Deuteronômio 9:1
E, convocando os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades.
Entenda os temas principais e aplique Deuteronômio 9 na sua vida hoje
62 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Israel é lembrado de que pertence a Deus como filhos e povo escolhido. Essa identidade exige que se afaste de costumes pagãos de luto e de práticas que manchariam a santidade do relacionamento com o Senhor.
A lista de animais permitidos e proibidos ensina Israel a distinguir entre o que é limpo e imundo, marcando o povo até nas escolhas de comida. Essa disciplina diária reforça a consciência da santidade e da obediência.
Os dízimos não são apenas obrigação, mas ocasião de celebração na presença do Senhor, reconhecendo que toda bênção vem dele. Comer do dízimo diante de Deus reforça a comunhão e a gratidão.
O capítulo vincula a prática dos dízimos à responsabilidade social. Levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas são incluídos na provisão do povo, revelando o coração de Deus pelos que não têm herança nem proteção.
Detalhes como não comer animais mortos, não tocar em cadáveres impuros e não cozer o cabrito no leite da mãe mostram que a santidade não é abstrata, mas atravessa gestos, hábitos e costumes diários.
Deuteronômio 14 faz parte dos discursos finais de Moisés às vésperas da entrada de Israel na terra prometida. O povo está nas planícies de Moabe, depois de quarenta anos de peregrinação no deserto. Moisés relembra e reapresenta a Lei para uma nova geração, que não viveu a saída do Egito de forma consciente, preparando-os para viver como nação estabelecida em Canaã.
Os costumes de luto mencionados no versículo 1, como se golpear e raspar a frente da cabeça por causa de mortos, eram práticas comuns em povos pagãos ao redor, ligadas a rituais religiosos e visões de morte sem esperança. Israel é instruído a não copiar esses costumes justamente porque sua relação com Deus redefinia a forma de encarar a morte.
As leis alimentares de animais puros e impuros já haviam sido introduzidas em Levítico 11, mas aqui são lembradas no contexto da vida cotidiana na nova terra. Essas regras funcionavam como um marcador identitário e pedagógico, diferenciando Israel das nações vizinhas e ensinando o povo a viver constantemente atento à distinção entre puro e impuro.
A questão dos dízimos se relaciona com a estrutura social de Israel: a tribo de Levi não recebeu uma herança territorial própria, pois sua função era sacerdotal e de serviço no santuário. Por isso, a Lei prevê a manutenção dos levitas por meio dos dízimos e ofertas. Ao mesmo tempo, a legislação protege estrangeiros, órfãos e viúvas, grupos vulneráveis numa sociedade agrária antiga, garantindo que tivessem acesso à comida e fossem incluídos nas festividades religiosas.
O costume de converter os dízimos em dinheiro quando o santuário estivesse longe (versos 24–26) reflete um contexto em que o lugar de culto central seria fixo (primeiro o tabernáculo em um lugar definido, depois, historicamente, Jerusalém), e muitos israelitas morariam a longas distâncias. Assim, a lei se mostra ao mesmo tempo rigorosa na exigência de fidelidade e flexível em sua aplicação prática.
Deuteronômio 14 apresenta uma estrutura organizada em blocos temáticos:
Identidade e luto sagrado (14.1-2)
Leis alimentares: animais terrestres (14.3-8)
Leis alimentares: animais aquáticos e aves (14.9-20)
Proibições específicas adicionais (14.21)
Dízimos anuais e adoração centralizada (14.22-27)
Dízimo trienal e cuidado social (14.28-29)
Deuteronômio 14 aprofunda a compreensão da santidade de Deus e do chamado de Israel a viver de forma distinta no meio das nações. Logo no início, o texto vincula a ética do povo à sua identidade: são filhos do Senhor, escolhidos e separados. A santidade aqui não é apenas uma lista de regras, mas um reflexo do relacionamento com Deus.
As leis alimentares apontam para o conceito de distinção. Deus ensina Israel a discernir entre puro e impuro, limpo e imundo, através de algo tão básico como a alimentação. Comer torna-se um ato espiritual, um exercício cotidiano de lembrar quem é o Senhor e a quem o povo pertence. Ainda que, à luz da revelação posterior, essas distinções cerimoniais não sejam mais obrigatórias para a igreja, elas carregam uma lição teológica duradoura: a vida diante de Deus exige discernimento e obediência, inclusive nas áreas mais comuns da existência.
As proibições ligadas ao luto e a alguns costumes culturais mostram que a fé em Deus reorienta a maneira de lidar com a morte. A relação com o Senhor retira a desesperança típica de rituais pagãos e evita que a dor leve o povo a práticas que negam a confiança em Deus.
O ensino sobre dízimos revela um Deus que é, ao mesmo tempo, Senhor da história e provedor concreto. Separar a décima parte da produção é um reconhecimento de que tudo vem dele. Porém, o texto mostra que esse reconhecimento acontece em clima de celebração: comer o dízimo na presença de Deus, com a família, é um ato de alegria e adoração. Assim, a economia e a espiritualidade não se separam; o uso dos bens se torna culto.
Outro ponto teológico forte é a preocupação divina com a justiça social. Levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas estão sob o cuidado especial de Deus, que organiza a vida econômica e religiosa para que esses grupos não sejam esquecidos. A lei do dízimo trienal revela um Deus que conecta santidade com solidariedade, culto com cuidado ao próximo.
Em última instância, o capítulo antecipa temas que, mais tarde, ganham nova luz: a ideia de um povo santo, separado para Deus, encontra seu cumprimento na comunidade dos que pertencem a Cristo; a distinção entre puro e impuro aponta para a necessidade de um coração purificado; e a generosidade ordenada por Deus revela seu desejo de formar um povo que reflita Sua justiça e misericórdia no mundo.
Este capítulo oferece uma visão de vida em que identidade, hábitos e relações sociais estão profundamente integrados ao cuidado de Deus. Para quem enfrenta ansiedade, insegurança ou sensação de não-pertencimento, a declaração de que o povo é "filhos do SENHOR" e "povo santo" traz uma base de valor que não depende de desempenho, mas de escolha divina.
As regras detalhadas, longe de serem apenas peso, mostram um Deus que organiza o cotidiano e dá contornos claros à vida, algo que pode ser emocionalmente estabilizador para pessoas confusas ou sobrecarregadas. Saber que até a maneira de comer, lamentar e usar bens materiais pode ser guiada por Deus ajuda a reduzir a sensação de caos interno.
O ensino sobre os dízimos, especialmente o aspecto de comer e se alegrar diante do Senhor, contribui para uma visão saudável da relação com recursos: não é só dever nem só prazer, mas gratidão e dependência. Isso pode aliviar culpas exageradas com dinheiro e, ao mesmo tempo, confrontar a ganância e o consumismo, que muitas vezes alimentam ansiedade e comparação.
A preocupação com levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas lembra que a comunidade de fé é chamada a ser um lugar de amparo para quem está fragilizado. Essa perspectiva acolhedora é terapêutica para quem se sente à margem, pois mostra que Deus escreve suas leis pensando explicitamente nos vulneráveis.
Por fim, o capítulo sugere que práticas regulares de separação (como o dízimo) e memória (ir ao lugar que o Senhor escolheu, celebrar diante dele) ajudam a manter o coração alinhado, prevenindo tanto o orgulho na fartura quanto o desespero na falta.
Algumas pessoas podem ler as listas de animais puros e impuros com um olhar rígido e desenvolver uma relação legalista com Deus, focada em regras alimentares ou hábitos externos, sem considerar o avanço da revelação bíblica. Isso pode gerar culpa excessiva, medo religioso e até conflitos desnecessários em contextos de alimentação.
A ênfase em ser "povo santo" pode ser mal interpretada como convite à superioridade ou isolamento social doentio, alimentando espiritualidade elitista, julgamento constante dos outros e dificuldade de conviver com quem pensa diferente.
A parte sobre o dízimo pode ser usada de forma distorcida para pressionar pessoas vulneráveis financeiramente, tornando a prática um peso insuportável ou um instrumento de manipulação, em vez de expressão de confiança e alegria diante de Deus. Leitura sem equilíbrio pastoral pode aumentar ansiedade financeira e sentimento de culpa crônico.
Também é possível que alguns, ao observar a permissão de vender animal morto ao estrangeiro, façam aplicações apressadas sobre exploração ou tratamento de grupos diferentes, sem considerar o contexto histórico. Isso pode reforçar ideias de discriminação, se o texto for lido sem cuidado e sem conexão com o conjunto das Escrituras, que afirma a dignidade do estrangeiro e a igualdade de valor diante de Deus.
Em pessoas com histórico de escrúpulos religiosos ou transtornos obsessivo-compulsivos ligados à fé, a multiplicidade de detalhes cerimoniais pode acionar pensamentos obsessivos sobre pureza e contaminação espiritual, exigindo acompanhamento cuidadoso e interpretação saudável.
Deuteronômio 14 inspira diversas aplicações práticas para a vida contemporânea, ainda que muitas regras cerimoniais não se apliquem diretamente hoje.
Identidade que molda comportamento: lembrar que o povo de Deus é chamado de filhos e povo santo convida à coerência entre fé e vida diária. A forma de lidar com o luto, a fala, os relacionamentos e escolhas éticas pode refletir essa identidade, evitando tanto imitação cega de costumes culturais quanto desprezo pelo sofrimento humano.
Discernimento no cotidiano: as distinções entre puro e impuro remetem à necessidade de discernir o que edifica ou destrói. Hoje, isso pode se traduzir em cuidado com o que se consome em termos de conteúdo, hábitos, ambientes e práticas que afetam corpo, mente e espírito.
Relação saudável com comida e bens: ver a mesa e os recursos como espaços de adoração e gratidão ajuda a combater tanto o desperdício quanto a idolatria do consumo. Comer com consciência diante de Deus e agradecer pelas refeições pode se tornar uma disciplina simples, mas transformadora.
Generosidade organizada: a prática do dízimo, especialmente o dízimo trienal, inspira a planejar a generosidade. Separar intencionalmente parte da renda para sustentar a obra de Deus e apoiar pessoas vulneráveis reflete o coração do capítulo e estimula uma vida financeira com propósito.
Alegria na adoração: o texto destaca comer e se alegrar diante do Senhor. Isso aponta para a importância de celebrar com a família e a comunidade de fé, reconhecendo as bênçãos recebidas e fortalecendo vínculos em torno da presença de Deus.
Cuidado com os vulneráveis: a atenção a levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas desafia a criar espaços concretos de cuidado: projetos de ajuda, hospitalidade a quem vem de fora, apoio a famílias enlutadas ou desamparadas, participação em ações que priorizem quem não tem herança nem proteção social.
Equilíbrio entre rigor e flexibilidade: a possibilidade de converter o dízimo em dinheiro por causa da distância mostra que Deus valoriza a obediência, mas também considera limitações práticas. Isso encoraja a buscar fidelidade sem rigidez desumana, adaptando a aplicação dos princípios às realidades concretas, sem perder o coração do mandamento.
Essas práticas eram comuns entre povos pagãos, ligadas a rituais religiosos de luto e visões desesperançosas sobre a morte. Deus proíbe Israel de imitá-las porque o povo é descrito como filhos do Senhor e povo santo. A maneira de lamentar deveria refletir fé no Deus vivo e confiança nele, e não ritos que misturavam culto a outros deuses ou expressões de desespero sem esperança.
As leis alimentares serviam para marcar Israel como um povo diferente e ensinar, na prática, a distinção entre puro e impuro. Comer se tornava um ato de obediência e memória da aliança. Além de possíveis benefícios higiênicos, o foco principal era pedagógico e espiritual: cada refeição lembrava que o povo vivia sob a Palavra de Deus. Posteriormente, o Novo Testamento mostrará que essas leis cerimoniais apontavam para uma pureza mais profunda, ligada ao coração.
Trata-se de uma proibição curta, repetida em outros textos da Lei. Possivelmente se opunha a um costume ou ritual cananeu de fertilidade que usava esse tipo de preparo. Também pode carregar uma lição de sensibilidade: não usar o elemento dado por Deus para nutrir a vida (o leite da mãe) como meio de cozinhar o filhote. De qualquer forma, o mandamento reforça a separação de Israel dos costumes religiosos das nações ao redor.
O povo devia separar a décima parte de toda a produção agrícola anual. Essa porção era levada ao lugar que Deus escolhesse para fazer habitar o seu nome, onde a família comia parte desse dízimo diante do Senhor, em clima de alegria e reverência. Se o lugar fosse muito distante, o produto podia ser vendido, o dinheiro levado e então convertido em alimentos e bebidas para a celebração. Paralelamente, a cada três anos, havia um dízimo especial armazenado nas cidades para suprir levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas.
A lei sobre a carniça se baseava especialmente na pureza ritual de Israel como povo da aliança. O estrangeiro que vivia entre eles podia não estar sob as mesmas obrigações cerimoniais, embora ainda devesse ser tratado com justiça e dignidade. A permissão de dar ou vender o animal morto não autoriza exploração, mas reconhece diferenças de responsabilidades na aliança. Ao longo da Bíblia, o estrangeiro é repetidamente protegido pela lei, e Deus mostra cuidado especial com ele.
Deuteronômio 14 descreve uma prática de dízimos ligada à estrutura da lei mosaica, ao culto no templo e ao sistema levítico. A situação hoje é diferente, pois o povo de Deus não está organizado como nação teocrática. Contudo, os princípios por trás do dízimo continuam relevantes: reconhecer que tudo vem de Deus, sustentar a obra espiritual e exercitar generosidade em favor dos necessitados. Cada comunidade cristã procura aplicar esses princípios de maneira fiel ao conjunto da revelação bíblica e ao contexto atual.
Este capítulo começa lembrando que o povo é chamado de filhos do Senhor. Essa imagem de família atravessa todo o texto, mesmo quando aparecem listas e regras. Por trás de cada mandamento, há um Pai zelando por seus filhos, ensinando como viver de um jeito que preserve a vida, a dignidade e a comunhão com Ele. Quando fala sobre luto, Deus não ignora a dor, mas decide proteger o povo de costumes que aprofundavam o desespero. A mensagem que ecoa é: a tristeza é real, mas o desespero não é o último capítulo, porque se vive debaixo do cuidado de um Deus vivo. Isso traz consolo para corações que lidam com perdas; não um consolo fácil, mas a certeza de que a relação com Deus muda a forma de atravessar o luto. As regras alimentares podem soar frias, mas revelam um Deus que se importa com detalhes. Ele não abandona o cotidiano, entra no prato, na cozinha, na mesa. Essa proximidade conforta quem se sente só ou acha que Deus só se interessa pelas "grandes" questões. Aqui, o Senhor mostra que o dia a dia também é lugar de encontro com Ele. A parte dos dízimos, especialmente quando fala de comer e se alegrar diante do Senhor com a família, mostra que Deus deseja ver seu povo celebrando, não apenas suportando a vida. A espiritualidade que nasce desse texto não é só de renúncia e peso, mas de festa, gratidão e mesa partilhada. E quando o capítulo termina incluindo levita, estrangeiro, órfão e viúva, fica claro que ninguém deve ficar de fora. Deus pensa naqueles que, humanamente, teriam mais motivos para se sentir esquecidos. Ele organiza a vida do povo de tal modo que os mais frágeis tenham o que comer e possam se fartar. Essa é uma boa notícia para todo coração que se sente à margem: o projeto de Deus sempre reserva um lugar à mesa.
Deuteronômio 14 precisa ser lido dentro do contexto maior da aliança sinaítica e da reinterpretação deuteronomista da Lei. O capítulo articula três áreas: práticas de luto (vv.1-2), pureza alimentar (vv.3-21) e dízimos (vv.22-29). Todas elas convergem na ideia de santidade como distinção: Israel é separado de outros povos em ritos, hábitos e uso de recursos. Nos versículos iniciais, há uma fundamentação teológica forte: Israel é descrito como "filhos" e "povo santo". A proibição de golpes e calva por causa de mortos confronta costumes cananeus e possivelmente fenícios, associados a crenças sobre espíritos dos mortos e divindades ligadas ao submundo. O texto não apenas regula o comportamento, mas corrige concepções teológicas equivocadas sobre morte e divindade. A seção sobre alimentação recapitula, em forma condensada, categorias já presentes em Levítico 11. O critério para animais terrestres (unha fendida e ruminação) é funcional, não meramente simbólico, embora muito se tenha discutido sobre seu significado. A lista de aves parece centrada em aves de rapina e necrófagas, possivelmente ligadas a impureza por associação com sangue e cadáveres. Os peixes com barbatanas e escamas compõem o padrão de criaturas "normais" para seu habitat, enquanto os sem essas características representam desvios da ordem percebida. A proibição de comer carniça e tocar em certos cadáveres está ligada sobretudo à pureza ritual, não necessariamente a questões sanitárias, embora estas possam estar presentes. A cláusula sobre o estrangeiro recebendo o animal morto indica distinção de status dentro da aliança: o israelita está preso a um padrão de pureza cerimonial específico. Quanto aos dízimos, o texto apresenta uma visão mais ampla do que simplesmente uma taxa religiosa. O dízimo é consumido em ambiente festivo, "perante o Senhor", no lugar central de culto que Deus escolher. A expressão "para que aprendas a temer ao Senhor" mostra que a prática é pedagógica: ao deslocar recursos e família para o santuário, Israel reforça sua dependência de Deus. A possibilidade de monetizar o dízimo por causa da distância (vv.24-26) demonstra flexibilidade legal dentro de um sistema que permanece teocêntrico. O dízimo trienal (vv.28-29) amplia o escopo social da lei, incluindo levitas e outros grupos vulneráveis. Isso relativiza leituras que veem o dízimo apenas como suporte cultual; o texto mostra que a própria estrutura econômica da aliança visa justiça distributiva. Exegesemente, é importante distinguir entre as diferentes espécies de dízimos mencionados em todo o Antigo Testamento e evitar simplificações. Teologicamente, o capítulo contribui para o entendimento de santidade nas Escrituras: não se trata apenas de moralidade abstrata, mas de um modo de vida corporativo que abrange corpo, comida, calendário, economia e relacionamento com minorias sociais. O leitor contemporâneo precisa fazer a ponte hermenêutica entre regras cerimoniais temporárias e princípios permanentes de identidade, discernimento, generosidade e justiça.
Deuteronômio 14 mostra que seguir a Deus mexe com a rotina inteira. Não fica restrito ao culto, mas aparece em como o povo lida com tristeza, alimentação, dinheiro e pessoas vulneráveis. A primeira parte, sobre luto, indica que a fé influencia até a forma de enfrentar perdas. Em vez de repetir automaticamente costumes ao redor, Israel é chamado a agir a partir da sua identidade em Deus. Isso inspira escolhas conscientes hoje: nem tudo o que é culturalmente aceito precisa ser imitado, principalmente quando alimenta práticas destrutivas ou vazias. As leis alimentares ensinam disciplina e atenção. O povo não comia qualquer coisa pela frente; havia critérios. Esse espírito de cuidado pode ser trazido para o presente em termos de hábitos saudáveis: olhar para o que se consome, para o que entra pela boca e pelos sentidos, e perguntar se isso faz bem ao corpo, à mente e à vida espiritual. A parte dos dízimos oferece uma visão muito prática da vida financeira. Separar uma parte regular da colheita e da renda ajuda a quebrar o domínio do dinheiro. Em vez de gastar tudo consigo mesmo, o povo era orientado a honrar a Deus e lembrar de quem não tinha herança. Há aqui um princípio de planejamento: não esperar sobrar para então ser generoso, mas incluir a generosidade no próprio orçamento. Interessante notar que os dízimos não aparecem só como sacrifício, mas como ocasião de festa diante de Deus. Isso sugere um equilíbrio saudável: a vida com Deus inclui entregar, mas também desfrutar com gratidão. Na rotina, isso pode significar organizar momentos de celebração simples em família, reconhecendo a provisão de Deus. O cuidado com levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas mostra que a espiritualidade bíblica sempre produz responsabilidade social. Em termos concretos, essa visão incentiva a incluir no planejamento de tempo e recursos algum tipo de atenção a pessoas em situação vulnerável: seja por meio da comunidade de fé, de iniciativas de bairro ou de atitudes pessoais de hospitalidade e ajuda. No conjunto, o capítulo sugere um estilo de vida em que identidade, hábitos e recursos se alinham. Não se trata de uma lista de regras antigas a serem copiadas literalmente, mas de princípios de organização, generosidade e distinção que podem orientar decisões inteligentes e compassivas hoje.
Deuteronômio 14 convida a enxergar a vida inteira como resposta à santidade de Deus. Ao chamar Israel de filhos e povo próprio, o Senhor está afirmando uma identidade que antecede qualquer desempenho. A espiritualidade que nasce disso não é a de quem tenta conquistar o favor divino, mas a de quem aprende a viver de modo coerente com o fato de já pertencer a Deus. As leis sobre luto lembram que a relação com Deus também abrange a maneira de encarar a morte. O povo é proibido de práticas que expressam um desespero sem horizonte. No fundo, há aqui um chamado a encarar a realidade da morte sob a luz do Deus que faz aliança. A dor continua real, mas não absoluta. Esse olhar alimenta uma esperança que atravessa as perdas, sem negá-las. As distinções alimentares podem ser vistas como um treino espiritual de discernimento. Em cada refeição, Israel precisava lembrar: nem tudo o que é possível é adequado para quem pertence ao Senhor. Essa atitude de perguntar o que agrada a Deus em questões concretas ajuda a formar um coração atento, capaz de discernir não apenas o que é lícito, mas o que conduz à comunhão mais profunda com Ele. Quando o texto fala do dízimo comendo-se diante do Senhor, no lugar em que Ele escolhe, emerge uma imagem de adoração como encontro festivo. A espiritualidade aqui não é apenas introspectiva, mas comunitária, celebrativa: famílias reunidas na presença de Deus, desfrutando daquilo que Ele mesmo concedeu. A relação com o sagrado não se limita ao sacrifício; inclui a alegria de participar da própria generosidade divina. O dízimo trienal, destinado também a levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas, aponta para uma dimensão escatológica: Deus está formando um povo que reflita, desde já, a justiça e a misericórdia do seu Reino. A mesa compartilhada com os vulneráveis antecipa a grande ceia em que ninguém será esquecido. Assim, cada ato de generosidade se torna um pequeno sinal do futuro de Deus irrompendo no presente. Ao final, o capítulo mostra que santidade não é isolamento místico, mas vida inteira diante de Deus: corpo, comida, dinheiro, luto, festa e justiça social. O chamado espiritual que emerge de Deuteronômio 14 é o de deixar que cada dimensão da existência se torne lugar de encontro com o Santo, até que a própria rotina se transforme em liturgia de confiança, gratidão e cuidado com o próximo.
E, convocando os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades.
E enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos.
E disse-lhes: Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas.
E em qualquer casa em que entrardes, ficai ali, e de lá saireis.
E se em qualquer cidade vos não receberem, saindo vós dali, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles.
E, saindo eles, percorreram todas as aldeias, anunciando o evangelho, e fazendo curas por toda a parte.
E o tetrarca Herodes ouviu todas as coisas que por ele foram feitas, e estava em dúvida, porque diziam alguns que João ressuscitara dentre os mortos; e outros que Elias tinha aparecido;
E outros que um profeta dos antigos havia ressuscitado.
E disse Herodes: A João mandei eu degolar; quem é, pois, este de quem ouço dizer tais coisas? E procurava vê-lo.
E, regressando os apóstolos, contaram-lhe tudo o que tinham feito. E, tomando-os consigo, retirou-se para um lugar deserto de uma cidade chamada Betsaida.
E, sabendo-o a multidão, o seguiu; e ele os recebeu, e falava-lhes do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.
E já o dia começava a declinar; então, chegando-se a ele os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo aos lugares e aldeias em redor, se agasalhem, e achem o que comer; porque aqui estamos em lugar deserto.
Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram: Não temos senão cinco pães e dois peixes, salvo se nós próprios formos comprar comida para todo este povo.
Porquanto estavam ali quase cinco mil homens. Disse, então, aos seus discípulos: Fazei-os assentar, em ranchos de cinqüenta em cinqüenta.
E assim o fizeram, fazendo-os assentar a todos.
E, tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, abençoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discípulos para os porem diante da multidão.
E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram, do que lhes sobejou, doze alcofas de pedaços.
E aconteceu que, estando ele só, orando, estavam com ele os discípulos; e perguntou-lhes, dizendo: Quem diz a multidão que eu sou?
E, respondendo eles, disseram: João o Batista; outros, Elias, e outros que um dos antigos profetas ressuscitou.
E disse-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, disse: O Cristo de Deus.
Lucas 9:20 mostra que reconhecer Jesus como o Cristo de Deus é assumir quem Ele realmente é, não apenas repetir o que outros dizem. No …
Ler análise completaE, admoestando-os, mandou que a ninguém referissem isso,
Dizendo: É necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado dos anciãos edos escribas, e seja morto, e ressuscite ao terceiro dia.
E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.
Lucas 9:23 mostra que seguir Jesus exige escolha diária: abrir mão do egoísmo, do orgulho e de atitudes que desagradam a Deus. “Tomar a cruz” …
Ler análise completaPorque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará.
Porque, que aproveita ao homem granjear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?
Porque, qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos.
E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o reino de Deus.
Lucas 9:27 indica que alguns discípulos veriam uma amostra do Reino de Deus ainda em vida, cumprida na transfiguração de Jesus e no crescimento inicial …
Ler análise completaE aconteceu que, quase oito dias depois destas palavras, tomou consigo a Pedro, a João e a Tiago, e subiu ao monte a orar.
E, estando ele orando, transfigurou-se a aparência do seu rosto, e a sua roupa ficou branca e mui resplandecente.
E eis que estavam falando com ele dois homens, que eram Moisés e Elias,
Os quais apareceram com glória, e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém.
E Pedro e os que estavam com ele estavam carregados de sono; e, quando despertaram, viram a sua glória e aqueles dois homens que estavam com ele.
E aconteceu que, quando aqueles se apartaram dele, disse Pedro a Jesus: Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés, e uma para Elias, não sabendo o que dizia.
E, dizendo ele isto, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e, entrando eles na nuvem, temeram.
E saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho; a ele ouvi.
E, tendo soado aquela voz, Jesus foi achado só; e eles calaram-se, e por aqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.
E aconteceu, no dia seguinte, que, descendo eles do monte, lhes saiu ao encontro uma grande multidão;
E eis que um homem da multidão clamou, dizendo: Mestre, peço-te que olhes para meu filho, porque é o único que eu tenho.
Eis que um espírito o toma e de repente clama, e o despedaça até espumar; e só o larga depois de o ter quebrantado.
E roguei aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam.
E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e perversa! até quando estarei ainda convosco e vos sofrerei? Traze-me aqui o teu filho.
E, quando vinha chegando, o demônio o derrubou e convulsionou; porém, Jesus repreendeu o espírito imundo, e curou o menino, e o entregou a seu pai.
E todos pasmavam da majestade de Deus. E, maravilhando-se todos de todas as coisas que Jesus fazia, disse aos seus discípulos:
Ponde vós estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho do homem será entregue nas mãos dos homens.
Mas eles não entendiam esta palavra, que lhes era encoberta, para que a não compreendessem; e temiam interrogá-lo acerca desta palavra.
E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior.
Mas Jesus, vendo o pensamento de seus corações, tomou um menino, pô-lo junto a si,
E disse-lhes: Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo será grande.
E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco.
E Jesus lhe disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós.
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