1 Samuel 6 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 1 Samuel 6 na sua vida hoje

21 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 1 Samuel 6?

1 Samuel 6 narra o retorno da arca do Senhor da terra dos filisteus para Israel. Após sete meses sob juízo divino, os filisteus consultam sacerdotes e adivinhadores e decidem enviar a arca com uma oferta pela culpa, em um carro novo puxado por duas vacas, como prova para discernir se o mal vinha realmente da mão de Deus. A arca chega a Bete-Semes, onde o povo se alegra e oferece sacrifícios, mas muitos são feridos pelo Senhor por tratarem a arca com irreverência, revelando tanto a graça de Deus em restaurar sua presença quanto a seriedade de sua santidade.

Temas principais em 1 Samuel 6

A mão de Deus em juízo e misericórdia (versículos 1-5, 9)

Os filisteus reconhecem que as pragas não são mero acaso, mas resultado da mão de Deus. Ao mesmo tempo, entendem que há possibilidade de alívio se honrarem o Deus de Israel. O capítulo mostra Deus disciplinando, mas também permitindo um caminho de restauração.

Versículos-chave: 3, 5, 9

A santidade da arca e do culto (versículos 11-15, 19-21)

A arca não é um objeto comum; simboliza a presença santa de Deus. Tanto filisteus quanto israelitas sofrem quando lidam com ela sem reverência. A curiosidade irreverente e a quebra das instruções sagradas resultam em juízo severo em Bete-Semes.

Versículos-chave: 15, 19, 20

Reconhecimento e glória ao Deus verdadeiro (versículos 5-6, 13-15)

Sacerdotes filisteus recomendam que se dê glória ao Deus de Israel. Mesmo um povo pagão percebe que precisa honrar o Deus que está agindo. Em contrapartida, Israel, que conhece esse Deus, falha em tratá-lo com a devida honra, revelando um contraste marcante.

Versículos-chave: 5, 6, 13

Discernimento entre providência divina e acaso (versículos 7-12)

Os filisteus elaboram uma espécie de teste: se as vacas forem contra o seu instinto natural e seguirem para Bete-Semes, reconhecerão que é a mão de Deus. O acontecimento confirma que não se trata de sorte ou coincidência, mas de direção soberana.

Versículos-chave: 9, 12

Alegria na presença de Deus e temor reverente (versículos 13-15, 19-20)

Os homens de Bete-Semes se alegram grandemente quando veem a arca, mas essa alegria é logo acompanhada de profundo temor ao presenciarem o juízo. O capítulo une júbilo e tremor como respostas apropriadas diante do Deus santo.

Versículos-chave: 13, 14, 20

Contexto histórico e literario

1 Samuel 6 se insere no período dos juízes e início da monarquia em Israel, uma época de instabilidade espiritual e política. A arca da aliança havia sido tomada pelos filisteus após a derrota de Israel em batalha (1 Samuel 4), e desde então a presença da arca em território filisteu trouxe pragas e terror (1 Samuel 5). Os filisteus eram um povo litoral, organizado em cinco cidades-estado principais: Asdode, Gaza, Ascalom, Gate e Ecrom, cada uma governada por um príncipe. A prática de enviar ofertas de ouro em forma de imagens das pragas (hemorróidas e ratos) reflete a religiosidade pagã da época, em que se tentava apaziguar as divindades representando os males sofridos. A consulta a sacerdotes e adivinhadores também era comum em culturas antigas. Bete-Semes era uma cidade levítica na fronteira com o território filisteu, por isso fazia sentido que a arca retornasse primeiro para lá. A morte dos homens de Bete-Semes por terem olhado para dentro da arca ilustra que, mesmo após anos de descuido espiritual, as leis dadas em Êxodo e Números sobre o manuseio da arca continuavam valendo, e a santidade de Deus permanecia inalterada.

Estrutura de 1 Samuel 6

O capítulo pode ser dividido em quatro movimentos principais:

1) Consulta filisteia e orientação recebida (vv. 1-6) - Os filisteus, após sete meses de juízo, chamam sacerdotes e adivinhadores - Instruções sobre a oferta pela culpa e exortação a não endurecer o coração como o Egito

2) Preparação do retorno da arca e o teste proposto (vv. 7-12) - Construção de um carro novo e escolha de duas vacas com crias - Colocação da arca e do cofre com as ofertas de ouro - Definição do sinal: se as vacas seguirem para Bete-Semes, será prova da mão de Deus - Cumprimento do sinal: as vacas vão em linha reta para Bete-Semes, sob observação dos príncipes filisteus

3) Recepção da arca em Bete-Semes e culto (vv. 13-18) - Os habitantes veem a arca no meio da sega do trigo e se alegram - O carro para no campo de Josué, o bete-semita, junto a uma grande pedra - Sacrifícios com a madeira do carro e as vacas - Os levitas descem a arca e o cofre, e os homens de Bete-Semes oferecem holocaustos - Recapitulação das ofertas de ouro enviadas pelos filisteus

4) Juízo em Bete-Semes e transferência planejada (vv. 19-21) - O Senhor fere muitos habitantes por olharem dentro da arca - Lamento do povo diante do grande estrago - Pergunta sobre quem pode subsistir diante do Deus santo - Envio de mensageiros a Quiriate-Jearim para que recebam a arca

O texto alterna entre descrição narrativa e breves resumos explicativos (como em vv. 17-18), reforçando o caráter lembrativo e testemunhal do relato.

Significado teológico

1 Samuel 6 desenvolve temas centrais da teologia bíblica: a soberania de Deus sobre as nações, a santidade de sua presença e a impossibilidade de manipulá-lo.

Deus se mostra Senhor não apenas de Israel, mas também dos filisteus. São eles que procuram compreender o que o Deus de Israel está fazendo, e admitem que a praga não é casualidade. A mão de Deus é descrita como pesada em juízo, mas também capaz de aliviar quando se reconhece sua glória. Isso aponta para um Deus que age na história concreta dos povos, conduzindo até mesmo os animais (as vacas) de forma sobrenatural para cumprir seu propósito.

A arca, sinal visível da presença de Deus, é um lembrete de que a proximidade com o sagrado não é neutra. Pode ser fonte de bênção e alegria, ou de juízo e morte, dependendo de como é tratada. Em Bete-Semes, o mesmo povo que se alegra com a arca é atingido por juízo por desrespeitar as fronteiras estabelecidas por Deus. A pergunta deles — “Quem poderia subsistir perante este santo Senhor Deus?” — ecoa por toda a Escritura e antecipa a necessidade de mediação adequada diante de Deus.

O episódio também corrige qualquer visão de que Deus é um talismã a ser carregado para garantir vitória ou proteção. Ele não foi derrotado quando a arca foi tomada, nem depende de exércitos humanos para ser “devolvido”. Ele mesmo se encarrega de vindicar sua glória na terra dos filisteus e de conduzir a arca de volta. A oferta pela culpa apresentada pelos filisteus, ainda que teologicamente imperfeita, aponta para a consciência humana de que culpa requer expiação, preparando terreno para a revelação mais plena do sacrifício perfeito em Cristo.

Assim, o capítulo afirma que a graça de ter a presença de Deus no meio do povo é inseparável da chamada ao temor reverente, à obediência às suas orientações e ao reconhecimento de sua absoluta santidade.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo apresenta um retrato intenso de medo, culpa, alívio e perplexidade diante da ação de Deus. Os filisteus vivem meses sob sofrimento físico e emocional, tentando entender a origem da sua dor. Isso lembra experiências humanas em que crises prolongadas levam à busca de sentido e solução. Há também a dimensão da culpa: eles sentem que ofenderam um Deus poderoso e procuram reparação, ainda que de modo distorcido. Em Bete-Semes, a combinação de alegria pela volta da arca e luto pela perda de tantos revela como momentos de restauração podem vir acompanhados de dor profunda.

Narrativamente, 1 Samuel 6 dialoga com quem se sente castigado, confuso diante dos acontecimentos e inseguro diante de Deus. O texto mostra um Deus que não é indiferente ao mal, mas também não é arbitrário. Ele é coerente com sua santidade. Essa visão pode causar desconforto, mas também oferece base para uma relação honesta, em que sentimentos de medo, tristeza e culpa podem ser reconhecidos em vez de negados. A pergunta final de Bete-Semes — quem pode subsistir diante do Deus santo — sintetiza a angústia humana diante do transcendente e aponta para a necessidade de reverência, humildade e busca de uma forma adequada de se aproximar de Deus.

warning Importante: maus usos comuns

O conteúdo deste capítulo pode ser sensível para pessoas com histórico de medo intenso de Deus, espiritualidade marcada por culpa excessiva ou experiências traumáticas associadas à religião. A descrição de juízo divino, morte em massa e pragas físicas (hemorróidas, ratos destruindo a terra) pode ativar memórias dolorosas ou reforçar imagens distorcidas de Deus como apenas punitivo. Também pode ser desafiante para quem já viveu luto coletivo ou perdas repentinas em comunidade, pois o texto fala de “grande estrago” entre o povo.

Em contextos de saúde mental, é importante considerar que este texto não descreve um padrão simples de causa e efeito para todo sofrimento humano, mas um episódio específico na história da aliança de Israel. Pessoas com tendência a autoacusação extrema podem interpretar qualquer dor como castigo direto, o que não corresponde ao ensino global das Escrituras. Recomenda-se cuidado pastoral e, se necessário, acompanhamento profissional ao trabalhar temas de juízo, culpa e santidade com quem já carrega cargas emocionais pesadas e distorcidas sobre Deus e si mesmo.

Aplicação prática para hoje

1 Samuel 6 oferece linhas práticas para a vida cotidiana:

1) Reconhecer a mão de Deus na história: Nem toda dificuldade é mero acaso. O texto encoraja a considerar que há momentos em que Deus chama à atenção por meio de circunstâncias, não para esmagar, mas para redirecionar.

2) Unir alegria e reverência: A volta da arca gera festa, mas também confronta o povo com a santidade divina. A prática da fé se fortalece quando celebração e respeito andam juntos, tanto na vida pessoal quanto na vida comunitária.

3) Tratar o sagrado com seriedade: A forma como Israel e os filisteus lidam com a arca mostra que não se deve banalizar aquilo que Deus declara santo. Hoje, isso se reflete em como se lida com a própria vida diante de Deus, com a adoração comunitária, a Palavra e os compromissos assumidos.

4) Evitar endurecer o coração: A lembrança do Egito serve como alerta contra insistir na resistência a Deus mesmo depois de sinais claros. A sabedoria está em aprender com correções anteriores, próprias ou de outros.

5) Aceitar limitações na compreensão: Os habitantes de Bete-Semes não conseguem responder plenamente por que tudo aconteceu como aconteceu. A pergunta “Quem poderia subsistir perante este santo Senhor Deus?” mostra que há mistério na forma como Deus age. Na prática, isso convida à humildade, à confiança e à busca de conhecer a Deus sem pretender explicações para tudo.

Perguntas frequentes

Por que os filisteus enviaram hemorróidas e ratos de ouro como oferta?

As imagens de hemorróidas e ratos de ouro representavam os próprios males que estavam sofrendo. Dentro da mentalidade religiosa da época, era comum oferecer à divindade símbolos das pragas, como forma de reconhecer o juízo recebido e pedir alívio. Ao moldar em ouro aquilo que os afligia, os filisteus admitiam que o Deus de Israel tinha poder sobre essas pragas e buscavam uma espécie de reparação. Embora não sigam a revelação dada a Israel sobre sacrifícios, essa atitude demonstra consciência de culpa e desejo de apaziguar a ira divina.

Qual era o propósito do teste com as duas vacas e o carro novo?

O teste tinha o objetivo de discernir se as pragas vinham realmente da mão do Deus de Israel ou se eram acaso. As vacas estavam amamentando e nunca haviam sido colocadas sob jugo. Naturalmente, tenderiam a voltar para seus bezerros, e não a seguir uma rota específica. Se, contrariando o instinto, elas fossem em linha reta para Bete-Semes, os filisteus interpretariam isso como sinal claro de intervenção divina, e não de sorte. O resultado confirmou exatamente isso: as vacas seguiram firmemente o caminho estabelecido.

Por que Deus feriu os homens de Bete-Semes se eles eram israelitas?

Os homens de Bete-Semes trataram a arca, símbolo da presença santa de Deus, com irreverência ao olhar para dentro dela, algo proibido pela lei dada a Moisés. O fato de serem israelitas não os isentava da responsabilidade de obedecer às orientações de Deus sobre o manuseio dos objetos sagrados. O juízo em Bete-Semes mostra que o privilégio de ter a revelação de Deus não substitui a necessidade de respeito e obediência. Assim como os filisteus foram julgados por desonrar a Deus, Israel também é responsabilizado quando despreza sua santidade.

O número de mortos em Bete-Semes é literal ou simbólico?

O texto menciona um número muito elevado de mortos, o que gera discussão entre estudiosos quanto a possíveis questões de transmissão textual. Alguns manuscritos sugerem números um pouco diferentes. Do ponto de vista da mensagem principal do capítulo, mais importante que determinar com absoluta precisão o total de mortos é entender que se tratou de um juízo amplo e marcante, lembrado pela comunidade como um “grande estrago”. O ponto central é a gravidade de tratar o que é santo com desprezo, e não tanto o cálculo exato do número de vítimas.

O que significa a pergunta: “Quem poderia subsistir perante este santo Senhor Deus?”

Essa pergunta expressa o impacto do povo ao perceber a combinação entre a proximidade da arca e o juízo sofrido. Eles reconhecem que Deus é santo em um grau que ultrapassa a capacidade humana de lidar com Ele de maneira leviana. “Subsistir” indica permanecer de pé, suportar sua presença sem ser consumido. A frase resume uma intuição teológica profunda: diante da santidade perfeita de Deus, ninguém, por si mesmo, está à altura. Isso aponta para a necessidade de mediação, de aproximação a Deus de acordo com o modo que Ele mesmo estabelece.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Este capítulo acompanha pessoas e comunidades atravessando longos períodos de dor e confusão. Sete meses de pragas na terra dos filisteus lembram aqueles tempos em que o sofrimento parece não ter fim, e ninguém entende exatamente o porquê. Há medo, tentativas de explicação, decisões tomadas em meio à angústia. Em seguida, quando a arca chega a Bete-Semes, há alegria intensa, como quando algo muito esperado finalmente volta. Mas essa mesma cena de festa logo se mistura com luto profundo por causa do juízo que vem sobre o povo. Essa mistura de emoções – alívio e medo, festa e choro, gratidão e perplexidade – é muito humana. A narrativa não simplifica os sentimentos. As pessoas se alegram, sacrificam, mas também se entristecem e se perguntam quem consegue suportar um Deus tão santo. Em vez de oferecer respostas fáceis, o texto mostra que mesmo o povo de Deus passa por experiências que abalam e deixam o coração em dúvida. Há consolo em perceber que Deus não é indiferente. Ele não some na dor, mas está envolvido de forma real, ainda que misteriosa. A arca nunca foi esquecida por Ele; Ele mesmo a conduz de volta. Ao mesmo tempo, a santidade de Deus mostra que a relação com Ele é séria, não superficial. Para corações feridos, isso pode causar medo, mas também pode trazer segurança: há um Deus que leva tudo em consideração – a dor sofrida, a injustiça cometida, o desrespeito ao sagrado. No meio da confusão, essa história admite que o coração pode chorar, se alegrar e ficar sem todas as respostas, enquanto ainda reconhece que Deus continua presente e digno de confiança.

Mind
Mind

1 Samuel 6 é um texto rico em detalhes culturais, teológicos e literários. Historicamente, ele se encaixa num período em que a arca foi tratada quase como objeto mágico por Israel (1 Samuel 4), capturada pelos filisteus e, em seguida, se tornou foco de juízo contra eles (1 Samuel 5). Aqui, os filisteus consultam sacerdotes e adivinhadores, prática típica das religiões vizinhas, e recebem orientações que misturam percepção correta – reconhecer a mão do Deus de Israel e dar-lhe glória – com elementos de sua própria religiosidade (imagens de ouro das pragas). O uso de um carro novo e vacas que nunca levaram jugo tem paralelo em outras passagens onde o “novo” é reservado a Deus, e animais sem uso comum são destinados ao sagrado. O teste com as vacas explora a tensão entre providência e acaso: se seguirem contra o instinto natural, será sinal de intervenção divina. O narrador mostra que é exatamente isso que ocorre, reforçando a soberania de Deus sobre até os detalhes da criação. Em Bete-Semes, a presença dos levitas explica por que ali há quem saiba manusear a arca, mas o episódio demonstra que nem todos respeitam as instruções dadas na Torá. A afirmação de que olharam para dentro da arca, seguida de juízo severo, remete às leis que cercavam o acesso ao sagrado (por exemplo, Números 4). A recapitulação das cidades filisteias e da grande pedra como testemunha (vv. 17-18) funciona como elemento de memória histórica, preservando na tradição de Israel o relato desse evento. Teologicamente, o texto articula temas de culpa, expiação e santidade. A oferta filisteia é chamada de oferta pela culpa, mesmo não obedecendo aos padrões cultuais de Israel, o que ressalta a universalidade da intuição de que o pecado exige reparação. O contraste é claro: um povo pagão, com conhecimento limitado, teme e procura honrar o Deus de Israel, enquanto Israel, com conhecimento privilegiado, falha em tratá-lo com a devida reverência. A pergunta final do povo de Bete-Semes age como ponto de transição teológica e narrativa, abrindo espaço para questões sobre quem e como poderá mediar a presença de um Deus tão santo entre um povo imperfeito.

Life
Life

Lido em chave prática, 1 Samuel 6 fala muito sobre como pessoas e comunidades interpretam acontecimentos difíceis e tomam decisões concretas. Os filisteus não ignoram o que está acontecendo; eles assumem que algo precisa mudar e buscam orientação, ainda que de fonte imperfeita. Pode-se notar pelo menos dois movimentos úteis para a vida diária: reconhecer que certos padrões de sofrimento não são apenas azar repetido, e decidir agir de forma responsável diante de sinais claros de que é preciso ajustar rota. Há também uma lição sobre como se lida com aquilo que é importante e sagrado. Os filisteus se esforçam para fazer tudo com certo cuidado: carro novo, vacas específicas, oferta de valor. Mesmo sem conhecerem plenamente o Deus de Israel, demonstram que levam a situação a sério. Já em Bete-Semes, o povo celebra e oferece sacrifícios, mas alguns agem com descuido ao olhar para dentro da arca. No plano da vida prática, isso lembra que não basta ter boas intenções; é necessário respeito às orientações e limites estabelecidos. A pergunta do povo – quem pode subsistir diante deste Deus santo – ecoa em decisões do dia a dia. Ela convida à consciência de que escolhas, inclusive comunitárias, têm peso diante de Deus. Projetos, trabalhos, ministérios, rotinas familiares: tudo pode ser tratado de maneira banal ou com senso de responsabilidade. Esse capítulo estimula a reconhecer quando algo está errado, a evitar teimosia semelhante à dos egípcios, a não repetir erros já vistos, e a buscar formas mais alinhadas com a vontade de Deus no modo de trabalhar, liderar e se relacionar. Ele também sugere prudência: antes de assumir algo grande e sagrado, é sábio considerar se se está preparado para fazê-lo com a reverência e seriedade necessárias.

Soul
Soul

No nível da alma, 1 Samuel 6 toca em questões profundas sobre presença de Deus, culpa, juízo e a possibilidade de permanecer diante dele. A arca entre os filisteus mostra que Deus não está restrito a um território ou povo; Ele se faz conhecido onde quer. O sofrimento deles não é apenas situação caótica, mas ocasião para reconhecerem que há um Deus verdadeiro cuja mão pesa, mas que também pode aliviar. A noção de oferta pela culpa carrega uma verdade espiritual duradoura: diante de Deus, a consciência de culpa exige resposta, não pode ser simplesmente abafada. Em Bete-Semes, a alegria pela volta da arca é o anseio humano pela presença de Deus. Ao mesmo tempo, o juízo que recai sobre os que tratam a arca com irreverência denuncia um problema espiritual: o ser humano deseja Deus, mas não está naturalmente preparado para suportar sua santidade. A pergunta “Quem poderia subsistir perante este santo Senhor Deus?” é, em essência, uma pergunta sobre salvação e mediação. Ela revela que não basta querer a presença de Deus; é necessário que haja um caminho adequado para se aproximar dele. Espiritualmente, esse capítulo antecipa a tensão que percorre toda a revelação bíblica: Deus deseja habitar com seu povo, mas sua santidade e a realidade do pecado humano criam um abismo. A consciência de que não se pode ficar indiferente diante desse Deus leva a uma busca por respostas mais profundas. O texto não entrega essas respostas em detalhes aqui, mas aponta na direção de um futuro em que a questão de como permanecer diante do Deus santo será tratada de forma definitiva. Enquanto isso, ele convida a uma postura de reverência, reconhecimento de culpa, desejo sincero pela presença divina e abertura para o caminho que o próprio Deus provê para que a alma viva em comunhão segura com Ele.

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Versículos em 1 Samuel 6

1 Samuel 6:2

" Os filisteus chamaram os sacerdotes e os adivinhadores, dizendo: Que faremos nós com a arca do Senhor? Fazei-nos saber como a tornaremos a enviar ao seu lugar. "

1 Samuel 6:3

" Os quais disseram: Se enviardes a arca do Deus de Israel, não a envieis vazia, porém sem falta enviareis uma oferta para a expiação da culpa; então sereis curados, e se vos fará saber porque a sua mão não se retira de vós. "

1 Samuel 6:4

" Então disseram: Qual é a expiação da culpa que lhe havemos de enviar? E disseram: Segundo o número dos príncipes dos filisteus, cinco hemorróidas de ouro e cinco ratos de ouro; porquanto a praga é uma mesma sobre todos vós e sobre todos os vossos príncipes. "

1 Samuel 6:5

" Fazei, pois, umas imagens das vossas hemorróidas e dos vossos ratos, que andam destruindo a terra, e dai glória ao Deus de Israel; porventura aliviará a sua mão de cima de vós, e de cima do vosso deus, e de cima da vossa terra. "

1 Samuel 6:6

" Por que, pois, endureceríeis o vosso coração, como os egípcios e Faraó endureceram os seus corações? Porventura depois de os haver tratado tão mal, os não deixaram ir, e eles não se foram? "

1 Samuel 6:7

" Agora, pois, tomai e fazei-vos um carro novo, e tomai duas vacas com crias, sobre as quais não tenha subido o jugo, e atai as vacas ao carro, e tirai delas os seus bezerros e levai-os para casa. "

1 Samuel 6:8

" Então tomai a arca do Senhor, e ponde-a sobre o carro, e colocai, num cofre, ao seu lado, as figuras de ouro que lhe haveis de oferecer em expiação da culpa, e assim a enviareis, para que se vá. "

1 Samuel 6:9

" Vede então: Se ela subir pelo caminho do seu termo a Bete-Semes, foi ele quem nos fez este grande mal; e, se não, saberemos que não nos tocou a sua mão, e que isto nos sucedeu por acaso. "

1 Samuel 6:10

" E assim fizeram aqueles homens, e tomaram duas vacas que criavam, e as ataram ao carro; e os seus bezerros encerraram em casa. "

1 Samuel 6:11

" E puseram a arca do Senhor sobre o carro, como também o cofre com os ratos de ouro e com as imagens das suas hemorróidas. "

1 Samuel 6:12

" Então as vacas se encaminharam diretamente pelo caminho de Bete-Semes, e seguiam um mesmo caminho, andando e berrando, sem se desviarem, nem para a direita nem para a esquerda; e os príncipes dos filisteus foram atrás delas, até ao termo de Bete-Semes. "

1 Samuel 6:13

" E andavam os de Bete-Semes fazendo a sega do trigo no vale, e, levantando os seus olhos, viram a arca, e, vendo-a, se alegraram. "

1 Samuel 6:14

" E o carro veio ao campo de Josué, o bete-semita, e parou ali onde havia uma grande pedra. E fenderam a madeira do carro, e ofereceram as vacas ao Senhor em holocausto. "

1 Samuel 6:15

" E os levitas desceram a arca do Senhor, como também o cofre que estava junto a ela, em que estavam os objetos de ouro, e puseram-nos sobre aquela grande pedra; e os homens de Bete-Semes ofereceram holocaustos e sacrifícios ao Senhor no mesmo dia. "

1 Samuel 6:17

" Estas, pois, são as hemorróidas de ouro que enviaram os filisteus ao Senhor em expiação da culpa: Por Asdode uma, por Gaza outra, por Ascalom outra, por Gate outra, por Ecrom outra. "

1 Samuel 6:18

" Como também os ratos de ouro, segundo o número de todas as cidades dos filisteus, pertencentes aos cinco príncipes, desde as cidades fortificadas até às aldeias, e até Abel. A grande pedra, sobre a qual puseram a arca do Senhor, ainda está até ao dia de hoje no campo de Josué, o bete-semita. "

1 Samuel 6:19

" E o Senhor feriu os homens de Bete-Semes, porquanto olharam para dentro da arca do Senhor; feriu do povo cinqüenta mil e setenta homens; então o povo se entristeceu, porquanto o Senhor fizera tão grande estrago entre o povo. "

1 Samuel 6:20

" Então disseram os homens de Bete-Semes: Quem poderia subsistir perante este santo Senhor Deus? E a quem subirá de nós? "

1 Samuel 6:21

" Enviaram, pois, mensageiros aos habitantes de Quiriate-Jearim, dizendo: Os filisteus remeteram a arca do Senhor; descei, pois, e fazei-a subir para vós. "

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