1 Crônicas 1 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 1 Crônicas 1 na sua vida hoje

20 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 1 Crônicas 1?

Em 1 Crônicas 15, Davi organiza cuidadosamente a transferência da arca da aliança para Jerusalém. Diferente da tentativa anterior, ele segue a forma estabelecida por Deus: apenas os levitas carregam a arca, santificados e obedientes. O capítulo descreve a nomeação de líderes, músicos, cantores e porteiros, formando uma grande procissão marcada por alegria, sacrifícios, louvor e reverência. Ao final, a celebração contrasta com o desprezo de Mical ao ver Davi dançar diante do Senhor.

Temas principais em 1 Crônicas 1

Obediência à forma estabelecida por Deus (versículos 1-2, 12-15, 26)

Depois do julgamento na tentativa anterior, Davi reconhece que a arca precisa ser conduzida exatamente como Deus ordenou, pelos levitas, com santificação e respeito. A reverência à instrução divina se torna central na adoração.

Versículos-chave: 2, 13, 15

Santificação e preparo para o serviço (versículos 11-14)

Os sacerdotes e levitas se santificam antes de tocar na arca. O capítulo mostra que servir a Deus e aproximar-se de sua presença exige preparo espiritual, separação e seriedade.

Versículos-chave: 12, 14

Adoração comunitária alegre e bem organizada (versículos 16-24, 25, 28)

Há uma grande estrutura de adoradores: chefes, músicos, cantores, porteiros e sacerdotes, todos com funções específicas, instrumentos diversos e expressão de júbilo. A adoração é simultaneamente alegre e ordenada.

Versículos-chave: 16, 22, 28

A ajuda de Deus na obediência (versículos 25-26)

Enquanto os levitas carregam a arca corretamente, o texto destaca que Deus os ajuda. A obediência não é apenas exigida; é sustentada pela própria graça de Deus.

Versículos-chave: 26

Contraste entre alegria espiritual e desprezo (versículos 27-29)

A cena de Davi dançando com alegria diante da arca contrasta com o olhar crítico de Mical, que o despreza no coração. O texto expõe a diferença entre quem se rende em adoração e quem observa à distância com frieza.

Versículos-chave: 29

Contexto histórico e literario

1 Crônicas 15 está situado no início do reinado de Davi em Jerusalém. Após consolidar seu governo e conquistar a fortaleza de Sião (a futura cidade de Davi), ele decide trazer a arca da aliança para o centro político e espiritual do reino. A arca era o símbolo visível da presença de Deus, ligada às promessas feitas a Moisés e à aliança no Sinai.

Anteriormente, Davi já havia tentado transportar a arca (relatado em 1 Crônicas 13 e em 2 Samuel 6), mas o fez de forma inadequada, em carro de bois, o que levou à morte de Uzá e a um grande temor. Esse episódio serve de pano de fundo direto para 1 Crônicas 15. Agora, Davi corrige o procedimento, retornando às instruções dadas na lei de Moisés, em especial em Números 3–4 e Deuteronômio 10:8, onde os levitas são designados para carregar a arca sobre os ombros.

O capítulo também reflete a preocupação crônica com a organização do culto: sacerdotes, levitas, músicos e porteiros são nomeados com precisão. Isso aponta para o período pós-exílico em que o Cronista escreve, quando o povo, de volta do cativeiro, precisava ser relembrado da centralidade do templo, da lei e do culto ordenado.

Estrutura de 1 Crônicas 1

O capítulo pode ser dividido em quatro blocos principais:

  1. Preparação do lugar e princípio da condução da arca (15:1-3)
    Davi prepara sua própria casa, mas, sobretudo, estabelece um lugar específico e adequado para a arca, enfatizando que apenas os levitas podem transportá-la.

  2. Listas dos levitas e chamada à santificação (15:4-15)
    São apresentados os grupos levíticos e seus líderes. Davi convoca sacerdotes e levitas, destacando a necessidade de santificação e lembrando o erro da primeira tentativa. O trecho culmina com os levitas carregando a arca “como Moisés tinha ordenado”.

  3. Organização da música e da liturgia (15:16-24)
    O texto descreve minuciosamente a nomeação de cantores, músicos, chefes de música e porteiros. Menciona instrumentos específicos (alaúdes, harpas, címbalos, trombetas) e funções distintas, como o mestre do canto, os porteiros da arca e os sacerdotes trombeteiros.

  4. Procissão solene com alegria e contraste com Mical (15:25-29)
    Davi, os anciãos e os capitães sobem com alegria. Há ajuda divina, sacrifícios, vestes de linho e muita música. A cena se encerra com o olhar crítico de Mical, criando um contraste dramático entre a adoração jubilosa e o desprezo interior.

Significado teológico

O capítulo traz uma forte mensagem sobre a santidade de Deus e a seriedade da adoração. A arca, símbolo da presença divina, não pode ser manipulada ou tratada de qualquer maneira. A obediência de Davi, agora alinhada à lei de Moisés, mostra que o entusiasmo religioso precisa caminhar junto com o respeito às instruções de Deus.

Há também um aspecto teológico de mediação: os levitas, escolhidos por Deus para servir diante dele, representam a necessidade de pessoas consagradas para lidar com as coisas santas. A santificação dos sacerdotes e levitas antes de transportar a arca ressalta que a aproximação de Deus exige purificação e separação.

A organização do culto, com suas funções claramente definidas, mostra que a adoração bíblica não é apenas espontânea, mas também estruturada, comunitária e interdependente. Davi aparece como modelo de rei que se humilha, se veste como servo (manto de linho, éfode) e se alegra intensamente na presença de Deus.

Teologicamente, o contraste com Mical também aponta para a diferença entre um coração sensível à presença de Deus e um coração endurecido, mais preocupado com aparência ou status do que com a honra de Deus. A narrativa antecipa temas que, mais tarde, serão retomados em outras partes da Escritura, como a obediência superior ao ritual vazio e a centralidade de um coração rendido.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo toca em questões emocionais relevantes, como culpa, correção, alegria restaurada e crítica externa. Davi havia experimentado um fracasso doloroso na primeira tentativa de trazer a arca. Agora, em 1 Crônicas 15, ele não nega o erro, mas o reconhece e muda o comportamento: busca a Deus “segundo a ordenança”. Isso mostra um caminho saudável de lidar com falhas espirituais e traumas religiosos.

O texto também apresenta uma comunidade trabalhando em harmonia, cada um com sua função, na mesma direção. Isso aponta para a importância de pertencimento, cooperação e propósito compartilhado para a saúde emocional. O louvor organizado, a música e a celebração criam um ambiente de alegria coletiva que pode ser restaurador.

Ao mesmo tempo, o desprezo de Mical mostra como críticas silenciosas e julgamentos internos podem ferir relacionamentos e gerar distância emocional. A cena ilustra a realidade de que, mesmo em momentos de alegria espiritual, nem todos percebem ou valorizam da mesma forma, o que pode criar tensão afetiva e solidão interior.

No conjunto, o capítulo sugere um movimento terapêutico: reconhecer erros sem ficar preso neles, reorganizar a vida diante de Deus, servir em comunidade com propósito compartilhado e aprender a lidar com olhares críticos sem perder a alegria de adorar.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns pontos podem emergir como sinais de alerta ao ler este capítulo:

  • Culpa excessiva pela primeira falha (v.13): a lembrança do juízo anterior pode acionar sentimentos intensos de medo ou autoacusação em pessoas sensíveis a experiências negativas na vida de fé.
  • Perfeccionismo religioso: a ênfase na forma correta de adorar pode ser distorcida em rigidez extrema, levando alguém a acreditar que qualquer erro mínimo afastará Deus de forma definitiva.
  • Comparação e julgamento interno (v.29): a atitude de Mical pode refletir ou despertar memórias de situações em que alguém foi humilhado ou criticado por expressar fé ou emoção diante de Deus.
  • Pressão por desempenho no serviço religioso: a forte organização de funções e a visibilidade de músicos, líderes e porteiros podem alimentar pensamentos de que o valor diante de Deus depende de desempenho público impecável.

Para quem já viveu traumas espirituais, autoritarismo religioso ou rejeição em contextos de igreja, esses elementos podem acionar lembranças dolorosas. Nesses casos, a leitura se torna mais segura quando acompanhada de espaço para diálogo, acolhimento e, se necessário, apoio pastoral ou profissional.

Aplicação prática para hoje

1 Crônicas 15 inspira práticas concretas para a vida de fé e comunidade:

  • Levar a sério a orientação de Deus: assim como Davi ajustou a forma de transportar a arca, é possível revisar decisões e hábitos à luz da Palavra, com disposição para corrigir rumos.
  • Preparar o coração para servir: a santificação dos levitas sugere reservar tempo para alinhamento interior, confissão e oração antes de tarefas importantes, especialmente no serviço cristão.
  • Valorizar a cooperação e os dons diversos: o capítulo mostra músicos, porteiros, líderes e auxiliares. Na prática, comunidades saudáveis reconhecem que cada pessoa contribui de forma diferente, e todas essas partes importam.
  • Cultivar uma adoração alegre e reverente: a procissão une organização, música e alegria intensa. Isso inspira cultos e momentos devocionais que combinam ordem com entusiasmo sincero.
  • Lidar com críticas sem perder o foco: o desprezo de Mical contrasta com a entrega de Davi. Na vida diária, críticas à fé ou ao estilo de adoração podem surgir; o texto aponta para a importância de permanecer centrado em Deus, e não na aprovação humana.

Esses princípios podem ser aplicados em família, igreja local, ministérios e até no ambiente de trabalho, quando se trata de organização, respeito a limites e cooperação.

Perguntas frequentes

Por que Davi insiste que só os levitas podem levar a arca em 1 Crônicas 15?

Davi aprendeu com a experiência anterior, quando a arca foi colocada em um carro de bois e Uzá morreu ao tocá-la. Na lei de Moisés, especialmente em Números 3–4 e Deuteronômio 10:8, Deus determinou que os levitas seriam responsáveis por transportar a arca sobre os ombros, usando varas. Ao insistir que apenas os levitas a carregassem, Davi estava se alinhando às instruções divinas e demonstrando reverência à santidade de Deus.

O que significa a santificação dos sacerdotes e levitas antes de transportar a arca?

A santificação envolvia separação para Deus, purificação ritual e, muitas vezes, práticas como lavagem, ofertas e dedicação renovada. Em termos práticos, significava reconhecer que o serviço diante de Deus não é algo comum, mas exige um coração e uma vida voltados para ele. No contexto de 1 Crônicas 15, a santificação marca a diferença entre a primeira tentativa fracassada e agora uma abordagem obediente e respeitosa.

Por que há tantos detalhes sobre músicos e instrumentos neste capítulo?

O Cronista enfatiza a importância da adoração organizada e da música no culto a Deus. Os detalhes sobre cantores, chefes de música, instrumentos e porteiros mostram que o louvor não era improvisado de forma descuidada, mas preparado com zelo e excelência. Esse retrato também servia, para o povo pós-exílico, como modelo de como o culto no templo deveria ser estruturado e valorizado.

Qual é o significado do desprezo de Mical por Davi em 1 Crônicas 15:29?

Mical, ao ver Davi dançar e tocar diante do Senhor, o despreza em seu coração. Esse desprezo revela um contraste entre a postura humilde e alegre de Davi, que se deixa envolver pela adoração, e a atitude de Mical, mais preocupada com aparência, status e dignidade externa. O episódio sugere que a verdadeira adoração pode ser mal interpretada por quem observa de longe e valoriza mais a imagem pessoal do que a honra de Deus.

O que quer dizer que Deus ajudou os levitas que levavam a arca em 1 Crônicas 15:26?

A expressão indica que, ao obedecerem à forma certa de transportar a arca, os levitas não contavam apenas com suas próprias forças. Deus mesmo os sustentava na tarefa. Teologicamente, isso mostra que a obediência não é apenas uma obrigação, mas também um lugar onde a graça de Deus se manifesta, fortalecendo e protegendo quem caminha nos seus caminhos.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Este capítulo mostra um povo inteiro reencontrando a alegria depois de um tempo de medo e frustração. Havia uma lembrança dolorosa por trás dessa procissão: na primeira tentativa, algo deu muito errado, alguém morreu, e o clima de festa virou luto. Agora, em 1 Crônicas 15, não há negação dessa dor. Davi lembra claramente: “o Senhor nosso Deus fez rotura em nós, porque não o buscamos segundo a ordenança”. A ferida é reconhecida, não escondida. Isso abre espaço para algo novo. Em vez de paralisar, a dor leva a um caminho mais cuidadoso, mais obediente, mais sensível à vontade de Deus. A comunidade se organiza, se santifica, se prepara. Há um cuidado com cada detalhe, como quem arruma a casa para receber um hóspede precioso. Nessa imagem, a arca carrega o peso da presença de Deus, mas também a esperança de um recomeço. A alegria que aparece aqui não é raso entusiasmo, é alegria que vem depois do aprendizado, depois da correção. É uma alegria que conhece lágrimas. Por isso, a música ganha tanta força: alaúdes, harpas, címbalos, trombetas. O louvor se torna uma linguagem para expressar aquilo que o coração talvez não conseguiria colocar em palavras, um jeito de celebrar que Deus continua presente e disposto a caminhar com o seu povo. No meio disso, o olhar de Mical é um lembrete de que nem todos entendem um coração que se derrama diante de Deus. Davi dança, se alegra, se expõe; Mical observa de longe e despreza em silêncio. Esse contraste toca na dor de quem já foi julgado ou mal interpretado por expressar fé e emoção. O texto não esconde essa tensão, mas deixa claro que o foco de Davi não está na opinião de quem o observa pela janela, e sim no Deus diante de quem ele dança. 1 Crônicas 15, assim, se torna um retrato de cura em movimento: um povo que se reorganiza depois do trauma, um rei que aprende com o erro, uma adoração que nasce da obediência e da confiança renovada. A presença de Deus, simbolizada pela arca, volta a ocupar o centro da história, e o coração encontra espaço para cantar de novo, mesmo sabendo que nem todos vão compreender esse cântico.

Mind
Mente

Sob a perspectiva do estudo bíblico, 1 Crônicas 15 é uma peça chave na teologia do Cronista sobre culto, liderança e presença de Deus. O texto dialoga diretamente com o episódio anterior de fracasso, em 1 Crônicas 13, mas agora com uma correção explícita: “porque não o buscamos segundo a ordenança” (15:13). O Cronista usa esse contraste para reforçar sua ênfase na necessidade de alinhar o culto à revelação mosaica. O capítulo começa com dois movimentos paralelos: Davi constrói casa para si e prepara lugar para a arca (v.1). Essa justaposição lembra ao leitor que a verdadeira centralidade do reinado não está apenas na casa do rei, mas no lugar da presença de Deus. Em seguida, a convocação dos filhos de Arão e dos levitas (vv.4-10) ecoa a estrutura de Números 3–4, com destaque para famílias específicas (Coate, Merari, Gérson, etc.). O Cronista mostra familiaridade com a tradição sacerdotal e a reafirma em seu contexto pós-exílico. Teologicamente, o ponto de inflexão ocorre nos vv.12-15. Davi reconhece a liderança dos “chefes dos pais entre os levitas” e manda que se santifiquem. A confissão do erro anterior (“vós não a levastes na primeira vez”) funciona como interpretação teológica do juízo divino: o problema não foi apenas circunstancial, mas resultado de não se buscar a Deus conforme sua própria instrução. A correção vem ao obedecer à ordem mosaica de levar a arca “sobre os seus ombros, pelas varas” (v.15). A extensa lista de músicos e funções (vv.16-24) tem forte valor programático. O Cronista legitima a prática musical levítica no templo de sua época, ancorando-a no tempo de Davi. Nomes como Hemã, Asafe e Etã, conhecidos em títulos de Salmos, são apresentados como figuras fundadoras da tradição musical de Israel. O versículo 22 é particularmente importante: Quenanias é descrito como “entendido”, um especialista responsável por ensinar o canto. Isso sugere que o culto exige competência e formação, não apenas boa vontade. Nos vv.25-26, a nota de que “Deus ajudou os levitas que levavam a arca” liga obediência e auxílio divino. O sacrifício de sete novilhos e sete carneiros evoca plenitude e solenidade, reforçando que a procissão não é mero desfile, mas ato litúrgico carregado de significado expiatório e de consagração. O epílogo com Mical (v.29) é sintético, mas teologicamente denso. Ao mencionar que ela “desprezou [Davi] no seu coração”, o texto indica que o problema é interno, de disposição do coração diante da adoração. Isso cria um contraste entre a espiritualidade davídica, centrada na presença de Deus, e uma postura mais ligada a status real e convenções sociais, associada à casa de Saul. Assim, 1 Crônicas 15 articula três eixos principais: fidelidade à Torá na organização do culto, legitimação da estrutura levítico-sacerdotal e exaltação de Davi como rei-modelo na adoração. Tudo isso serve ao propósito maior do Cronista de apresentar um ideal de comunidade restaurada, na qual templo, lei e trono davídico convergem na vida diante de Deus.

Life
Vida

O que se vê em 1 Crônicas 15 é, em muitos aspectos, um grande projeto bem organizado para colocar Deus de volta no centro da vida nacional. Davi não age sozinho nem de qualquer jeito: ele aprende com o que deu errado, chama as pessoas certas, define funções, prepara o ambiente e, só então, segue em frente. Isso oferece princípios bem práticos para a vida diária. Em primeiro lugar, Davi reconhece que, da primeira vez, fez do seu jeito, e não do jeito de Deus. A frase “não o buscamos segundo a ordenança” é uma espécie de balanço crítico do passado. Em termos práticos, isso é semelhante a fazer uma revisão honesta de decisões que deram errado: em vez de apenas culpar circunstâncias, perguntar onde se ignorou orientação clara, onde se atropelou processos ou limites. Depois, há uma forte ênfase em preparo e santificação. Antes de tocar na arca, os sacerdotes e levitas precisam se separar para essa função. Numa linguagem atual, isso lembra que tarefas importantes—no casamento, na família, no trabalho, no serviço na igreja—não devem ser feitas sempre no piloto automático. Às vezes, é preciso parar, alinhar motivações, organizar o coração e o ambiente, para então agir com mais consciência. O capítulo também mostra o valor de equipes diversas. Há chefes, músicos, porteiros, especialistas em canto, cada um com seu papel. Ninguém tenta fazer tudo, e ninguém é apresentado como “menos importante”. No cotidiano, isso toca na maneira de organizar a vida: reconhecer dons e limites, delegar, trabalhar em parceria, valorizar quem cuida dos bastidores tanto quanto quem aparece na frente. Outro ponto prático é a combinação de ordem e alegria. A procissão é cuidadosamente planejada, mas não é fria: há celebração, música, expressão corporal, júbilo. Isso sugere que uma vida bem organizada não precisa ser sem graça. Pelo contrário, quando prioridades estão no lugar e responsabilidades são assumidas corretamente, há espaço mais amplo para desfrutar, agradecer e celebrar. Por fim, o episódio de Mical lembra que, mesmo quando alguém está fazendo o melhor que pode diante de Deus, haverá olhares críticos. Mical não participa, observa de longe e despreza. Na prática, isso alerta para dois riscos: viver refém da opinião alheia e, ao mesmo tempo, tornar-se alguém que só observa e critica, mas não se envolve. O caminho mais saudável, à luz do capítulo, é manter o foco naquilo que se discerne como correto diante de Deus e, em vez de alimentar desprezo no coração, buscar compreender a sinceridade da devoção do outro. No todo, 1 Crônicas 15 oferece um retrato de responsabilidade, cooperação e celebração. É um convite a reorganizar a vida para que a presença de Deus não seja um detalhe, mas o centro em torno do qual tudo o mais encontra seu lugar.

Soul
Alma

Espiritualmente, 1 Crônicas 15 é um capítulo sobre retornar ao centro: trazer a arca—símbolo da presença e da aliança de Deus—para o lugar que lhe é devido. Davi constrói sua casa, mas o movimento decisivo é preparar um lugar para a arca. Há aqui um princípio profundo: a verdadeira ordem da vida começa quando a presença de Deus deixa de ser periférica e volta ao centro. O texto mostra que não basta a intenção de honrar a Deus; é preciso buscá-lo “segundo a ordenança”. Ou seja, não apenas segundo impulsos ou tradições humanas, mas à luz daquilo que ele revelou. No nível espiritual, isso fala de uma fé que se deixa moldar, corrigir e orientar pela Palavra, mesmo quando isso exige rever práticas antigas ou confortáveis. A santificação dos levitas e sacerdotes indica que aproximar-se de Deus nunca é algo trivial. Aproximação e purificação caminham juntas. O capítulo não descreve os detalhes desses ritos, mas deixa claro o princípio: o serviço a Deus e a vida diante dele pedem um coração separado, disposto a romper com o que é impuro ou superficial. Há aqui uma convocação silenciosa à busca de integridade, de coerência entre adoração pública e vida íntima. Ao organizar músicos, cantores, porteiros e líderes, o texto desenha uma espiritualidade comunitária. Ninguém carrega sozinho o peso da adoração; cada função dá sua contribuição para que a presença de Deus seja honrada. Espiritualmente, isso aponta para um corpo unido, em que cada vocação participa do grande ato de louvar a Deus com a própria existência—seja em tarefas visíveis, seja na fidelidade silenciosa. Quando o cronista registra que “Deus ajudou os levitas que levavam a arca”, há uma revelação consoladora: o caminho da obediência não é percorrido apenas com força humana. Deus mesmo sustenta quem se dispõe a carregar, com reverência, aquilo que representa sua presença. A vida espiritual, então, não é apenas esforço, mas cooperação com a graça que fortalece no meio da responsabilidade. O contraste final com Mical aprofunda a reflexão: dois olhares diante do mesmo ato de adoração. Davi, que se despoja e dança, e Mical, que observa e despreza. Um coração que se coloca diante de Deus sem reservas, e um coração preso à dignidade aparente e ao julgamento. Essa cena convida a perguntar, no silêncio interior, de que lugar nasce a nossa espiritualidade: da rendição sincera ou do controle distante. 1 Crônicas 15, assim, aponta para um pacto renovado: vida reorganizada em torno da presença de Deus, obediência amadurecida pelo aprendizado, comunidade que serve com alegria e um coração que escolhe honrar a Deus acima da própria imagem. É uma visão de caminhada espiritual em que a presença divina é recebida com reverência, mas também com júbilo, como o verdadeiro tesouro que dá sentido ao povo e à história.

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Versículos em 1 Crônicas 1

1 Crônicas 1:1

" Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo; "

1 Crônicas 1:3

" Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. "

1 Crônicas 1:4

" João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; "

1 Crônicas 1:5

" E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, "

1 Crônicas 1:7

" Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém. "

1 Crônicas 1:8

" Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso. "

Apocalipse 1:8 mostra que Jesus é o início e o fim de tudo, soberano sobre a história e sobre cada fase da vida. Em tempos …

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1 Crônicas 1:9

" Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo. "

1 Crônicas 1:11

" Que dizia: Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia. "

1 Crônicas 1:13

" E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. "

1 Crônicas 1:15

" E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. "

1 Crônicas 1:16

" E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece. "

1 Crônicas 1:17

" E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; "

1 Crônicas 1:20

" O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas. "

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