Versículo em destaque
Apocalipse 2:12 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios: "
Apocalipse 2:12
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
10 Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.
11 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte.
12 E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios:
13 Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
14 Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e fornicassem.
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Aqui devemos considerar, em primeiro lugar, o cabeçalho dessa mensagem.
Ela foi enviada ao anjo da igreja que estava em Pérgamo. Não sabemos ao certo se Pérgamo era uma cidade reconstruída a partir das ruínas da antiga Troia, ou outra cidade com o mesmo nome, e esse detalhe não é importante. O que importa é que Cristo havia chamado ali uma verdadeira igreja, formada pela pregação do evangelho e pela ação do seu Espírito, que tornou a palavra eficaz.
A mensagem vem do mesmo Jesus que é descrito como aquele que tem a espada aguda de dois fios (Apocalipse 1:16), a espada que sai da sua boca. Muitos têm observado que, no início de cada carta, o título de Cristo combina com a situação da igreja à qual ele fala. Na carta a Éfeso, por exemplo, nada seria mais adequado para uma igreja sonolenta e em declínio do que Cristo se apresentar como aquele que tem as estrelas na mão e anda no meio dos castiçais de ouro.
A igreja em Pérgamo estava cercada por pessoas de mente corrupta, que faziam tudo o que podiam para estragar tanto a fé quanto a conduta da igreja. Como Cristo pretendia lutar contra esses inimigos com a espada da sua palavra, ele assume o título daquele que tem a espada aguda de dois fios. A palavra de Deus é como uma espada, uma arma tanto de ataque quanto de defesa, e, na mão de Deus, pode destruir tanto o pecado quanto os pecadores.
É também uma espada afiada. Nenhum coração é tão duro que ela não possa cortar. Ela pode dividir a alma do espírito, isto é, pode separar a pessoa de hábitos pecaminosos que, pelo longo costume, parecem quase fazer parte dela. É uma espada de dois gumes, que corta para todos os lados. A lei tem um fio voltado contra os que quebram os seus mandamentos, e o evangelho tem um fio voltado contra os que desprezam a sua graça. Ela pode ferir, mas também pode abrir uma ferida infeccionada para que seja curada.
Não há como escapar dessa espada. Se alguém se desvia para a direita, ela corta ali. Se se desvia para a esquerda, ela corta ali também. Ela se volta para todos os lados.
Chegamos agora à mensagem em si, cujo padrão é muito parecido com o das outras cartas. Primeiro, Cristo nota as provas e dificuldades enfrentadas por essa igreja. “Eu sei as tuas obras, e onde habitas” (Apocalipse 2:13). Os servos de Deus são melhor entendidos quando se considera também o ambiente em que servem.
O que fazia as boas obras dessa igreja brilharem ainda mais era o lugar onde estava plantada: um lugar onde Satanás tinha o seu trono. Assim como o nosso grande Senhor observa todas as vantagens que temos para o serviço onde vivemos, ele também observa todas as tentações e desânimos que vêm do lugar onde moramos, e leva isso em conta com graça. Esses crentes viviam como que no local em que Satanás mantinha sua corte. O alcance de Satanás vai por todo o mundo, mas em alguns lugares ele se manifesta de modo especial em maldade, falsos ensinos e crueldade.
Alguns entendem que o governador romano dessa cidade era um inimigo feroz dos cristãos. Se assim for, o centro da perseguição também era o trono de Satanás.
Cristo então louva a firmeza deles. “Reténs o meu nome e não negaste a minha fé.” Essas duas expressões significam praticamente a mesma coisa, embora a primeira possa indicar o resultado e a segunda, a causa. Reter o nome de Cristo significa que eles não se envergonhavam de pertencer a ele. Consideravam uma honra ter o seu nome sobre eles, como a esposa que leva o nome do marido. Apegaram-se a isso como seu privilégio e sua glória.
A fidelidade deles vinha da graça da fé. Não haviam negado as grandes verdades do evangelho e, por isso, permaneceram fiéis. Nossa fé exerce forte influência sobre nossa fidelidade. Pessoas que negam a fé de Cristo podem falar muito de sinceridade e lealdade a Deus e à própria consciência, mas raramente se vê que aqueles que abandonam a verdadeira fé mantenham fidelidade nas demais coisas. Normalmente, onde os homens naufragam na fé, também naufragam em boa consciência.
Cristo também honra essa igreja por causa do tempo em que viviam. Permaneceram firmes mesmo nos dias em que Antipas, sua fiel testemunha, foi morto entre eles. Não sabemos ao certo quem foi Antipas, nem se há algum significado especial em seu nome. O que sabemos é que ele foi um discípulo fiel de Cristo, que sofreu o martírio por amor a ele e selou sua fé com sangue exatamente no lugar onde Satanás habitava. Os outros crentes ali sabiam disso e o testemunharam, mas, ainda assim, não foram abalados nem afastados de sua firmeza. Isso é mencionado como parte da honra que recebem.
Cristo então os repreende por suas falhas. “Tenho contra ti algumas coisas: porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão” (Apocalipse 2:14), e também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, a qual Cristo odeia. Alguns ensinavam que era lícito comer coisas sacrificadas aos ídolos e que a simples fornicação não era pecado. Por meio de um falso culto, levavam as pessoas a uma falsa conduta, do mesmo modo que Balaão levou Israel ao pecado.
Observe-se três pontos. Primeiro, a impureza do coração e a impureza do corpo costumam andar juntas. Doutrina corrupta e culto corrompido geralmente conduzem a uma conduta corrompida. Segundo, é adequado chamar os seguidores pelo nome do líder de seus falsos ensinos, pois esse é o modo mais rápido de deixar claro de quem se está falando. Terceiro, manter comunhão com pessoas que sustentam crenças e práticas corruptas desagrada a Deus e traz culpa e vergonha sobre toda a igreja. Ela se torna participante dos pecados alheios.
Uma igreja não tem poder para punir com penas físicas por heresia ou imoralidade. Mas tem poder para excluir tais pessoas de sua comunhão. Se não o fizer, Cristo, o cabeça e governador da igreja, ficará descontente com ela.
Cristo então os conclama ao arrependimento. “Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti” (Apocalipse 2:16). O arrependimento é um dever tanto para santos quanto para pecadores, e é um dever próprio do evangelho. É também um dever de igrejas e comunidades, e não apenas de indivíduos. Aqueles que pecam juntos devem arrepender-se juntos.
As comunidades cristãs também devem arrepender-se dos pecados de outros quando neles tiveram participação, ainda que apenas por tolerância. Quando Deus vem julgar os membros corruptos de uma igreja, ele também reprova a própria igreja por permitir que tais pessoas permanecessem em comunhão, e parte da tempestade recai sobre todo o corpo. Nenhuma espada corta tão fundo, nem traz ferida tão mortal, quanto a espada da boca de Cristo.
Quando os avisos de Deus alcançam de fato a consciência de um pecador, ele logo se torna um terror para si mesmo. E, se esses avisos são executados, o pecador é totalmente cortado. Mais cedo ou mais tarde, a palavra de Deus alcançará os pecadores, seja para mostrar-lhes a culpa, seja para trazê-los à ruína.
A carta termina com a promessa de grande favor aos que vencerem. Comerão do maná escondido e receberão a pedra branca e um novo nome escrito nela, que ninguém conhece senão aquele que o recebe (Apocalipse 2:17).
O maná escondido significa a ajuda interior e o consolo que o Espírito de Cristo dá aos crentes quando estão em comunhão com ele. De tempos em tempos, desce do céu à alma para sustentá-la e para permitir que os crentes provem, em alguma medida, a maneira como vivem os santos e anjos no céu. Essa alegria é oculta para o mundo. O de fora não pode partilhá-la. Está guardada em Cristo, a arca da aliança, no santo dos santos.
A pedra branca, com um novo nome escrito nela, aponta para o perdão dos pecados. Nos antigos tribunais, dava-se uma pedra branca ao absolvido e uma pedra negra ao condenado. O novo nome é o nome de adoção, pois as pessoas adotadas tomavam o nome da família na qual eram recebidas. Ninguém consegue ler plenamente a prova da adoção de uma pessoa, exceto ela mesma. Mesmo assim, nem sempre a enxerga com clareza; mas, se perseverar, terá tanto a certeza de que é filha de Deus quanto a herança que acompanha essa condição.
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Deste capítulo
Apocalipse 2:1
"Escreve ao anjo da igreja de Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:"
Apocalipse 2:2
"Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos."
Apocalipse 2:3
"E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste."
Apocalipse 2:4
"Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor."
Apocalipse 2:5
"Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres."
Apocalipse 2:6
"Tens, porém, isto: que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio."
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