1 Samuel 25:1
" E faleceu Samuel, e todo o Israel se ajuntou, e o prantearam, e o sepultaram na sua casa, em Ramá. E Davi se levantou e desceu ao deserto de Parã. "
Entenda os temas principais e aplique 1 Samuel 25 na sua vida hoje
44 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Davi, ferido pela afronta de Nabal, decide vingar-se com sangue. Pela intervenção de Abigail, ele é lembrado de que Deus é quem julga e retribui. O próprio Senhor trata com Nabal, mostrando que a justiça divina é melhor que a vingança impulsiva.
Abigail se destaca como mulher de entendimento, que age com rapidez, generosidade e profunda percepção espiritual. Ela assume a culpa, oferece um presente de reparação e, com palavras cheias de fé, redireciona Davi ao propósito de Deus.
Nabal, homem rico, é descrito como duro, maligno e insensato. Seu orgulho o faz desprezar Davi, rejeitar a hospitalidade e colocar em risco toda a sua casa. Sua queda mostra como a loucura moral pode levar rapidamente ao juízo.
Este episódio é um teste interno para Davi. Ele já havia poupado Saul em uma caverna; agora precisa controlar sua ira diante de um fazendeiro tolo. Ao ouvir Abigail, Davi se deixa corrigir, recua e amadurece em seu caminho como futuro rei.
Abigail profetiza que Deus guardará a vida de Davi como quem prende algo num feixe e lançará longe a vida de seus inimigos. O Senhor impede Davi do mal, julga Nabal e confirma que acompanha o caminho de quem luta as Suas guerras.
1 Samuel 25 está situado no período em que Davi vive fugindo de Saul, antes de assumir o trono de Israel. Samuel, o profeta que ungiu Davi, morre (v.1), marcando o fim de uma era de liderança profética centralizada. O cenário geográfico envolve Ramá (onde Samuel é sepultado), o deserto de Parã e a região de Maom e Carmelo, no sul de Judá, área de pastagens e propriedades rurais.
A “tosquia das ovelhas” (v.2, 4) era uma época de colheita e festa, momento em que era culturalmente esperado que houvesse generosidade, banquetes e distribuição de alimentos a empregados, vizinhos e até viajantes. Nabal é descrito como muito poderoso, com milhares de ovelhas e cabras, representando um grande estancieiro local.
Na cultura antiga, grupos armados como o de Davi podiam oferecer proteção informal aos rebanhos contra saqueadores e ataques, funcionando como uma espécie de guarda. Em troca, era comum receberem provisões. Os servos de Nabal confirmam que os homens de Davi foram como “muro em redor” (v.16), ou seja, ofereceram segurança constante.
O casamento também tinha forte componente político e econômico. Ao tomar Abigail como esposa (v.39-42), Davi não apenas acolhe uma mulher sábia e piedosa, mas possivelmente fortalece conexões com uma casa influente da região. O fato de Saul ter dado Mical, filha de Saul e esposa de Davi, a outro homem (v.44) mostra o rompimento progressivo entre Saul e Davi e a tentativa de Saul de deslegitimar Davi.
O capítulo pode ser visto como uma narrativa bem construída, com tensão crescente e resolução providencial:
Transição e cenário (v.1):
Apresentação dos personagens principais (v.2-3):
Pedido de Davi e recusa de Nabal (v.4-12):
Ira de Davi e preparação para vingança (v.13):
Alerta aos servos e iniciativa de Abigail (v.14-20):
Lamento e juramento de Davi (v.21-22):
Intercessão sábia de Abigail (v.23-31):
Mudança de Davi e bênção sobre Abigail (v.32-35):
O banquete de Nabal e o juízo de Deus (v.36-38):
Resposta de Davi e novo casamento (v.39-44):
1 Samuel 25 contribui fortemente para a compreensão do caráter de Deus, da formação espiritual de Davi e da importância da sabedoria no povo de Deus.
Em primeiro lugar, o capítulo destaca Deus como justo juiz. Nabal despreza o ungido do Senhor, age com ingratidão e loucura, e Deus mesmo lida com ele no tempo apropriado (v.38-39). Davi é preservado de cometer injustiça, e a afronta é julgada pelo Senhor. A mensagem teológica é clara: a justiça pertence a Deus, não ao impulso humano.
Em segundo lugar, o texto mostra que Deus governa circunstâncias para formar o caráter de seus servos. Davi já havia sido testado diante de Saul, seu superior; agora é testado diante de um homem tolo, socialmente poderoso, mas espiritualmente cego. O perigo aqui não é apenas físico, mas moral: tomar a justiça pelas próprias mãos e manchar o futuro reinado com sangue inocente. Deus, por meio de Abigail, impede esse pecado e aprofunda o processo de santificação de Davi.
Em terceiro lugar, Abigail aparece como um instrumento de revelação e sabedoria. Suas palavras são teologicamente profundas: ela afirma que Davi guerreia as guerras do Senhor (v.28), que sua vida está atada no feixe dos que vivem com o Senhor (v.29) e que Deus o estabelecerá príncipe sobre Israel (v.30). Ela interpreta a situação à luz das promessas divinas e do futuro escatológico de Davi. Assim, a sabedoria não é apenas prudência humana, mas leitura da realidade a partir das promessas de Deus.
O capítulo também levanta a questão do uso do poder. Nabal usa seus recursos para alimentar o ego e o excesso (banquete “como banquete de rei”, v.36), enquanto Davi é chamado a usar sua força e autoridade futura com justiça, não por orgulho ferido. Deus intervém para que o futuro rei aprenda a distinguir entre guerras do Senhor e guerras da carne.
Por fim, há uma dimensão cristológica indireta. Davi, o ungido preservado do pecado de vingança, aponta para o Messias que, sendo ofendido e insultado, não retribui com violência, mas entrega a causa àquele que julga justamente. O contraste entre a loucura de Nabal e a sabedoria de Abigail também ecoa temas de sabedoria bíblica: o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e a insensatez arrogante conduz ao juízo.
Este capítulo oferece material rico para reflexão emocional e relacional. São visíveis emoções intensas: luto pela morte de Samuel, medo e angústia dos servos de Nabal, ira explosiva de Davi, coragem sob pressão em Abigail e a autodestruição de Nabal por meio de orgulho e imprudência.
Davi experimenta o impacto da injustiça e da humilhação. Seu senso de dignidade é ferido, e sua primeira reação é a vingança. A narrativa mostra como emoções legítimas, quando não filtradas pela sabedoria e pela confiança em Deus, podem conduzir a decisões precipitadas e destrutivas.
Abigail representa a figura que, em meio ao caos, mantém clareza emocional e espiritual. Ela não nega o perigo nem a gravidade da situação, mas age com calma ativa: organiza recursos, assume responsabilidade e usa a palavra mansa e honesta para desarmar um coração inflamado. Sua postura ilustra mecanismos saudáveis de manejo de conflito: escuta a realidade, toma iniciativa, busca apaziguar sem negar a verdade.
Nabal encarna padrões de comportamento autossabotadores: arrogância, hostilidade gratuita, abuso de poder e fuga na embriaguez. Sua trajetória mostra como a soma de decisões tolas pode chegar a um colapso físico e relacional. O texto sugere que estilos de vida marcados por dureza e insensibilidade têm impacto profundo sobre a saúde e a casa.
Do ponto de vista terapêutico, o capítulo ilumina temas como regulação da ira, papel de terceiros na mediação de conflitos, impacto do abuso de substâncias na dinâmica familiar, e a importância de ter pessoas sábias que ajudem a reorientar decisões em momentos de forte carga emocional.
['Explosões de ira e desejo de vingança desproporcional diante de ofensas (v.13, 21-22).', 'Posturas arrogantes que desprezam e humilham outros, especialmente em posição de vulnerabilidade (v.10-11).', 'Dureza de coração e incapacidade de ouvir conselhos, sendo considerado por outros como alguém com quem não se consegue dialogar (v.17).', 'Uso de álcool em excesso, associado a festas e banquetes, levando a um estado de embriaguez que impede qualquer diálogo saudável (v.36).', 'Clima de medo entre servos e pessoas próximas, que precisam agir às escondidas para evitar explosões e consequências graves (v.14-19).', 'Tendência a responder imediatamente sob forte emoção, sem reflexão, com decisões potencialmente destrutivas para si e para outros (v.13, 21-22).']
['Reconhecer que a justiça definitiva pertence a Deus e evitar responder a ofensas com vingança impulsiva, buscando tempo, conselhos e oração antes de agir.', 'Valorizar e buscar a sabedoria em situações de conflito, aprendendo a usar palavras mansas, humildade e generosidade como meios de desarmar a ira.', 'Observar e confrontar padrões de orgulho, dureza e ingratidão que podem colocar em risco famílias, comunidades e relacionamentos de trabalho.', 'Desenvolver autocontrole emocional, especialmente diante de humilhações, lembrando-se do chamado e do propósito maiores que Deus tem para a vida.', 'Reconhecer o perigo do abuso de álcool e de outros escapismos que impedem enfrentar a realidade e aumentam os riscos de decisões tolas.', 'Valorizar pessoas sábias ao redor, como Abigail, que ajudam a enxergar as situações à luz de Deus e podem impedir erros graves.', 'Refletir sobre o uso dos recursos materiais: se servem apenas para alimentar o ego e o luxo, ou se são instrumentos de generosidade e sustento de outros.']
Davi e seus homens viviam como refugiados, dependentes da boa vontade de outros para sobreviver. Ele havia protegido os pastores e rebanhos de Nabal, o que, no contexto da época, criava uma expectativa legítima de retribuição em forma de alimentos, especialmente no tempo de tosquia. A resposta de Nabal não foi apenas uma recusa, mas um insulto direto à identidade de Davi, tratando-o como escravo fugitivo e negando qualquer reconhecimento de sua integridade. Ferido em sua honra e já cansado da perseguição de Saul, Davi reage de forma desproporcional, decidido a exterminar todos os homens da casa de Nabal. O texto mostra como a combinação de cansaço, frustração acumulada e desrespeito público pode gerar uma ira muito forte, e como é necessário frear esse impulso para não cometer injustiça.
Quando Abigail diz: “minha seja a transgressão” (v.24), ela não está mentindo nem negando a responsabilidade real de Nabal, mas se colocando como intercessora. Ela toma sobre si o peso da situação para abrir espaço ao diálogo, diminuir a tensão e criar um caminho para a reconciliação. Em vez de apenas culpar o marido, ela se posiciona entre Davi e a casa, arriscando a própria vida. Essa atitude demonstra humildade, amor sacrificial e senso de responsabilidade pelo destino da família. Do ponto de vista teológico, sua postura ecoa o papel de intercessores nas Escrituras: pessoas que se colocam no meio do conflito para evitar juízo e apontar para a misericórdia e o plano de Deus.
O texto apresenta Nabal não como alguém que cometeu um deslize isolado, mas como um homem de caráter duro e maligno (v.3), reconhecido por seus próprios servos como vil e impossível de dialogar (v.17). Sua recusa arrogante a Davi, a humilhação dos mensageiros e sua vida de excesso e embriaguez revelam um padrão de insensatez e desprezo. A morte de Nabal, descrita como resultado de uma intervenção direta do Senhor (v.38), deve ser entendida dentro da perspectiva bíblica de que Deus conhece o coração e julga no tempo certo. Não é uma regra automática para todos os insensatos, mas um exemplo concreto de que Deus, em certos momentos da história, manifesta seu juízo de forma visível para ensinar sobre a seriedade da arrogância e da injustiça.
O texto menciona que Davi toma Abigail como esposa e também Ainoã de Jizreel, enquanto Mical havia sido dada por Saul a outro homem (v.42-44). A prática de poligamia era culturalmente aceita em muitas sociedades antigas, inclusive entre alguns líderes de Israel, mas isso não significa que era o ideal de Deus. Ao longo das Escrituras, o padrão original do casamento é um homem e uma mulher unidos em aliança. O fato de a Bíblia registrar múltiplos casamentos não é uma aprovação, mas uma descrição da realidade histórica. Em diversos relatos posteriores, a multiplicidade de esposas gera conflitos e sofrimentos. No caso de Davi, seus relacionamentos familiares serão fonte de muitas dores, o que mostra, na própria narrativa, as complicações de se afastar do ideal divino para o casamento.
Abigail reúne fé, sabedoria prática e coragem. Ela confia no Senhor ao afirmar que Ele estabelecerá Davi como príncipe sobre Israel (v.30) e que a vida de Davi está guardada por Deus (v.29). Ao mesmo tempo, age de modo extremamente prático: organiza comida, se apressa, vai ao encontro de Davi, se humilha e fala com clareza. Sua postura mostra que confiança em Deus não é passividade, mas ação responsável e cheia de discernimento. Ela também ilustra como alguém em posição vulnerável pode, mesmo assim, ser instrumento de paz e preservação, evitando que um servo de Deus se desvie para o caminho da vingança. Sua vida aponta para a importância de unir teologia correta, equilíbrio emocional e atitudes concretas de reconciliação.
Este capítulo retrata corações em extremos bem diferentes: o coração ferido de Davi, o coração duro de Nabal e o coração sensível e sábio de Abigail. Há o peso silencioso da morte de Samuel, o cansaço de quem vive fugindo, a sensação de ser injustiçado mesmo depois de ter feito o bem. Davi sente que sua bondade foi jogada fora, e disso nasce um impulso de vingança tão forte que quase o leva a um ato irreparável. No meio desse turbilhão surge Abigail, que olha com compaixão para todos os lados: para os servos com medo, para um marido tolo e para Davi dominado pela ira. Ela acolhe a dor da situação, assume o peso da culpa, se humilha e fala com mansidão, sem negar a gravidade dos fatos. Sua presença é um lembrete de que, mesmo quando as emoções estão à flor da pele, ainda é possível que uma voz de paz e lucidez entre na história. É marcante notar como Davi se deixa alcançar por essa voz. Ele poderia endurecer, mas escolhe ouvir, reconhecer que quase fez algo terrível e volta atrás. Isso mostra que até os mais fortes, feridos e cansados podem ser tocados por uma palavra cheia de graça. Deus não apenas julga Nabal; Ele também cuida do coração de Davi, impedindo que a mágoa o transforme em alguém igual ao agressor. Em meio a perdas, injustiças e conflitos, a história de 1 Samuel 25 testemunha que Deus não ignora a dor, nem o cansaço, e levanta pessoas como Abigail para lembrar que ainda há um caminho de paz, honra e consolo.
Do ponto de vista exegético, 1 Samuel 25 funciona como um estudo de caso sobre sabedoria e insensatez à luz da história de Davi. O texto é cuidadosamente estruturado para contrastar Nabal e Abigail, e para mostrar como Deus intervém na formação do caráter régio de Davi. O nome “Nabal”, que significa algo como “tolo” ou “insensato”, não é apenas um apelido depreciativo, mas um recurso literário que vincula o personagem à teologia da sabedoria presente em livros como Provérbios e Salmos. Ele é rico em posses, mas pobre em discernimento. A descrição inicial enfatiza seus rebanhos e seu poder econômico, mas o julgamento sobre seu caráter é negativo: duro e maligno. Em contraste, Abigail é descrita como de bom entendimento e formosa, unindo sabedoria e graça. A fala de Abigail é teologicamente densa: ela interpreta os eventos sob a ótica da aliança de Deus com Davi. Ela reconhece que Davi guerreia as guerras do Senhor (v.28), anuncia que sua vida está atada no feixe dos viventes com o Senhor (v.29) e antecipa seu estabelecimento como príncipe sobre Israel (v.30). Isso a coloca, na narrativa, quase como uma profetisa, mesmo que o texto não use esse título. Sua argumentação não é apenas moral (“não faça isso”), mas teológica: derramar sangue sem causa seria um tropeço na consciência de Davi quando ele assumir o trono. Ela conecta a decisão momentânea ao futuro escatológico de Davi. Teologicamente, a cena reafirma um princípio chave: o Senhor é quem estabelece e protege o rei escolhido, e por isso o rei não deve buscar legitimar-se pela violência pessoal. Essa temática dialoga com o episódio anterior em que Davi poupa Saul na caverna (1 Samuel 24) e com o posterior em que novamente poupa a vida de Saul (1 Samuel 26). Neste intervalo, 1 Samuel 25 mostra que o perigo não está apenas em como Davi lida com a autoridade maior (Saul), mas também com os que, como Nabal, o humilham em situações aparentemente “menores”. Do ponto de vista da narrativa bíblica como um todo, o capítulo reforça o retrato de Davi como alguém capaz tanto de impulsos perigosos quanto de arrependimento e abertura à correção. Ele não é idealizado; é formado. E Deus usa não apenas profetas e guerreiros, mas também uma mulher sábia, situada em um contexto doméstico, para moldar o coração do futuro rei.
No cotidiano, 1 Samuel 25 toca em questões muito práticas: como reagir a desrespeito, como agir em conflitos familiares e profissionais e como o uso do poder e dos recursos molda o ambiente ao redor. Nabal é o retrato de alguém que tem poder econômico e posição, mas não sabe lidar com pessoas. Ele trata mal quem o ajudou, fala com desprezo, se recusa a reconhecer o valor do outro e usa seus recursos apenas para alimentar seus próprios prazeres. O resultado é um clima de medo entre os empregados e uma casa à beira do desastre. Isso espelha muitos contextos em que chefes, pais ou líderes criam ambientes tóxicos pela combinação de arrogância, explosões e vícios. Abigail, por outro lado, mostra como é possível exercer influência positiva mesmo em contextos difíceis. Ela não tem a posição formal de chefe, mas tem discernimento, iniciativa e coragem. Ao ouvir sobre o perigo, ela não fica paralisada: organiza recursos concretos, mobiliza servos, administra o tempo, escolhe as palavras com cuidado e enfrenta a situação que muitos evitariam. Seu exemplo fala diretamente a quem lida com crises familiares, conflitos no trabalho ou situações onde uma palavra certa e uma ação rápida podem evitar grandes estragos. Davi ilustra o desafio de quem se sente injustiçado: depois de honrar Saul e agir corretamente, ele é humilhado por um homem tolo. A tentação é pagar na mesma moeda, usando sua força contra quem o desprezou. Mas, quando escuta Abigail, ele entende que não vale comprometer o futuro por causa de uma reação impulsiva ao presente. Em termos práticos, isso lembra que decisões tomadas sob forte emoção podem manchar reputações, destruir projetos e criar arrependimentos duradouros. Aprender a pausar, ouvir conselhos e considerar as consequências de longo prazo é parte essencial da maturidade. Ao final, a história mostra que o uso responsável do poder, a sabedoria nas palavras e o autocontrole em momentos de tensão constroem ou destroem vidas reais: famílias, equipes, comunidades. A forma como se responde a uma afronta hoje pode definir não apenas o dia, mas o rumo inteiro de uma história.
" E faleceu Samuel, e todo o Israel se ajuntou, e o prantearam, e o sepultaram na sua casa, em Ramá. E Davi se levantou e desceu ao deserto de Parã. "
" E havia um homem em Maom, que tinha as suas possessões no Carmelo; e era este homem muito poderoso, e tinha três mil ovelhas e mil cabras; e estava tosquiando as suas ovelhas no Carmelo. "
" E era o nome deste homem Nabal, e o nome de sua mulher Abigail; e era a mulher de bom entendimento e formosa; porém o homem era duro, e maligno nas obras, e era da casa de Calebe. "
" E ouviu Davi no deserto que Nabal tosquiava as suas ovelhas, "
" E enviou Davi dez moços, e disse aos moços: Subi ao Carmelo, e, indo a Nabal, perguntai-lhe, em meu nome, como está. "
" E assim direis àquele próspero: Paz tenhas, e que a tua casa tenha paz, e tudo o que tens tenha paz! "
" Agora, pois, tenho ouvido que tens tosquiadores. Ora, os pastores que tens estiveram conosco; agravo nenhum lhes fizemos, nem coisa alguma lhes faltou todos os dias que estiveram no Carmelo. "
" Pergunta-o aos teus moços, e eles to dirão. Estes moços, pois, achem graça em teus olhos, porque viemos em boa ocasião. Dá, pois, a teus servos e a Davi, teu filho, o que achares à mão. "
" Chegando, pois, os moços de Davi, e falando a Nabal todas aquelas palavras em nome de Davi, se calaram. "
" E Nabal respondeu aos criados de Davi, e disse: Quem é Davi, e quem é o filho de Jessé? Muitos servos há hoje, que fogem ao seu senhor. "
" Tomaria eu, pois, o meu pão, e a minha água, e a carne das minhas reses que degolei para os meus tosquiadores, e o daria a homens que eu não sei donde vêm? "
" Então os moços de Davi puseram-se a caminho e voltaram, e chegando, lhe anunciaram tudo conforme a todas estas palavras. "
" Por isso disse Davi aos seus homens: Cada um cinja a sua espada. E cada um cingiu a sua espada, e cingiu também Davi a sua; e subiram após Davi uns quatrocentos homens, e duzentos ficaram com a bagagem. "
" Porém um dentre os moços o anunciou a Abigail, mulher de Nabal, dizendo: Eis que Davi enviou mensageiros desde o deserto a saudar o nosso amo; porém ele os destratou. "
" Todavia, aqueles homens têm-nos sido muito bons, e nunca fomos agravados por eles, e nada nos faltou em todos os dias que convivemos com eles quando estavam no campo. "
" De muro em redor nos serviram, assim de dia como de noite, todos os dias que andamos com eles apascentando as ovelhas. "
" Considera, pois, agora, e vê o que hás de fazer, porque o mal já está de todo determinado contra o nosso amo e contra toda a sua casa, e ele é um homem vil, que não há quem lhe possa falar. "
" Então Abigail se apressou, e tomou duzentos pães, e dois odres de vinho, e cinco ovelhas guisadas, e cinco medidas de trigo tostado, e cem cachos de passas, e duzentas pastas de figos passados, e os pôs sobre jumentos. "
" E disse aos seus moços: Ide adiante de mim, eis que vos seguirei de perto. O que, porém, não declarou a seu marido Nabal. "
" E sucedeu que, andando ela montada num jumento, desceu pelo encoberto do monte, e eis que Davi e os seus homens lhe vinham ao encontro, e ela encontrou-se com eles. "
" E disse Davi: Na verdade que em vão tenho guardado tudo quanto este tem no deserto, e nada lhe faltou de tudo quanto tem, e ele me pagou mal por bem. "
" Assim faça Deus aos inimigos de Davi, e outro tanto, se eu deixar até amanhã de tudo o que tem, até mesmo um menino. "
" Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra. "
" E lançou-se a seus pés, e disse: Ah, senhor meu, minha seja a transgressão; deixa, pois, falar a tua serva aos teus ouvidos, e ouve as palavras da tua serva. "
" Meu senhor, agora não faça este homem vil, a saber, Nabal, impressão no seu coração, porque tal é ele qual é o seu nome. Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele, e eu, tua serva, não vi os moços de meu senhor, que enviaste. "
" Agora, pois, meu senhor, vive o SENHOR, e vive a tua alma, que o SENHOR te impediu de vires com sangue, e de que a tua mão te salvasse; e, agora, tais quais Nabal sejam os teus inimigos e os que procuram mal contra o meu senhor. "
" E agora este é o presente que trouxe a tua serva a meu senhor; seja dado aos moços que seguem ao meu senhor. "
" Perdoa, pois, à tua serva esta transgressão, porque certamente fará o SENHOR casa firme a meu senhor, porque meu senhor guerreia as guerras do SENHOR, e não se tem achado mal em ti por todos os teus dias, "
" E, levantando-se algum homem para te perseguir, e para procurar a tua morte, contudo a vida de meu senhor será atada no feixe dos que vivem com o SENHOR teu Deus; porém a vida de teus inimigos ele arrojará ao longe, como do meio do côncavo de uma funda. "
" E há de ser que, usando o SENHOR com o meu senhor conforme a todo o bem que já tem falado de ti, e te houver estabelecido príncipe sobre Israel, "
" Então, meu senhor, não te será por tropeço, nem por pesar no coração, o sangue que sem causa derramaste, nem tampouco por ter se vingado o meu senhor a si mesmo; e quando o SENHOR fizer bem a meu senhor, lembra-te então da tua serva. "
" Então Davi disse a Abigail: Bendito o Senhor Deus de Israel, que hoje te enviou ao meu encontro. "
" E bendito o teu conselho, e bendita tu, que hoje me impediste de derramar sangue, e de vingar-me pela minha própria mão. "
" Porque, na verdade, vive o Senhor Deus de Israel, que me impediu de que te fizesse mal, que se tu não te apressaras, e não me vieras ao encontro, não ficaria a Nabal até a luz da manhã nem mesmo um menino. "
" Então Davi tomou da sua mão o que tinha trazido, e lhe disse: Sobe em paz à tua casa; vês aqui que tenho dado ouvidos à tua voz, e tenho aceitado a tua face. "
" E, vindo Abigail a Nabal, eis que tinha em sua casa um banquete, como banquete de rei; e o coração de Nabal estava alegre nele, e ele já muito embriagado, pelo que ela não lhe deu a entender coisa alguma, pequena nem grande, até à luz da manhã. "
" Sucedeu, pois, que pela manhã, estando Nabal já livre do vinho, sua mulher lhe deu a entender aquelas coisas; e se amorteceu o seu coração, e ficou ele como pedra. "
" E aconteceu que, passados quase dez dias, feriu o Senhor a Nabal, e este morreu. "
" E, ouvindo Davi que Nabal morrera, disse: Bendito seja o Senhor, que julgou a causa de minha afronta recebida da mão de Nabal, e deteve a seu servo do mal, fazendo o Senhor tornar o mal de Nabal sobre a sua cabeça. E mandou Davi falar a Abigail, para tomá-la por sua mulher. "
" Vindo, pois, os criados de Davi a Abigail, no Carmelo, lhe falaram, dizendo: Davi nos tem mandado a ti, para te tomar por sua mulher. "
" Então ela se levantou, e se inclinou com o rosto em terra, e disse: Eis que a tua serva servirá de criada para lavar os pés dos criados de meu senhor. "
" E Abigail se apressou, e se levantou, e montou num jumento com as suas cinco moças que seguiam as suas pisadas; e ela seguiu os mensageiros de Davi, e foi sua mulher. "
" Também tomou Davi a Ainoã de Jizreel; e ambas foram suas mulheres. "
" Porque Saul tinha dado sua filha Mical, mulher de Davi, a Palti, filho de Laís, o qual era de Galim. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.