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Daniel 7:9 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um ancião de dias se assentou; a sua veste era branca como a neve, e o cabelo da sua cabeça como a pura lã; e seu trono era de chamas de fogo, e as suas rodas de fogo ardente. "

Daniel 7:9

menu_book Versículo no contexto

7 Depois disto eu continuei olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres.

8 Estando eu a considerar os chifres, eis que, entre eles subiu outro chifre pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas.

9 Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um ancião de dias se assentou; a sua veste era branca como a neve, e o cabelo da sua cabeça como a pura lã; e seu trono era de chamas de fogo, e as suas rodas de fogo ardente.

10 Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões assistiam diante dele; assentou-se o juízo, e abriram-se os livros.

11 Então estive olhando, por causa da voz das grandes palavras que o chifre proferia; estive olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo;

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auto_stories Comentário Bible Guided

Quer entendamos o quarto animal como o império sírio ou como o império romano, ou o primeiro apenas como figura do segundo, o ponto principal é claro. Estes versículos foram dados para consolar e sustentar o povo de Deus enquanto enfrenta perseguição de um império após o outro, e de todo inimigo soberbo em todas as épocas. A Escritura foi escrita para sua instrução, para que os que vivem nestes tempos posteriores tenham esperança por meio da perseverança e do consolo que ela oferece.

Há aqui três coisas especialmente animadoras. Primeiro, há um juízo que certamente virá, e Deus é o Juiz. Agora, os homens têm o seu “dia”, e todo governante orgulhoso quer ter o seu. Mas aquele que está entronizado nos céus zomba deles, porque vê que o dia deles está chegando (Salmo 37:13). Daniel diz: “Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos” (Daniel 7:9). Isso pode significar tronos de reinos terrenos sendo derrubados, ou pode significar o trono de Cristo e o trono de seu Pai sendo estabelecidos. Um escritor judeu chega a dizer que esses tronos estão preparados, um para Deus e outro para o Filho de Davi.

Esta é a cena de juízo descrita em (Daniel 7:10). Ela mostra o governo sábio e justo de Deus sobre o mundo por meio de sua providência, seu cuidado soberano. Isso traz grande paz aos fiéis em meio a convulsões nacionais, porque o Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo (Salmo 103:19). Também é verdade que Deus julga na terra (Salmo 58:11). Talvez essa visão também aponte para o juízo de Deus sobre a Síria ou sobre Roma por causa de sua crueldade contra o seu povo. Mas parece olhar principalmente para o juízo final. Ainda que esse dia esteja distante, Deus quis que o seu povo em todas as eras se fortalecesse com essa promessa. Enoque, o sétimo depois de Adão, falou dele (Judas 1:14). Quando, em (Daniel 7:8), o inimigo profere grandes palavras, aqui palavras muito maiores são proferidas pelo próprio Senhor. Várias passagens do Novo Testamento sobre o juízo vindouro ecoam claramente essa visão, especialmente a visão de João em (Apocalipse 20:11-12).

O Juiz é o Ancião de Dias, o próprio Deus Pai. Ele é chamado de Ancião de Dias porque é Deus de eternidade a eternidade. Entre os homens, a idade costuma representar sabedoria, e a velhice merece respeito. Quanto mais toda carne deve se calar diante daquele que é, de fato, o Ancião de Dias? Sua veste é branca como a neve, mostrando a beleza e a pureza de todos os seus juízos. O cabelo de sua cabeça é como pura lã, de modo que ele aparece pleno de honra e majestade.

O trono também é tremendo. É como uma chama de fogo, terrível para os ímpios que terão de comparecer diante dele. As rodas do trono são como fogo ardente, mostrando que Deus se move depressa contra seus inimigos. Nosso Deus é fogo consumidor, e com ele há ardores eternos (Isaías 33:14). Para o seu povo fiel, um rio puro da água da vida procede do trono de Deus e do Cordeiro (Apocalipse 22:1). Mas para seus inimigos obstinados, um rio de fogo sai do seu trono, um ribeiro de enxofre, um fogo que arde diante dele (Isaías 30:33). Ele é testemunha veloz, e sua palavra vem como fogo sobre rodas.

Os assistentes são muitos e gloriosos. A glória visível da presença de Deus, a Shekinah, está sempre acompanhada de anjos, e assim é aqui. “Milhares de milhares” o servem, e “milhões de milhões” estão diante dele (Daniel 7:10). Isso acrescenta glória ao seu tribunal, embora ele não precise deles nem possa ser auxiliado por eles. Mostra quão incontáveis são os exércitos celestiais e quão prontos estão para fazer a sua vontade. Eles se mantêm em pé diante de Deus, aguardando suas ordens. Servirão de modo especial como ministros de sua justiça no último dia, quando o Filho do Homem vier com todos os santos anjos. Enoque predisse que o Senhor viria com suas santas miríades.

O processo é justo e irrespondível. O juízo se assenta em sessão pública, e os livros são abertos. Nos tribunais humanos, mantêm-se registros por escrito, que são apresentados quando o caso é julgado. Testemunhas são ouvidas, declarações são lidas sob juramento, e livros de lei são consultados para se determinar o que é direito. No grande juízo, a equidade da sentença será igualmente evidente, como se livros fossem abertos para comprová-la.

Em segundo lugar, os inimigos orgulhosos e cruéis da igreja de Deus certamente serão tratados e abatidos a seu tempo (Daniel 7:11-12). Isso é mostrado primeiro na destruição do quarto animal. A contenda de Deus com esse animal está ligada às grandes palavras pronunciadas por seu chifre, palavras que afrontam o céu e se levantam contra tudo o que é santo. O orgulho provoca Deus de modo especial, como quando Faraó foi humilhado porque disse: “Quem é o Senhor?” e, “Perseguirei, alcançarei” (ver também Judas 1:15). Grandes palavras são palavras vazias, e os homens hão de responder por elas naquele grande dia.

Veja o que acontece a esse animal que fala com tamanha ousadia. Ele é morto, seu corpo destruído e entregue à queima do fogo. O império sírio, depois de Antíoco, chegou à ruína. O próprio Antíoco morreu miseravelmente, sua família foi eliminada, seu reino foi desgastado pelos partas e armênios, e por fim Pompeu o transformou em província do império romano. Se o quarto animal for Roma, então a própria Roma, depois que começou a perseguir o cristianismo, entrou em declínio e se consumiu, até que o seu corpo foi destruído. Assim perecerão todos os inimigos de Deus e serão mortos diante dele.

Os outros três animais também perdem seu poder (Daniel 7:12). O seu domínio foi tirado, de modo que já não podiam causar o mal que antes faziam à igreja e ao povo de Deus. Mesmo assim, foi-lhes prolongada a vida por um tempo e uma estação, dentro de limites que Deus havia estabelecido e que não podiam ultrapassar.

O poder dos reinos recém-descritos foi completamente quebrado, mas seus povos continuaram existindo em condição baixa, fraca e humilhada. Podemos usar esse quadro para pensar no pecado remanescente no coração do povo de Deus. Seus desejos corrompidos ainda permanecem por algum tempo, de modo que não estão totalmente livres do pecado, mas o domínio do pecado foi quebrado, de forma que ele não reina mais em seus corpos mortais.

Deus também lida assim com os inimigos de sua igreja. Às vezes ele quebra o poder deles, como em (Salmo 3:7), mas não os destrói logo de uma vez. Ele interrompe a perseguição, mas permite que os perseguidores vivam ainda por algum tempo, dando-lhes espaço para se arrepender. É justo que Deus, ao realizar a sua própria obra, use o seu próprio tempo e o seu próprio modo.

O reino do Messias será estabelecido e mantido no mundo, apesar de toda a oposição das potestades das trevas. Deixem as nações se enfurecerem quanto quiserem, Deus ainda assim colocará o seu Rei sobre o seu santo monte de Sião. Daniel vê isso na visão e encontra consolo para si e para seus amigos. É o mesmo que a visão de Nabucodonosor da pedra cortada sem mãos do monte, que feriu e despedaçou a estátua, mas aqui há muito mais da clara mensagem do evangelho.

O Messias é chamado de “um como o Filho do Homem”. Ele de fato veio em semelhança humana, feito em semelhança de carne pecaminosa e achado na forma de homem. Corresponde exatamente ao que Deus havia determinado em seu conselho para aquele que, na plenitude dos tempos, seria o Mediador, o que se colocaria entre Deus e os homens. Ele é como um filho de homem, e ainda assim é verdadeiramente o Filho de Deus. Nosso Salvador parece apontar claramente para essa visão quando diz, em (João 5:27), que o Pai lhe deu autoridade para julgar porque é o Filho do Homem.

Diz-se também que ele vem com as nuvens do céu. Alguns entendem isso de sua vinda ao mundo na encarnação, de modo oculto, como a glória do Senhor que entrou no templo numa nuvem. Os reinos do mundo são representados como animais que sobem do mar, mas o reino de Cristo vem do alto. Ele é o Senhor do céu. Parece melhor entender isso de sua ascensão. Quando ele voltou para o Pai, seus discípulos olharam até que uma nuvem o recebeu, ocultando-o de seus olhos (Atos 1:9). Ele fez dessa nuvem o seu carro e subiu em triunfo ao mundo superior. Ele vem velozmente, com grande poder e majestade real, pois vem com as nuvens do céu.

Ele também é mostrado como tendo grande favor no céu. Quando a nuvem o tirou da vista dos discípulos, vale perguntar para onde o levou e onde foi recebido. Aqui nos é dito, para nosso pleno consolo, que ele veio até o Ancião de Dias. Ele subiu para seu Pai e nosso Pai, para seu Deus e nosso Deus (João 20:17). Veio dele e voltou para ele, para ser glorificado com ele e assentar-se à sua direita. Ele pôde dizer com verdadeira alegria: “Agora vou para aquele que me enviou.” E foi bem-vindo ali. Foi levado e apresentado diante dele, com a assistência e adoração de todos os anjos de Deus (Hebreus 1:6). Deus o fez aproximar-se como advogado e aquele que assume a nossa causa (Jeremias 30:21), para que, por meio dele, nós também sejamos aproximados.

Essa aproximação solene ao Ancião de Dias mostra que o Pai aceitou o sacrifício que Cristo ofereceu e a plena satisfação que ele realizou pelo pecado. O Pai se agradou completamente de tudo o que ele fez. Ele é apresentado como aquele que foi levado à presença de Deus como nosso sumo sacerdote, que entra além do véu por nós, e como nosso precursor, que vai adiante de nós.

Ele também é mostrado como tendo grande influência sobre a terra. Quando foi para ser glorificado junto do Pai, foi-lhe dada autoridade sobre todas as pessoas (João 17:2, João 17:5). Com essa promessa em vista, Daniel e seus amigos são consolados. Não apenas o domínio dos inimigos da igreja será tirado (Daniel 7:12), mas o Cabeça e melhor Amigo da igreja receberá o reino. Todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará (Filipenses 2:9, Filipenses 2:10).

Glória e reino lhe são dados por aquele que tem todo direito de dá-los. Muitos entendem que, com essas verdades em mente, nosso Salvador nos ensina a reconhecer isso quando dizemos ao final da Oração do Senhor: “Teu é o reino, o poder e a glória”. O reino do Redentor exaltado é anunciado como universal. É o único verdadeiro domínio mundial, qualquer que tenha sido a pretensão ou a tentativa de outros. Povos, nações e línguas o temerão e se sujeitarão ao seu governo, seja como súditos voluntários, seja como derrotados em sua rebelião. De um modo ou de outro, todos os reinos do mundo se tornarão dele.

Também é um reino eterno. Seu governo não passará para nenhum sucessor, muito menos para algum inimigo, e seu reino jamais será destruído. Nem as portas do inferno, isto é, os poderes e planos do mal, prevalecerão contra ele. A igreja permanecerá em conflito espiritual até o fim dos tempos, e então será vitoriosa para sempre, nas eras sem fim da eternidade.

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