Gênesis 5 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Gênesis 5 na sua vida hoje

31 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Gênesis 5?

Gênesis 40 narra um episódio da vida de José na prisão, quando dois oficiais de Faraó — o copeiro-mor e o padeiro-mor — são encarcerados no mesmo lugar. Ambos têm sonhos enigmáticos na mesma noite, e José, reconhecendo que as interpretações pertencem a Deus, explica o significado de cada sonho. O sonho do copeiro anuncia sua restauração ao cargo; o do padeiro, sua condenação à morte. No terceiro dia, durante a festa de aniversário de Faraó, as interpretações se cumprem exatamente, mas o copeiro-mor se esquece de José, prolongando o tempo de espera do servo de Deus na prisão.

Temas principais em Gênesis 5

Deus presente nas circunstâncias adversas (versículos Gn 40:3-4, 14-15)

Mesmo injustamente preso, José continua sendo usado por Deus. O cárcere se torna cenário de revelação e direção divina, mostrando que o agir do Senhor não depende de condições favoráveis.

Versículos-chave: 3, 4, 14, 15

Sonhos e soberania de Deus (versículos Gn 40:5-8, 12-13, 18-19)

Os sonhos do copeiro e do padeiro e suas interpretações revelam que Deus dirige o futuro de pessoas simples e de grandes autoridades. José reconhece que o significado dos sonhos vem de Deus, não de habilidade humana.

Versículos-chave: 5, 8, 12, 18

Justiça e juízo (versículos Gn 40:18-22)

O copeiro é restaurado e o padeiro é condenado, conforme a palavra de Deus por meio de José. O texto sublinha que há distinção entre destinos, e que o juízo divino pode se manifestar de forma concreta na história.

Versículos-chave: 20, 21, 22

Esquecimento humano e fidelidade divina (versículos Gn 40:14, 23)

O copeiro se esquece de José, mesmo depois de uma experiência marcante. O capítulo termina com o silêncio do homem, preparando o leitor para o agir posterior de Deus, que não esquece suas promessas.

Versículos-chave: 14, 23

Contexto histórico e literario

O cenário é o Egito do período patriarcal, em que Faraó é o soberano absoluto e mantém uma corte estruturada com oficiais responsáveis por suas refeições e segurança. O copeiro-mor era encarregado de servir o vinho e outros líquidos ao rei, função de muita confiança, pois envolvia o risco de envenenamento. O padeiro-mor era responsável pelo preparo do pão e alimentos de forno da casa real. Qualquer suspeita de conspiração poderia levar esses oficiais à prisão ou à execução.

José havia sido vendido como escravo e, após ser acusado injustamente pela esposa de Potifar, foi lançado na prisão ligada à casa do capitão da guarda. Não se trata de um cárcere comum, mas de uma prisão ligada ao círculo da corte, onde oficiais do rei também poderiam ser detidos. O fato de José ser colocado para servir os dois oficiais mostra que, mesmo na prisão, ele ganhara certa confiança das autoridades.

A celebração do “dia do nascimento de Faraó” (v. 20) possivelmente se refere ao aniversário do rei ou a uma data comemorativa de sua ascensão ao trono. Nesses eventos, era comum haver banquetes, demonstração de poder e, às vezes, atos de graça ou de severidade, como restaurações de cargos ou execuções, sinalizando que a vontade do rei definia o destino de seus servos.

Estrutura de Gênesis 5

Gênesis 40 apresenta uma narrativa relativamente curta, mas bem estruturada, com tensão crescente e clímax claro:

  1. Introdução do conflito (vv. 1-4)
    Os dois oficiais de Faraó (copeiro-mor e padeiro-mor) ofendem o rei e são lançados na mesma prisão em que José está. O capitão da guarda confia a José o serviço a esses homens, estabelecendo o contato que moverá a história.

  2. Os sonhos e a preocupação (vv. 5-8)
    Na mesma noite, os dois oficiais têm sonhos distintos, que os deixam perturbados. José percebe seu abatimento e se oferece para ouvir, afirmando que as interpretações pertencem a Deus.

  3. Sonho e interpretação do copeiro-mor (vv. 9-13)
    O copeiro relata um sonho com uma videira e três sarmentos, uvas espremidas diretamente no copo de Faraó. José interpreta de forma positiva: em três dias, o copeiro será restaurado ao seu cargo.

  4. Pedido pessoal de José (vv. 14-15)
    Após anunciar a restauração, José suplica que o copeiro se lembre dele diante de Faraó, explicando sua situação de injustiça, tanto na saída da terra dos hebreus quanto na acusação que o levou ao cárcere.

  5. Sonho e interpretação do padeiro-mor (vv. 16-19)
    Animado pela boa interpretação anterior, o padeiro relata seu sonho: três cestos de pão sobre a cabeça, e aves comendo dos cestos. José, fiel à mensagem recebida, traz uma interpretação dura: em três dias o padeiro será executado e seu corpo será exposto às aves.

  6. Cumprimento exato das interpretações (vv. 20-22)
    No terceiro dia, aniversário de Faraó, o rei faz um banquete e decide o destino dos dois: restaura o copeiro e manda enforcar o padeiro, exatamente como José havia dito.

  7. Desfecho em tom de silêncio (v. 23)
    O capítulo se encerra com uma nota agridoce: o copeiro-mor não se lembra de José; esquece-se dele. A tensão permanece, abrindo caminho para os acontecimentos do capítulo seguinte.

Significado teológico

O capítulo reforça a convicção de que Deus governa a história mesmo em contextos de opressão, injustiça e esquecimento humano. A prisão, que poderia representar apenas fracasso e esquecimento, torna-se o lugar em que Deus revela o futuro, preserva a vida e prepara um caminho de exaltação para José.

A afirmação de José de que as interpretações pertencem a Deus (v. 8) destaca a soberania divina sobre o desconhecido e sobre o futuro. Nem o poder de Faraó, nem as estruturas da corte, têm controle final sobre o destino dos oficiais; tudo ocorre segundo a palavra que vem do Senhor. José se apresenta não como um “dono” do dom, mas como um servo que depende de Deus para interpretar.

A fidelidade de Deus à sua revelação é outro ponto teológico relevante: o que Deus revela por meio dos sonhos se cumpre exatamente, tanto na restauração quanto no juízo. Isso reforça a confiabilidade da palavra divina, ainda que os resultados sejam diferentes para cada pessoa envolvida.

Em contraste com essa fidelidade, aparece a fragilidade da memória humana. O copeiro se esquece de José, mas o leitor sabe, pela sequência do livro, que Deus não o esqueceu. Essa tensão entre esquecimento humano e lembrança divina antecipa a futura elevação de José e mostra que o tempo de Deus nem sempre coincide com as expectativas imediatas de seus servos.

Por fim, o capítulo também traz um vislumbre da justiça de Deus: um é restaurado, outro é condenado. A presença simultânea de graça e juízo lembra que Deus não apenas consola e restaura, mas também julga. Em toda a cena, porém, José permanece como figura de um justo sofredor que confia em Deus no meio da humilhação, apontando tipologicamente para a ideia de que o caminho da exaltação muitas vezes passa pela prova.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Gênesis 40 toca em temas delicados da experiência humana: injustiça, espera prolongada, esquecimento e esperança que parece adiada. José vive uma sequência de perdas — família, liberdade, reputação — e, ainda assim, continua exercendo cuidado com outros, percebendo a tristeza dos companheiros de prisão e oferecendo ajuda.

O capítulo mostra um coração ferido, mas não endurecido. José não nega sua dor: ao pedir ao copeiro que se lembre dele e ao declarar que foi roubado da terra dos hebreus e injustamente preso (vv. 14-15), ele nomeia sua experiência com honestidade. Ao mesmo tempo, mantém sua confiança em Deus ao reconhecer que as interpretações pertencem ao Senhor (v. 8).

Do ponto de vista emocional, o texto reconhece que a vida com Deus não elimina situações de aparente abandono. O esquecimento do copeiro (v. 23) representa uma frustração profunda: depois de um pequeno fio de esperança, o silêncio recomeça. Ainda assim, o capítulo sugere que a espera e o silêncio não são vazios, mas parte de um processo maior que ainda não se revelou por completo.

Para quem vive injustiças ou se sente esquecido, essa narrativa acolhe o sentimento de desamparo, sem negar a possibilidade de que Deus esteja agindo de forma mais ampla do que é visível no momento. Ela valida a dor e, ao mesmo tempo, aponta para uma esperança que não depende da memória ou da gratidão humana.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos do capítulo podem acionar memórias ou emoções difíceis em pessoas sensíveis:

  1. Injustiça e acusação falsa (v. 15)
    A experiência de José pode reativar lembranças de injustiças sofridas, abusos de poder, processos judiciais traumáticos ou calúnias.

  2. Prisão e perda de liberdade (vv. 3-4)
    A imagem do cárcere pode ser gatilho para quem teve parentes encarcerados, passou por internações forçadas ou se sente aprisionado em situações relacionais ou emocionais.

  3. Juízo e morte violenta (vv. 19-22)
    A execução do padeiro, com detalhes de exposição do corpo às aves, pode ser impactante para pessoas enlutadas por mortes violentas, acidentes ou assassinatos.

  4. Esquecimento e abandono (v. 23)
    O esquecimento do copeiro pode tocar profundamente quem já enfrentou abandono de amigos, familiares, líderes religiosos ou instituições em momentos de crise.

Para leitura pastoralmente sensível, é importante reconhecer esses possíveis gatilhos. O texto pode ser trabalhado com cuidado, dando espaço para nomear dores, acolher lágrimas e, se necessário, sugerir apoio profissional ou comunitário, sem usar a história de José como justificativa para minimizar sofrimentos atuais.

Aplicação prática para hoje

  1. Servir mesmo em contextos desfavoráveis
    José continua servindo com responsabilidade, mesmo na prisão (v. 4). Em contextos de trabalho difíceis, famílias desestruturadas ou limitações financeiras, a postura de fidelidade e excelência continua tendo valor diante de Deus.

  2. Perceber a dor alheia
    José nota o semblante triste dos oficiais (v. 6-7). Em meio às próprias lutas, é possível cultivar sensibilidade ao sofrimento de colegas, familiares e membros da comunidade, criando espaços de escuta e cuidado.

  3. Reconhecer a dependência de Deus
    Ao dizer que as interpretações pertencem a Deus (v. 8), José aponta para a humildade diante do desconhecido. Em decisões importantes, sonhos, planos ou crises, essa postura convida à busca de sabedoria do Senhor, e não apenas da própria capacidade.

  4. Nomear a injustiça sem perder a fé
    José fala com clareza sobre ter sido roubado da terra dos hebreus e injustamente preso (v. 15). Há lugar para denunciar injustiças e buscar reparação, sem precisar abandonar a confiança no cuidado de Deus.

  5. Lidar com frustrações e esquecimentos
    O esquecimento do copeiro (v. 23) mostra que a gratidão humana é limitada. Ao fazer o bem e ser esquecido, a esperança pode ser recolocada em Deus, não como fuga, mas como realinhamento: o reconhecimento e a recompensa finais não dependem apenas das pessoas.

  6. Levar a sério as advertências de Deus
    A diferença entre o destino do copeiro e do padeiro lembra que a palavra de Deus não é neutra: conforta e também confronta. Os avisos divinos sobre caminhos de morte e destruição merecem atenção, convidando a mudança de rota.

Perguntas frequentes

Quem eram o copeiro-mor e o padeiro-mor de Faraó?

Eram altos oficiais da corte egípcia responsáveis diretamente pela comida e bebida do rei. O copeiro-mor servia o vinho e outras bebidas, garantindo que não houvesse envenenamento. O padeiro-mor cuidava do preparo de pães e iguarias de forno da casa real. Por estarem tão próximos de Faraó, qualquer suspeita de traição ou falha grave podia levá-los à prisão ou à morte.

Por que José diz que as interpretações pertencem a Deus?

Ao afirmar que as interpretações pertencem a Deus (v. 8), José reconhece que o verdadeiro sentido dos sonhos vem do Senhor, não de técnicas humanas ou adivinhações. Ele se coloca como um instrumento, não como dono de um “poder” próprio. Essa declaração reforça a soberania de Deus sobre o futuro e a dependência do ser humano para compreender realidades espirituais.

Por que os sonhos têm três sarmentos e três cestos?

Nos dois sonhos, o número três é central: três sarmentos (v. 10) e três cestos (v. 16). José interpreta esse número como representando três dias (vv. 12, 18). O texto não explica simbolismos mais amplos do número três, mas mostra que Deus usou imagens do cotidiano desses homens (vinha, pão, cestos) para comunicar um período específico até o cumprimento do que estava para acontecer.

Deus foi injusto com o padeiro-mor ao decretar sua morte?

O texto não traz detalhes sobre a culpa ou inocência do padeiro, apenas afirma que ele havia ofendido o rei (v. 1) e que, segundo a interpretação dada por Deus a José, seu destino seria a morte (v. 19). Em termos teológicos, o capítulo ressalta que Deus tem autoridade para julgar, e que o juízo divino é diferente da arbitrariedade humana. A narrativa não oferece todas as explicações morais desejadas, mas mostra que a mesma palavra de Deus que restaura também pode anunciar condenação, lembrando que o Senhor é justo juiz.

Por que o copeiro-mor se esqueceu de José?

O texto afirma simplesmente que o copeiro-mor “não se lembrou de José, antes se esqueceu dele” (v. 23), sem explicar seus motivos. Pode ter sido medo de se comprometer, desejo de não se associar a um prisioneiro, ou simples ingratidão. Literariamente, esse esquecimento cria uma pausa na história e mostra que a libertação de José não viria pela iniciativa humana imediata, mas no tempo e no modo determinados por Deus, que mais tarde usaria o mesmo copeiro para lembrar-se dele diante de Faraó.

Como Gênesis 40 se conecta ao restante da história de José?

Gênesis 40 é um elo essencial na trajetória que levará José da prisão ao palácio. É por causa desse encontro na prisão que, mais adiante, quando Faraó tiver seus próprios sonhos perturbadores, o copeiro se lembrará de José (Gn 41). Assim, o capítulo 40 mostra Deus preparando o cenário e os relacionamentos que, no momento certo, abrirão o caminho para a exaltação de José e para a preservação de muitas vidas.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Este capítulo mostra um coração ferido que continua sensível. José foi traído, vendido, acusado injustamente e agora está preso. Mesmo assim, na manhã em que vê o copeiro e o padeiro tristes, ele percebe o semblante deles e se importa. O sofrimento não o fechou totalmente para a dor do outro. Há uma mistura tocante de fé e vulnerabilidade. José confia que Deus é quem dá a interpretação dos sonhos (v. 8), mas não esconde sua dor quando pede: “lembra-te de mim” (v. 14) e afirma que foi roubado da terra dos hebreus e injustamente colocado naquela cova (v. 15). Não é um “herói de pedra”; é alguém que sente, chora por dentro, mas continua acreditando que Deus pode agir. O silêncio no fim do capítulo é pesado: o copeiro não se lembra de José (v. 23). Esse esquecimento ecoa aquela sensação de quando alguém ajuda, se doa, e no final fica sozinho, sem reconhecimento. A narrativa não mascara esse gosto amargo. Ela acolhe a frustração que vem depois de um fio de esperança que se rompe. Ao mesmo tempo, por trás do silêncio, há um Deus que não abandona. Embora o texto não diga explicitamente o que José sentiu naquele momento, todo o arco da sua história deixa ver que o Senhor estava escrevendo algo maior, mesmo enquanto ele parecia esquecido. Gênesis 40 abraça quem está cansado de esperar, mostrando que é possível continuar sensível, verdadeiro sobre a própria dor e, ainda assim, confiar que Deus não perde ninguém de vista, mesmo quando pessoas importantes se esquecem.

Mind
Mente

Gênesis 40 funciona como uma peça intermediária essencial na estrutura narrativa da história de José. O foco desloca-se da casa de Potifar para o ambiente do cárcere, mas permanece a mesma lógica: mesmo em contexto de humilhação, José é colocado em posição de responsabilidade (v. 4), mantendo o padrão de “o Senhor era com ele” já visto anteriormente. Há um paralelismo interessante entre os dois sonhos deste capítulo e os dois sonhos de Faraó no capítulo seguinte. Em todas as situações, os sonhos são meios de revelação divina, e os sábios locais não conseguem interpretá-los, enquanto José, pela graça de Deus, consegue. O autor reforça assim o contraste entre a sabedoria humana da corte egípcia e a revelação concedida pelo Deus de Israel. A frase-chave de José é a pergunta retórica: “Não são de Deus as interpretações?” (v. 8). No contexto do Antigo Oriente Próximo, sonhos eram considerados canais comuns de comunicação divina, mas sua interpretação era frequentemente associada a manuais e técnicas de adivinhação. José distancia-se desse universo e afirma que a interpretação verdadeira é dom de Deus, não arte mágica. Os detalhes dos sonhos se conectam de modo simples com a realidade dos personagens: videira, sarmentos, uvas e copo para o copeiro; cestos e manjares de padeiro para o padeiro. O número três é interpretado consistentemente como três dias (vv. 12, 18), e o texto não sugere um simbolismo mais elaborado além disso. A assimetria dos desfechos — restauração para um, morte para outro — revela que a revelação divina pode anunciar tanto salvação quanto juízo. Literariamente, o esquecimento do copeiro (v. 23) cumpre uma função clara: adiar a resolução da tensão. Se ele lembrasse de José imediatamente, o protagonista seria tirado da prisão sem que a situação de fome nacional, narrada depois, estivesse em curso. Ao manter José esquecido por um tempo, o narrador prepara o encontro perfeito entre o dom de interpretação de sonhos e a crise que exigirá esse dom diante de Faraó. O texto, portanto, trabalha com a ironia dramática: o leitor sabe que Deus está conduzindo o enredo, mesmo quando os personagens humanos simplesmente “se esquecem”.

Life
Vida

Neste capítulo, José aparece como alguém que vive princípios firmes em um cenário totalmente desfavorável. Ele está preso e injustiçado, mas isso não o impede de ser responsável, atento e útil. Essa postura prática se destaca logo no começo: o capitão da guarda entrega os oficiais aos cuidados de José, e ele os serve (v. 4). A confiança que ele inspira não depende de circunstâncias ideais, mas de caráter demonstrado no dia a dia. Outro aspecto forte é a capacidade de notar a dor alheia: José repara no semblante triste dos oficiais (v. 6-7). Em termos de vida prática, isso mostra a importância de não viver tão centrado na própria crise a ponto de ignorar o que acontece ao redor. Mesmo sem “poder” para mudar sua situação, José ainda contribui com aquilo que tem: atenção, empatia e o dom de interpretar que Deus lhe deu. A fala de José sobre sua história (v. 15) ensina algo sobre como lidar com injustiças: ele não romantiza o que aconteceu, chama de roubo e afirma que nada fez para merecer a prisão. Há honestidade, sem vitimismo paralisante. Ao mesmo tempo, ele não desiste de buscar uma saída legítima; por isso pede ao copeiro que se lembre dele diante de Faraó (v. 14). Há espaço para procurar justiça e melhoria de condição sem abandonar a integridade. No entanto, o desfecho lembra que nem sempre as expectativas se cumprem no tempo desejado. O copeiro se esquece (v. 23), e José precisa lidar com mais uma frustração. Na prática, isso aponta para o cuidado em não depositar toda a esperança em pessoas específicas ou em um único “plano de escape”. Pessoas falham, memórias falham; a fidelidade de Deus não. Gênesis 40 sugere um caminho de vida realista: continuar fazendo bem o que está ao alcance, ser honesto sobre as injustiças, usar os dons que Deus deu em qualquer contexto e ajustar as expectativas quanto ao reconhecimento e ao retorno. Não há garantia de resultados imediatos, mas há dignidade em viver com fidelidade enquanto os resultados ainda não aparecem.

Soul
Alma

Espiritualmente, Gênesis 40 é um capítulo de silêncio e preparação. Deus não aparece falando diretamente, não há grandes milagres visíveis, e o protagonista continua preso. No entanto, o texto sugere que, por trás de portas fechadas e grilhões, o Senhor continua conduzindo a história. A frase de José — “Não são de Deus as interpretações?” (v. 8) — revela um coração que, mesmo ferido, permanece orientado para o Senhor. José não reivindica para si o controle do futuro, nem transforma seu dom em instrumento de autopromoção. Ele reconhece que a chave do que ainda não se vê está nas mãos de Deus. Esse reconhecimento é uma atitude profundamente espiritual: aceitar que a compreensão do tempo, do porquê e do para quê das coisas não está sob o domínio humano. Ao expor sua dor e injustiça (v. 15), José não abandona a esperança. Há uma tensão: ele clama por compaixão, pede para ser lembrado, mas o capítulo termina justamente com o esquecimento humano (v. 23). É como se a narrativa convidasse a olhar para outro tipo de “lembrança”: aquela que está no coração de Deus, e não na memória frágil do copeiro. No caminho da formação espiritual, esse capítulo mostra que parte do amadurecimento se dá em lugares escondidos e em tempos que parecem desperdiçados. A prisão de José não é apenas um atraso; é o lugar onde seu caráter é moldado e onde o dom recebido em sonhos na juventude é exercitado em favor de outros, e não apenas em benefício próprio. Há também um sinal da seriedade do juízo divino. O mesmo Deus que revela restauração ao copeiro, revela juízo ao padeiro (vv. 13, 19). A vida diante de Deus não é neutra; as escolhas e os caminhos têm peso eterno. Na perspectiva da alma, isso convida a enxergar cada situação — seja de promoção, seja de perda — à luz do Deus que vê tudo, julga com justiça e, mesmo no silêncio, conduz seus filhos rumo a um propósito que ultrapassa as circunstâncias imediatas. Assim, Gênesis 40 convida a uma confiança menos sensacional e mais profunda: seguir crendo, servindo e discernindo o agir de Deus em meio a prisões, esquecimentos e esperas prolongadas, na certeza de que nenhuma trajetória entregue a Ele fica fora do seu olhar e do seu tempo perfeito.

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Versículos em Gênesis 5

Gênesis 5:2

" Havendo Belsazar provado o vinho, mandou trazer os vasos de ouro e de prata, que Nabucodonosor, seu pai, tinha tirado do templo que estava em Jerusalém, para que bebessem neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas. "

Gênesis 5:3

" Então trouxeram os vasos de ouro, que foram tirados do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalém, e beberam neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas. "

Gênesis 5:4

" Beberam o vinho, e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira, e de pedra. "

Gênesis 5:5

" Na mesma hora apareceram uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do castiçal, na caiadura da parede do palácio real; e o rei via a parte da mão que estava escrevendo. "

Gênesis 5:6

" Mudou-se então o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro. "

Gênesis 5:7

" E gritou o rei com força, que se introduzissem os astrólogos, os caldeus e os adivinhadores; e falou o rei, dizendo aos sábios de babilônia: Qualquer que ler este escrito, e me declarar a sua interpretação, será vestido de púrpura, e trará uma cadeia de ouro ao pescoço e, no reino, será o terceiro governante. "

Gênesis 5:8

" Então entraram todos os sábios do rei; mas não puderam ler o escrito, nem fazer saber ao rei a sua interpretação. "

Gênesis 5:9

" Então o rei Belsazar perturbou-se muito, e mudou-se-lhe o semblante; e os seus senhores estavam sobressaltados. "

Gênesis 5:10

" A rainha, por causa das palavras do rei e dos seus senhores, entrou na casa do banquete, e respondeu, dizendo: Ó rei, vive para sempre! Não te perturbem os teus pensamentos, nem se mude o teu semblante. "

Gênesis 5:11

" Há no teu reino um homem, no qual há o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei Nabucodonosor, sim, teu pai, o rei, o constituiu mestre dos magos, dos astrólogos, dos caldeus e dos adivinhadores; "

Gênesis 5:12

" Porquanto se achou neste Daniel um espírito excelente, e conhecimento, e entendimento, interpretando sonhos e explicando enigmas, e resolvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar. Chame-se, pois, agora Daniel, e ele dará a interpretação. "

Gênesis 5:13

" Então Daniel foi introduzido à presença do rei. Falou o rei, dizendo a Daniel: És tu aquele Daniel, um dos filhos dos cativos de Judá, que o rei, meu pai, trouxe de Judá? "

Gênesis 5:14

" Tenho ouvido dizer a teu respeito que o espírito dos deuses está em ti, e que em ti se acham a luz, e o entendimento e a excelente sabedoria. "

Daniel 5:14 mostra que até um rei pagão reconhece em Daniel um espírito diferente, marcado por luz, entendimento e sabedoria. O versículo revela que a …

Ler análise completa

Gênesis 5:15

" Agora mesmo foram introduzidos à minha presença os sábios e os astrólogos, para lerem este escrito, e me fazerem saber a sua interpretação; mas não puderam dar a interpretação destas palavras. "

Gênesis 5:16

" Eu, porém, tenho ouvido dizer de ti que podes dar interpretação e resolver dúvidas. Agora, se puderes ler este escrito, e fazer-me saber a sua interpretação, serás vestido de púrpura, e terás cadeia de ouro ao pescoço e no reino serás o terceiro governante. "

Gênesis 5:17

" Então respondeu Daniel, e disse na presença do rei: As tuas dádivas fiquem contigo, e dá os teus prêmios a outro; contudo lerei ao rei o escrito, e far-lhe-ei saber a interpretação. "

Gênesis 5:19

" E por causa da grandeza, que lhe deu, todos os povos, nações e línguas tremiam e temiam diante dele; a quem queria matava, e a quem queria conservava em vida; e a quem queria engrandecia, e a quem queria abatia. "

Gênesis 5:20

" Mas quando o seu coração se exaltou, e o seu espírito se endureceu em soberba, foi derrubado do seu trono real, e passou dele a sua glória. "

Gênesis 5:21

" E foi tirado dentre os filhos dos homens, e o seu coração foi feito semelhante ao dos animais, e a sua morada foi com os jumentos monteses; fizeram-no comer a erva como os bois, e do orvalho do céu foi molhado o seu corpo, até que conheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre o reino dos homens, e a quem quer constitui sobre ele. "

Gênesis 5:23

" E te levantaste contra o Senhor do céu, pois foram trazidos à tua presença os vasos da casa dele, e tu, os teus senhores, as tuas mulheres e as tuas concubinas, bebestes vinho neles; além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida, e de quem são todos os teus caminhos, a ele não glorificaste. "

Gênesis 5:29

" Então mandou Belsazar que vestissem a Daniel de púrpura, e que lhe pusessem uma cadeia de ouro ao pescoço, e proclamassem a respeito dele que havia de ser o terceiro no governo do seu reino. "

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