1 Crônicas 7 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 1 Crônicas 7 na sua vida hoje

17 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 1 Crônicas 7?

1 Crônicas 21 narra o grave pecado de Davi ao mandar numerar Israel, incitado por Satanás, e o severo juízo de Deus que recai sobre o povo. O texto mostra a consciência de culpa de Davi, sua confissão e o dilema diante das três opções de castigo. Deus envia uma peste que mata muitos, mas interrompe a destruição quando Davi intercede. A história culmina na compra da eira de Ornã, o jebuseu, onde Davi ergue um altar ao Senhor, é atendido com fogo do céu e o anjo guarda sua espada. Esse lugar se torna ponto central de adoração e revela, ao mesmo tempo, a seriedade do pecado, a responsabilidade do líder, e a grande misericórdia de Deus.

Temas principais em 1 Crônicas 7

Soberba, desconfiança e o pecado do censo (versiculos 1-6)

O texto apresenta o recenseamento não como tarefa administrativa neutra, mas como expressão de autoconfiança e falta de confiança em Deus. Satanás incita Davi, Davi insiste contra o conselho de Joabe e a contagem se torna um ato de orgulho nacional, deslocando a segurança do Senhor para a força militar.

Versiculos-chave: 1, 3

Responsabilidade do líder e sofrimento do povo (versiculos 7-8, 14-17)

Embora a ordem parta de Davi, o castigo atinge Israel inteiro. O texto ressalta a dimensão comunitária do pecado e como decisões de liderança podem expor muitos ao sofrimento. Davi reconhece que as "ovelhas" são inocentes e se oferece em lugar delas.

Versiculos-chave: 8, 17

Justiça de Deus e sua misericórdia em interromper o juízo (versiculos 12-15, 27)

Deus pune o pecado com severidade, mas também limita o juízo. Ao ver o anjo prestes a destruir Jerusalém, o Senhor manda que pare. A expressão de arrependimento divino indica que Deus não se compraz na destruição, mas se volta para a misericórdia quando o pecado é confessado.

Versiculos-chave: 13, 15

Intercessão e arrependimento de Davi (versiculos 8, 13, 16-17)

Davi confessa sem se justificar, assume a culpa e pede que o castigo venha sobre si e sua casa, não sobre o povo. Sua oração intercessória molda o rumo da história: do avanço do anjo destruidor à ordem de Deus para que a mão seja retirada.

Versiculos-chave: 8, 17

O altar na eira de Ornã como lugar escolhido por Deus (versiculos 18-30)

A eira de Ornã se torna ponto de encontro entre juízo e graça. Ali o anjo é visto, o altar é construído, o sacrifício é oferecido, Deus responde com fogo e a praga cessa. O lugar ganha significado duradouro como centro de adoração e futura localização do templo.

Versiculos-chave: 18, 26

Sacrifício que custa algo ao adorador (versiculos 22-25)

Davi recusa oferecer ao Senhor algo que não lhe custe nada. A adoração verdadeira é apresentada como entrega que envolve renúncia real, não apenas gestos simbólicos ou ofertas sem sacrifício pessoal.

Versiculos-chave: 24

Contexto historico e literario

1 Crônicas 21 reconta um episódio também registrado em 2 Samuel 24, porém com ênfases específicas. O cenário é o período do reinado de Davi, quando Israel já está consolidado territorialmente e militarmente. A tentação de numerar o povo, aqui ligada explicitamente à ação de Satanás, se relaciona ao costume antigo de recensear para fins de guerra, impostos e demonstração de poder. Contar soldados podia expressar confiança em recursos humanos em vez de dependência do Senhor.

O cronista escreve séculos depois, para uma comunidade pós-exílica que reconstrói sua identidade em torno do templo e do culto em Jerusalém. Por isso, ele destaca a eira de Ornã, um jebuseu (habitante original de Jerusalém), como lugar que Deus escolhe para manifestar misericórdia. Essa eira é tradicionalmente identificada com o monte Moriá, onde Abraão quase sacrificou Isaque e onde mais tarde seria construído o templo de Salomão (ver 2 Crônicas 3:1). Assim, o capítulo conecta a história de Davi com a centralidade do templo para a fé de Israel.

A figura de Gade como “vidente” mostra o papel dos profetas na corte, transmitindo a palavra do Senhor ao rei. A peste como forma de juízo divino corresponde a um tipo de disciplina coletiva que o Antigo Testamento associa frequentemente à quebra da aliança. O texto, porém, sublinha que o mesmo Deus que envia o juízo o limita e providencia um meio de expiação por meio do sacrifício.

Estrutura de 1 Crônicas 7

O capítulo apresenta uma narrativa bem marcada, com progressão dramática e teológica:

  1. Incitação de Satanás e decisão de Davi (21:1-2): A história começa de forma abrupta, com Satanás se levantando contra Israel e levando Davi a ordenar o censo.

  2. Resistência de Joabe e realização do censo (21:3-6): Joabe tenta dissuadir o rei, mas a palavra de Davi prevalece. O resultado numérico do censo é apresentado, com a nota de que Levi e Benjamim não foram contados.

  3. Desagrado de Deus e confissão inicial de Davi (21:7-8): Deus se desagrada do ato, fere Israel, e Davi reconhece de imediato a gravidade do seu pecado.

  4. A mensagem de Gade e as três opções de juízo (21:9-13): Gade leva a Davi três alternativas de disciplina. O diálogo destaca a angústia do rei e sua escolha de cair nas mãos do Senhor.

  5. A peste e o anjo destruidor (21:14-17): A narrativa atinge seu clímax com a praga que mata setenta mil homens, a visão do anjo com a espada desembainhada e a intercessão de Davi em favor do povo.

  6. Ordem para erguer um altar na eira de Ornã (21:18-22): O anjo orienta, por meio de Gade, que Davi suba e construa um altar. Segue-se o encontro respeitoso entre Davi e Ornã.

  7. Negociação e princípio do sacrifício com custo (21:23-25): Ornã deseja doar tudo, mas Davi insiste em pagar o preço justo. O valor significativo em ouro é mencionado.

  8. Sacrifício, resposta divina e cessação da praga (21:26-27): Davi oferece holocaustos e sacrifícios pacíficos. Deus responde com fogo do céu e manda o anjo guardar a espada.

  9. Consolidação do lugar de adoração (21:28-30): O capítulo conclui explicando que, diante da resposta divina na eira de Ornã, Davi passou a sacrificar ali, em vez de ir ao tabernáculo em Gibeom, por causa do temor da espada do anjo.

Significado teologico

O capítulo articula de forma intensa a tensão entre o juízo justo de Deus e a sua misericórdia. O pecado de Davi evidencia uma teologia do coração: mais do que o ato de contar, é a motivação de autoconfiança e orgulho que provoca a ira de Deus. A confiança deslocada da graça do Senhor para o poder numérico do exército é retratada como infidelidade.

Há também forte ênfase na responsabilidade representativa do rei. O líder de Israel não é apenas figura política; é representante da nação perante Deus. Quando peca, todo o povo experimenta as consequências. Ao mesmo tempo, quando ele intercede, Deus responde. Esse padrão antecipa a teologia da mediação e aponta, em última análise, para a necessidade de um mediador perfeito.

A liberdade divina no juízo aparece nas três alternativas apresentadas a Davi, todas severas. A escolha de Davi revela uma compreensão profunda do caráter de Deus: a disciplina vinda diretamente do Senhor é vista como mais suportável do que a crueldade humana, porque Deus é rico em misericórdias. O “arrependimento” de Deus (v. 15) deve ser entendido como linguagem humana para descrever a mudança de trato de Deus diante da intercessão e do propósito já existente de mostrar graça, não como instabilidade ou erro divino.

O episódio na eira de Ornã destaca o papel do sacrifício como meio de expiação. O fogo que desce do céu confirma que Deus aceita o sacrifício e suspende o juízo. A insistência de Davi em não oferecer holocausto sem custo corrige qualquer visão barata da graça: a reconciliação é dom de Deus, mas envolve custo real. Na linha da revelação bíblica, esse custo encontra seu ápice no sacrifício de Cristo.

Por fim, o capítulo contribui para a teologia do lugar de adoração. A eira de Ornã, marcada pelo encontro entre a espada do anjo e o fogo do altar, torna-se sinal de que a misericórdia triunfa sobre o juízo quando há arrependimento e sacrifício aprovado por Deus. Para os leitores pós-exílicos, isso reforçava a centralidade de Jerusalém e do templo como espaço do perdão e da presença divina.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Do ponto de vista do cuidado emocional e espiritual, 1 Crônicas 21 aborda temas sensíveis como culpa, consequências coletivas de erros individuais, sofrimento súbito e medo diante do juízo. O texto mostra um líder que, depois de uma decisão equivocada, se vê esmagado pela consciência de ter causado dano aos outros. Essa experiência de culpa, quando não é negada, abre caminho para confissão sincera e mudança de postura.

O capítulo acolhe a realidade de que decisões de uma pessoa podem afetar muitos inocentes, algo comum em famílias, comunidades e na sociedade. Em vez de romantizar o sofrimento, o texto mostra Deus se importando, limitando a destruição e providenciando um caminho de restauração. Para quem vive sob peso de remorso, a cena da intercessão de Davi e da interrupção da praga oferece uma narrativa em que culpa reconhecida é encontrada por misericórdia real.

Há também um aspecto terapêutico na forma como a história ressignifica um lugar de dor em lugar de encontro com Deus. A eira de Ornã, inicialmente marcada pela presença do anjo com a espada, torna-se local de altar, fogo do céu e reconciliação. Essa conversão simbólica de um cenário de ameaça em espaço de adoração fala à possibilidade de transformar memórias difíceis em pontos de encontro com a graça de Deus, sem negar a gravidade do que aconteceu.

warning Importante: maus usos comuns

1 Crônicas 21 descreve morte em grande escala por peste, juízo divino severo e imagens fortes, como um anjo com espada desembainhada entre céu e terra. Para pessoas em luto recente, sob intensa ansiedade religiosa ou com histórico de medo paralisante de punição, a leitura isolada deste capítulo pode acentuar sentimentos de terror, desespero ou visão distorcida de Deus como apenas castigador.

Também pode ser mal interpretado por quem já se culpa excessivamente, levando à ideia de que qualquer sofrimento coletivo ao redor é culpa direta de um erro pessoal específico. O texto mostra uma situação particular na história da aliança, não fornece uma regra absoluta para interpretar toda dor como castigo imediato e direto por um pecado identificado.

Se usado de forma inadequada, o capítulo pode servir para justificar discursos de medo, manipulação ou controle espiritual, sobretudo enfatizando juízo sem a mesma ênfase na misericórdia, na intercessão e na resposta graciosa de Deus. Pessoas com histórico de abuso religioso ou de lideranças espirituais opressoras podem sentir sua angústia intensificada se o texto for apresentado sem cuidado pastoral, sem lembrar o coração compassivo de Deus revelado ao longo de toda a Escritura.

Aplicacao pratica para hoje

  1. Reconhecer o perigo da autoconfiança: A narrativa alerta contra a tentação de medir segurança apenas por números, recursos ou força humana. Planejamento é importante, mas se transforma em pecado quando substitui a dependência de Deus. Em contextos pessoais, profissionais ou ministeriais, esse texto chama à humildade e à busca de direção do Senhor antes de decisões estratégicas.

  2. Levar a sério o impacto das decisões: O episódio mostra que escolhas de quem lidera, em casa, na igreja ou no trabalho, afetam muita gente ao redor. A responsabilidade não é motivo de paralisia, mas de sobriedade: buscar conselho, ouvir advertências (como Davi deveria ter ouvido Joabe) e considerar as consequências coletivas.

  3. Cultivar sensibilidade para confissão rápida: Davi peca gravemente, mas não demora a admitir: “Gravemente pequei”. Em vez de se justificar, ele assume a culpa e clama por perdão. A prática de confissão honesta, sem desculpas, ajuda a interromper ciclos de dano e abre caminho para restauração.

  4. Valorizar a intercessão: A postura de Davi como intercessor lembra a importância de orar não só por si mesmo, mas por outros afetados por erros e crises. Em contextos de conflito, injustiça ou decisões mal tomadas, a intercessão se torna um caminho para pedir misericórdia sobre a comunidade.

  5. Oferecer a Deus um culto que envolve entrega real: A recusa de Davi em oferecer sacrifícios que não lhe custem nada inspira uma adoração mais profunda do que gestos ocasionais. Honrar Deus passa por decisões concretas: tempo, recursos, escolhas éticas e renúncias que testemunham que Ele vale mais que o conforto imediato.

  6. Ressignificar lugares de dor: A eira de Ornã se transforma de cenário de juízo em lugar de encontro com Deus. Na vida prática, isso aponta para a possibilidade de, com o tempo e pela graça, transformar experiências marcadas por culpa ou sofrimento em memorial de restauração, aprendizado e nova consagração.

Perguntas frequentes

Por que o censo mandado por Davi foi considerado pecado?

O capítulo não condena a contagem em si como prática administrativa, mas a motivação e o contexto em que aconteceu. O texto liga a iniciativa à ação de Satanás e mostra Davi insistindo apesar do alerta de Joabe. Em vez de ser um ato de dependência e obediência a Deus, o censo expressou orgulho, autoconfiança militar e confiança em números, não no Senhor. Por isso foi visto como abominável e provocou o juízo divino.

Por que o povo sofreu se o pecado foi de Davi?

Na teologia de 1 Crônicas, o rei representa a nação diante de Deus. As decisões dele não são apenas pessoais, têm impacto coletivo. O texto não nega a responsabilidade pessoal, mas destaca a responsabilidade ampliada de quem lidera. Ao mesmo tempo, Davi reconhece essa dinâmica e intercede assumindo a culpa, pedindo que a mão de Deus pese sobre ele e sua casa, não sobre as "ovelhas". Isso ressalta tanto a seriedade do pecado de liderança quanto o papel de intercessão em favor do povo.

Como entender o "arrependimento" de Deus em 1 Crônicas 21:15?

Quando o texto diz que o Senhor "se arrependeu daquele mal", usa linguagem humana para descrever que Deus interrompeu o juízo que estava em andamento. Não significa que Deus errou ou mudou de caráter, mas que, em sua liberdade e compaixão, Ele decidiu limitar a destruição já iniciada. É uma forma bíblica de expressar que Deus não tem prazer na morte, mas se volta à misericórdia diante da intercessão e do propósito de salvar.

Quem era Ornã, o jebuseu, e por que sua eira é importante?

Ornã era um jebuseu, habitante original da região de Jerusalém, que possuía uma eira, lugar de trilhar trigo. Sua eira se torna o local onde o anjo do Senhor para a destruição, onde Davi ergue um altar, oferece sacrifícios e recebe resposta com fogo do céu. Tradicionalmente, esse local é associado ao monte Moriá, onde Abraão quase sacrificou Isaque e onde o templo seria construído. Assim, a eira de Ornã passa a ser vista como ponto-chave na história da adoração em Israel.

Por que Davi não quis aceitar a eira e os animais de graça?

Davi afirma que não oferecerá ao Senhor holocausto que não lhe custe nada. Ele entende que verdadeira adoração envolve entrega real, não apenas receber algo sem sacrifício pessoal e repassar a Deus. Ao insistir em pagar o preço justo, Davi mostra respeito pela seriedade do culto e pelo valor do sacrifício, ensinando que honrar a Deus implica renúncia e generosidade genuína.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Este capítulo mostra um coração humano que erra feio e depois é esmagado pelo peso do que fez. Davi toma uma decisão movida por orgulho e desconfiança, e de repente vê seu povo sofrendo por causa disso. O texto não esconde a dor: há morte, pranto, angústia e um rei que se vê culpado pelo sofrimento das "ovelhas". No meio dessa cena pesada, aparecem dois movimentos importantes para quem está ferido pela culpa. Primeiro, Davi não foge da verdade. Ele diz: "gravemente pequei" e "procedi mui loucamente". Não tenta suavizar, não transfere para ninguém, apenas reconhece. Segundo, ele se joga na misericórdia de Deus: escolhe cair nas mãos do Senhor, porque sabe que ali há mais compaixão do que nas mãos dos homens. Também chama atenção como Deus olha para aquele cenário de dor. Ele vê o anjo prestes a destruir Jerusalém e manda parar. O texto diz que o Senhor se arrependeu daquele mal, numa linguagem que revela algo do coração de Deus: Ele não tem prazer em castigar indefinidamente, interrompe a destruição e abre um caminho de restauração através do altar e do sacrifício. A eira de Ornã, que antes era um lugar marcado pela presença da espada, vira ponto de encontro com o fogo do céu e com a resposta de Deus. Para quem vive hoje sob lembranças dolorosas de erros e consequências, esse capítulo oferece um quadro duro, mas cheio de esperança: culpa reconhecida pode encontrar misericórdia verdadeira; aquilo que virou símbolo de vergonha e medo pode, com o tempo e com a graça, tornar-se um lugar de encontro com Deus e de recomeço. O texto não minimiza a dor, mas também não termina nela: termina com altar, sacrifício aceito e a espada guardada.

Mind
Mente

1 Crônicas 21 é um texto denso do ponto de vista teológico e literário, com diferenças importantes em relação à narrativa paralela em 2 Samuel 24. A menção explícita de Satanás como agente que incita Davi a numerar o povo já mostra uma ênfase distinta: o cronista destaca a dimensão espiritual da tentação. Ainda assim, a responsabilidade de Davi permanece clara: Satanás incita, mas Davi decide. O problema do censo não está meramente no ato de contar, visto que outros recenseamentos ocorrem na Bíblia sem censura moral. Aqui, o contexto sugere orgulho e autoconfiança militar, reforçado pela resistência de Joabe, alguém pouco sensível em outros episódios, mas que agora percebe o perigo espiritual. O fato de Levi e Benjamim não serem contados indica o desconforto de Joabe com a ordem, reforçando que o ato é visto como ofensivo. A seção em que Gade apresenta três alternativas de juízo ressalta a seriedade do pecado. Todas as opções retomam formas clássicas de disciplina coletiva: fome, derrota militar e peste. A escolha de Davi – cair nas mãos do Senhor – revela sua teologia: mesmo na disciplina, Deus é mais confiável que quaisquer inimigos humanos. Quando o texto fala que Deus se arrepende do mal, está usando linguagem antropomórfica para descrever uma mudança de ação, não de caráter ou de propósito eterno. A eira de Ornã funciona como eixo teológico do capítulo. Ela é, ao mesmo tempo, lugar onde o juízo é suspenso e onde a adoração é estabelecida. O anjo com a espada estendida entre céu e terra representa a seriedade do juízo; o altar com fogo do céu, a aceitação divina. A referência final ao fato de o tabernáculo estar em Gibeom e Davi preferir sacrificar na eira revela uma transição na teologia do culto: aquele lugar em Jerusalém se torna o novo centro da adoração, antecipando o templo de Salomão (2 Crônicas 3:1). Do ponto de vista da teologia bíblica, o capítulo reforça que o pecado tem dimensões pessoais e comunitárias, que Deus é justo ao punir, mas se move em direção à misericórdia quando há intercessão e sacrifício aprovado. A ênfase de Davi em não oferecer holocausto sem custo corrige a ideia de uma devoção barata e prepara terreno para a compreensão de que a reconciliação com Deus, embora gratuita para quem recebe, tem um custo profundo na economia da salvação, plenamente manifestado em Cristo.

Life
Vida

Na prática do dia a dia, 1 Crônicas 21 toca em pontos muito concretos: como lidamos com poder, decisões, culpa e restauração. Davi, já consolidado como rei, cede à tentação de medir sua força em números. Em termos modernos, é como alguém que começa a se sentir invencível porque tem recursos, contatos, resultados. O censo vira símbolo de uma confiança deslocada: em vez de perguntar o que Deus quer, o foco passa a ser o tamanho do próprio potencial. As consequências dessa postura são pesadas, e o texto lembra um fato incômodo: escolhas de quem lidera não ficam restritas à vida dele. Pais, mães, chefes, líderes de ministério, autoridades públicas – as decisões deles revertem em impacto sobre muitos. Ver Davi reconhecendo que as "ovelhas" sofrem por causa de um erro dele mostra a importância de consultar, ouvir conselhos, avaliar riscos e, sobretudo, manter o coração humilde quando se tem responsabilidade. Quando o erro já foi cometido, a postura de Davi ensina caminhos práticos. Ele admite o pecado sem rodeios, não joga culpa na equipe, não tenta se justificar com o argumento de que fazia parte de sua função de rei. Em seguida, assume a responsabilidade diante de Deus e se coloca no lugar mais caro: "seja a tua mão contra mim". Em contextos familiares ou profissionais, isso pode inspirar atitudes como pedir perdão claro, buscar reparar danos e proteger pessoas sob nossa influência quando algo deu errado. Outro ponto prático é a frase de Davi sobre não oferecer holocaustos sem custo. No cotidiano, isso se traduz em uma vida com Deus que passa por escolhas reais: tempo reservado, dinheiro investido em generosidade, limites éticos no trabalho mesmo quando isso tem preço. A devoção deixa de ser apenas discurso e ganha corpo em decisões que, de fato, custam. Por fim, a transformação da eira de Ornã em lugar de culto sugere algo muito prático: locais e situações marcados por erros ou traumas podem, com o tempo, se tornar espaços de aprendizado e consagração. Relacionamentos que sofreram, situações em que se falhou, podem, quando tratados com verdade e busca sincera de Deus, virar capítulos de amadurecimento em vez de apenas marcas de fracasso.

Soul
Alma

Olhando com calma, 1 Crônicas 21 expõe uma batalha que acontece primeiro no invisível: Satanás se levanta contra Israel e incita o coração de Davi. Antes de qualquer ação externa, há um deslocamento interior de confiança – da dependência de Deus para a segurança em números. O pecado nasce, então, como escolha de confiar mais naquilo que se pode contar do que naquele que não se pode controlar. Espiritualmente, a resposta de Davi é decisiva: quando percebe o erro, ele não se esconde. Ele se coloca diante de Deus com palavras simples e profundas de arrependimento. Mais adiante, diante da visão do anjo com a espada, Davi se prostra com os anciãos, vestidos de pano de saco. É uma imagem de quebrantamento coletivo, de gente que se coloca no pó diante da santidade divina. Ali, o rei se torna intercessor, oferecendo-se no lugar do povo. Essa postura aponta para a necessidade de um mediador que assuma culpas e se ponha entre o juízo e as "ovelhas". A cena da eira de Ornã concentra um mistério espiritual: naquele mesmo ponto em que a espada está levantada, Deus ordena que se construa um altar. Onde o juízo ameaça, Deus abre um caminho de encontro. O fogo que desce do céu sobre o sacrifício é sinal de aceitação, lembrando que a aproximação a Deus não é construída pelo esforço humano, mas por aquilo que Ele mesmo aceita e consagra. Ao longo da revelação bíblica, esse caminho converge para o sacrifício perfeito de Cristo, em quem juízo e misericórdia se encontram. Há ainda um aspecto de formação espiritual na frase de Davi sobre não oferecer a Deus algo que não lhe custe nada. A vida de fé, vista daqui, não é apenas receber consolo, mas ser moldado em um amor que se doa. A alma é chamada a uma adoração que envolve entrega, não por obrigação fria, mas como resposta à misericórdia que suspende a espada. O capítulo termina com Davi ainda temeroso de ir ao tabernáculo em Gibeom, e ao mesmo tempo já oferecendo sacrifícios na eira onde Deus respondeu. Há um movimento de transição: Deus está conduzindo seu povo a um novo lugar de encontro, marcado por juízo superado e graça manifesta. Espiritualmente, isso sugere um caminho em que experiências de disciplina e dor, quando atravessadas com arrependimento e fé, se tornam marcos na jornada com Deus, pontos em que a alma aprende, de forma muito concreta, que a misericórdia do Senhor é mais forte que qualquer espada levantada.

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Versiculos em 1 Crônicas 7

1 Crônicas 7:1

" E depois destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma. "

1 Crônicas 7:2

" E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar, "

1 Crônicas 7:3

" Dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos selado nas suas testas os servos do nosso Deus. "

1 Crônicas 7:9

" Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; "

1 Crônicas 7:11

" E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus, "

1 Crônicas 7:12

" Dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém. "

Revelação 7:12 mostra o céu inteiro reconhecendo que tudo de bom vem de Deus: louvor, glória, sabedoria, gratidão, honra, poder e força pertencem a Ele …

Ler analise completa

1 Crônicas 7:14

" E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. "

1 Crônicas 7:15

" Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra. "

1 Crônicas 7:17

" Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes vivas das águas; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima. "

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