Gênesis 7 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Gênesis 7 na sua vida hoje

28 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Gênesis 7?

Gênesis 42 narra o reencontro inicial de José com seus irmãos, agora em meio a uma fome severa que atinge Canaã. Enviados por Jacó ao Egito para comprar mantimento, eles se prostram diante de José sem reconhecê-lo, realizando os sonhos que ele tivera anos antes. José, porém, os trata com dureza, acusa-os de serem espias e os coloca à prova exigindo que tragam Benjamim. Nesse processo, a culpa pelo pecado cometido contra José vem à tona, Simeão fica detido no Egito, o dinheiro é misteriosamente devolvido aos sacos de cereal e Jacó reage com profundo medo e tristeza diante da possibilidade de perder também Benjamim.

Temas principais em Gênesis 7

Providência de Deus em meio à fome e à crise (versículos 1-6)

A fome em Canaã força os filhos de Jacó a descerem ao Egito, exatamente onde José havia sido colocado como governador. O que parecia apenas desgraça no passado se revela parte de um plano maior de preservação da família.

Versículos-chave: 2, 5, 6

Culpa e consciência despertada pelo pecado antigo (versículos 21-23)

O tratamento duro de José faz com que os irmãos se lembrem claramente do que fizeram com ele. A crise externa desperta a consciência interna, trazendo à luz a culpa há tanto tempo escondida.

Versículos-chave: 21, 22

Provação e teste de caráter (versículos 9-20)

José cria um cenário de prova para verificar se seus irmãos mudaram: os acusa de espias, prende-os, retém Simeão e exige a vinda de Benjamim. O caráter e a verdade deles são colocados à prova.

Versículos-chave: 15, 16, 20

Medo, perda e fragilidade familiar (versículos 35-38)

Jacó vive sob o peso das perdas de José e Simeão e teme entregar Benjamim. Sua fala revela uma família marcada por luto, insegurança e sensação de desamparo.

Versículos-chave: 36, 38

Misericórdia velada e generosidade silenciosa (versículos 24-28)

Apesar da aparência de dureza, José manda encher os sacos de trigo, devolve o dinheiro em segredo e garante alimento para o caminho. Há graça atuando por trás de atitudes que parecem apenas severas.

Versículos-chave: 24, 25

Contexto histórico e literario

O cenário de Gênesis 42 é o período de fome anunciado anteriormente por Deus através do sonho de Faraó, interpretado por José. Depois de sete anos de abundância, chegam os sete anos de escassez, que afetam não apenas o Egito, mas também as regiões vizinhas, incluindo Canaã. O Egito, graças à administração de José, torna-se o centro de provisão de grãos, atraindo povos de várias terras.

José agora ocupa o cargo de governador, segundo em autoridade apenas a Faraó. Era comum, em momentos de crise, o controle rigoroso de entradas e saídas do país e a suspeita contra possíveis espias, o que dá verossimilhança à acusação feita por José.

A família de Jacó ainda vive como clã seminômade em Canaã, dependendo de gado e agricultura básica. O envio de filhos para comprar mantimentos em outro país reflete as práticas de caravanas comerciais e de sobrevivência em tempos de seca. A presença de intérprete entre José e seus irmãos indica que José fala a língua egípcia, enquanto seus irmãos permanecem com o hebraico dos patriarcas, reforçando a distância cultural e de identidade construída ao longo dos anos.

Do ponto de vista da história de Israel, este capítulo é uma etapa crucial na transição da família patriarcal, ainda espalhada em Canaã, para a futura estadia no Egito, onde se tornará uma grande nação. A fome e as viagens de busca de mantimentos são o canal histórico que Deus usa para mover a família de Jacó para o Egito.

Estrutura de Gênesis 7

Gênesis 42 é construído como um relato narrativo contínuo, mas com movimentos bem definidos:

  1. Introdução da crise e decisão de Jacó (42:1-5)

    • Fome em Canaã.
    • Jacó repreende os filhos e os envia ao Egito.
    • Benjamim é retido por medo de Jacó.
  2. Encontro com José e acusação de espionagem (42:6-17)

    • Os irmãos se prostram diante de José.
    • José os reconhece, eles não o reconhecem.
    • Lembrança dos sonhos.
    • Acusação: “vós sois espias”.
    • Prisão dos irmãos por três dias.
  3. Plano de prova e primeira demonstração de misericórdia (42:18-25)

    • José declara temor a Deus.
    • Propõe que um fique preso e os outros levem mantimento.
    • Exige a vinda de Benjamim.
    • Diálogo entre os irmãos sobre culpa passada.
    • José chora em segredo.
    • Simeão é preso; o dinheiro é devolvido aos sacos junto com o trigo.
  4. Descoberta do dinheiro e medo de juízo divino (42:26-28)

    • No caminho, um irmão encontra o dinheiro no saco.
    • Coração desfalece; pergunta-se sobre o que Deus está fazendo.
  5. Relato a Jacó e tensão familiar (42:29-38)

    • Os irmãos contam todo o ocorrido.
    • Todos descobrem o dinheiro devolvido.
    • Jacó sente-se desfilhado e sobrecarregado.
    • Proposta radical de Rúben.
    • Recusa veemente de Jacó quanto a enviar Benjamim.

A narrativa alterna entre cenas no Egito e em Canaã, usando repetição de falas (relato dos irmãos a Jacó) para reforçar a tensão, o medo e a progressiva revelação dos propósitos de Deus.

Significado teológico

Este capítulo aprofunda a compreensão da providência divina, da responsabilidade humana e do processo de reconciliação.

  1. Providência soberana de Deus: A fome, a posição de José no Egito e o envio dos irmãos formam um conjunto de circunstâncias que, na superfície, parecem apenas desastres e necessidades, mas revelam um propósito divino de preservação da linhagem de Jacó. A realização dos sonhos de José mostra que a palavra de Deus se cumpre apesar da maldade humana e do passar do tempo.

  2. Culpa e juízo na consciência: O sentimento de culpa dos irmãos não é simplesmente psicológico; é apresentado como uma consciência despertada diante de uma espécie de juízo pedagógico de Deus. Ao interpretar a sua desgraça atual como consequência do pecado passado, eles reconhecem que a injustiça cometida contra José não foi esquecida diante de Deus.

  3. Provação que prepara a reconciliação: Os testes aplicados por José não são pura vingança. O texto sugere que José procura evidências de mudança de caráter e verdade no coração dos irmãos. A reconciliação, na perspectiva bíblica, não ignora o passado, mas passa por um processo de verdade, arrependimento e restauração.

  4. Temor de Deus como freio moral: Quando José afirma “eu temo a Deus” (v.18), isso fundamenta sua atitude de não deixar toda a família morrer de fome e de reduzir a severidade inicial de seu plano. O temor de Deus aparece como base ética, mesmo em uma posição de grande poder.

  5. Luto, medo e fé frágil: Jacó, o patriarca das promessas, aparece fragilizado, dominado pelo medo de mais perdas e pela sensação de que tudo conspira contra ele. Isso revela a tensão entre a promessa divina e a experiência humana de dor, e prepara o terreno para que a fidelidade de Deus se manifeste apesar da fé vacilante de seu servo.

No conjunto, Gênesis 42 revela um Deus que governa os acontecimentos, trata com seriedade o pecado, trabalha pela reconciliação e preserva sua promessa mesmo quando seus servos se sentem esmagados pelas circunstâncias.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Gênesis 42 toca em experiências humanas profundas: culpa antiga que volta à tona, famílias marcadas por luto e medo, desconfiança, sentimentos de desamparo e a sensação de que as circunstâncias são um castigo inevitável.

Há uma dinâmica forte de consciência: os irmãos de José carregavam há anos um segredo pesado, e a crise externa no Egito funciona como gatilho para que a culpa reprimida venha à tona. Em linguagem terapêutica, o texto mostra como situações atuais podem reativar traumas e culpas antigas ainda não processadas. A fala de Rúben recorda que houve advertência ignorada, o que amplia o peso de responsabilidade.

Jacó ilustra o impacto cumulativo do luto e das perdas. Sua frase “todas estas coisas vieram sobre mim” expressa uma visão de mundo marcada por desamparo e sobrecarga, comum em quem sofreu perdas sucessivas. Há medo de se apegar novamente (com Benjamim), medo de novos sofrimentos, e uma postura de proteção extrema.

Ao mesmo tempo, existe no texto uma dimensão de graça silenciosa: José chora, mostra que sente, e age com um cuidado que não é visível de imediato (provisão de alimento, devolução do dinheiro, preservação da família). Isso sugere que nem todo desconforto ou confronto é ausência de amor; às vezes, processos de verdade e confronto são partes de um caminho de cura profunda.

Para a saúde emocional e espiritual, o capítulo aponta para a importância de enfrentar o passado, nomear culpas e dores, perceber o papel da consciência, e reconhecer que Deus pode usar crises como oportunidades para reorientar histórias familiares marcadas por injustiça, segredos e medo.

warning Importante: maus usos comuns

Este capítulo contém elementos que podem ser sensíveis para algumas pessoas:

  • Culpa intensa e autorrecriminação: Os irmãos interpretam a desgraça como castigo direto, o que pode ressoar com pessoas que já vivem sob peso excessivo de culpa ou pensamentos punitivos sobre si mesmas.
  • Memórias de violência familiar e rejeição: A lembrança do tratamento cruel dado a José pode ativar memórias de abuso, exclusão ou injustiça vividas dentro da própria família.
  • Luto não elaborado: A dor de Jacó diante da perda de José e do aparente desaparecimento de Simeão pode tocar em feridas de quem perdeu filhos, familiares próximos ou passa por lutos em série.
  • Medo de abandono e catástrofe: A fala de Jacó, com medo de perder Benjamim e se ver totalmente desamparado, pode ser gatilho para pessoas que vivem com ansiedade intensa em relação à perda de pessoas amadas.
  • Promessas radicais e autodestrutivas: A proposta de Rúben, envolvendo a morte dos próprios filhos, revela um padrão de fala exagerada e destrutiva em contextos de desespero, o que pode refletir ou reativar experiências de ameaças emocionais em lares disfuncionais.

Leitores em sofrimento emocional intenso, com histórico de traumas familiares, culpa religiosa excessiva ou luto recente, podem precisar de apoio pastoral, comunitário ou profissional ao refletir sobre esse texto, para que ele seja fonte de compreensão e esperança, e não de mais peso.

Aplicação prática para hoje

  1. Enfrentar culpas antigas: Assim como os irmãos de José reconheceram o mal que fizeram, o texto incentiva uma postura de honestidade em relação a erros do passado, buscando confissão, reparação quando possível e caminhos de reconciliação.

  2. Reconhecer crises como oportunidade de revisão: A fome e a viagem ao Egito se tornam ocasião para Deus trabalhar no coração da família. Situações de pressão podem ser vistas não apenas como castigo, mas como convite a rever caminhos, atitudes e relacionamentos.

  3. Valorizar o temor de Deus em posições de poder: A atitude de José mostra que quem tem autoridade – em casa, no trabalho ou na comunidade – precisa de um senso vivo de responsabilidade diante de Deus para agir com justiça, firmeza e cuidado.

  4. Cuidar da comunicação familiar em tempos de medo: O diálogo entre Jacó e seus filhos mostra o quanto o medo e o luto podem deformar a forma de falar e decidir. Investir em escuta, clareza e menos exageros ajuda a não agravar a dor.

  5. Perceber a graça silenciosa em meio à dureza: Mesmo sem revelar sua identidade, José age em favor da família. O texto convida a olhar para além das aparências de severidade das circunstâncias e buscar sinais de cuidado e provisão que, às vezes, só são percebidos com o tempo.

  6. Evitar decisões e promessas sob extrema emoção: A proposta de Rúben é fruto de desespero. O capítulo sugere sabedoria em não assumir compromissos radicais ou falar palavras duras em momentos de forte angústia.

Perguntas frequentes

Por que José tratou seus irmãos com tanta dureza em Gênesis 42?

O texto mostra que José reconhece seus irmãos, lembra-se dos sonhos e decide colocá-los à prova. Sua dureza não é gratuita: ele quer testar a veracidade das palavras deles, saber o que aconteceu com a família e verificar se houve mudança de caráter em relação ao passado. Ao mesmo tempo, ele age com misericórdia: fornece alimento, devolve o dinheiro em segredo, preserva a vida da família e chora ao ouvir o reconhecimento de culpa dos irmãos. A aparente severidade faz parte de um processo de verdade e reconciliação, não apenas de vingança.

O que significa a expressão "ver a nudez da terra" usada por José?

A expressão “ver a nudez da terra” é uma forma de dizer que eles teriam vindo espionar os pontos frágeis do Egito. “Nudez” aqui transmite a ideia de vulnerabilidade, desproteção, como se eles estivessem investigando os limites, fraquezas e brechas do país. José usa uma linguagem típica de suspeita contra possíveis espias em contexto de crise, quando o Egito era alvo de interesse de outros povos em busca de alimento e vantagem.

Por que Jacó não queria deixar Benjamim ir ao Egito?

Benjamim era o filho mais novo, irmão de José por parte de pai e mãe, e se tornou o filho especialmente protegido após a suposta morte de José. Jacó já carregava o trauma dessa perda e agora também via Simeão preso no Egito. Com medo de sofrer outra tragédia, ele se apega a Benjamim como último remanescente daquele amor e daquela esperança ligados a Raquel. O medo de nova perda o leva a resistir à ideia de mandar Benjamim, mesmo sabendo da necessidade de alimento.

Por que o dinheiro dos irmãos foi devolvido nos sacos de trigo?

O texto não explica de forma direta a motivação de José, mas o contexto sugere um ato de generosidade e também parte do teste. Ao devolver o dinheiro, José garante que sua família receba mantimento sem custo e, ao mesmo tempo, coloca os irmãos diante de uma situação que exigirá deles honestidade e coragem quando precisarem retornar ao Egito. O gesto expõe o coração deles: como reagiriam diante de algo que poderia se parecer com um erro de contabilidade ou um favor misterioso?

Por que os irmãos acharam que Deus estava contra eles quando encontraram o dinheiro?

Quando o dinheiro aparece de volta nos sacos, os irmãos, já em estado de medo e culpa, interpretam o fato como mais um sinal de que algo está errado e que Deus está tratando com eles. Em vez de verem como bênção, veem como perigo: pensam que serão acusados de roubo e que isso trará ainda mais problemas com o governador do Egito. A consciência pesada faz com que leiam as circunstâncias sempre pelo viés de juízo e ameaça.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Gênesis 42 é uma história cheia de sentimentos intensos: medo, culpa, luto, surpresa, choro escondido. É como se a família de Jacó estivesse despedaçada por dentro, mesmo continuando a viver e trabalhar. Os irmãos carregam há anos um peso em silêncio. Quando a situação aperta no Egito, aquilo que estava escondido vem à tona: lembram da angústia de José, da súplica que ignoraram, da advertência de Rúben. A dor antiga volta com força, como acontece tantas vezes quando um novo problema desperta memórias que pareciam adormecidas. Jacó aparece como alguém cansado, marcado por perdas em série. Suas palavras mostram um coração exausto: sente-se desfilhado, como se o mundo estivesse contra ele. Esse retrato é muito humano: quem sofre muito tende a enxergar a vida a partir do medo, esperando sempre a próxima tragédia. No meio disso, há um detalhe terno: José chora. O poderoso governador, que poderia ser apenas duro, se afasta e chora ao ouvir seus irmãos falando da culpa e da dor. O texto deixa ver que, por trás da armadura e das estratégias, há um coração sensível, ferido, que ainda sente. Isso lembra que Deus não ignora lágrimas, nem das vítimas, nem daqueles que agora se reconhecem culpados. Também chama atenção a graça silenciosa: enquanto todos temem, José garante alimento, devolve o dinheiro, guarda Simeão com vida. A família não percebe, mas há cuidado acontecendo por trás da cena. Esse capítulo mostra que, mesmo quando o coração está tomado pelo medo e pela culpa, Deus pode estar trabalhando por dentro da história, preparando reconciliação, cura e preservação, ainda que, naquele momento, quase ninguém consiga enxergar isso.

Mind
Mente

Do ponto de vista da leitura bíblica cuidadosa, Gênesis 42 marca o início formal do arco de reconciliação entre José e seus irmãos. O capítulo se apoia fortemente em elementos já apresentados antes: os sonhos de José em Gênesis 37, a venda ao Egito e o luto de Jacó. A realização dos sonhos é um ponto teológico central. Quando os irmãos se prostram diante de José (v.6), o narrador conecta explicitamente ao fato de José se lembrar dos sonhos (v.9). Isso confirma que aquilo que Deus havia mostrado no passado está se cumprindo, mesmo depois de muitos anos e de caminhos aparentemente contrários. A acusação de espionagem, repetida duas vezes, tem função literária e teológica: intensifica o conflito, cria um ambiente de prova e expõe o tema da verdade. Os irmãos insistem em que são “homens de retidão”, mas o leitor sabe que, na história, foram capazes de enganar o próprio pai sobre o destino de José. A narrativa assim contrasta a autoimagem deles com seu passado real. A declaração “eu temo a Deus” (v.18) é um marco: localiza José, agora integrado à cultura egípcia, ainda como alguém que se orienta pelo Deus dos pais. Isso justifica a mudança de estratégia – de manter todos presos a libertar a maioria para que a família não morra de fome – e mostra que seu senso de justiça não é arbitrário. O diálogo entre os irmãos, que José entende sem que saibam, explora o tema da consciência. O texto faz questão de mencionar o intérprete (v.23) para indicar distância cultural e, ao mesmo tempo, para mostrar que José tem acesso direto ao coração deles, ouvindo o que pensam sobre o passado. Literariamente, o capítulo usa repetição com propósito: o relato dos irmãos a Jacó reconta os fatos com pequenas variações, reforçando a tensão e dando voz à percepção deles dos eventos. A reação de Jacó e a proposta de Rúben preparam a continuidade da trama, em que a necessidade de voltar ao Egito com Benjamim se tornará inevitável. Tudo isso mostra uma construção narrativa intencional, que progride em etapas rumo à revelação plena da identidade de José e à restauração da família.

Life
Vida

Gênesis 42 oferece um retrato muito prático de como famílias lidam – bem ou mal – com crises, erros antigos e decisões difíceis. Os irmãos de José mostram que culpas não resolvidas acabam reaparecendo quando a vida aperta. Eles interpretam o momento difícil sempre à luz do que fizeram no passado. Isso ensina que varrer conflitos para debaixo do tapete não elimina o problema; apenas adia. Relacionamentos marcados por injustiça e mentira precisam, cedo ou tarde, ser revisitados com verdade, mesmo que isso traga desconforto. Jacó, por sua vez, ilustra o impacto do medo nas decisões de família. Ele tenta proteger Benjamim a qualquer custo, mas, ao fazer isso, atrasa o que será necessário para a sobrevivência de todos. A proteção exagerada, frequentemente nascida de traumas reais, pode acabar gerando outros riscos e tensões. No ambiente familiar, decisões baseadas apenas no pavor tendem a acentuar conflitos e a comunicação truncada. A postura de José aponta para um equilíbrio complexo entre firmeza e cuidado. Ele não ignora o que aconteceu, nem abre mão de testar a confiabilidade dos irmãos, mas também garante alimento, devolve dinheiro e não cede ao impulso de pura vingança. Em termos práticos, ao lidar com pessoas que erraram gravemente, o texto sugere a combinação de limites claros com atos de graça que preservem a possibilidade de restauração. Há ainda um alerta sobre palavras ditas em momentos de desespero, como a proposta de Rúben envolvendo a própria família. Em situações de pressão, é comum recorrer a promessas exageradas, ameaças ou discursos dramáticos para tentar resolver uma decisão. O capítulo convida a reconhecer esse padrão e a buscar respostas mais ponderadas, que protejam as pessoas e as relações. No cotidiano, Gênesis 42 inspira a investir em conversas honestas sobre o passado, a tomar decisões familiares com mais escuta e menos pânico, e a lidar com quem falhou com uma combinação de prudência e disposição real para recomeços supervisionados.

Soul
Alma

Espiritualmente, Gênesis 42 revela algo profundo sobre como Deus conduz histórias marcadas por pecado, luto e medo em direção a um propósito maior. Nada do que acontece – a fome, a viagem, a posição de José – é mero acaso. A providência divina tece a dor e a necessidade, preparando um caminho de preservação e reconciliação que, naquele momento, ninguém enxerga por completo. O despertar da consciência dos irmãos é um elemento central de formação espiritual. Durante anos, mantiveram-se em silêncio sobre o mal cometido. Agora, diante da prova, leem suas circunstâncias como um chamado de Deus à verdade. Em linguagem de fé, a crise se torna um tipo de disciplina, não destrutiva, mas pedagógica: leva-os a recordar, confessar entre si e reconhecer que o sangue de José está sendo “requerido”. O caminho da restauração passa por esse reconhecimento sincero. José encarna, em pequena escala, algo do modo como Deus lida com os que ama: não nega o mal, confronta, prova, e ainda assim preserva a vida, oferece pão e chora por aqueles que o feriram. Sua frase “eu temo a Deus” revela que, mesmo revestido de poder estrangeiro, seu eixo continua sendo o Senhor da aliança. Há um coração alinhado com Deus no centro dessa história tensa. Jacó, com sua fé vacilante, representa muitos crentes que carregam promessas, mas se sentem esmagados pelas perdas. Seu olhar é curto, limitado ao “todas estas coisas vieram sobre mim”. Ele ainda não vê que, por trás das perdas, Deus está reconstruindo a família, cumprindo os sonhos e preparando livramento. O texto convida à esperança paciente: a história ainda não terminou, e o que hoje parece apenas escuridão pode ser um capítulo de um enredo maior da fidelidade divina. Assim, Gênesis 42 nutre uma espiritualidade que leva o pecado a sério, não banaliza a dor, mas confia que Deus usa até a fome, a distância e os equívocos para curar famílias, formar caráter e guardar a linhagem da promessa. A visão de eternidade aqui é a de um Deus que escreve longas histórias, nas quais a disciplina e a misericórdia caminham juntas rumo a uma reconciliação que reflete o seu próprio coração.

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Versículos em Gênesis 7

Gênesis 7:1

" No primeiro ano de Belsazar, rei de babilônia, teve Daniel um sonho e visões da sua cabeça quando estava na sua cama; escreveu logo o sonho, e relatou a suma das coisas. "

Gênesis 7:2

" Falou Daniel, e disse: Eu estava olhando na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar grande. "

Gênesis 7:4

" O primeiro era como leão, e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, e foi levantado da terra, e posto em pé como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem. "

Gênesis 7:5

" Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne. "

Gênesis 7:6

" Depois disto, eu continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha quatro asas de ave nas suas costas; tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio. "

Gênesis 7:7

" Depois disto eu continuei olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres. "

Gênesis 7:8

" Estando eu a considerar os chifres, eis que, entre eles subiu outro chifre pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas. "

Gênesis 7:9

" Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um ancião de dias se assentou; a sua veste era branca como a neve, e o cabelo da sua cabeça como a pura lã; e seu trono era de chamas de fogo, e as suas rodas de fogo ardente. "

Gênesis 7:10

" Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões assistiam diante dele; assentou-se o juízo, e abriram-se os livros. "

Gênesis 7:11

" Então estive olhando, por causa da voz das grandes palavras que o chifre proferia; estive olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo; "

Gênesis 7:12

" E, quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio; todavia foi-lhes prolongada a vida até certo espaço de tempo. "

Gênesis 7:13

" Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. "

Gênesis 7:14

" E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. "

Gênesis 7:15

" Quanto a mim, Daniel, o meu espírito foi abatido dentro do corpo, e as visões da minha cabeça me perturbaram. "

Gênesis 7:16

" Cheguei-me a um dos que estavam perto, e pedi-lhe a verdade acerca de tudo isto. E ele me disse, e fez-me saber a interpretação das coisas. "

Gênesis 7:18

" Mas os santos do Altíssimo receberão o reino, e o possuirão para todo o sempre, e de eternidade em eternidade. "

Gênesis 7:19

" Então tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro e as suas unhas de bronze; que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobrava; "

Gênesis 7:20

" E também a respeito dos dez chifres que tinha na cabeça, e do outro que subiu, e diante do qual caíram três, isto é, daquele que tinha olhos, e uma boca que falava grandes coisas, e cujo parecer era mais robusto do que o dos seus companheiros. "

Gênesis 7:22

" Até que veio o ancião de dias, e fez justiça aos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino. "

Gênesis 7:23

" Disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. "

Gênesis 7:24

" E, quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. "

Gênesis 7:25

" E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo. "

Gênesis 7:26

" Mas o juízo será estabelecido, e eles tirarão o seu domínio, para o destruir e para o desfazer até ao fim. "

Gênesis 7:27

" E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão. "

Gênesis 7:28

" Aqui terminou o assunto. Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos muito me perturbaram, e mudou-se em mim o meu semblante; mas guardei o assunto no meu coração. "

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