1 Samuel 14:1
Sucedeu, pois, que um dia disse Jônatas, filho de Saul, ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos à guarnição dos filisteus, que está lá daquele lado. Porém não o fez saber a seu pai.
Entenda os temas principais e aplique 1 Samuel 14 na sua vida hoje
52 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Jônatas decide enfrentar a guarnição filisteia com apenas seu escudeiro, confiando que para o Senhor não há impedimento para salvar com muitos ou com poucos. Sua fé o leva à ação, mesmo sem apoio do pai ou garantia humana.
Deus confirma a iniciativa de Jônatas com um grande tremor e confusão no acampamento filisteu, fazendo com que os inimigos se voltem uns contra os outros. A vitória é claramente atribuída ao Senhor, não apenas à estratégia humana.
Saul pronuncia uma maldição sobre quem comer antes do fim da vingança, o que enfraquece o povo, leva ao pecado de comer com sangue e quase custa a vida de Jônatas. O capítulo mostra como decisões religiosas, porém impensadas, podem produzir dano espiritual e prático.
O povo reconhece que Deus agiu por meio de Jônatas e se opõe à decisão de Saul de matá-lo. Assim, a comunidade intervém para proteger quem foi instrumento de salvação para Israel.
Versículos-chave: 45
O resumo final destaca as muitas vitórias de Saul contra os inimigos de Israel, mas o capítulo inteiro revela um contraste entre sua competência militar e sua fragilidade espiritual e discernimento limitado diante de Deus.
1 Samuel 14 situa-se no início do reinado de Saul, quando Israel ainda consolidava sua identidade como reino sob um único monarca. Os filisteus, povo poderoso e bem armado, dominavam a região e restringiam o acesso de Israel a armas de ferro (cf. 1 Sm 13). Micmás, Gibeá e Bete-Áven eram pontos estratégicos em região montanhosa de Benjamim, controlando passagens e rotas. Jônatas, como príncipe e guerreiro, age num contexto de forte opressão militar, em que Israel se encontrava numericamente e tecnologicamente inferior. A menção de Aías, descendente de Eli, e do éfode indica que o sistema sacerdotal de Siló ainda influenciava o culto, mesmo após a perda da arca anos antes. Os votos solenes, como o de Saul, eram comuns no Antigo Oriente, mas aqui são apresentados de forma crítica, evidenciando a tensão entre formalidade religiosa e obediência sensata à vontade de Deus. O resumo final (vv. 47–52) enquadra Saul como um rei guerreiro que enfrentou diversos inimigos tradicionais de Israel: Moabe, Amom, Edom, Zobá, filisteus e amalequitas, refletindo um período de constantes conflitos fronteiriços.
O capítulo apresenta uma narrativa dinâmica, organizada em blocos bem definidos:
Iniciativa de fé de Jônatas (vv. 1–10) – A história começa com Jônatas planejando secretamente atravessar até a guarnição filisteia. O diálogo com seu escudeiro revela sua teologia de confiança em Deus e estabelece o sinal que confirmará a ação divina.
Ataque e primeira vitória (vv. 11–14) – Narração concentrada e viva da escalada difícil entre rochedos, do confronto corpo a corpo e da derrota inicial de cerca de vinte homens, apresentando Jônatas como instrumento ativo.
Intervenção divina e virada da batalha (vv. 15–23) – O texto amplia o foco: um tremor atinge o arraial, o caos se espalha, desertores hebreus se juntam a Israel e os escondidos saem para perseguir o inimigo. A conclusão atribui a libertação ao Senhor.
O voto insensato de Saul e o mel (vv. 24–30) – A narrativa muda de tom, destacando o cansaço do povo e o contraste entre a maldição de Saul e a clareza que o mel traz a Jônatas, enfatizando o efeito prejudicial do voto.
Cansaço extremo, pecado com o sangue e altar (vv. 31–35) – Após a intensa perseguição, o povo, exausto e faminto, cai em pecado ao comer com sangue. Saul organiza uma correção prática e constrói um altar, gesto religioso significativo, mas também tardio.
Consulta frustrada a Deus e sorteio (vv. 36–42) – A tentativa de continuar o ataque é interrompida pela ausência de resposta divina. Saul interpreta isso como pecado no arraial e usa o lançamento de sortes para identificar o culpado, processo narrado de forma tensa.
Conflito sobre a vida de Jônatas (vv. 43–45) – Clímax dramático: Saul determina que Jônatas deve morrer, mas o povo intervém, reconhecendo a obra de Deus por meio dele e livrando-o da sentença.
Encerramento da batalha e resumo do reinado (vv. 46–52) – A narrativa da batalha é encerrada, e um parágrafo de conclusão descreve o alcance militar do governo de Saul, sua família e sua política de reunir homens valentes.
Teologicamente, 1 Samuel 14 destaca a soberania de Deus e o contraste entre fé viva e religiosidade impulsiva. Jônatas expressa uma confiança madura: sabe que Deus não está limitado por números e se dispõe a agir em parceria com a intervenção divina. Em oposição, Saul recorre a símbolos sagrados (arca, éfode, altar) e a votos solenes, mas sua relação com Deus se mostra marcada por ansiedade, precipitação e foco na própria honra ("antes que me vingue de meus inimigos"). O texto afirma que a vitória pertence ao Senhor (v. 23), mesmo quando humanos corajosos participam, e denuncia práticas religiosas que, embora pareçam piedosas, podem se opor ao cuidado de Deus pelo povo. A ausência de resposta divina a Saul ressalta a seriedade do pecado e a necessidade de discernir a vontade de Deus, não apenas vestir uma aparência espiritual. A intervenção do povo para salvar Jônatas ilustra que Deus pode usar a consciência comunitária para corrigir decisões injustas, evidenciando que o Senhor protege aqueles que são instrumentos de sua salvação. O resumo final lembra que conquistas externas não compensam o declínio interno da obediência.
Este capítulo é rico em reflexões para a saúde emocional e espiritual. A fé de Jônatas mostra como a confiança em Deus pode gerar coragem mesmo em cenários de profunda desvantagem, o que encoraja a enfrentar situações que parecem humanamente impossíveis. Ao mesmo tempo, a atitude de Saul ilustra os efeitos destrutivos de decisões impulsivas motivadas por medo, orgulho ou desejo de controle, que acabam sobrecarregando e adoecendo a comunidade ao redor. O voto insensato produz cansaço extremo, medo e culpa no povo, enquanto a intervenção para salvar Jônatas mostra que é possível romper padrões injustos e proteger quem age com integridade. O texto também toca o tema da culpa espiritual: o povo, ao comer com sangue, é corrigido, mas não descartado, apontando para um Deus que confronta o pecado e ao mesmo tempo oferece caminhos de restauração. Para quem lida com liderança, família ou responsabilidades, o capítulo atua como espelho sobre como certas posturas podem gerar opressão emocional, e como a confiança humilde em Deus pode trazer clareza e equilíbrio.
Jônatas enxergou uma oportunidade estratégica na guarnição filisteia e, acima de tudo, confiou no poder de Deus. Ele declara que para o Senhor não há impedimento para salvar com muitos ou com poucos (v. 6). Sua decisão não foi mera ousadia humana; foi um ato de fé que buscava um sinal de confirmação divina: se os filisteus chamassem para que subissem, ele entenderia que Deus os entregara em suas mãos (vv. 8–10).
O texto afirma que houve tremor no arraial, no campo e em todo o povo, e que a terra se estremeceu, caracterizando isso como tremor de Deus (v. 15). Essa expressão indica que Deus interveio de maneira extraordinária na batalha, provocando pânico e confusão entre os filisteus. Não foi apenas um fenômeno natural, mas uma ação dirigida por Deus para favorecer Israel e confirmar a iniciativa de Jônatas.
Saul amaldiçoou quem comesse até o fim da vingança contra os inimigos (v. 24). Esse voto ignorou as necessidades físicas do exército, levando o povo à exaustão (v. 28) e impedindo que se aproveitasse plenamente da vitória (v. 30). Além disso, a fome extrema contribuiu para que o povo pecasse comendo carne com sangue (vv. 31–33). O voto, embora parecesse religioso, revelou falta de discernimento e acabou atrapalhando a própria missão de Israel.
O texto relata que, quando Saul consulta a Deus sobre descer atrás dos filisteus, naquele dia não recebe resposta (v. 37). Isso é interpretado por Saul como sinal de que há pecado no meio do povo (v. 38). A narrativa não explica todos os detalhes, mas insinua uma ruptura na comunhão: as atitudes precipitadas de Saul, seu voto insensato e o clima de desobediência e culpa no arraial contribuem para esse silêncio, mostrando que não basta usar meios religiosos se o coração e as decisões estão desalinhados com Deus.
Quando a sorte recai sobre Jônatas e ele confessa ter provado mel, Saul decreta que ele morrerá (vv. 42–44). O povo, porém, reconhece que Deus havia operado grande salvação por meio de Jônatas e declara que não cairá um só cabelo de sua cabeça (v. 45). Assim, a comunidade se posiciona contra a aplicação literal e rígida do voto de Saul, entendendo que seria injusto matar aquele por quem Deus agiu. Essa intervenção mostra que a consciência do povo pode ser usada por Deus para corrigir decisões injustas, mesmo vindas da autoridade máxima.
Este capítulo mostra dois caminhos que tocam o coração de forma profunda. De um lado, Jônatas caminha em fé, quase silencioso e sem holofotes, confiando que Deus é capaz de agir mesmo quando quase ninguém acredita. Ele não é movido por orgulho, mas por uma confiança serena: se o Senhor quiser, Ele vai agir, mesmo através de dois homens contra uma guarnição inteira. Há algo reconfortante nisso: a sensação de que, mesmo quando a situação é pequena demais aos olhos dos outros, Deus vê e se importa. Do outro lado, aparece a figura de Saul, um líder que parece viver sob constante pressão, tentando provar valor e controlar tudo pela força de suas palavras. Seu voto dura e pesado coloca o povo num estado de medo e exaustão. Em vez de chamar o povo ao descanso e à confiança em Deus, ele os enche de ansiedade: ninguém pode comer, ninguém pode falhar, tudo está condicionado à maldição que ele pronunciou. Esse clima de ameaça lembra ambientes familiares, religiosos ou profissionais em que é difícil respirar, onde o medo de errar é maior do que a experiência do amor. A quase morte de Jônatas revela a dor de relações feridas por decisões impulsivas. Um pai está disposto a sacrificar o próprio filho por causa de um voto imprudente, enquanto o povo enxerga mais claramente o valor e a pureza daquele filho. Esse contraste pode tocar memórias de injustiças vividas dentro de casa, de falta de reconhecimento, ou de afetos mal conduzidos. Ao mesmo tempo, a defesa do povo em favor de Jônatas é como um abraço coletivo: Deus levanta vozes para proteger quem anda com Ele, mesmo quando a autoridade falha. Ao percorrer este capítulo, emerge a imagem de um Deus que não abandona seu povo em meio à confusão humana. Ele age na coragem silenciosa de Jônatas, na terra que treme, na consciência do povo, até mesmo na correção do pecado de comer com sangue. Em meio a decisões equivocadas, medo e culpa, o cuidado de Deus permanece. Essa história consola corações cansados ao lembrar que o Senhor não depende da perfeição de líderes nem da ausência de falhas humanas para continuar amando, protegendo e salvando.
1 Samuel 14 oferece um rico campo para observação exegética e teológica. O capítulo articula um forte contraste entre dois modelos de liderança: o de Jônatas, marcado por confiança e discernimento, e o de Saul, marcado por impulsividade e formalismo religioso. Do ponto de vista literário, a subida de Jônatas entre os rochedos Bozez e Sené (vv. 4–5) funciona quase como um cenário teológico: o herói, em desvantagem topográfica e numérica, confia que Deus decidirá o resultado. A frase-chave em v. 6, de que para o Senhor não há impedimento de salvar com muitos ou poucos, sintetiza a teologia da narrativa: o poder de Deus não é determinado por probabilidades humanas. O sinal combinado por Jônatas (vv. 8–10) não é uma tentativa supersticiosa de manipular o divino, mas uma busca de confirmação em uma situação de risco extremo. O "tremor de Deus" (v. 15) amplia essa perspectiva. Mais do que um terremoto isolado, a expressão indica uma intervenção soberana que atinge tanto a natureza quanto o ânimo das tropas. Em seguida, o texto descreve um fenômeno comum em guerras antigas: desertores e aliados oportunistas voltando-se ao lado vencedor (vv. 21–22), compondo um quadro em que a acção divina reorganiza forças humanas pré-existentes. A figura de Saul é trabalhada com nuance. Ele parece desejar a orientação divina, mas sua conduta é marcada por interrupções e pressa. Manda trazer a arca (v. 18), mas, ao ver o tumulto aumentar, manda o sacerdote retirar a mão (v. 19), interrompendo o processo de consulta. Mais tarde, quando finalmente procura resposta de Deus por meio do sacerdote (vv. 36–37), não a recebe. O narrador, sem oferecer explicação direta, convida a perceber uma correlação entre o estilo de liderança de Saul, seu voto imprudente (v. 24) e o silêncio divino. O voto de Saul é teologicamente problemático por três motivos: coloca a vingança pessoal como motivação central ("antes que me vingue de meus inimigos"), ignora a estrutura criada por Deus para o cuidado do corpo e provoca tropeço no povo. Jonathan, ao comentar que seu pai perturbou a terra (v. 29), funciona como voz crítica dentro da própria casa real. A reação do povo, quando impede que Jônatas seja morto (v. 45), mostra que a aliança com Deus não legitima automaticamente todas as decisões do rei. O povo discerne que Jônatas foi o instrumento da salvação de Deus, e essa leitura teológica da realidade confronta a aplicação rígida de um voto humano. O resumo em vv. 47–52, ao listar as conquistas de Saul e sua prática de reunir homens valentes, revela que, do ponto de vista político e militar, o reinado foi significativo. No entanto, lido à luz do capítulo, percebe-se que a avaliação bíblica de um rei não se baseia apenas em êxito militar, mas principalmente em sua fidelidade às orientações divinas e em sua capacidade de liderar o povo em verdadeira obediência. Assim, 1 Samuel 14 é um texto-chave para entender a tensão crescente entre o carisma inicial de Saul, seu desempenho externo e seu declínio interno diante de Deus.
Na dimensão prática, 1 Samuel 14 oferece vários espelhos para a vida diária, especialmente nas áreas de liderança, decisões e relacionamentos. Jônatas mostra como decisões complexas podem ser tomadas: ele enxerga a realidade com lucidez (sabe que são apenas dois contra muitos), mas não se paralisa. Em vez de esperar condições perfeitas, age com o que tem, alinhando seu plano a uma visão correta sobre Deus. Isso se traduz, hoje, na capacidade de iniciar projetos, conversas difíceis ou mudanças necessárias, mesmo com recursos limitados, desde que haja convicção de que se caminha debaixo da vontade de Deus. Jônatas também conta com parceria: seu pajem de armas o apoia plenamente. Desafios grandes geralmente são atravessados em comunhão, não isoladamente. Saul, por sua vez, ilustra armadilhas comuns em contextos de autoridade: usar palavras duras para tentar controlar resultados, colocar metas acima de pessoas e tomar decisões sob forte pressão emocional. Seu voto, motivado por desejo de vingança e talvez pela necessidade de manter aparência de zelo, cria um ambiente de medo em que ninguém ousa comer, mesmo diante do mel abundante. Algo semelhante acontece quando chefes, pais, líderes ou pessoas influentes impõem regras e expectativas que não consideram limites humanos, causando exaustão e ressentimento. O resultado prático do voto é que o povo fica fraco e acaba pecando, comendo com sangue (vv. 31–32). Isso mostra um princípio simples: quando necessidades básicas são ignoradas, as pessoas acabam cedendo a soluções erradas apenas para sobreviver. Em qualquer área – trabalho, ministério, estudos ou família – é prudente observar se a pressão está levando pessoas à beira do colapso e ajustar o ritmo antes que erros mais sérios aconteçam. A cena em que o povo defende Jônatas também é muito prática: mostra o valor de comunidades que não obedecem cegamente, mas que têm coragem de se posicionar quando decisões são injustas. Em ambientes saudáveis, as pessoas podem dizer "isso não está certo" mesmo a quem tem autoridade formal. Essa postura exige discernimento, respeito e coragem, mas protege vidas e evita que erros individuais se tornem tragédias coletivas. O resumo final do reinado de Saul lembra que alguém pode ser considerado "bem-sucedido" por fora – muitas vitórias, muito trabalho, muitas conquistas – e, no entanto, conduzir relacionamentos e decisões de forma desordenada. Aplicar 1 Samuel 14 à vida cotidiana significa buscar não apenas resultados, mas um modo de liderar, trabalhar e se relacionar que reflita confiança em Deus, cuidado real com as pessoas e equilíbrio entre metas e limites humanos.
Na dimensão da alma, 1 Samuel 14 expõe uma tensão profunda entre uma vida guiada pela confiança em Deus e uma espiritualidade movida por controle e medo. Jônatas representa um coração que se entrega à iniciativa divina. Ele não exige garantias absolutas, mas procura um sinal suficiente para caminhar em obediência. Sua frase, de que para o Senhor não há impedimento para salvar com muitos ou poucos, revela uma alma que já aprendeu a relativizar a força humana diante da soberania de Deus. A fé de Jônatas não é passiva: ela se manifesta em passos concretos, escalando rochedos, expondo-se, arriscando-se por aquilo que discerne ser a vontade de Deus. Isso aponta para uma espiritualidade em que confiança e coragem andam de mãos dadas. Saul, em contraste, revela um coração inquieto. Ele recorre à arca, ao sacerdote, à sorte, a votos, a maldições. Externamente, parece estar sempre falando em nome de Deus; internamente, entretanto, sua relação com o Senhor parece marcada por medo de perder o controle, por necessidade de afirmar sua autoridade e por dificuldade de descansar na ação soberana divina. O silêncio de Deus quando ele consulta (v. 37) não é apenas um detalhe narrativo; é um espelho espiritual: há situações em que a multiplicação de gestos religiosos não substitui uma vida realmente rendida e alinhada à vontade do Senhor. O voto que quase custa a vida de Jônatas ilustra como uma espiritualidade distorcida pode colocar pessoas inocentes na mira de condenações injustas. A alma que vive sob regime de juramentos severos e de medo constante de maldição pode perder de vista a graça, o discernimento e a centralidade da misericórdia. Neste capítulo, o próprio povo se torna instrumento de correção, proclamando que Jônatas não deve morrer, pois Deus operou por ele (v. 45). É como se a voz da consciência comunitária lembrasse que o Deus da aliança é também Deus de vida, não de destruição arbitrária. Para quem busca crescimento espiritual, o texto convida a examinar o tipo de relação que se mantém com Deus: mais parecida com a de Saul, que precisa provar zelo por meio de rigor e juramentos, ou com a de Jônatas, que descansa na liberdade soberana de Deus, disposto a obedecer e a arriscar confiando no caráter do Senhor. A verdadeira maturidade espiritual não se mede apenas por quantidade de votos ou práticas, mas por uma confiança simples que caminha com Deus no meio de vales estreitos, rochedos íngremes e exércitos inimigos. No horizonte da eternidade, 1 Samuel 14 reafirma que a salvação pertence ao Senhor (v. 23). Ele é quem sacode a terra, dispersa inimigos, preserva vidas e corrige exageros humanos. A vida da alma encontra descanso quando reconhece que a vitória última, seja em batalhas visíveis ou invisíveis, não se apoia no desempenho de líderes, na multidão de recursos ou na severidade de votos, mas na fidelidade do Deus que salva.
Sucedeu, pois, que um dia disse Jônatas, filho de Saul, ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos à guarnição dos filisteus, que está lá daquele lado. Porém não o fez saber a seu pai.
E estava Saul à extremidade de Gibeá, debaixo da romeira que havia em Migrom; e o povo que estava com ele era uns seiscentos homens.
E Aías, filho de Aitube, irmão de Icabode, o filho de Finéias, filho de Eli, sacerdote do Senhor em Siló, trazia o éfode; porém o povo não sabia que Jônatas tinha ido.
E entre os desfiladeiros pelos quais Jônatas procurava passar à guarnição dos filisteus, deste lado havia uma penha aguda, e do outro lado uma penha aguda; e era o nome de uma Bozez, e o nome da outra Sené.
Uma penha para o norte estava defronte de Micmás, e a outra para o sul, defronte de Gibeá.
1 Samuel 14:5 descreve o cenário difícil e perigoso entre duas penhas, onde Jônatas enfrentaria os filisteus. O versículo mostra que Deus age mesmo em …
Ler análise completaDisse, pois, Jônatas ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura operará o Senhor por nós, porque para com o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos.
Então o seu pajem de armas lhe disse: Faze tudo o que tens no coração; segue, eis-me aqui contigo, conforme o que quiseres.
Disse, pois, Jônatas: Eis que passaremos àqueles homens, e nos revelaremos a eles.
Se nos disserem assim: Parai até que cheguemos a vós; então ficaremos no nosso lugar, e não subiremos a eles.
Em 1 Samuel 14:9, Jônatas combina um sinal para saber se deve avançar ou esperar. Ele confia que Deus guiará até na resposta dos inimigos. …
Ler análise completaPorém, se disserem: Subi a nós; então subiremos, pois o Senhor os tem entregado nas nossas mãos, e isto nos será por sinal.
Revelando-se eles à guarnição dos filisteus, disseram os filisteus: Eis que já os hebreus saíram das cavernas em que se tinham escondido.
E os homens da guarnição responderam a Jônatas e ao seu pajem de armas, e disseram: Subi a nós, e nós vos ensinaremos uma lição. E disse Jônatas ao seu pajem de armas: Sobe atrás de mim, porque o Senhor os tem entregado na mão de Israel.
Então subiu Jônatas com os pés e com as mãos, e o seu pajem de armas atrás dele; e os filisteus caíam diante de Jônatas, e o seu pajem de armas os matava atrás dele.
E sucedeu esta primeira derrota, em que Jônatas e o seu pajem de armas feriram uns vinte homens, em cerca de meia jeira de terra que uma junta de bois podia lavrar.
E houve tremor no arraial, no campo e em todo o povo; também a mesma guarnição e os saqueadores tremeram, até a terra se estremeceu porquanto era tremor de Deus.
Olharam, pois, as sentinelas de Saul em Gibeá de Benjamim, e eis que a multidão se dissolvia, e fugia para cá e para lá.
Disse então Saul ao povo que estava com ele: Ora contai, e vede quem é que saiu dentre nós. E contaram, e eis que nem Jônatas nem o seu pajem de armas estavam ali.
Então Saul disse a Aías: Traze aqui a arca de Deus (porque naquele dia estava a arca de Deus com os filhos de Israel).
E sucedeu que, estando Saul ainda falando com o sacerdote, o alvoroço que havia no arraial dos filisteus ia crescendo muito, e se multiplicava, pelo que disse Saul ao sacerdote: Retira a tua mão.
Então Saul e todo o povo que havia com ele se reuniram, e foram à peleja; e eis que a espada de um era contra o outro, e houve mui grande tumulto.
Também com os filisteus havia hebreus, como dantes, que subiram com eles ao arraial em redor; e também estes se ajuntaram com os israelitas que estavam com Saul e Jônatas.
Ouvindo, pois, todos os homens de Israel que se esconderam pela montanha de Efraim que os filisteus fugiam, eles também os perseguiram de perto na peleja.
Assim livrou o Senhor a Israel naquele dia; e o arraial passou a Bete-Áven.
E estavam os homens de Israel já exaustos naquele dia, porquanto Saul conjurou o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão até à tarde, antes que me vingue de meus inimigos. Por isso todo o povo se absteve de provar pão.
E todo o povo chegou a um bosque; e havia mel na superfície do campo.
E, chegando o povo ao bosque, eis que havia um manancial de mel; porém ninguém chegou a mão à boca, porque o povo temia a conjuração.
Porém Jônatas não tinha ouvido quando seu pai conjurara o povo, e estendeu a ponta da vara que tinha na mão, e a molhou no favo de mel; e, tornando a mão à boca, aclararam-se os seus olhos.
Então respondeu um do povo, e disse: Solenemente conjurou teu pai o povo, dizendo: Maldito o homem que comer hoje pão. Por isso o povo desfalecia.
Então disse Jônatas: Meu pai tem turbado a terra; ora vede como se me aclararam os olhos por ter provado um pouco deste mel,
Quanto mais se o povo hoje livremente tivesse comido do despojo que achou de seus inimigos. Porém agora não foi tão grande o estrago dos filisteus.
Feriram, porém, aquele dia aos filisteus, desde Micmás até Aijalom, e o povo desfaleceu em extremo.
Então o povo se lançou ao despojo, e tomaram ovelhas, e vacas, e bezerros, e os degolaram no chão; e o povo os comeu com sangue.
E o anunciaram a Saul, dizendo: Eis que o povo peca contra o Senhor, comendo com sangue. E disse: Aleivosamente procedestes; trazei-me aqui já uma grande pedra.
Disse mais Saul: Dispersai-vos entre o povo, e dizei-lhes: Trazei-me cada um o seu boi, e cada um a sua ovelha, e degolai-os aqui, e comei, e não pequeis contra o Senhor, comendo com sangue. Então todo o povo trouxe de noite, cada um pela sua mão, o seu boi, e os degolaram ali.
Então edificou Saul um altar ao Senhor; este foi o primeiro altar que edificou ao Senhor.
Depois disse Saul: Desçamos de noite atrás dos filisteus, e despojemo-los, até que amanheça o dia, e não deixemos deles um só homem. E disseram: Tudo o que parecer bem aos teus olhos faze. Disse, porém, o sacerdote: Cheguemo-nos aqui a Deus.
Então consultou Saul a Deus, dizendo: Descerei atrás dos filisteus? Entregá-los-ás na mão de Israel? Porém aquele dia não lhe respondeu.
Então disse Saul: Chegai-vos para cá, todos os chefes do povo, e informai-vos, e vede em que se cometeu hoje este pecado.
Porque vive o Senhor que salva a Israel, que, ainda que seja em meu filho Jônatas, certamente morrerá. E nenhum de todo o povo lhe respondeu.
Disse mais a todo o Israel: Vós estareis de um lado, e eu e meu filho Jônatas estaremos do outro lado. Então disse o povo a Saul: Faze o que parecer bem aos teus olhos.
Falou, pois, Saul ao Senhor Deus de Israel: Mostra o inocente. Então Jônatas e Saul foram tomados por sorte, e o povo saiu livre.
Então disse Saul: Lançai a sorte entre mim e Jônatas, meu filho. E foi tomado Jônatas.
Disse então Saul a Jônatas: Declara-me o que tens feito. E Jônatas lho declarou, e disse: Tão-somente provei um pouco de mel com a ponta da vara que tinha na mão; eis que devo morrer?
Então disse Saul: Assim me faça Deus, e outro tanto, que com certeza morrerás, Jônatas.
Porém o povo disse a Saul: Morrerá Jônatas, que efetuou tão grande salvação em Israel? Nunca tal suceda; vive o Senhor, que não lhe há de cair no chão um só cabelo da sua cabeça! pois com Deus fez isso hoje. Assim o povo livrou a Jônatas, para que não morresse.
E Saul deixou de seguir os filisteus; e os filisteus se foram ao seu lugar.
Então tomou Saul o reino sobre Israel; e pelejou contra todos os seus inimigos em redor; contra Moabe, e contra os filhos de Amom, e contra Edom, e contra os reis de Zobá, e contra os filisteus, e para onde quer que se tornava executava castigo.
E houve-se valorosamente, e feriu aos amalequitas, e liberou a Israel da mão dos que o saqueavam.
E os filhos de Saul eram Jônatas, e Isvi, e Malquisua; e os nomes de suas duas filhas eram estes: o da mais velha Merabe, e o da mais nova, Mical.
E o nome da mulher de Saul, Ainoã, filha de Aimaás; e o nome do capitão do exército, Abner, filho de Ner, tio de Saul.
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