Gênesis 31:1
" Então ouvia as palavras dos filhos de Labão, que diziam: Jacó tem tomado tudo o que era de nosso pai, e do que era de nosso pai fez ele toda esta glória. "
Entenda os temas principais e aplique Gênesis 31 na sua vida hoje
55 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Deus vê a injustiça de Labão contra Jacó, intervém por meio de sonhos e o manda voltar à terra de seus pais, prometendo estar com ele. Mesmo diante da perseguição, o Senhor limita o poder de Labão e protege Jacó e sua família.
Jacó lembra que serviu com esforço e fidelidade enquanto Labão o enganava e mudava seu salário repetidas vezes. Apesar da exploração, Deus abençoa o trabalho de Jacó e transfere a riqueza para ele, mostrando que vê a aflição do injustiçado.
Depois de vinte anos, a relação entre Jacó e Labão se torna insustentável. Há mágoas, desconfiança e acusações. Deus, porém, conduz esse rompimento para abrir caminho a um novo capítulo na história da promessa, com Jacó retornando à terra de Canaã.
Raquel rouba os ídolos de seu pai, revelando a permanência de práticas idólatras na família de Labão. Os ídolos são escondidos e não podem se defender. Em contraste, o Deus vivo fala, vê a injustiça e julga entre Jacó e Labão.
Depois do confronto, Jacó e Labão estabelecem um pacto com um montão de pedras e uma coluna como testemunhas. Não se trata de uma amizade profunda, mas de um acordo de limites e não agressão, reconhecendo que Deus é a verdadeira testemunha entre eles.
Gênesis 31 está situado no período patriarcal, quando Deus está formando um povo por meio das promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó. Jacó vive em Padã-Arã (Mesopotâmia), na casa de seu tio Labão, há cerca de vinte anos. Nesse tempo, casou-se com Lia e Raquel, teve filhos e acumulou bens.
Labão é apresentado como arameu, ligado às regiões do norte da Mesopotâmia, onde era comum o uso de ídolos domésticos (terafins). Esses ídolos, além de função religiosa, podiam simbolizar prestígio, proteção e até direitos de herança em algumas tradições antigas. O roubo dos ídolos por Raquel ganha peso dentro desse contexto de cultura familiar misturada com práticas idólatras.
Economicamente, a narrativa destaca o sistema de trabalho e salário em rebanhos: Jacó cuida das ovelhas de Labão e recebe parte dos animais conforme marcas específicas (salpicados, listrados e malhados). Labão muda o acordo diversas vezes, tentando manter o controle da riqueza. A fecundidade diferenciada dos rebanhos é atribuída à intervenção direta de Deus, em contraste com superstições e técnicas humanas.
O capítulo também reflete a importância de pactos selados por monumentos de pedra. O montão (Galeede/Jegar-Saaduta) e a coluna funcionam como marcos de fronteira e testemunhas simbólicas, algo comum em tratados antigos entre clãs e famílias. A menção a "Mispá" reforça a ideia de que o Senhor vigia o cumprimento do acordo.
Teologicamente e narrativamente, Gênesis 31 marca a transição de Jacó de servo explorado em terra estrangeira para patriarca em caminho de volta à terra prometida. Esse retorno retoma o fio das promessas feitas a Abraão e Isaque, preparando os próximos encontros decisivos de Jacó, inclusive com Esaú.
O capítulo pode ser organizado em blocos narrativos bem definidos:
Tensão crescente e chamado divino (31:1-3)
Conversa estratégica com Raquel e Lia (31:4-16)
Fuga de Jacó e roubo dos ídolos (31:17-21)
Perseguição de Labão e intervenção em sonho (31:22-24)
Confronto entre Labão e Jacó (31:25-32)
Busca pelos ídolos e esperteza de Raquel (31:33-35)
Desabafo de Jacó e revisão de vinte anos de serviço (31:36-42)
Proposta de aliança e estabelecimento de fronteiras (31:43-52)
Juramento, sacrifício e despedida (31:53-55)
A estrutura alterna diálogos intensos, relatos de sonhos e gestos simbólicos (fuga, busca, erigir pedras, sacrifício), enfatizando o contraste entre o engano humano e a condução soberana de Deus.
Gênesis 31 aprofunda o tema da fidelidade de Deus em meio à infidelidade e injustiça humanas. O capítulo mostra que o Senhor acompanha a história de Jacó com cuidado detalhado: vê os enganos de Labão, ouve a aflição do patriarca e se envolve ativamente para protegê-lo e conduzi-lo de volta à rota da promessa.
A ordem divina para que Jacó volte à terra de seus pais conecta essa narrativa à aliança abraâmica. Não se trata apenas de uma mudança de emprego ou de cidade, mas do retorno à terra que Deus prometeu dar à descendência de Abraão. O Deus que se apresenta como "o Deus de Betel" relembra o encontro anterior de Jacó, quando o patriarca fez voto e ungiu uma coluna. Agora, esse mesmo Deus cumpre Sua palavra, guiando Jacó de volta.
A forma como Deus intervém na prosperidade de Jacó — invertendo as tentativas de exploração de Labão — revela o Senhor como Juiz justo, defensor do fraco e do explorado. Mesmo sem tribunal humano, Deus julga a causa de Jacó. O ganho de rebanhos não é fruto de mera astúcia, mas da ação soberana de Deus, que usa até sonhos para revelar Seu cuidado.
O capítulo também confronta a questão da idolatria. Os ídolos de Labão são roubados, escondidos, manipulados e, no fim, incapazes de se manifestar. Em contraste, o Deus vivo fala em sonhos tanto com Jacó quanto com Labão, reivindica ser o Deus de Betel, vê o sofrimento e estabelece os termos da proteção. A fragilidade dos terafins ressalta a supremacia do Deus único.
A aliança entre Jacó e Labão, selada com pedras e juramentos, aponta para a seriedade dos pactos diante de Deus. Mesmo em meio a relações quebradas e confiança abalada, reconhece-se que o Senhor é testemunha entre as partes e que Ele julga as intenções. Isso antecipa o lugar central que a aliança terá em toda a história bíblica: Deus é o Deus que faz pactos e vigia sua fidelidade.
Por fim, Gênesis 31 mostra que Deus pode usar até conflitos familiares para cumprir Seus propósitos maiores. A ruptura com Labão e a saída de Padã-Arã não são apenas resultado de tensões humanas, mas parte de um movimento providencial que recoloca Jacó na trilha da promessa, preparando as próximas etapas do plano redentor.
Este capítulo toca profundamente em temas de dor relacional: ressentimento, exploração, medo, segredos, rompimentos e despedidas difíceis. Jacó vive, por anos, em um ambiente de injustiça, insegurança e manipulação. Sua fuga em silêncio, motivada pelo temor de perder a família, reflete o impacto emocional de conviver com alguém controladora e imprevisível como Labão.
A reação de Raquel e Lia revela outra camada de sofrimento: filhas que se sentem tratadas como mercadoria, sem parte nem herança na casa do pai. Há uma sensação de desamparo e desvalorização afetiva, que as leva a apoiar a saída com Jacó. Ao mesmo tempo, o ato de Raquel ao roubar os ídolos mostra como feridas familiares podem gerar atitudes confusas, misturando apego, rebeldia e tentativas de controle.
O desabafo de Jacó diante de Labão funciona quase como uma catarse: depois de anos de silêncio e esforço, ele verbaliza sua dor, sua lealdade e a percepção de que Deus viu tudo. Isso oferece um modelo de como a nomeação honesta da injustiça pode ser parte importante do processo de cura, sobretudo quando acompanhada da consciência de que Deus é testemunha da aflição.
Em meio a tantas emoções intensas — medo, ira, mágoa, insegurança e despedida — o texto apresenta uma constante terapêutica: a presença protetora de Deus. Ele fala, orienta, coloca limites em Labão e reafirma a identidade de Jacó como alguém visto e defendido. Essa dimensão de cuidado divino pode ser um consolo especial para histórias marcadas por injustiças familiares e relacionais.
O capítulo levanta alertas importantes ligados à saúde emocional e relacional:
Relações abusivas e exploradoras: Labão engana e explora Jacó reiteradamente, mudando salários e exigindo responsabilidade até por perdas que não eram culpa dele (v.7, 39-41). Esse padrão reflete dinâmicas de abuso e manipulação que, em contextos atuais, pedem discernimento, proteção e, muitas vezes, distanciamento seguro.
Medo intenso e decisões tomadas em segredo: Jacó foge sem avisar, movido pelo temor de perder as esposas à força (v.20-21, 31). O medo constante corrói a confiança e pode levar a escolhas precipitadas e arriscadas.
Legado familiar de idolatria e padrões disfuncionais: O roubo dos ídolos por Raquel (v.19, 34-35) sugere a continuidade de práticas espirituais confusas dentro da família de origem, além de uso de engano para lidar com conflitos. Tais padrões podem se repetir em gerações se não forem reconhecidos e tratados.
Ausência de diálogo seguro: A relação entre Jacó e Labão chega a um ponto em que o diálogo aberto parece impossível sem intervenção divina (v.24, 36-42). Em contextos atuais, isso ressalta o risco de vínculos em que não há espaço para expressar limites e dores sem medo de represálias.
Rompimentos bruscos e não elaborados: Ainda que necessário na narrativa, o rompimento é marcado por fuga, acusações e buscas tensas. Despedidas não elaboradas emocionalmente podem deixar marcas profundas e não resolvidas.
Para situações semelhantes hoje, pode ser importante buscar apoio seguro, inclusive profissional e comunitário, ao lidar com relacionamentos abusivos, traumas familiares e decisões de ruptura.
Gênesis 31 inspira diversas aplicações práticas para a vida cotidiana:
Discernir o tempo de sair de ambientes injustos: Jacó permaneceu anos servindo com fidelidade, mas houve um momento em que Deus o orientou a sair. Em muitas situações, perseverança é necessária; em outras, é preciso reconhecer que a manutenção do vínculo está comprometendo dignidade, segurança e missão. Discernir esse tempo envolve ouvir a Deus, avaliar padrões de injustiça e considerar meios responsáveis de transição.
Trabalhar com integridade mesmo sob liderança difícil: Apesar do tratamento injusto, Jacó cuida do rebanho com zelo, assumindo prejuízos e suportando condições duras (v.38-40). Esse exemplo encoraja uma ética de trabalho que não depende exclusivamente da justiça humana, mas confia que Deus vê o esforço e recompensa com justiça.
Lidar com conflitos com honestidade e limites claros: O discurso firme de Jacó diante de Labão (v.36-42) mostra a importância de nomear a injustiça, apresentar fatos e estabelecer limites. Em vez de permanecer em silêncio indefinido, a verdade é trazida à luz, ainda que com tensão. Conflitos saudáveis precisam de clareza e, muitas vezes, de estruturas visíveis de compromisso, como o montão de pedras funcionou para eles.
Reconhecer e romper padrões familiares prejudiciais: Raquel e Lia identificam que o pai as tratou como estranhas e consumiu sua herança (v.14-16). Nomear esses padrões é um passo para não repeti-los na própria casa. Isso inclui observar práticas espirituais, formas de lidar com dinheiro, poder, afeto e limites.
Lembrar que Deus é testemunha das relações: A declaração em Mispá — de que o Senhor vigia quando estão separados — lembra que Deus está presente nas intenções, promessas e atitudes, mesmo quando ninguém mais vê (v.49-50). Essa consciência incentiva integridade, respeito a acordos e cuidado com aqueles sobre quem se exerce influência.
Enxergar Deus como defensor do explorado: A convicção de Jacó de que Deus viu seu trabalho e sua aflição (v.42) fortalece a esperança de que nenhuma injustiça escapa ao olhar divino. Essa certeza pode sustentar quem age corretamente e, ainda assim, enfrenta perdas por causa da maldade ou egoísmo de outros.
O retorno de Jacó à terra de seus pais faz parte do cumprimento das promessas feitas a Abraão e Isaque. Deus prometeu dar aquela terra à descendência deles e abençoá-los ali. Além disso, a situação com Labão se tornou hostil e injusta, e o Senhor intervém para tirar Jacó de um ambiente de exploração e conduzi-lo de volta ao centro de Seu plano, garantindo: "eu serei contigo" (v.3).
Os sonhos são meios de revelação e proteção divina. Em um sonho, Deus mostra a Jacó a origem sobrenatural da multiplicação dos rebanhos e relembra ser o Deus de Betel, ordenando a saída (v.10-13). Em outro sonho, Ele fala a Labão, restringindo suas ações e impedindo que prejudique Jacó (v.24). Assim, os sonhos destacam que Deus está ativamente guiando e limitando o poder humano.
O texto não explica diretamente o motivo, e ao longo da história bíblica surgem diferentes hipóteses. Alguns sugerem apego religioso ou supersticioso aos terafins; outros apontam motivos ligados à herança familiar ou a uma tentativa de enfraquecer a casa do pai. O foco do capítulo, porém, não é justificar o ato de Raquel, mas mostrar o contraste entre ídolos impotentes, que podem ser escondidos, e o Deus vivo, que fala e protege.
Galeede (em hebraico) e Jegar-Saaduta (em aramaico) significam algo como "montão do testemunho", indicando que o montão de pedras seria testemunha do pacto entre Jacó e Labão (v.47-48). Mispá significa "vigia" ou "torre de vigia" e é ligado à declaração de que o Senhor vigia entre os dois quando estiverem separados (v.49). Os nomes reforçam a ideia de que Deus observa o cumprimento da aliança.
Não se trata de reconciliação profunda no sentido de restauração de confiança e afeto. A aliança estabelecida define limites, protege as filhas de Labão e garante que nenhum dos dois atravessará o marco para fazer mal ao outro (v.50-52). É mais um acordo de não agressão, sob a vigilância de Deus, do que uma retomada calorosa de relacionamento.
Gênesis 31 retrata um coração cansado depois de muitos anos de injustiça. Jacó carrega o peso de noites sem sono, perdas assumidas, medo de ser tomado à força, e, ainda assim, trabalha com dedicação. Em volta dele, há filhas que se sentem tratadas como estranhas pelo próprio pai, esposas que percebem terem sido vendidas e usadas. Esse ambiente é emocionalmente desgastante, cheio de desconfiança e feridas velhas. No meio disso, surge uma nota constante de consolo: Deus vê. Ele vê quando o salário é mudado, quando o engano se repete, quando o medo diz que não há saída segura. Ele vê o calor do dia, a geada da noite e as noites em claro de Jacó. E não fica indiferente: fala em sonhos, protege, orienta o caminho, limita o poder de quem poderia fazer mal. O desabafo de Jacó diante de Labão é quase como a voz de alguém que, depois de anos engolindo injustiças, finalmente encontra palavras para sua dor. Há indignação, mas também a profunda consciência de que Deus foi o único que o sustentou. Nessa mistura de fraqueza humana e cuidado divino, o capítulo oferece conforto a todas as histórias marcadas por exploração e desvalorização: a dor não é invisível para o Senhor. Também há ternura no final, na despedida de Labão, que beija filhos e filhas e os abençoa. Mesmo uma relação tão complexa termina sob o sinal de um gesto de carinho e de um pacto vigiado por Deus. Isso não apaga as feridas, mas mostra que o Senhor pode, em Sua graça, colocar algum tipo de ordem e limite em meio ao caos emocional. O coração ferido encontra, aqui, uma lembrança: a história não está abandonada às mãos dos que oprimem; ela é conduzida por um Deus que enxeruga até o trabalho silencioso das mãos cansadas.
Gênesis 31 é um texto rico em detalhes teológicos, culturais e literários. Do ponto de vista estrutural, ele funciona como ponte entre a longa estadia de Jacó em Padã-Arã e seu retorno à terra prometida. Três elementos se destacam: a intervenção divina por meio de sonhos, o conflito sobre posse e herança, e o estabelecimento de uma aliança com marcos físicos. Os sonhos cumprem papel central. No primeiro, Deus se apresenta como "o Deus de Betel" (v.13), conectando o episódio atual ao encontro anterior em Gênesis 28, quando Jacó foge de Esaú. Essa referência a Betel é importante: o Deus que prometeu ali agora cumpre, orientando o retorno. O conteúdo do sonho sobre os rebanhos (v.10-12) também corrige qualquer interpretação mágica das técnicas de cruzamento: é o Senhor, e não apenas a astúcia de Jacó, quem garante o aumento dos animais marcados. O segundo sonho, dirigido a Labão (v.24), ressalta o caráter soberano de Deus sobre todos, inclusive estrangeiros. Labão, o arameu, é advertido a não falar com Jacó "nem bem nem mal", expressão que indica uma restrição completa de interferência hostil. Deus se coloca como juiz que limita o poder do explorador. Culturalmente, a presença dos ídolos domésticos (terafins) reflete práticas religiosas comuns na região da Mesopotâmia, possivelmente ligados a proteção e direitos de família. A narrativa, porém, ironiza tais objetos: podem ser roubados, escondidos sob a sela de um camelo, e não conseguirão se manifestar contra isso. Em contraste, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó fala, ordena, vê e julga. A rivalidade por posse e status aparece de forma aguda nas palavras de Labão (v.43), ao reivindicar tudo como seu. No entanto, a própria narrativa já mostrou que Deus transferiu o rebanho para Jacó (v.9). A disputa, então, vai além do campo econômico: envolve reconhecimento de quem, de fato, está debaixo da bênção divina. O pacto final com o montão de pedras e a coluna é típico de acordos da antiguidade, onde elementos visíveis funcionavam como testemunhas simbólicas. A dupla denominação (Jegar-Saaduta em aramaico, Galeede em hebraico) sugere encontro de culturas e línguas. A invocação de "Mispá" "para que o Senhor atente" (v.49) sublinha o princípio de que Deus é o verdadeiro fiscalizador dos tratados. Curiosamente, ainda que Labão invoque "o Deus de Abraão e o Deus de Naor" (v.53), Jacó jura pelo "temor de Isaque", enfatizando sua vinculação específica à linhagem da promessa. Em suma, o capítulo organiza a teologia da providência e da justiça divinas num cenário de conflito familiar, ao mesmo tempo em que reitera a centralidade da terra e da promessa na trajetória patriarcal.
Gênesis 31 oferece um retrato muito prático de conflitos de trabalho, tensões familiares e decisões difíceis sobre sair de ambientes tóxicos. Jacó vive a realidade de alguém que trabalha duro, assume riscos, sofre injustiças claras — salários mudados, condições extenuantes, cobrança desproporcional — e, ainda assim, se vê acusado e perseguido. No campo das relações profissionais, o comportamento de Labão ilustra bem o perfil de um líder ou empregador que manipula condições, explora lealdade e tenta manter controle por meio de vantagem econômica. Em contraste, a postura de Jacó evidencia compromisso com responsabilidade, mesmo quando não há justa retribuição. Esse contraste convida a avaliar tanto a forma como se exerce autoridade quanto a maneira de servir em contextos difíceis, lembrando que a integridade pessoal não precisa ser negociada mesmo debaixo de pressões injustas. Na esfera familiar, Raquel e Lia verbalizam sentir-se usadas e desvalorizadas pelo próprio pai (v.14-15). Isso revela um modelo de família em que pessoas são tratadas como recursos negociáveis. Tal dinâmica frequentemente gera ressentimento, desconfiança e comportamentos extremos, como o roubo dos ídolos por Raquel. Em termos práticos, o texto sugere a necessidade de construir lares em que membros não sejam instrumentalizados, mas respeitados em sua dignidade. O rompimento de Jacó com Labão também é instrutivo. Não é um fim ideal, mas há alguns elementos importantes: avaliação da situação, decisão de sair, ação prática, e, finalmente, um acerto de limites formalizado. O acordo com o montão de pedras, definindo que nenhum ultrapassaria aquele marco para fazer mal, funciona como uma espécie de "fronteira saudável". Em muitas relações, especialmente as marcadas por abuso ou manipulação, não é possível voltar ao convívio normal, mas é possível estabelecer limites claros que reduzam espaços de dano. Outra dimensão prática é a consciência de que escolhas movidas apenas pelo medo tendem a gerar segredos, fugas e omissões. Embora Deus use a fuga de Jacó, o capítulo mostra o quanto esse caminho gera tensão. A postura posterior de falar francamente com Labão, apresentando fatos e reivindicando justiça, aponta para a importância da verdade e da clareza nas transições difíceis. Por fim, a confiança de Jacó de que Deus viu sua aflição e o trabalho de suas mãos oferece uma perspectiva crucial para a vida diária: nem todo esforço será reconhecido por pessoas ou sistemas, mas nada fica oculto ao Senhor. Isso encoraja a continuar agindo com responsabilidade, buscar condições mais justas quando possível e, ao mesmo tempo, descansar no fato de que a recompensa última não vem apenas dos homens, mas de Deus.
Em Gênesis 31, a história de Jacó se movimenta não apenas geograficamente, mas espiritualmente. O Deus que se apresentou em Betel volta a falar, lembrando Seu nome e Suas promessas. A vida de Jacó não é conduzida apenas pelas intrigas entre ele e Labão, mas por um fio invisível: o propósito de Deus de formar um povo, em uma terra, para Sua glória. A ordem de retorno à terra dos pais tem implicações que vão além da segurança material. Ela recoloca Jacó no caminho da promessa ligada à aliança abraâmica. Isso toca diretamente a dimensão da vocação espiritual: a existência de Jacó está amarrada a algo maior que seus interesses imediatos, está ligada à história da redenção que Deus está escrevendo. Mesmo os anos de injustiça em Padã-Arã não escaparam dessa tessitura; foram usados por Deus para multiplicar seus bens e sua família, preparando-o para a próxima fase. Os sonhos revelam um Deus que fala, vê e julga. Ele vê "tudo o que Labão te fez" (v.12) e se declara o Deus de Betel, onde Jacó havia feito voto. Isso mostra que há continuidade entre as experiências espirituais passadas e os desafios presentes: o encontro com Deus não é um momento isolado, mas um compromisso que se desdobra em obediência concreta, como o ato de sair de uma terra para ir à outra. A tensão envolvendo os ídolos de Labão também toca a esfera mais profunda da alma. Enquanto ídolos podem ser roubados, escondidos e permanecer silenciosos, o Deus verdadeiro se apresenta, guia e estabelece os termos da paz. Essa contradição aponta para a escolha fundamental de lealdade: servir a deuses que podem ser manipulados ou ao Deus vivo que, embora não esteja sob controle humano, é fiel e protetor. O pacto em Galeede e Mispá, com Deus como testemunha, lembra que toda relação humana está, em última instância, diante dEle. As fronteiras traçadas ali não são apenas geográficas, mas espirituais: definem um limite para o mal e colocam o relacionamento sob o olhar constante do Senhor. Para a alma que busca sentido eterno, o capítulo reforça que a vida com Deus envolve tanto encontros íntimos (como em Betel) quanto decisões concretas em conflitos reais, sempre orientadas pela consciência de que o Senhor é quem julga, guarda e conduz para o cumprimento final de Seu propósito redentor.
" Então ouvia as palavras dos filhos de Labão, que diziam: Jacó tem tomado tudo o que era de nosso pai, e do que era de nosso pai fez ele toda esta glória. "
" Viu também Jacó o rosto de Labão, e eis que não era para com ele como anteriormente. "
" E disse o Senhor a Jacó: Torna-te à terra dos teus pais, e à tua parentela, e eu serei contigo. "
Gênesis 31:3 mostra Deus orientando Jacó a voltar para sua terra com a promessa de estar com ele. O versículo ensina que, mesmo em mudanças …
Ler análise completa" Então mandou Jacó chamar a Raquel e a Lia ao campo, para junto do seu rebanho, "
" E disse-lhes: Vejo que o rosto de vosso pai não é para comigo como anteriormente; porém o Deus de meu pai tem estado comigo; "
Gênesis 31:5 mostra Jacó percebendo que o sogro não o trata mais com boa vontade, mas reconhecendo que Deus continua ao seu lado. O versículo …
Ler análise completa" E vós mesmas sabeis que com todo o meu esforço tenho servido a vosso pai; "
Gênesis 31:6 mostra Jacó lembrando que sempre trabalhou com dedicação e honestidade para Labão, mesmo sendo tratado de forma injusta. O versículo ensina que, em …
Ler análise completa" Mas vosso pai me enganou e mudou o salário dez vezes; porém Deus não lhe permitiu que me fizesse mal. "
Gênesis 31:7 mostra Jacó sendo enganado e explorado por Labão várias vezes, mas protegido por Deus. O sentido é que, mesmo quando alguém sofre injustiça …
Ler análise completa" Quando ele dizia assim: Os salpicados serão o teu salário; então todos os rebanhos davam salpicados. E quando ele dizia assim: Os listrados serão o teu salário, então todos os rebanhos davam listrados. "
" Assim Deus tirou o gado de vosso pai, e deu-o a mim. "
" E sucedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, eu levantei os meus olhos e vi em sonhos, e eis que os bodes, que cobriam as ovelhas, eram listrados, salpicados e malhados. "
" E disse-me o anjo de Deus em sonhos: Jacó! E eu disse: Eis-me aqui. "
" E disse ele: Levanta agora os teus olhos e vê todos os bodes que cobrem o rebanho, que são listrados, salpicados e malhados; porque tenho visto tudo o que Labão te fez. "
" Eu sou o Deus de Betel, onde tens ungido uma coluna, onde me fizeste um voto; levanta-te agora, sai-te desta terra e torna-te à terra da tua parentela. "
" Então responderam Raquel e Lia e disseram-lhe: Há ainda para nós parte ou herança na casa de nosso pai? "
" Não nos considera ele como estranhas? Pois vendeu-nos, e comeu de todo o nosso dinheiro. "
Gênesis 31:15 mostra que Lia e Raquel se sentem traídas pelo próprio pai, que as tratou como mercadoria e gastou o dote delas. O versículo …
Ler análise completa" Porque toda a riqueza, que Deus tirou de nosso pai, é nossa e de nossos filhos; agora, pois, faze tudo o que Deus te mandou. "
" Então se levantou Jacó, pondo os seus filhos e as suas mulheres sobre os camelos; "
" E levou todo o seu gado, e todos os seus bens, que havia adquirido, o gado que possuía, que alcançara em Padã-Arã, para ir a Isaque, seu pai, à terra de Canaã. "
" E havendo Labão ido a tosquiar as suas ovelhas, furtou Raquel os ídolos que seu pai tinha. "
" E Jacó logrou a Labão, o arameu, porque não lhe fez saber que fugia. "
" E fugiu ele com tudo o que tinha, e levantou-se e passou o rio; e se dirigiu para a montanha de Gileade. "
" E no terceiro dia foi anunciado a Labão que Jacó tinha fugido. "
" Então tomou consigo os seus irmãos, e atrás dele seguiu o seu caminho por sete dias; e alcançou-o na montanha de Gileade. "
" Veio, porém, Deus a Labão, o arameu, em sonhos, de noite, e disse-lhe: Guarda-te, que não fales com Jacó nem bem nem mal. "
" Alcançou, pois, Labão a Jacó, e armara Jacó a sua tenda naquela montanha; armou também Labão com os seus irmãos a sua, na montanha de Gileade. "
" Então disse Labão a Jacó: Que fizeste, que me lograste e levaste as minhas filhas como cativas pela espada? "
" Por que fugiste ocultamente, e lograste-me, e não me fizeste saber, para que eu te enviasse com alegria, e com cânticos, e com tamboril e com harpa? "
" Também não me permitiste beijar os meus filhos e as minhas filhas. Loucamente agiste, agora, fazendo assim. "
" Poder havia em minha mão para vos fazer mal, mas o Deus de vosso pai me falou ontem à noite, dizendo: Guarda-te, que não fales com Jacó nem bem nem mal. "
" E agora se querias ir embora, porquanto tinhas saudades de voltar à casa de teu pai, por que furtaste os meus deuses? "
" Então respondeu Jacó, e disse a Labão: Porque temia; pois que dizia comigo, se porventura não me arrebatarias as tuas filhas. "
" Com quem achares os teus deuses, esse não viva; reconhece diante de nossos irmãos o que é teu do que está comigo, e toma-o para ti. Pois Jacó não sabia que Raquel os tinha furtado. "
" Então entrou Labão na tenda de Jacó, e na tenda de Lia, e na tenda de ambas as servas, e não os achou; e saindo da tenda de Lia, entrou na tenda de Raquel. "
" Mas tinha tomado Raquel os ídolos e os tinha posto na albarda de um camelo, e assentara-se sobre eles; e apalpou Labão toda a tenda, e não os achou. "
" E ela disse a seu pai: Não se acenda a ira aos olhos de meu senhor, que não posso levantar-me diante da tua face; porquanto tenho o costume das mulheres. E ele procurou, mas não achou os ídolos. "
" Então irou-se Jacó e contendeu com Labão; e respondeu Jacó, e disse a Labão: Qual é a minha transgressão? Qual é o meu pecado, que tão furiosamente me tens perseguido? "
" Havendo apalpado todos os meus móveis, que achaste de todos os móveis de tua casa? Põe-no aqui diante dos meus irmãos e de teus irmãos; e que julguem entre nós ambos. "
" Estes vinte anos eu estive contigo; as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca abortaram, e não comi os carneiros do teu rebanho. "
Gênesis 31:38 mostra Jacó lembrando a Labão de sua fidelidade e cuidado no trabalho por vinte anos, sem prejuízo ao rebanho. O versículo ensina integridade …
Ler análise completa" Não te trouxe eu o despedaçado; eu o pagava; o furtado de dia e o furtado de noite da minha mão o requerias. "
" Estava eu assim: De dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o meu sono fugiu dos meus olhos. "
" Tenho estado agora vinte anos na tua casa; catorze anos te servi por tuas duas filhas, e seis anos por teu rebanho; mas o meu salário tens mudado dez vezes. "
" Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o temor de Isaque não fora comigo, por certo me despedirias agora vazio. Deus atendeu à minha aflição, e ao trabalho das minhas mãos, e repreendeu-te ontem à noite. "
" Então respondeu Labão, e disse a Jacó: Estas filhas são minhas filhas, e estes filhos são meus filhos, e este rebanho é o meu rebanho, e tudo o que vês, é meu; e que farei hoje a estas minhas filhas, ou a seus filhos, que deram à luz? "
" Agora pois vem, e façamos aliança eu e tu, que seja por testemunho entre mim e ti. "
" Então tomou Jacó uma pedra, e erigiu-a por coluna. "
" E disse Jacó a seus irmãos: Ajuntai pedras. E tomaram pedras, e fizeram um montão, e comeram ali sobre aquele montão. "
" E chamou-o Labão Jegar-Saaduta; porém Jacó chamou-o Galeede. "
" Então disse Labão: Este montão seja hoje por testemunha entre mim e ti. Por isso se lhe chamou Galeede, "
" E Mispá, porquanto disse: Atente o Senhor entre mim e ti, quando nós estivermos apartados um do outro. "
Gênesis 31:49 mostra Labão e Jacó usando Mispá como lembrete de que Deus observa os dois, mesmo longe um do outro. Não é um versículo …
Ler análise completa" Se afligires as minhas filhas, e se tomares mulheres além das minhas filhas, ninguém está conosco; atenta que Deus é testemunha entre mim e ti. "
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