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Daniel 7:15 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Quanto a mim, Daniel, o meu espírito foi abatido dentro do corpo, e as visões da minha cabeça me perturbaram. "

Daniel 7:15

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13 Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele.

14 E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído.

15 Quanto a mim, Daniel, o meu espírito foi abatido dentro do corpo, e as visões da minha cabeça me perturbaram.

16 Cheguei-me a um dos que estavam perto, e pedi-lhe a verdade acerca de tudo isto. E ele me disse, e fez-me saber a interpretação das coisas.

17 Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis, que se levantarão da terra.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos o profundo impacto que essas visões tiveram no profeta. Deus honrou Daniel por meio delas e lhe deu consolação, mas também lhe trouxe grande dor e confusão (Daniel 7:15). Daniel diz que seu espírito foi abatido dentro do corpo. A palavra usada para “corpo” aqui tem a ideia de uma bainha, um estojo, porque o corpo é apenas a cobertura exterior da alma, que é a parte mais importante.

As visões em sua mente o perturbavam repetidas vezes (Daniel 7:28). A maneira como essas coisas lhe foram mostradas o deixou completamente sobrecarregado. Seus pensamentos foram tão tensionados que lhe faltaram as forças, e o transe o deixou exausto e enfraquecido. O que viu era tão surpreendente e inquietante que o lançou em confusão. Só pouco a pouco ele foi se recompondo, vencendo o choque e colocando o consolo da visão em contraste com os seus terrores.

Daniel também desejava muito entender o que tudo aquilo significava (Daniel 7:16). Por isso se aproximou de um dos que estavam ali, um dos anjos que assistiam o Filho do Homem em sua glória, e pediu a verdade, isto é, o real sentido de tudo aquilo. É algo bom buscar o sentido completo e correto daquilo que vemos e ouvimos de Deus. Quem quer conhecer deve pedir, por meio de oração sincera e fervorosa, e por meio de diligente busca.

Então o anjo deu a Daniel a chave para entender a visão. Ele explicou com clareza e tornou o assunto mais simples e acessível. Os grandes animais representam grandes reis e seus reinos, grandes governantes e os impérios que lideram, que se levantam da terra, assim como as bestas surgiram do mar (Daniel 7:17). Eles são apenas homens da terra, feitos do pó, com suas raízes no pó. Pertencem a este mundo, e ao pó tornarão.

Daniel parece compreender relativamente bem as três primeiras bestas. Mas ele quer saber mais sobre a quarta, porque era tão diferente das outras e tão terrível. Não era apenas assustadora, mas também destruidora, pois devorava e despedaçava tudo o que encontrava (Daniel 7:19). Talvez por isso Daniel tenha ficado tão alarmado. Essa parte da visão o perturbou mais do que as demais.

Ele quer especialmente entender sobre o chifre pequeno, aquele que tinha olhos e uma boca que proferia grandes coisas, e cujo aspecto era mais ousado e aterrador do que os outros (Daniel 7:20). Era isso o que mais o preocupava, porque esse chifre fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles (Daniel 7:21). Quando as pessoas simplesmente fazem guerra umas contra as outras, Daniel não demonstra a mesma angústia. Mas, quando atacam os santos, quando os preciosos filhos de Sião, que são como ouro fino, são quebrados como vasos de barro, então é justo perguntar o que isso quer dizer. O Senhor abandonará o seu povo? Ele permitirá que seus inimigos os pisem e se gloriem sobre eles? Que chifre é esse, a quem se permite prevalecer tanto contra os santos?

O anjo responde que a quarta besta é um quarto reino, que devorará toda a terra, ou toda a região, conforme também se pode entender (Daniel 7:23-25). Os dez chifres são dez reis, e o chifre pequeno é outro rei que se levantará depois deles e derrubará três reis. Ele agirá com grande arrogância contra Deus e com grande crueldade contra o povo de Deus.

Ele falará palavras soberbas contra o Altíssimo, desafiando abertamente a Deus, sua autoridade e sua justiça. Também “magoará” os santos do Altíssimo. Não os destruirá de uma vez, mas os consumirá pouco a pouco, por meio de longa opressão e aflição constante, arruinando seus bens e enfraquecendo suas famílias. Satanás sempre quis cansar e apagar da lembrança os santos do Altíssimo, mas esse esforço fracassará, porque Deus sempre preservará uma igreja no mundo enquanto o mundo existir.

Esse governante tentará mudar tempos e leis, desfazer ordenanças e instituições religiosas e obrigar todos a pensar e agir conforme a sua vontade. Ele pisará tanto as leis e costumes humanos quanto os divinos. Derruba, edifica e transforma o quadrado em redondo, como se pretendesse alterar até as próprias ordens do céu. Nesses esforços ousados terá sucesso por um tempo. Serão entregues em sua mão por um tempo, tempos e metade de um tempo, isto é, três anos e meio, período profético também descrito em Apocalipse como quarenta e dois meses ou 1.260 dias.

Mas, terminado esse tempo, o juízo se assentará e o seu domínio será tirado (Daniel 7:26). A explicação do versículo 11 diz que a besta foi morta e o seu corpo destruído. E, conforme a leitura do sr. Mede no versículo 12, o restante da besta, especialmente os dez chifres e o chifre pequeno perturbador, também teve o seu poder removido.

A questão, então, é: quem é esse inimigo cuja ascensão, governo e ruína são aqui preditos? Os intérpretes não concordam. Alguns dizem que o quarto reino foi o império selêucida e que o chifre pequeno foi Antíoco, com a profecia cumprida na história dos Macabeus. Outros dizem que o quarto reino foi Roma, e o chifre pequeno foi Júlio César e os imperadores posteriores, ou ainda o anticristo, o poder papal, aquele poder maligno que, como esse chifre pequeno, será destruído pelo esplendor da volta de Cristo. O papa reivindica um poder para mudar tempos e leis, um poder totalmente absoluto, como ele o chama. Outros entendem o chifre pequeno como sendo o império turco.

Não posso provar que um lado ou outro esteja errado. Uma vez que as profecias podem, às vezes, ter mais de um cumprimento, e a Escritura deve receber todo o seu alcance, estou disposto a admitir que ambas as leituras possam ser verdadeiras. A profecia parece apontar primeiro para o império sírio e tinha o propósito de encorajar os judeus que sofreram sob Antíoco. Eles podiam ver que até aqueles tristes tempos haviam sido profetizados e que terminariam em um desfecho glorioso, com seus inimigos orgulhosos finalmente derrubados. Melhor ainda, também podiam olhar um pouco adiante para o estabelecimento do reino do Messias no mundo, o que era frequentemente o modo como os profetas anteriores consolavam o povo de Deus em suas aflições.

Essa visão também antecipa o mesmo tipo de forte perseguição sob a Roma pagã e a Roma papal, contra a fé cristã, assim como Antíoco se enfureceu contra os judeus fiéis e sua religião. João, em suas visões e profecias, que se voltam principalmente para Roma, retoma claramente muitos detalhes das visões de Daniel.

Há aqui também uma alegre esperança, uma figura do reino de Deus se espalhando entre as pessoas e finalmente vencendo todos os inimigos. É notável que, bem no meio dos avisos sobre a força e a violência dos inimigos, essa esperança seja introduzida de repente (Daniel 7:18 e novamente Daniel 7:22), antes que a visão venha a explicá-la mais plenamente depois (Daniel 7:26, Daniel 7:27). Isso aponta para três coisas: os dias de paz da igreja judaica depois de sobreviver a Antíoco, e as vitórias que Deus deu aos Macabeus sobre seus inimigos; o estabelecimento do reino do Messias no mundo por meio da pregação do seu evangelho, pois Cristo vem reinar pelo seu Espírito e fazer de seus santos reis e sacerdotes para Deus; e a segunda vinda de Jesus Cristo, quando os santos julgarão o mundo, se assentarão com ele em seu trono e participarão da derrota completa do reino do diabo.

Podemos ver aqui várias coisas preditas. Primeiro, o Ancião de Dias virá (Daniel 7:22). Deus julgará o mundo por meio de seu Filho, a quem deu todo o juízo, e, como penhor disso, vem socorrer o seu povo oprimido e estabelecer seu reino no mundo. Segundo, o juízo se assentará (Daniel 7:26). Deus mostrará que governa na terra e, com sabedoria e justiça, defenderá a causa justa do seu povo. No grande dia ele julgará o mundo com justiça, por meio do homem que designou.

Terceiro, o domínio do inimigo será tirado (Daniel 7:26). Todos os inimigos de Cristo se tornarão estrado de seus pés e, por fim, serão conduzidos à ruína. Paulo fala assim do homem do pecado, isto é, do grande inimigo sem lei de Cristo, em (2 Tessalonicenses 2:8). Ele será consumido pelo sopro da boca de Cristo e destruído pelo esplendor da sua vinda. Quarto, o juízo será dado aos santos do Altíssimo. Aos apóstolos foi confiada a pregação do evangelho, pelo qual o mundo será julgado. Todos os santos, por meio de sua fé e obediência, condenam o mundo incrédulo e desobediente. Em Cristo, seu Cabeça, julgarão o mundo e as doze tribos de Israel (Mateus 19:28). Isso deve nos ensinar a honrar os que temem ao Senhor. Por mais baixos e desprezados que pareçam aos olhos do mundo, eles são os santos do Altíssimo. Estão próximos de Deus, são preciosos para ele, e ele os reconhece como seus. O juízo é dado a eles.

Em quinto lugar, e este é o ponto principal, os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para sempre (Daniel 7:18). De novo, em (Daniel 7:22), chega o tempo em que os santos possuem o reino. E outra vez, em (Daniel 7:27), o reino, o domínio e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu são dados ao povo dos santos do Altíssimo. Não se deve entender isso como se o poder pertencesse às pessoas por serem santas, nem como se qualquer um pudesse reivindicar domínio terreno em nome da santidade. O reino de Cristo não é deste mundo. Antes, isso aponta para o domínio espiritual que os santos exercem sobre seus próprios desejos pecaminosos e hábitos corruptos, suas vitórias sobre Satanás e suas tentações, e o triunfo dos mártires sobre a morte e o medo da morte.

Também há aqui a promessa de que o reino do evangelho será estabelecido, um reino de graça, cujas bênçãos e consolações presentes são o antegosto, o começo, do reino de glória no céu. Quando o Império Romano se tornou cristão, e os governantes passaram a usar seu poder para proteger e promover o cristianismo, de certo modo os santos passaram a possuir o reino de forma real. Os santos reinam porque o Espírito reina neles, e esta é a vitória que vence o mundo: a fé deles. Eles também reinam na medida em que os reinos deste mundo são submetidos ao senhorio de Cristo. Mas o cumprimento pleno virá na felicidade eterna dos santos, no reino que não pode ser abalado, que esperamos segundo a sua promessa. Essa é a grandeza do reino, a coroa de glória que não murcha, o reino eterno.

Percebe-se a ênfase em (Daniel 7:18): os santos possuirão o reino para sempre, “por todo o sempre”. A razão é que Aquele a quem eles pertencem é o Altíssimo, e o seu reino é um reino eterno (Daniel 7:27). Ele é eterno, portanto o reino deles também será. “Porque eu vivo, e vós vivereis” (João 14:19). O reino dele é o reino deles. Eles se consideram honrados na honra dele, e não desejam maior alegria do que ver que todos os poderes o sirvam e obedeçam, como acontecerá (Daniel 7:27). Todos os poderes ou se dobrarão ao seu cetro de ouro, ou serão esmagados pelo seu cetro de ferro.

No final, Daniel mostra o quanto essa visão o impressionou. Ela o abalou de tal forma que o seu rosto se transtornou e empalideceu, mas ele guardou o assunto em seu coração. O coração deve ser o depósito das coisas divinas. É ali que devemos esconder a palavra de Deus, assim como Maria guardou as palavras de Cristo em seu coração (Lucas 2:51). Daniel guardou o assunto em seu coração, não para escondê‑lo da igreja, mas para conservá‑lo para a igreja, a fim de que pudesse transmitir ao povo, plena e fielmente, aquilo que recebera do Senhor.

Esta é uma lição para os profetas e ministros de Deus. Eles devem ajuntar as coisas de Deus em sua mente e ali meditá‑las e assimilá‑las bem. Se quisermos ter a palavra de Deus pronta em nossos lábios quando necessário, precisamos mantê‑la continuamente em nosso coração.

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