2 Crônicas 16 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 16 na sua vida hoje

21 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 2 Crônicas 16?

2 Crônicas 1 apresenta o início do reinado de Salomão. O capítulo mostra como ele se fortalece no trono, reúne todo o Israel em Gibeom para adorar, oferece muitos sacrifícios e, naquela noite, recebe de Deus a oferta extraordinária: pedir o que desejar. Salomão pede sabedoria e conhecimento para governar o povo, e Deus não só concede isso, mas também promete riquezas e honra sem precedentes. O texto conclui descrevendo a prosperidade material do reino, com abundância de ouro, prata, cedros, carros, cavalos e comércio com outras nações.

Temas principais em 2 Crônicas 16

Sabedoria como prioridade no governo de Deus (versiculos 7-12)

Quando Deus oferece a Salomão qualquer coisa, ele pede sabedoria e conhecimento para julgar bem o povo. Esse pedido revela um coração que valoriza a responsabilidade diante de Deus mais do que vantagens pessoais. A narrativa destaca que, no modelo bíblico, a verdadeira grandeza de um líder começa pela busca da sabedoria divina.

Versiculos-chave: 10, 11, 12

Fidelidade de Deus às promessas feitas a Davi (versiculos 1, 8-9, 11-12)

Salomão reconhece que seu reinado é fruto da misericórdia de Deus para com Davi e pede que a palavra dada ao seu pai seja confirmada. Deus responde afirmando e ampliando essa promessa, demonstrando que o trono de Salomão é continuidade do plano divino iniciado com Davi.

Versiculos-chave: 1, 8, 9

Adoração e liderança diante de Deus (versiculos 2-6, 13)

Salomão reúne capitães, juízes, governadores e todo o Israel para ir a Gibeom, onde estava a tenda da congregação e o altar de cobre. Ele começa seu reinado colocando o culto a Deus em evidência, aproximando o povo do Senhor por meio de sacrifícios e adoração comunitária.

Versiculos-chave: 3, 5, 6

Prosperidade como dádiva, não como objetivo central (versiculos 11-12, 14-17)

A abundância de carros, cavaleiros, ouro, prata e cedros é apresentada como consequência da resposta de Deus ao pedido sábio de Salomão, e não como o foco da sua oração. O texto mostra que os bens materiais podem ser parte da bênção divina, mas aparecem subordinados ao propósito maior da sabedoria e do serviço.

Versiculos-chave: 12, 15, 16

Israel em relação com outras nações (versiculos 16-17)

O comércio de cavalos e carros com o Egito, os reis dos heteus e da Síria revela um Israel inserido em redes internacionais. O texto registra como o povo de Deus se relaciona economicamente com outros reinos, preparando o cenário para tensões futuras entre dependência política, poder militar e confiança em Deus.

Versiculos-chave: 16, 17

Contexto historico e literario

2 Crônicas 1 se passa no início do reinado de Salomão, por volta do século X a.C., após a morte de Davi. O livro de Crônicas é escrito bem mais tarde, provavelmente no período pós-exílico, quando o povo de Judá já havia retornado da Babilônia. Por isso, o autor olha para a história antiga de Israel com o objetivo de lembrar e ensinar uma geração que precisa ser reconstruída espiritualmente.

A estrutura de culto ainda carrega elementos do tempo do deserto: a tenda da congregação que Moisés fez permanece em Gibeom, com o altar de cobre de Bezaleel. Porém, a arca da aliança, símbolo mais forte da presença de Deus, já foi levada por Davi para Jerusalém, onde ele armou outra tenda. Essa situação dupla (tenda em Gibeom e arca em Jerusalém) mostra uma transição entre o modelo da peregrinação no deserto e a centralização do culto em Jerusalém, que só será totalmente consolidada com o templo que Salomão irá construir.

O capítulo também reflete o contexto político e econômico da região. O Egito era um grande fornecedor de cavalos e carros, itens de alto valor militar e comercial. Israel, sob Salomão, torna-se uma espécie de intermediário nesse comércio para outros reinos, como os heteus e a Síria. Isso demonstra o crescimento da influência e riqueza do reino, mas também aponta para uma confiança crescente em poder militar e alianças internacionais, tema que outros textos bíblicos avaliam com cautela.

Estrutura de 2 Crônicas 16

O capítulo apresenta uma narrativa concentrada e organizada em blocos bem definidos:

  1. Introdução ao reinado de Salomão (v.1)
    O autor resume o início do reinado em uma frase: Salomão se fortalece no reino e o Senhor é com ele, engrandecendo-o muito. Essa frase funciona como título teológico para tudo o que virá.

  2. Assembleia nacional e culto em Gibeom (v.2-6)
    Salomão convoca líderes militares, juízes, governadores e chefes de família. Todos sobem ao “alto” em Gibeom, onde está a tenda da congregação e o altar de cobre feito no tempo de Moisés. O foco recai na dimensão cultual do início do reinado: mil holocaustos são oferecidos, sublinhando a solenidade e a entrega a Deus.

  3. Teofania e pedido de sabedoria (v.7-10)
    Deus aparece a Salomão à noite e lhe concede uma oportunidade singular: pedir o que quiser. A resposta de Salomão relembra a graça de Deus para com Davi e expressa a consciência de que o povo é numeroso e difícil de governar. O pedido por sabedoria e conhecimento está diretamente ligado à missão de liderar esse povo.

  4. Resposta divina e promessa de bênçãos adicionais (v.11-12)
    Deus interpreta o pedido de Salomão: ele não buscou riquezas, honra, vingança nem longevidade, mas sabedoria para servir. Em resposta, o Senhor concede sabedoria e, além disso, riquezas, bens e honra sem precedentes. A estrutura enfatiza que o coração do pedido é o que determina o tipo de bênção recebida.

  5. Retorno a Jerusalém e panorama da prosperidade (v.13-17)
    O texto fecha com o retorno de Salomão a Jerusalém e uma descrição sintética de seu poder e riqueza: carros, cavaleiros, ouro, prata e cedros em abundância, além do comércio internacional de cavalos e carros com o Egito e outros reinos. Esse quadro final mostra a concretização da palavra de Deus em termos visíveis.

Significado teologico

2 Crônicas 1 apresenta temas teológicos centrais para a fé bíblica.

Em primeiro lugar, destaca-se a soberania de Deus sobre os reinos humanos. Salomão “se fortalece” no trono, mas o texto deixa claro que é o Senhor quem está com ele e o engrandece. O reinado não é explicado apenas por habilidade política, mas pelo agir de Deus que cumpre suas promessas feitas a Davi.

Em segundo lugar, o capítulo enfatiza a sabedoria como dom divino para o serviço. Salomão não pede sabedoria para benefício próprio, mas para julgar o povo de Deus. Isso mostra que, biblicamente, sabedoria não é apenas inteligência, mas capacidade de governar e discernir de acordo com a vontade de Deus. A resposta divina revela que Deus se agrada de pedidos alinhados com Sua missão e com o bem do Seu povo.

Também aparece com força a fidelidade de Deus à aliança davídica. Ao reconhecer a bondade de Deus com Davi e pedir a confirmação dessa palavra, Salomão se coloca dentro de uma história maior do que sua própria vida. Deus, ao responder, reafirma que continua o projeto iniciado com Davi, mostrando que Seus planos atravessam gerações.

O texto ainda aborda a relação entre espiritualidade e prosperidade. As riquezas de Salomão são apresentadas como resultado da generosidade de Deus, não como conquista autônoma. No entanto, a ênfase de Crônicas não é fazer da prosperidade material um objetivo espiritual, mas sim mostrar que quando a prioridade é a sabedoria e o serviço fiel, as outras coisas podem ser acrescentadas segundo o propósito de Deus.

Por fim, o capítulo ilustra a tensão entre dependência de Deus e poder humano. O acúmulo de carros, cavaleiros e comércio internacional aponta para uma fortaleza política e militar crescente. Em outras partes da Escritura, confiar em carros e cavalos é criticado quando substitui a confiança em Deus. Em 2 Crônicas 1, o foco ainda está na boa escolha inicial de Salomão, mas o leitor é convidado a perceber que o caminho da sabedoria inclui manter o coração centrado em Deus, mesmo em meio à abundância.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Lido de forma cuidadosa, 2 Crônicas 1 pode ser um texto terapêutico para temas de responsabilidade, ansiedade diante de decisões importantes e relação com poder e sucesso.

O pedido de Salomão por sabedoria, e não por riquezas ou vingança, oferece um contraponto saudável à pressão por resultados imediatos e reconhecimento. Em vez de se fixar no medo de falhar ou no desejo de controlar tudo, o texto valoriza a humildade de quem reconhece seus limites e depende de um saber que vem de fora de si. Essa postura pode aliviar a sensação de estar sozinho na tomada de decisões difíceis.

A consciência de que o povo é “numeroso como o pó da terra” mostra um líder que não nega o peso da sua responsabilidade. O capítulo não romantiza o cuidado com os outros, mas apresenta a possibilidade de pedir recursos internos (sabedoria, discernimento) em vez de apenas desejar fugir das pressões ou buscar compensações materiais.

Além disso, a narrativa combate o perfeccionismo espiritual que mede o valor de alguém apenas pelos resultados visíveis. Deus se alegra, antes de tudo, com o que está no coração de Salomão. O foco não são as mil ofertas em si, nem o esplendor posterior, mas a motivação que orienta as escolhas. Essa visão pode ajudar pessoas sobrecarregadas por expectativas externas a repensar o que realmente importa.

Por fim, o contraste entre a simplicidade do pedido e a grandeza das bênçãos ajuda a relativizar a idolatria do sucesso. O texto oferece um referencial em que a verdadeira segurança não vem da quantidade de recursos, mas da relação com um Deus que ouve, conhece e orienta.

warning Importante: maus usos comuns

Algumas leituras superficiais de 2 Crônicas 1 podem gerar distorções prejudiciais.

A primeira é a ideia de que basta “pedir sabedoria” para receber automaticamente riqueza e honra, como se o texto garantisse um padrão material específico a qualquer pessoa. Entendido assim, o capítulo poderia alimentar frustração espiritual, sentimento de culpa em quem passa por dificuldades financeiras ou até uma relação utilitarista com Deus.

Outra armadilha é associar a prosperidade de Salomão a um valor pessoal superior, como se quem tem mais bens fosse necessariamente mais aprovado por Deus. Essa conclusão não é sustentada pelo conjunto da Bíblia, que mostra pessoas fiéis em pobreza e líderes prósperos que se desviam mais à frente.

Há ainda o risco de glorificar o poder militar e econômico, ignorando a crítica bíblica à confiança em carros, cavalos e alianças humanas quando substituem a confiança em Deus. Para pessoas com histórico de abuso de poder, controle ou ambição desmedida, esse texto precisa ser lido em equilíbrio com outros que chamam à humildade e ao serviço.

Por fim, quem luta com baixa autoestima ou culpa intensa pode interpretar a ênfase na grandeza de Salomão como comparação destrutiva. É importante lembrar que o foco do capítulo não é criar um padrão inalcançável, mas revelar o caráter de Deus e o valor da sabedoria, que não está limitada a uma posição política ou a um resultado visível.

Aplicacao pratica para hoje

2 Crônicas 1 sugere caminhos concretos para a vida prática hoje.

Valorizar a sabedoria acima de ganhos imediatos convida a tomar decisões com base em critérios mais profundos do que apenas lucro, status ou alívio rápido. Diante de responsabilidades familiares, profissionais ou comunitárias, a postura de Salomão inspira a buscar entendimento e discernimento para servir melhor, em vez de focar apenas em benefícios pessoais.

O reconhecimento de que o povo é grande e difícil de governar lembra que quem exerce qualquer tipo de liderança – em casa, no trabalho, na igreja ou na comunidade – lida com limites reais e precisa de ajuda. A narrativa encoraja a não negar o peso das decisões, mas a transformá-las em oportunidade de dependência e aprendizado contínuo.

A maneira como o capítulo apresenta a prosperidade também sugere equilíbrio na relação com recursos materiais. Riqueza e influência aparecem como instrumentos que podem ser bem usados quando não se tornam ídolos. Isso aponta para uma administração responsável do que se recebe, com foco em justiça, generosidade e serviço.

Por fim, o destaque dado ao início do reinado de Salomão mostra a importância de estabelecer boas prioridades nas fases de começo: início de um casamento, de um trabalho, de um projeto ou de uma nova etapa de vida. Colocar a busca por sabedoria e caráter antes da busca por resultados pode tornar o caminho mais sólido e menos frágil às mudanças externas.

Perguntas frequentes

Por que Salomão foi a Gibeom se a arca estava em Jerusalém?

Em Gibeom ainda estava a tenda da congregação feita por Moisés e o grande altar de cobre de Bezaleel, que eram símbolos importantes do culto estabelecido no deserto. A arca, porém, já havia sido levada por Davi para Jerusalém e colocada em uma tenda preparada por ele. Isso significa que o período de Salomão é uma fase de transição: a adoração ainda se liga às estruturas antigas em Gibeom, mas o centro da presença de Deus está sendo transferido para Jerusalém, onde mais tarde o templo será construído.

O que torna o pedido de Salomão por sabedoria tão especial?

O pedido é especial porque revela prioridades alinhadas com o coração de Deus. Salomão poderia ter pedido longevidade, riquezas, vingança contra inimigos ou honra pessoal, mas escolhe sabedoria e conhecimento para governar bem o povo de Deus. Em vez de focar em vantagens particulares, ele assume sua responsabilidade e busca o que precisa para cumpri-la de forma justa. Deus valoriza esse tipo de oração, que nasce da consciência de missão e serviço.

Deus promete riquezas e honra a todas as pessoas que pedirem sabedoria?

No texto, a promessa de riquezas e honra está ligada de forma específica a Salomão e ao papel único que ele exerce na história de Israel. O capítulo não estabelece uma regra automática válida em todos os detalhes para qualquer pessoa. O princípio mais amplo é que Deus se agrada da busca sincera por sabedoria para fazer o bem e é capaz de cuidar das demais necessidades. As formas exatas de provisão e resposta, porém, variam conforme o plano de Deus para cada vida.

Por que o texto menciona carros, cavalos e comércio com o Egito?

Esses detalhes mostram como o reino de Salomão se tornou economicamente forte e politicamente influente, inserido em rotas comerciais internacionais. Carros e cavalos eram bens estratégicos de guerra, e o Egito era um grande fornecedor. Ao registrar isso, o autor de Crônicas destaca a grandiosidade do reinado de Salomão, mas também deixa pistas de uma crescente confiança em estruturas de poder humano, algo que outros textos bíblicos vão avaliar de forma crítica.

Como 2 Crônicas 1 se relaciona com a promessa feita a Davi?

O capítulo mostra o cumprimento inicial da promessa de que um descendente de Davi se assentaria no trono e governaria sobre Israel. Salomão reconhece que está ali por causa da graça de Deus para com seu pai e pede que a palavra dada a Davi seja confirmada. Deus responde abençoando o reinado de Salomão com sabedoria, riqueza e honra, sinalizando que continua fiel ao plano davídico, que aponta, em última instância, para um governo justo e duradouro sob a direção divina.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

2 Crônicas 1 mostra um começo de história marcado por peso e cuidado. Salomão herda um trono grande, um povo numeroso e a memória forte de Davi. Ele não finge que é fácil. Reconhece o tamanho da responsabilidade e, em vez de se apoiar na própria força, se volta para Deus em adoração e pedido. O texto descreve um rei que vai com todo o povo até Gibeom, onde está a tenda da congregação. Essa imagem de caminhada coletiva, de gente se aproximando de Deus junto, carrega conforto para tempos em que o coração se sente sobrecarregado. Há um convite silencioso aí: não carregar sozinho, não decidir sozinho, não começar etapas importantes sem lembrar da presença de Deus. Quando o Senhor pergunta o que Salomão quer, aparece o que está dentro dele. Poderia ser vingança, proteção exagerada, longa vida, riquezas. Em vez disso, ele deixa transparecer um coração que se preocupa com o bem do povo. O olhar de Deus vai direto ao que houve no coração dele, antes de qualquer resultado visível. Isso revela algo muito terno: o Senhor vê motivações, vê medos, vê desejos sinceros de fazer o bem, mesmo quando ainda não há grandes feitos. Em seguida, o texto fala da abundância que veio: ouro, prata, cedros, cavalos. Para um coração cansado, essa parte pode soar distante. Mas, no fundo, o ponto central não é o tamanho das riquezas e, sim, a resposta generosa de um Deus que compreende as necessidades e honra um pedido que nasce da responsabilidade e da humildade. O que sustenta o início do reinado de Salomão não é o brilho de Jerusalém, mas a certeza de que ele não está só na tarefa que recebeu. Esse capítulo permite enxergar um Deus que se aproxima na noite, que escuta um coração que admite sua limitação e que responde com cuidado. É um retrato de um começo de jornada em que a fraqueza não é negada, mas acolhida, e a ajuda não vem na forma de fuga, e sim de sabedoria e presença.

Mind
Mente

Do ponto de vista exegético, 2 Crônicas 1 inaugura a seção do livro dedicada ao reinado de Salomão, com uma ênfase teológica específica: mostrar que seu governo começa sob o selo da presença de Deus e da sabedoria concedida por Ele. O versículo 1 funciona como uma tese: Salomão se fortalece no reino, porque o Senhor está com ele e o engrandece. A partir daí, o narrador seleciona episódios que comprovam essa afirmação. Não há, aqui, interesse em registrar conflitos iniciais de sucessão, como em outros relatos, mas em sustentar a imagem de continuidade tranquila da dinastia de Davi. Os versículos 2 a 6 conectam o reinado de Salomão ao culto mosaico. A ida a Gibeom, onde ainda estava a tenda da congregação e o altar de cobre de Bezaleel, demonstra respeito às instituições estabelecidas no Sinai. Ao mesmo tempo, o v.4 lembra que a arca já está em Jerusalém. Essa dupla referência tem função teológica: integrar a herança de Moisés e o projeto de Davi, apontando para a centralização futura do culto no templo de Jerusalém. A teofania da noite (v.7-10) utiliza um recurso literário conhecido: a oferta divina de escolha. Ao permitir que Salomão peça o que quiser, o texto cria um cenário em que o pedido revela o caráter do rei. A resposta de Deus (v.11-12) é estruturada em contraste: o que ele não pediu (riquezas, bens, honra, vingança, longevidade) e o que pediu (sabedoria e conhecimento para julgar o povo). A concessão de riquezas e honra aparece como reforço da aprovação divina, não como foco principal. Os versículos finais (v.14-17) representam uma síntese da prosperidade de Salomão, destacando números de carros e cavaleiros, a comparação da prata com pedras e dos cedros com figueiras bravas. Há uso evidente de hipérbole típica de descrições régias antigas, destinadas a enfatizar grandeza. O comércio de cavalos e carros com o Egito e com reis dos heteus e da Síria indica uma rede comercial bem estruturada, conferindo plausibilidade histórica e situando Israel dentro do contexto político internacional da época. Em termos teológicos, o capítulo reforça temas caros ao cronista: a importância do culto, o valor da sabedoria para governar, a fidelidade de Deus à casa de Davi e a concepção de realeza sob aliança. A intenção não é apenas narrar fatos, mas oferecer à comunidade pós-exílica um modelo de liderança que começa de joelhos, reconhecendo a necessidade de orientação divina para servir ao povo de Deus.

Life
Vida

2 Crônicas 1 coloca foco numa fase que muita gente conhece bem: o começo de uma responsabilidade grande. Salomão está iniciando um reinado, mas o princípio vale para quem começa um casamento, um cargo, um projeto, uma mudança importante. Ele junta as pessoas certas – líderes militares, juízes, governadores, chefes de família – e leva todos a Gibeom, lugar de culto. Isso mostra organização e prioridade: antes de se ocupar com estratégias, alianças e números, ele começa alinhando seu coração e o do povo diante de Deus. Em termos práticos, é como iniciar uma obra grande definindo bem o fundamento. Quando Deus pergunta o que ele quer receber, Salomão não finge que dá conta de tudo. Admite a dimensão do desafio: governar um povo numeroso “como o pó da terra”. Em vez de pedir para o problema diminuir, ele pede recursos internos proporcionais à tarefa: sabedoria e conhecimento para entrar e sair diante do povo, isto é, para conduzir e julgar com justiça. Essa lógica é bastante concreta: diante de pressões reais, o que sustenta não é apenas mais tempo ou mais dinheiro, mas um modo mais sábio de enxergar e agir. A resposta divina mostra um princípio: quando a prioridade é servir bem e fazer o que é certo, outros tipos de provisão podem ser acrescentados. As riquezas, a prata, os cedros, os carros e cavalos aparecem como consequências, não como foco da vida de Salomão naquele momento. Isso relativiza a mentalidade que coloca status, poder e acúmulo no centro de todas as decisões. Ao mesmo tempo, a descrição do grande aparato militar e comercial do reino lembra que influência e recursos trazem novos riscos. O texto não explora esses riscos aqui, mas quem olha o conjunto da história bíblica sabe que poder pode se transformar em armadilha. Por isso, 2 Crônicas 1 funciona como lembrete de que o melhor momento para definir prioridades saudáveis é o início: escolher servir em vez de dominar, buscar sabedoria em vez de só oportunidades, e tratar cada nova etapa não como palco de autoexaltação, mas como campo de serviço responsável.

Soul
Alma

Em 2 Crônicas 1, o movimento espiritual fundamental é o de um homem colocado diante de uma responsabilidade maior do que ele, que se aproxima de Deus em adoração e escuta. Salomão não encara o trono apenas como realização pessoal, mas como participação em algo que Deus começou com Davi, e muito antes dele. O capítulo começa com a afirmação de que o Senhor era com Salomão e o engrandeceu. Isso orienta toda a leitura: o centro não é a capacidade do rei, mas a presença de Deus que sustenta a vocação. A ida a Gibeom, com todo o Israel, diante da tenda da congregação e do altar de cobre, faz a memória do deserto e da fidelidade de Deus ao longo do caminho. A espiritualidade que o texto propõe não nasce do nada; ela se ancora na história de graça já vivida pelo povo. Quando Deus se aproxima na noite e diz “pede o que queres que eu te dê”, a cena aponta para um momento de discernimento profundo. O pedido revela o tipo de relacionamento que Salomão deseja ter com Deus. Ao lembrar a benignidade mostrada a Davi e ao pedir confirmação dessa palavra, ele se coloca conscientemente dentro de uma aliança, não como protagonista isolado, mas como herdeiro de um propósito maior. A sabedoria buscada não é apenas técnica de governo; é saber viver e governar de modo coerente com o que Deus é e com o que Ele prometeu. A resposta divina, que acrescenta riquezas e honra à sabedoria concedida, mostra que Deus não é mesquinho. No entanto, a ênfase do texto está naquilo que houve no coração de Salomão: a escolha de priorizar o que diz respeito ao povo de Deus e à justiça. Espiritualmente, isso aponta para uma vida em que a oração central não é “como posso ser preservado ou exaltado?”, mas “como posso participar, com lucidez e fidelidade, da obra que Deus está realizando?”. O panorama final de prosperidade e poder militar cria um contraste silencioso: por trás de todo brilho, a sustentação verdadeira continua sendo o dom de sabedoria concedido por Deus. A espiritualidade sugerida por este capítulo não rejeita a existência de bens ou influência, mas insiste que o eixo da vida está na relação com Deus que chama, orienta, corrige e confia tarefas. Nesse sentido, 2 Crônicas 1 inspira um caminho em que vocação e oração se entrelaçam, e em que cada nova etapa da história é ocasião para renovar o pedido por um coração sábio diante do Eterno.

IA crista companheira

Pronto para aplicar 2 Crônicas 16? Receba orientacao personalizada

Junte-se a milhares de pessoas aprofundando sua compreensao das Escrituras com planos de estudo personalizados, aplicacoes de versiculos e reflexoes guiadas.

1 Sua pergunta arrow_forward 2 Correspondencia biblica arrow_forward 3 Aplicacao guiada

✓ Sem cartao de credito • ✓ Seus dados ficam privados • ✓ 60 creditos gratis

Versiculos em 2 Crônicas 16

2 Crônicas 16:1

" E ouvi, vinda do templo, uma grande voz, que dizia aos sete anjos: Ide, e derramaisobre a terra as sete taças da ira de Deus. "

2 Crônicas 16:2

" E foi o primeiro, e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem. "

2 Crônicas 16:3

" E o segundo anjo derramou a sua taça no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda a alma vivente. "

2 Crônicas 16:5

" E ouvi o anjo das águas, que dizia: Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e hás de ser, porque julgaste estas coisas. "

2 Crônicas 16:6

" Visto como derramaram o sangue dos santos e dos profetas, também tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores. "

2 Crônicas 16:9

" E os homens foram abrasados com grandes calores, e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória. "

2 Crônicas 16:10

" E o quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, e o seu reino se fez tenebroso; e eles mordiam as suas línguas de dor. "

2 Crônicas 16:12

" E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente. "

2 Crônicas 16:14

" Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso. "

2 Crônicas 16:15

" Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda as suas roupas, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas. "

2 Crônicas 16:18

" E houve vozes, e trovões, e relâmpagos, e houve um grande terremoto, como nunca houve desde que há homens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto. "

2 Crônicas 16:19

" E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram; e da grande babilônia se lembrou Deus, para lhe dar o cálice do vinho da indignação da sua ira. "

2 Crônicas 16:21

" E sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, pedras do peso de um talento; e os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraiva; porque a sua praga era mui grande. "

auto_awesome

Estudo do capitulo por email

Receba 7 dias de reflexoes de 2 Crônicas 16

Receba Escritura, oracao e um proximo passo simples conectado a este capitulo.

Gratis. Cancele quando quiser. Nunca compartilhamos seu email.
Junte-se a 4 pessoas crescendo na fe diariamente.

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, ligue 188 (CVV) no Brasil, 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediata.