1 Samuel 13 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 1 Samuel 13 na sua vida hoje

23 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 1 Samuel 13?

1 Samuel 13 descreve um momento decisivo no reinado de Saul. Diante da ameaça esmagadora dos filisteus, o povo entra em pânico e se esconde. Saul, pressionado pelo medo e pela dispersão de seus soldados, desobedece à ordem de Samuel e oferece o holocausto por conta própria. Assim que termina, Samuel chega e o confronta. Como consequência dessa desobediência, Deus anuncia, por meio do profeta, que o reino de Saul não permanecerá e que o Senhor já buscou um homem segundo o Seu coração. O capítulo também mostra a fragilidade militar de Israel, sem ferreiros e quase sem armas, em contraste com o enorme poder bélico filisteu.

Temas principais em 1 Samuel 13

Desobediência e perda de oportunidade espiritual (versículos 8-14)

Saul não guarda o mandamento do Senhor, age por conta própria e perde a chance de ter seu reino firmemente estabelecido. A obediência parcial e motivada pelo medo é apresentada como insensatez diante de Deus.

Versículos-chave: 11, 13, 14

Medo, pressão e decisões precipitadas (versículos 6-12)

O pânico do povo, a ameaça filisteia e o aparente atraso de Samuel criam uma grande pressão sobre Saul. Em vez de confiar, ele se deixa guiar pelo medo e pela urgência, tomando para si algo que Deus havia reservado ao profeta.

Versículos-chave: 6, 8, 12

Deus busca um homem segundo o Seu coração (versículos 13-14)

Em contraste com a infidelidade de Saul, o texto anuncia que Deus já procurou para si um rei diferente, alinhado ao Seu próprio coração, que liderará o povo segundo a vontade divina.

Versículos-chave: 14

Fraqueza humana diante de um inimigo superior (versículos 5-7, 15-22)

Israel é retratado em extrema desvantagem: numericamente inferior, apavorado, mal armado e sem ferreiros. Essa fragilidade destaca a necessidade de depender do Senhor, e não apenas de recursos humanos.

Versículos-chave: 5, 6, 19, 22

Consequências espirituais de atos religiosos sem obediência (versículos 9-10, 13-14)

Saul oferece um sacrifício, algo aparentemente piedoso, mas o faz fora da direção de Deus. O capítulo mostra que práticas religiosas não substituem a obediência sincera à Palavra do Senhor.

Versículos-chave: 9, 10, 13

Contexto histórico e literario

1 Samuel 13 está situado no início da monarquia em Israel. Saul é o primeiro rei, ungido por Samuel em um tempo de transição em que o povo havia pedido um rei como as outras nações. O principal inimigo externo de Israel nesse período são os filisteus, um povo tecnologicamente avançado, especialmente no trabalho com o ferro. A ausência de ferreiros em Israel (vv. 19-22) aponta para uma política deliberada de dominação: os filisteus controlavam a produção e o conserto de instrumentos de metal, impedindo Israel de fabricar armas. Isso colocava Israel em desvantagem militar, dependendo de ferramentas agrícolas afiados pelos próprios opressores. Gilgal, Micmás, Gibeá e as demais localidades citadas estão na região montanhosa de Benjamim, uma área estratégica, com vales e desfiladeiros importantes para movimentos de tropas. O contexto religioso é o da liderança profética de Samuel, que atua como porta-voz da vontade de Deus para o rei. O mandamento que Saul descumpre diz respeito ao tempo e à forma de oferecer sacrifícios, algo que, naquele momento, estava ligado ao ministério profético-sacerdotal, não à função régia. A desobediência de Saul não é um detalhe, mas um rompimento com a estrutura estabelecida por Deus para o governo e o culto de Israel.

Estrutura de 1 Samuel 13

O capítulo pode ser dividido em quatro movimentos principais:

  1. Preparação militar e provocação inicial (vv. 1-7)
  • Saul organiza o exército e separa três mil homens.
  • Jônatas ataca a guarnição filisteia em Gibeá, provocando a reação inimiga.
  • Os filisteus reúnem um enorme exército, e os israelitas entram em desespero, escondendo-se e fugindo.
  1. A desobediência de Saul e o confronto com Samuel (vv. 8-14)
  • Saul espera sete dias em Gilgal, conforme combinado com Samuel, mas cede à pressão quando o povo começa a se dispersar.
  • Ele oferece o holocausto por conta própria.
  • Samuel chega imediatamente após o sacrifício e questiona Saul.
  • Saul se justifica apelando às circunstâncias.
  • Samuel declara que Saul agiu de forma insensata e anuncia que seu reino não permanecerá, pois Deus buscou um homem segundo o Seu coração.
  1. Recontagem das forças de Israel e movimentação dos filisteus (vv. 15-18)
  • Samuel se afasta de Saul.
  • Saul verifica seu contingente, reduzido a cerca de seiscentos homens.
  • Os filisteus se posicionam em Micmás e enviam destacamentos de saqueadores em três direções, dominando a região.
  1. Escassez tecnológica e fragilidade bélica de Israel (vv. 19-23)
  • Explica-se que não havia ferreiros em Israel, por causa da política filisteia.
  • Os israelitas dependiam dos filisteus para afiar suas ferramentas agrícolas.
  • No dia da batalha, só Saul e Jônatas possuem espada ou lança.
  • O capítulo termina com a guarnição filisteia avançando até o desfiladeiro de Micmás, preparando o cenário para o conflito seguinte.

Significado teológico

1 Samuel 13 enfatiza que o coração de Deus está mais interessado em obediência do que em rituais. Saul não é condenado por querer sacrificar, mas por ter ultrapassado um limite espiritual e ter agido sem obedecer à palavra recebida por meio de Samuel. A teologia do capítulo destaca a centralidade da palavra profética como expressão da vontade de Deus; desconsiderá-la é desconsiderar o próprio Senhor. A tensão entre a pressão das circunstâncias e a fidelidade à ordem divina revela uma verdade recorrente nas Escrituras: fé não é ausência de perigo, mas confiança obediente em meio à ameaça. A declaração de Samuel sobre um "homem segundo o coração de Deus" aponta para um padrão de liderança teocêntrica, na qual o rei não é soberano absoluto, mas servo do Senhor. Esse anúncio antecipa a escolha de Davi e, em última instância, aponta para o ideal de um Rei perfeito, totalmente alinhado ao coração do Pai. Teologicamente, o capítulo também mostra que o pecado de uma liderança tem implicações para o povo. A insegurança de Saul, sua busca por controle e sua tendência de se justificar, em vez de se arrepender, contrastam com a postura de quem se submete humildemente a Deus. Ao registrar a precariedade militar de Israel, o texto reforça que a verdadeira segurança não vem de carros, cavalos, armas ou tecnologia, mas da aliança com o Senhor, que é capaz de salvar com muitos ou com poucos.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Do ponto de vista emocional, 1 Samuel 13 expõe a dinâmica interna de quem vive sob intensa pressão: medo, sensação de abandono, urgência e a necessidade de manter as aparências. O povo se vê impotente diante de um inimigo superior, escondendo-se e fugindo. Saul experimenta ansiedade ao ver o exército se esvaziar e o profeta demorar. Em vez de lidar com o medo de forma transparente diante de Deus, ele tenta controlar a situação com uma ação religiosa apressada. O texto ilustra como decisões tomadas no auge da ansiedade podem comprometer trajetórias inteiras, especialmente quando se ocupa posição de liderança. O capítulo também mostra o peso emocional de ouvir um juízo sério da parte de Deus: a notícia de que seu reino não subsistirá. Embora não descreva a reação interna de Saul em detalhes, a narrativa sugere a dor de perceber que uma oportunidade foi perdida por causa da falta de confiança e obediência. Ao mesmo tempo, há um fio de esperança: Deus não abandona Seu povo, mesmo quando um líder falha. Ele prepara outro caminho, outro líder, outro coração. Essa realidade pode oferecer consolo em contextos de frustração com lideranças humanas, lembrando que a fidelidade de Deus não depende do desempenho das pessoas.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos do texto podem ativar lembranças dolorosas ou gatilhos emocionais em certas pessoas. A sensação de abandono e pânico coletivo (vv. 6-7) pode ressoar com quem passou por situações de guerra, violência, desastres ou crises sociais intensas. A imagem de um líder sob pressão, tomando decisões equivocadas, pode acionar memórias de experiências traumáticas com figuras de autoridade, seja em família, igreja ou trabalho. O anúncio do juízo de Deus sobre Saul (vv. 13-14) pode ser mal interpretado por pessoas com histórico de culpa religiosa, escrúpulos espirituais ou uma visão distorcida de Deus como alguém pronto a rejeitar à mínima falha. É importante lembrar que o texto narra um momento específico da história da redenção, relacionado à responsabilidade de um rei ungido sobre uma nação inteira, e não descreve a forma como Deus trata, em geral, cada indivíduo em suas lutas e quedas. Além disso, a ênfase do capítulo não é na impossibilidade de perdão, mas na seriedade da obediência para quem lidera o povo de Deus. Em contextos pastorais ou terapêuticos, esse capítulo deve ser lido com cuidado, reforçando o caráter de Deus revelado em toda a Escritura: justo, mas também paciente, misericordioso e pronto a restaurar corações quebrantados.

Aplicação prática para hoje

1 Samuel 13 oferece várias lições práticas para a vida cotidiana. Em primeiro lugar, mostra o perigo de tomar decisões importantes movido pelo medo e pela pressão do momento. A atitude de Saul lembra que, mesmo quando tudo parece urgente, é melhor esperar pela direção de Deus do que agir de forma precipitada, tentando controlar o que foge do nosso alcance. Em segundo lugar, destaca a importância de obedecer à Palavra acima das circunstâncias. A obediência de Saul não falhou por falta de religiosidade, mas por ter priorizado sua leitura da situação em vez da instrução divina já recebida. Isso impacta decisões em família, trabalho, ministério e finanças: princípios claros da Escritura precisam ter mais peso do que a ansiedade do contexto. Em terceiro lugar, o capítulo chama atenção para o efeito das falhas de liderança. Quem ocupa posição de influência — pais, líderes comunitários, chefes, professores — é convidado a reconhecer o próprio medo, pedir ajuda, buscar conselho e não mascarar inseguranças com gestos externos que soem espirituais, mas não nasçam de obediência real. Por fim, a notícia de que Deus busca um homem segundo o Seu coração inspira um caminho de formação interior: cultivar um coração alinhado com Deus, mais preocupado em agradá-Lo do que em manter status, resultados ou aprovação humana. Em tempos de grande pressão, isso significa praticar disciplinas como oração sincera, escuta da Escritura, arrependimento rápido e disposição em reconhecer limites pessoais.

Perguntas frequentes

Por que a atitude de Saul ao oferecer o holocausto foi considerada tão grave?

A gravidade da atitude de Saul não estava apenas no ato de sacrificar, mas em ter desobedecido a uma ordem clara dada por Deus por meio de Samuel. O rei tomou para si uma função ligada ao ministério profético-sacerdotal, ultrapassando limites espirituais estabelecidos. Ele agiu motivado pelo medo e pela pressão, não pela confiança obediente. Isso revelava um padrão de coração: em vez de se sujeitar à palavra de Deus, Saul preferiu controlar a situação à sua maneira, ainda que por meio de um gesto religioso.

O que significa Deus buscar um "homem segundo o Seu coração"?

Quando Samuel declara que o Senhor já buscou para si um homem segundo o Seu coração (v. 14), a ideia não é de perfeição moral absoluta, mas de alguém cujo coração está alinhado com a vontade de Deus. Trata-se de um líder que coloca os interesses do Senhor acima dos próprios, que se deixa corrigir, que se arrepende quando erra e que prioriza a obediência à Palavra. No fluxo do livro, esse anúncio aponta para Davi, em contraste com o padrão de liderança de Saul.

Por que Israel não tinha ferreiros nem armas nesse período?

O texto explica que os filisteus haviam impedido a presença de ferreiros em Israel para evitar que os hebreus fabricassem espadas e lanças (vv. 19-20). Era uma estratégia de controle político e militar: ao dominar a tecnologia do ferro, os filisteus mantinham Israel em desvantagem bélica. Assim, o povo dependia dos próprios inimigos até para afiar instrumentos agrícolas. No dia da batalha, apenas Saul e Jônatas tinham espada ou lança (v. 22), o que reforça a vulnerabilidade humana de Israel e a necessidade de confiar em Deus.

O atraso de Samuel justificava a atitude de Saul?

Fisicamente, a situação parecia justificar a ansiedade de Saul: o povo se dispersava, o inimigo se aproximava, e Samuel ainda não havia chegado. No entanto, o texto mostra que, diante de Deus, isso não era justificativa para desobedecer. A fidelidade do Senhor não é anulada por atrasos aparentes. A narrativa ensina que, mesmo sob forte pressão, a resposta adequada é perseverar na confiança e na obediência, em vez de tomar nas mãos, de forma independente, aquilo que Deus havia estabelecido de outra forma.

Esse capítulo mostra que Deus rejeita pessoas quando cometem um erro?

O foco de 1 Samuel 13 é a responsabilidade de um rei ungido sobre uma nação inteira e a forma como sua desobediência afeta o destino do reino. O anúncio de que o reino de Saul não subsistirá diz respeito ao papel dele como rei, não à impossibilidade de relacionamento com Deus ou de perdão pessoal. Em toda a Escritura, vê-se que Deus é paciente, chama ao arrependimento e restaura aqueles que se voltam a Ele de coração. O texto, portanto, sublinha a seriedade da desobediência, especialmente em liderança, mas precisa ser lido em harmonia com o testemunho mais amplo da misericórdia divina.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

1 Samuel 13 revela um cenário carregado de medo, tensão e frustração. Os israelitas se veem diante de um exército numeroso como a areia do mar, e a reação é muito humana: esconder-se, fugir, tremer. Saul, no centro de tudo, sente o peso da responsabilidade, observa seu povo se afastando e percebe que a ajuda parece atrasar. Esse retrato fala de corações que se sentem sozinhos no meio da pressão, como se a promessa tivesse demorado demais. O texto não romantiza o medo; ele mostra a angústia do povo, a ansiedade de um líder e o impacto que isso traz. A atitude de Saul nasce de um lugar de desespero: ele se "constrange" a oferecer o sacrifício, quase como se não visse outra saída. Há, por trás de seu erro, um coração assustado, que tenta dar um jeito para que Deus olhe para a situação. Esse tipo de movimento é muito comum em vidas marcadas pela insegurança: a pessoa se sente pressionada a fazer algo, qualquer coisa, para sentir algum controle. Ao mesmo tempo, é um capítulo sobre a dor de perder algo importante por causa de escolhas apressadas. A palavra de Samuel é dura: se tivesse obedecido, Deus teria confirmado seu reino. Essa constatação toca a experiência humana de arrependimentos profundos, quando alguém olha para trás e pensa no que poderia ter sido diferente. A narrativa reconhece a seriedade das decisões, mas também mostra que a história do povo de Deus não termina na falha de uma pessoa. Mesmo quando um líder erra, Deus não abandona o povo; Ele prepara um novo caminho. Em termos emocionais, 1 Samuel 13 fala de corações sob pressão e de como o medo pode distorcer a percepção de Deus, dando a impressão de que Ele atrasou ou se esqueceu. Ao mesmo tempo, lembra que a presença do Senhor não é anulada pela demora aparente. O anúncio de que Deus busca alguém segundo o Seu coração aponta para um cuidado ativo: Ele está atento, vê, escolhe e prepara. Há consolo nessa certeza para quem carrega a dor de decisões mal tomadas ou a frustração com lideranças falhas: a fidelidade de Deus não se rompe quando o coração humano vacila.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, 1 Samuel 13 é um texto-chave para compreender a teologia da monarquia em Israel. A estrutura do capítulo coloca em contraste três elementos: a ameaça militar filisteia, a resposta de Saul à pressão e o julgamento divino mediado por Samuel. Essa tríade revela a tensão entre o ideal teocrático e a prática da monarquia inicial. O problema central do capítulo é a desobediência de Saul em relação a uma ordem específica de Samuel, que representava a vontade de Deus. Em 1 Samuel 10:8 (contexto mais amplo do livro), Samuel já havia dado instruções sobre ir a Gilgal e esperar sete dias até sua chegada para oferecer sacrifícios. Em 1 Samuel 13, a narrativa retoma essa referência: Saul aguarda o prazo, mas cede quando as circunstâncias parecem colapsar. O narrador destaca que Samuel chega "acabando ele de oferecer o holocausto" (v. 10), enfatizando o momento preciso como literariamente irônico: se Saul tivesse esperado um pouco mais, teria obedecido. A resposta de Saul a Samuel é construída com justificativas sucessivas: o povo se dispersava, Samuel não vinha no prazo esperado, os filisteus estavam prontos para atacar, e ele ainda não havia buscado o favor do Senhor (vv. 11-12). Do ponto de vista teológico, o texto sugere que argumentos circunstanciais não anulam a centralidade da obediência à Palavra revelada. A avaliação de Samuel é contundente: "Procedeste nesciamente" (v. 13). A sabedoria, nesse contexto, não é habilidade estratégica, mas submissão à ordem de Deus. O anúncio de que o reino de Saul não subsistirá e que Deus já buscou um homem segundo Seu coração (v. 14) antecipa a entrada de Davi na narrativa. A expressão "segundo o seu coração" é, muitas vezes, mal interpretada como mera afeição subjetiva; no contexto, indica alguém alinhado com o propósito e a vontade de Deus, em contraste com Saul, que se mostrou governado pelo medo e pela pressão social. Esse versículo se torna um eixo hermenêutico para entender não só a sequência de 1 Samuel, mas também o modo como o Antigo Testamento avalia a realeza. Os versículos 19-22 são um parêntese explicativo de grande valor histórico, descrevendo a supremacia tecnológica filisteia na metalurgia do ferro. Esse detalhe ilumina a assimetria de poder entre Israel e seus inimigos. Teologicamente, reforça o tema recorrente de que a salvação de Israel não depende da superioridade de armamentos. Literariamente, prepara o leitor para os capítulos seguintes, em que Deus atuará de forma surpreendente através de um pequeno grupo. Assim, 1 Samuel 13 articula temas de obediência, autoridade profética, legitimidade régia e dependência de Deus em meio à inferioridade militar. O capítulo funciona como um divisor de águas no retrato de Saul, marcando o início de sua rejeição progressiva como rei.

Life
Life

Em termos práticos, 1 Samuel 13 é um estudo profundo sobre liderança sob pressão. Saul é um líder com responsabilidades reais, sob ameaça concreta, com recursos limitados e um povo em pânico. A forma como ele reage a esse cenário oferece lições que se aplicam a contextos familiares, profissionais, comunitários e eclesiásticos. Saul observa três sinais preocupantes: a dispersão das pessoas que ele lidera, o aparente atraso de quem deveria apoiá-lo (Samuel) e a força crescente do inimigo. Em vez de lidar com esses fatores de forma transparente e paciente, ele tenta assumir funções que não lhe cabem, numa tentativa de conter a crise por meio de um gesto religioso. Na prática, isso é semelhante a um líder que, em momentos críticos, abandona processos saudáveis, ignora limites e passa por cima de princípios claros, justificando-se pelo "bem da causa". O capítulo mostra que o fim não justifica os meios quando se trata da vontade de Deus. Em ambientes de trabalho, por exemplo, a pressão por resultados pode levar pessoas a atropelarem valores éticos, manipular informações ou tomar atalhos. Na família, o medo de perder controle pode incentivar atitudes autoritárias ou decisões precipitadas. Em contextos de igreja, a ansiedade por manter imagem, número de pessoas ou influência pode resultar em ações aparentemente espirituais, mas desconectadas da direção bíblica e da escuta de Deus. A trajetória de Saul alerta que esse tipo de postura tem consequências. Outro ponto prático é a necessidade de reconhecer a própria limitação. Saul não admite sua insegurança; ele a encobre com um ato que soa espiritual. Líderes saudáveis aprendem a dizer "não sei", "preciso esperar", "preciso de ajuda". Essa postura protege tanto a pessoa quanto aqueles que estão sob sua influência. Em vez de tomar sozinho decisões que pertencem a uma esfera maior, é importante respeitar papéis, buscar conselho e se manter fiel a princípios, mesmo quando isso parece atrasar soluções imediatas. Por fim, o capítulo lembra que nenhum líder é a última palavra sobre o povo de Deus. Quando uma liderança falha, a história não termina ali. Deus continua em ação, levantando pessoas com outro tipo de coração. Na prática, isso desestimula a idolatria de líderes e também a autossuficiência de quem lidera, lembrando que toda autoridade é delegada e deve ser exercida com temor, obediência e senso de prestação de contas diante de Deus.

Soul
Soul

1 Samuel 13 convida a uma reflexão profunda sobre o tipo de coração que responde ao chamado de Deus. Na superfície, o capítulo fala de guerra, política e erro de liderança. Em um nível mais profundo, trata da tensão entre um coração guiado pelo temor de Deus e um coração guiado pelo temor das circunstâncias. Saul é um retrato de alguém vocacionado, ungido, colocado em posição de destaque, mas que não se deixa moldar internamente na mesma proporção em que cresce externamente. Ele conhece a instrução recebida por meio de Samuel, sabe o que deveria fazer, mas, diante da demora aparente de Deus, decide resolver por si mesmo. Essa é uma tentação espiritual recorrente: transformar a vocação em plataforma de autogestão, tentando usar o serviço a Deus como meio de manter controle sobre a própria segurança. A declaração de que o Senhor já buscou um homem segundo o Seu coração aponta para a prioridade divina: mais do que estruturas, cargos e resultados, Deus procura corações alinhados com Ele. Ao longo da história bíblica, esse ideal encontra expressão em Davi e, em plenitude, no Messias, o Rei perfeito, cujo coração é inteiramente unido ao Pai. O capítulo, portanto, prepara o olhar para além de Saul, em direção a um tipo de realeza que reflete o caráter de Deus e conduz o povo não apenas a vitórias militares, mas a uma vida de aliança verdadeira. Espiritualmente, o texto alerta sobre o risco de substituir intimidade por ritual. Saul percebe que ainda não havia "orado" ou buscado o Senhor, mas tenta compensar essa ausência com um sacrifício tardio e apressado. A lógica é invertida: em vez de obedecer a partir de um coração que confia, ele realiza um ato religioso para tentar garantir proteção. No caminho da formação espiritual, isso levanta uma questão fundamental: a prática de devoções, cultos e ministérios precisa brotar de um coração que se submete a Deus, e não ser usada como recurso para forçar resultados. O anúncio do fim do reino de Saul também tem uma dimensão de esperança escatológica. Ele lembra que nenhum reino humano é definitivo, e que Deus, na história, vai ajustando o rumo até cumprir plenamente seu propósito em Cristo. Para quem olha além desta vida, 1 Samuel 13 reafirma que a segurança última não está em líderes, nações ou capacidades, mas no governo soberano de um Deus que conhece o coração humano e conduz a história em direção ao Seu Reino eterno. A verdadeira preparação para esse Reino não é acumular poder, mas permitir que o coração seja continuamente alinhado, quebrantado e transformado diante de Deus.

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Versículos em 1 Samuel 13

1 Samuel 13:1

" Saul reinou um ano; e no segundo ano do seu reinado sobre Israel, "

1 Samuel 13:1 resume o início do reinado de Saul, destacando que seu governo ainda era recente quando os conflitos com os filisteus começaram. O …

Ler análise completa

1 Samuel 13:2

" Saul escolheu para si três mil homens de Israel; e estavam com Saul dois mil em Micmás e na montanha de Betel, e mil estavam com Jônatas em Gibeá de Benjamim; e o resto do povo despediu, cada um para sua casa. "

1 Samuel 13:3

" E Jônatas feriu a guarnição dos filisteus, que estava em Gibeá, o que os filisteus ouviram; pelo que Saul tocou a trombeta por toda a terra, dizendo: Ouçam os hebreus. "

1 Samuel 13:4

" Então todo o Israel ouviu dizer: Saul feriu a guarnição dos filisteus, e também Israel se fez abominável aos filisteus. Então o povo foi convocado para junto de Saul em Gilgal. "

1 Samuel 13:5

" E os filisteus se ajuntaram para pelejar contra Israel, trinta mil carros, e seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à beira do mar; e subiram, e se acamparam em Micmás, ao oriente de Bete-Áven. "

1 Samuel 13:6

" Vendo, pois, os homens de Israel que estavam em apuros (porque o povo estava angustiado), o povo se escondeu pelas cavernas, e pelos espinhais, e pelos penhascos, e pelas fortificações, e pelas covas. "

1 Samuel 13:7

" E alguns dos hebreus passaram o Jordão para a terra de Gade e Gileade; e, estando Saul ainda em Gilgal, todo o povo ia atrás dele tremendo. "

1 Samuel 13:8

" E esperou Saul sete dias, até ao tempo que Samuel determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se dispersava dele. "

1 Samuel 13:10

" E sucedeu que, acabando ele de oferecer o holocausto, eis que Samuel chegou; e Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar. "

1 Samuel 13:11

" Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, "

1 Samuel 13:12

" Eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda à face do Senhor não orei; e constrangi-me, e ofereci holocausto. "

1 Samuel 13:13

" Então disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou; porque agora o Senhor teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; "

1 Samuel 13:14

" Porém agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado o Senhor para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o Senhor, que seja capitão sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou. "

1 Samuel 13:15

" Então se levantou Samuel, e subiu de Gilgal a Gibeá de Benjamim; e Saul contou o povo que se achava com ele, uns seiscentos homens. "

1 Samuel 13:16

" E Saul e Jônatas, seu filho, e o povo que se achou com eles, ficaram em Gibeá de Benjamim; porém os filisteus se acamparam em Micmás. "

1 Samuel 13:17

" E os saqueadores saíram do campo dos filisteus em três companhias; uma das companhias foi pelo caminho de Ofra à terra de Sual. "

1 Samuel 13:18

" Outra companhia seguiu pelo caminho de Bete-Horom, e a outra companhia foi pelo caminho do termo que dá para o vale Zeboim na direção do deserto. "

1 Samuel 13:19

" E em toda a terra de Israel nem um ferreiro se achava, porque os filisteus tinham dito: Para que os hebreus não façam espada nem lança. "

1 Samuel 13:20

" Por isso todo o Israel tinha que descer aos filisteus para amolar cada um a sua relha, e a sua enxada, e o seu machado, e o seu sacho. "

1 Samuel 13:21

" Tinham porém limas para os seus sachos, e para as suas enxadas, e para as forquilhas de três dentes, e para os machados, e para consertar as aguilhadas. "

1 Samuel 13:21 mostra Israel dependendo dos filisteus até para afiar ferramentas simples, revelando fraqueza e falta de recursos. O versículo ensina que, mesmo em …

Ler análise completa

1 Samuel 13:22

" E sucedeu que, no dia da peleja, não se achou nem espada nem lança na mão de todo o povo que estava com Saul e com Jônatas; porém acharam-se com Saul e com Jônatas seu filho. "

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