Juízes 25 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Juízes 25 na sua vida hoje

27 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Juízes 25?

Juízes 17 narra a história de Mica, um homem da região montanhosa de Efraim, que devolve à mãe uma grande quantia de prata roubada. A mãe declara ter consagrado o dinheiro ao Senhor para fazer imagens. Mica então estabelece um santuário doméstico com ídolos, um éfode e terafins, primeiro consagrando um de seus filhos como sacerdote e, depois, contratando um levita viajante para ser seu sacerdote particular. O capítulo ilustra a confusão religiosa e moral de Israel em um tempo sem rei, quando cada um fazia o que parecia certo aos seus próprios olhos.

Temas principais em Juízes 25

Religiosidade misturada com idolatria (versículos 3-5)

A mãe de Mica diz consagrar o dinheiro ao Senhor, mas o usa para mandar fazer imagens. Mica monta um santuário doméstico com ídolos, éfode e terafins, misturando linguagem religiosa verdadeira com práticas proibidas.

Versículos-chave: 3, 4, 5

Confusão espiritual em tempos sem liderança (versículos 5-6)

A frase-chave do livro aparece: não havia rei em Israel, e cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos. Isso explica a distorção do culto, a criação de sacerdócio particular e a normalização da idolatria.

Versículos-chave: 5, 6

Uso indevido do sacerdócio levítico (versículos 7-13)

Mica entende que ter um levita como sacerdote lhe traz legitimidade espiritual e bênçãos, mas o coloca fora do sistema que Deus estabeleceu, transformando o levita em funcionário de um culto particular.

Versículos-chave: 10, 12, 13

Falsa segurança religiosa (versículos 12-13)

Mica conclui que agora o Senhor certamente lhe fará bem porque tem um levita como sacerdote. Ele encontra segurança não na obediência a Deus, mas na estrutura religiosa que construiu.

Versículos-chave: 13

Contexto histórico e literario

Juízes 17 se passa no período dos juízes, antes da monarquia em Israel. O versículo 6 resume esse tempo: não havia rei em Israel, o que indica ausência de liderança política centralizada e, muitas vezes, também de direção espiritual clara. Embora a lei de Moisés já estivesse dada, o povo frequentemente a ignorava ou a misturava com costumes pagãos das nações vizinhas.

A região montanhosa de Efraim ficava no centro de Israel, uma área importante politicamente e religiosamente. Ainda assim, até ali a idolatria e a confusão religiosa se instalavam. O relato mostra uma família israelita que conhece o nome do Senhor e usa expressões de devoção, mas pratica culto com imagens, algo explicitamente proibido pelos mandamentos, especialmente em Êxodo 20 e Deuteronômio 12.

O levita de Belém de Judá aparece como alguém peregrinando em busca de sustento. Os levitas foram separados para servir no culto ao Senhor, ligados ao tabernáculo e às cidades levíticas, vivendo do dízimo e das ofertas do povo. Neste capítulo, porém, ele se afasta desse modelo, aceitando ser sacerdote em uma casa particular em troca de salário, roupas e alimentação. Isso mostra a desorganização religiosa e social daquele tempo.

O contexto histórico também indica um período de transição, em que os israelitas ainda estavam se ajustando à vida na terra prometida. Sem uma liderança firme, os padrões de culto se fragmentavam, e muitos adaptavam a fé em Deus aos seus próprios interesses, misturando elementos corretos com práticas pagãs.

Estrutura de Juízes 25

O capítulo é curto e narrativo, com uma estrutura simples e progressiva:

  1. Introdução de Mica e o dinheiro roubado (v. 1-2)

    • Apresentação de Mica, homem da montanha de Efraim.
    • Confissão do furto das mil e cem moedas de prata à mãe.
    • Mudança de maldição para bênção sobre o filho.
  2. Consagração distorcida do dinheiro e fabricação de ídolos (v. 3-4)

    • Declaração da mãe de que consagrou o dinheiro ao Senhor.
    • Uso parcial da prata para mandar fazer imagens de escultura e de fundição.
    • As imagens são colocadas na casa de Mica.
  3. Estabelecimento de um santuário doméstico irregular (v. 5-6)

    • Mica monta uma “casa de deuses”, faz um éfode e terafins.
    • Consagra um de seus filhos como sacerdote.
    • Comentário editorial que explica o cenário: ausência de rei e relativismo moral.
  4. Chegada do levita peregrino (v. 7-9)

    • Introdução do jovem levita de Belém de Judá.
    • Sua condição de peregrino em busca de lugar conveniente.
    • Encontro com Mica e breve diálogo de identificação.
  5. Contratação do levita como sacerdote particular (v. 10-12)

    • Proposta de Mica: ser “pai e sacerdote” com salário, vestuário e sustento.
    • Aceitação do levita e integração à casa como um filho.
    • Consagração formal do levita como sacerdote de Mica.
  6. Conclusão com a falsa confiança de Mica (v. 13)

    • Declaração de segurança de Mica quanto ao favor do Senhor.
    • Ênfase na sua confiança em ter um levita, não na obediência à lei.

Significado teológico

Juízes 17 oferece um retrato teológico forte do que acontece quando o povo de Deus se afasta da Sua Palavra mas tenta manter uma aparência de religiosidade.

Primeiro, destaca a gravidade da idolatria. Mesmo dentro de Israel, conhecendo o nome do Senhor, a família de Mica cria e mantém imagens e uma “casa de deuses”. O texto mostra que não basta mencionar o nome de Deus ou usar linguagem religiosa; é necessário adorar a Deus conforme Ele determinou. A mistura de devoção e idolatria é apresentada como algo sério e enganoso.

Segundo, o capítulo evidencia o perigo do relativismo espiritual: “cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (v. 6). A ausência de um rei é mais do que um dado político; é um símbolo de falta de submissão à autoridade de Deus. Quando a vontade pessoal substitui a revelação divina, até atos supostamente piedosos se tornam distorcidos.

Terceiro, revela o uso inadequado do sacerdócio. O levita é tratado como um elemento de legitimação religiosa para um culto que não segue a lei de Deus. Isso mostra que funções sagradas podem ser corrompidas quando se afastam do propósito original estabelecido por Deus. Ter um “sacerdote certo” num sistema errado não traz aprovação divina.

Por fim, Juízes 17 expõe a tentação de buscar segurança na estrutura religiosa em vez de na obediência. Mica sente-se seguro porque tem um levita por sacerdote, mas o texto sugere ironia: sua confiança está mal colocada. Teologicamente, o capítulo aponta para a necessidade de uma liderança fiel e de um coração alinhado com a vontade de Deus, preparando o terreno para o tema da realeza e, mais adiante, para a centralidade de um Rei justo que conduza o povo à verdadeira adoração.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Do ponto de vista emocional e pastoral, Juízes 17 mostra como o ser humano pode tentar aliviar culpa, medo e insegurança por meio de arranjos religiosos próprios. Mica rouba a mãe, confessa, devolve o dinheiro e logo se envolve em práticas religiosas distorcidas. A mãe muda de maldição para bênção rapidamente, tentando neutralizar o mal por palavras religiosas e consagrações superficiais.

Esse movimento revela dinâmicas psicológicas comuns: a tendência de tentar compensar erros com rituais, promessas ou gestos simbólicos, sem lidar com a raiz do problema. A criação da “casa de deuses”, o éfode, os terafins e o contrato com o levita apontam para uma busca por controle espiritual sobre a própria vida: montar um sistema em que se sinta garantido, protegido, abençoado.

O versículo 6 mostra um ambiente de confusão coletiva: cada um definindo o que é certo para si. Em termos de saúde emocional, isso lembra contextos onde faltam referências estáveis, gerando insegurança, medos e soluções improvisadas. Em vez de encontrar descanso em limites saudáveis e numa palavra firme, as pessoas se apoiam em arranjos frágeis e convenientes.

O levita peregrino simboliza também vulnerabilidade e necessidade: alguém que, em vez de permanecer na sua vocação plena, aceita um acordo reduzido por sobrevivência. Isso toca aspectos de identidade e valor pessoal, quando alguém abre mão de princípios por medo de falta de sustento ou reconhecimento.

Pastoralmente, o capítulo convida a reconhecer mecanismos internos de autoengano espiritual, culpa mal resolvida e necessidade de segurança. Mostra o quanto é importante que fé e vida emocional sejam alinhadas com a verdade de Deus, e não apenas com a sensação de alívio momentâneo ou de controle.

warning Importante: maus usos comuns

1) Crença mágica em palavras religiosas: a mãe que passa de maldição a bênção com rapidez pode sinalizar uma visão em que palavras “sagradas” são usadas como fórmula para anular culpa e medo, sem arrependimento e mudança real.

2) Tentativa de comprar segurança espiritual: Mica constrói um sistema de culto personalizado, incluindo ídolos e um sacerdote particular, acreditando que isso lhe garantirá o bem do Senhor. Isso aponta para a tendência de usar religião como barganha ou controle.

3) Confusão de limites morais: o roubo dentro da família, seguido de uma resolução que ignora a gravidade do ato, sugere ambientes onde pecados e feridas são tratados de forma superficial, podendo gerar ciclos de culpa, negação e repetição.

4) Uso instrumental de lideranças espirituais: o levita é contratado mais como um amuleto religioso do que como servo de Deus. Em termos emocionais, isso alerta para relacionamentos espirituais baseados em interesse, dependência e aparência, não em verdade.

5) Identidade fragilizada pela necessidade: o levita, em busca de lugar conveniente, aceita um papel que distorce seu chamado. Isso ecoa situações em que, por medo ou necessidade, a pessoa cede em valores importantes, o que pode gerar, a longo prazo, angústia, sensação de vazio e conflito interno.

Aplicação prática para hoje

Juízes 17 inspira aplicações práticas para a vida de fé e o cotidiano:

1) Discernir entre devoção verdadeira e religiosidade misturada: é importante avaliar práticas, hábitos e tradições à luz da Palavra de Deus, não apenas da cultura religiosa herdada. Nomes sagrados e rituais não substituem obediência.

2) Tratar culpa com seriedade: ao lidar com erros e pecados, é necessário mais do que gestos simbólicos ou palavras espirituais. Confissão, reparação e mudança de direção fazem parte de um caminho saudável.

3) Cuidar da forma como se busca segurança: Mica acreditava estar seguro porque tinha um levita. Hoje, a segurança espiritual pode ser colocada em títulos, líderes, objetos ou instituições, em vez de um relacionamento vivo e obediente com Deus. Isso leva a frustrações quando as estruturas falham.

4) Honrar a vocação espiritual com integridade: o levita que aceita um papel distorcido relembra a importância de não negociar princípios e chamados por conveniência, salário ou conforto. Integridade protege o coração a longo prazo.

5) Reconhecer o perigo de “cada um decidir o que é certo para si”: o relativismo moral, onde o padrão passa a ser a própria opinião, tende a gerar confusão nas famílias, comunidades e igrejas. Buscar orientação em princípios claros ajuda a construir relacionamentos mais estáveis.

6) Valorizar lideranças fiéis e centradas na verdade: a ausência de liderança justa em Israel abriu espaço para muitos desvios. No cotidiano, faz diferença caminhar e servir em comunidades onde a Palavra de Deus é o referencial, e não apenas costumes ou preferências pessoais.

Perguntas frequentes

Por que a mãe de Mica dedicou o dinheiro ao Senhor e mesmo assim fez imagens?

O texto mostra uma religiosidade misturada: ela usa linguagem de consagração ao Senhor, mas decide usar o dinheiro para fabricar uma imagem de escultura e outra de fundição, práticas proibidas pela lei de Moisés. Isso revela que, naquele tempo, muitos israelitas conheciam o nome de Deus, mas já estavam influenciados pelos costumes idólatras ao redor, tentando unir devoção ao Senhor com práticas pagãs. O capítulo expõe essa contradição sem aprová-la.

O que significa a frase “cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos”?

Essa frase é um resumo espiritual do período dos juízes. Ela indica uma época em que não havia rei em Israel e, mais profundamente, uma falta de submissão à autoridade de Deus e à Sua lei. Em vez de seguir o que o Senhor havia ordenado, cada pessoa decidia por conta própria o que era certo. Isso resultou em confusão moral, espiritual e social, como se vê na história de Mica e, mais adiante, em outras narrativas do livro.

Por que foi errado Mica ter um levita como seu sacerdote particular?

Deus havia estabelecido um sistema específico de culto: os levitas e sacerdotes deveriam servir ligados ao tabernáculo e às cidades designadas, a serviço de todo o povo, e não em santuários particulares organizados ao gosto de uma família. Mica não apenas cria um lugar de culto próprio com ídolos, mas contrata um levita para legitimar essa estrutura. Embora o levita tivesse origem correta, o contexto e a função que assume são contrários ao padrão que Deus havia revelado.

O texto aprova ou apenas relata as atitudes de Mica?

O capítulo descreve as atitudes de Mica e de sua mãe, mas não as apresenta como modelo. Há sinais claros de reprovação implícita: a existência de ídolos, a “casa de deuses”, o sacerdócio improvisado e, principalmente, o comentário do versículo 6, que associa tais práticas ao tempo em que cada um fazia o que era certo aos seus próprios olhos. A narrativa tem um tom crítico, mostrando o desvio do povo em relação à vontade de Deus.

O que Juízes 17 ensina sobre a relação entre forma de culto e obediência a Deus?

Juízes 17 mostra que a forma de culto não é um detalhe secundário. Mesmo usando o nome do Senhor, quando o povo decide por conta própria como adorá-Lo, desconsiderando o que Ele ordenou, cai em idolatria e autoengano. A presença de um levita, de imagens, de um éfode e de rituais não garante que Deus esteja aprovando aquilo. O capítulo ensina que verdadeira adoração precisa unir coração voltado para Deus e obediência às orientações que Ele mesmo deu.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Juízes 17 mostra uma família marcada por tensão, medo e uma tentativa ansiosa de se sentir protegida. A história começa com roubo dentro de casa, maldição e confissão. Há culpa, insegurança e uma pressa em tentar consertar tudo com gestos religiosos. A mãe muda rapidamente de maldição para bênção, como quem tenta apagar um clima pesado em casa com palavras fortes. Mica, por sua vez, parece buscar alívio montando um sistema religioso próprio, como se pudesse garantir que tudo dará certo porque agora tem imagens, éfode, terafins e um levita em casa. Por trás dessa cena, aparece um coração humano parecido com tantos outros: machucado por escolhas erradas, com medo das consequências, procurando um jeito rápido de sentir que está tudo bem. O texto deixa transparecer um ambiente confuso, onde sentimentos profundos não são muito elaborados; são encobertos por ações e objetos religiosos. Em vez de um encontro honesto com Deus, há uma tentativa de controlar o sagrado. O levita também surge com suas vulnerabilidades: é um jovem peregrino, em busca de lugar, sustento, pertencimento. Aceita um papel que não corresponde plenamente ao projeto de Deus para os levitas, talvez mais pelo desejo de ter segurança do que por convicção. Ele traz no rosto o retrato de quem entra em acordos que não são ideais, para não ficar desamparado. Nesse cenário, o capítulo toca em feridas de culpa mal tratada, medo do futuro, carência de segurança e uso de religião como proteção emocional. Fica evidente como o coração necessita mais do que rituais e barganhas: precisa de verdade, de arrependimento real, de vínculos saudáveis e de uma confiança que não se apoia em arranjos humanos, mas no cuidado fiel de Deus.

Mind
Mente

Do ponto de vista da compreensão bíblica, Juízes 17 é um texto fundamental para perceber o nível de desorganização espiritual de Israel no período dos juízes. A narrativa une elementos que, à luz da Torá, não deveriam estar juntos: consagração ao Senhor, imagens de escultura, santuário doméstico, éfode, terafins e um levita servindo num esquema particular. A mãe de Mica demonstra conhecer o nome do Senhor, mas sua prática contraria passagens claras contra a idolatria. A menção a mil e cem moedas de prata sugere um valor grande, sublinhando a gravidade do roubo e, ao mesmo tempo, a importância da decisão que ela toma com esse recurso. O fato de apenas duzentas moedas serem usadas para as imagens indica uma certa ambiguidade: a intenção declarada é consagrar tudo, mas o uso efetivo é parcial. A “casa de deuses” de Mica e o éfode lembram, em certa medida, o tabernáculo e as vestes sacerdotais, mas de forma distorcida e reduzida ao âmbito familiar. Os terafins, conhecidos em outros textos bíblicos como objetos ligados à adivinhação e idolatria, compõem esse mosaico sincrético. Tudo isso é marcado pela frase editorial do versículo 6, que fornece a chave hermenêutica: a ausência de rei e o relativismo moral explicam por que práticas tão contrárias à lei se tornaram aceitáveis. A figura do levita é crucial. Segundo a legislação mosaica, os levitas tinham papel específico no culto e dependiam do sustento oferecido pelo povo em obediência às ordens divinas. Em Juízes 17, o levita se torna um prestador de serviço religioso contratado por Mica, o que mostra tanto a fragilidade das estruturas levíticas quanto a apropriação privada do sagrado. A expressão “sê-me por pai e sacerdote” sugere autoridade espiritual, mas em um contexto completamente reconfigurado ao redor da casa de Mica. O versículo 13 encerra o capítulo com uma declaração de Mica carregada de ironia teológica: ele julga ter garantias de que o Senhor lhe fará bem por ter um levita, sem considerar se sua forma de culto está conforme a vontade de Deus. O texto, assim, coloca o leitor diante de uma crítica implícita à confiança em legitimidade aparente, separada da obediência à revelação divina.

Life
Vida

Na dimensão prática, Juízes 17 escancara uma tendência bastante humana: montar esquemas religiosos para tentar garantir que tudo corra bem na vida. Mica devolve o dinheiro, a mãe o consagra em parte, criam-se imagens, um santuário em casa, um guarda-roupa religioso, um contrato com um profissional do sagrado. No fim, ele conclui que agora está tudo certo, porque possui um levita como sacerdote. Esse tipo de arranjo lembra decisões cotidianas em que valores são misturados: um pouco de tradição familiar, um pouco de fé verdadeira, um pouco de conveniências pessoais. A família de Mica continua vivendo como quer, mas cerca a vida com símbolos que dão aparência de correção espiritual. O resultado é uma falsa sensação de segurança: a estrutura está montada, mas o coração e as escolhas não foram, de fato, alinhados com a vontade de Deus. O levita em peregrinação traz um alerta sobre escolhas movidas principalmente pela pressão financeira ou pela busca de conforto imediato. Ele aceita ser sacerdote numa casa em troca de um pacote de benefícios: salário, vestes e sustento. Em muitos contextos, algo semelhante ocorre quando vocações, talentos e convicções são adaptados ao que oferece mais estabilidade, mesmo que isso signifique comprometer princípios. O versículo 6, ao falar que cada um fazia o que parecia certo aos seus olhos, aponta para a importância de ter referências claras para guiar decisões. Sem um norte firme, a vida prática tende a se organizar em torno do “mais conveniente” ou “menos arriscado” no curto prazo. A história de Mica convida a repensar a forma como se tomam decisões sobre dinheiro, família, trabalho e fé, lembrando que aparência religiosa não substitui escolhas coerentes com os valores de Deus. Em termos de cotidiano, o capítulo incentiva a revisar práticas e arranjos que parecem espirituais, mas podem apenas mascarar conflitos não resolvidos, ética flexível ou acordos feitos por medo. A sabedoria prática se expressa quando devoção e conduta caminham juntas, sem que a fé seja usada como proteção para manter o que, lá no fundo, precisa mudar.

Soul
Alma

Sob a ótica da formação espiritual, Juízes 17 retrata um coração religioso, mas não necessariamente rendido a Deus. Mica e sua mãe se movem no campo do sagrado, falam de consagração, levantam imagens, organizam um espaço de culto, contratam um levita, mas tudo isso é feito a partir dos próprios critérios. A frase do versículo 6 mostra a raiz espiritual desse desvio: não é apenas falta de rei humano, mas falta de reconhecimento prático da realeza de Deus. A idolatria aqui não aparece como rejeição aberta ao Senhor, e sim como mistura: o nome de Deus está nos lábios, enquanto imagens e terafins ocupam a casa. Essa é uma forma sutil de desvio espiritual: não se trata de abandonar a fé, mas de moldá-la ao gosto próprio. O resultado é um tipo de espiritualidade controlada, em que o divino é trazido para dentro de um sistema montado pela própria pessoa. Em vez de se submeter ao que Deus quer, ela tenta usar o sagrado para garantir que Deus faça o que ela espera. O levita peregrino, aceitando um papel reduzido em troca de sustento, ilustra outra dimensão da vida espiritual: vocações podem ser estreitadas quando se procura mais segurança imediata do que fidelidade ao chamado. Em termos de formação da alma, isso alerta para o perigo de transformar dons e ministérios em instrumentos de autopreservação, em vez de expressão de entrega a Deus. No desfecho, Mica declara ter certeza de que o Senhor lhe fará bem por causa de sua estrutura religiosa. Essa frase ecoa uma pergunta profunda sobre onde a alma encontra sua confiança última. Quando a segurança está em arranjos exteriores, cargos, tradições e objetos, a fé se torna frágil, vulnerável a qualquer mudança externa. O capítulo sugere, de forma narrativa, a necessidade de uma volta à simplicidade: ouvir a voz de Deus, acolher Seus caminhos, deixar que Ele ordene a vida, em vez de fabricar garantias espirituais. Assim, Juízes 17 funciona como um espelho para a alma, revelando quando a religião se torna instrumento de controle e não de rendição. No fundo, aponta para a necessidade de um Rei verdadeiro que governe não apenas a nação, mas o íntimo de cada pessoa, conduzindo a uma adoração que brota de um coração inteiro, sem mistura, alinhado com a vontade do Deus vivo.

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Versículos em Juízes 25

Juízes 25:5

" Os que, pois, disse, dentre vós, têm poder, desçam comigo e, se neste homem houver algum crime, acusem-no. "

Juízes 25:6

" E, havendo-se demorado entre eles mais de dez dias, desceu a Cesaréia; e no dia seguinte, assentando-se no tribunal, mandou que trouxessem Paulo. "

Juízes 25:7

" E, chegando ele, rodearam-no os judeus que haviam descido de Jerusalém, trazendo contra Paulo muitas e graves acusações, que não podiam provar. "

Juízes 25:8

" Mas ele, em sua defesa, disse: Eu não pequei em coisa alguma contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César. "

Juízes 25:9

" Todavia Festo, querendo comprazer aos judeus, respondendo a Paulo, disse: Queres tu subir a Jerusalém, e ser lá perante mim julgado acerca destas coisas? "

Juízes 25:10

" Mas Paulo disse: Estou perante o tribunal de César, onde convém que seja julgado; não fiz agravo algum aos judeus, como tu muito bem sabes. "

Juízes 25:11

" Se fiz algum agravo, ou cometi alguma coisa digna de morte, não recuso morrer; mas, se nada há das coisas de que estes me acusam, ninguém me pode entregar a eles; apelo para César. "

Juízes 25:14

" E, como ali ficassem muitos dias, Festo contou ao rei os negócios de Paulo, dizendo: Um certo homem foi deixado por Félix aqui preso, "

Juízes 25:15

" Por cujo respeito os principais dos sacerdotes e os anciãos dos judeus, estando eu em Jerusalém, compareceram perante mim, pedindo sentença contra ele. "

Juízes 25:16

" Aos quais respondi não ser costume dos romanos entregar algum homem à morte, sem que o acusado tenha presentes os seus acusadores, e possa defender-se da acusação. "

Juízes 25:17

" De sorte que, chegando eles aqui juntos, no dia seguinte, sem fazer dilação alguma, assentado no tribunal, mandei que trouxessem o homem. "

Juízes 25:19

" Tinham, porém, contra ele algumas questões acerca da sua superstição, e de um tal Jesus, morto, que Paulo afirmava viver. "

Juízes 25:20

" E, estando eu perplexo acerca da inquirição desta causa, disse se queria ir a Jerusalém, e lá ser julgado acerca destas coisas. "

Juízes 25:21

" E, apelando Paulo para que fosse reservado ao conhecimento de Augusto, mandei que o guardassem até que o envie a César. "

Juízes 25:23

" E, no dia seguinte, vindo Agripa e Berenice, com muito aparato, entraram no auditório com os tribunos e homens principais da cidade, sendo trazido Paulo por mandado de Festo. "

Juízes 25:24

" E Festo disse: Rei Agripa, e todos os senhores que estais presentes conosco; aqui vedes um homem de quem toda a multidão dos judeus me tem falado, tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convém que viva mais. "

Juízes 25:25

" Mas, achando eu que nenhuma coisa digna de morte fizera, e apelando ele mesmo também para Augusto, tenho determinado enviar-lho. "

Juízes 25:26

" Do qual não tenho coisa alguma certa que escreva ao meu senhor, e por isso perante vós o trouxe, principalmente perante ti, ó rei Agripa, para que, depois de interrogado, tenha alguma coisa que escrever. "

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