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Gênesis 45:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então José não se podia conter diante de todos os que estavam com ele; e clamou: Fazei sair daqui a todo o homem; e ninguém ficou com ele, quando José se deu a conhecer a seus irmãos. "

Gênesis 45:1

menu_book Versículo no contexto

1 Então José não se podia conter diante de todos os que estavam com ele; e clamou: Fazei sair daqui a todo o homem; e ninguém ficou com ele, quando José se deu a conhecer a seus irmãos.

2 E levantou a sua voz com choro, de maneira que os egípcios o ouviam, e a casa de Faraó o ouviu.

3 E disse José a seus irmãos: Eu sou José; vive ainda meu pai? E seus irmãos não lhe puderam responder, porque estavam pasmados diante da sua face.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Judá e seus irmãos aguardavam uma resposta, e ficaram espantados ao encontrar, em vez do rigor de um juiz, o afeto de um pai ou de um irmão.

Primeiro, José mandou que todos os seus servos saíssem da sala (Gênesis 45:1). A conversa particular entre amigos é a mais livre e aberta. Quando José quis demonstrar amor, ele deixou de lado sua posição de governante, e seus servos não deveriam ser testemunhas disso. Do mesmo modo, Cristo bondosamente se manifesta e mostra o seu amor ao seu povo longe dos olhos e ouvidos do mundo.

Então as lágrimas iniciaram o seu discurso (Gênesis 45:2). Ele as havia contido por muito tempo, com grande esforço, mas agora brotaram com tanta força que ele não pôde mais segurá-las. Chorou tão alto que até aqueles que havia mandado sair puderam ouvi-lo. Eram lágrimas de profunda ternura e amor intenso, e com elas ele deixou de lado a atitude severa que vinha mantendo diante de seus irmãos. Não podia mais suportar aquele disfarce. Isso retrata a misericórdia de Deus para com os pecadores que voltam, como o pai do filho pródigo (Lucas 15:20; Oséias 14:8-9).

Em seguida, ele lhes revelou de modo repentino, como quem está ansioso para falar, quem era: “Eu sou José”. Eles o conheciam por seu nome egípcio, Zafenate-Panéia, e seu nome hebraico havia se perdido e sido esquecido no Egito. Agora ele os faz voltar a usar esse nome: “Eu sou José; eu sou vosso irmão” (Gênesis 45:4). Isso os levaria a humilhar-se ainda mais pelo pecado de o terem vendido, e ao mesmo tempo lhes daria esperança de receberem tratamento bondoso. Quando Cristo quis convencer Paulo, disse: “Eu sou Jesus”. Quando quis consolar seus discípulos, disse: “Sou eu, não temais”.

Os irmãos de José ficaram abalados com isso. Provavelmente recuaram aterrorizados, ou pelo menos ficaram imóveis, espantados. Mas José os chamou com bondade e familiaridade: “Chegai-vos a mim, peço-vos”. Quando Cristo se revela ao seu povo, também o convida a aproximar-se dele com coração sincero. José talvez quisesse falar em voz baixa sobre o fato de o terem vendido, para que os egípcios não ouvissem e não se tornassem ainda mais hostis aos hebreus. Agora que sua emoção se acalmara um pouco, ele podia falar mansamente, embora no início tivesse gritado.

Depois, ele procurou acalmar a tristeza deles pelo que lhe haviam feito, mostrando que Deus tinha transformado aquilo em bem (Gênesis 45:5). “Não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos”, diz ele. Os pecadores devem, sim, entristecer-se por seus pecados e irar-se consigo mesmos por causa deles, ainda que Deus, em seu poder, venha a transformar esses pecados em bem. Nenhum louvor pertence ao pecador por isso. Contudo, o verdadeiro arrependimento se comoove profundamente ao ver Deus fazer nascer o bem a partir do mal. Não devemos usar esse pensamento para diminuir nossa própria culpa nem enfraquecer o arrependimento. Mas ele pode nos ajudar a ser menos duros com as faltas dos outros e a esfriar a ira ressentida. É assim que José emprega esse princípio. Seus irmãos não precisavam temer vingança por um mal que a providência de Deus havia transformado em tão grande bem para ele e para sua família.

Ele lhes informa que a fome duraria ainda cinco anos, mas que estava em posição de cuidar de seus parentes e amigos (Gênesis 45:6, 8). Esse é um dos maiores confortos que a riqueza e o poder podem oferecer a um homem piedoso. Ele também coloca a maldade que lhe fizeram em uma luz cheia de graça: “Deus me enviou adiante de vós” (Gênesis 45:5, 7). O povo de Deus está debaixo de seu cuidado especial. José entendeu que sua elevação tinha por objetivo não tanto salvar o Egito como nação, mas preservar uma pequena família, a família de Israel, pois ela é a porção peculiar do Senhor. Aconteça o que acontecer com os demais, eles serão guardados em segurança.

A providência também enxerga ao longe e alcança o futuro distante. Muito antes dos anos de fartura, Deus já estava preparando o socorro para a casa de Jacó nos anos de fome. O salmista louva a Deus por isso: “Adiante deles mandou um varão, José” (Salmo 105:17). Deus vê sua obra do começo ao fim, mas nós não (Eclesiastes 3:11). Seus planos são maravilhosos, e seus caminhos vão muito além do que podemos ver. Há muitas partes ocultas em sua obra, mas tudo é dirigido por seu governo sábio. Por isso, não devemos julgar nada de forma precipitada.

Frequentemente Deus age por meio de opostos. O ciúme e as brigas entre irmãos costumam destruir famílias; no entanto, aqui esse próprio pecado se tornou o meio de salvar a família de Jacó. José jamais poderia ter se tornado o pastor e a pedra, isto é, o firme sustentáculo de Israel, se seus irmãos não o tivessem atacado e odiado. Até mesmo aqueles que, perversamente, venderam José ao Egito, depois receberam proveito do bem que Deus tirou desse ato, assim como muitos que contribuíram para a morte de Cristo mais tarde foram salvos pela sua morte.

Deus deve receber toda a glória pelo livramento oportuno de seu povo, quaisquer que sejam os meios usados. José declara claramente: “Não fostes vós que me enviastes para cá, mas Deus” (Gênesis 45:8). Por isso, eles não deviam guardar ressentimento pelo acontecido, visto que o resultado havia sido tão bom. Mas também não podiam vangloriar-se daquilo, pois era obra de Deus, não deles. Eles haviam intentado frustrar os sonhos de José vendendo-o ao Egito, mas Deus usou exatamente esse ato para cumpri-los. “Porém ele assim não pensa” (Isaías 10:7).

José então promete cuidar de seu pai e de toda a família durante o restante da fome. Em primeiro lugar, deseja que Jacó receba depressa a notícia de que seu filho está vivo e agora exerce grande poder. Seus irmãos precisam voltar com urgência a Canaã e contar a Jacó que José é senhor de toda a terra do Egito (Gênesis 45:9, 13). José sabia que isso seria como óleo suavizante sobre a cabeça grisalha de Jacó e um grande consolo para o seu espírito. Se algo poderia fazer o velho pai sentir-se novamente jovem, seria isso.

José também deseja que seu pai tenha certeza da veracidade da notícia. “E eis que vossos olhos vêem que é a minha boca que fala convosco” (Gênesis 45:12). Se prestassem atenção, reconheceriam seus traços, sua maneira de falar e outros sinais familiares, e assim ficariam convencidos.

Ele também demonstra grande desejo de que seu pai e toda a família desçam ao Egito (Gênesis 45:9). “Desce a mim, não te demores”. Ele lhes destina Gósen como lugar de habitação, a parte do Egito mais próxima de Canaã, para que mantivessem viva a lembrança da terra que um dia deixariam (Gênesis 45:10). Ele promete: “Ali te sustentarei” (Gênesis 45:11). É dever dos filhos, se seus pais vierem a precisar, sustentá-los e socorrê-los o máximo que puderem. Nenhuma alegação “religiosa” pode anular esse dever (Marcos 7:11). Esse é um dos modos de manifestar a verdadeira piedade dentro de casa (1 Timóteo 5:4). Nosso Senhor Jesus, como José, foi exaltado à mais alta honra e autoridade nos céus, e é sua vontade que todos os que são seus estejam com ele onde ele está (João 17:24).

Este é o mandamento de Deus: viver com ele agora em fé, esperança e em um caminhar voltado para o céu. E esta também é sua promessa: que estaremos com ele para sempre.

Então José e seus irmãos manifestaram amor uns pelos outros. Ele começou por Benjamim, o irmão mais novo, seu irmão por parte de pai e mãe, que tinha apenas cerca de um ano de idade quando José foi tirado da família. Eles choraram abraçados (Gênesis 45:14), talvez lembrando-se de sua mãe Raquel, que morreu dando à luz Benjamim.

Raquel tinha sido, recentemente, motivo de tristeza no pensamento de Jacó, pois ele julgava ter perdido tanto José quanto Benjamim. José se fora, e Benjamim também estava sendo levado. Agora, em uma espécie de reversão triste, choravam por Raquel, porque ela já não estava ali. Depois de abraçar Benjamim, José fez o mesmo com todos os seus irmãos (Gênesis 45:15). Então seus irmãos falaram com ele livre e abertamente sobre tudo o que dizia respeito à casa de seu pai.

Quando o perdão verdadeiro é demonstrado, geralmente a comunhão calorosa se segue.

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