1 Samuel 9:1
" E havia um homem de Benjamim, cujo nome era Quis, filho de Abiel, filho de Zeror, filho de Becorate, filho de Afia, filho de um homem de Benjamim; homem poderoso. "
Entenda os temas principais e aplique 1 Samuel 9 na sua vida hoje
27 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
A busca de Saul pelas jumentas do pai parece apenas uma tarefa cotidiana, mas torna-se o meio exato pelo qual Deus o leva até Samuel. O que parece acaso é, na verdade, direção soberana.
Saul é apresentado como forte e formoso aos olhos humanos, mas o ponto central é que Deus o escolhe e instruirá Samuel a ungi-lo como líder sobre Israel, com uma missão específica de libertação.
O Senhor declara que ouviu o clamor de seu povo e, por isso, enviará um líder. Deus se mostra atento, compassivo e soberano sobre os acontecimentos políticos e militares de Israel.
Saul reage ao anúncio de Samuel com surpresa e senso de inadequação, lembrando que é da menor tribo e de uma família pequena. Esse contraste reforça que o chamado vem da graça de Deus, e não de méritos humanos.
Samuel honra Saul diante dos convidados, reserva-lhe o melhor lugar e a melhor porção da comida. Esses gestos visíveis funcionam como sinais de confirmação do papel especial que Deus está dando a Saul.
1 Samuel 9 está situado no período de transição de Israel de uma confederação de tribos lideradas por juízes para uma monarquia. O povo havia pedido um rei "como todas as nações", e Deus permitiu essa mudança, ainda que com advertências. A tribo de Benjamim, à qual Saul pertence, era uma das menores de Israel e tinha um passado recente marcado por conflito e quase extinção (ver Juízes 19–21). Isso torna ainda mais surpreendente a escolha de um benjamita para liderar a nação.
Samuel, profeta e juiz, exerce papel central como mediador entre Deus e o povo. No tempo descrito, era comum consultar o "homem de Deus" ou "vidente" para buscar orientação divina, especialmente em decisões importantes ou em situações de perda. O texto faz uma nota explicativa (v. 9) sobre a terminologia, mostrando um momento de transição na linguagem religiosa: o termo "vidente" vem sendo substituído por "profeta".
As referências ao "alto" (lugar elevado) indicam um local de culto onde Samuel preside sacrifícios e refeições sagradas. Nesses contextos, a refeição ligada ao sacrifício é um ato de comunhão entre Deus, o mediador e o povo. Quando Samuel reserva uma porção especial para Saul, isso tem significado simbólico: Deus está separando Saul para um propósito.
O cenário geográfico envolve várias regiões: montanha de Efraim, Salisa, Saalim, Benjamim e a terra de Zufe. Esse percurso destaca tanto a busca prolongada de Saul quanto a providência de Deus guiando seus passos até o encontro marcado com Samuel.
O capítulo pode ser dividido em alguns movimentos literários bem definidos:
Introdução de Quis e Saul (9:1-2)
Apresenta a linhagem de Quis, descreve Saul como jovem e muito belo, destacando seu porte físico e superioridade visível entre o povo. É uma abertura que prepara o leitor para a importância futura de Saul.
A busca pelas jumentas e a sugestão de consultar o homem de Deus (9:3-10)
A perda das jumentas desencadeia a ação: Quis envia Saul e um servo à procura dos animais. Após longa busca sem sucesso, o servo sugere recorrer a um homem de Deus conhecido por sua credibilidade. O diálogo revela a preocupação de Saul com o pai e com a falta de um presente para o profeta, enfatizando respeito e simplicidade.
Chegada à cidade e informações sobre o vidente (9:11-14)
Ao entrar na cidade, Saul e o servo encontram moças indo buscar água, que explicam a presença de Samuel por causa de um sacrifício no alto. Essa cena ajuda o leitor a localizar Samuel e criar expectativa para o encontro.
Revelação divina a Samuel e o reconhecimento de Saul (9:15-19)
O narrador recua no tempo e mostra que Deus já havia revelado a Samuel, no dia anterior, a chegada de um homem de Benjamim que seria ungido líder. Quando Samuel vê Saul, Deus confirma: “Eis aqui o homem”. Em seguida, Saul pede orientações simples, sem saber que fala com o próprio vidente, e Samuel se identifica.
Anúncio da escolha e reação humilde de Saul (9:19-21)
Samuel tranquiliza Saul sobre as jumentas e introduz o tema maior: o desejo de Israel se volta para ele e para a casa de seu pai. Saul reage com surpresa e humildade, destacando sua origem pequena.
Honra pública e refeição reservada (9:22-24)
Samuel conduz Saul e o servo a uma câmara, dá-lhes lugar de honra acima dos convidados e manda trazer a porção reservada. Essa cena é simbólica, marcando a separação de Saul para um papel especial.
Diálogo particular e preparação para a revelação plena (9:25-27)
Ao descerem do alto, Samuel conversa com Saul no eirado, e ao amanhecer o chama para partir. Perto do limite da cidade, Samuel pede que o servo vá adiante e que Saul fique, para ouvir a palavra de Deus. O capítulo termina em suspensão, preparando o leitor para a unção no capítulo seguinte.
1 Samuel 9 ressalta a soberania de Deus na história. O que começa como uma busca por jumentas é, na realidade, parte de um plano divino para levantar um rei em resposta ao clamor de Israel. A narrativa mostra que Deus ouve o povo, conhece suas aflições e intervém na história, mesmo quando a motivação humana (querer um rei como as outras nações) é ambígua.
O capítulo também ressalta a maneira como Deus escolhe e prepara líderes. Saul é descrito de modo impressionante aos olhos humanos, mas o ponto decisivo é que Deus o envia e o indica claramente a Samuel. A vocação de Saul é um ato da graça divina, e não um resultado de intriga política ou ambição pessoal. Ao mesmo tempo, a resposta humilde de Saul, lembrando sua origem pequena, sugere que a verdadeira grandeza começa com consciência de dependência.
Outra ênfase teológica está no papel da revelação. Deus fala com Samuel com antecedência, orienta-o sobre quem deve ser ungido e o momento da chegada de Saul. Ao final, Samuel prepara Saul para ouvir a palavra de Deus em particular. A liderança em Israel, portanto, não é meramente administrativa; ela deve ser moldada e guiada pela voz divina.
Por fim, o texto sublinha que Deus não é indiferente à opressão e ao perigo: Ele diz que levantará Saul para livrar o povo da mão dos filisteus. A responsabilidade do rei é vista como serviço ao povo de Deus, não somente como posição de honra. A compaixão do Senhor pelo clamor de Israel é a raiz do estabelecimento dessa liderança.
1 Samuel 9 oferece um quadro consolador para quem se sente perdido em meio a tarefas comuns, frustrações e incertezas. A experiência de Saul — caminhando de lugar em lugar, sem encontrar o que procura — retrata momentos em que esforços parecem inúteis. Ainda assim, o texto mostra que, por trás dessa sensação de desencontro, Deus pode estar conduzindo a algo maior do que se imagina.
O capítulo também toca em temas de identidade e valor pessoal. Saul se enxerga como alguém de origem pequena, mesmo tendo atributos que impressionam aos outros. Essa tensão entre aparência externa e percepção interna mostra como a autoimagem pode ser frágil diante de um chamado ou responsabilidade. Há uma dimensão terapêutica em perceber que Deus enxerga mais do que limitações pessoais e que sua escolha não depende de uma história de grandeza humana.
A presença de Samuel como “homem de Deus” que traz clareza, acolhe, honra e dá sentido às circunstâncias sugere a importância de ter referências espirituais e relacionais que ajudem a interpretar a vida sob a perspectiva de Deus. A combinação de cuidado prático (resolver as jumentas), honra pública e conversa íntima no eirado desenha um tipo de cuidado integral: emocional, social e espiritual.
Para quem vive ansiedade sobre decisões, perdas ou futuro, o capítulo apresenta uma visão em que a história pessoal está inserida em um cuidado maior. A direção de Deus nem sempre é revelada de uma vez; ela muitas vezes se manifesta em detalhes cotidianos, encontros “casuais” e convites à escuta atenta da palavra de Deus.
O capítulo toca em temas que podem despertar questões sensíveis:
Sensação de inadequação e baixa autoestima: A fala de Saul sobre ser da menor tribo e de uma família pequena (v. 21) pode ecoar em pessoas que se sentem inferiores, incapazes ou indignas de responsabilidades. Em contextos de sofrimento psíquico, isso pode aprofundar sentimentos de menos-valia se interpretado como exigência de grandeza.
Pressão do chamado e expectativas alheias: A ideia de ser alvo do "desejo de Israel" (v. 20) pode remeter à pressão de corresponder a papéis familiares, sociais ou religiosos. Pessoas em burnout, exaustão emocional ou crise vocacional podem se sentir sobrecarregadas ao se identificar com Saul.
Imagem corporal e comparações: A ênfase na beleza e estatura de Saul (v. 2) pode acionar comparações dolorosas em quem lida com distorções de autoimagem ou histórico de bullying e rejeição. Há risco de ler o texto como se Deus escolhesse apenas quem se encaixa em padrões externos.
Experiências de perda e busca frustrada: A longa procura pelas jumentas (v. 3-5) pode ressoar em quem vive lutos, perdas materiais ou relacionais, ou se sente preso em ciclos de esforço sem resultado. Em quadros de depressão ou ansiedade, isso pode reforçar a sensação de cansaço e falta de sentido.
Religião compulsiva ou medo de não agradar a Deus: A prática de procurar o “homem de Deus” com oferta em mãos (v. 7-8) pode, em algumas leituras, reforçar a ideia de que é preciso pagar ou merecer orientação divina, o que pode alimentar culpa e medo em pessoas já vulneráveis espiritualmente.
Em contextos de sofrimento emocional, é importante que esse capítulo seja abordado com sensibilidade, destacando o cuidado soberano e gracioso de Deus, e não como peso adicional de desempenho ou perfeição.
1 Samuel 9 inspira algumas aplicações práticas para a vida cotidiana:
Valorizar a fidelidade nas tarefas comuns: Saul estava apenas obedecendo ao pai e procurando jumentas, algo simples e trabalhosa-mente comum. A narrativa encoraja a viver com seriedade os deveres diários, confiando que Deus pode usar o ordinário para abrir caminhos inesperados.
Buscar orientação sábia em tempos de incerteza: O servo de Saul sugere procurar o homem de Deus, mostrando abertura para receber ajuda espiritual. Na prática, isso aponta para a importância de recorrer à Escritura, à oração e a conselheiros piedosos diante de decisões difíceis.
Reconhecer a mão de Deus nas “coincidências”: O encontro exato no tempo e no lugar onde Samuel estava mostra que aquilo que parece acaso pode ser cuidado providencial. Isso estimula atenção e gratidão pela forma como relacionamentos, oportunidades e até contratempos podem ser instrumentos de direção divina.
Cultivar humildade diante de novas responsabilidades: A reação de Saul, lembrando sua origem modesta, destaca a necessidade de humildade em vez de arrogância quando surgem convites para liderar ou servir. A consciência de limitações pode ser saudável quando leva à dependência de Deus em vez de paralisar.
Honrar e encorajar vocações alheias: Samuel não apenas comunica a Saul o plano de Deus, mas também o honra publicamente e o trata com dignidade. Isso sugere a importância de identificar dons e chamadas em outras pessoas, encorajando-as com atitudes concretas e palavras que confirmam seu valor.
Dar espaço para ouvir a palavra de Deus: O gesto de Samuel, pedindo que o servo se afaste para falar a sós com Saul, ilustra a necessidade de criar momentos específicos de escuta atenta. Em meio à correria, é prático reservar tempo e silêncio para discernir direções à luz da voz de Deus.
A longa descrição da busca das jumentas mostra como Deus pode usar acontecimentos comuns e até frustrantes para realizar seus propósitos. Aos olhos humanos, Saul apenas cumpre uma tarefa doméstica; aos olhos de Deus, é o caminho para levá-lo ao encontro com Samuel e introduzir a nova fase da história de Israel. O detalhe narrativo reforça que nada escapa ao controle divino.
Quando Saul menciona ser da menor tribo (Benjamim) e de uma família pequena, ele expressa senso de pequenez social e política. Historicamente, Benjamim era uma tribo numericamente menor e marcada por crises anteriores. Isso destaca que a escolha de Saul não é explicada por grandeza humana, mas pela decisão soberana de Deus de exaltar o que é considerado pequeno.
O verso 9 é uma nota editorial que explica uma mudança na linguagem ao longo do tempo. Em um período mais antigo, o termo comum para alguém que recebia revelações de Deus era "vidente"; mais tarde, o termo "profeta" se tornou predominante. A explicação ajuda os leitores de uma época posterior a entenderem o título usado na narrativa antiga.
A refeição ligada ao sacrifício é um ato de comunhão e honra. Quando Samuel coloca Saul no lugar de destaque e manda trazer a peça de carne que havia sido reservada para ele, isso funciona como um sinal público de que Saul é separado para algo especial. A porção reservada simboliza o lugar que Deus está guardando para ele na história de Israel.
Quando Deus afirma que o clamor do povo chegou até Ele (v. 16), indica que a dor e a opressão enfrentadas por Israel, especialmente diante dos filisteus, não passaram despercebidas. Deus se mostra sensível ao sofrimento e age, levantando um líder para livramento. Isso reforça o caráter compassivo de Deus, que ouve e responde às aflições de seu povo.
1 Samuel 9 descreve uma caminhada longa, cansativa e cheia de incertezas: Saul e seu servo andando de lugar em lugar, sem encontrar as jumentas. Essa imagem carrega algo muito humano: o esforço que parece não dar em nada, a sensação de estar rodando em círculos. Mesmo assim, o texto revela que, por trás desse cansaço, Deus está conduzindo cada passo a um encontro que transformará a história. Emocionalmente, esse capítulo toca o sentimento de pequenez. Saul se vê como alguém da menor tribo, de uma família sem importância. Ao mesmo tempo, é alvo de honra inesperada, recebe lugar de destaque à mesa, é tratado por Samuel com respeito e cuidado. As palavras e gestos de Samuel funcionam como um abraço simbólico: alguém que talvez se sinta pequeno é lembrado de que tem valor e lugar preparado. Há também consolo na forma como Deus cuida de detalhes que pesam no coração. Antes mesmo de Saul perguntar, Samuel fala das jumentas e diz para não ocupar o coração com isso. Essa frase aponta para um Deus que conhece preocupações práticas, ansiedades simples, e que as coloca em perspectiva diante de algo maior que Ele está fazendo. Para quem se percebe cansado, confundido ou se sentindo menor, 1 Samuel 9 mostra um Deus que enxerga, escuta o clamor, prepara encontros e, com delicadeza, traz honra onde havia apenas anonimato. O cuidado de Deus se expressa tanto na orientação espiritual quanto na atenção às preocupações do cotidiano.
Do ponto de vista exegético, 1 Samuel 9 funciona como uma narrativa de chamada vocacional construída com forte ênfase na providência divina. A perda das jumentas não é mero detalhe rural, mas o dispositivo narrativo que põe o protagonista em movimento. O autor mostra um padrão típico da literatura bíblica: Deus age por meio de eventos aparentemente triviais para introduzir mudanças estruturais na história de Israel. A referência à tribo de Benjamim e à genealogia de Quis situa Saul em um contexto histórico específico. Dada a crise descrita em Juízes 19–21, a escolha de um benjamita como líder tem nuances teológicas: Deus restaura uma tribo outrora quase destruída, e a partir do pequeno estabelece uma casa real, ainda que temporária. A inserção editorial no versículo 9 sobre a terminologia "vidente"/"profeta" indica um texto que dialoga com leitores de outra época, explicando um termo já em desuso. Esse detalhe é relevante para estudos de redação e transmissão do livro, mostrando que a obra passou por edição posterior, mantendo, porém, a substância histórica da tradição. Teologicamente, o discurso divino a Samuel (vv. 15–17) destaca três elementos: envio (“te enviarei um homem”), unção (“o qual ungirás por capitão”) e propósito (“ele livrará o meu povo da mão dos filisteus”). A monarquia é apresentada como resposta ao clamor do povo e como instrumento de livramento militar, ainda que em um contexto mais amplo de tensão entre o desejo humano por um rei e o senhorio de Deus. Literariamente, a honra à mesa e a porção reservada funcionam como sinais simbólicos de eleição. A estrutura do capítulo, que culmina com a frase “te farei ouvir a palavra de Deus” (v. 27), prepara o leitor para a transição entre narrativa e ato ritual (a unção, no capítulo seguinte). Dessa forma, 1 Samuel 9 é um elo entre o pedido de um rei (cap. 8) e o estabelecimento formal da monarquia (cap. 10), combinando narrativa histórica, símbolo cultual e teologia da vocação.
Em termos práticos, 1 Samuel 9 mostra como a vida real — com obrigações familiares, problemas materiais e decisões do dia a dia — está entrelaçada com o propósito de Deus. Saul não saiu de casa para “mudar a história”; saiu para resolver um problema do pai. Isso lembra que responsabilidades simples, quando vividas com fidelidade, podem abrir portas que ninguém imagina. A figura do servo de Saul é um exemplo de como pessoas ao nosso redor podem nos apontar caminhos que sozinhos não enxergaríamos. Enquanto Saul pensa em voltar por preocupação com o pai, o servo sugere procurar o homem de Deus, oferece o pouco que tem e impulsiona a decisão. Em termos de vida prática, isso mostra o valor de ouvir conselhos, valorizar as contribuições de quem parece “menor” em posição, e estar aberto a orientações espirituais. O cuidado com honra e hospitalidade também é marcante. Samuel prepara lugar de destaque, reserva comida, dá atenção pessoal a Saul. Em contextos de liderança, isso sugere um estilo que não apenas transmite instruções, mas acolhe, encoraja e confirma o valor do outro com gestos concretos. Pequenos atos de honra podem fortalecer pessoas que se sentem inseguras diante de novas responsabilidades. Outra lição prática é lidar com preocupações em sua devida proporção. As jumentas eram importantes, mas Samuel mostra que aquele problema já estava resolvido e havia algo maior em jogo. No cotidiano, isso inspira a revisar prioridades: reconhecer quais preocupações já podem ser entregues ou ajustadas para não ofuscar direções mais amplas que surgem. Por fim, o convite de Samuel para que o servo se adiante e Saul fique para ouvir a palavra de Deus ilustra a necessidade de momentos de foco. Em uma agenda cheia de demandas, é sábio criar espaços específicos para refletir, ouvir conselhos e reavaliar o rumo da vida, permitindo que decisões não sejam guiadas apenas por pressão imediata, mas por propósito mais profundo.
1 Samuel 9 revela uma dinâmica profunda da caminhada espiritual: Deus conduz silenciosamente, por meio de situações comuns, rumo ao cumprimento de seu propósito eterno. A viagem de Saul atrás de jumentas é um retrato de como muitos percursos parecem dispersos, mas, sob o olhar de Deus, convergem para um ponto de encontro com sua vontade. O texto mostra um Deus que ouve o clamor do povo e responde levantando um líder. Isso aponta para uma verdade espiritual: a história de salvação não é abstrata; ela se desenrola em contextos concretos de opressão, medo e necessidade. A escolha de Saul, ainda que marcada por tensões posteriores, faz parte de um enredo maior que culminará na linhagem davídica e, em última instância, no Rei perfeito que viria muitos séculos depois. A reação de Saul, consciente de sua pequenez, ecoa uma postura espiritual importante: reconhecer limitações, história, fraquezas, e ainda assim ser alcançado por um chamado que vem de fora de si. A vocação, nesse sentido, é graça: não nasce da autoafirmação, mas da palavra que vem de Deus, interpretando e redirecionando a vida. Há também um movimento de intimidade espiritual: Samuel chama Saul para subir ao alto, comer com ele, conversar no eirado, e depois o separa do servo para ouvir a palavra de Deus em particular. Esse caminhar gradual simboliza a maneira como Deus conduz o coração do ser humano da esfera pública para um encontro mais profundo e pessoal com sua voz. Sob a perspectiva da eternidade, 1 Samuel 9 lembra que nenhum caminho é neutro: mesmo quando alguém parece apenas cumprir rotinas, existe a possibilidade de que Deus esteja abrindo espaço para um chamado mais profundo, seja para servir, liderar, ou simplesmente conhecer mais de perto o seu caráter. A vida espiritual amadurece quando se aprende a discernir a presença de Deus nas encruzilhadas discretas do cotidiano e a responder com humildade e disponibilidade ao que Ele revela passo a passo.
" E havia um homem de Benjamim, cujo nome era Quis, filho de Abiel, filho de Zeror, filho de Becorate, filho de Afia, filho de um homem de Benjamim; homem poderoso. "
" Este tinha um filho, cujo nome era Saul, moço, e tão belo que entre os filhos de Israel não havia outro homem mais belo do que ele; desde os ombros para cima sobressaía a todo o povo. "
" E perderam-se as jumentas de Quis, pai de Saul; por isso disse Quis a Saul, seu filho: Toma agora contigo um dos moços, e levanta-te e vai procurar as jumentas. "
" Passaram, pois, pela montanha de Efraim, e dali passaram à terra de Salisa, porém não as acharam; depois passaram à terra de Saalim, porém tampouco estavam ali; também passaram à terra de Benjamim, porém tampouco as acharam. "
" Vindo eles então à terra de Zufe, Saul disse para o seu moço, com quem ele ia: Vem, e voltemos; para que porventura meu pai não deixe de inquietar-se pelas jumentas e se aflija por causa de nós. "
" Porém ele lhe disse: Eis que há nesta cidade um homem de Deus, e homem honrado é; tudo quanto diz, sucede assim infalivelmente; vamo-nos agora lá; porventura nos mostrará o caminho que devemos seguir. "
" Então Saul disse ao seu moço: Eis, porém, se lá formos, que levaremos então àquele homem? Porque o pão de nossos alforjes se acabou, e presente nenhum temos para levar ao homem de Deus; que temos? "
" E o moço tornou a responder a Saul, e disse: Eis que ainda se acha na minha mão um quarto de um siclo de prata, o qual darei ao homem de Deus, para que nos mostre o caminho "
" (Antigamente em Israel, indo alguém consultar a Deus, dizia assim: Vinde, e vamos ao vidente; porque ao profeta de hoje, antigamente se chamava vidente). "
" Então disse Saul ao moço: Bem dizes; vem, pois, vamos. E foram-se à cidade onde estava o homem de Deus. "
" E, subindo eles à cidade, acharam umas moças que saíam a tirar água; e disseram-lhes: Está aqui o vidente? "
" E elas lhes responderam, e disseram: Sim, eis aí o tens diante de ti; apressa-te, pois, porque hoje veio à cidade; porquanto o povo tem hoje sacrifício no alto. "
" Entrando vós na cidade, logo o achareis, antes que suba ao alto para comer; porque o povo não comerá, até que ele venha; porque ele é o que abençoa o sacrifício, e depois comem os convidados; subi, pois, agora, que hoje o achareis. "
" Subiram, pois, à cidade; e, vindo eles no meio da cidade, eis que Samuel lhes saiu ao encontro, para subir ao alto. "
" Porque o Senhor revelara isto aos ouvidos de Samuel, um dia antes que Saul viesse, dizendo: "
" Amanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por capitão sobre o meu povo de Israel, e ele livrará o meu povo da mão dos filisteus; porque tenho olhado para o meu povo; porque o seu clamor chegou a mim. "
" E quando Samuel viu a Saul, o Senhor lhe respondeu: Eis aqui o homem de quem eu te falei. Este dominará sobre o meu povo. "
" E Saul se chegou a Samuel no meio da porta, e disse: Mostra-me, peço-te, onde está a casa do vidente. "
" E Samuel respondeu a Saul, e disse: Eu sou o vidente; sobe diante de mim ao alto, e comei hoje comigo; e pela manhã te despedirei, e tudo quanto está no teu coração, to declararei. "
" E quanto às jumentas que há três dias se te perderam, não ocupes o teu coração com elas, porque já se acharam. E para quem é todo o desejo de Israel? Porventura não é para ti, e para toda a casa de teu pai? "
" Então respondeu Saul, e disse: Porventura não sou eu filho de Benjamim, da menor das tribos de Israel? E a minha família a menor de todas as famílias da tribo de Benjamim? Por que, pois, me falas com semelhantes palavras? "
" Porém Samuel tomou a Saul e ao seu moço, e os levou à câmara; e deu-lhes lugar acima de todos os convidados, que eram uns trinta homens. "
" Então disse Samuel ao cozinheiro: Dá aqui a porção que te dei, de que te disse: Põe-na à parte contigo. "
" Levantou, pois, o cozinheiro a espádua, com o que havia nela, e pô-la diante de Saul; e disse Samuel: Eis que o que foi reservado está diante de ti. Come; porque se guardou para ti para esta ocasião, dizendo eu: Tenho convidado o povo. Assim comeu Saul aquele dia com Samuel. "
" Então desceram do alto para a cidade; e falou com Saul sobre o eirado. "
" E se levantaram de madrugada; e sucedeu que, quase ao subir da alva, chamou Samuel a Saul ao eirado, dizendo: Levanta-te, e despedir-te-ei. Levantou-se Saul, e saíram ambos para fora, ele e Samuel. "
" E, descendo eles para a extremidade da cidade, Samuel disse a Saul: Dize ao moço que passe adiante de nós (e passou); porém tu espera agora, e te farei ouvir a palavra de Deus. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.