Juízes 26:1
" Depois Agripa disse a Paulo: É permitido que te defendas. Então Paulo, estendendo a mão em sua defesa, respondeu: "
Entenda os temas principais e aplique Juízes 26 na sua vida hoje
32 versículos | Almeida Corrigida Fiel
A repetição da expressão "naqueles dias não havia rei em Israel" mostra um tempo de desordem, em que as tribos agem sem direção firme de Deus, misturando religiosidade com idolatria e violência.
O que começa como um santuário doméstico na casa de Mica torna-se um sistema religioso de toda uma tribo, com imagens esculpidas, terafins e um sacerdote contratado, em contraste direto com o culto legítimo em Siló.
Os danitas e o levita tratam as coisas sagradas como meios para alcançar segurança, poder e prosperidade, e não como expressão de aliança e adoração verdadeira ao Senhor.
A tribo de Dã ataca e destrói um povo pacífico, seguro e isolado, motivada pelo desejo de possuir uma terra fértil, sem qualquer menção a juízo divino contra Laís.
Juízes 18 se passa no período inicial da ocupação de Canaã, quando as tribos ainda consolidavam suas heranças. A tribo de Dã havia recebido um território originalmente na região costeira, mas enfrentou forte resistência dos filisteus e outros povos, e não conseguiu tomar plenamente sua herança (mencionado em outros trechos do livro). Por isso, parte da tribo busca outra área para habitar. Laís era uma cidade ao norte, próxima de Bete-Reobe, descrita como segura, próspera, distante da influência política dos sidônios e isolada de alianças militares; exatamente por isso se tornou alvo fácil.
O tabernáculo e a arca estavam em Siló, centro oficial do culto ao Senhor naquela época. Contudo, como o capítulo mostra, havia altares e santuários particulares espalhados, com imagens, éfodes e terafins, refletindo a mistura do culto ao Deus de Israel com práticas cananeias. A figura do levita contratado por Mica e depois pela tribo de Dã revela a fragilidade da liderança espiritual: sacerdócio se torna profissão negociável, e não serviço de aliança. A referência a Jônatas, descendente de Gérson, ligado a Moisés (aqui chamado Manassés em algumas tradições textuais), ressalta a gravidade: até descendentes de famílias ligadas à liderança de Israel se envolvem na idolatria tribal.
Quando o texto menciona "até ao dia do cativeiro da terra" (v.30), conecta essa prática idólatra de Dã com a história posterior de Israel, em que o reino do Norte adotará centros de culto alternativos em Dã e Betel. O capítulo, assim, funciona como uma espécie de prólogo remoto para o sincretismo que marcará o reino do Norte séculos depois.
O capítulo é construído como um relato contínuo, com movimentos claros que mostram a progressão do pecado e de suas consequências:
Situação inicial: falta de herança e busca por território (v.1-2)
Encontro com Mica e seu levita (v.2-6)
Espionagem de Laís e relatório otimista (v.7-10)
Preparação militar dos danitas (v.11-13)
Roubo dos ídolos e do sacerdote (v.14-20)
Confronto entre Mica e os danitas (v.21-26)
Conquista e renomeação de Laís (v.27-29)
Estabelecimento duradouro da idolatria (v.30-31)
O texto alterna descrições breves, diálogos diretos e notas explicativas (como os nomes dos lugares), criando uma narrativa que parece simples, mas carrega juízo implícito através de detalhes e repetições.
Juízes 18 expõe a profundidade da crise espiritual de Israel em um período em que a aliança com o Senhor continua formalmente em vigor, mas é amplamente distorcida na prática. A menção inicial à ausência de rei não é apenas sobre política; sugere também a rejeição prática do Senhor como Rei e Juiz, visto que sua lei e seu culto são negligenciados.
A idolatria aparece aqui em três níveis: doméstico (a casa de Mica), tribal (a organização religiosa da tribo de Dã) e nacional (o eco que isso terá mais tarde no reino do Norte). Em cada nível, elementos do culto verdadeiro são misturados com objetos e práticas proibidas, caracterizando sincretismo. Essa mistura é particularmente grave porque recorre ao nome do Senhor, mas o associa a imagens e superstições, reduzindo o Deus vivo a algo manipulável.
O levita do relato representa uma teologia utilitarista, na qual vocação e serviço espiritual são negociados conforme o benefício pessoal. Em vez de agir como guardião da adoração verdadeira, ele se deixa mover pela proposta mais vantajosa, revelando um sacerdócio sem convicção. A própria tribo de Dã procura uma "palavra de Deus" apenas como confirmação de seus planos, não como direção verdadeira, o que denuncia uma espiritualidade centrada no próprio interesse.
O ataque à cidade pacífica de Laís, sem qualquer referência a ordem direta do Senhor ou juízo moral contra aquele povo, mostra como Israel pode reproduzir a violência das nações quando se afasta de Deus. O silêncio divino no texto funciona como crítica: Deus não respalda a conquista obtida por meio de idolatria, roubo e ameaça.
Teologicamente, o capítulo antecipa o conflito central entre culto legítimo e culto alternativo em Israel. A existência de um centro de adoração em Dã, com imagem esculpida e sacerdócio próprio, paralelo ao tabernáculo de Siló, prepara o cenário para os futuros pecados nacionais. O texto convida a considerar que a infidelidade de hoje, mesmo parecendo pequena e local, pode construir estruturas de afastamento de Deus que perduram por gerações.
Lido de maneira pastoral, Juízes 18 revela ambientes espirituais e emocionais confusos: promessa de paz sem obediência, sensação de segurança construída em bases frágeis, e uso de linguagem religiosa para encobrir atitudes agressivas e egoístas. Mica, os danitas e o levita representam pessoas em busca de estabilidade, propósito e bênção, mas que escolhem caminhos tortos para tentar alcançá-los.
A narrativa traz à tona temas como perda (Mica perde seus "deuses" e seu sacerdote), sensação de impotência diante de forças maiores (Mica não pode enfrentar os seiscentos homens armados), manipulação religiosa (o convite ao levita) e violência contra os vulneráveis (o povo de Laís). Em termos emocionais, isso espelha experiências de pessoas que foram traídas por líderes, usadas por comunidades ou violentadas sob argumentos "espirituais".
O texto não oferece consolo imediato, mas permite validar sentimentos de indignação, injustiça e confusão quando a religião parece ser usada para fins distorcidos. Ele também mostra a fragilidade de qualquer segurança que não esteja firmada no Deus vivo: os "deuses" de Mica podem ser roubados, lares podem ser queimados, posições podem mudar rapidamente.
Como cuidado de alma, o capítulo aponta a importância de discernir motivações por trás de discursos espirituais, reconhecer que a dor causada por práticas religiosas abusivas é real, e lembrar que a história bíblica não esconde esses abusos, mas os expõe, indicando que Deus os vê e os registra.
Alguns elementos do capítulo podem acionar lembranças dolorosas ou crises em quem já sofreu feridas espirituais ou traumas de violência:
Pessoas com histórico de abuso espiritual, violência comunitária ou perdas traumáticas podem se sentir mexidas ao ler o capítulo. Nesses casos, pode ser necessário ler o texto com acompanhamento pastoral, psicoterapêutico ou em comunidade segura, para que os sentimentos despertados sejam acolhidos e elaborados com cuidado.
Juízes 18 sugere diversos princípios práticos para a vida de fé e a organização comunitária:
Discernir a diferença entre aparência religiosa e obediência real A presença de éfode, terafins, imagens e até de um levita não significa que Deus esteja aprovando o que acontece. Praticamente, isso chama comunidades e líderes a examinarem se estruturas e símbolos religiosos estão de fato alinhados com o caráter de Deus revelado nas Escrituras.
Cuidar das motivações nas decisões espirituais A tribo de Dã busca palavra do Senhor depois de já ter tomado suas decisões. Isso expõe a tendência de usar Deus apenas para confirmar planos próprios. Na vida diária, isso convida a colocar projetos, mudanças e escolhas diante de Deus antes de executá-los, com disposição real de ouvir um "sim" ou um "não".
Evitar usar o sagrado como instrumento de poder O levita aceita ir com os danitas porque terá uma posição maior. Isso alerta para o perigo de transformar dons, ministérios e chamados em meios de status e influência. Na prática, o serviço cristão saudável busca fidelidade, não promoção.
Questionar seguranças baseadas em ídolos Mica constrói sua segurança em coisas que podem ser roubadas. Hoje, ídolos podem ser bens, imagem, cargos, relacionamentos ou práticas religiosas vazias. O texto incentiva a revisar onde está o fundamento da confiança e a recentrar a vida no Deus que não pode ser tomado.
Denunciar e não reproduzir espiritualidade violenta Os danitas usam força e ameaça, mesmo invocando Deus. Comunidades de fé são chamadas a rejeitar estilos de liderança autoritários, manipulação e intimidação, e a promover relações marcadas por justiça, respeito e cuidado com os mais vulneráveis.
Lembrar que pequenos desvios podem se tornar estruturas duradouras A idolatria que começa na casa de Mica se transforma em sistema religioso de uma tribo, com efeito por gerações. Em termos práticos, escolhas éticas e espirituais de hoje constroem culturas familiares e comunitárias que impactam o futuro.
A tribo de Dã havia recebido um território na região costeira, mas, conforme o livro de Juízes indica em outros capítulos, não conseguiu expulsar totalmente os povos que ali habitavam, especialmente os filisteus. Isso gerou pressão e limitação de espaço, levando parte da tribo a buscar outra área para habitar. Em Juízes 18, essa busca por herança é narrada como iniciativa própria dos danitas, sem indicação clara de direção divina para a escolha de Laís.
O levita já havia sido apresentado em Juízes 17 como um jovem da tribo de Levi que se torna sacerdote particular de Mica. Em Juízes 18, ele é abordado pelos espiões e, depois, pela comitiva da tribo de Dã, que lhe oferecem posição de sacerdote não apenas de uma família, mas de toda uma tribo. O texto mostra que ele se alegra com a proposta e aceita, sugerindo motivações ligadas a prestígio e oportunidade, em vez de compromisso com a forma correta de adorar a Deus. Seu comportamento ilustra a fragilidade e a corrupção da liderança espiritual nesse período.
O texto não apresenta nenhuma ordem direta de Deus para que Dã conquiste Laís, nem declara a ação deles como juízo divino sobre aquela cidade. Pelo contrário, Laís é descrita como povo quieto, confiante e isolado, sem referência a maldade específica. Os danitas consultam o levita, que lhes dá uma resposta positiva, mas isso ocorre dentro de um contexto de culto confuso e idólatra. O silêncio do narrador quanto à aprovação divina, somado ao retrato negativo do comportamento dos danitas (roubo, ameaça, violência e idolatria), indica que essa conquista não é apresentada como um ato justo ou exemplar.
A expressão "até ao dia do cativeiro da terra" aponta para um momento posterior da história de Israel em que a região é conquistada por potências estrangeiras e a população é deportada ou dispersa. Muitos estudiosos entendem que se trata de referência ao exílio assírio do reino do Norte, quando tribos como Dã foram levadas cativas. A frase indica que o sistema idólatra estabelecido em Dã permaneceu por muito tempo, até que o juízo de Deus, na forma de cativeiro, interrompeu aquela situação.
Siló era o local onde se encontrava o tabernáculo, a "casa de Deus" na época dos juízes, e o centro legítimo da adoração ao Senhor em Israel. Ao afirmar que a imagem de escultura de Mica permaneceu em Dã "por todos os dias em que a casa de Deus esteve em Siló", o texto ressalta o contraste: enquanto o culto verdadeiro continuava em Siló, uma tribo inteira mantinha, em paralelo, um sistema idólatra. A menção de Siló destaca a gravidade de substituir ou competir com o lugar e a forma de culto estabelecidos por Deus.
Juízes 18 é um capítulo pesado, cheio de injustiça, confusão e perda. Há pessoas em busca de segurança, tribos procurando lugar para viver, mas o caminho que escolhem fere muita gente. Mica monta um pequeno mundo religioso para tentar se sentir protegido; quando tudo é levado embora, ele desabafa: "Que mais me resta agora?". Essa frase carrega um gosto de desespero, de quem colocou seu coração em algo que podia ser roubado. Esse tipo de história lembra que a Bíblia não esconde a bagunça humana, nem mesmo dentro do povo de Deus. Ela mostra que existem casas destruídas por ganância, pessoas ameaçadas ao tentarem reclamar, líderes que trocam o chamado por oportunidades mais vantajosas. Para quem já sofreu com abusos religiosos, comunidades violentas ou lideranças manipuladoras, esse texto toca em feridas antigas. Ao mesmo tempo, o capítulo revela algo silencioso: Deus vê tudo isso. O fato de o relato estar registrado mostra que essas dores não foram apagadas. A dor de Mica, a destruição de Laís, a distorção do sagrado, tudo é colocado à luz. Mesmo quando não há consolo imediato na narrativa, há um reconhecimento de que a injustiça existiu e foi séria. Em meio a tanta confusão, a grande diferença está em onde o coração descansa. Os "deuses" de Mica podem ser levados na bagagem de guerreiros armados; a presença do Deus vivo, não. O capítulo convida, com cuidado, a rever onde a alma tem buscado segurança. Não como cobrança fria, mas como proteção: quando o que é mais precioso está em algo que se quebra ou pode ser tomado, o coração fica sempre em risco. Há consolo em saber que a história bíblica continuará além deste capítulo, caminhando para um Rei justo, que não domina pela força bruta, mas que se entrega pelos fracos. Nesse fio de esperança, mesmo diante de capítulos duros, pode nascer uma oração simples: que Deus cuide das feridas deixadas por religiões distorcidas e vá reconstruindo, com paciência, uma confiança que não possa mais ser roubada.
Juízes 18 funciona como uma amostra concentrada do ambiente espiritual do período dos juízes. A fórmula "naqueles dias não havia rei em Israel" não apenas introduz o contexto político, mas sinaliza um tempo em que a autoridade da lei de Deus não é reconhecida na prática. A narrativa mostra isso através de detalhes: espiões que pedem bênção religiosa a projetos já decididos, um levita que negocia seu ofício, uma tribo que legitima a violência por meio de um verniz de espiritualidade. Há um jogo literário interessante entre centro e periferia. O centro legítimo do culto é Siló, onde está a casa de Deus. Mas o capítulo quase não menciona esse centro; o foco está na periferia: uma casa particular em Efraim (Mica), uma tribo que ainda não garantiu seu território (Dã), uma cidade distante e isolada (Laís). É justamente nessas margens que se instala um sistema religioso alternativo, com elementos tomados do culto verdadeiro (éfonte, levita, linguagem de consulta a Deus) misturados com práticas proibidas (imagens esculpidas, terafins). O sincretismo aqui não se apresenta como rejeição frontal ao Senhor, e sim como adaptação conveniente. O papel do levita é teologicamente revelador. Como membro da tribo encarregada do serviço ao Senhor, ele deveria ser guardião da pureza do culto. Em vez disso, é personagem móvel, facilmente transferível de um santuário doméstico para uma estrutura tribal, sem questionar o fundamento teológico do que está fazendo. Sua alegria ao receber uma proposta mais vantajosa mostra uma espiritualidade centrada em posição e visibilidade, não em fidelidade. A conquista de Laís também merece atenção. Ao contrário de outras narrativas de conquistas em Josué, não há comando divino, não há avaliação moral do povo conquistado, nem referência a votos ou consultas sérias ao Senhor. O alvo é escolhido por critérios de conveniência: terra boa, povo confiante, ausência de aliados fortes. A ausência de Deus nesses trechos, contrastando com a presença de linguagem religiosa nos lábios dos danitas, reforça a crítica do narrador. Por fim, a menção a Jônatas, descendente de Gérson, e a observação de que esse sistema perdurou "até ao dia do cativeiro da terra" conectam o episódio ao longo curso da história de Israel. O santuário de Dã antecipa o papel da cidade como um dos centros de culto alternativo no reino do Norte. O que parece um desvio localizado torna-se uma estrutura de idolatria duradoura. O texto, assim, não é apenas crônica antiga, mas reflexão teológica sobre como pequenos afastamentos da revelação de Deus podem se cristalizar em práticas coletivas que deformam a fé de gerações inteiras.
Visto pela lente do dia a dia, Juízes 18 mostra gente tomando decisões concretas: onde morar, quem seguir, que tipo de segurança buscar. Os danitas precisam de terra, os espiões analisam riscos, o levita avalia oportunidades, Mica tenta organizar sua casa. Nada disso é estranho à realidade: famílias mudando de cidade, profissionais aceitando propostas, comunidades procurando estabilidade. O ponto forte do texto está em como tudo isso é feito. Os danitas tomam decisões estratégicas sem filtro ético sólido. Em vez de perguntar se algo é justo ou condiz com o caráter de Deus, o critério é: a terra é boa, o povo é frágil, a oportunidade é grande. Eles até procuram uma "palavra espiritual", mas como confirmação de um plano pronto. Na prática, isso se parece com usar fé apenas para legitimar escolhas já determinadas, sem disposição real de mudar de rota se for preciso. O levita, por sua vez, ilustra o risco de escolher caminhos só pela vantagem. Ele troca fidelidade ao que seria o padrão do culto verdadeiro por um cargo mais amplo, com mais prestígio. Em termos atuais, lembra situações em que vocações, dons ou profissões ligadas ao serviço a Deus são tratadas como degraus de carreira, e não como chamado para servir com integridade, mesmo quando isso significa menor visibilidade. Mica constrói um sistema particular de segurança religiosa em sua casa. Ele investe, monta estrutura, contrata gente, e se apega tanto a isso que, quando perde, sente que não lhe resta nada. Essa sensação aponta para qualquer situação em que se coloca a identidade inteira em algo frágil: um projeto, um serviço, um ministério, um patrimônio. Quando esse "deus" cai, tudo parece ruir junto. Aplicado à prática, o capítulo estimula alguns cuidados: antes de grandes decisões (mudanças, alianças, projetos), vale pesar não só o que é vantajoso, mas o que é correto diante de Deus e justo para com outros. Na vida comunitária, há chamado para recusar estratégias baseadas em força, ameaça ou manipulação, mesmo que pareçam eficientes. E, no plano pessoal, há convite para revisar se a busca por proteção e sentido está firmada em algo que resiste a perdas, ou se depende de "imagens" que podem ser levadas embora de uma hora para outra.
Juízes 18 toca em um tema profundo de formação espiritual: o que se faz com a sede por segurança, pertencimento e direção quando a referência de Deus se torna difusa. A tribo de Dã não está indiferente a questões espirituais; ela busca consulta, quer a bênção do Senhor. Mica não é ateu; organiza um espaço de culto em casa. O levita não abandona a linguagem de Deus; ele apenas a desloca ao sabor das oportunidades. O problema não é ausência de religiosidade, e sim deslocamento do centro. A ausência mencionada no texto não é só de um rei humano, mas de reconhecimento efetivo do reino de Deus. Quando essa referência se enfraquece, cresce um tipo de espiritualidade que usa símbolos sagrados como ferramentas: éfode, imagens, sacerdócio, bênçãos de caminho. Tudo parece falar de Deus, mas, no fundo, serve a projetos humanos. Nessa lógica, até o sacrifício, quando acontece, é dos outros: os moradores de Laís pagam com a vida pela busca de segurança dos danitas. Na caminhada espiritual, isso alerta para a tentação de construir "Dãs" pessoais: lugares, estruturas ou rotinas que, na prática, concorrem com o lugar onde Deus decidiu se encontrar com o seu povo. Na história de Israel, Siló, depois Jerusalém, apontam para o centro do encontro com Deus, que, no desdobramento bíblico, culmina em Cristo. Tudo que pretende substituir ou rivalizar com esse centro — por mais religioso que pareça — fragiliza a alma. O capítulo também revela o perigo de u ma fé herdada, mas não discernida. A linhagem sacerdotal de Jônatas se estabelece em um culto distorcido por gerações. Forma-se uma tradição espiritual que mantém linguagem de Deus, mas se afasta de sua vontade. Isso levanta uma questão de fundo: em que tipo de história espiritual se está sendo formado? Em uma narrativa de acomodação ou em uma de retorno constante às fontes da revelação de Deus? Ao olhar para esse texto à luz de toda a Escritura, surge um contraste: aqui, o "deus" de Mica pode ser roubado; mais adiante, se revelará um Deus que se entrega, mas não pode ser tomado, que morre, mas ressuscita, que não cabe em imagens. Em termos de formação da alma, o chamado silencioso de Juízes 18 é afastar-se de seguranças fabricadas e aprender a habitar na presença daquele que não pode ser manipulado, mas que, em sua graça, se deixa conhecer e seguir.
" Depois Agripa disse a Paulo: É permitido que te defendas. Então Paulo, estendendo a mão em sua defesa, respondeu: "
" Tenho-me por feliz, ó rei Agripa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus; "
" Mormente sabendo eu que tens conhecimento de todos os costumes e questões que há entre os judeus; por isso te rogo que me ouças com paciência. "
" Quanto à minha vida, desde a mocidade, como decorreu desde o princípio entre os da minha nação, em Jerusalém, todos os judeus a conhecem, "
Atos 26:4 mostra Paulo lembrando que sua história era pública e conhecida por todos. Ele destaca que não inventou uma nova fé de repente, mas …
Ler análise completa" Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu. "
" E agora pela esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais estou aqui e sou julgado. "
" À qual as nossas doze tribos esperam chegar, servindo a Deus continuamente, noite e dia. Por esta esperança, ó rei Agripa, eu sou acusado pelos judeus. "
Atos 26:7 mostra que Paulo explica sua fé como continuação da esperança antiga de Israel: a promessa de Deus cumprida em Cristo e na ressurreição. …
Ler análise completa" Pois quê? julga-se coisa incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos? "
Atos 26:8 mostra Paulo questionando por que a ressurreição parece impossível, se Deus é todo-poderoso. O versículo lembra que, para Deus, até o que parece …
Ler análise completa" Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus Nazareno devia eu praticar muitos atos; "
" O que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido autorização dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles. "
" E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui. "
" Sobre o que, indo então a Damasco, com poder e comissão dos principais dos sacerdotes, "
" Ao meio-dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que iam comigo. "
" E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava, e em língua hebraica dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. "
" E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; "
" Mas levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda; "
" Livrando-te deste povo, e dos gentios, a quem agora te envio, "
" Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim. "
Atos 26:18 mostra que Jesus chama pessoas a saírem da ignorância espiritual para uma nova vida com Deus, recebendo perdão e um lugar em sua …
Ler análise completa" Por isso, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. "
" Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento. "
" Por causa disto os judeus lançaram mão de mim no templo, e procuraram matar-me. "
" Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer, "
" Isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios. "
" E, dizendo ele isto em sua defesa, disse Festo em alta voz: Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar. "
" Mas ele disse: Não deliro, ó potentíssimo Festo; antes digo palavras de verdade e de um são juízo. "
" Porque o rei, diante de quem também falo com ousadia, sabe estas coisas, pois não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer canto. "
" Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês. "
Atos 26:27 mostra Paulo apelando à fé de Agripa nas Escrituras para levá-lo a reconhecer Jesus. O versículo ensina que conhecer a verdade não basta; …
Ler análise completa" E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão! "
" E disse Paulo: Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo, se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias. "
" E, dizendo ele isto, levantou-se o rei, o presidente, e Berenice, e os que com eles estavam assentados. "
" E, apartando-se dali falavam uns com os outros, dizendo: Este homem nada fez digno de morte ou de prisões. "
" E Agripa disse a Festo: Bem podia soltar-se este homem, se não houvera apelado para César. "
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