Juízes 23 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Juízes 23 na sua vida hoje

35 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Juízes 23?

Juízes 15 narra a sequência do conflito entre Sansão e os filisteus, iniciado por causa da perda de sua esposa. A vingança pessoal de Sansão gera uma espiral de violência, culminando na destruição das colheitas dos filisteus, na morte brutal de muitos inimigos e numa grande batalha em Leí. Mesmo em meio à motivação imperfeita de Sansão, o Espírito do Senhor o capacita para livrar Israel. O capítulo termina com Deus suprindo milagrosamente a sede extrema de Sansão e com a afirmação de que ele julgou Israel por vinte anos durante o domínio filisteu.

Temas principais em Juízes 23

Vingança humana e justiça de Deus (versículos 1-8)

Sansão reage à traição de sua esposa e de seu sogro com vingança, incendiando as colheitas dos filisteus e matando muitos deles. A narrativa mostra como a vingança pessoal gera ciclos de retaliação, mas, ao mesmo tempo, Deus soberanamente usa essas ações imperfeitas para enfraquecer o opressor filisteu.

Versículos-chave: 3, 8

Capacitação do Espírito em meio à fraqueza (versículos 14-16)

Quando Sansão é entregue amarrado aos filisteus, o Espírito do Senhor se apodera dele de forma poderosa. As cordas se desfazem e ele derrota mil homens com uma simples queixada de jumento, revelando que a força real não vem do instrumento nem do herói, mas da ação de Deus.

Versículos-chave: 14, 15

Dependência de Deus mesmo após vitórias (versículos 18-19)

Depois de uma grande vitória, Sansão quase morre de sede e clama a Deus. O livramento não termina na batalha: Deus supre a necessidade física do juiz, mostrando que até o mais forte precisa reconhecer sua fragilidade e depender do socorro divino.

Versículos-chave: 18, 19

Ambiguidade espiritual do líder (versículos 3-7, 18-20)

Sansão é ao mesmo tempo instrumento de Deus e homem movido por impulsos pessoais. Ele busca vingança, reage com violência extrema, mas também reconhece que a salvação vem da mão do Senhor. O texto retrata um líder usado por Deus, porém marcado por contradições.

Versículos-chave: 7, 18, 20

Opressão filisteia e acomodação de Judá (versículos 9-13)

Os homens de Judá se mostram acomodados ao domínio filisteu e preferem entregar Sansão ao inimigo a enfrentar a opressão. Isso revela a passividade espiritual e política de Israel, contrastando com a ação isolada de Sansão.

Versículos-chave: 11, 12

Contexto histórico e literario

Juízes 15 se situa no período dos juízes, uma fase em que Israel ainda não tinha rei e era constantemente oprimido por povos vizinhos. Aqui o inimigo principal são os filisteus, um povo costeiro tecnologicamente avançado, com forte domínio militar e armas de ferro. Eles exercem controle político sobre regiões de Judá, a ponto de os próprios israelitas reconhecerem: “os filisteus dominam sobre nós” (v.11).

Sansão é da tribo de Dã, mas o cenário do capítulo se concentra em Judá e na região de Leí. O casamento com uma filisteia em Timna, narrado no capítulo anterior, serve de pano de fundo para o conflito atual. O pai da mulher de Sansão a entrega a outro homem (seu “companheiro”), algo que, dentro dos costumes da época, era um rompimento grave do pacto matrimonial e da honra familiar.

A “sega do trigo” (v.1) indica época de colheita, momento crucial para a economia agrícola. Incendiar searas, vinhas e olivais (v.5) era um ataque devastador, atingindo a subsistência e a riqueza de uma nação. A queixada de jumento (v.15) era um osso grande e firme, usado aqui de forma improvável como arma. Lugares como a rocha de Etã e Leí tornam-se marcos da atuação de Sansão e recebem nomes significativos: Ramate-Leí (“altura da queixada”) e En-Hacoré (“a fonte do que clama”), conservando a memória dos feitos e do socorro de Deus.

O fato de três mil homens de Judá irem negociar com Sansão (v.11) indica tanto o temor do poder filisteu quanto a fama da força de Sansão. Ele julga Israel por vinte anos “nos dias dos filisteus” (v.20), isto é, sua liderança ocorre em um contexto em que a opressão inimiga ainda existe, mas é constantemente desafiada por atos de libertação.

Estrutura de Juízes 23

Juízes 15 apresenta uma narrativa contínua, mas pode ser organizada em cenas bem definidas:

  1. Retorno de Sansão e ruptura conjugal (15:1-3)

    • Sansão visita sua esposa na época da colheita com um presente (um cabrito), mas é impedido de entrar.
    • O pai da mulher revela que a deu ao “companheiro” de Sansão e oferece a irmã mais nova em troca.
    • Sansão declara que agora se considera inocente em fazer mal aos filisteus.
  2. Ataque às colheitas dos filisteus (15:4-5)

    • Sansão captura trezentas raposas, amarra-as cauda a cauda com tochas e as solta no meio das searas.
    • As plantações, vinhas e olivais são destruídos pelo fogo.
  3. Retaliação dos filisteus e nova vingança de Sansão (15:6-8)

    • Os filisteus investigam o responsável e descobrem que foi Sansão.
    • Em vingança, queimam a mulher de Sansão e o pai dela.
    • Sansão responde com outra vingança, ferindo-os “pernas juntamente com coxa” e se retira para a fenda da rocha de Etã.
  4. Pressão filisteia sobre Judá e entrega de Sansão (15:9-13)

    • Os filisteus sobem e acampam-se em Judá, em Leí.
    • Homens de Judá perguntam o motivo do ataque e recebem como resposta que querem prender Sansão.
    • Três mil homens de Judá vão até Sansão e negociam entregá-lo, prometendo não matá-lo.
    • Sansão aceita ser amarrado com duas cordas novas.
  5. Libertação sobrenatural e a batalha em Leí (15:14-17)

    • Ao chegar em Leí, os filisteus vêm ao encontro dele com júbilo.
    • O Espírito do Senhor se apodera de Sansão; as cordas se desfazem como linho queimado.
    • Sansão encontra uma queixada fresca de jumento, com a qual mata mil homens.
    • Ele faz um trocadilho poético sobre a vitória e o lugar é chamado Ramate-Leí.
  6. Sede extrema, clamor e provisão de Deus (15:18-19)

    • Após a batalha, Sansão sofre com grande sede e clama ao Senhor, reconhecendo que a salvação veio de Deus.
    • Deus fende uma cavidade, da qual jorra água; Sansão bebe, recobra o ânimo, e o lugar recebe o nome de En-Hacoré (“a fonte do que clama”).
  7. Resumo do período de liderança de Sansão (15:20)

    • Nota editorial que conclui a seção: Sansão julgou a Israel por vinte anos, nos dias dos filisteus.

A narrativa alterna episódios de violência, diálogos curtos e explicações editoriais. O uso de nomes simbólicos de lugares, jogos de palavras (especialmente em torno da queixada) e a repetição do motivo da vingança criam uma composição intensa e memorável.

Significado teológico

Juízes 15 destaca a tensão entre a soberania de Deus e a falha humana. Sansão não aparece como um herói moral perfeito, mas como alguém dominado por impulsos de vingança, orgulho e reatividade. Mesmo assim, Deus o usa como instrumento para julgar os filisteus e proteger Israel. A teologia do capítulo não exalta o temperamento de Sansão, e sim a capacidade de Deus de cumprir seus propósitos por meios inesperados e contraditórios.

O texto mostra a ação do Espírito do Senhor (v.14) como fonte real da força de Sansão. Não se trata de uma qualidade inata ou de mera habilidade humana; é capacitação divina para uma tarefa específica de libertação. O Espírito não valida todo o caráter de Sansão, mas o equipa em momentos pontuais para enfrentar o inimigo. Isso ressalta a diferença entre ter dons e ter maturidade espiritual.

Há também o tema da dependência do socorro de Deus. Depois de matar mil homens, Sansão está prestes a sucumbir à sede. Sua oração é ambígua: mistura reconhecimento da “grande salvação” vinda da mão de Deus com certo tom de queixa (v.18). Mesmo assim, Deus responde com graça, abrindo uma fonte de água. A mesma mão que dá vitória militar provê sustento físico, evocando a imagem do Deus que dá água em meio à sequidão, como no Êxodo.

Teologicamente, a acomodação dos homens de Judá diante do domínio filisteu (v.11-13) denuncia uma crise espiritual em Israel. Em vez de clamar ao Senhor por libertação, o povo tenta preservar uma paz falsa, entregando seu próprio juiz ao opressor. O contraste entre a apatia coletiva e a força individual de Sansão revela que o verdadeiro problema de Israel não é apenas político ou militar, mas espiritual: falta confiança no Senhor e disposição para romper com a opressão.

Por fim, o resumo em 15:20 situa a atuação de Sansão dentro da sequência dos juízes: ele exerce um papel de liderança durante vinte anos, em um tempo em que os filisteus ainda dominam. A salvação, nessa fase, é parcial e provisória, apontando para a necessidade de um libertador definitivo, plenamente justo e obediente, que traga uma libertação completa do poder do mal.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Do ponto de vista do cuidado emocional, Juízes 15 mostra o impacto devastador de relações quebradas, humilhação e injustiça, e como sentimentos de raiva e desejo de vingança podem escalar rapidamente. A história de Sansão ilustra uma pessoa ferida que responde de forma impulsiva e violenta, o que alimenta ainda mais dor ao redor e nele mesmo.

O texto também mostra um coração exausto após uma grande luta. Após a vitória, Sansão sente sede extrema e teme morrer (v.18). Essa cena se aproxima da experiência de quem enfrenta batalhas intensas – emocionais, familiares, espirituais – e, depois de “aguentar firme”, sente um cansaço profundo, quase insuportável. A Bíblia registra esse momento de fraqueza sem censura e mostra que o clamor honesto encontra resposta de Deus.

Há ainda a dimensão coletiva: o povo de Judá, com medo, prefere entregar Sansão a enfrentar o opressor. Isso reflete contextos em que comunidades inteiras aprendem a conviver com a opressão e a injustiça, internalizando sentimentos de impotência e resignação. O capítulo revela como ambientes assim podem pressionar indivíduos a se calarem ou se retraírem.

Na perspectiva terapêutica, o texto valida a realidade da raiva diante de traições e perdas, mas evidencia os riscos de quando a ira se torna guia das ações. Mostra também que mesmo pessoas fortes, admiradas e usadas em tarefas importantes podem chegar ao limite emocional e físico, e que buscar ajuda – no caso de Sansão, clamar a Deus – não é sinal de fraqueza, mas de humanidade.

warning Importante: maus usos comuns

  • Ciclos de vingança e retaliação, em que uma agressão gera outra ainda maior, podendo normalizar comportamentos abusivos e violentos.
  • Uso da força ou poder pessoal (físico, emocional, econômico, espiritual) para resolver conflitos, em vez de diálogo, limites saudáveis e justiça adequada.
  • Tendência de guardar mágoas profundas por traições familiares ou conjugais e canalizá-las em explosões de raiva, agressões verbais ou físicas.
  • Ambientes coletivos que se acomodam a relações opressoras e escolhem a submissão por medo, perdendo a capacidade de questionar injustiças.
  • Exaustão extrema após períodos de grande esforço (físico, emocional ou espiritual), sem cuidado adequado com descanso, hidratação, alimentação e suporte emocional.
  • Sensação de que o valor pessoal depende de conquistas, vitórias ou demonstrações de força, dificultando o reconhecimento de limites e vulnerabilidades.
  • Uso de sofrimento e de sensação de abandono para justificar comportamentos destrutivos, sem buscar ajuda segura ou caminhos de restauração.

Aplicação prática para hoje

  • Reconhecer que respostas movidas pela raiva, como as de Sansão, tendem a multiplicar conflitos e prejuízos, e buscar caminhos de reconciliação e justiça que não alimentem ciclos de vingança.
  • Observar em que áreas há acomodação a situações injustas ou opressoras, como o povo de Judá, e começar por pequenos passos de coragem, buscando apoio em comunidades e lideranças confiáveis.
  • Lembrar que dons, talentos ou posições de destaque não substituem a necessidade de caráter trabalhado e autocontrole; desenvolver hábitos de reflexão, aconselhamento e prestação de contas.
  • Após momentos de grande pressão ou conquista, priorizar descanso, cuidado com o corpo e com as emoções, entendendo que até os “fortes” precisam de recuperação e sustento.
  • Cultivar uma postura de oração honesta, como a de Sansão em sua sede, reconhecendo tanto o que Deus já fez quanto as necessidades atuais, sem mascarar fragilidades.
  • Ler histórias como a de Sansão com olhar crítico e humilde, percebendo nelas alertas sobre o perigo de decisões impulsivas e da confiança excessiva em si mesmo.
  • Valorizar a provisão cotidiana de Deus (como a água em En-Hacoré), treinando a gratidão por pequenos sinais de cuidado mesmo em contextos de luta e inacabamento.

Perguntas frequentes

Por que Sansão incendiou as colheitas dos filisteus com raposas?

Sansão se sentiu traído ao descobrir que seu sogro havia dado sua esposa a outro homem (v.1-2). Em resposta, disse que seria inocente em fazer mal aos filisteus (v.3) e arquitetou um ataque econômico devastador: capturou trezentas raposas, amarrou-as cauda a cauda com tochas e as soltou nas searas em tempo de colheita (v.4-5). Esse ato foi uma vingança pessoal, mas, dentro do enredo de Juízes, também enfraqueceu o opressor filisteu.

Os atos violentos de Sansão são aprovados por Deus?

O texto mostra que o Espírito do Senhor capacita Sansão em momentos específicos (v.14), mas não apresenta suas motivações de vingança como modelo moral. A narrativa descreve, mais do que prescreve. Sansão é um juiz usado por Deus, porém com caráter marcado por impulsividade e retaliação. Deus, em sua soberania, utiliza até decisões falhas para cumprir seu propósito de julgar os filisteus, sem que isso signifique aprovação de toda a conduta de Sansão.

Por que os homens de Judá entregaram Sansão aos filisteus?

Os homens de Judá estavam submetidos ao domínio filisteu e tinham medo de represálias. Ao questionarem Sansão, dizem claramente: “Não sabias tu que os filisteus dominam sobre nós?” (v.11). Em vez de verem Sansão como libertador, o enxergam como ameaça à frágil segurança sob opressão. Por isso, preferem negociá-lo e entregá-lo amarrado (v.12-13), revelando a acomodação do povo à situação de cativeiro.

O que significa o Espírito do Senhor se apoderar de Sansão?

Quando o texto afirma que “o Espírito do Senhor poderosamente se apossou dele” (v.14), indica uma ação especial de Deus, concedendo força sobrenatural para uma tarefa específica: libertar-se das amarras e enfrentar os filisteus. Não se trata de uma possessão no sentido negativo, mas de capacitação divina. Isso mostra que a fonte da força de Sansão não é apenas natural, mas resultado da intervenção de Deus a favor de seu povo.

O que é Ramate-Leí e En-Hacoré mencionados no capítulo?

Após matar mil filisteus com uma queixada de jumento, Sansão lança a arma e o lugar recebe o nome de Ramate-Leí, que pode ser entendido como “altura da queixada” (v.17), lembrando a vitória improvável. Mais tarde, quando Deus abre uma fonte de água em resposta ao clamor de Sansão, o local é chamado En-Hacoré, “a fonte do que clama” (v.19). Esses nomes funcionam como memoriais da intervenção de Deus na história de Sansão e de Israel.

O que significa Sansão julgar Israel durante vinte anos?

A expressão “julgou a Israel, nos dias dos filisteus, vinte anos” (v.20) indica que Sansão exerceu uma liderança carismática e militar por duas décadas. Como outros juízes, ele não foi um rei, mas um líder levantado por Deus em momentos de crise, com papel de livrar o povo de opressores e exercer certo tipo de autoridade sobre Israel em sua região.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Juízes 15 mostra corações quebrados em vários níveis. Há a dor de Sansão ao descobrir que a mulher que chamou de esposa foi entregue a outro. Há a crueldade contra aquela família, que termina queimada pelos filisteus. Há um povo inteiro vivendo com medo, acostumado a ser dominado. E há um homem forte por fora, Sansão, que termina o capítulo no limite, com sede, quase desfalecendo. A história não esconde a raiva, a sede de vingança, o exagero das respostas. Mostra uma pessoa ferida que responde ferindo ainda mais. Muitas situações de hoje se parecem com isso: traições que viram guerra, mágoas que explodem em palavras duras, famílias que se partem porque ninguém sabe o que fazer com a dor. O texto não romantiza essa violência, mas registra o estrago que ela causa. No meio de tudo, há uma cena muito humana: depois da grande vitória, vem a exaustão. Sansão, que parecia invencível, admite sua fragilidade: teme morrer de sede e cair nas mãos dos inimigos (v.18). Esse momento revela que até quem parece forte cansa, desanima, sente medo de não aguentar. E, surpreendentemente, Deus não vira o rosto. Ele escuta o clamor e abre uma fonte no lugar da sequidão. Para o coração cansado, esse capítulo traz duas verdades importantes: a raiva pode até explicar certas reações, mas não cura a ferida; e Deus não abandona quem chega ao limite. Aquele que deu força para enfrentar a batalha também dá água para atravessar o deserto da alma. A memória de En-Hacoré, a “fonte do que clama”, lembra que chorar, chamar por ajuda e admitir que não dá conta sozinho faz parte do caminho de cuidado de Deus.

Mind
Mente

Do ponto de vista da compreensão bíblica, Juízes 15 aprofunda o retrato complexo de Sansão. Ele é um nazireu e juiz levantado por Deus, mas o capítulo evidencia a natureza pessoal e reativa de suas ações. Sua motivação é, principalmente, vingança por uma honra ferida, não um zelo claro pela aliança de Israel com o Senhor. A estrutura do capítulo é claramente escalonada: a sequência começa com uma questão conjugal e familiar (v.1-2), passa para um ataque econômico (v.4-5), gera represálias brutais (v.6) e culmina em batalhas sangrentas (v.8, v.15). Isso mostra como conflitos pessoais, quando misturados à opressão política, podem se transformar em crises nacionais. O papel do Espírito do Senhor em v.14 é teologicamente central. O texto não diz que o Espírito aprova o temperamento de Sansão, mas que concede força em um momento específico, transformando cordas em fios queimados. Esse padrão aparece também em outros momentos da vida de Sansão: a capacitação é pontual e conectada à missão de confrontar os filisteus. A narrativa distingue a dádiva de força da maturidade moral do personagem. Outro ponto importante é a atitude de Judá. Três mil homens vão falar com Sansão e não questionam o domínio filisteu; assumem como realidade incontestável: “os filisteus dominam sobre nós” (v.11). A função literária desse diálogo é contrastar a fé pequena do povo com a ação extraordinária de Deus por meio de um único homem. Em termos teológicos, o problema de Israel não é apenas a força dos inimigos, mas a falta de confiança na capacidade de Deus de libertar. Por fim, os jogos de palavras em torno da queixada e a nomeação de lugares (Ramate-Leí, En-Hacoré) mostram uma intenção de fixar memória teológica na geografia. A terra de Israel é marcada por nomes que contam histórias da intervenção de Deus. Mesmo através de um juiz ambíguo como Sansão, o autor de Juízes destaca a continuidade de um Deus que julga opressores, sustenta seu povo e deixa rastros de sua ação na história e no espaço.

Life
Vida

Na vida prática, Juízes 15 expõe dinâmicas muito conhecidas: relacionamentos rompidos, decisões tomadas no calor da raiva, comunidades com medo de enfrentar injustiças. Sansão se vê traído e reage da pior forma possível: atingindo tudo que os outros têm de mais sensível, as colheitas e a honra. A reação dos filisteus é ainda mais cruel. O resultado é uma escalada em que ninguém ganha de verdade. Isso espelha o que acontece em muitos lares e ambientes de trabalho: alguém erra, o outro responde com algo “pior para compensar”, e, quando se percebe, a situação já saiu de controle. O capítulo deixa claro que a força bruta, a ironia e a humilhação do outro não resolvem conflitos; só ampliam cicatrizes. Sansão vence batalhas, mas não constrói relações. Há também a postura dos homens de Judá, que preferem preservar uma paz aparente a questionar a opressão. Essa atitude lembra contextos em que, por medo de perder um emprego, um relacionamento ou a boa aparência social, pessoas e grupos se calam diante do que é errado. O texto sugere que essa acomodação tem um preço alto: entrega-se quem deveria ser protegido e reforça-se o poder do opressor. Ao mesmo tempo, Juízes 15 ajuda a equilibrar a visão sobre sucesso e capacidade. Sansão realiza algo impressionante ao derrotar mil homens com uma queixada, mas, logo em seguida, está à beira do colapso físico pela sede. Isso lembra que grandes conquistas – profissionais, ministeriais, familiares – podem esconder um corpo e uma mente exaustos. Cuidar da saúde, do descanso e do ritmo é parte da responsabilidade diante de Deus e das pessoas ao redor. Por fim, a cena de Sansão clamando e recebendo água mostra um caminho prático importante: aprender a pedir ajuda. Em vez de insistir em provar que dá conta de tudo sozinho, o personagem finalmente verbaliza sua necessidade. A história sugere que reconhecer o limite, tanto diante de Deus quanto de pessoas confiáveis, abre espaço para provisão, recuperação e decisões mais sábias depois da batalha.

Soul
Alma

Espiritualmente, Juízes 15 é um retrato de como Deus opera em meio a corações desordenados. Sansão é consagrado desde o ventre, mas sua vida revela um interior dividido: ele carrega um chamado de Deus, porém age muitas vezes a partir do orgulho ferido e da sede de vingança. Mesmo assim, o Senhor o visita com seu Espírito e o usa na história. Isso não relativiza o pecado, mas revela um Deus que não é limitado pelas contradições humanas. O capítulo também fala do perigo de um povo que se acomoda ao jugo inimigo. Judá está resignado: “os filisteus dominam sobre nós”. Essa frase ressoa como uma confissão de desesperança, quase uma oração ao contrário. Quando o coração aceita como definitivo aquilo que Deus não selou como permanente, a alma perde o gosto de esperar libertação. A história de Sansão, ainda que fragmentada, lembra que Deus continua a despertar movimentos de resistência mesmo quando a maioria se rende. A cena mais profunda espiritualmente é talvez a de Sansão sedento. Depois de agir com força extraordinária, ele descobre que é finito, frágil, dependente. Seu clamor é imperfeito, mas sincero: ele reconhece que a salvação veio da mão do Senhor e, ao mesmo tempo, expõe seu medo de morrer (v.18). A resposta de Deus, abrindo uma fonte em lugar improvável, ecoa outras passagens bíblicas em que a água brota na sequidão, sinal de graça imerecida e renovação interior. Esse episódio antecipa uma verdade maior: toda vitória exterior precisa ser acompanhada por uma fonte interior. Sem a água que Deus dá, até os feitos mais impressionantes se tornam vazios e insustentáveis. En-Hacoré, “a fonte do que clama”, é um símbolo da vida espiritual que se renova não na autossuficiência, mas no clamor humilde. À luz de toda a Escritura, Juízes 15 aponta para a necessidade de um libertador diferente, que não seja movido por vingança pessoal, mas por amor e obediência plena. A história de Sansão, com suas rachaduras, torna mais evidente o contraste com o Libertador perfeito, em quem força e mansidão se unem, e cuja vitória não se limita a inimigos externos, mas alcança as raízes do mal no coração humano.

IA cristã companheira

Pronto para aplicar Juízes 23? Receba orientação personalizada

Junte-se a milhares de pessoas aprofundando sua compreensão das Escrituras com planos de estudo personalizados, aplicações de versículos e reflexões guiadas.

1 Sua pergunta arrow_forward 2 Correspondencia bíblica arrow_forward 3 Aplicação guiada

✓ Sem cartão de crédito • ✓ Seus dados ficam privados • ✓ 30 créditos grátis

Versículos em Juízes 23

Juízes 23:1

" E, pondo Paulo os olhos no conselho, disse: Homens irmãos, até ao dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência. "

Juízes 23:3

" Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada; tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir? "

Juízes 23:5

" E Paulo disse: Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo. "

Juízes 23:6

" E Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no conselho: Homens irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu; no tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado. "

Juízes 23:8

" Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa. "

Juízes 23:9

" E originou-se um grande clamor; e, levantando-se os escribas da parte dos fariseus, contendiam, dizendo: Nenhum mal achamos neste homem, e, se algum espírito ou anjo lhe falou, não lutemos contra Deus. "

Juízes 23:10

" E, havendo grande dissensão, o tribuno, temendo que Paulo fosse despedaçado por eles, mandou descer a soldadesca, para que o tirassem do meio deles, e o levassem para a fortaleza. "

Juízes 23:11

" E na noite seguinte, apresentando-se-lhe o Senhor, disse: Paulo, tem ânimo; porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma. "

Juízes 23:12

" E, quando já era dia, alguns dos judeus fizeram uma conspiração, e juraram, dizendo que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem a Paulo. "

Juízes 23:14

" E estes foram ter com os principais dos sacerdotes e anciãos, e disseram: Conjuramo-nos, sob pena de maldição, a nada provarmos até que matemos a Paulo. "

Juízes 23:15

" Agora, pois, vós, com o conselho, rogai ao tribuno que vo-lo traga amanhã, como que querendo saber mais alguma coisa de seus negócios, e, antes que chegue, estaremos prontos para o matar. "

Juízes 23:16

" E o filho da irmã de Paulo, tendo ouvido acerca desta cilada, foi, e entrou na fortaleza, e o anunciou a Paulo. "

Juízes 23:17

" E Paulo, chamando a si um dos centuriões, disse: Leva este jovem ao tribuno, porque tem alguma coisa que lhe comunicar. "

Juízes 23:18

" Tomando-o ele, pois, o levou ao tribuno, e disse: O preso Paulo, chamando-me a si, rogou-me que trouxesse este jovem, que tem alguma coisa para dizer-te. "

Juízes 23:20

" E disse ele: Os judeus se concertaram rogar-te que amanhã leves Paulo ao conselho, como que tendo de inquirir dele mais alguma coisa ao certo. "

Juízes 23:21

" Mas tu não os creias; porque mais de quarenta homens de entre eles lhe andam armando ciladas; os quais se obrigaram, sob pena de maldição, a não comer nem beber até que o tenham morto; e já estão apercebidos, esperando de ti promessa. "

Juízes 23:23

" E, chamando dois centuriões, lhes disse: Aprontai para as três horas da noite duzentos soldados, e setenta de cavalaria, e duzentos archeiros para irem até Cesaréia; "

Juízes 23:26

" Cláudio Lísias, a Félix, potentíssimo presidente, saúde. "

Atos 23:26 mostra o início de uma carta oficial: o comandante Cláudio Lísias se apresenta com respeito ao governador Félix. O versículo ensina cuidado ao …

Ler análise completa

Juízes 23:27

" Esse homem foi preso pelos judeus; e, estando já a ponto de ser morto por eles, sobrevim eu com a soldadesca, e o livrei, informado de que era romano. "

Juízes 23:29

" E achei que o acusavam de algumas questões da sua lei; mas que nenhum crime havia nele digno de morte ou de prisão. "

Atos 23:29 mostra que Paulo era acusado por questões religiosas, não por crime real. O verso destaca justiça e discernimento: mesmo sem concordar com a …

Ler análise completa

Juízes 23:30

" E, sendo-me notificado que os judeus haviam de armar ciladas a esse homem, logo to enviei, mandando também aos acusadores que perante ti digam o que tiverem contra ele. Passa bem. "

Juízes 23:35

" Disse: Ouvir-te-ei, quando também aqui vierem os teus acusadores. E mandou que o guardassem no pretório de Herodes. "

auto_awesome

Estudo do capítulo por email

Receba 7 dias de reflexões de Juízes 23

Receba Escritura, oração e um próximo passo simples conectado a este capítulo.

Grátis. Cancele quando quiser. Nunca compartilhamos seu email.

Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.