Versículo em destaque
Lucas 9:43 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E todos pasmavam da majestade de Deus. E, maravilhando-se todos de todas as coisas que Jesus fazia, disse aos seus discípulos: "
Lucas 9:43
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
41 E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e perversa! até quando estarei ainda convosco e vos sofrerei? Traze-me aqui o teu filho.
42 E, quando vinha chegando, o demônio o derrubou e convulsionou; porém, Jesus repreendeu o espírito imundo, e curou o menino, e o entregou a seu pai.
43 E todos pasmavam da majestade de Deus. E, maravilhando-se todos de todas as coisas que Jesus fazia, disse aos seus discípulos:
44 Ponde vós estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho do homem será entregue nas mãos dos homens.
45 Mas eles não entendiam esta palavra, que lhes era encoberta, para que a não compreendessem; e temiam interrogá-lo acerca desta palavra.
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Podemos notar aqui, em primeiro lugar, a impressão que os milagres de Cristo causavam em todos os que os viam (Lucas 9:43). Todos ficavam admirados da grandeza do poder de Deus, que aparecia claramente nas obras que Jesus realizava. As obras poderosas de Deus são espantosas, sobretudo as feitas pelo Senhor Jesus, porque ele é o poder de Deus e o seu nome é Maravilhoso. A admiração deles era plena: cada um se maravilhava, e o motivo também era pleno, pois se maravilhavam de todas as coisas que Jesus fazia. Tudo o que ele fazia tinha algo de incomum e surpreendente.
Em segundo lugar, vemos o aviso que Cristo deu aos seus discípulos sobre os sofrimentos que o aguardavam. O Filho do Homem, isto é, Cristo em sua natureza humana e em seu ofício de Messias, seria entregue nas mãos dos homens, homens ímpios, do pior tipo. Eles teriam permissão de tratá‑lo como quisessem. O que os outros evangelhos dizem de forma explícita está aqui subentendido: eles iriam matá‑lo. O que se destaca em Lucas é o contexto e o modo como Jesus fala.
Ele dá este aviso logo depois de o povo ter ficado maravilhado com seus milagres. Enquanto todos se admiravam de todas as coisas que Jesus fazia, ele disse isto aos seus discípulos. Eles ainda esperavam um reino terreno, com poder e honra visíveis, e pensavam que as obras poderosas e o favor do povo preparariam esse reino. Mas Jesus, que conhecia o que estava nos seus corações, aproveitou exatamente esse momento para dizer de novo que não teria homens entregues em suas mãos; ao contrário, ele seria entregue nas mãos dos homens, e não viveria em honra, mas morreria em vergonha. Nem todos os seus milagres, nem todo o favor que tinha alcançado entre o povo, iriam impedir isso.
Ele começa com uma advertência solene: “Ponde vós estas palavras em vossos ouvidos”. Em outras palavras, prestem atenção especial ao que digo, creiam nisso, e não deixem que suas ideias sobre um Messias político os impeçam de aceitar o que estou afirmando. Recebam essa palavra e se submetam a ela. A ideia é que as palavras penetrem não só nos ouvidos, mas no coração. As palavras de Cristo não nos fazem bem algum se não penetram tanto na mente quanto no coração.
Os discípulos foram tristemente lentos para entender essa predição. Marcos diz que eles não entendiam essa palavra. Era clara o bastante, mas eles não queriam recebê‑la em seu sentido simples, porque isso contrariava suas ideias. Também não conseguiam encontrar outro sentido para ela, e tinham medo de perguntar, porque isso poderia tirá‑los do seu sonho agradável. Lucas acrescenta que isso lhes foi encoberto, de maneira que não o percebiam, por causa da pouca fé e do forte preconceito. Não devemos imaginar que isso lhes foi ocultado por misericórdia, para poupá‑los de tristeza; antes, foram eles mesmos que obscureceram o que Jesus dizia, por causa das falsas expectativas que alimentavam.
Em terceiro lugar, Cristo repreendeu seus discípulos por discutirem entre si sobre qual deles seria o maior (Lucas 9:46-48). Já vimos isso antes, e, tristemente, o veremos de novo. A ambição de honra e o desejo de ser o primeiro são pecados que facilmente enredam os discípulos de Cristo. Merecem forte correção, porque brotam de desejos corrompidos que os crentes devem combater e mortificar. Quem quer ser grande neste mundo costuma mirar alto e não se contenta com nada menos do que ser o maior, o que lhe traz muitos problemas e tentações. Os que se contentam em ser pequenos, até o menor, ficam livres de grande parte desse mal.
Jesus Cristo conhece perfeitamente os pensamentos e propósitos do nosso coração. Ele percebeu os pensamentos deles. Para ele, pensamentos são como palavras, e sussurros são como gritos. Isso é um forte motivo para vigiarmos com cuidado nossos pensamentos, porque Cristo os observa de perto.
Cristo quis que seus discípulos buscassem a honra que vem de um comportamento manso, humilde e pronto a ceder, não a que nasce de ambição inquieta. Ele tomou uma criança e a colocou ao seu lado, pois sempre demonstrou bondade para com as crianças, e a usou como exemplo. Eles deveriam tornar‑se como aquela criança: humildes, tranquilos, livres de orgulho. Não deviam correr atrás de aparências mundanas, posição ou grandes títulos, mas dar tão pouca importância a isso quanto aquela criança dava. Também deviam ser livres de amargura contra rivais e dispostos a ocupar o lugar mais baixo, se isso os ajudasse a servir melhor aos outros.
Ele também mostrou que esse era o caminho para a verdadeira honra. Tal humildade lhes conquistaria o respeito dos irmãos, porque aqueles que amam a Cristo os receberiam em seu nome, vendo neles um reflexo do próprio Cristo. E lhes traria o favor do próprio Cristo, porque o que é feito com bondade a um discípulo assim é considerado feito ao próprio Cristo. Quem recebe uma criança como aquela, isto é, um servo do evangelho com esse espírito humilde, recebe a Cristo. E quem recebe a Cristo recebe aquele que o enviou. Ninguém pode alcançar honra maior neste mundo do que ser recebido pelos outros como mensageiro de Deus, e ter Deus e Cristo considerando‑se acolhidos nessa pessoa. Todos os discípulos humildes de Jesus têm essa honra, e, desse modo, o menor entre eles é, de fato, o maior.
Em quarto lugar, Cristo repreendeu seus discípulos por desencorajarem um homem que o honrava e o servia, mesmo não fazendo parte do grupo deles. Ele não era um dos doze, nem sequer um dos setenta, e não andava com eles. Mas, tendo ouvido Cristo em algumas ocasiões, creu nele e, usando o nome de Jesus com fé e oração sincera, expulsava demônios.
Os discípulos tentaram impedi‑lo. Não quiseram permitir que ele orasse ou pregasse, embora isso honrasse a Cristo, ajudasse as pessoas e enfraquecesse o reino de Satanás, simplesmente porque ele não seguia a Cristo junto com eles. Não pertencia ao grupo deles, não tinha sido ordenado como eles, e não lhes prestava respeito especial. De fato, se algum grupo de cristãos já teve motivo para silenciar alguém de fora de sua própria comunhão, os doze discípulos, naquele momento, pareciam tê‑lo. E, ainda assim,
Jesus Cristo os repreendeu por isso e os advertiu a não fazerem o mesmo de novo, nem permitirem que alguém que alegue suceder os apóstolos faça o mesmo. “Não o proibais” (Lucas 9:50), antes, animem‑no. Ele está realizando a mesma obra que vocês, embora, por razões conhecidas por Deus, não caminhe junto com vocês. Ele participará da mesma recompensa final, ainda que não siga exatamente o mesmo caminho.
Vocês fazem bem procedendo como procedem, mas isso não quer dizer que ele faça mal procedendo como procede. Não se segue daí que vocês possam colocá‑lo debaixo de condenação. “Quem não é contra nós é por nós”, e, portanto, deve ser acolhido por nós. Não devemos perder nenhum dos nossos amigos, pois temos tão poucos e tantos inimigos.
Pessoas podem ser verdadeiros seguidores de Cristo e ser aceitas por ele, mesmo que não caminhem junto conosco. Veja (Marcos 9:38-39). Quanto dano à igreja, até mesmo da parte de quem alega ter íntima ligação com Cristo e diz estar zelando por sua honra, seria evitado se esta história fosse bem lembrada!
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Deste capítulo
Lucas 9:1
"E, convocando os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades."
Lucas 9:2
"E enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos."
Lucas 9:3
"E disse-lhes: Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas."
Lucas 9:4
"E em qualquer casa em que entrardes, ficai ali, e de lá saireis."
Lucas 9:5
"E se em qualquer cidade vos não receberem, saindo vós dali, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles."
Lucas 9:6
"E, saindo eles, percorreram todas as aldeias, anunciando o evangelho, e fazendo curas por toda a parte."
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