Gênesis 24:1
" E era Abraão já velho e adiantado em idade, e o SENHOR havia abençoado a Abraão em tudo. "
Entenda os temas principais e aplique Gênesis 24 na sua vida hoje
67 versículos | Almeida Corrigida Fiel
A escolha da esposa de Isaque é tratada como assunto espiritual, conduzido por oração, promessa e confiança na ação do Senhor. O servo busca sinais claros, mas fundamentados no caráter de Deus e na promessa já feita a Abraão.
Tudo acontece em alinhamento com a promessa de Deus a Abraão sobre a descendência e a terra. O envio do anjo, a providência no caminho e a resposta rápida à oração revelam um Deus que permanece fiel àquilo que falou.
Abraão confia no Senhor e estabelece limites claros; o servo obedece, ora, espera e testemunha; Rebeca mostra prontidão em servir e em partir. A história mostra um conjunto de pessoas respondendo com obediência à direção divina.
O sinal pedido pelo servo não envolve apenas beleza, mas generosidade e disposição para servir. A hospitalidade da família e o cuidado com os camelos mostram que o caráter e a bondade são centrais na formação desse casamento.
O encontro de Isaque e Rebeca não é descrito como mero acaso, mas como resultado da condução de Deus. Desde a busca até o consolo de Isaque, o casamento aparece como parte do cumprimento do plano divino.
Gênesis 24 se passa no período patriarcal, quando Abraão já está em idade avançada, provavelmente no século XIX–XVIII a.C. Abraão vive em Canaã, terra prometida por Deus à sua descendência, mas a sua parentela permanece na região da Mesopotâmia, na cidade associada a Naor, irmão de Abraão. Nesse contexto, casamentos arranjados dentro do mesmo clã eram comuns para preservar identidade familiar, fé e alianças.
O servo (tradicionalmente identificado por muitos como Eliézer, embora o texto não o nomeie aqui) tem posição elevada, governando todos os bens de Abraão (v. 2, 10). O juramento de pôr a mão debaixo da coxa era um costume antigo de selar promessas solenes, ligado à posteridade do patriarca. A viagem até a Mesopotâmia era longa e perigosa, por isso o envio de dez camelos mostra a riqueza de Abraão e serve como caravaneamento de segurança e apresentação social.
Poços eram centros de encontro e vida nas cidades do Antigo Oriente. Jovens mulheres buscavam água ao entardecer, e era um lugar típico de interação entre famílias e de possíveis alianças matrimoniais. A preocupação de Abraão em não escolher uma esposa cananeia está ligada à preservação da fé e à separação dos costumes idólatras do povo da terra. A bênção dada a Rebeca (v. 60) ecoa fórmulas de bênção patriarcal, falando de “milhares de milhares” e de possuir a porta dos inimigos, linguagem que remete à promessa de Deus de uma descendência numerosa e vitoriosa.
O capítulo é um relato narrativo extenso e bem estruturado, com ritmo lento e muitos detalhes, típico da literatura patriarcal. É possível observar a seguinte estrutura:
Introdução e missão do servo (24:1-9)
Viagem do servo e oração por direção (24:10-14)
Encontro com Rebeca e confirmação do sinal (24:15-21)
Identidade de Rebeca e adoração do servo (24:22-28)
Hospitalidade da família e relato do servo (24:29-49)
Decisão da família e confirmação da vontade de Deus (24:50-54)
Partida de Rebeca e bênção familiar (24:55-61)
Encontro de Isaque e Rebeca e conclusão (24:62-67)
A repetição detalhada dos fatos no discurso do servo (vv. 34-49) intensifica a percepção da providência divina, mostrando como cada etapa é interpretada à luz da ação do Senhor.
Gênesis 24 apresenta um retrato rico da providência de Deus operando através de decisões humanas, oração e circunstâncias comuns. A escolha de uma esposa para Isaque não é apenas um evento familiar, mas parte do cumprimento da aliança abraâmica: por meio desse casamento, a linhagem da promessa será preservada.
A teologia da providência se destaca: Abraão confia que Deus enviará Seu anjo (v. 7, 40), o servo ora pedindo direção (v. 12-14, 42-44), e o texto repete que o Senhor guiou o caminho (v. 27, 48). Nada é apresentado como mero acaso: o tempo da chegada, a atitude de Rebeca, a resposta da família e até a disposição de Rebeca em partir são tratados como evidência de que “do Senhor procedeu este negócio” (v. 50).
O capítulo também mostra a importância da aliança e da santidade do povo de Deus. Abraão insiste que a esposa de Isaque não seja cananeia, refletindo a tensão entre viver em meio a outros povos e, ao mesmo tempo, permanecer distinto em fé e prática. A descendência prometida deve crescer dentro de um contexto de fé obediente.
Do ponto de vista espiritual, o texto destaca a relação entre oração e ação. O servo não fica passivo: ele ora com objetividade, mas também caminha, observa, testa, discerne e, quando percebe a mão de Deus, responde com adoração e testemunho. A fé se expressa em dependência de Deus e em diligência prática.
Além disso, o capítulo retrata o casamento como dom de Deus, lugar de consolo e amor (v. 67), inserido em um propósito maior. O relacionamento entre Isaque e Rebeca é apresentado como fruto da fidelidade de Deus a Abraão, mostrando que os vínculos familiares, sob a bênção divina, se tornam meio de consolo e continuidade da promessa.
Gênesis 24 oferece um cenário de transições importantes: Abraão envelhecido planejando o futuro do filho, um servo carregando grande responsabilidade, Rebeca deixando sua família e Isaque lidando com o luto da mãe. Em meio a tudo isso, o capítulo mostra que decisões críticas podem ser vividas com oração, confiança e senso de propósito.
Há elementos de cuidado emocional: Abraão organiza o futuro de Isaque; o servo verbaliza sua ansiedade diante do desconhecido em forma de oração; Rebeca é abençoada pela família antes de partir; e Isaque encontra consolo no novo vínculo conjugal. O texto toca em temas como medo do futuro, desprendimento, mudança de ciclo e consolo após perdas, oferecendo uma visão de que Deus acompanha cada passo, provê sinais no caminho e cria novos começos mesmo depois de grandes dores.
A narrativa também encoraja a reconhecer limites pessoais: Abraão admite que o servo pode ficar livre do juramento se a mulher não quiser segui-lo (v. 8), e o servo sabe que não controla todas as respostas (v. 41). Isso modela uma postura de responsabilidade sem controle absoluto, que pode aliviar sobrecarga e culpa em decisões complexas.
Algumas leituras acríticas deste texto podem gerar distorções nocivas emocionalmente e espiritualmente:
Pressão indevida em decisões importantes: a busca por “sinais” como os do servo pode ser interpretada de forma mágica, levando pessoas a angustiar-se por cada detalhe ou a ver qualquer coincidência como obrigação absoluta, sem senso de sabedoria, conselhos e responsabilidade pessoal.
Romantização de controle familiar: o capítulo descreve uma cultura em que os pais dirigem casamentos, mas não estabelece esse modelo como norma para todos os tempos. Usar essa narrativa para legitimar controle abusivo sobre decisões afetivas ou adultas contraria o cuidado e o respeito à vontade expressa de Rebeca, que é consultada e ouvida (v. 57-58).
Idealização irreal do casamento: o consolo de Isaque através do casamento (v. 67) não significa que um relacionamento romântico seja solução automática para luto, solidão ou traumas. A expectativa de que o casamento cure tudo pode gerar frustração, codependência e culpa.
Uso do texto para legitimar desigualdade de valor entre homens e mulheres: embora a narrativa reflita um contexto patriarcal, Rebeca aparece como personagem forte, ativa e decisiva. Ignorar isso e usar o texto para sustentar visão de inferioridade feminina distorce o retrato bíblico e pode alimentar dinâmicas de abuso.
Gênesis 24 inspira atitudes práticas em várias áreas da vida:
Decisões importantes com oração e responsabilidade: o servo ora com clareza, mas também se prepara, viaja, observa e avalia. A combinação entre dependência de Deus e diligência serve de modelo para decisões sobre carreira, relacionamento, mudanças e projetos.
Valorização de caráter acima de aparência: o sinal pedido destaca generosidade e serviço, não apenas beleza. Em relacionamentos, parcerias e amizades, essa prioridade no caráter oferece um critério mais sólido do que impressões superficiais.
Confiança nos processos de transição: Rebeca deixa sua casa, Isaque enfrenta o luto e Abraão prepara a próxima geração. Transições podem ser vividas com fé, abençoando quem vai, acolhendo quem chega e lembrando que Deus continua conduzindo a história.
Gratidão e adoração no meio do caminho: o servo adora a Deus ainda na etapa intermediária, quando percebe a direção divina (v. 26-27, 48). Cultivar gratidão à medida que pequenas confirmações surgem fortalece o coração e combate a ansiedade.
Respeito à liberdade e ao limite do outro: Abraão admite a possibilidade de a mulher não querer seguir (v. 8) e a família consulta Rebeca (v. 57-58). Isso encoraja a honrar a vontade e o tempo das pessoas, mesmo em decisões que nos são muito importantes.
Cuidado com o luto e novos começos: Isaque é consolado por meio de um novo vínculo saudável. Reconhecer que novos relacionamentos, projetos e responsabilidades podem coexistir com a memória de perdas é um passo importante em processos de recomeço.
Abraão queria preservar a identidade de fé e a promessa de Deus sobre sua descendência. Os cananeus eram conhecidos por práticas religiosas e morais contrárias ao Deus de Abraão. Ao buscar uma esposa entre seus parentes, ele visava uma união mais alinhada ao conhecimento do Senhor e à continuidade da aliança.
Esse tipo de juramento era um costume antigo ligado à descendência e à continuidade da promessa. A coxa, associada à força e à posteridade, simbolizava que a tarefa dizia respeito à futura geração de Abraão. O gesto enfatiza a seriedade da missão e o vínculo com a promessa divina sobre a descendência.
O texto apresenta o pedido do servo como expressão de fé e dependência, e Deus responde misericordiosamente. O sinal pedido não é arbitrário; está ligado ao caráter da mulher (serviço, generosidade). No entanto, o capítulo não estabelece uma regra rígida para todas as decisões, mas mostra que oração sincera, baseada no caráter de Deus e acompanhada de responsabilidade, é um caminho sábio.
Embora a iniciativa venha de Abraão e do servo, e a família de Rebeca participe da decisão, o texto deixa claro que ela é consultada: “Irás tu com este homem?” e ela responde: “Irei” (v. 58). Dentro do contexto cultural da época, isso mostra que sua vontade foi considerada e que ela aceitou de forma consciente.
A repetição do relato, especialmente no discurso do servo, serve para destacar a providência de Deus. Ao ouvir a história outra vez, com foco na sequência dos acontecimentos e nas respostas de Deus, o leitor é levado a reconhecer que nada foi acaso. O estilo lento e detalhado reforça a ideia de que o Senhor conduziu cada etapa desse casamento, crucial para a continuidade da promessa.
Gênesis 24 é uma história carregada de emoção silenciosa: um pai idoso organizando o futuro do filho, um servo que sente o peso da responsabilidade, uma jovem que deixa sua casa e um filho ainda de luto pela mãe. Em cada uma dessas figuras há sentimentos profundos: apreensão, medo do desconhecido, saudade, esperança. O servo não esconde sua necessidade. Ele transforma sua ansiedade em conversa com Deus: fala com simplicidade, pede cuidado, pede um sinal. E o texto mostra um Deus que responde antes mesmo de ele terminar a oração (v. 15). Essa rapidez não é uma regra de tempo, mas um retrato do cuidado atento de Deus com corações que, em meio à pressão, escolhem confiar. Rebeca entra na narrativa em plena rotina: indo buscar água, talvez sem imaginar que aquele dia mudaria sua história. Sua disposição em servir, em ir além do pedido mínimo, revela um coração generoso. E, ao ser consultada se quer ir, ela responde com firmeza: “Irei”. Há coragem nessa palavra, mas também pode haver medo misturado com fé. O texto, porém, faz questão de registrar que ela não vai sem bênção: é despedida com palavras de esperança sobre sua vida e sua descendência (v. 60). Isaque surge no final, em um momento delicado: ainda carrega a marca da perda de Sara. Ele está no campo, numa atitude de recolhimento e oração, quando enxerga ao longe os camelos. O casamento com Rebeca não apaga a dor, mas o texto diz que ele “foi consolado depois da morte de sua mãe” (v. 67). O consolo vem na forma de um novo vínculo de amor, de companhia e de cuidado. Esse capítulo mostra que, nos momentos em que a vida muda de rumo – por perda, novas responsabilidades ou grandes decisões – Deus não está distante. Ele vê o servo que teme errar, a filha que parte, o filho que chora e o pai que se preocupa. A história inteira é um lembrete de que o Senhor acompanha cada passo, prepara encontros, abre caminhos e, com delicadeza, vai construindo consolo e esperança em meio às vulnerabilidades do coração humano.
Do ponto de vista da interpretação bíblica, Gênesis 24 é um exemplo notável de narrativa teológica, onde a história do cotidiano (um casamento) é contada como cenário da ação soberana de Deus em favor da promessa. A estrutura enfatiza a providência divina por meio da repetição e da narração retrospectiva do servo, que funciona como uma espécie de “teologia em forma de testemunho”. Abraão é apresentado como patriarca de fé madura. Sua exigência de que a esposa de Isaque não seja cananeia deve ser lida à luz da promessa e da santidade: a descendência prometida precisa ser preservada de sincretismos e de alianças que desviem da adoração ao Deus único. Ao mesmo tempo, Abraão não força o futuro ao extremo; ele admite a possibilidade de insucesso e libera o servo do juramento se a mulher não quiser segui-lo (v. 8). Isso modela uma teologia que reconhece a soberania de Deus e o livre agir das pessoas. O servo é um personagem teologicamente central. Sua oração é cuidadosamente construída: ele reconhece Deus como “Deus de meu senhor Abraão”, clama por benevolência (hesed) e verdade (emet) e pede que sua jornada seja “prosperada” (v. 12, 27, 48). Essas palavras remetem à aliança, à fidelidade divina e à condução no “caminho da verdade”. O sinal solicitado não é um capricho, mas um teste de caráter: a mulher ideal será alguém que demonstra generosidade e prontidão em servir. A resposta imediata, coincidente com a chegada de Rebeca, cria um efeito literário de providência incontestável. Rebeca, por sua vez, não é apenas objeto do plano. Ela é apresentada com traços fortes: beleza e pureza (v. 16), iniciativa no serviço (v. 18-20), capacidade de decisão (v. 58) e disposição de deixar sua terra, tornando-se figura paralela a Abraão (ambos deixam a casa e caminham em direção à promessa). A bênção que ela recebe (v. 60) ecoa as promessas dadas a Abraão, o que a insere como peça importante na continuidade da história da salvação. O capítulo também contribui para a teologia bíblica do casamento. Embora o contexto seja patriarcal e distante das práticas contemporâneas, o texto o apresenta como união inserida na aliança, ligada à bênção de Deus e à preservação da promessa. O amor de Isaque por Rebeca (v. 67) e o consolo que ela traz ao seu luto sugerem um casamento que inclui afeição, cuidado e cura, não apenas conveniência social. Literariamente, o uso de diálogos extensos, cenas em torno do poço (lugar recorrente de encontros importantes nos patriarcas) e o fechamento com o casamento na tenda de Sara reforçam a continuidade da história: a nova geração assume o lugar da anterior, e a promessa segue adiante, sob o olhar do mesmo Deus que chamou Abraão no início do livro.
Gênesis 24 oferece uma série de princípios práticos para decisões, relacionamentos e transições de vida. A busca por uma esposa para Isaque é uma decisão estratégica para o futuro da família, e a forma como essa busca acontece revela um caminho equilibrado entre fé e responsabilidade. Abraão planeja com clareza: define critérios, explica o motivo das escolhas (não casar com cananeias) e comunica expectativas. Ao mesmo tempo, admite cenários em que as coisas podem não sair como planejado (v. 8). Na prática, isso se traduz em lidar com grandes decisões familiares com diálogo, objetivos claros e abertura para ajustes, sem rigidez extrema. O servo assume a tarefa com seriedade. Ele se prepara adequadamente, leva recursos, organiza a viagem, observa o contexto no poço e ora de forma específica. Ao invés de decidir apenas por aparência ou pressa, ele busca sinais de caráter – alguém disposto a servir mais do que o mínimo (v. 14, 19-20). Nos relacionamentos, parcerias de trabalho ou amizades, esse foco no caráter – generosidade, disposição para servir, hospitalidade – é muito mais seguro do que decisões baseadas somente em atração, status ou conveniência. A atitude de Rebeca também é prática e inspiradora: ela trabalha, serve, se esforça fisicamente para dar água até que os camelos terminem de beber, demonstra hospitalidade e prontidão. Depois, quando chamada a decidir sobre partir, responde com firmeza. Isso mostra uma pessoa que une generosidade e coragem, aspectos fundamentais para construir família, carreira e novos projetos. A família de Rebeca cumpre o papel de transição: acolhe o servo, avalia a situação, reconhece a mão de Deus no processo (v. 50-51) e abençoa Rebeca ao sair (v. 60). Há um equilíbrio entre cuidado (querem que ela fique alguns dias) e libertação (permitem que ela vá). Em contextos atuais, isso aponta para a importância de famílias que apoiam novas etapas, sem reter de forma possessiva aqueles que precisam seguir seu caminho. Por fim, a situação de Isaque mostra que novos ciclos podem brotar depois de perdas profundas. Ele não nega seu luto; o texto indica que Rebeca se torna instrumento de consolo. Na prática, a vida continua pedindo decisões, responsabilidades e abertura para novos vínculos, mesmo quando o coração ainda carrega saudade. Gênesis 24 sinaliza que é possível seguir avançando com respeito ao passado, mas sem ficar paralisado por ele.
Espiritualmente, Gênesis 24 é uma janela para a forma como Deus conduz a história da salvação por meio de eventos aparentemente comuns. A escolha da esposa de Isaque não é apenas um detalhe privado, mas um elo decisivo na cadeia da promessa que, séculos à frente, culminará no Messias. Ao cuidar desse casamento, Deus está cuidando de algo muito maior: o plano de redenção. Abraão, ao confiar que Deus enviaria Seu anjo adiante do servo (v. 7, 40), demonstra uma fé que não enxerga a realidade apenas no plano visível. Ele crê que o Senhor prepara caminhos antes mesmo da chegada. Essa visão amplia a perspectiva sobre decisões espirituais: não se trata apenas de “acontecimentos aleatórios”, mas de um Deus que age no bastidor, alinhando circunstâncias ao Seu propósito eterno. A oração do servo é um exemplo de espiritualidade encarnada. Ele ora no lugar exato onde precisa de intervenção, descreve sua necessidade, apela à benevolência e à verdade de Deus, e depois interpreta os acontecimentos à luz do caráter do Senhor. A espiritualidade amadurecida aprende a enxergar a vida como um diálogo contínuo com Deus, onde fatos concretos são discernidos como possíveis respostas, convites ou direções. Rebeca, ao deixar sua terra e sua família, assume um caminho que ecoa a jornada de Abraão: sair, confiar, ir. Isso é uma imagem de resposta à vocação divina, em que a pessoa abandona seguranças conhecidas para entrar num futuro sustentado pela promessa. Na dimensão da alma, essa atitude reflete a disposição de entregar o controle e seguir aquilo que Deus está construindo, mesmo sem conhecer todos os detalhes. O fim do capítulo destaca o consolo de Isaque (v. 67). A consolação não é apenas emocional; ela se insere no movimento de Deus que transforma luto em parte de um processo maior. Deus não apaga a história, mas a integra num plano de vida nova. Para a alma, isso aponta para a esperança de que o Senhor é capaz de usar inclusive as nossas perdas mais profundas como terreno em que Ele planta novos sinais de Sua fidelidade, sempre em vista de um destino final de plenitude. Assim, Gênesis 24 convida a ver cada capítulo da existência – decisões, viagens, encontros, despedidas – como partes de uma história que Deus está escrevendo. A promessa feita a Abraão continua avançando até chegar em Cristo, e, em Cristo, a vida de fé passa a ser também uma jornada guiada pelo mesmo Deus que enviou Seu anjo antes do servo: um Deus que prepara, chama, conduz e consola rumo ao cumprimento pleno de Sua vontade eterna.
" E era Abraão já velho e adiantado em idade, e o SENHOR havia abençoado a Abraão em tudo. "
" E disse Abraão ao seu servo, o mais velho da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuía: Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa, "
" Para que eu te faça jurar pelo Senhor Deus dos céus e Deus da terra, que não tomarás para meu filho mulher das filhas dos cananeus, no meio dos quais eu habito. "
" Mas que irás à minha terra e à minha parentela, e dali tomarás mulher para meu filho Isaque. "
Gênesis 24:4 mostra Abraão pedindo que Isaque se case com alguém que compartilhasse a mesma fé e valores. O versículo ensina cuidado nas escolhas afetivas …
Ler análise completa" E disse-lhe o servo: Se porventura não quiser seguir-me a mulher a esta terra, farei, pois, tornar o teu filho à terra donde saíste? "
" E Abraão lhe disse: Guarda-te, que não faças lá tornar o meu filho. "
" O Senhor Deus dos céus, que me tomou da casa de meu pai e da terra da minha parentela, e que me falou, e que me jurou, dizendo: À tua descendência darei esta terra; ele enviará o seu anjo adiante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho. "
" Se a mulher, porém, não quiser seguir-te, serás livre deste meu juramento; somente não faças lá tornar a meu filho. "
" Então pôs o servo a sua mão debaixo da coxa de Abraão seu senhor, e jurou-lhe sobre este negócio. "
" E o servo tomou dez camelos, dos camelos do seu senhor, e partiu, pois que todos os bens de seu senhor estavam em sua mão, e levantou-se e partiu para Mesopotâmia, para a cidade de Naor. "
" E fez ajoelhar os camelos fora da cidade, junto a um poço de água, pela tarde, ao tempo que as moças saíam a tirar água. "
" E disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, dá-me hoje bom encontro, e faze beneficência ao meu senhor Abraão! "
" Eis que eu estou em pé junto à fonte de água e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar água; "
Gênesis 24:13 mostra o servo de Abraão parado perto do poço, observando as moças que vão buscar água, enquanto espera a resposta de Deus. O …
Ler análise completa" Seja, pois, que a donzela, a quem eu disser: Abaixa agora o teu cântaro para que eu beba; e ela disser: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos; esta seja a quem designaste ao teu servo Isaque, e que eu conheça nisso que usaste de benevolência com meu senhor. "
Gênesis 24:14 mostra o servo de Abraão pedindo um sinal claro para escolher a esposa de Isaque. Ele busca alguém bondosa e pronta a servir, …
Ler análise completa" E sucedeu que, antes que ele acabasse de falar, eis que Rebeca, que havia nascido a Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, saía com o seu cântaro sobre o seu ombro. "
" E a donzela era mui formosa à vista, virgem, a quem homem não havia conhecido; e desceu à fonte, e encheu o seu cântaro e subiu. "
" Então o servo correu-lhe ao encontro, e disse: Peço-te, deixa-me beber um pouco de água do teu cântaro. "
" E ela disse: Bebe, meu senhor. E apressou-se e abaixou o seu cântaro sobre a sua mão e deu-lhe de beber. "
" E, acabando ela de lhe dar de beber, disse: Tirarei também água para os teus camelos, até que acabem de beber. "
" E apressou-se, e despejou o seu cântaro no bebedouro, e correu outra vez ao poço para tirar água, e tirou para todos os seus camelos. "
Gênesis 24:20 mostra Rebeca servindo com rapidez, generosidade e sem preguiça, indo além do básico ao dar água para todos os camelos. O versículo ensina …
Ler análise completa" E o homem estava admirado de vê-la, calando-se, para saber se o Senhor havia prosperado a sua jornada ou não. "
" E aconteceu que, acabando os camelos de beber, tomou o homem um pendente de ouro de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as suas mãos, do peso de dez siclos de ouro; "
" E disse: De quem és filha? Faze-mo saber, peço-te. Há também em casa de teu pai lugar para nós pousarmos? "
" E ela lhe disse: Eu sou a filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu a Naor. "
" Disse-lhe mais: Também temos palha e muito pasto, e lugar para passar a noite. "
Gênesis 24:25 mostra a hospitalidade da família de Rebeca, oferecendo abrigo e provisão ao servo de Abraão e aos animais. O versículo ensina que cuidar …
Ler análise completa" Então inclinou-se aquele homem e adorou ao Senhor, "
" E disse: Bendito seja o SENHOR Deus de meu senhor Abraão, que não retirou a sua benevolência e a sua verdade de meu senhor; quanto a mim, o SENHOR me guiou no caminho à casa dos irmãos de meu senhor. "
" E a donzela correu, e fez saber estas coisas na casa de sua mãe. "
" E Rebeca tinha um irmão cujo nome era Labão, o qual correu ao encontro daquele homem até a fonte. "
" E aconteceu que, quando ele viu o pendente, e as pulseiras sobre as mãos de sua irmã, e quando ouviu as palavras de sua irmã Rebeca, que dizia: Assim me falou aquele homem; foi ter com o homem, que estava em pé junto aos camelos, à fonte, "
" E disse: Entra, bendito do Senhor; por que estás fora? pois eu já preparei a casa, e o lugar para os camelos. "
Gênesis 24:31 mostra Labão reconhecendo a bênção de Deus sobre o servo de Abraão e abrindo sua casa com generosidade. O versículo destaca hospitalidade, cuidado …
Ler análise completa" Então veio aquele homem à casa, e desataram os camelos, e deram palha e pasto aos camelos, e água para lavar os pés dele, e os pés dos homens que estavam com ele. "
" Depois puseram comida diante dele. Ele, porém, disse: Não comerei, até que tenha dito as minhas palavras. E ele disse: Fala. "
" Então disse: Eu sou o servo de Abraão. "
" E o SENHOR abençoou muito o meu senhor, de maneira que foi engrandecido, e deu-lhe ovelhas e vacas, e prata e ouro, e servos e servas, e camelos e jumentos. "
" E Sara, a mulher do meu senhor, deu à luz um filho a meu senhor depois da sua velhice, e ele deu-lhe tudo quanto tem. "
Gênesis 24:36 mostra que o filho de Abraão, Isaque, é herdeiro de tudo, confirmando a promessa de Deus e o cuidado com aquela família. No …
Ler análise completa" E meu senhor me fez jurar, dizendo: Não tomarás mulher para meu filho das filhas dos cananeus, em cuja terra habito; "
" Irás, porém, à casa de meu pai, e à minha família, e tomarás mulher para meu filho. "
" Então disse eu ao meu senhor: Porventura não me seguirá a mulher. "
" E ele me disse: O Senhor, em cuja presença tenho andado, enviará o seu anjo contigo, e prosperará o teu caminho, para que tomes mulher para meu filho da minha família e da casa de meu pai; "
" Então serás livre do meu juramento, quando fores à minha família; e se não te derem, livre serás do meu juramento. "
" E hoje cheguei à fonte, e disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, se tu agora prosperas o meu caminho, no qual eu ando, "
" Eis que estou junto à fonte de água; seja, pois, que a donzela que sair para tirar água e à qual eu disser: Peço-te, dá-me um pouco de água do teu cântaro; "
" E ela me disser: Bebe tu e também tirarei água para os teus camelos; esta seja a mulher que o SENHOR designou ao filho de meu senhor. "
" E antes que eu acabasse de falar no meu coração, eis que Rebeca saía com o seu cântaro sobre o seu ombro, desceu à fonte e tirou água; e eu lhe disse: Peço-te, dá-me de beber. "
" E ela se apressou, e abaixou o seu cântaro de sobre si, e disse: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos; e bebi, e ela deu também de beber aos camelos. "
" Então lhe perguntei, e disse: De quem és filha? E ela disse: Filha de Betuel, filho de Naor, que lhe deu Milca. Então eu pus o pendente no seu rosto, e as pulseiras sobre as suas mãos; "
" E inclinando-me adorei ao SENHOR, e bendisse ao SENHOR, Deus do meu senhor Abraão, que me havia encaminhado pelo caminho da verdade, para tomar a filha do irmão de meu senhor para seu filho. "
" Agora, pois, se vós haveis de fazer benevolência e verdade a meu senhor, fazei-mo saber; e se não, também mo fazei saber, para que eu vá à direita, ou à esquerda. "
" Então responderam Labão e Betuel, e disseram: Do Senhor procedeu este negócio; não podemos falar-te mal ou bem. "
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