1 Samuel 28 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 1 Samuel 28 na sua vida hoje

25 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 1 Samuel 28?

1 Samuel 28 descreve um dos momentos mais sombrios da vida de Saul. Enquanto os filisteus se preparam para a batalha, Davi está com Aquis entre os inimigos de Israel. Saul, apavorado e sem ouvir resposta de Deus, busca uma médium em En-Dor, apesar de anteriormente ter expulsado adivinhos da terra. Disfarçado, ele pede que a mulher evoque Samuel. A aparição de Samuel confirma o juízo de Deus: o reino foi tirado de Saul e entregue a Davi, Israel seria derrotado e Saul e seus filhos morreriam. O capítulo termina com Saul prostrado, sem forças, sendo alimentado pela própria mulher que ele havia colocado em risco.

Temas principais em 1 Samuel 28

Silêncio de Deus diante da desobediência persistente (versículos 5-6, 18)

Saul busca ao Senhor, mas não recebe resposta por sonhos, Urim ou profetas. O silêncio divino revela não a fraqueza de Deus, mas a consequência de anos de rebeldia e endurecimento do coração, especialmente por não ter obedecido a ordem contra Amaleque.

Versículos-chave: 5, 6, 18

Desespero que leva a caminhos proibidos (versículos 7-11)

Tomado pelo medo e sem direção, Saul recorre exatamente ao que ele mesmo havia proibido: a consulta a espíritos por meio de uma mulher que pratica adivinhação. O desespero, sem arrependimento verdadeiro, o conduz a aprofundar-se ainda mais na rebelião.

Versículos-chave: 7, 8, 9, 10, 11

Confirmação do juízo de Deus (versículos 15-19)

Samuel não traz novidade, mas reafirma o que já havia sido dito: o Senhor rasgou o reino das mãos de Saul e o deu a Davi, por causa da desobediência. A sentença se torna específica: Israel seria entregue aos filisteus e Saul e seus filhos morreriam.

Versículos-chave: 16, 17, 18, 19

Queda trágica de um líder (versículos 3-5, 20)

O contraste entre o Saul que um dia foi escolhido e ungido, e o Saul abatido, disfarçado, consultando uma médium à noite, é dramático. Sua queda não é repentina, mas o resultado de escolhas sucessivas afastadas da vontade de Deus.

Versículos-chave: 3, 4, 5, 20

Aparente ironia da graça comum (versículos 21-25)

Mesmo em um contexto de pecado e trevas espirituais, a mulher de En-Dor demonstra cuidado: arrisca a vida, consola Saul, prepara comida e o fortalece para sua última caminhada. Há um toque de humanidade em meio ao juízo.

Versículos-chave: 21, 22, 24, 25

Contexto histórico e literario

O cenário de 1 Samuel 28 é o final do reinado de Saul, em meio ao conflito constante com os filisteus. Israel vivia em tensão militar e espiritual. Saul havia sido rejeitado por Deus como rei por causa de sua desobediência, especialmente no episódio com Amaleque (1 Samuel 15). Davi já havia sido ungido como sucessor e ganhado reconhecimento em Israel, embora ainda não estivesse entronizado.

Os filisteus eram um grande poder militar na região, com organização e tecnologia superior em armamentos de ferro. A batalha em questão acontece próxima ao monte Gilboa, região estratégica no norte de Israel. Enquanto eles se reúnem em Suném, Israel se posiciona em Gilboa, antecipando um confronto decisivo.

Samuel, o profeta que havia ungido Saul e Davi, já estava morto. Sua ausência significava também o fim de uma referência espiritual estável e reconhecida em Israel. O texto lembra que Saul havia expulsado adivinhos e encantadores, em consonância com a lei que proibia práticas ocultistas (como em Deuteronômio 18). Porém, ironicamente, no ápice do medo, Saul ignora a própria lei e seu decreto anterior e procura uma médium em En-Dor.

Menciona-se também o uso de Urim, um meio sacerdotal de consulta, provavelmente associado ao peitoral do sumo sacerdote. O fato de Deus não responder nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas, mostra a profundidade da ruptura entre Saul e o Senhor. O capítulo antecede diretamente a narrativa da batalha que resultará na morte de Saul e de seus filhos no monte Gilboa.

Estrutura de 1 Samuel 28

1 Samuel 28 apresenta uma narrativa sombria e tensa, construída em torno de contraste e ironias trágicas.

  1. Introdução ao conflito e à posição de Davi (vv. 1-2)

    • Os filisteus reúnem seus exércitos.
    • Aquis garante que Davi irá com ele à batalha.
    • Davi responde de forma ambígua, e Aquis promete tê-lo por guarda para sempre.
  2. Contexto espiritual e militar de Saul (vv. 3-6)

    • Recordação da morte de Samuel e do luto de Israel.
    • Menção de que Saul expulsou adivinhos e encantadores.
    • Mobilização de Israel em Gilboa frente ao acampamento filisteu em Suném.
    • Medo profundo de Saul ao ver o exército inimigo.
    • Tentativa frustrada de buscar a orientação do Senhor.
  3. Decisão de buscar a médium em En-Dor (vv. 7-11)

    • Saul ordena a busca por uma mulher com espírito de adivinhação.
    • Informação de que há uma em En-Dor.
    • Saul se disfarça, vai de noite com dois homens.
    • Diálogo inicial, com a mulher temendo por sua vida.
    • Saul jura pelo Senhor que ela não será punida.
    • Pedido específico: fazer subir Samuel.
  4. Aparição de Samuel e reconhecimento de Saul (vv. 12-14)

    • A mulher vê Samuel, grita e percebe que o homem é Saul.
    • Saul a tranquiliza e pergunta o que ela vê.
    • Descrição da visão: um ancião envolto numa capa, subindo.
    • Saul reconhece que é Samuel e se prostra.
  5. Diálogo entre Saul e Samuel, com anúncio do juízo (vv. 15-19)

    • Samuel pergunta por que foi inquietado.
    • Saul expõe sua angústia e o silêncio de Deus.
    • Samuel reafirma que o Senhor se tornou inimigo de Saul.
    • Relembrança da profecia anterior: o reino foi tirado e dado a Davi.
    • Explicação da causa: desobediência em relação a Amaleque.
    • Anúncio específico: Israel será entregue aos filisteus; Saul e seus filhos morrerão.
  6. Reação de Saul e cuidado inesperado da médium (vv. 20-25)

    • Saul cai por terra, tomado de pavor, sem forças, por estar em jejum.
    • A mulher percebe o estado dele e fala com empatia.
    • Ela lembra que arriscou a vida obedecendo à voz de Saul.
    • Oferece alimento para que ele recupere forças.
    • Após insistência da mulher e dos servos, Saul aceita comer.
    • A mulher mata um bezerro cevado, prepara pão ázimo e serve a Saul e seus homens.
    • Eles comem e partem naquela mesma noite.

A narrativa é marcada por diálogos fortes, imagens noturnas e clima de tensão espiritual, compondo um quadro de decadência do primeiro rei de Israel.

Significado teológico

O capítulo realça o peso da rejeição de Deus após a desobediência intencional e repetida. Saul não é alguém que falhou uma única vez, mas um rei que, ao longo do tempo, resistiu à palavra do Senhor e substituiu obediência por justificativas e impulsos pessoais. O silêncio de Deus não é arbitrariedade; é consequência de um coração que se afastou.

A tentativa de Saul de obter orientação não é arrependimento genuíno, mas desespero. Em vez de se humilhar diante de Deus e submeter-se ao juízo já anunciado, ele busca outra via espiritual, proibida pela própria lei do Senhor. Isso mostra que a verdadeira fé não se expressa apenas em buscar respostas, mas em se submeter à vontade de Deus, mesmo quando ela contraria interesses pessoais.

O encontro com Samuel reforça a soberania de Deus na história: o que Ele havia dito por meio do profeta está se cumprindo. O reino foi retirado de Saul e entregue a Davi não por acaso político, mas por decisão divina em resposta à desobediência. A profecia de que Saul e seus filhos “estarão comigo” aponta para a proximidade da morte e para o encerramento definitivo de seu reinado.

O texto também oferece um contraste implícito entre práticas proibidas e a verdadeira revelação. Mesmo quando alguém busca meios espirituais ilícitos, o controle último dos acontecimentos continua nas mãos de Deus. Nenhuma consulta mística altera o decreto divino; no máximo, torna o juízo mais evidente.

Há, ainda, um tom de advertência comunitária: líderes que se afastam da vontade de Deus acabam arrastando consigo o povo. Israel seria entregue aos filisteus junto com Saul. A responsabilidade espiritual de quem lidera é apresentada como algo de grande peso diante do Senhor.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo expõe um retrato intenso de medo, culpa, solidão espiritual e desespero. Saul se encontra em um estado emocional extremo: confrontado por uma ameaça real, sem sentir a presença de Deus, sem o apoio de Samuel e sem recursos interiores saudáveis para lidar com a crise. Em vez de voltar ao arrependimento e confiança, ele escolhe o atalho da busca por controle por meio de práticas espirituais proibidas.

A trajetória de Saul ilustra como o medo pode distorcer a percepção, aumentar a sensação de abandono e levar a decisões impulsivas que aprofundam a dor. O silêncio de Deus, que pode ter funções pedagógicas e de correção, é interpretado por ele como pura hostilidade, intensificando a angústia. Sua fraqueza física (jejum prolongado no contexto de ansiedade extrema) reforça o colapso emocional e espiritual.

Há também uma dimensão de ambivalência: a médium, apesar de representar uma prática proibida, age com compaixão, percebe o sofrimento de Saul e oferece cuidado concreto. Esse detalhe literário ressalta a complexidade da experiência humana: mesmo em contextos errados, surgem gestos de misericórdia que apontam para o valor da vida e a necessidade de acolhimento em momentos-limite.

Do ponto de vista de cuidado emocional e espiritual, o capítulo funciona como um alerta sobre o que acontece quando alguém se isola, endurece o coração, ignora correções anteriores e insiste em manter o controle a qualquer custo. Ao mesmo tempo, sugere que, em meio à angústia, a restauração saudável passa por reconhecer limites, aceitar a realidade do juízo de Deus e buscar caminhos de rendição em vez de fuga.

warning Importante: maus usos comuns

  • Medo intenso e paralisante diante de ameaças, a ponto de comprometer o discernimento (v. 5).
  • Sensação de abandono total por Deus, interpretando o silêncio divino apenas como rejeição, sem abertura para arrependimento (v. 6, 15).
  • Busca de soluções espirituais em fontes proibidas ou destrutivas quando não se obtém a resposta desejada de Deus (vv. 7-8).
  • Rompimento com valores e princípios anteriormente defendidos, por desespero ou conveniência (vv. 3, 7).
  • Uso indevido do nome de Deus para legitimar escolhas erradas, como o juramento de Saul à médium (v. 10).
  • Desesperança extrema diante da notícia do juízo, levando a colapso emocional e físico (vv. 19-20).
  • Negligência do cuidado básico com o corpo (alimentação, descanso) em meio à angústia, o que agrava o estado emocional (v. 20).

Aplicação prática para hoje

  • Reconhecer que o medo intenso pode distorcer as decisões e, nesses momentos, é vital não romper princípios espirituais e éticos já recebidos.
  • Lembrar que o silêncio de Deus não é convite para buscar atalhos espirituais ilícitos, mas oportunidade para examinar o coração, confessar pecados e voltar-se à obediência.
  • Entender que Deus não é obrigado a repetir indefinidamente advertências já dadas; ignorar consistentemente a correção pode levar a um estado de endurecimento e afastamento profundo.
  • Evitar o uso do nome de Deus para justificar escolhas contrárias à Sua vontade revelada, como Saul fez ao jurar pela vida do Senhor em um contexto de desobediência.
  • Cuidar do corpo em tempos de grande ansiedade, mantendo alimentação e descanso adequados, como forma de preservar forças para enfrentar situações difíceis com mais clareza.
  • Perceber a seriedade da liderança espiritual: decisões de quem lidera influenciam profundamente a vida de outras pessoas, para o bem ou para o mal.
  • Valorizar gestos de cuidado e compaixão, mesmo em contextos imperfeitos, reconhecendo que o acolhimento humano pode aliviar cargas emocionais pesadas.

Perguntas frequentes

Por que Deus não respondeu a Saul neste capítulo?

O texto mostra que o silêncio de Deus é consequência de um processo prolongado de desobediência e rejeição da palavra do Senhor por parte de Saul. Ele já havia sido advertido, especialmente no episódio com Amaleque, e Samuel declarara que Deus o rejeitara como rei. Agora, quando o perigo se aproxima, Saul busca resposta, mas sem mudança real de coração. Deus não responde nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas, evidenciando que a comunhão foi rompida pelo próprio Saul.

Quem é a mulher de En-Dor e o que ela fazia?

A mulher de En-Dor é descrita como alguém que tinha espírito de adivinhação, isto é, uma médium ou feiticeira que praticava consultas a espíritos. Tais práticas eram proibidas pela lei do Senhor em Israel, e o próprio Saul havia expulsado adivinhos e encantadores da terra. Ainda assim, em seu desespero, ele procura essa mulher à noite, disfarçado, para tentar obter respostas espirituais que não recebeu de Deus.

Samuel realmente apareceu quando a médium foi consultada?

O texto afirma que a mulher viu Samuel e que ele falou com Saul, confirmando a mensagem de juízo já anunciada anteriormente. A narrativa apresenta a aparição como algo real e surpreendente até para a própria mulher, que reage com grito de espanto e reconhece que o homem diante dela era Saul. O foco do texto não está em detalhar o mecanismo espiritual do acontecimento, mas em mostrar que, mesmo nesse contexto, a palavra de Deus se cumpriu e o juízo sobre Saul foi reafirmado.

O que significa Samuel dizer que Saul e seus filhos estariam com ele?

Quando Samuel diz que Saul e seus filhos estariam com ele no dia seguinte, o sentido imediato é que morreriam e se juntariam a Samuel no reino dos mortos. A expressão enfatiza a proximidade da morte e o fim do reinado de Saul. O objetivo principal da declaração é anunciar que a batalha seria desfavorável a Israel e que o juízo contra Saul alcançaria sua família e seu governo.

Por que Saul se disfarçou para ir a En-Dor?

Saul se disfarça e vai à noite porque ele mesmo havia expulsado adivinhos e encantadores da terra, e consultar uma médium o colocava em contradição direta com seu próprio decreto e com a lei de Deus. O disfarce e a ida noturna revelam seu medo, sua consciência de culpa e o caráter clandestino daquilo que estava fazendo. A cena acentua o contraste entre a posição oficial de Saul como rei de Israel e sua conduta privada em estado de desespero.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Este capítulo mostra um coração humano esmagado pelo medo e pela sensação de abandono. Saul não vê saída, sente Deus distante, e a solidão espiritual se torna quase insuportável. A dor dele é real: a ameaça do inimigo, a ausência de Samuel, o silêncio do céu. Tudo isso se mistura em uma angústia profunda. Saul, porém, não encontra consolo porque, em vez de se quebrantar e confiar na misericórdia de Deus, tenta controlar a situação por caminhos que só aumentam a escuridão. Seu desespero o leva a violar aquilo que ele mesmo sabia ser errado. É o retrato de um coração tão carregado de culpa e medo que já não enxerga a possibilidade de voltar para casa pela porta do arrependimento. Há um detalhe tocante: a mulher de En-Dor, mesmo em um contexto errado, vê o sofrimento de Saul, se aproxima, fala com mansidão e prepara alimento para ele. Em meio à noite espiritual, um gesto de cuidado lembra que Deus valoriza vidas feridas, mesmo quando andam por caminhos tortos. O contraste entre o juízo inevitável e o cuidado humano gera uma mistura de tristeza e compaixão. A história de Saul revela o peso de viver longe da voz de Deus, mas também como o coração humano precisa de acolhimento. Medo, culpa e solidão não encontram cura em mais controle, mas em um encontro honesto com a verdade e com o amor de Deus, que chama de volta, mesmo depois de tantos passos errados.

Mind
Mind

1 Samuel 28 é um texto denso em termos de teologia bíblica e estrutura narrativa. O autor faz questão de inserir os lembretes da morte de Samuel e da expulsão de adivinhos justamente para destacar a gravidade do ato de Saul: ele rompe com a lei e com sua própria política pública em um movimento de desespero espiritual. O silêncio de Deus nos versículos 5 e 6 deve ser lido à luz de todo o desenvolvimento anterior: a rejeição de Saul como rei (1 Samuel 15), seu ciúme de Davi, sua perseguição obstinada contra o ungido do Senhor e sua resistência em submeter-se ao veredito divino. Não se trata de um silêncio arbitrário, mas de um estágio avançado de juízo, em que a palavra já foi dada e reiterada, e o endurecimento persistente trouxe distanciamento. A consulta à médium de En-Dor tensiona a proibição da necromancia em Israel, presente na Torá, e mostra como a monarquia de Saul chega a um ápice de contradição com a aliança. O texto descreve a aparição de Samuel como surpreendente inclusive para a médium, o que muitos intérpretes veem como evidencia de que não foi simples manipulação dela, mas uma intervenção especial de Deus para confirmar o juízo anunciado. O discurso de Samuel é coerente com as profecias anteriores: Deus rasgou o reino de Saul e o entregou a Davi, por causa da desobediência em relação a Amaleque. A menção de que o Senhor se fez inimigo de Saul expressa a reversão da relação de aliança do rei com Deus. A profecia imediata sobre a morte de Saul e de seus filhos e a derrota de Israel prepara o leitor para os eventos do capítulo 31. Literariamente, o capítulo usa elementos de suspense (noite, disfarce, medo, consulta oculta) para intensificar a percepção da queda de Saul. Teologicamente, é uma exposição do custo da rebelião contínua e da impossibilidade de manipular o mundo espiritual contra a vontade do Senhor.

Life
Life

Neste capítulo, a vida de Saul é o espelho de muitas decisões práticas que, acumuladas, levam alguém a um ponto sem volta. Ele está em uma crise real: ameaça militar, insegurança política, ausência de um conselheiro confiável. No entanto, sua forma de lidar com a crise revela um padrão que vinha de muito tempo: insistir em controlar, mesmo que isso custe obedecer a Deus. Saul sabia o que era certo. Ele havia expulsado adivinhos e encantadores. Conhecia a lei, tinha histórico com Samuel e experiências com Deus. Mas sob pressão, deixou que o medo ditasse o rumo. Sua escolha por uma solução rápida, clandestina e contrária ao que ele mesmo defendia mostra como a coerência se perde quando alguém não constrói uma vida de obediência e confiança ao longo do tempo. Na prática do dia a dia, o capítulo ensina que princípios não podem ser negociados apenas porque o cenário ficou difícil. Crises revelam o que já está dentro: se há confiança amadurecida em Deus ou se, no fundo, a segurança estava nas próprias estratégias. Quando o medo domina, a tentação é recorrer a alternativas que prometem respostas rápidas, mas cobram caro depois. Outro ponto concreto é a negligência com o corpo e com os limites. Saul fica o dia e a noite sem comer, enquanto lida com decisões pesadas. O resultado é colapso físico somado ao emocional. A mulher, ainda que em contexto inadequado, percebe isso e o ajuda a levantar e se alimentar. Cuidado básico, como descanso e comida, não resolvem crises espirituais, mas dão condições mínimas para enfrentá-las com mais lucidez. A história de Saul encoraja a construir, em tempos tranquilos, uma vida de obediência, confiança em Deus e hábitos saudáveis, para que nos dias maus não se precise lançar mão de atalhos que ferem a fé e a consciência.

Soul
Soul

1 Samuel 28 mostra uma alma que se distanciou tanto de Deus que já não consegue ouvir Sua voz nem interpretar corretamente o silêncio divino. O drama de Saul não é apenas político ou emocional; é profundamente espiritual. Ele experimenta o vazio de quem rejeitou a vontade de Deus e agora tenta, tardiamente, obter direção sem se submeter ao que já foi revelado. A pergunta de Samuel ecoa como uma avaliação espiritual: por que Saul o inquietou, se o Senhor já se tornou seu inimigo? A alma de Saul buscava respostas, mas não desejava transformação. Essa tensão é central: é possível desejar alívio das consequências sem desejar retorno genuíno ao Senhor. A declaração de que Saul e seus filhos estariam com Samuel aponta para a proximidade da morte e da prestação de contas. A perspectiva da eternidade atravessa o capítulo: a vida terrena de Saul está chegando ao fim e ele a encerra em uma noite de consulta proibida, medo e palavras finais de juízo. É o retrato de uma vocação desperdiçada, um chamado real que não foi honrado. Ao mesmo tempo, o texto lembra que a história não termina em Saul. O reino será dado a Davi, e, por meio da linhagem davídica, se cumprirá o plano de redenção que culmina em Cristo. A queda de Saul destaca a necessidade de um Rei diferente, perfeitamente obediente, que não se curva ao medo nem se afasta da vontade do Pai. Para a dimensão da alma, o capítulo é um chamado à vigilância: vocação, dons e posições podem ser perdidos quando se insiste em resistir à voz de Deus. A verdadeira segurança eterna não está em manter poder ou controle, mas em viver rendido ao Senhor, aceitando Sua correção e confiando que Sua vontade é melhor, ainda que contrarie planos pessoais.

IA cristã companheira

Pronto para aplicar 1 Samuel 28? Receba orientação personalizada

Junte-se a milhares de pessoas aprofundando sua compreensão das Escrituras com planos de estudo personalizados, aplicações de versículos e reflexões guiadas.

1 Sua pergunta arrow_forward 2 Correspondencia bíblica arrow_forward 3 Aplicação guiada

✓ Sem cartão de crédito • ✓ Seus dados ficam privados • ✓ 30 créditos grátis

Versículos em 1 Samuel 28

1 Samuel 28:1

" E sucedeu naqueles dias que, juntando os filisteus os seus exércitos à peleja, para fazer guerra contra Israel, disse Aquis a Davi: Sabe de certo que comigo sairás ao arraial, tu e os teus homens. "

1 Samuel 28:2

" Então disse Davi a Aquis: Assim saberás o que fará o teu servo. E disse Aquis a Davi: Por isso te terei por guarda da minha pessoa para sempre. "

1 Samuel 28:3

" E Samuel já estava morto, e todo o Israel o tinha chorado, e o tinha sepultado em Ramá, que era a sua cidade; e Saul tinha desterrado os adivinhos e os encantadores. "

1 Samuel 28:4

" E ajuntaram-se os filisteus, e vieram, e acamparam-se em Suném; e ajuntou Saul a todo o Israel, e se acamparam em Gilboa. "

1 Samuel 28:6

" E perguntou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas. "

1 Samuel 28:7

" Então disse Saul aos seus criados: Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que vá a ela, e consulte por ela. E os seus criados lhe disseram: Eis que em En-Dor há uma mulher que tem o espírito de adivinhar. "

1 Samuel 28:8

" E Saul se disfarçou, e vestiu outras roupas, e foi ele com dois homens, e de noite chegaram à mulher; e disse: Peço-te que me adivinhes pelo espírito de feiticeira, e me faças subir a quem eu te disser. "

1 Samuel 28:9

" Então a mulher lhe disse: Eis aqui tu sabes o que Saul fez, como tem destruído da terra os adivinhos e os encantadores; por que, pois, me armas um laço à minha vida, para me fazeres morrer? "

1 Samuel 28:12

" Vendo, pois, a mulher a Samuel, gritou com alta voz, e falou a Saul, dizendo: Por que me tens enganado? Pois tu mesmo és Saul. "

1 Samuel 28:14

" E lhe disse: Como é a sua figura? E disse ela: Vem subindo um homem ancião, e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou. "

1 Samuel 28:15

" Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então disse Saul: Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se tem desviado de mim, e não me responde mais, nem pelo ministério dos profetas, nem por sonhos; por isso te chamei a ti, para que me faças saber o que hei de fazer. "

1 Samuel 28:16

" Então disse Samuel: Por que, pois, me perguntas a mim, visto que o Senhor te tem desamparado, e se tem feito teu inimigo? "

1 Samuel 28:17

" Porque o Senhor tem feito para contigo como pela minha boca te disse, e o Senhor tem rasgado o reino da tua mão, e o tem dado ao teu próximo, a Davi. "

1 Samuel 28:18

" Como tu não deste ouvidos à voz do Senhor, e não executaste o fervor da sua ira contra Amaleque, por isso o Senhor te fez hoje isto. "

1 Samuel 28:19

" E o Senhor entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o arraial de Israel o Senhor entregará na mão dos filisteus. "

1 Samuel 28:20

" E imediatamente Saul caiu estendido por terra, e grandemente temeu por causa daquelas palavras de Samuel; e não houve força nele; porque não tinha comido pão todo aquele dia e toda aquela noite. "

1 Samuel 28:21

" Então veio a mulher a Saul e, vendo que estava tão perturbado, disse-lhe: Eis que a tua criada deu ouvidos à tua voz, e pus a minha vida na minha mão, e ouvi as palavras que disseste. "

1 Samuel 28:22

" Agora, pois, ouve também tu as palavras da tua serva, e porei um bocado de pão diante de ti, e come, para que tenhas forças para te pores a caminho. "

1 Samuel 28:23

" Porém ele o recusou, e disse: Não comerei. Porém os seus criados e a mulher o constrangeram; e deu ouvidos à sua voz; e levantou-se do chão, e se assentou sobre uma cama. "

1 Samuel 28:24

" E tinha a mulher em casa um bezerro cevado, e se apressou, e o matou, e tomou farinha, e a amassou, e a cozeu em bolos ázimos. "

auto_awesome

Estudo do capítulo por email

Receba 7 dias de reflexões de 1 Samuel 28

Receba Escritura, oração e um próximo passo simples conectado a este capítulo.

Grátis. Cancele quando quiser. Nunca compartilhamos seu email.

Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.