Gênesis 45 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Gênesis 45 na sua vida hoje

28 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Gênesis 45?

Gênesis 45 relata o momento em que José finalmente revela sua identidade a seus irmãos, após anos de separação e sofrimento. Em meio a um choro intenso, ele escolhe o caminho do perdão, reconhecendo que Deus usou até a traição de seus irmãos para preservar a vida de muitos durante a fome. José consola os irmãos, organiza a mudança de toda a família para o Egito e Faraó confirma essa decisão com grande generosidade. O capítulo termina com o espanto e a alegria de Jacó ao descobrir que José está vivo e governando no Egito, reacendendo sua esperança.

Temas principais em Gênesis 45

Perdão e reconciliação familiar (versículos 1-5, 14-15)

José, agora em posição de poder, poderia vingar-se de seus irmãos, mas escolhe perdoar, abraçar e chorar com eles. A hostilidade do passado dá lugar a restauração, beijo e conversa fraterna, mostrando um retrato poderoso de reconciliação.

Versículos-chave: 4, 5, 15

Soberania de Deus sobre o mal humano (versículos 5-8)

Embora os irmãos tenham vendido José por maldade, ele interpreta sua história à luz do propósito de Deus: foi o Senhor quem o enviou adiante para preservação da vida e grande livramento, inclusive colocando-o como regente no Egito.

Versículos-chave: 5, 7, 8

Providência em tempos de crise (versículos 6-11, 18-23)

Em meio a sete anos de fome, Deus já havia preparado recursos por meio de José. A mudança da família para Gósen garante abrigo, alimento e futuro, revelando a providência divina que antecipa e sustenta em meio à escassez.

Versículos-chave: 6, 7, 11, 18

Restauração da esperança de Jacó (versículos 25-28)

Jacó, que vivia anos de luto pela perda de José, quase não acredita na notícia de que o filho vive. Ao ouvir as palavras de José e ver os carros enviados, seu espírito revive e sua esperança é reacendida.

Versículos-chave: 26, 27, 28

Graça imerecida e favor real (versículos 16-23)

Os irmãos que haviam praticado o mal agora recebem roupas, prata, mantimentos, carros e o melhor da terra do Egito. Essa abundância imerecida reflete a graça que alcança pessoas marcadas por erros passados.

Versículos-chave: 18, 20, 22

Contexto histórico e literario

Gênesis 45 se situa no final do segundo milênio a.C., no contexto da permanência de José no Egito durante um período de grande fome no Oriente Próximo. Após ter sido vendido como escravo por seus irmãos, José passou pela casa de Potifar, prisão e, por fim, ascensão ao cargo de governador sob Faraó, responsável por administrar os anos de fartura e de escassez (Gn 41). A fome atinge também Canaã, forçando os filhos de Jacó a viajarem ao Egito para comprar mantimentos.

Este capítulo descreve a terceira fase do encontro entre José e seus irmãos. Antes, ele havia testado o arrependimento deles, especialmente em relação à proteção de Benjamim. Agora, com a prova da mudança de atitude dos irmãos, José se revela. O local é provavelmente a corte egípcia em Mênfis ou próximo, onde José servia ao Faraó. A terra de Gósen, mencionada como novo lugar de moradia da família de Jacó, ficava na região oriental do delta do Nilo, fértil e apropriada para pastoreio, ao mesmo tempo próxima e distinta do restante da população egípcia.

A generosidade de Faraó para com a família de José reflete o valor político e econômico de José para o Egito. A oferta do “melhor da terra” mostra que a influência de José favorece diretamente a sobrevivência e o crescimento do clã de Jacó, preparando o cenário para a futura formação do povo de Israel dentro do Egito.

Estrutura de Gênesis 45

Gênesis 45 apresenta uma narrativa altamente emocional e teologicamente densa, que pode ser organizada em blocos:

  1. Revelação de José e explosão emocional (vv. 1-4)
    José manda sair todos os egípcios, eleva a voz em choro e se identifica aos irmãos. O clima é de choque, medo e surpresa.

  2. Interpretação teológica dos eventos e consolação (vv. 5-8)
    José reinterpreta a traição dos irmãos dentro do plano de Deus, insistindo que foi o Senhor quem o enviou para preservação da vida, não eles.

  3. Convite à mudança para o Egito e promessa de provisão (vv. 9-13)
    José instrui os irmãos a voltarem a Jacó, anuncia sua posição no Egito e convida toda a família a descer para Gósen, garantindo sustento durante os anos de fome.

  4. Abraços, lágrimas e reconciliação plena (vv. 14-15)
    A narrativa destaca o abraço com Benjamim, o choro e os beijos em todos os irmãos, culminando em diálogo fraterno.

  5. Reação da corte egípcia e decreto de Faraó (vv. 16-20)
    A notícia chega à casa de Faraó, que responde com benevolência, oferecendo o melhor da terra, carros e fartura para a família de José.

  6. Entrega de presentes, recursos e despedida (vv. 21-24)
    José entrega carros, roupas, prata, mantimentos e exorta os irmãos a não contenderem pelo caminho, sinalizando cuidado com a unidade familiar.

  7. Anúncio a Jacó e reviver da esperança (vv. 25-28)
    Os filhos comunicam a Jacó que José vive e é regente no Egito. Após a incredulidade inicial, a visão dos carros e o relato completo revigoram o espírito de Jacó, que decide ir ver o filho.

Significado teológico

Gênesis 45 oferece uma das exposições mais claras da soberania de Deus atuando por meio de decisões humanas, inclusive pecaminosas. O pecado dos irmãos de José não é minimizado, mas é enquadrado por uma perspectiva maior: Deus é apresentado como aquele que envia, preserva e governa a história. A frase “Deus me enviou adiante de vós” se repete, sublinhando que a mão divina não está ausente nos bastidores, mas conduzindo até a preservação da descendência que carregava as promessas feitas a Abraão.

O capítulo também revela o poder transformador do perdão. José, vítima da injustiça, reflete o caráter de Deus ao escolher restaurar, e não destruir, os culpados. Essa atitude é um prenúncio da graça que, ao longo das Escrituras, se manifestará de forma ainda mais plena. A reação de José ilustra como uma visão teológica correta – reconhecer a providência e o propósito de Deus – pode produzir um coração pronto a perdoar e reconciliar.

Além disso, há um elemento de cumprimento progressivo das promessas: a família de Jacó é preservada em meio à fome, apontando para a fidelidade de Deus ao plano de formar um povo. A mudança para o Egito, ainda que aparentemente apenas uma estratégia de sobrevivência, faz parte do caminho que levará ao Êxodo e à revelação de Deus como libertador. Assim, Gênesis 45 conecta a dor do passado, a crise do presente e a esperança futura em um único fio de propósito divino.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo oferece um quadro profundamente terapêutico para experiências de dor familiar, traição, perda e reconciliação. O choro de José, descrito de forma intensa, legitima emoções profundas e atrasadas. Anos de sofrimento, silêncio e separação encontram expressão em lágrimas públicas, mostrando que até pessoas fortes e influentes podem e precisam chorar.

Ao reinterpretar sua história sob a ótica da providência divina, José não apaga o trauma, mas o insere em um contexto maior. Esse movimento interno é semelhante a processos terapêuticos de ressignificação: a experiência dolorosa continua real, mas ganha um novo sentido, o que diminui o peso da culpa, do ressentimento e do desespero. Em vez de se fixar apenas na injustiça, José enxerga um propósito de preservação que o ajuda a perdoar.

A reconciliação com os irmãos mostra que relações profundamente quebradas podem ser restauradas, desde que haja arrependimento, mudança real e disposição de acolher e perdoar. Ao mesmo tempo, a reação de Jacó evidencia o impacto da boa notícia sobre um coração cansado: a esperança renova o ânimo, e o espírito abatido “revive”. Gênesis 45, assim, traz consolo a quem carrega lutos, conflitos e histórias difíceis, apontando para a possibilidade de cura, reaproximação e novo começo.

warning Importante: maus usos comuns

  • Traição e abandono familiar antigos que ainda impactam emoções presentes, como no caso de José e seus irmãos.
  • Culpa intensa e vergonha relacionadas a decisões passadas, exemplificadas pelo medo e espanto dos irmãos ao se verem diante de José.
  • Luto prolongado e esperança esmagada, como Jacó que vivia muitos anos sob a impressão de ter perdido o filho.
  • Tendência a minimizar a dor em nome de uma espiritualização apressada, sem reconhecer o sofrimento real antes da ressignificação.
  • Risco de uso distorcido da ideia de providência para justificar abusos ou evitar enfrentamento saudável de injustiças.
  • Conflitos familiares não resolvidos que podem ressurgir em momentos de crise, especialmente em contextos de mudança, viagens ou decisões importantes.

Aplicação prática para hoje

  • Reconhecer que emoções profundas, como o choro de José, podem ser expressão saudável de cura e não sinal de fraqueza.
  • Praticar a ressignificação da própria história, buscando enxergar como Deus pode ter trabalhado mesmo em situações dolorosas, sem negar a realidade do sofrimento.
  • Cultivar um coração disposto ao perdão, seguindo o exemplo de José, que escolheu reconciliar-se com os irmãos em vez de buscar vingança.
  • Valorizar a unidade familiar, evitando contendas desnecessárias, como o conselho de José: “Não contendais pelo caminho”.
  • Planejar e cuidar da provisão em tempos difíceis, reconhecendo que prudência e fé caminham juntas, assim como José se preparou para a fome.
  • Permitir que boas notícias e sinais concretos de cuidado divino renovem a esperança, assim como o espírito de Jacó reviveu ao ver os carros e ouvir as palavras de José.
  • Responder à culpa do passado com arrependimento e abertura à restauração, em vez de permanecer paralisado pelo medo.
  • Aprender a usar posições de influência e poder para servir e preservar vidas, seguindo o padrão de liderança de José.

Perguntas frequentes

Por que José mandou sair todos os egípcios antes de se revelar aos irmãos?

José desejava um momento íntimo e familiar para se revelar, sem expor publicamente a vergonha e o pecado de seus irmãos diante dos egípcios. Isso demonstra sensibilidade, cuidado com a honra deles e o desejo de preservar a reconciliação em um ambiente seguro. Além disso, o choro de José foi tão intenso que, mesmo sem estarem presentes, os egípcios e a casa de Faraó acabaram ouvindo.

Como José consegue afirmar que foram Deus e não os irmãos que o enviaram ao Egito?

José não nega que os irmãos o tenham vendido por maldade, mas enxerga, por trás desse ato, a mão soberana de Deus conduzindo os acontecimentos. Ele entende que Deus transformou um mal em instrumento de preservação da vida de muitos, inclusive da própria família. Assim, no plano humano, os irmãos o venderam; no plano divino, Deus o enviou com um propósito maior.

O que é a terra de Gósen mencionada no capítulo?

A terra de Gósen era uma região fértil no delta oriental do Nilo, apropriada para pastoreio. Ao oferecer Gósen, Faraó está garantindo à família de Jacó um lugar privilegiado, com boas condições para seus rebanhos, proximidade de José e certa separação cultural dos egípcios. É ali que a família de Jacó crescerá e se tornará um povo numeroso.

Por que Benjamim recebe presentes maiores do que os outros irmãos?

Benjamim era o irmão mais novo de José e o único filho de Raquel ainda com Jacó. Havia um laço especial entre eles, pois compartilhavam a mesma mãe e uma história marcada pela perda de José. Ao dar a Benjamim trezentas peças de prata e cinco mudas de roupas, José expressa afeto particular, sem deixar de abençoar também os outros irmãos com roupas e recursos.

O que significa a frase de José: “Não contendais pelo caminho”?

Essa frase pode sugerir que José conhecia a tendência dos irmãos de discutirem e se acusarem mutuamente, principalmente ao lembrar da venda passada. Ele os incentiva a não alimentar brigas, culpa ou recriminações durante a viagem de volta. O foco deveria ser a missão de trazer Jacó e a família para o Egito, num clima de reconciliação e não de conflito.

Por que o coração de Jacó “desmaiou” ao ouvir que José ainda vivia?

Jacó havia carregado por muitos anos o luto pela suposta morte de José, acreditando nas evidências apresentadas pelos filhos no passado. Receber a notícia de que José vive e ainda é regente do Egito era algo tão inesperado e grandioso que inicialmente pareceu inacreditável. Seu coração “desmaiou” no sentido de ficar abalado e incrédulo, até que as evidências e o relato completo o convenceram.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Gênesis 45 é um capítulo inundado de lágrimas, abraços e emoções profundamente humanas. O choro de José, tão intenso que ecoa pela casa de Faraó, mostra um coração que por muito tempo carregou dor, saudade e talvez até memórias traumáticas. Não é um choro controlado, frio ou contido; é um choro que finalmente encontra espaço para sair, depois de anos de espera, injustiça e separação. Há uma beleza delicada no modo como José trata seus irmãos. Em vez de humilhá-los diante dos egípcios, ele manda todos saírem e cria um ambiente íntimo para revelar sua identidade. Ele vê o medo e a culpa estampados no rosto deles, e responde não com dureza, mas com consolo: “não vos entristeçais… porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós”. A dor é reconhecida, mas não é o fim da história. Os abraços em Benjamim e nos outros irmãos, acompanhados de lágrimas e beijos, mostram que vínculos quebrados podem ser reconstruídos. As emoções ali não são simples: misturam alívio, arrependimento, alegria e memória do sofrimento. Mesmo assim, a reconciliação é possível. E o coração de Jacó, cansado de tantos anos de luto, volta a viver quando descobre que o filho está vivo. Sua alma abatida encontra um novo fôlego, provando que a esperança pode ser reacesa mesmo depois de uma longa noite. Este capítulo ressoa com quem carrega dores antigas na família, perdas, separações ou histórias que pareciam sem reparo. Ele retrata um Deus que não ignora lágrimas, que acompanha cada capítulo doloroso e que, no tempo certo, pode transformar luto em surpresa de graça e reencontro. A emoção de José, dos irmãos e de Jacó revela que o caminho da cura passa por lágrimas verdadeiras, por perdão sincero e por uma esperança que se apoia no cuidado constante de Deus.

Mind
Mind

Em Gênesis 45, a narrativa atinge um clímax teológico e literário dentro do ciclo de José. A estrutura do capítulo destaca três movimentos principais: revelação, interpretação e reconciliação. Primeiro, José se faz conhecer (vv. 1-4); segundo, ele interpreta o passado à luz da ação de Deus (vv. 5-8); terceiro, seguem-se as instruções práticas e a restauração dos laços familiares (vv. 9-28). Do ponto de vista teológico, o ponto central do texto é a afirmação repetida de que “Deus me enviou adiante de vós”. O autor mostra que a história de José não é apenas uma sucessão de eventos humanos, mas um fio cuidadosamente guiado pela providência divina. As ações más dos irmãos são reais, mas o narrador enfatiza que, acima delas, está o propósito de Deus: preservar a vida, garantir a continuidade da “sucessão” (descendência) e cumprir as promessas feitas a Abraão. Historicamente, a referência à fome de sete anos, às estruturas administrativas do Egito e à concessão de terras como Gósen se adequa ao contexto do antigo Oriente Próximo. A benevolência de Faraó com a família de José evidencia como a posição política de José se torna instrumental para a história do povo de Israel. A narrativa prepara o leitor para a transição de uma família patriarcal para um povo numeroso estabelecido em solo estrangeiro. Literariamente, o texto usa repetição, paralelismos e contrastes. Antes, os irmãos haviam despido José da sua túnica; agora, ele lhes dá mudas de roupas, invertendo o símbolo de vergonha em símbolo de honra. O silêncio culpado do passado dá lugar ao diálogo (v. 15). A mentira sobre a morte de José, contada a Jacó, é substituída pela verdade que revive o espírito do patriarca. O autor, assim, entrelaça a dimensão emocional com a teológica, mostrando que compreender a mão de Deus na história é chave para a reconciliação entre as pessoas. Outro aspecto relevante é a tensão entre responsabilidade humana e soberania divina. O texto não desculpa o pecado dos irmãos, mas apresenta um padrão que será aprofundado em outras partes da Escritura: Deus é capaz de usar o mal humano para fins redentores. Gênesis 45, portanto, não é apenas uma história de família, mas uma lente para interpretar a relação entre providência, sofrimento e promessa na narrativa bíblica como um todo.

Life
Life

Gênesis 45 retrata uma situação altamente prática: uma família em crise, marcada por erros graves do passado, precisa lidar com uma nova realidade em meio a uma calamidade econômica. O capítulo mostra caminhos concretos de como relações e decisões podem ser reorganizadas. Primeiro, José lida com um conflito antigo de forma madura. Ele não nega o que os irmãos fizeram, mas, em vez de usar sua posição para revidar, escolhe restaurar. Isso revela um princípio importante para situações de poder e influência: usar autoridade para proteger e servir, não para punir por vingança. Na vida cotidiana, isso inspira líderes, pais, chefes e qualquer pessoa com responsabilidade a agirem com generosidade e visão ampla. Segundo, o texto mostra que reconciliação não é apenas sentimento, mas também ação. José organiza transporte, mantimentos, roupas, recursos financeiros e um lugar seguro para a família se estabelecer. O perdão aqui vem acompanhado de provisão concreta. Em muitas relações, pedir desculpas é um passo, mas restaurar confiança exige atitudes consistentes, planejamento e cuidado real com o bem-estar do outro. Terceiro, o conselho “Não contendais pelo caminho” é um alerta prático a respeito de como velhos conflitos podem ressurgir justamente em momentos de mudança e transição. O capítulo sugere a importância de manter a unidade e evitar discussões destrutivas em períodos críticos, quando decisões importantes precisam ser tomadas rapidamente. Além disso, a prudência de preparar-se para a fome, vivida nos capítulos anteriores, aparece aqui como proteção para toda a família. Gênesis 45 reforça que fé não exclui responsabilidade: confiar em Deus inclui planejar, usar bem recursos, aceitar ajuda e ser flexível para mudanças, como uma possível mudança de país ou de região por necessidade. Por fim, a renovação da esperança de Jacó mostra como notícias de vida podem transformar a disposição de uma pessoa cansada. Em contextos familiares de longa duração, aquilo que parecia definitivamente perdido pode, às vezes, ser parcialmente restaurado. Este capítulo inspira a não alimentar brigas sem fim, a buscar reconciliação possível, a assumir responsabilidade pelos erros e a construir, com gestos concretos, um futuro mais saudável para toda a casa.

Soul
Soul

Gênesis 45 oferece um olhar profundo sobre como Deus conduz a história de forma a cumprir propósitos eternos, mesmo por caminhos que, à primeira vista, parecem marcados apenas pela injustiça e pelo sofrimento. A expressão de José, repetida algumas vezes, de que Deus o enviou adiante para preservar uma “sucessão” na terra, conecta diretamente essa narrativa ao plano maior de Deus de formar um povo por meio de Abraão, Isaque e Jacó. Há aqui um mistério espiritual: o mal praticado pelos irmãos não é ignorado, mas é envolvido por um propósito maior. Deus não é autor do pecado, mas é soberano sobre o curso da história, capaz de transformar o que era instrumento de destruição em caminho de salvação. A sobrevivência da família de Jacó, em meio à fome, não é apenas um detalhe; é a preservação da linhagem por meio da qual, um dia, viria o Redentor prometido. O cuidado com aquela família é parte da preparação de um cenário muito mais amplo. Espiritualmente, o perdão de José é um reflexo do coração de Deus, que insiste em restaurar, perdoar e reconciliar. A cena em que José abraça e beija irmãos que o haviam traído antecipa, de forma limitada, a realidade da graça: culpados recebem favor imerecido, fome é suprida, vergonha é coberta com novas vestes. Esses elementos ressoam com temas que serão desenvolvidos ao longo de toda a revelação bíblica, inclusive na oferta de salvação em Cristo. Para a alma, Gênesis 45 ensina que a história pessoal e familiar não está desconectada da história eterna de Deus. Lutas, perdas e até pecados podem ser colocados nas mãos do Senhor, que sabe conduzir tudo rumo a um fim de redenção. A decisão de José de enxergar sua vida a partir da perspectiva de Deus transformou não só sua atitude em relação aos irmãos, mas o destino de uma nação inteira. A reação final de Jacó, cujo espírito “revive” ao saber que o filho está vivo, também guarda um eco espiritual maior. A notícia de que aquele que se supunha morto está, na verdade, vivo e exaltado, enche seu coração de sentido e propósito renovado. Assim, Gênesis 45 aponta para uma esperança que atravessa a morte, para uma vida que vence a perda, e para um Deus que, em última análise, escreve histórias de salvação em meio às páginas mais escuras da vida humana.

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Versículos em Gênesis 45

Gênesis 45:1

" Então José não se podia conter diante de todos os que estavam com ele; e clamou: Fazei sair daqui a todo o homem; e ninguém ficou com ele, quando José se deu a conhecer a seus irmãos. "

Gênesis 45:3

" E disse José a seus irmãos: Eu sou José; vive ainda meu pai? E seus irmãos não lhe puderam responder, porque estavam pasmados diante da sua face. "

Gênesis 45:4

" E disse José a seus irmãos: Peço-vos, chegai-vos a mim. E chegaram-se; então disse ele: Eu sou José vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. "

Gênesis 45:5

" Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. "

Gênesis 45:6

" Porque já houve dois anos de fome no meio da terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem sega. "

Gênesis 45:7

" Pelo que Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento. "

Gênesis 45:7 mostra que Deus usou o sofrimento de José para proteger sua família da fome. O versículo ensina que situações injustas, como uma demissão, …

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Gênesis 45:8

" Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como regente em toda a terra do Egito. "

Gênesis 45:9

" Apressai-vos, e subi a meu pai, e dizei-lhe: Assim tem dito o teu filho José: Deus me tem posto por senhor em toda a terra do Egito; desce a mim, e não te demores; "

Gênesis 45:10

" E habitarás na terra de Gósen, e estarás perto de mim, tu e os teus filhos, e os filhos dos teus filhos, e as tuas ovelhas, e as tuas vacas, e tudo o que tens. "

Gênesis 45:11

" E ali te sustentarei, porque ainda haverá cinco anos de fome, para que não pereças de pobreza, tu e tua casa, e tudo o que tens. "

Gênesis 45:13

" E fazei saber a meu pai toda a minha glória no Egito, e tudo o que tendes visto, e apressai-vos a fazer descer meu pai para cá. "

Gênesis 45:16

" E esta notícia ouviu-se na casa de Faraó: Os irmãos de José são vindos; e pareceu bem aos olhos de Faraó, e aos olhos de seus servos. "

Gênesis 45:17

" E disse Faraó a José: Dize a teus irmãos: Fazei isto: carregai os vossos animais e parti, tornai à terra de Canaã. "

Gênesis 45:18

" E tornai a vosso pai, e às vossas famílias, e vinde a mim; e eu vos darei o melhor da terra do Egito, e comereis da fartura da terra. "

Gênesis 45:19

" A ti, pois, é ordenado: Fazei isto: tomai vós da terra do Egito carros para vossos meninos, para vossas mulheres, e para vosso pai, e vinde. "

Gênesis 45:21

" E os filhos de Israel fizeram assim. E José deu-lhes carros, conforme o mandado de Faraó; também lhes deu comida para o caminho. "

Gênesis 45:22

" A todos lhes deu, a cada um, mudas de roupas; mas a Benjamim deu trezentas peças de prata, e cinco mudas de roupas. "

Gênesis 45:22 mostra José presenteando seus irmãos e dando ainda mais a Benjamim, expressando amor especial, restauração e provisão após uma história de traição. O …

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Gênesis 45:23

" E a seu pai enviou semelhantemente dez jumentos carregados do melhor do Egito, e dez jumentos carregados de trigo e pão, e comida para seu pai, para o caminho. "

Gênesis 45:26

" Então lhe anunciaram, dizendo: José ainda vive, e ele também é regente em toda a terra do Egito. E o seu coração desmaiou, porque não os acreditava. "

Gênesis 45:27

" Porém, havendo-lhe eles contado todas as palavras de José, que ele lhes falara, e vendo ele os carros que José enviara para levá-lo, reviveu o espírito de Jacó seu pai. "

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