório, um suposto lugar de purificação depois da morte. O céu será verdadeiramente céu para aqueles que chegam ali através de muitas aflições neste mundo. Alguns tiveram graça, mas pouco consolo dela aqui, talvez porque suas almas se recusavam a ser consoladas. Porém, quando morrem em Cristo, se pode dizer com verdade: “Agora são consolados. Agora todas as suas lágrimas foram enxugadas, e todos os seus temores se foram.” No céu há consolo duradouro.
Por outro lado, o inferno será verdadeiramente inferno para aqueles que chegam ali saindo de uma vida cheia de prazeres e comodidades. A dor deles será ainda maior, porque estavam menos acostumados às dificuldades. A Escritura descreve esse tipo de sofrimento como o peso que cai sobre a mulher mimada e delicada, que por causa de sua fraqueza e luxo nem sequer queria pôr a planta do pé no chão (Deuteronômio 28:56).
Abraão também deixa claro que é inútil pensar que Lázaro poderia trazer qualquer alívio, pois, como o versículo 26 declara, “além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós”, um abismo intransponível, de modo que não pode haver comunicação entre os santos glorificados e os pecadores condenados. O mais bondoso dos santos, no céu, não pode visitar a companhia dos mortos e condenados para consolar ou socorrer alguém ali, ainda que tenham sido amigos nesta vida. Eles não podem deixar a face do Pai, nem a obra ao redor de seu trono, para levar água aos que estão em tormentos. Isso não faz parte da missão deles.
E o mais ousado pecador no inferno não pode forçar sua saída daquela prisão nem atravessar aquele grande abismo. Eles não podem passar para nós, nem nós para eles, ainda que alguém desejasse fazê‑lo. Ninguém deve esperar isso, pois a porta da misericórdia está fechada e a ponte foi levantada. Não há saída condicional, nem fiança, nem sequer por uma hora. Neste mundo, graças a Deus, não existe um abismo assim fixado entre o estado de natureza humana e o estado de graça, pois ainda podemos passar do pecado para Deus. Mas, se morrermos em nossos pecados, se nos lançarmos na cova da perdição, não haverá saída. É uma cova sem água, e dela não há escape.
Perspectivas dos nossos guias espirituais
Esse versículo abre a cena com um contraste forte: um homem que tem tudo por fora, mas sobre o qual nada é dito por dentro. Há riqueza, luxo, roupa cara, banquete diário. Porém, não aparece menção de gratidão, de sensibilidade, de relação com Deus ou com quem sofre à porta. É como uma casa iluminada por fora, mas com os cômodos vazios por dentro. Isso pesa, porque toca no medo humano de que uma vida bonita aos olhos dos outros possa, no fundo, estar desconectada do que realmente importa. Na perspectiva do cuidado emocional e espiritual, esse texto revela a tentação de usar conforto e status como anestesia para não encarar a dor própria e alheia. O homem rico vive “regalada e esplendidamente” todos os dias, como se a festa pudesse calar qualquer lamento. Deus, porém, não se impressiona com o brilho exterior; enxerga o coração, a relação com o próximo, a capacidade de compaixão. Um passo pequeno ainda é cuidado: reconhecer que a verdadeira segurança não está na púrpura nem no linho finíssimo, mas em uma vida que se deixa tocar, que nota quem está caído ao lado do portão da própria história.
O versículo apresenta o cenário inicial da parábola do rico e Lázaro, e Lucas descreve o rico com detalhes que carregam forte peso simbólico. “Vestir-se de púrpura e linho finíssimo” indica luxo extremo. A púrpura era cor caríssima, associada à realeza e à elite; o linho finíssimo remete a tecidos nobres, muitas vezes ligados ao culto e ao status. A expressão “vivia todos os dias regalada e esplendidamente” sugere não apenas riqueza, mas um estilo de vida marcado por prazer contínuo, sem interrupção, quase como um hábito automático de autossatisfação. O contexto do evangelho de Lucas ajuda aqui: ao longo do livro, Lucas frequentemente contrasta ricos e pobres, não para demonizar a posse em si, mas para expor um coração fechado ao próximo e a Deus. O problema não é apenas o luxo, mas a indiferença que ele prenuncia. Uma leitura cuidadosa sugere que o versículo já prepara o contraste dramático com Lázaro, antecipando o tema central da parábola: a inversão escatológica e o juízo sobre a dureza de coração mascarada por conforto e status.
Lucas 16:19 começa a parábola chamando atenção para um contraste: um homem riquíssimo, vestido com o que havia de mais caro e vivendo todos os dias em festa. O texto não critica o fato de ele ter recursos em si, mas a forma como a vida dele gira em torno do conforto, da aparência e do prazer contínuo. É uma rotina montada para que nada o incomode, nada o confronte, nada o tire da bolha. Na perspectiva bíblica, riqueza é lugar de responsabilidade, não de fuga. A púrpura e o linho finíssimo lembram que existem privilégios que gritam por mordomia, generosidade e sensibilidade à dor ao redor. Porém, o rico da parábola organiza a própria agenda sem espaço para Deus nem para o próximo à porta. Sabedoria também aparece na rotina. Uma vida toda estruturada para “viver regaladamente” tende a anestesiar o coração, tornando quase impossível perceber necessidades reais, injustiças e chamados de Deus. O versículo funciona como um alerta silencioso: quando o centro da existência é o luxo e o prazer, o olhar para a eternidade e para o outro vai desaparecendo, dia após dia.
Lucas 16:19 apresenta mais que um cenário de riqueza; revela uma forma de viver centrada em si mesma. O rico se veste de púrpura e linho finíssimo, símbolos de status máximo, e vive “regalada e esplendidamente” todos os dias. Não há menção de Deus, de gratidão, de partilha, nem de consciência do pobre à porta. O verso é silencioso sobre o interior daquele homem, e esse silêncio já é um juízo. A cena sugere uma vida organizada em torno do conforto imediato, como se o presente fosse tudo o que existe. A eternidade, porém, está apenas fora de quadro, prestes a entrar na narrativa. A eternidade muda o peso do presente. Nesse contraste que a parábola irá desenhar, o luxo diário ganha um tom de fragilidade: aquilo que parece sólido é apenas cenário provisório. Há algo mais profundo sendo formado aqui: um alerta contra a anestesia espiritual produzida pela abundância sem temor de Deus. Não é a riqueza em si, mas a vida fechada em si mesma, indiferente ao sofrimento ao lado, que prepara um abismo entre o agora e o depois. Deus trabalha também no silêncio desse primeiro versículo, preparando o choque entre aparência e destino eterno.
Aplicacao restauradora e de saude mental
Em Lucas 16:19, a figura do homem rico ilustra uma vida centrada apenas em status, consumo e aparências. Em termos de saúde mental, esse estilo de vida pode esconder ansiedade intensa, medo de perda, sensação de vazio e dificuldade de contato com a própria vulnerabilidade. A busca constante por prazer e prestígio pode funcionar como estratégia de evitação emocional, semelhante ao que a psicologia descreve como coping desadaptativo, muitas vezes associado a depressão, burnout e relações superficiais.
A sabedoria bíblica aponta para a necessidade de profundidade, empatia e conexão com o sofrimento próprio e alheio. A partir disso, estratégias saudáveis incluem desenvolver consciência emocional (por exemplo, registrar sentimentos e pensamentos durante o dia), praticar limites no consumo e no trabalho, cultivar relações de confiança e abertura, e reservar tempo para o silêncio e o autoconhecimento. A terapia psicológica, unida à reflexão espiritual honesta, pode ajudar a identificar áreas em que o desempenho externo substituiu o cuidado interno. Assim, o texto convida à integração entre fé, valores e bem-estar psíquico, favorecendo uma vida menos centrada em imagem e mais enraizada em significado, compaixão e equilíbrio emocional.
Maus usos comuns a evitar
Um uso distorcido de Lucas 16:19 aparece quando se conclui que toda riqueza é pecado ou que todo sofrimento é castigo direto de Deus. Essas leituras podem alimentar culpa excessiva, autodepreciação ou aceitação passiva de injustiças sociais, impedindo pedidos legítimos de ajuda econômica ou psicológica. Também é problemática a ideia de que “basta ter fé” para que problemas emocionais e financeiros desapareçam, o que configura espiritualização excessiva e negligência de fatores clínicos ou estruturais. Quando o texto desperta desespero, pensamentos de inutilidade, ideação suicida, crises de ansiedade ou reforça relações abusivas em que alguém é mandado “sofrer calado em nome de Deus”, torna-se fundamental procurar apoio profissional em saúde mental. A fé pode ser um recurso, mas não substitui tratamento psicológico ou psiquiátrico baseado em evidências.
Perguntas frequentes
Por que Lucas 16:19 é um versículo importante na Bíblia?
Qual é o contexto de Lucas 16:19 na parábola do rico e Lázaro?
O que Jesus quer ensinar com a descrição do homem rico em Lucas 16:19?
Como aplicar Lucas 16:19 à minha vida hoje?
Lucas 16:19 condena ser rico ou apenas o uso egoísta da riqueza?
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Deste capitulo
Lucas 16:1
"E dizia também aos seus discípulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens."
Lucas 16:2
"E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo."
Lucas 16:3
"E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha."
Lucas 16:4
"Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas."
Lucas 16:5
"E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?"
Lucas 16:6
"E ele respondeu: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e assentando-te já, escreve cinqüenta."
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Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, ligue 188 (CVV) no Brasil, 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediata.
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