1 Crônicas 2 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 1 Crônicas 2 na sua vida hoje

29 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 1 Crônicas 2?

1 Crônicas 16 descreve a chegada da arca de Deus a Jerusalém, o culto festivo organizado por Davi, a instituição de ministros levitas diante da arca e um grande salmo de louvor que exalta a fidelidade da aliança de Deus, sua soberania sobre as nações e a necessidade de adoração contínua. O capítulo termina com a organização do serviço regular no tabernáculo e a benção de Davi sobre sua própria casa.

Temas principais em 1 Crônicas 2

Adoração pública e comunitária (versiculos 1-7, 36-43)

A arca é colocada na tenda preparada por Davi, o povo oferece sacrifícios, recebe alimento e participa de um grande culto de louvor. A adoração é apresentada como ato público, festivo e organizado, envolvendo líderes, músicos, sacerdotes e todo o povo.

Versiculos-chave: 1, 4, 36

Louvor baseado na memória da aliança (versiculos 8-22)

O salmo central do capítulo convida o povo a lembrar a aliança com Abraão, Isaque e Jacó, as promessas da terra e a proteção de Deus enquanto eram poucos e vulneráveis. O louvor nasce da memória concreta da fidelidade de Deus na história.

Versiculos-chave: 12, 15, 18

Deus acima de todos os deuses e nações (versiculos 23-33)

O texto contrasta o Senhor com os ídolos das nações, declara que ele fez os céus, reina sobre toda a terra e virá julgar o mundo. Toda a criação é chamada a se alegrar diante do seu governo justo.

Versiculos-chave: 25, 26, 31

Bondade e misericórdia permanentes (versiculos 34-41)

Repetidamente se afirma que a benignidade do Senhor dura perpetuamente. O louvor aponta para um caráter constante de amor leal que sustenta tanto a redenção de Israel quanto o culto contínuo.

Versiculos-chave: 34, 41

Serviço contínuo e organizado na presença de Deus (versiculos 37-42)

Davi estabelece responsabilidades permanentes para levitas, músicos, porteiros e sacerdotes, garantindo que o louvor, os sacrifícios e a guarda dos espaços sagrados aconteçam diariamente, conforme a lei do Senhor.

Versiculos-chave: 37, 40, 42

Contexto historico e literario

1 Crônicas 16 está situado no período do reinado de Davi sobre Israel, após a conquista de Jerusalém e sua escolha como capital política e religiosa (aprox. século X a.C.). A arca da aliança, símbolo visível da presença de Deus entre o povo, havia ficado por anos afastada do centro da vida nacional e agora é trazida solenemente para a cidade de Davi.

Este capítulo continua o relato iniciado em 1 Crônicas 15 sobre o transporte da arca. Diferente da primeira tentativa fracassada em 1 Crônicas 13, Davi agora segue com mais rigor as instruções da lei quanto ao papel dos levitas. A arca é colocada numa tenda preparada por Davi em Jerusalém, enquanto o tabernáculo, com o altar dos holocaustos, permanece em Gibeom sob responsabilidade de Zadoque e outros sacerdotes (v. 39–40). Assim, por um tempo, existem dois focos de culto: a arca em Jerusalém e o altar em Gibeom.

O salmo citado nos versículos 8–36 é uma composição que reúne trechos que também aparecem em Salmos 105, 96 e 106. O cronista, escrevendo muitos séculos depois, provavelmente no período pós-exílico, relembra este grande ato de culto de Davi para encorajar a geração que voltou do exílio na Babilônia a retomar a adoração organizada, centrada na aliança e na fidelidade de Deus.

Estrutura de 1 Crônicas 2

O capítulo possui uma estrutura claramente organizada entre narrativa histórica e poesia de louvor:

  1. Chegada da arca e sacrifícios (1–3) – Relato da instalação da arca na tenda em Jerusalém, dos holocaustos e sacrifícios pacíficos e da bênção e distribuição de alimentos ao povo por Davi.

  2. Instituição dos levitas ministros diante da arca (4–6) – Descrição dos levitas designados para ministrar perante a arca, com nomes de líderes musicais, instrumentos específicos e o toque contínuo de trombetas pelos sacerdotes.

  3. Entrega do salmo de louvor (7) – Transição narrativa que apresenta o cântico que Davi confiou a Asafe e seus irmãos para o serviço de louvor.

  4. Hino de gratidão e memória da aliança (8–22) – Primeira parte do salmo, com imperativos de louvor, convite à lembrança das obras de Deus e ênfase na aliança com os patriarcas e na proteção divina sobre o povo pequeno e migrante.

  5. Convocação universal à adoração e proclamação (23–33) – Segunda parte do salmo, convocando toda a terra a cantar, proclamando a salvação, denunciando ídolos e chamando toda a criação a celebrar o reinado e o juízo de Deus.

  6. Conclusão do hino com ação de graças e súplica (34–36) – Terceira parte do salmo, que alterna louvor pela bondade permanente de Deus com pedido de salvação e reunião do povo, terminando com uma doxologia e a resposta do povo: “Amém!”.

  7. Organização permanente do culto (37–42) – Retorno à narrativa, registrando a nomeação de Asafe e seus irmãos, Obede-Edom, porteiros, Zadoque, Hemã, Jedutum e os demais escolhidos para o serviço contínuo na arca em Jerusalém e no altar em Gibeom.

  8. Encerramento: retorno às casas e bênção de Davi (43) – Fechamento simples e humano: o povo volta para casa, e Davi também retorna para abençoar sua própria família.

Significado teologico

Teologicamente, 1 Crônicas 16 destaca a centralidade da presença de Deus e da aliança para a identidade do povo de Deus. A arca no centro da festa simboliza que a vida nacional gira em torno da presença divina, não apenas de estruturas políticas ou militares. O culto organizado por Davi não é mera celebração cultural, mas resposta à fidelidade de Deus na história.

O salmo coloca a memória da aliança no coração da teologia de Israel. Deus é lembrado como aquele que promete, confirma e cumpre sua palavra a Abraão, Isaque e Jacó, dando terra, proteção e identidade ao seu povo. A aliança não é apresentada como algo frágil ou momentâneo, mas como compromisso de Deus para “mil gerações” (v. 15) e como “aliança eterna” (v. 17). Isso fundamenta a confiança do povo em meio às mudanças políticas e às ameaças externas.

Outro ponto central é a exclusividade e supremacia de Deus: ele é o Criador que fez os céus (v. 26), e, por isso, é “mais temível do que todos os deuses” (v. 25). Os ídolos das nações são denunciados como vazios, em contraste com o Deus vivo, rodeado de louvor, majestade, força e alegria (v. 27). Essa visão impede sincretismos e reforça a necessidade de um culto puro, centrado no verdadeiro Deus.

O texto também amplia o horizonte da fé de Israel, apontando para o alcance universal do reinado de Deus. A convocação a que “toda a terra” cante (v. 23) e a proclame “entre as nações” (v. 24) antecipa a missão de testemunhar o Deus de Israel ao mundo. A criação inteira – céus, terra, mar, campo, árvores – é retratada como participante da alegria diante do Senhor que vem julgar a terra (v. 31–33), sugerindo uma dimensão cósmica da redenção e do juízo.

Por fim, a insistência de que “a sua benignidade dura perpetuamente” (v. 34, 41) ressalta o amor leal de Deus (hesed) como fundamento do relacionamento com seu povo. O pedido de salvação, reunião e libertação (v. 35) mostra que o povo vive entre a memória do que Deus já fez e a esperança do que ainda fará. O culto, então, torna-se lugar onde a comunidade aprende a viver entre lembrança e expectativa, ancorada na bondade imutável do Senhor.

Aplicacao restauradora e de saude mental

A dinâmica de 1 Crônicas 16 oferece um quadro saudável de espiritualidade comunitária. O povo se reúne em torno da presença de Deus, participa ativamente do culto, recebe alimento e bênção, e depois retorna ao cotidiano. Há integração entre celebração, memória histórica, organização de serviço e vida familiar.

Do ponto de vista emocional, o capítulo mostra como a memória das obras de Deus ajuda a reorganizar o coração. O salmo convida a lembrar milagres, juízos e promessas, o que fortalece a identidade de um povo que já foi “pouco em número” e vulnerável (v. 19–20). Essa lembrança combate a sensação de abandono e insignificância, trazendo um senso de cuidado contínuo de Deus.

O louvor descrito é objetivo e focado no caráter de Deus, não em estados emocionais passageiros. Reconhece tanto sua grandeza temível quanto sua bondade constante. Isso contribui para uma fé mais estável, que sustenta pessoas em tempos de alegria e de crise. Ao mesmo tempo, a oração no v. 35 mostra que o culto não ignora dores presentes: há espaço para clamar por salvação, libertação e reunião, sem perder o tom de confiança.

A organização de ministérios e funções (músicos, porteiros, sacerdotes) aponta para a importância de estruturas saudáveis na vida espiritual da comunidade. Cada um tem seu papel, há continuidade de serviço e não tudo depende de uma só pessoa, nem mesmo de Davi. Esse modelo pode inspirar comunidades a evitarem sobrecarga emocional e espiritual em poucos indivíduos.

O encerramento com o povo voltando para casa e Davi abençoando sua própria família (v. 43) sugere equilíbrio entre vida de culto e vida doméstica. A experiência espiritual intensa do culto não substitui o cuidado da casa, mas o alimenta e o acompanha.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo é, em geral, positivo, mas certos elementos podem ser mal utilizados em contextos pastorais ou psicológicos sensíveis:

  1. Idealização da celebração coletiva – A descrição de um culto grandioso, com muita música, alegria e unidade, pode ser usada para pressionar pessoas emocionalmente fragilizadas a participar de celebrações intensas, sem respeitar seu tempo e limites. Uma leitura cuidadosa lembra que o texto descreve um momento específico, não uma obrigação permanente de estar sempre em clima festivo.

  2. Uso inadequado de “não toqueis os meus ungidos” (v. 22) – Este versículo, quando tirado do contexto, pode ser distorcido para blindar líderes religiosos de qualquer questionamento ou correção, favorecendo abusos de poder e silenciamento de vítimas. No contexto bíblico, a proteção de Deus se refere ao povo e aos profetas vulneráveis no meio de nações hostis, não a uma autorização para lideranças agirem sem prestação de contas.

  3. Espiritualização de conflitos e sofrimentos atuais – A ênfase na proteção divina contra opressores (v. 21–22) pode ser usada, sem cuidado, para dizer a pessoas em situação de violência ou abuso que “Deus vai cuidar” sem incentivar a busca por ajuda prática, proteção legal e apoio profissional. Há risco de desestimular ações concretas de enfrentamento de injustiças.

  4. Pressão por serviço contínuo – A imagem de serviço “continuamente” diante da arca e no altar (v. 6, 40) pode ser mal interpretada como exigência de dedicação sem descanso em ministérios religiosos. Sem equilíbrio, isso alimenta culpa, ativismo espiritual e esgotamento, especialmente em voluntários sobrecarregados.

  5. Desvalorização de outras culturas – A denúncia dos “deuses dos povos” como ídolos (v. 26), se aplicada de forma agressiva e sem sensibilidade, pode legitimar atitudes de desprezo ou superioridade cultural. Uma leitura responsável reconhece a mensagem sobre o Deus verdadeiro sem alimentar intolerância ou desumanização de pessoas de outras crenças.

Aplicacao pratica para hoje

  1. Culto que integra coração e memória – O capítulo incentiva práticas de louvor que não se limitam à emoção do momento, mas recontam a história da fidelidade de Deus. Comunidades podem cultivar momentos em que recordam testemunhos, libertações e respostas de oração, fortalecendo a fé coletiva.

  2. Organização saudável de ministérios – A distribuição clara de funções entre levitas, músicos, porteiros e sacerdotes inspira igrejas e grupos a definirem papéis com responsabilidade, evitando centralização excessiva e sobrecarga. Isso favorece continuidade de serviço e cuidado melhor das pessoas envolvidas.

  3. Vida com Deus que alcança o cotidiano – Depois da grande celebração, cada um volta para sua casa, e Davi vai abençoar a sua (v. 43). A vida espiritual não permanece confinada ao templo ou à reunião. Famílias podem aprender a trazer a bênção e a gratidão do culto para as relações diárias, conversas, decisões e cuidados práticos.

  4. Louvor que testemunha para além das paredes da igreja – O chamado a contar as obras de Deus “entre as nações” (v. 24) inspira um testemunho simples e natural no ambiente de trabalho, na vizinhança e na sociedade. Não se trata de imposição, mas de tornar conhecido, com respeito, o caráter de Deus através de palavras e atitudes.

  5. Equilíbrio entre celebração e súplica – Mesmo em meio ao louvor, o povo clama: “Salva-nos” e “ajunta-nos” (v. 35). A prática espiritual pode manter esse equilíbrio: gratidão e alegria não anulam a legitimidade de apresentar dores e pedidos. Em grupos cristãos, orações podem alternar entre louvor, intercessão e confissão, sem criar ambientes artificialmente triunfalistas.

  6. Reconhecimento da bondade permanente de Deus – Repetir verdades como “a sua benignidade dura perpetuamente” ajuda a ancorar a fé quando circunstâncias mudam. Em tempos de incerteza, comunidades podem reforçar esse foco no caráter de Deus, o que encoraja perseverança em vez de desespero.

  7. Cuidado com como se cita textos sensíveis – Versos como “não toqueis os meus ungidos” (v. 22) pedem responsabilidade na aplicação. É prudente ensiná-los dentro do seu contexto, evitando que sejam usados para calar críticas legítimas ou proteger estruturas abusivas.

Perguntas frequentes

O que é a arca da aliança em 1 Crônicas 16 e por que ela é tão importante?

A arca da aliança era um móvel sagrado feito de madeira e ouro, ordenado por Deus nos dias de Moisés, que simbolizava a presença de Deus no meio do povo. Dentro dela eram guardadas as tábuas da lei e outros elementos ligados à aliança. Em 1 Crônicas 16, a alegria do povo e todo o culto organizado por Davi mostram que a centralidade da vida de Israel está em estar diante de Deus, não apenas em ter uma cidade ou um rei fortes. Colocar a arca no centro da tenda em Jerusalém é um gesto de colocar Deus no centro da nação.

Por que 1 Crônicas 16 traz um salmo que aparece também em outros livros da Bíblia?

O cântico de 1 Crônicas 16.8–36 reúne trechos que também estão em Salmos 105, 96 e 106. Isso mostra que havia hinos conhecidos e usados em diferentes ocasiões na vida de Israel. O cronista registra esse salmo como o cântico que Davi entregou aos levitas para o culto diante da arca. A presença do mesmo conteúdo em mais de um lugar reforça sua importância na formação espiritual do povo, especialmente na recordação da aliança e no chamado a louvar a Deus entre as nações.

O que significa dizer que a benignidade de Deus dura perpetuamente?

A expressão “a sua benignidade dura perpetuamente” afirma que o amor leal de Deus, seu favor e fidelidade à aliança não são passageiros nem dependem das oscilações humanas. Mesmo quando Israel falha, Deus permanece fiel ao seu compromisso e continua agindo com graça. No contexto do capítulo, essa frase aparece tanto no louvor do povo (v. 34) quanto na organização do serviço de louvor contínuo (v. 41), mostrando que a adoração se alimenta dessa certeza do caráter constante de Deus.

Como entender “não toqueis os meus ungidos” no contexto de 1 Crônicas 16?

No salmo de 1 Crônicas 16, essa frase relembra o cuidado de Deus com o seu povo e seus profetas quando eram poucos e viviam como estrangeiros, passando de nação em nação (v. 19–22). Deus não permitiu que fossem oprimidos e repreendeu reis por causa deles. A ênfase está em como Deus protegeu aqueles que ele escolheu e separou para si, num contexto de vulnerabilidade histórica. Não se trata de um salvo-conduto para líderes agirem sem correção, mas de um testemunho da fidelidade de Deus em defender seus servos.

Por que o capítulo mostra tanto a arca em Jerusalém quanto o tabernáculo em Gibeom?

Na época de Davi, a arca já havia sido separada do tabernáculo por eventos anteriores. Ao trazer a arca para Jerusalém e colocá-la em uma tenda, Davi estabelece a cidade como novo centro da vida religiosa, embora o tabernáculo e o altar dos holocaustos ainda estivessem em Gibeom sob responsabilidade de Zadoque (v. 39–40). Por um período, coexistem esses dois focos de culto. Isso mostra uma transição histórica: a partir de Davi e, depois, de Salomão com o templo, Jerusalém se torna o lugar principal de adoração do povo de Deus.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Este capítulo mostra um povo inteiro se reunindo em volta da presença de Deus e celebrando depois de um tempo difícil. Antes, a arca tinha sido motivo de medo e luto, agora é motivo de festa, louvor e partilha. Há sacrifícios, mas também pão, carne, vinho e bênção sendo derramada sobre todos. Isso lembra que, na caminhada com Deus, tempos de dor podem ser seguidos por tempos de consolo e restauração. O salmo colocado no meio da cena traz um movimento que faz bem ao coração: lembrar o que Deus já fez, lembrar como ele cuidou quando o povo era pequeno, frágil, estrangeiro. Em momentos de insegurança, essa memória cura a sensação de abandono. O texto não finge que a vida é perfeita: ainda há necessidade de clamar por salvação e libertação, mas esse clamor nasce de quem já conheceu a bondade de Deus. Chama atenção também como a alegria aqui é comunitária. Davi abençoa o povo, reparte alimento, estabelece músicos, porteiros, sacerdotes; cada um tem sua parte. Ninguém carrega tudo sozinho. Até o final é simples e humano: depois de um grande culto, cada um volta para casa, e Davi vai abençoar a sua família. A espiritualidade não substitui a vida comum, ela atravessa a casa, a mesa, os vínculos mais próximos. Nesse equilíbrio, o coração encontra um lugar seguro: Deus presente no meio da celebração e também no retorno silencioso para o lar.

Mind
Mente

1 Crônicas 16 está no centro do projeto do cronista de apresentar Davi como organizador do culto legítimo em Israel. Após o episódio trágico de Uzá e a correção do procedimento de transporte da arca, este capítulo mostra o “modelo” adequado: obediência à lei, participação dos levitas, música cuidadosamente estruturada e centralidade da aliança. Literariamente, o trecho é significativo porque insere um salmo extenso em meio à narrativa. Estudos comparativos mostram que os vv. 8–22 correspondem em grande parte a Salmos 105.1–15; os vv. 23–33 a Salmos 96; e os vv. 34–36 dialogam com Salmos 106.1 e 47–48. O cronista, escrevendo em contexto pós-exílico, recupera esse material litúrgico para associá-lo diretamente ao reinado de Davi, reforçando a continuidade entre o culto daquele tempo e o da comunidade restaurada. Teologicamente, o capítulo insiste em três eixos: aliança, universalidade e exclusividade de YHWH. A aliança com os patriarcas é vista como fundamento perene (“mil gerações”, “aliança eterna”). A universalidade aparece nos imperativos dirigidos a “toda a terra” e às “nações”, bem como nas imagens cósmicas de céu, mar, campo e árvores. A exclusividade é afirmada no contraste entre o Senhor que “fez os céus” e os “ídolos” dos povos. Esses eixos corrigem qualquer leitura meramente nacionalista: Israel é guardião de uma revelação que, por natureza, se dirige ao mundo todo. No nível histórico-litúrgico, o texto registra a coexistência de dois polos cultuais: a arca em Jerusalém, sob Asafe e seus irmãos, e o tabernáculo com o altar em Gibeom, sob Zadoque e os demais sacerdotes. Essa duplicidade, que poderia parecer confusa, é retratada sem tensão, indicando um período de transição regulada entre o antigo sistema mosaico e a centralização plena no templo de Jerusalém, que virá com Salomão. A ênfase no serviço “contínuo”, “de dia em dia” e “segundo está escrito na lei” sublinha que, aos olhos do cronista, a verdadeira renovação espiritual passa tanto por experiências marcantes quanto por fidelidade regular às instruções divinas.

Life
Vida

1 Crônicas 16 retrata uma comunidade bem organizada em torno da presença de Deus. Davi não se limita a ter um momento de emoção espiritual ao trazer a arca; ele distribui comida, abençoa o povo, estabelece responsabilidades e garante continuidade. Há planejamento, partilha e serviço definido. Isso reflete um princípio prático: espiritualidade madura se traduz em organização e cuidado concreto com pessoas. O cântico que ocupa a maior parte do capítulo mostra uma rotina de fé que pode inspirar hábitos diários: falar das obras de Deus, cantar, lembrar das maravilhas, buscar a força do Senhor continuamente, reconhecer sua bondade. Não se trata de grandes gestos isolados, mas de um estilo de vida que, “de dia em dia”, anuncia a salvação. Em termos de cotidiano, isso pode significar lembrar, em conversas normais, como Deus sustentou em momentos difíceis ou tomar decisões que reflitam confiança no caráter de Deus. Outro ponto prático é a distribuição de funções: levitas, chefes de música, porteiros, sacerdotes, cada qual com sua tarefa. O texto não apresenta um líder fazendo tudo, mas um corpo trabalhando junto. Em qualquer grupo – igreja, família, equipe de trabalho – esse modelo ajuda a evitar sobrecarga e ressentimentos. Quando papéis são claros e respeitados, o serviço flui melhor e as pessoas conseguem servir com alegria, não apenas por obrigação. Por fim, o versículo 43 lembra que, depois da grande celebração, todos voltam para casa, e Davi volta com a intenção de abençoar a sua. Isso sugere que experiências espirituais fortes devem repercutir em atitudes concretas dentro da família: palavras de bênção, reconciliação, cuidado, prioridades mais ajustadas. O culto público não substitui a responsabilidade com o lar; ele alimenta escolhas mais sábias na rotina, nos relacionamentos e no uso do tempo e dos recursos.

Soul
Alma

Em 1 Crônicas 16, a arca é colocada no centro da tenda, e tudo se organiza em volta dela. Espiritualmente, essa imagem aponta para uma vida em que a presença de Deus não fica na periferia, mas ocupa o lugar central em torno do qual tudo se alinha: decisões, afetos, memórias e esperanças. O capítulo apresenta um povo que aprende a viver diante de Deus, não apenas ocasionalmente, mas com um serviço contínuo, de geração em geração. O cântico que Davi entrega aos levitas ensina uma espiritualidade que olha para trás e para frente ao mesmo tempo. Olha para trás ao lembrar a aliança com Abraão, Isaque e Jacó, a proteção nos caminhos, a correção de reis em favor de um pequeno povo. Olha para frente ao proclamar que o Senhor reina, que vem julgar a terra, que sua benignidade não tem fim. A alma é convidada a habitar esse intervalo entre memória e promessa, confiando que o mesmo Deus que foi fiel na origem continuará fiel até o fim. A convocação à criação inteira – céus, mar, campo, árvores – revela uma fé que não se limita ao interior humano, mas se reconhece parte de algo maior. O juízo de Deus, longe de ser apenas motivo de temor, é apresentado como razão de júbilo para a própria natureza, porque implica a restauração da ordem justa. Assim, a esperança espiritual ganha uma dimensão ampla: não se restringe à salvação individual, mas inclui a renovação de toda a criação. Ao terminar com o povo voltando para casa e Davi indo abençoar a sua, o texto sugere que a verdadeira adoração forma pessoas que carregam a presença de Deus para dentro de seus lares e rotinas. A vida interior, nutrida pela lembrança da aliança e pelo louvor, se manifesta em gestos discretos de bênção, de cuidado e de fidelidade. Nessa integração entre culto e cotidiano, a alma encontra um caminho de amadurecimento que a prepara tanto para viver bem o presente quanto para aguardar, com serenidade, o dia em que o Rei julgará a terra em justiça.

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Versiculos em 1 Crônicas 2

1 Crônicas 2:1

" Escreve ao anjo da igreja de Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro: "

1 Crônicas 2:2

" Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. "

1 Crônicas 2:5

" Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. "

1 Crônicas 2:7

" Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus. "

1 Crônicas 2:9

" Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás. "

1 Crônicas 2:10

" Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. "

1 Crônicas 2:11

" Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte. "

Apocalipse 2:11 significa que quem permanece fiel a Jesus, mesmo em meio a pressão, sofrimento ou perseguição, não será condenado no juízo final. A “segunda …

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1 Crônicas 2:13

" Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. "

1 Crônicas 2:14

" Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e fornicassem. "

1 Crônicas 2:17

" Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe. "

1 Crônicas 2:18

" E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem seus olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente: "

1 Crônicas 2:19

" Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras. "

Apocalipse 2:19 mostra que Jesus vê tudo o que é feito por amor a Deus e às pessoas, inclusive progresso ao longo do tempo. Encoraja …

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1 Crônicas 2:20

" Mas algumas poucas coisas tenho contra ti que deixas Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que forniquem e comam dos sacrifícios da idolatria. "

1 Crônicas 2:22

" Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. "

1 Crônicas 2:23

" E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras. "

1 Crônicas 2:24

" Mas eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei. "

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