Gênesis 8 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Gênesis 8 na sua vida hoje

27 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Gênesis 8?

Gênesis 43 narra a segunda viagem dos filhos de Jacó ao Egito por causa da fome. Pressionado pela escassez, Israel aceita enviar Benjamim com os irmãos, após a garantia de Judá. No Egito, José os recebe em sua própria casa, acalma seus medos sobre o dinheiro devolvido, restaura Simeão e oferece um banquete. Emocionado ao ver Benjamim, José controla suas lágrimas e os trata com honra, preparando o cenário para o desenlace da reconciliação.

Temas principais em Gênesis 8

Fome, pressão e decisões difíceis (versículos 1-10)

A fome extrema força Israel e seus filhos a enfrentarem medos antigos, a revisitar traumas do passado (a perda de José) e a tomar decisões arriscadas em favor da sobrevivência da família.

Versículos-chave: 1, 8

Responsabilidade e sacrifício de Judá (versículos 8-10)

Judá se oferece como fiador de Benjamim, assumindo responsabilidade pessoal e permanente. Essa postura marca uma mudança de caráter, contrastando com atitudes egoístas anteriores.

Versículos-chave: 8, 9

Confiança em Deus em meio ao risco (versículos 11-14)

Israel, com o coração dividido entre medo e fé, entrega os filhos e a situação nas mãos do Deus Todo-Poderoso, reconhecendo que não controla o resultado.

Versículos-chave: 13, 14

Providência graciosa e temor humano (versículos 15-24)

Os irmãos interpretam os acontecimentos à luz da culpa e do medo, enquanto Deus está, por meio de José, preparando graça, proteção e reconciliação.

Versículos-chave: 18, 23

Amor fraterno e domínio das emoções (versículos 29-31)

Ao ver Benjamim, José é profundamente comovido, mas domina suas emoções para conduzir com sabedoria o processo de restauração da família.

Versículos-chave: 30, 31

Honra, distinção e favor imerecido (versículos 32-34)

No banquete, José organiza os irmãos em ordem de nascimento, dá porção maior a Benjamim e, mesmo com barreiras culturais, oferece hospitalidade e honra.

Versículos-chave: 33, 34

Contexto histórico e literario

Gênesis 43 se passa durante um período prolongado de fome que atinge Canaã e o Egito. José, vendido anteriormente como escravo, agora é o administrador de Faraó e responsável pela distribuição de mantimentos. A cultura do Antigo Oriente Próximo valorizava presentes diplomáticos, como os que Israel envia (bálsamo, mel, especiarias, mirra, terebinto e amêndoas), como forma de buscar favor e apaziguar tensões. O costume de fiador (Judá se oferecendo pela vida de Benjamim) era uma prática séria, ligando a honra e o futuro da pessoa à promessa feita. A separação de mesas entre egípcios e hebreus reflete regras de pureza e preconceitos culturais do Egito, que consideravam os costumes de outros povos como impuros ou abomináveis. O cenário é um Egito centralizado e organizado sob o governo de Faraó, enquanto Canaã enfrenta escassez e fragilidade econômica.

Estrutura de Gênesis 8

O capítulo se organiza em três grandes movimentos narrativos:

  1. Decisão em Canaã (43.1-14)

    • A gravidade da fome (v.1-2)
    • A exigência de José recordada por Judá (v.3-5)
    • A queixa de Israel e a explicação dos filhos (v.6-7)
    • Judá assume responsabilidade por Benjamim (v.8-10)
    • Israel cede, prepara presentes, dinheiro e entrega os filhos a Deus (v.11-14).
  2. Chegada e recepção no Egito (43.15-25)

    • Viagem com Benjamim e apresentação a José (v.15-16)
    • Convite para a casa de José e medo dos irmãos (v.17-18)
    • Esclarecimento sobre o dinheiro e libertação de Simeão (v.19-23)
    • Hospitalidade: água, lavagem dos pés, pasto para os animais e preparação do presente (v.24-25).
  3. Encontro com José e o banquete (43.26-34)

    • Entrega do presente e reverência dos irmãos (v.26)
    • Pergunta de José sobre o pai e confirmação de que vive (v.27-28)
    • Emoção de José ao ver Benjamim e seu choro reservado (v.29-31)
    • Organização dos lugares à mesa, distinção entre egípcios e hebreus (v.32-33)
    • Porções servidas, com destaque para Benjamim, e alegria compartilhada (v.34).

Significado teológico

O capítulo destaca a providência de Deus operando por trás de decisões humanas marcadas por medo, culpa e necessidade. A fome, que poderia representar apenas juízo ou desastre, torna-se instrumento divino para reunir uma família quebrada e preservar a linhagem por meio da qual Deus cumprirá suas promessas a Abraão.

A figura de Judá ganha relevo teológico, ao assumir-se como fiador de Benjamim. Isso antecipa o papel da tribo de Judá na história bíblica e aponta para o princípio de substituição e responsabilidade vicária, tão importante para a compreensão da redenção.

A oração de Israel em 43.14 expõe a tensão entre soberania de Deus e vulnerabilidade humana: ele reconhece que o resultado final está nas mãos do Deus Todo-Poderoso, mesmo sem entender o que está acontecendo. A fé aparece não como certeza de desfechos agradáveis, mas como entrega confiante em meio ao risco.

O cuidado de José, apesar de ainda ocultar sua identidade, ilustra misericórdia e graça: ele preserva, alimenta, restitui Simeão, honra Benjamim e acalma o medo dos irmãos por meio do seu administrador, atribuindo a Deus o tesouro encontrado nos sacos. Essa cena sugere que Deus pode agir em favor de pessoas cheias de culpa, antes mesmo de elas compreenderem plenamente seu pecado ou de terem concluído o processo de arrependimento.

Há também um contraste entre a barreira cultural dos egípcios, que não comem com hebreus, e o acolhimento de José, que prepara um banquete. A graça rompe barreiras sociais sem ignorá-las, abrindo espaço para reconciliação e cumprimento do plano divino.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Gênesis 43 oferece um retrato emocionalmente denso de uma família marcada por perdas, culpa, medos antigos e necessidade extrema. Israel carrega o luto de José, o medo de perder Benjamim e a desconfiança em relação aos filhos. Os irmãos, por sua vez, interpretam as circunstâncias quase sempre pelo filtro da culpa e antecipam desgraças, mesmo quando estão recebendo favor.

O capítulo mostra como crises externas (fome, escassez) podem pressionar temas internos não resolvidos (traumas, rivalidades, ressentimentos). Ao mesmo tempo, revela caminhos de amadurecimento, como o de Judá, que assume responsabilidade e se oferece como fiador, rompendo com padrões de fuga e egoísmo.

A cena de José chorando em segredo destaca a legitimidade de emoções profundas e a necessidade de espaços seguros para senti-las e processá-las. Mesmo um líder forte e bem-sucedido carrega dores que precisam ser acolhidas. A narrativa também trabalha a tensão entre controle e confiança: Israel faz o que está ao seu alcance (presentes, dinheiro, cautela), mas reconhece que, no fim, não controla a vida dos filhos e precisa entregá-los a Deus.

A forma como os irmãos interpretam negativamente o convite à casa de José ilustra padrões de pensamento baseados em medo e culpa, que podem distorcer a percepção da realidade e impedir o reconhecimento de gestos de graça. O texto sugere que, aos poucos, Deus desfaz essas lentes distorcidas, revelando que nem toda experiência intensa é juízo; muitas vezes é cuidado em forma de confronto e processo.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo aponta alguns sinais de alerta relevantes para leitura terapêutica:

  • Medo paralisante em decisões familiares: Israel demora em permitir que Benjamim vá, mesmo diante do risco concreto de todos morrerem de fome (v.8-10). O apego movido por medo pode comprometer decisões de cuidado maior.
  • Interpretação da realidade filtrada por culpa: os irmãos atribuem o convite de José a uma armadilha por causa do dinheiro devolvido (v.18), revelando pensamento catastrófico e autocondenação constante.
  • Comunicação familiar marcada por queixas e acusações: a reação de Israel aos filhos (“Por que me fizeste tal mal...?”, v.6) revela uma tendência a culpar, que agrava o clima emocional.
  • Coração dividido entre fé e desespero: a fala de Israel em 43.14 (“se for desfilhado, desfilhado ficarei”) mostra uma esperança enfraquecida, quase resignada ao pior.
  • Emoções intensas reprimidas em público: José precisa se retirar para chorar (v.30), o que pode refletir, em parte, o cuidado com seu papel, mas também um contexto em que vulnerabilidade não encontra espaço aberto.

Na vida real, padrões semelhantes podem aparecer como ansiedade elevada em decisões, sentimento constante de culpa, clima de tensão crônica em família, dificuldade de confiar e tendência a esperar sempre o pior.

Aplicação prática para hoje

Gênesis 43 inspira alguns princípios práticos para a vida cotidiana:

  1. Tomar decisões difíceis com responsabilidade e fé
    Quando não há opções perfeitas, como na fome em Canaã, a sabedoria combina prudência (planejar, avaliar riscos) e confiança em Deus. Israel pensa em presentes, dinheiro, medidas concretas, mas também reconhece a necessidade da misericórdia divina.

  2. Crescer em responsabilidade relacional
    A atitude de Judá convida a sair da postura defensiva para a responsabilidade madura: assumir compromissos, proteger os vulneráveis, colocar o próprio nome em jogo em favor do bem da família e da comunidade.

  3. Rever leituras marcadas por medo e culpa
    Os irmãos veem ameaça onde há convite. Situações novas e intensas podem ser oportunidades de cuidado, não apenas de juízo. Vale examinar se a interpretação dos fatos está sendo guiada pelo medo ou pela confiança em Deus.

  4. Dar espaço saudável às emoções
    O choro de José mostra que emoções fortes não são sinal de fraqueza, mas parte do processo de reconciliação e cura. A sabedoria está em reconhecer o que se sente e buscar contextos adequados para expressar isso.

  5. Praticar honra e generosidade em meio à crise
    Mesmo em tempo de fome, Israel prepara presentes, e José oferece um banquete. Generosidade, cortesia e honra não são luxos de tempos fáceis, mas atitudes que sustentam dignidade e comunhão em meio às dificuldades.

Perguntas frequentes

Por que Israel reluta tanto em deixar Benjamim ir ao Egito?

Benjamim era o filho mais novo e o único, além de José, nascido de Raquel, por quem Jacó tinha amor especial. Após acreditar que José havia morrido, Benjamim se tornou ainda mais precioso aos olhos do pai. Permitir que ele viajasse significava reviver o medo de uma nova perda devastadora. Além disso, Israel desconfiava da situação no Egito e tinha lembranças dos conflitos entre os filhos, o que aumentava sua hesitação.

O que significa Judá ser fiador por Benjamim?

Judá se compromete pessoalmente diante de Israel, assumindo o risco e a responsabilidade pela segurança de Benjamim. Ele se oferece para carregar a culpa para sempre, caso algo aconteça ao irmão (v.9). Isso é mais do que uma promessa simples; é um voto de responsabilidade total, que marca transformação em seu caráter e antecipa a importância futura da tribo de Judá na história bíblica.

Por que José manda separar a refeição dos egípcios e dos hebreus?

O texto explica que para os egípcios era abominação comer com hebreus (v.32). Isso reflete costumes culturais e religiosos do Egito antigo, que incluíam regras de pureza e forte distinção entre povos. José, embora hebreu, ocupava posição alta na corte egípcia e respeita, em certo nível, essas normas sociais, mesmo enquanto demonstra graça e cuidado à sua família.

Por que a porção de Benjamim era cinco vezes maior que a dos outros irmãos?

A porção maior dada a Benjamim (v.34) expressa o afeto especial de José por seu irmão mais novo, único que não participou de sua venda. Também serve para testar o coração dos outros irmãos: se ainda carregavam inveja e ciúmes diante de um irmão favorecido, como no passado com José. Ao mesmo tempo, é um sinal de honra e favor, antecipando a revelação de José e a restauração da família.

Qual é o sentido da frase de Israel: “Se for desfilhado, desfilhado ficarei”?

A expressão de Israel em 43.14 mostra um coração cansado e dividido. Ele confia a situação a Deus, pedindo misericórdia, mas também admite a possibilidade da perda, sem conseguir enxergar solução humana. É uma fé misturada com dor: ele faz o que pode, entrega os filhos e, ao mesmo tempo, aceita que pode ter de enfrentar uma nova tragédia. Isso revela a realidade de uma confiança que, em meio ao sofrimento, nem sempre é triunfante, mas ainda assim se volta para Deus.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Gênesis 43 é a história de uma família ferida tentando sobreviver em meio à fome, à culpa e ao medo. Israel vive o dilema de um coração que já perdeu um filho e teme perder outro. Ele não é um herói sem fragilidades; é um pai cansado, dividido entre proteger e soltar, entre segurar e confiar. Suas palavras mostram alguém que ama profundamente, mas está esgotado por tantas perdas e incertezas. Os irmãos carregam o peso da culpa antiga e enxergam desgraça em quase tudo o que acontece. Mesmo quando são convidados à casa de José, esperam o pior, imaginam armadilhas, sentem-se perseguidos. É o olhar de quem já errou e não consegue acreditar facilmente em graça. A frase do administrador de José, porém, é como um sopro de consolo: “Paz seja convosco, não temais” (v.23). Em meio ao medo, surge uma voz que fala de paz e lembra que Deus está por trás de um tesouro inesperado. José, por sua vez, mostra que um coração que sofreu traição ainda pode ser terno. Ao ver Benjamim, ele não finge indiferença; suas entranhas se comovem, ele precisa sair para chorar. Não é fraqueza, é amor acumulado, saudade, memória de uma família rompida. Ele lava o rosto, volta e segue, mas aquele choro diz que Deus não ignora nem desperdiça as lágrimas da história. O capítulo inteiro respira essa mistura de dor, temor e cuidado. No meio da fome e da insegurança, há pequenos sinais de carinho: o presente preparado com o que ainda restava de bom na terra, a hospitalidade de José, a preocupação com o pai idoso, a porção generosa para Benjamim, o banquete em tempo de crise. Nada apaga o sofrimento, mas mostra que, mesmo em períodos de escassez, o amor ainda se manifesta em gestos concretos. Gênesis 43 lembra que ambientes familiares cheios de tensão, palavras pesadas e lembranças dolorosas também podem ser espaços onde Deus vai, pouco a pouco, costurando reconciliação. Um pai cansado, irmãos com medo, um líder que chora em segredo: todos estão no meio do caminho, não no fim da história. O cuidado de Deus atravessa esse meio do caminho, sustentando corações que ainda não enxergam claramente o que Ele está fazendo.

Mind
Mente

Gênesis 43 aprofunda o arco narrativo iniciado na primeira viagem dos irmãos de José ao Egito. A estrutura do capítulo combina narrativa familiar, tensão psicológica e desenvolvimento teológico. O cenário inicial é a fome “gravíssima” (v.1), que funciona como motor providencial da história. Sem essa crise, a família de Jacó não seria forçada a voltar ao Egito nem a lidar com o passado. A exigência de José de ver Benjamim (43.3-5) dá continuidade ao teste iniciado no capítulo anterior: ele deseja verificar a atitude dos irmãos em relação a outro filho amado de Jacó. A figura de Judá passa por transformação notável. O mesmo personagem associado à venda de José e a episódios moralmente duvidosos (como em Gênesis 38) agora se apresenta como fiador pela vida de Benjamim (43.9). Esse desenvolvimento interno do personagem é deliberado: o narrador mostra o amadurecimento de Judá, preparando o leitor para sua importância futura na história de Israel. O diálogo entre Israel e os filhos (43.6-7) destaca a tensão entre informação e interpretação. Israel acusa os filhos de terem feito mal ao contar sobre outro irmão, mas eles argumentam que apenas responderam perguntas diretas. Isso reforça que, no plano humano, ninguém ali possui o quadro completo; apenas Deus, e, narrativamente, apenas o leitor que conhece a identidade de José, enxerga o todo. A partir do versículo 11, vemos uma combinação de diplomacia antiga e fé: presentes típicos de Canaã são preparados para buscar favor do governante egípcio. A menção ao “Deus Todo-Poderoso” (El Shaddai) em 43.14 conecta a situação presente às promessas patriarcais, especialmente as feitas a Abraão e a Jacó. A fala de Israel é teologicamente densa: ele reconhece que o resultado está nas mãos de Deus, ainda que use estratégias humanas. No Egito, o diálogo com o administrador de José (v.19-23) introduz uma interpretação teológica dos eventos: o dinheiro nos sacos é chamado de “tesouro” dado por Deus. O texto não explica logisticamente como isso ocorreu aqui, mas, à luz de Gênesis 42, o leitor sabe que foi iniciativa de José. A dupla referência a “o vosso Deus e o Deus de vosso pai” sublinha a continuidade da aliança em território estrangeiro. A separação de mesas (v.32) é um dado sociocultural importante, coerente com o exclusivismo religioso egípcio. José, nessa cena, se move entre duas identidades: participa da etiqueta egípcia, mas age com coração hebreu, especialmente na ordenação dos irmãos por idade (v.33), algo humanamente improvável sem conhecimento prévio, levando os irmãos ao espanto. Por fim, o destaque dado a Benjamim (porção cinco vezes maior, v.34) tem função narrativa de teste. O texto quer que o leitor compare essa cena com a antiga preferência de Jacó por José e os ciúmes dos irmãos. Agora, diante de um outro favorecido, a reação deles será diferente? A narrativa não responde ainda, mas prepara o terreno para o clímax de reconciliação nos capítulos seguintes.

Life
Vida

Gênesis 43 mostra uma família tomada por decisões difíceis, conversas tensas e responsabilidade dividida. A fome aperta, o tempo passa, e chega a hora de encarar o que se vinha evitando. Isso é muito parecido com momentos em que circunstâncias da vida forçam reavaliações em casa: orçamento apertado, doenças, conflitos acumulados. Israel está num ponto em que proteger demais um filho pode colocar todos em risco. A história mostra que amor superprotetor, quando guiado por medo, pode atrapalhar. Ele precisa ouvir Judá, rever sua posição e aceitar um plano que não teria escolhido. Em muitas famílias, mudanças importantes passam por esse processo: alguém mais velho ou com autoridade precisa reconhecer que não consegue controlar tudo e abrir espaço para que outros assumam responsabilidade. Judá é um exemplo prático de crescimento. Em vez de apenas insistir para ir ao Egito, ele se compromete: “Eu serei fiador por ele” (v.9). Isso é diferente de dar opinião de longe. Ele se coloca na linha de frente, assume consequências, se responsabiliza por um relacionamento. Em termos de vida cotidiana, é o movimento de sair do discurso para o compromisso concreto, seja na família, no trabalho ou na igreja. Os irmãos carregam um padrão mental que também é muito atual: interpretar toda situação difícil como castigo imediato ou armadilha. Ao serem levados à casa de José, pensam logo no pior (v.18). Isso mostra como a culpa não tratada distorce a leitura da realidade e pode gerar atitudes defensivas. Na prática, isso pode aparecer como desconfiança exagerada, brigas por mal-entendidos e dificuldade de receber gentilezas sem suspeitar. José, por outro lado, ensina sobre liderança: ele prepara o ambiente, organiza as coisas, cuida da logística, mas também reconhece seus limites emocionais. Ao se comover, ele se retira para chorar e depois volta (v.30-31). Isso lembra que quem lidera família, equipe ou ministério também sente, também se cansa e precisa de momentos privados para processar o que acontece. O banquete final em meio à crise econômica mostra um princípio importante: mesmo em tempos difíceis, é possível criar momentos de honra, celebração e comunhão. Não se trata de negar a realidade, mas de alimentar vínculos e esperança por meio de hábitos simples de mesa, partilha e hospitalidade. Gênesis 43 encoraja a combinar responsabilidade com confiança em Deus, conversa franca com compromisso real, e organização prática com pequenos sinais de honra e cuidado no dia a dia.

Soul
Alma

Em Gênesis 43, a jornada da família de Israel ganha profundidade espiritual. A fome não é apenas um problema econômico; é um instrumento pelo qual Deus conduz seus escolhidos a um lugar de dependência maior, exposição de feridas antigas e aproximação do cumprimento das promessas. Israel, o patriarca, é levado a um ponto de entrega radical. Quando diz: “E Deus Todo-Poderoso vos dê misericórdia diante do homem” (v.14), ele confessa que, por mais que prepare presentes e leve dinheiro em dobro, a decisão final não está em suas mãos. Ele aprende a confiar não em sua capacidade de controlar os filhos ou as circunstâncias, mas no caráter do Deus da aliança. É uma fé que aceita o risco, não por imprudência, mas por confiar mais no Deus soberano do que no próprio medo. O compromisso de Judá ressoa com a ideia espiritual de substituição: ele se dispõe a carregar a culpa se algo acontecer a Benjamim. Isso antecipa, em sombra, verdades profundas da redenção, em que alguém se coloca no lugar de outro para garantir vida, reconciliação e preservação da linhagem da promessa. A história da salvação passa por esse tipo de entrega, onde alguém assume sobre si o peso que não era seu para que outros vivam. Os irmãos, marcados pela culpa, veem sinais de juízo onde Deus está preparando graça. Eles não conseguem imaginar que o dinheiro nos sacos possa ser um presente providencial. Somente pela boca do servo de José são lembrados de que há um “tesouro” dado por Deus (v.23). Há um paralelo espiritual aqui: muitas vezes, experiências que parecem confusas, ambíguas ou até ameaçadoras são, na realidade, parte do cuidado de Deus, conduzindo ao arrependimento, à cura de relações e a uma compreensão maior da fidelidade divina. A figura de José, profundamente comovido, mas ainda não revelado, oferece uma imagem do agir de Deus na história: presente, amoroso, movido internamente, e, ao mesmo tempo, conduzindo o processo com sabedoria, num tempo que nem sempre coincide com as expectativas humanas. Sua contenção, o choro em secreto e o banquete preparado apontam para um Deus que sente, que cuida e que, mesmo quando parece distante ou misterioso, está orquestrando reconciliação e preservação. O capítulo termina com os irmãos bebendo e se regalando com José, sem saber plenamente quem ele é nem o que ainda está por acontecer. Isso ecoa algo da vida espiritual: mesmo sem enxergar todo o plano, a graça já começa a se manifestar em antecipações, em pequenas mesas preparadas no meio do deserto. A fome ainda existe, as questões não estão todas resolvidas, mas a família já está sentada em torno da mesa onde Deus, silenciosamente, prepara restauração e cumprimento de promessas eternas.

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Versículos em Gênesis 8

Gênesis 8:1

" No ano terceiro do reinado do rei Belsazar apareceu-me uma visão, a mim, Daniel, depois daquela que me apareceu no princípio. "

Gênesis 8:2

" E vi na visão; e sucedeu que, quando vi, eu estava na cidadela de Susã, na província de Elão; vi, pois, na visão, que eu estava junto ao rio Ulai. "

Gênesis 8:3

" E levantei os meus olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha dois chifres; e os dois chifres eram altos, mas um era mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último. "

Gênesis 8:4

" Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir; nem havia quem pudesse livrar-se da sua mão; e ele fazia conforme a sua vontade, e se engrandecia. "

Gênesis 8:5

" E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha um chifre insigne entre os olhos. "

Gênesis 8:6

" E dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, ao qual eu tinha visto em pé diante do rio, e correu contra ele no ímpeto da sua força. "

Gênesis 8:7

" E vi-o chegar perto do carneiro, enfurecido contra ele, e ferindo-o quebrou-lhe os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir, e o bode o lançou por terra, e o pisou aos pés; não houve quem pudesse livrar o carneiro da sua mão. "

Gênesis 8:8

" E o bode se engrandeceu sobremaneira; mas, estando na sua maior força, aquele grande chifre foi quebrado; e no seu lugar subiram outros quatro também insignes, para os quatro ventos do céu. "

Gênesis 8:9

" E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa. "

Gênesis 8:10

" E se engrandeceu até contra o exército do céu; e a alguns do exército, e das estrelas, lançou por terra, e os pisou. "

Gênesis 8:11

" E se engrandeceu até contra o príncipe do exército; e por ele foi tirado o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário foi lançado por terra. "

Gênesis 8:12

" E um exército foi dado contra o sacrifício contínuo, por causa da transgressão; e lançou a verdade por terra, e o fez, e prosperou. "

Gênesis 8:13

" Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, e da transgressão assoladora, para que sejam entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados? "

Gênesis 8:15

" E aconteceu que, havendo eu, Daniel, tido a visão, procurei o significado, e eis que se apresen- tou diante de mim como que uma semelhança de homem. "

Gênesis 8:16

" E ouvi uma voz de homem entre as margens do Ulai, a qual gritou, e disse: Gabriel, dá a entender a este a visão. "

Gênesis 8:17

" E veio perto de onde eu estava; e, vindo ele, me amedrontei, e caí sobre o meu rosto; mas ele me disse: Entende, filho do homem, porque esta visão acontecerá no fim do tempo. "

Gênesis 8:18

" E, estando ele falando comigo, caí adormecido com o rosto em terra; ele, porém, me tocou, e me fez estar em pé. "

Gênesis 8:19

" E disse: Eis que te farei saber o que há de acontecer no último tempo da ira; pois isso pertence ao tempo determinado do fim. "

Gênesis 8:22

" O ter sido quebrado, levantando-se quatro em lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, mas não com a força dele. "

Gênesis 8:23

" Mas, no fim do seu reinado, quando acabarem os prevaricadores, se levantará um rei, feroz de semblante, e será entendido em adivinhações. "

Gênesis 8:24

" E se fortalecerá o seu poder, mas não pela sua própria força; e destruirá maravilhosamente, e prosperará, e fará o que lhe aprouver; e destruirá os poderosos e o povo santo. "

Gênesis 8:25

" E pelo seu entendimento também fará prosperar o engano na sua mão; e no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem em segurança; e se levantará contra o Príncipe dos príncipes, mas sem mão será quebrado. "

Gênesis 8:26

" E a visão da tarde e da manhã que foi falada, é verdadeira. Tu, porém, cerra a visão, porque se refere a dias muito distantes. "

Gênesis 8:27

" E eu, Daniel, enfraqueci, e estive enfermo alguns dias; então levantei-me e tratei do negócio do rei. E espantei-me acerca da visão, e não havia quem a entendesse. "

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