Josué 10 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Josué 10 na sua vida hoje

43 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Josué 10?

Josué 10 narra a defesa de Gibeom por Israel, a aliança dos cinco reis amorreus contra a cidade e a intervenção extraordinária de Deus, que confunde os inimigos, envia saraiva do céu e prolonga o dia para que o povo complete a vitória. Em seguida, descreve a captura e execução dos cinco reis e uma série de campanhas relâmpago de Josué pelo sul de Canaã, resultando na conquista de várias cidades e de toda a região, sempre enfatizando que o Senhor pelejava por Israel.

Temas principais em Josué 10

Deus como guerreiro que luta pelo seu povo (versículos v.8-14, v.25, v.42)

O capítulo repete que o Senhor entregou os inimigos nas mãos de Israel e que Ele mesmo pelejava por seu povo. A vitória não é atribuída à força militar de Israel, mas à ação soberana de Deus que confunde os adversários, envia saraiva e estende o dia.

Versículos-chave: 8, 11, 14, 42

Fidelidade às alianças e responsabilidade decorrente (versículos v.4-7)

Mesmo tendo sido enganados por Gibeom anteriormente, os israelitas honram o tratado de paz e correm em seu socorro quando são atacados. A aliança assumida gera responsabilidade concreta de proteção e apoio.

Versículos-chave: 4, 6, 7

Intervenção sobrenatural de Deus na história (versículos v.12-14)

O relato do sol que se detém e da lua que para destaca um dia único, em que Deus responde de modo extraordinário à oração de Josué. O texto sublinha que não houve dia semelhante, em que o Senhor tenha ouvido assim a voz de um homem.

Versículos-chave: 12, 13, 14

Juízo divino sobre os reis e cidades de Canaã (versículos v.16-21, v.26-40)

A destruição total dos reis e das cidades, descrita com repetição enfática, é apresentada como cumprimento da ordem do Senhor. As campanhas de Josué não são apenas conquistas territoriais, mas expressão do juízo de Deus sobre uma cultura resistente a Ele.

Versículos-chave: 20, 27, 40

Coragem fortalecida pela promessa de Deus (versículos v.24-25)

A exortação de Josué aos capitães para não temerem, mas se esforçarem e se animarem, está enraizada na certeza de que Deus fará com todos os inimigos o que fez com aqueles cinco reis. A coragem nasce da lembrança das obras de Deus.

Versículos-chave: 24, 25

Contexto histórico e literario

Josué 10 se situa na fase inicial da conquista de Canaã pelos israelitas, após a tomada de Jericó e Ai. Gibeom, uma cidade importante da região montanhosa, havia feito um tratado de paz com Israel, o que provocou a indignação de Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém. Em resposta, ele forma uma coalizão com outros quatro reis amorreus (Hebrom, Jarmute, Laquis e Eglom) para atacar Gibeom, considerada uma cidade grande e estratégica.

Geograficamente, o capítulo percorre uma faixa do sul de Canaã: Gibeom e Bete-Horom nas montanhas centrais; depois Maquedá, Libna, Laquis, Gezer, Eglom, Hebrom e Debir. Esses centros urbanos representavam pequenos reinos-estado cananeus, cada um com seu rei. A guerra descrita é típica da época: cidades fortificadas, coalizões regionais e reis locais exercendo domínio sobre povoados ao redor.

O texto reflete um contexto em que a guerra santa (herem) fazia parte da compreensão de Israel sobre o juízo de Deus e a ocupação da terra prometida. A destruição total das cidades e a execução dos reis são narradas como obediência a uma ordem divina já anunciada em livros anteriores, e como proteção contra a idolatria e práticas religiosas contrárias ao Deus de Israel. O relato também se conecta a tradições antigas como o “livro de Jasher”, mencionado como registro adicional desse dia extraordinário.

Estrutura de Josué 10

Josué 10 apresenta uma estrutura narrativa clara, com progressão geográfica e temática:

  1. Introdução do conflito e aliança dos reis amorreus (v.1-5)

    • Adoni-Zedeque ouve sobre a queda de Ai e a aliança com Gibeom.
    • Formação da coalizão de cinco reis para atacar Gibeom.
  2. Pedido de socorro de Gibeom e resposta de Josué (v.6-8)

    • Gibeom chama Israel para defendê-los.
    • Deus garante a Josué que entregou os inimigos em suas mãos.
  3. Ataque surpresa e intervenção de Deus na batalha (v.9-11)

    • Marcha noturna desde Gilgal.
    • Deus confunde os inimigos e envia grandes pedras de saraiva.
  4. O dia extraordinário: sol e lua se detêm (v.12-14)

    • Oração de Josué diante de Israel.
    • Registro da permanência do sol e da lua até o fim da batalha.
    • Comentário teológico: dia único na história.
  5. Captura, humilhação e execução dos cinco reis (v.15-27)

    • Fuga e esconderijo numa cova em Maquedá.
    • Bloqueio da cova e continuidade da perseguição.
    • Retorno, exposição dos reis, gesto simbólico dos pés sobre os pescoços.
    • Exortação à coragem e execução seguida de sepultamento na cova.
  6. Campanha de conquista do sul de Canaã (v.28-39)

    • Tomada sucessiva de Maquedá, Libna, Laquis, Gezer, Eglom, Hebrom e Debir.
    • Repetição de fórmulas: “feriu-a a fio de espada”, “nada deixou”, “como fizera a…”.
  7. Resumo teológico da campanha (v.40-43)

    • Síntese da conquista de toda a região: montanhas, sul, campinas.
    • Ênfase: o Senhor Deus de Israel pelejava por Israel.
    • Retorno ao arraial em Gilgal, fechando o ciclo narrativo.

O estilo é repetitivo e formulaico, típico de relatos de campanhas militares antigas, reforçando a totalidade da vitória e a centralidade da ação divina em cada etapa.

Significado teológico

Josué 10 aprofunda a compreensão de Deus como Senhor da história, da natureza e das nações. O texto apresenta o Senhor não apenas como Deus de Israel, mas como soberano sobre os reis de Canaã, capaz de desmontar coalizões militares e usar os fenômenos naturais (saraiva, prolongamento do dia) para cumprir seus propósitos.

A resposta de Deus à oração de Josué, culminando num dia sem paralelo, destaca a relação entre liderança humana e ação divina. Josué planeja, marcha de noite, trava batalha; porém, o narrador insiste que é o Senhor quem confunde os inimigos, envia mais morte pela saraiva do que pela espada e prolonga o tempo da vitória. A combinação de responsabilidade humana e soberania divina é um ponto-chave: a iniciativa de Josué não se opõe à vontade de Deus, mas se alinha a ela.

O juízo sobre os reis amorreus e a destruição das cidades levantam questões éticas e teológicas. No contexto bíblico, essas guerras são apresentadas como cumprimento de uma sentença anunciada anteriormente, devido à maldade persistente dessas nações e sua resistência ao Deus criador. O texto não glorifica a violência por si, mas enquadra a guerra como instrumento de juízo divino e de preservação da identidade espiritual de Israel, chamada a não adotar as práticas idólatras da região.

A fidelidade à aliança com Gibeom, mesmo imperfeita em sua origem, revela um Deus que honra compromissos e protege aqueles que se colocam sob sua proteção. Israel, por sua vez, é chamado a agir de acordo com essa fidelidade, defendendo Gibeom apesar do risco militar.

Ao final, o resumo em v.42 enfatiza: “porquanto o Senhor Deus de Israel pelejava por Israel”. Toda a extensa descrição militar converge para essa afirmação teológica central: as conquistas não são mérito da superioridade de Israel, mas expressão do poder e da fidelidade de Deus ao cumprir suas promessas a Abraão, Isaque e Jacó.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Josué 10, embora seja um texto de guerra, oferece elementos importantes para quem enfrenta lutas internas intensas. A narrativa de ameaças externas, alianças hostis e batalhas impossíveis reflete, em linguagem histórica, aquilo que muitas pessoas sentem em nível emocional: sensação de cerco, cansaço, ataques vindos de várias direções ao mesmo tempo.

A ênfase de que o Senhor “pelejava por Israel” traz alívio para quem se sente sobrecarregado, incapaz de controlar tudo. A imagem de Deus que intervém, que confunde o inimigo e envia socorro, comunica que a pessoa não precisa vencer suas batalhas sozinha. O prolongamento do dia ecoa a sensação de que, quando os recursos pessoais parecem insuficientes, a graça de Deus pode “estender o tempo” e dar fôlego para continuar.

Ao mesmo tempo, o capítulo aborda a importância de alianças e apoio em tempos de crise. Gibeom reconhece sua incapacidade de resistir sozinho e clama por ajuda. Essa dinâmica pode ser aplicada à saúde emocional: buscar apoio, pedir socorro, não tentar sustentar tudo no isolamento. A resposta rápida de Josué mostra o valor de relações de confiança e de cuidado mútuo.

Contudo, o conteúdo de violência, morte e destruição pode ser gatilho para pessoas com histórico de trauma ou sensibilidade a imagens de guerra. É importante ler o texto entendendo seu contexto histórico e simbólico, evitando transferir literalmente tais ações para situações atuais ou relações pessoais. Lido com cuidado, o capítulo pode fortalecer a percepção de que Deus permanece presente em meio às piores batalhas, mesmo quando o cenário parece extremo.

warning Importante: maus usos comuns

1) Conteúdo de violência intensa: o capítulo contém descrições de mortes em massa, enforcamento de reis e destruição total de cidades. Para pessoas com histórico de trauma, violência doméstica, guerra ou abuso, essas imagens podem reacender memórias dolorosas.

2) Linguagem de destruição total: expressões como “nada deixou”, “tudo o que tinha fôlego destruiu” podem ser mal interpretadas por quem vive culpa intensa ou tendência à autodestruição, enxergando nelas um aval para pensamentos extremos sobre si ou sobre outros.

3) Possível uso para justificar violência religiosa: a leitura descontextualizada pode alimentar ideias de que Deus aprova qualquer violência em seu nome. Em ambientes já marcados por fanatismo ou abuso espiritual, é imprescindível enfatizar o contexto histórico específico e a diferença entre o Israel teocrático antigo e comunidades atuais.

4) Sensação de abandono para quem não vê milagres visíveis: a narrativa de um dia único, em que o sol e a lua se detêm, pode gerar frustração em pessoas que esperam intervenções espetaculares em seus problemas e não as veem. É importante lembrar que a Bíblia também registra períodos de silêncio e sofrimento, e que a presença de Deus nem sempre se manifesta de forma extraordinária.

5) Cansaço e perfeccionismo espiritual: a sequência de batalhas e vitórias pode ser lida por alguns como exigência de força ininterrupta, alimentando perfeccionismo espiritual ou sensação de fracasso por não “vencer sempre”. O texto, porém, direciona o foco para a ação de Deus, não para a performance impecável de Israel.

Leitores com histórico de depressão grave, ideação suicida, trauma complexo ou abuso espiritual devem ser encorajados a ler este capítulo com acompanhamento pastoral ou terapêutico adequado, integrando o texto a uma visão mais ampla das Escrituras, que inclui lamento, cuidado, misericórdia e limites saudáveis.

Aplicação prática para hoje

1) Honrar compromissos mesmo quando se tornam difíceis: Israel cumpre a aliança com Gibeom, apesar de ela ter nascido de engano e de trazer riscos militares. Na prática, isso inspira seriedade em contratos, promessas e responsabilidades assumidas, buscando maneiras justas e responsáveis de mantê-los, ainda que isso implique sacrifício.

2) Buscar ajuda em momentos de cerco: Gibeom não tenta enfrentar sozinho a coalizão de reis; envia mensageiros a Josué pedindo socorro. No cotidiano, isso se traduz em procurar apoio quando pressões familiares, financeiras ou emocionais se acumulam: conversar com pessoas de confiança, buscar orientação, dividir o peso das lutas.

3) Planejar e agir com coragem, confiando em Deus: Josué não apenas recebe a promessa de Deus; ele marcha de noite, organiza o ataque, persegue os inimigos. A fé se manifesta em atitudes concretas: preparar-se, tomar decisões responsáveis, agir com disciplina, confiando que Deus trabalha por meio desses passos.

4) Lembrar vitórias passadas para enfrentar novos desafios: quando Josué manda os capitães colocarem os pés sobre os pescoços dos reis, reforça que Deus fará o mesmo com futuros inimigos. No dia a dia, revisitar memórias de livramentos e provisões anteriores fortalece a coragem diante das lutas atuais.

5) Reconhecer que a batalha não é vencida apenas na força própria: o texto sublinha que mais morreram pela saraiva do que pela espada de Israel. Em termos práticos, isso incentiva a depender da graça de Deus, da sabedoria que vem de cima, e não apenas da capacidade pessoal, lembrando que resultados muitas vezes vão além do que o esforço humano explicaria.

6) Entender limites de aplicação do texto à realidade atual: as guerras de Josué pertencem a um contexto específico da história da salvação. Hoje, a aplicação mais coerente está em batalhas espirituais, morais e internas: resistir ao mal, combater injustiças por meios justos, buscar pureza e fidelidade a Deus, rejeitando qualquer uso do texto para legitimar violência pessoal ou vingança.

Perguntas frequentes

Por que os cinco reis amorreus se uniram contra Gibeom em vez de atacar diretamente Israel?

Os cinco reis reagiram à aliança de Gibeom com Israel. Gibeom era uma cidade grande e estratégica, semelhante a uma cidade real, e sua mudança de lado enfraquecia politicamente a região cananeia. Atacar Gibeom era uma forma de punir a “traição”, intimidar outras cidades que pensassem em se aliar a Israel e tentar conter o avanço israelita atingindo um aliado recém-conquistado, em vez de enfrentar diretamente Israel logo de início.

Como entender o episódio do sol e da lua que se detêm em Josué 10?

O texto descreve um dia extraordinário em que, em resposta à oração de Josué, o sol se deteve e a lua parou até que Israel completasse a vitória. A narrativa sublinha o caráter único desse evento, afirmando que não houve dia semelhante. Ao longo da história, intérpretes propuseram explicações variadas, desde um milagre literal na ordem cósmica até fenômenos atmosféricos ou uso de linguagem poética. Independentemente do modelo explicativo, o foco do texto é teológico: Deus intervém de modo soberano para garantir a vitória prometida e ouve a oração de seu servo de forma singular.

Por que o capítulo enfatiza tanto a destruição total das cidades e reis?

A repetição de expressões como “nada deixou” e “destruiu totalmente” reflete o conceito de herem, a consagração de algo ao juízo de Deus. Na perspectiva bíblica, as cidades cananeias estavam sob juízo divino por sua maldade e idolatria persistentes, e Israel era o instrumento desse juízo, além de precisar ser protegido da influência religiosa dessas nações. A ênfase indica obediência completa às ordens recebidas e a impossibilidade de convivência com práticas que afastariam o povo do Senhor. Hoje, a aplicação se desloca para a rejeição radical do pecado e da idolatria, não para violência física contra pessoas.

Qual é o significado de os capitães colocarem os pés sobre os pescoços dos reis?

Esse gesto era um símbolo antigo de total submissão do inimigo derrotado. Ao mandar os capitães fazerem isso, Josué comunica que a vitória de Deus sobre esses reis é garantia de que Ele derrotará também os inimigos futuros. O ato funciona como uma cena pedagógica para os líderes de Israel: não devem temer, mas ser fortes e corajosos, porque o Senhor fará o mesmo com todos os adversários. O foco não é humilhar por crueldade, mas ensinar, por meio de um símbolo culturalmente compreensível, a confiar no poder de Deus.

Como conciliar um Deus de amor com as guerras e juízos descritos em Josué 10?

O capítulo retrata um momento específico do plano de Deus na história, em que Ele julga nações que, segundo o testemunho bíblico, persistiram longamente em práticas contrárias à sua vontade. Esse juízo não nega o amor de Deus, mas expressa sua justiça e sua santidade. Ao longo da Bíblia, vê-se tanto a paciência divina quanto momentos em que Ele intervém com severidade. Na revelação posterior, especialmente em Jesus Cristo, Deus se mostra disposto a sofrer o juízo em lugar dos pecadores. A leitura de Josué 10 precisa ser integrada ao conjunto da Escritura, que apresenta um Deus ao mesmo tempo justo e misericordioso, que chama todos ao arrependimento.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Josué 10 retrata um cenário que, por dentro, muitas vezes se parece com aquilo que tantas pessoas vivem: ameaças de todos os lados, cansaço acumulado, sensação de que a batalha não termina. Cinco reis se levantam, Gibeom se vê incapaz de resistir e precisa clamar por ajuda. Em meio a isso, o texto insiste: o Senhor pelejava por Israel. Para quem se sente sobrecarregado, essa afirmação é profundamente consoladora. O povo marcha, luta, corre, mas Deus está presente no meio da luta: Ele confunde os inimigos, envia a saraiva, prolonga o dia. A narrativa sugere que não é preciso carregar tudo sozinho. Há um Deus que entra na história, que vê o perigo se aproximando e não abandona aqueles que estão sob sua proteção. O pedido de socorro de Gibeom também tem um toque de ternura: eles não escondem sua fragilidade, não fingem força. Reconhecem-se servos e clamam: “Não retires as tuas mãos de teus servos”. Essa humildade abre espaço para o cuidado. Muitos corações feridos sofrem em silêncio, tentando lutar sozinhos. O texto mostra que quando a vulnerabilidade é exposta, o socorro pode chegar. Há ainda o dia prolongado, essa sensação de que Deus estica o tempo quando parece que não vai dar mais. Em períodos de dor, às vezes parece que o dia não acaba, mas, aqui, esse tempo ampliado é sinal de cuidado: Deus oferece o que falta para que o povo não seja esmagado pela pressa do inimigo. Mesmo quando a noite demora a chegar, o texto lembra que, por trás disso, pode haver um propósito de proteção. A violência da narrativa, com suas cenas duras, pode doer em quem já viveu traumas. No entanto, há também uma mensagem de defesa: o Senhor não é indiferente às ameaças contra os seus. Ele se levanta, coloca limites, encerra ciclos de opressão. Para corações que sofreram abusos e injustiças, esse Deus que intervém afirma que a opressão não terá a última palavra. No fim, o povo volta ao arraial em paz. Depois de tantas corridas, cercos e temores, há um retorno, um lugar de descanso. Mesmo que a vida ainda tenha outras batalhas, Josué 10 guarda esta imagem: o caminho da luta também inclui momentos de paz dada por Deus, onde o coração pode respirar mais fundo e lembrar que não lutou sozinho.

Mind
Mind

Sob a perspectiva do estudo bíblico, Josué 10 é um texto denso em teologia, história e forma literária. Ele registra a primeira grande campanha de Josué no sul de Canaã, desencadeada pela aliança com Gibeom. A reação de Adoni-Zedeque e dos outros reis amorreus mostra a dinâmica geopolítica da época: pequenos reinos-estado buscando equilíbrio de poder diante da entrada de Israel na região. Do ponto de vista literário, o capítulo se constrói em torno de duas grandes unidades: a batalha por Gibeom (v.1-27) e a campanha de conquista do sul (v.28-43), ambas envoltas por declarações teológicas-chave (v.8, v.14, v.42). A repetição de fórmulas como “o Senhor a deu na mão de Israel” e “nada deixou” reforça o caráter programático da narrativa, que quer mostrar o cumprimento das promessas feitas em Deuteronômio e em Josué 1. O episódio do sol e da lua que se detêm é central. O texto preserva um poema antigo (v.12-13a) e o associa ao “livro de Jasher”, provavelmente uma coleção de cânticos heroicos de Israel. A narrativa em prosa interpreta esse cântico como descrição de um dia único em que Deus atendeu de modo excepcional a oração de Josué. Ao longo da história, intérpretes oscilaram entre uma leitura literal, uma leitura fenomenológica (como o dia foi percebido pelos combatentes) e uma leitura mais poética. Independentemente da solução, o narrador quer destacar que Deus é Senhor sobre a natureza e o tempo, e que sua intervenção legitima a liderança de Josué. No campo da teologia bíblica, o texto é um exemplo clássico do conceito de guerra santa. Israel não é apresentado como um império expansionista comum, mas como instrumento de juízo. As ordens de destruição total (herem) se conectam a passagens anteriores que descrevem a corrupção moral e religiosa dos cananeus. É necessário, porém, atenção hermenêutica: o texto pertence a uma fase específica da história da salvação e não pode ser transportado diretamente para contextos posteriores como modelo de conduta universal. Outro ponto relevante é a ética da aliança. Mesmo tendo sido enganados por Gibeom no capítulo anterior, os israelitas não revogam o tratado. Ao contrário, arriscam-se para defender seus aliados. A narrativa sugere que compromissos assumidos diante de Deus têm peso duradouro. Isso ajuda a entender a importância de juramentos e alianças na teologia do Antigo Testamento. Por fim, o resumo em v.40-43 funciona como um selo editorial sobre a campanha: a vitória não é mérito militar, mas teológico. As fronteiras mencionadas (de Cades-Barnéia a Gaza, e de Gósen até Gibeom) situam geograficamente a extensão do avanço, mas o foco continua sendo a iniciativa divina: “o Senhor Deus de Israel pelejava por Israel”. A história, assim, é lida como campo de manifestação do caráter e das promessas de Deus.

Life
Life

Josué 10 aproxima temas de liderança, alianças e decisões estratégicas do terreno das escolhas diárias. A reação de Josué ao pedido de Gibeom é um exemplo claro: mesmo sabendo que a situação é difícil, ele não recua do compromisso assumido. Em termos práticos, isso lembra que responsabilidade não é apenas uma palavra bonita, mas envolve correr riscos em favor daqueles com quem se estabeleceu aliança — seja no casamento, na família, no trabalho ou em compromissos ministeriais. Outro aspecto é a combinação de fé com planejamento. Deus promete: “Não os temas, porque os tenho dado na tua mão”. Em seguida, Josué organiza uma marcha noturna e um ataque surpresa. Isso mostra que confiar em Deus não é cruzar os braços, mas planejar com seriedade, usar bem o tempo, preparar a equipe e agir na hora certa. Na vida profissional, por exemplo, isso pode significar estudar, planejar projetos, gerir recursos com responsabilidade, sempre reconhecendo que o resultado final está nas mãos de Deus. A história de Gibeom ensina sobre saber pedir ajuda. Em vez de manter o orgulho, eles enviam mensageiros a Josué: “Não retires as tuas mãos de teus servos”. Em situações de crise familiar, financeira ou emocional, pedir socorro a pessoas de confiança é uma atitude madura. Assim como Gibeom, muitas vezes a saída está em admitir que não é possível resolver tudo sozinho e buscar apoio adequado. O gesto dos capitães colocando os pés sobre os pescoços dos reis tem uma lição prática de liderança: Josué quer que eles experimentem, na prática, o que significa ver Deus derrotando inimigos. Líderes que envolvem outros na vitória, compartilham responsabilidades e encorajam sua equipe a enxergar resultados concretos ajudam pessoas a crescer em confiança e maturidade. No ambiente de trabalho ou em ministérios, isso se traduz em delegar, reconhecer conquistas e celebrar juntas as vitórias. Ao mesmo tempo, a sequência de campanhas ressalta a importância de constância. Josué não para em Maquedá; ele segue para Libna, Laquis, Eglom, Hebrom e Debir. Em desafios de longo prazo — como criar filhos, cuidar da saúde, organizar finanças — a perseverança é fundamental. Não se trata de agir de forma impulsiva, mas de prosseguir passo a passo, com foco, lembrando que cada etapa vencida prepara a seguinte. Por fim, o capítulo alerta para o perigo de usar textos de guerra para legitimar agressividade em relacionamentos. As batalhas de Josué não são modelo para conflitos conjugais, discussões familiares ou disputas no trabalho. A aplicação hoje passa por enfrentar injustiças, hábitos destrutivos e escolhas erradas com firmeza, sem confundir firmeza moral com violência. A verdadeira coragem, no cotidiano, muitas vezes se expressa em dialogar, perdoar, estabelecer limites saudáveis e buscar reconciliação sempre que for possível.

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Versículos em Josué 10

Josué 10:1

" E sucedeu que, ouvindo Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, que Josué tomara a Ai, e a tinha destruído totalmente, e fizera a Ai, e ao seu rei, como tinha feito a Jericó e ao seu rei, e que os moradores de Gibeom fizeram paz com os israelitas, e estavam no meio deles, "

Josué 10:2

" Temeram muito, porque Gibeom era uma cidade grande, como uma das cidades reais, e ainda maior do que Ai, e todos os seus homens valentes. "

Josué 10:3

" Pelo que Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, enviou a Hoão, rei de Hebrom, e a Pirão, rei de Jarmute, e a Jafia, rei de Laquis e a Debir, rei de Eglom, dizendo: "

Josué 10:4

" Subi a mim, e ajudai-me, e firamos a Gibeom, porquanto fez paz com Josué e com os filhos de Israel. "

Josué 10:4 mostra reis amorreus se unindo para atacar Gibeão porque ela fez paz com Israel. O versículo revela como quem decide fazer o que …

Ler análise completa

Josué 10:5

" Então se ajuntaram, e subiram cinco reis dos amorreus, o rei de Jerusalém, o rei de Hebrom, o rei de Jarmute, o rei de Laquis, o rei de Eglom, eles e todos os seus exércitos; e sitiaram a Gibeom e pelejaram contra ela. "

Josué 10:6

" Enviaram, pois, os homens de Gibeom a Josué, ao arraial de Gilgal, dizendo: Não retires as tuas mãos de teus servos; sobe apressadamente a nós, e livra-nos e ajuda-nos, porquanto todos os reis dos amorreus, que habitam na montanha, se ajuntaram contra nós. "

Josué 10:8

" E o Senhor disse a Josué: Não os temas, porque os tenho dado na tua mão; nenhum deles te poderá resistir. "

Josué 10:10

" E o Senhor os conturbou diante de Israel, e os feriu com grande matança em Gibeom; e perseguiu-os pelo caminho que sobe a Bete-Horom, e feriu-os até Azeca e a Maquedá. "

Josué 10:11

" E sucedeu que fugindo eles de diante de Israel, à descida de Bete-Horom, o Senhor lançou sobre eles, do céu, grandes pedras, até Azeca, e morreram; e foram muitos mais os que morreram das pedras da saraiva do que os que os filhos de Israel mataram à espada. "

Josué 10:12

" Então Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor deu os amorreus nas mãos dos filhos de Israel, e disse na presença dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeom, e tu, lua, no vale de Ajalom. "

Josué 10:13

" E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Isto não está escrito no livro de Jasher? O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. "

Josué 10:13 mostra Deus intervindo de forma extraordinária para dar vitória a Israel, fazendo o dia durar mais. O sentido principal é que, quando Deus …

Ler análise completa

Josué 10:14

" E não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele, ouvindo o Senhor assim a voz de um homem; porque o Senhor pelejava por Israel. "

Josué 10:19

" Porém vós não vos detenhais; persegui os vossos inimigos, e atacai os que vão ficando atrás; não os deixeis entrar nas suas cidades, porque o Senhor vosso Deus já vo-los deu na vossa mão. "

Josué 10:20

" E sucedeu que, acabando Josué e os filhos de Israel de os ferir com grande matança, até consumi-los, e os que ficaram deles se retiraram às cidades fortificadas, "

Josué 10:21

" Todo o povo voltou em paz a Josué, ao arraial em Maquedá; não havendo ninguém que movesse a sua língua contra os filhos de Israel. "

Josué 10:23

" Fizeram, pois, assim, e trouxeram-lhe aqueles cinco reis para fora da cova: o rei de Jerusalém, o rei de Hebrom, o rei de Jarmute, o rei de Laquis e o rei de Eglom. "

Josué 10:24

" E sucedeu que, trazendo aqueles reis a Josué, este chamou todos os homens de Israel, e disse aos capitães dos homens de guerra, que foram com ele: Chegai, ponde os vossos pés sobre os pescoços destes reis. E chegaram, e puseram os seus pés sobre os pescoços deles. "

Josué 10:25

" Então Josué lhes disse: Não temais, nem vos espanteis; esforçai-vos e animai-vos; porque assim o fará o Senhor a todos os vossos inimigos, contra os quais pelejardes. "

Josué 10:26

" E, depois disto, Josué os feriu, e os matou, e os enforcou em cinco madeiros; e ficaram enforcados nos madeiros até à tarde. "

Josué 10:27

" E sucedeu que, ao pôr do sol, deu Josué ordem que os tirassem dos madeiros; e lançaram-nos na cova onde se esconderam; e puseram grandes pedras à boca da cova, que ainda ali estão até o dia de hoje. "

Josué 10:28

" E naquele mesmo dia tomou Josué a Maquedá, e feriu-a a fio de espada, bem como ao seu rei; totalmente a destruiu com todos que nela havia, sem nada deixar; e fez ao rei de Maquedá como fizera ao rei de Jericó. "

Josué 10:30

" E também o Senhor a deu na mão de Israel, a ela e a seu rei, e a feriu a fio de espada, a ela e a todos que nela estavam; sem nada deixar; e fez ao seu rei como fizera ao rei de Jericó. "

Josué 10:32

" E o Senhor deu a Laquis nas mãos de Israel, e tomou-a no dia seguinte e a feriu a fio de espada, a ela e a todos os que nela estavam, conforme a tudo o que fizera a Libna. "

Josué 10:33

" Então Horão, rei de Gezer, subiu a ajudar a Laquis, porém Josué o feriu, a ele e ao seu povo, até não lhe deixar nem sequer um. "

Josué 10:35

" E no mesmo dia a tomaram, e a feriram a fio de espada; e a todos os que nela estavam, destruiu totalmente no mesmo dia, conforme a tudo o que fizera a Laquis. "

Josué 10:37

" E a tomaram, e a feriram ao fio de espada, assim ao seu rei como a todas as suas cidades; e a todos os que nelas estavam, a ninguém deixou com vida, conforme a tudo o que fizera a Eglom; e a destruiu totalmente, a ela e a todos os que nela estavam. "

Josué 10:39

" E tomou-a com o seu rei, e a todas as suas cidades, e as feriu a fio de espada, e a todos os que nelas estavam destruiu totalmente; nada deixou; como fizera a Hebrom, assim fez a Debir e ao seu rei, e como fizera a Libna e ao seu rei. "

Josué 10:40

" Assim feriu Josué toda aquela terra, as montanhas, o sul, e as campinas, e as descidas das águas, e a todos os seus reis; nada deixou; mas tudo o que tinha fôlego destruiu, como ordenara o Senhor Deus de Israel. "

Josué 10:42

" E de uma vez tomou Josué todos estes reis, e as suas terras; porquanto o Senhor Deus de Israel pelejava por Israel. "

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