Juízes 27 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Juízes 27 na sua vida hoje

44 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Juízes 27?

Juízes 19 narra um dos episódios mais sombrios do período dos juízes. Um levita, ao buscar reconciliar-se com sua concubina, inicia uma viagem que termina em violência brutal na cidade de Gibeá, em Benjamim. A falta de hospitalidade, a perversão dos habitantes, o abuso coletivo da mulher e seu assassinato chocante revelam a profunda corrupção moral de Israel em dias em que "não havia rei". O capítulo termina com um gesto drástico do levita, que corta o corpo da concubina em doze partes e as envia às tribos de Israel, provocando comoção nacional e preparando o cenário para a guerra civil narrada nos capítulos seguintes.

Temas principais em Juízes 27

Ausência de liderança e decadência moral (versículos 1, 30)

A frase de abertura, repetida em Juízes, mostra um Israel sem direção espiritual e política. A violência em Gibeá é fruto de um povo que faz o que é reto aos seus próprios olhos, sem referência ao senhorio de Deus.

Versículos-chave: 1, 30

Colapso da hospitalidade e da justiça (versículos 15-23)

Em vez de acolhimento, os viajantes encontram indiferença na praça de Gibeá. A única hospitalidade vem de um estrangeiro na cidade, e, ainda assim, a casa é cercada por homens violentos, evidenciando o colapso de valores básicos de proteção ao próximo.

Versículos-chave: 15, 20, 23

Violência extrema contra mulheres (versículos 24-28)

A concubina é oferecida como moeda de troca para salvar a vida do homem e sofre abuso coletivo até a morte. A narrativa evidencia a desumanização da mulher e a crueldade de uma sociedade em rebelião contra Deus.

Versículos-chave: 24, 25, 26, 28

Clamor nacional diante do pecado coletivo (versículos 29-30)

O gesto radical do levita, ao despedaçar o corpo da concubina e enviá-lo às tribos, funciona como um alarme moral. Israel reconhece a gravidade do que aconteceu e é convocado a refletir e responder ao mal no meio do povo.

Versículos-chave: 29, 30

Contexto histórico e literario

Juízes 19 se situa no período dos juízes, após a conquista da terra, mas antes da monarquia. Era um tempo marcado por ciclos de idolatria, opressão, clamor e livramento, e por grande instabilidade política e espiritual. A afirmação inicial de que "não havia rei em Israel" indica ausência de liderança central, mas também sugere a falta de submissão coletiva ao reinado de Deus.

O levita vivia na região montanhosa de Efraim, mas sua concubina era de Belém de Judá. A figura da concubina representava um tipo de união inferior ao casamento formal, comum no Antigo Oriente, onde a mulher tinha menos proteção jurídica e social. Gibeá era uma cidade do território de Benjamim, tribo pequena, mas com importância estratégica, próxima a rotas de viagem e a Jerusalém (Jebus, então ainda jebuseia).

A hospitalidade era um valor central nas culturas semitas antigas. Viajar sem encontrar abrigo era perigoso e vergonhoso para a cidade ou vila que deixasse um estrangeiro pernoitar na praça. O comportamento dos homens de Gibeá rompe completamente com as normas sociais e com a lei de Deus, assemelhando-se à narrativa de Sodoma em Gênesis 19.

O ato final do levita, de cortar o corpo de sua concubina em doze partes e enviá-las por Israel, também encontra paralelo em práticas de convocação à guerra e à justiça no Antigo Oriente. Era um chamado dramático à união tribal contra um mal considerado intolerável dentro do próprio povo.

Estrutura de Juízes 27

Juízes 19 é construído como um relato narrativo contínuo, com progressão dramática e crescente tensão moral:

  1. Introdução e situação do casal (19:1-4): Apresenta o levita, sua concubina de Belém e a separação do casal, seguida da tentativa do levita de reconciliação e da recepção calorosa do sogro.
  2. A demora na casa do sogro (19:5-10): A narrativa descreve, quase de forma repetitiva, as tentativas do levita de partir e a insistência do sogro em retê-lo com refeições e hospedagem, atrasando a viagem.
  3. A viagem e a escolha de Gibeá (19:11-15): O grupo se aproxima de Jebus (Jerusalém), mas recusa pernoitar em cidade estrangeira e decide ir a Gibeá, cidade israelita, onde estranhamente não encontra hospitalidade.
  4. A acolhida do ancião e o cerco da casa (19:16-23): Um velho, também efraimita, hospeda o levita. A tranquilidade do jantar é subitamente rompida pela chegada de homens perversos que cercam a casa.
  5. O crime contra a concubina (19:24-28): Em uma virada trágica, a concubina é entregue à multidão e violentada a noite toda, culminando com sua morte à porta da casa.
  6. A reação chocante do levita (19:29-30): Ao chegar em casa, o levita esquarteja o corpo da concubina e envia as partes por Israel, encerrando o capítulo com a reação horrorizada do povo e um chamado à reflexão e resposta.

A repetição de expressões como "não havia rei em Israel" e a semelhança com a história de Sodoma criam ecos literários que reforçam a mensagem sobre a profundidade da corrupção em Israel.

Significado teológico

Teologicamente, Juízes 19 expõe o abismo em que uma comunidade pode cair quando se afasta da aliança com Deus. A ausência de rei é mais do que um dado político; reflete a rejeição prática do senhorio de Deus, que havia dado lei, identidade e padrões de justiça para o seu povo.

O capítulo mostra que o pecado não é apenas idolatria explícita, mas também a desumanização do próximo, especialmente dos vulneráveis. A concubina, socialmente frágil, é usada, descartada e exposta até na morte, revelando um coração endurecido tanto nos homens violentos de Gibeá quanto no próprio levita e no dono da casa, que a oferecem em lugar do hóspede. A lei de Deus, que protegia o estrangeiro, o pobre e a mulher, é totalmente invertida.

A história também enfatiza a responsabilidade coletiva diante do mal. O gesto do levita convoca todas as tribos a encarar o que está acontecendo "dentro" de Israel, não em nações vizinhas. O povo de Deus é chamado a não normalizar a injustiça extrema, mas a discerni-la, considerá-la e responder. A repercussão desse capítulo conduz aos eventos de Juízes 20–21, em que a busca por justiça acaba se misturando com mais violência, evidenciando como uma sociedade afastada de Deus tem dificuldade de lidar com o mal sem reproduzi-lo.

Juízes 19 aponta, por contraste, para a necessidade de um rei justo e de um coração novo. A narrativa deixa claro que estruturas humanas por si só não bastam; sem a direção de Deus e sem transformação interior, até o povo eleito pode tornar-se semelhante às cidades mais ímpias descritas na própria Escritura.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo é um dos textos mais duros da Bíblia, especialmente para quem carrega histórias de abuso, violência sexual, abandono ou desvalorização. A narrativa apresenta crueldade explícita, descuido afetivo, uso do corpo de uma mulher como objeto de negociação e exposição traumática mesmo após sua morte.

Para a leitura pastoral e terapêutica, o texto reconhece, sem suavizar, a realidade da maldade extrema. Não romantiza o sofrimento, não encobre o abuso, nem apresenta rapidamente uma solução. Em vez disso, expõe o horror e mostra a comunidade em choque. Isso valida o impacto que eventos traumáticos têm sobre pessoas e povos: há coisas que marcam gerações.

Ao mesmo tempo, o capítulo sugere que Deus permite que a gravidade do pecado seja vista para que não seja normalizada. O chamado final a "ponderar, considerar e falar" se aproxima de um convite à nomeação do trauma e do mal, à reflexão sobre responsabilidades e à busca de respostas coletivas. Numa perspectiva terapêutica, é um texto que pode ser lido com muito cuidado, em ambiente seguro, para ajudar a perceber que a Bíblia não ignora abusos, nem os minimiza, mas os coloca à luz, ainda que sem resolver tudo imediatamente.

warning Importante: maus usos comuns

Juízes 19 pode ser fortemente gatilho para pessoas que:

  • Sofreram abuso sexual, violência doméstica ou estupro coletivo.
  • Carregam memórias de abandono, uso do corpo como objeto ou exposição pública de sua dor.
  • Sentem raiva intensa de injustiças não reparadas ou de figuras religiosas que falharam em protegê-las.

Este texto contém: - Violência sexual gráfica e coletiva (v. 25). - Negligência afetiva e instrumentalização da mulher pelo próprio companheiro e pelo anfitrião (v. 24-25, 27-29). - Morte traumática e tratamento do corpo da vítima de maneira chocante (v. 28-29).

Leituras devocionais ou em grupo devem considerar: - Avisos prévios claros sobre o conteúdo. - Espaço para silêncio, lamentação e acolhimento de emoções fortes. - Evitar comentários moralistas que culpem a vítima ou simplifiquem o sofrimento. - Não usar o texto para normalizar submissão abusiva ou justificar falta de proteção às mulheres.

Para pessoas em sofrimento emocional intenso ou em situação de violência atual, este capítulo não é recomendado sem acompanhamento pastoral/terapêutico adequado e ambiente de segurança emocional.

Aplicação prática para hoje

  1. Reconhecimento da gravidade do pecado: O capítulo convida a encarar com honestidade o que há de mais sombrio em atitudes pessoais e estruturas sociais. Minimizar violência, abusos e injustiças graves não é compatível com a visão bíblica.

  2. Valorização da proteção dos vulneráveis: A forma como a concubina é tratada alerta para qualquer sistema, família ou comunidade de fé que sacrifica os mais fracos para proteger reputações, instituições ou figuras de autoridade. A prática cristã saudável fortalece a proteção de mulheres, crianças e estrangeiros.

  3. Cuidado com a indiferença: A praça vazia em Gibeá ecoa contextos em que ninguém se responsabiliza pelo outro. A fé bíblica incentiva atitudes concretas de hospitalidade, acolhimento e cuidado, especialmente com quem está em trânsito, deslocado ou sozinho.

  4. Responsabilidade comunitária: A reação final de Israel ilustra que certos males exigem resposta coletiva. Em termos práticos, isso aponta para a importância de igrejas, famílias e instituições denunciarem abusos, cooperarem com a justiça e criarem ambientes seguros.

  5. Evitar repetir o mal ao combater o mal: A continuidade da história (Juízes 20–21) mostra que reações à injustiça podem se tornar novas formas de violência. A aplicação prática inclui buscar justiça com sabedoria, limites claros e compromisso com a dignidade humana, em vez de agir apenas por impulso ou vingança.

  6. Lembrar que a fé não mascara a dor: Juízes 19 ensina que a espiritualidade bíblica madura não foge de temas difíceis. Nas comunidades cristãs, isso se traduz em dar espaço para narrativas de dor, em vez de silenciar quem sofreu, e em acompanhar processos de cura com paciência.

Perguntas frequentes

Por que este capítulo está na Bíblia se é tão violento e perturbador?

Juízes 19 mostra as consequências extremas do afastamento de Deus. A Bíblia não esconde o lado mais sombrio da história de Israel nem romantiza o povo de Deus. Em vez disso, registra com honestidade a corrupção moral para revelar a seriedade do pecado, a necessidade de arrependimento e a urgência de um rei justo e de um novo coração. O texto funciona como um espelho duro, não como um modelo de comportamento.

Deus aprova as atitudes do levita ou do homem que oferece sua filha e a concubina?

O texto narra o que aconteceu, mas não apresenta essas atitudes como aprovadas por Deus. A forma como tudo termina, com choque nacional e comparação com algo nunca visto, aponta para a condenação implícita da cena. A oferta da filha e da concubina, a entrega da mulher à multidão e o tratamento de seu corpo depois da morte entram em clara contradição com a lei de Deus, que protege a dignidade e a vida do próximo.

O que significa a frase "não havia rei em Israel" neste contexto?

A frase indica que Israel ainda não tinha uma monarquia estabelecida, mas também comunica algo mais profundo: cada um fazia o que parecia certo aos seus próprios olhos, sem reconhecer a autoridade de Deus. A falta de rei aponta para a ausência de liderança justa e para o colapso da aliança na prática diária. É um comentário teológico sobre o caos moral do período.

Por que o levita esquarteja o corpo da concubina e envia as partes por Israel?

Esse ato extremo funcionava como uma convocação dramática à ação. Ao enviar partes do corpo da concubina às tribos, o levita força todas elas a encarar a gravidade do crime cometido em Gibeá e a decidir se vão tolerar tal mal entre o povo. Embora o gesto não seja um modelo a ser seguido, ele mostra o impacto devastador que aquele crime teve e prepara o cenário para a assembleia e a guerra civil em Juízes 20.

A concubina é culpada pelo que aconteceu com ela?

O texto não atribui culpa à concubina pelo abuso e pela morte que sofreu. Ainda que a narrativa mencione uma crise no relacionamento com o levita, nada justifica ou atenua a responsabilidade dos homens de Gibeá, nem das figuras masculinas que deveriam protegê-la e a colocam em risco. Biblicamente, a culpa pelo abuso recai sobre quem comete a violência e sobre quem abandona o dever de proteger.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Juízes 19 é um daqueles textos que parecem pesar no peito. Há dor em cada linha: um relacionamento quebrado, uma mulher que volta para a casa do pai, uma tentativa de reconciliação que termina em tragédia, uma cidade que se torna cenário de terror. Para quem já viveu abandono, abuso ou foi tratado como alguém descartável, essa história toca em lugares muito sensíveis. A Bíblia, aqui, não coloca um filtro bonito sobre a realidade. Ela mostra um mundo onde pessoas que deveriam cuidar se omitem, negociam, permitem que a violência aconteça. A concubina, sem voz e sem nome no relato, representa tantas pessoas que foram caladas, usadas, esquecidas à porta da casa de alguém. Esse capítulo também comunica que Deus não varre esse tipo de dor para debaixo do tapete. O sofrimento dela não é apagado; é lembrado com força suficiente para abalar uma nação inteira. Há uma seriedade nisso: o que é feito contra um vulnerável não é pequeno aos olhos de Deus, ainda que pessoas ao redor não enxerguem ou não defendam. Para corações cansados, essa história pode acender muitas emoções difíceis: raiva, tristeza, medo, sensação de injustiça. Ela lembra que existe espaço, na fé bíblica, para nomear o horror, para lamentar o que nunca deveria ter acontecido. E, mesmo sem resolver tudo neste capítulo, a Escritura segue apontando, ao longo de sua história, para um Deus que ouve o clamor dos oprimidos e que, no tempo certo, julga o mal e enxuga lágrimas que ninguém mais viu.

Mind
Mente

Do ponto de vista exegético, Juízes 19 está cuidadosamente posicionado no livro como um retrato da degradação final de Israel sob os juízes. A fórmula "naqueles dias, em que não havia rei em Israel" não é apenas cronológica; é uma chave interpretativa. O paralelo com Gênesis 19 (Sodoma) é intencional: em vez de a corrupção estar entre os cananeus, ela agora é vista dentro de Israel, em uma cidade benjamita. A narrativa apresenta contrastes importantes. Primeiro, entre a hospitalidade calorosa do sogro em Belém e a total indiferença dos habitantes de Gibeá, onde ninguém acolhe o viajante na praça. Depois, entre a postura do ancião – que, a despeito de sua tentativa equivocada de proteger o hóspede, reconhece a gravidade do ataque – e a brutalidade dos "filhos de Belial" que cercam a casa. O texto é descritivo, não prescritivo. Ele não justifica a poligamia, a figura da concubina, nem a decisão de entregar mulheres à violência para salvaguardar um homem. Pelo contrário, a acumulação de elementos moralmente chocantes conduz a reação do v. 30: algo sem precedentes e intolerável aconteceu. O narrador quer que se reconheça que Israel, sem direção divina efetiva, tornou-se semelhante ou pior que as nações que deveria substituir. Historicamente, a referência a Jebus (Jerusalém) e à tribo de Benjamim situa o episódio em um período relativamente inicial da ocupação, antes da conquista plena de Jerusalém por Davi. Teologicamente, o capítulo prepara o caminho para duas linhas importantes: a necessidade de reforma interna em Israel e a vinda de um rei que governe com justiça verdadeira. Ao mesmo tempo, alerta para o fato de que nem toda "guerra pela justiça" empreendida pelo povo, como se vê em Juízes 20–21, consegue refletir perfeitamente a justiça de Deus, justamente porque o coração e as estruturas estão corrompidos.

Life
Vida

Lido com os pés no chão, Juízes 19 conversa com temas muito atuais: relações quebradas, estruturas que falham em proteger, líderes ou responsáveis que preferem preservar sua imagem a enfrentar o mal, comunidades que se calam diante da violência. O levita é um personagem complexo: vai atrás da concubina, parece buscar reconciliação, mas depois a coloca em risco e se distancia de sua dor. Isso aponta para dinâmicas onde alguém demonstra afeto em um momento, mas, na prática, não protege. Na rotina, relacionamentos saudáveis pedem algo diferente: responsabilidade, cuidado concreto e recusa em usar o outro como escudo. A cidade de Gibeá, que não oferece abrigo a viajantes, simboliza ambientes onde cada um cuida apenas de si. Em família, igreja, trabalho ou vizinhança, quando ninguém se sente responsável por ninguém, injustiças crescem sem freio. A narrativa valoriza aquele ancião que, mesmo com limitações, vê a necessidade do viajante e se move para acolher. A reação nacional ao crime sugere que certas situações não podem ser tratadas como problema "apenas da vítima" ou "caso isolado". Violência, abuso e opressão pedem atitudes concretas: sistemas de proteção, denúncia, apoio às vítimas, revisão de práticas e culturas que mantêm o mal escondido. Por outro lado, a sequência em Juízes mostra como a tentativa de corrigir uma injustiça pode gerar novas injustiças quando se age apenas na emoção ou na sede de vingança. Na prática diária, isso inspira processos de resolução de conflitos que busquem justiça e restauração, com limites claros, mas sem repetir a mesma lógica de desumanização que se quer combater.

Soul
Alma

Espiritualmente, Juízes 19 é um espelho daquilo que acontece quando o povo chamado por Deus existe apenas de nome, mas vive como se Deus não reinasse. A frase "não havia rei em Israel" expõe uma ruptura interior: leis existem, tradições existem, mas o coração da comunidade se acostuma a fazer o que acha melhor, mesmo que isso custe vidas. A concubina, silenciosa no texto, representa aqueles cujas vozes não são ouvidas nas estruturas religiosas e sociais. A espiritualidade bíblica autêntica inclui justamente essas pessoas: Deus ouve o clamor de quem é esmagado, mesmo quando a religião ao redor falha em protegê-las. Esse capítulo convida a perceber até que ponto uma espiritualidade pode estar distorcida quando tolera, encobre ou reorganiza o mal para se sentir segura. O gesto drástico do levita, ao enviar o corpo despedaçado por Israel, funciona como uma espécie de trombeta espiritual, forçando o povo a olhar para o que preferiria não ver. Na caminhada com Deus, existem momentos em que Ele permite que pecados estruturais venham à tona, não para espetáculo, mas para quebrar a ilusão de normalidade e convocar ao arrependimento profundo. Esse texto também abre espaço para uma teologia da lamentação. Não oferece consolo rápido nem explicações completas. Apenas mostra a ferida em toda a sua gravidade e termina com um convite à ponderação e à fala. Na formação espiritual, aprender a permanecer diante de histórias como essa – em oração, silêncio e clamor – é parte de reconhecer que a redenção de Deus não ignora a profundidade do mal, mas entra nela e a transforma ao longo da história da salvação. Ao final, Juízes 19 aponta para a necessidade de um Rei diferente, que não use os fracos como escudo, mas se ofereça por eles. Em Cristo, o Deus que vê a concubina anônima é também o Deus que assume a violência do mundo sobre si, prometendo um juízo justo e um futuro onde histórias como esta não se repetirão.

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Versículos em Juízes 27

Juízes 27:1

" E, como se determinou que havíamos de navegar para a Itália, entregaram Paulo, e alguns outros presos, a um centurião por nome Júlio, da coorte augusta. "

Juízes 27:2

" E, embarcando nós em um navio adramitino, partimos navegando pelos lugares da costa da Ásia, estando conosco Aristarco, macedônio, de Tessalônica. "

Juízes 27:3

" E chegamos no dia seguinte a Sidom, e Júlio, tratando Paulo humanamente, lhe permitiu ir ver os amigos, para que cuidassem dele. "

Juízes 27:7

" E, como por muitos dias navegássemos vagarosamente, havendo chegado apenas defronte de Cnido, não nos permitindo o vento ir mais adiante, navegamos abaixo de Creta, junto de Salmone. "

Juízes 27:8

" E, consteando-a dificilmente, chegamos a um lugar chamando Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laséia. "

Juízes 27:9

" E, passado muito tempo, e sendo já perigosa a navegação, pois, também o jejum já tinha passado, Paulo os admoestava, "

Juízes 27:10

" Dizendo-lhes: Senhores, vejo que a navegação há de ser incômoda, e com muito dano, não só para o navio e carga, mas também para as nossas vidas. "

Juízes 27:12

" E, como aquele porto não era cômodo para invernar, os mais deles foram de parecer que se partisse dali para ver se podiam chegar a Fenice, que é um porto de Creta que olha para o lado do vento da África e do Coro, e invernar ali. "

Juízes 27:13

" E, soprando o sul brandamente, lhes pareceu terem já o que desejavam e, fazendo-se de vela, foram de muito perto costeando Creta. "

Juízes 27:15

" E, sendo o navio arrebatado, e não podendo navegar contra o vento, dando de mão a tudo, nos deixamos ir à toa. "

Juízes 27:17

" E, levado este para cima, usaram de todos os meios, cingindo o navio; e, temendo darem à costa na Sirte, amainadas as velas, assim foram à toa. "

Juízes 27:20

" E, não aparecendo, havia já muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos. "

Juízes 27:21

" E, havendo já muito que não se comia, então Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse: Fora, na verdade, razoável, ó senhores, ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e assim evitariam este incômodo e esta perda. "

Juízes 27:22

" Mas agora vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio. "

Juízes 27:24

" Dizendo: Paulo, não temas; importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo. "

Atos 27:24 mostra que Deus tem um propósito que nenhum vento contrário consegue impedir. Paulo recebe a garantia de que chegará a Roma e de …

Ler análise completa

Juízes 27:25

" Portanto, ó senhores, tende bom ânimo; porque creio em Deus, que há de acontecer assim como a mim me foi dito. "

Juízes 27:27

" E, quando chegou a décima quarta noite, sendo impelidos de um e outro lado no mar Adriático, lá pela meia-noite suspeitaram os marinheiros que estavam próximos de alguma terra. "

Juízes 27:28

" E, lançando o prumo, acharam vinte braças; e, passando um pouco mais adiante, tornando a lançar o prumo, acharam quinze braças. "

Juízes 27:30

" Procurando, porém, os marinheiros fugir do navio, e tendo já deitado o batel ao mar, como que querendo lançar as âncoras pela proa, "

Juízes 27:33

" E, entretanto que o dia vinha, Paulo exortava a todos a que comessem alguma coisa, dizendo: É já hoje o décimo quarto dia que esperais, e permaneceis sem comer, não havendo provado nada. "

Juízes 27:34

" Portanto, exorto-vos a que comais alguma coisa, pois é para a vossa saúde; porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós. "

Juízes 27:35

" E, havendo dito isto, tomando o pão, deu graças a Deus na presença de todos; e, partindo-o, começou a comer. "

Juízes 27:39

" E, sendo já dia, não conheceram a terra; enxergaram, porém, uma enseada que tinha praia, e consultaram-se sobre se deveriam encalhar nela o navio. "

Juízes 27:40

" E, levantando as âncoras, deixaram-no ir ao mar, largando também as amarras do leme; e, alçando a vela maior ao vento, dirigiram-se para a praia. "

Juízes 27:41

" Dando, porém, num lugar de dois mares, encalharam ali o navio; e, fixa a proa, ficou imóvel, mas a popa abria-se com a força das ondas. "

Juízes 27:43

" Mas o centurião, querendo salvar a Paulo, lhes estorvou este intento; e mandou que os que pudessem nadar se lançassem primeiro ao mar, e se salvassem em terra; "

Juízes 27:44

" E os demais, uns em tábuas e outros em coisas do navio. E assim aconteceu que todos chegaram à terra a salvo. "

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