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Daniel 5:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus senhores, e bebeu vinho na presença dos mil. "

Daniel 5:1

menu_book Versículo no contexto

1 O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus senhores, e bebeu vinho na presença dos mil.

2 Havendo Belsazar provado o vinho, mandou trazer os vasos de ouro e de prata, que Nabucodonosor, seu pai, tinha tirado do templo que estava em Jerusalém, para que bebessem neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas.

3 Então trouxeram os vasos de ouro, que foram tirados do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalém, e beberam neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos o rei Belsazar em clima de alegria, mas logo depois envolvido em trevas e preso na própria riqueza. Vemos também como ele insultou a Deus e como Deus encheu seu coração de medo. A questão é o que resultou dessa luta e se um homem que endurece o coração contra Deus pode, de fato, prosperar.

Em primeiro lugar, vemos como o rei insultou a Deus e mostrou desprezo por Ele. Ele promoveu um grande banquete, um festim regado a vinho, provavelmente em alguma celebração anual, talvez seu aniversário, sua coroação ou uma festa em honra de seus ídolos. Historiadores relatam que Ciro, que então cercava Babilônia, sabia desse banquete e contava com a negligência da cidade. Supondo que todos estivessem mergulhados no sono e no vinho, aproveitou a ocasião para atacar e depois tomou a cidade com mais facilidade.

Belsazar convidou mil dos seus grandes para beberem com ele. Podiam ser homens que defendiam a cidade ou seu conselho de guerra, a quem talvez planejasse consultar depois de estarem bem embriagados. Considerava-se um sinal de especial favor o fato de ele beber o vinho na presença deles, pois os reis do Oriente costumavam manter-se escondidos. Ele fez isso para ostentar a honra de seu poder real, de modo semelhante ao que fez Assuero.

Nesse banquete extravagante, ele desprezou o cuidado de Deus e desafiou abertamente os juízos do Senhor. A cidade estava sitiada, um inimigo poderoso estava às portas, e sua vida e seu reino corriam perigo. A mão do Senhor já pesava sobre ele, chamando-o ao pranto, ao lamento e ao pano de saco. O aviso de Deus já ecoava na cidade, assim como Jonas advertiu Nínive de que a destruição estava próxima. Em vez de proclamar um jejum, como fez o rei de Nínive, Belsazar proclamou uma festa, com alegria, comilança e bebida em alta voz, como se desafiasse o Deus Todo-Poderoso a fazer o pior (Isaías 22:12-13).

Ele também demonstrou desprezo pelo templo de Deus e afrontou o santuário do Senhor (Daniel 5:2). Enquanto saboreava o vinho, mandou trazer os vasos do templo para que bebessem neles. Era como se pensasse: “Tais vasos sagrados merecem conter um vinho tão excelente”, e a ordem foi executada em tom de zombaria. Mas provavelmente havia ali mais do que simples escárnio tolo. Parece que ele agiu com maldade deliberada contra o Deus de Israel.

O povo de Deus valorizava profundamente esses vasos sagrados, e seu retorno do cativeiro estava especialmente ligado a eles (Jeremias 27:16, 18; Esdras 1:7). Talvez esperassem uma libertação próxima, pois os setenta anos de cativeiro estavam quase terminando. Alguns podiam até falar com confiança de que os vasos do santuário em breve seriam restaurados. Em resposta, Belsazar os tomou como propriedade sua e os tratou como utensílios comuns de mesa. A alegria torna-se verdadeiramente pecaminosa quando profana coisas santas e zomba daquilo que pertence a Deus. Babilônia estava sendo preparada para a ruína, porque nada os satisfazia a não ser os cânticos de Sião (Salmo 137:3), e nada lhes servia senão os vasos do santuário.

Ele também insultou o próprio Deus e desafiou o seu ser. Bebiam vinho e louvavam deuses de ouro e de prata, isto é, ídolos feitos pelas mãos e pela imaginação humanas (Daniel 5:4). Deram a imagens a honra que pertence somente ao Deus vivo e verdadeiro. Podiam fazer isso por meio de sacrifícios ou cânticos de louvor. O vinho havia entorpecido suas mentes, e nesse estado estavam prontos para exaltar ídolos sem vida de madeira e de pedra. Pessoas sóbrias não se entregariam a tal insensatez. Adoradores embriagados combinam apenas com ídolos mortos, que na realidade não são deuses, mas demônios. Eles se extraviaram por causa do vinho (Isaías 28:7).

Bebiam e exaltavam seus ídolos como se fossem esses falsos deuses que lhes tivessem proporcionado o banquete e dado todos os bens. Ou talvez os estivessem louvando por meio de brados de “saúde” aos deuses, com o rei conduzindo o brinde a um deus após o outro, inclusive aos feitos de madeira e de pedra. O pecado e a impiedade se fortalecem mutuamente. Farras regadas a bebida conduzem à idolatria, e a bebedeira idólatra alimenta ainda mais a embriaguez.

Agora vemos como Deus encheu o rei de terror. Belsazar e seus grandes estavam no auge da festa, as taças circulavam rapidamente, e provavelmente gritavam vitória sobre Ciro e seu exército. Confiavam em que o cerco logo seria levantado. Porém, havia chegado o momento daquilo que há muito tempo fora anunciado sobre Babilônia: que, quando medos e persas viessem contra ela, seu orgulho cairia (Isaías 21:2-4). Deus transformou aquela noite de prazer em horror.

A celebração da corte foi destruída de imediato. O próprio rei não conseguiu manter a ordem, e toda a alegria se converteu em tristeza. Então apareceram os dedos de uma mão de homem e escreveram na parede caiada do palácio, bem diante do rosto do rei (Daniel 5:5). Os rabinos dizem que o anjo Gabriel guiava aqueles dedos e escrevia por meio deles. Um dos nossos escritores, o Dr. Lightfoot, observou que a mesma mão divina que escreveu a lei em duas tábuas de pedra agora escrevia a sentença de Babilônia na parede. Não houve trovão, nem relâmpago, nem anjo com espada desembainhada, apenas uma mão escrevendo à luz do castiçal, onde todos podiam ver.

A palavra escrita de Deus basta para amedrontar o mais orgulhoso e ousado pecador, quando Ele decide dar-lhe força. O rei viu apenas a mão que escrevia, não a pessoa a quem ela pertencia, e isso tornou a visão ainda mais terrível. Aquilo que vemos de Deus, apenas uma parte de sua obra na criação e nas Escrituras, já é suficiente para encher de espanto quanto ao que não vemos (Jó 26:14). Se isto é apenas o dedo de Deus, como será então o seu braço quando age em poder?

Imediatamente o rei foi tomado de pavor (Daniel 5:6). A cor do seu rosto mudou, as juntas de seus lombos se afrouxaram, de modo que ele perdeu as forças. Seus joelhos batiam um no outro de tanto medo. Mas por que tanto terror? Ele não sabia o que estava escrito, e poderia até ser uma mensagem favorável a ele e ao seu reino. Contudo, sua própria consciência culpada se levantou contra ele e convenceu-o de que não tinha motivo para esperar favor algum do céu. Estava certo de que uma mensagem escrita por um anjo só poderia ser aterradora. Um homem que sabe estar exposto à justiça de Deus facilmente interpretará tal mensagem como uma intimação para comparecer diante dEle. Deus pode despertar rapidamente o mais descuidado e fazer tremer o pecador mais forte. Muitas vezes, basta deixar os pensamentos da própria pessoa correrem soltos; eles logo se transformam em seu tormento.

Os sábios de Babilônia foram chamados às pressas para ver se conseguiam interpretar a escrita na parede (Daniel 5:7). O rei clamou por todo o grupo de magos, em grande pressa e verdadeiro pânico, para que viessem tentar ler o escrito e dar-lhe a interpretação. Nem ele nem seus grandes podiam reivindicar tal capacidade, pois estava além deles. Entre os pagãos, o estudo de supostas revelações divinas e de contatos com o mundo espiritual costumava ser reservado a uma classe específica. Mas aquilo que Deus escreve para nós é suficientemente claro para que todos leiam. Qualquer um que queira pode conhecer o pensamento de Deus nas Escrituras. Para forçar esses sábios a usar toda a sua habilidade e estimulá-los a competir entre si, o rei prometeu grandes recompensas a quem pudesse explicar claramente a escrita. Ele sabia o que esses homens ambicionavam e o que os lisonjeava, por isso ofereceu uma veste de púrpura e um colar de ouro, prêmios brilhantes para quem nada melhor conhecia. Prometeu ainda que o vencedor seria o terceiro no governo do reino, logo abaixo do rei e de seu herdeiro.

Mas o rei se decepcionou com eles. Nenhum dos sábios conseguiu ler a escrita, muito menos interpretá-la (Daniel 5:8), o que apenas aumentou a perturbação do rei (Daniel 5:9). A situação lhe parecia cada vez mais grave, e ele temia um perigo iminente. Seus grandes, que haviam compartilhado com ele a bebida e a alegria, agora compartilhavam também o terror. Todos ficaram atônitos e sem saber o que fazer, e nem o grande número deles nem o vinho que haviam bebido foram capazes de sustentá-los. A razão de não conseguirem ler a escrita não era apenas ser ela de língua ou forma desconhecida. Deus ou cegou os olhos deles ou confundiu de tal forma seu entendimento que não puderam decifrá-la. Assim, a honra de interpretar aquela escrita misteriosa seria reservada para Daniel. Uma consciência despertada e verdadeiramente convencida de culpa é, com justiça, ainda mais perturbada quando todas as ajudas criadas se mostram impotentes para lhe trazer paz.

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