Versículo em destaque
Apocalipse 3:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto. "
Apocalipse 3:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto.
2 Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus.
3 Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.
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Aqui está o prefácio.
A carta é enviada ao anjo da igreja em Sardes, uma antiga cidade da Lídia, aos pés do monte Tmolo. Dizia‑se que era a principal cidade da Ásia Menor e a primeira daquela região a ser convertida pela pregação de João. Alguns também dizem que foi a primeira a se desviar do cristianismo e uma das primeiras a cair em ruína. Continuava em ruínas, sem igreja nem ministério.
A mensagem vem do Senhor Jesus, que toma para si o título daquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas, expressão tomada de (Apocalipse 1:4), onde os sete Espíritos são apresentados diante do trono. Ele tem os sete Espíritos, isto é, o Espírito Santo em seus muitos poderes, graças e operações. O Espírito é uma só pessoa, mas atua de muitas maneiras; e aqui é dito que é sete, o número das igrejas e de seus anjos, para mostrar que todo ministro e toda igreja recebem uma medida do Espírito para o seu bem. Cada igreja e cada ministro têm um suprimento espiritual a ser usado e desenvolvido, para força e perseverança na fidelidade. Essa medida normalmente não é retirada até ser perdida pelo mau uso. As igrejas têm seu próprio suprimento espiritual, assim como os crentes. Como esta carta é enviada a um ministério fraco e a uma igreja em declínio, são lembrados de que Cristo tem os sete Espíritos, o Espírito em plena força e perfeição, a quem devem recorrer para que haja renovação de vida entre eles.
Ele tem também as sete estrelas, os anjos das igrejas, isto é, os ministros. Eles estão debaixo de sua autoridade e prestam contas a ele, o que deveria torná‑los fiéis e diligentes em sua obra. Ele tem ministros para empregar e concede poder espiritual a esses ministros para o bem da sua igreja. O Espírito Santo costuma operar por meio do ministério, e o ministério não tem poder sem o Espírito. A mesma mão divina sustém ambos juntos.
A parte principal da carta é marcante porque, ao contrário das outras, Cristo não começa com elogios para depois passar à correção. Aqui, como na carta a Laodiceia, ele inicia com uma forte repreensão: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto. Esta igreja é acusada de hipocrisia e de uma triste decadência na religião por aquele que a conhece plenamente e conhece todas as suas obras.
Essa igreja havia conquistado grande reputação. Tinha um nome, e um nome honroso, de igreja viva e florescente. Era conhecida por sua sã doutrina, união entre os membros, culto regular, ordem e bom comportamento. Não lemos sobre divisões graves entre eles. Tudo parecia bem, até onde os homens podiam enxergar.
Mas na realidade não eram o que pareciam. Tinham nome de que viviam, mas estavam mortos. Possuíam a forma externa da piedade, mas não o seu poder. Talvez não houvesse ausência total de vida, mas havia uma profunda morte em suas almas e em seu culto. Seus ministros estavam mortos em espírito, e seus serviços também. Suas orações, pregações e conversas diárias tinham pouca vida. O povo estava morto ao ouvir, ao orar e no proceder. Qualquer vida que ainda houvesse entre eles estava quase se extinguindo, prestes a morrer.
Nosso Senhor então dá a essa igreja caída um conselho sábio: Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer (Apocalipse 3:2). Ele os conclama à vigilância. Sua pecaminosa morte espiritual e seu declínio vieram porque haviam relaxado a guarda. Sempre que deixamos de vigiar, perdemos terreno. É preciso voltar à vigilância contra o pecado, contra Satanás e contra tudo o que destrói a vida e o poder da verdadeira piedade.
Ele lhes ordena também que fortaleçam o que ainda resta e está para morrer. Alguns entendem que isso se refere a pessoas, pois alguns poucos haviam conservado sua integridade, embora corressem o risco de cair como os demais. É difícil manter a verdadeira piedade em nós mesmos quando estamos cercados por morte espiritual e decadência. Outros entendem que isso se refere às práticas deles. Cristo diz: Não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus. Faltava algo. Havia a casca, mas não o grão. Havia o corpo, mas não a alma. Havia a sombra, mas não a substância. Suas obras careciam da parte interior. Suas orações não eram cheias de santos desejos; seus atos de misericórdia não eram cheios de verdadeiro amor; seus sábados não eram cheios de devida devoção a Deus. Suas ações externas não correspondiam ao afeto interno. Quando o espírito falta, a forma não pode durar muito.
Ele ainda lhes ordena que se lembrem do que tinham recebido e ouvido (Apocalipse 3:3). Isso significa mais do que recordar as verdades que haviam recebido de Deus e as mensagens que haviam escutado. Deveriam lembrar‑se de como as tinham recebido e ouvido, de como as misericórdias de Deus inicialmente comoveram seus corações, de que sentimentos foram despertados sob a palavra e as ordenanças, e do amor dos seus primeiros dias. Deveriam recordar quão bem‑vindo foi o evangelho e a graça de Deus quando os abraçaram pela primeira vez. Onde estava agora a bem‑aventurança da qual então falavam?
Precisavam reter firmemente o que tinham recebido, para não perder tudo, e arrepender‑se sinceramente por terem perdido tanta vida na religião, ficando à beira de perder o restante.
Cristo reforça essa advertência com uma terrível ameaça, caso a desprezem: Virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei (Apocalipse 3:3). Quando Cristo abandona um povo em termos de sua presença graciosa, vem a ele em juízo. Essa presença que julga é assustadora para aqueles que expulsaram sua presença graciosa. Sua vinda em juízo sobre um povo morto e em declínio será inesperada. Sua morte espiritual os mantém descuidados, e, ao mesmo tempo em que provoca uma visita irada de Cristo, também os impede de vê‑la e de se preparar para ela. Tal visita lhes trará perda. Ele virá como ladrão para lhes tirar as misericórdias que ainda possuem, não por engano, mas em justiça, tomando o que eles perderam por sua própria culpa.
Nosso bendito Senhor, porém, não deixa esse povo pecador sem consolo. Em meio ao juízo, lembra‑se da misericórdia (Apocalipse 3:4). Ele fala com honra do remanescente fiel em Sardes, ainda que sejam apenas poucos: Tens algumas pessoas em Sardes que não contaminaram suas vestes. Eles não haviam participado da crescente corrupção e contaminação daquele tempo e lugar em que viviam. Deus nota até mesmo o menor número dos que permanecem fiéis a ele, e quanto menos numerosos são, mais preciosos são aos seus olhos.
Ele lhes faz também uma promessa muito graciosa: “Comigo andarão de branco, porquanto são dignos”. Isso aponta para as vestes brancas da justificação, isto é, serem considerados justos diante de Deus, e da adoção, isto é, serem recebidos na família de Deus. Também aponta para as vestes brancas de honra e glória na vida futura. Eles andarão com Cristo nas formosas veredas do paraíso celestial, e quão jubilosa será a comunhão quando caminharem juntos.
Essa honra é adequada à integridade deles. Sua fidelidade os preparou para isso, e em nada é indigno de Cristo concedê‑la. Contudo, essa dignidade não é legal, como se a tivessem merecido. É uma dignidade segundo o evangelho, isto é, eles são capacitados para ela pela graça, não por mérito.
Os que andam com Cristo aqui em vestes limpas de santidade real e prática, e se guardam incontaminados do mundo, andarão com Cristo lá em vestes brancas de honra e glória. Essa é uma recompensa adequada.
Chegamos agora ao fim desta carta e, como antes, há uma grande recompensa prometida ao cristão que vencer (Apocalipse 3:5). Ela é em grande parte a mesma que já foi declarada: “O que vencer será vestido de vestes brancas”. A pureza da graça será recompensada com a plena pureza da glória. Quando a santidade for levada à perfeição, será recompensa em si mesma. A glória é a consumação da graça, diferente não em natureza, mas em grau.
A isso se acrescenta outra promessa, muito apropriada ao caso: “De maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida, e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos”. Cristo tem o seu livro da vida, um registro de todos os que hão de herdar a vida eterna. É, em primeiro lugar, o livro da eleição eterna. É também, em segundo lugar, o livro de memória de todos os que viveram para Deus e mantiveram a vida e o poder da piedade em tempos maus.
Cristo não apagará do livro da vida os nomes de seus escolhidos e fiéis. Os homens podem ser inscritos nos registros da igreja, como batizados, como professos de fé, ou como aqueles que parecem ter nome de que vivem; e esse nome pode depois ser apagado quando fica claro que era apenas nome, sem vida espiritual. Pessoas assim muitas vezes perdem até o nome exterior antes de morrer, porque Deus os deixa apagar o próprio nome por meio de pecado aberto e grave. Mas os nomes dos que vencem jamais serão riscados.
Cristo também trará à luz esse livro da vida e confessará os nomes dos fiéis diante de Deus e de todos os anjos. Ele fará isso como seu Juiz, quando os livros forem abertos. Fará isso como seu Capitão e Cabeça, conduzindo-os triunfantemente ao céu e apresentando-os ao Pai: “Eis-me aqui, e os filhos que me deste” (ver Hebreus 2:13). Que grande honra e recompensa isso será!
A mensagem termina com um chamado para que todos ouçam. Cada palavra que vem de Deus merece a atenção humana. Mesmo quando uma mensagem parece dirigida especialmente a um grupo específico de pessoas, ela ainda contém instrução para todos.
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Deste capítulo
Apocalipse 3:2
"Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus."
Apocalipse 3:3
"Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei."
Apocalipse 3:4
"Mas também tens em Sardes algumas poucas pessoas que não contaminaram suas vestes, e comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso."
Apocalipse 3:5
"O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos."
Apocalipse 3:6
"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas."
Apocalipse 3:7
"E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre:"
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