Números 17:1
" Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, "
Entenda os temas principais e aplique Números 17 na sua vida hoje
27 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Mesmo após tantos sinais no Egito e no deserto, o povo reage ao desafio da entrada em Canaã com choro, queixa e desejo de voltar ao Egito. A incredulidade transforma a memória da escravidão em algo supostamente melhor do que confiar no Senhor.
Em contraste com a maioria, Josué e Calebe enxergam a realidade pela ótica da promessa. Reconhecem as dificuldades, mas afirmam que a terra é muito boa e que o Senhor é maior do que os inimigos.
Diante do anúncio de juízo, Moisés apela à reputação de Deus entre as nações e ao Seu caráter revelado: longânimo, grande em misericórdia, que perdoa a iniquidade. Deus responde concedendo perdão, ainda que mantenha a disciplina.
A geração que viu os sinais no Egito e no deserto, mas persistiu em tentar o Senhor, é sentenciada a morrer no deserto. Os filhos, que seriam “presa” segundo o medo dos pais, herdarão a terra, após quarenta anos de peregrinação.
Números 14 se situa na etapa inicial da peregrinação de Israel pelo deserto, após a saída do Egito e antes da entrada em Canaã. No capítulo anterior, doze espias foram enviados de Cades-Barnéia para reconhecer a terra prometida, na região sul de Canaã. Dez deles trouxeram um relatório dominado pelo medo, destacando cidades fortificadas e povos fortes, enquanto apenas Josué e Calebe mantiveram um testemunho confiante.
A congregação aqui mencionada é a comunidade de Israel organizada por tribos no deserto, acampada com o tabernáculo no centro, onde a glória do Senhor se manifesta na nuvem e na coluna de fogo. Amalequitas e cananeus, citados como inimigos imediatos, eram povos estabelecidos na região montanhosa e nos vales de Canaã e áreas adjacentes, com reputação guerreira.
O decreto de vaguear quarenta anos no deserto vincula o tempo da disciplina ao período de quarenta dias em que a terra foi espionada. A referência à fama de Deus entre as nações dialoga com o contexto mais amplo do Antigo Oriente, em que a reputação de uma divindade estava ligada ao destino do povo que a adorava. Moisés, como mediador da aliança, atua aqui de forma parecida à do episódio do bezerro de ouro, intercedendo para que Deus não destrua o povo completamente.
Números 14 apresenta uma narrativa dramática organizada em movimentos bem definidos:
Rebelião e murmuração do povo (14:1-4): A reação ao relatório dos espias se transforma em choro coletivo, queixa contra Moisés e Arão e desejo explícito de voltar ao Egito, culminando na proposta de eleger um novo líder.
Resposta dos líderes fiéis (14:5-10a): Moisés e Arão caem sobre o rosto em sinal de humilhação. Josué e Calebe rasgam as vestes e proclamam a bondade da terra e a fidelidade do Senhor, exortando o povo a não ter medo nem ser rebelde.
Intervenção divina e diálogo entre Deus e Moisés (14:10b-20): A glória do Senhor aparece, interrompendo o intento do povo de apedrejar os líderes. Segue-se um discurso divino de indignação, uma proposta de juízo total e a intercessão de Moisés, que apela ao nome e ao caráter de Deus. O Senhor declara que perdoou segundo a palavra de Moisés.
Decreto de juízo sobre a geração incrédula (14:21-35): Deus anuncia que a geração que viu Seus sinais e, ainda assim, O tentou e provocou, não verá a terra prometida. Define-se a exceção de Josué e Calebe e estabelece-se o período de quarenta anos de peregrinação.
Destino dos espias incrédulos (14:36-38): Os homens que espalharam mau relatório sobre a terra morrem de praga diante do Senhor, enquanto Josué e Calebe permanecem vivos.
Arrependimento superficial e derrota presunçosa (14:39-45): O povo se entristece, toma uma decisão apressada de subir à região montanhosa para conquistar a terra, ignora o aviso de Moisés de que o Senhor não está com eles, e é derrotado pelos amalequitas e cananeus.
Este capítulo é central para compreender a dinâmica entre promessa, fé, incredulidade e disciplina na caminhada do povo de Deus.
A reação do povo diante do desafio de entrar em Canaã revela como a incredulidade distorce a memória e a percepção: o Egito, lugar de escravidão, passa a ser visto como destino preferível à confiança nas promessas divinas. A murmuração constante surge não apenas como desabafo, mas como rejeição à condução de Deus e à liderança que Ele estabeleceu.
Josué e Calebe ilustram a fé que enxerga o mesmo cenário, porém através da aliança: reconhecem a força dos inimigos, mas interpretam a realidade à luz da presença do Senhor. O contraste “não temais o povo dessa terra… o Senhor é conosco” mostra que, na perspectiva bíblica, a questão decisiva não é o tamanho da dificuldade, e sim quem caminha com o povo.
A intercessão de Moisés se apoia explicitamente na autorrevelação de Deus: longânimo, grande em misericórdia, que perdoa iniquidade e transgressão, mas não inocenta o culpado. Essa tensão entre graça e justiça atravessa toda a Escritura. Deus perdoa, mas o perdão não cancela automaticamente todas as consequências históricas da rebelião.
O decreto de que a geração incrédula não entraria na terra prometida enfatiza a responsabilidade acumulada de quem testemunha grandes obras de Deus e, mesmo assim, persiste na desobediência. A relação simbólica entre os quarenta dias de espionagem e os quarenta anos de peregrinação destaca a pedagogia divina: o tempo de prova mal respondido se converte em tempo de disciplina.
O destino particular dos espias que espalharam o mau relatório mostra o peso de liderar o povo à incredulidade. Já a derrota da tentativa presunçosa de subir à montanha, sem a presença do Senhor, adverte contra um tipo de religiosidade que tenta compensar desobediências passadas com ações ousadas, porém desconectadas da direção de Deus. Obediência verdadeira não é apenas agir, mas agir no tempo e no modo estabelecidos pelo Senhor.
Assim, Números 14 apresenta Deus como Aquele cuja glória encherá toda a terra, que mantém Sua promessa, disciplina com justiça, e, ao mesmo tempo, continua formando um povo marcado por fé, obediência e dependência da Sua presença.
Números 14 oferece um retrato profundo de reações humanas comuns em contextos de crise: medo, nostalgia idealizada do passado, impulsividade e arrependimento superficial. A congregação, diante da insegurança, prefere voltar a um lugar conhecido, mesmo que fosse um ambiente de opressão. Isso espelha a tendência humana de permanecer em padrões destrutivos por causa do medo do desconhecido.
O capítulo também evidencia o impacto emocional da liderança: Moisés, Arão, Josué e Calebe são alvos de queixa, rejeição e até ameaça de violência. A postura deles — humilhação diante de Deus, expressão honesta da situação e firmeza na fé — aponta caminhos saudáveis para lidar com rejeição, pressão e frustração.
A intercessão de Moisés revela uma forma de lidar com a culpa coletiva: reconhecer a gravidade da situação, lembrar o caráter misericordioso de Deus e buscar restauração sem negar a realidade das consequências. Há um equilíbrio entre consolação e responsabilidade.
Do ponto de vista terapêutico, o texto toca temas como medo do futuro, dificuldade de confiar após traumas, remorso tardio e ativismo impulsivo como tentativa de compensar falhas. Mostra que a transformação verdadeira não nasce de decisões apressadas motivadas apenas por culpa ou medo, mas de um relacionamento contínuo com Deus, em que confiança, obediência e escuta são cultivadas ao longo do caminho.
O capítulo apresenta alguns sinais de alerta importantes para a saúde emocional e espiritual:
Em leituras pastorais e de acompanhamento, passagens assim convidam a observar com cuidado estados de desespero coletivo, impulsividade pós-culpa, violência em discurso religioso e resistências profundas à confiança em Deus. Em situações de sofrimento intenso ou crises emocionais, é importante buscar também apoio especializado adequado.
Números 14 sugere vários princípios práticos para a vida cotidiana:
Cuidar das narrativas internas em tempos de medo: diante de desafios, o povo reinterpretou o passado e o presente sob a lente da ameaça, não da promessa. Uma aplicação é aprender a identificar pensamentos catastróficos e confrontá-los com o caráter e as promessas de Deus.
Valorizar vozes de fé equilibrada: Josué e Calebe não negam a realidade, mas a interpretam com fé. Na prática, isso indica a importância de caminhar com pessoas que ajudem a enxergar circunstâncias difíceis à luz da presença de Deus, sem negar os fatos nem alimentar pânico.
Separar arrependimento profundo de impulso culposo: o povo, ao ouvir o juízo, tenta “consertar” a história por conta própria, sem ouvir a orientação de Deus. Decisões importantes, especialmente após erros, pedem tempo de escuta, discernimento e submissão, e não apenas ação rápida motivada por culpa.
Reconhecer que perdão não anula todas as consequências: Deus perdoa, mas mantém a disciplina para aquela geração. Na vida prática, mesmo quando há reconciliação, podem permanecer processos de restauração, limites e responsabilidades a assumir.
Evitar vanglória espiritual: subir à montanha sem a presença do Senhor demonstra confiança exagerada em si mesmo, com linguagem religiosa. No cotidiano, isso alerta contra planos e projetos “em nome de Deus” que não passam por oração, conselho sábio e obediência às Escrituras.
Cultivar constância na fé: a perseverança de Calebe, descrita como “outro espírito”, aponta para uma espiritualidade estável, que não oscila ao sabor das circunstâncias. Isso se expressa em hábitos simples como leitura bíblica regular, oração sincera, participação comprometida na comunidade de fé e prática da obediência em pequenas decisões.
O texto explica que essa geração havia visto a glória de Deus e os sinais no Egito e no deserto, mas, ainda assim, O tentou repetidamente e não obedeceu à Sua voz (versos 22-23). A recusa em confiar em Deus diante da entrada em Canaã é tratada como culminação de uma série de rebeliões. O juízo de não entrar na terra é, ao mesmo tempo, disciplina e resposta à postura persistente de incredulidade. Não se trata de um erro isolado, mas de um padrão prolongado de resistência ao Senhor.
No verso 20, Deus afirma que perdoou conforme a palavra de Moisés, ou seja, suspende a destruição imediata do povo. Porém, nos versos seguintes, declara que aquela geração não entrará em Canaã. Isso mostra que, biblicamente, perdão não significa ausência de qualquer consequência histórica. A misericórdia de Deus impede o aniquilamento do povo, mas Sua justiça estabelece um caminho de disciplina que também tem função pedagógica: ensinar as futuras gerações sobre a seriedade da incredulidade e da rebelião.
A expressão aponta para uma atitude interior diferente da maioria do povo e dos outros espias. Em vez de medo e incredulidade, Calebe demonstrou confiança firme nas promessas de Deus e disposição para obedecer, mesmo diante de perigos reais. Ele perseverou em seguir o Senhor (verso 24), mostrando um coração constante, não dominado pelo pânico coletivo. Esse “outro espírito” não é apenas temperamento, mas uma postura de fé obediente.
Depois de ouvir o juízo, o povo reconhece que pecou e decide subir ao cume do monte, dizendo que agora cumprirá o que o Senhor tinha falado (versos 39-40). Porém, Moisés alerta que o Senhor não está no meio deles nessa iniciativa e que isso não prosperará (versos 41-43). Eles agem com presunção, sem a presença da arca e sem a direção de Deus, e são derrotados. O episódio ensina que não basta usar linguagem religiosa ou mostrar coragem; é necessário agir no tempo, no modo e com a presença do Senhor.
No verso 18, Moisés cita uma formulação já conhecida da revelação de Deus, que mostra ao mesmo tempo misericórdia e justiça. A ideia não é que Deus condene filhos inocentes por pecados pessoais dos pais, mas que o pecado tem efeitos que se estendem por gerações: padrões de idolatria, rebelião e injustiça podem ser reproduzidos. Em outras passagens, a própria Escritura afirma que cada um é responsável por seus atos. Aqui, o foco está em mostrar que Deus leva a sério os impactos duradouros da iniquidade, sem por isso deixar de ser misericordioso.
Números 14 mostra um povo inteiro tomado pelo medo. Eles choram a noite toda, desejam ter morrido antes, falam em voltar para trás. A cena é de desespero coletivo. Esse movimento interior é muito humano: diante do que assusta, a mente corre para o pior cenário, o coração perde a coragem e o passado, mesmo difícil, começa a parecer menos ameaçador do que o desconhecido. Moisés e Arão caem com o rosto em terra. É um gesto de quem sabe que a situação foi longe demais, que não dá para resolver na força das palavras. Josué e Calebe rasgam as vestes, sinal de dor profunda. Eles enxergam a bondade da terra e a fidelidade de Deus, mas percebem que o povo está dominado pelo pânico. Até os que desejam fazer o bem, aqui, se veem ameaçados: a congregação quer apedrejá-los. Há um peso grande para quem tenta ser fiel em meio a um ambiente tão tomado pela incredulidade e pela violência. Quando Deus fala com Moisés, deixa transparecer um cansaço santo: “Até quando me provocará este povo?”. Há algo de muito sério quando a dor humana se transforma em acusação constante contra Deus. Ainda assim, o coração do Senhor não é frio nem apressado. Moisés apela à misericórdia, lembra quem Deus é, e o texto diz: “Conforme à tua palavra lhe perdoei”. Mesmo ferido, Deus continua respondendo com graça. O juízo de não entrar na terra parece duro, especialmente quando se lê pensando nos filhos que vão caminhar quarenta anos no deserto por causa das escolhas dos pais. Mas, ao mesmo tempo, esses filhos serão poupados da escravidão e conhecerão a terra prometida. O texto carrega essa mistura de dor e esperança: a geração incrédula se perde, mas não há fim da história, há continuidade, promessa mantida, futuro preparado para outros. No final, o povo fica muito contristado. A tristeza, porém, não se torna escuta, mas pressa: tentam consertar pela própria mão, sem a presença de Deus, e acabam feridos. Isso lembra como, às vezes, culpas profundas podem levar a atitudes precipitadas que produzem mais sofrimento. Em todo esse cenário tenso, o rosto de Deus que aparece é o de alguém que leva a sério tanto a dor quanto a rebeldia do Seu povo. Ele não desiste do plano, não abandona completamente a comunidade, não rompe a aliança. Mesmo quando corrige, está sempre de olho na geração seguinte, na continuidade da vida, em um caminho de esperança além do deserto.
Números 14 funciona como um ponto de virada na narrativa do Pentateuco. Após a organização do povo em Números 1–10 e as primeiras murmurações em Números 11–12, aqui ocorre a rebelião decisiva diante da entrada em Canaã. Literariamente, o capítulo contrasta duas perspectivas: a do povo influenciado pelos dez espias e a de Josué e Calebe. A reação da congregação (versos 1–4) mostra um movimento típico de apostasia: murmuração contra os líderes, questionamento do propósito de Deus (“por que o Senhor nos traz a esta terra?”), projeção de desgraça sobre a família e desejo de retorno ao Egito. A proposta de eleger outro líder é, na prática, uma rejeição da mediação de Moisés e da liderança instituída pelo próprio Deus. Moisés e Arão prostram-se (verso 5), gesto de intercessão e choque. Josué e Calebe rasgam as vestes (verso 6), símbolo de luto e indignação, e proferem um discurso teologicamente centrado: a terra é muito boa; a condição é o agrado do Senhor; a oposição não deve ser temida porque o “amparo” (literalmente, a sombra protetora) dos adversários foi removido, e o Senhor está com Israel (versos 7–9). A expressão “são eles nosso pão” sugere que, com Deus, esses inimigos se tornarão como alimento, algo que será consumido, não uma ameaça invencível. A aparição da glória do Senhor (verso 10) interrompe a escalada de violência. A fala divina subsequente (versos 11–12) revela uma perspectiva acumulada: o povo testou Deus “estas dez vezes”, um número que pode ter valor simbólico de plenitude. A proposta de Deus de destruir Israel e fazer de Moisés uma nova grande nação ecoa a linguagem usada em Êxodo 32 após o bezerro de ouro. A intercessão de Moisés (versos 13–19) é construída em dois eixos: reputação de Deus entre as nações e caráter revelado do Senhor. Moisés argumenta que a morte do povo poderia ser interpretada como incapacidade de Deus em cumprir Sua promessa. Em seguida, cita a autoapresentação divina de Êxodo 34:6–7, adaptando-a e pedindo perdão com base na grandeza da misericórdia de Deus. A resposta divina (versos 20–23) mantém a tensão entre perdão e juízo: há perdão, mas os que viram os sinais e persistiram na incredulidade não verão a terra. Calebe é destacado como exceção por ter “outro espírito” e ter perseverado em seguir o Senhor (verso 24). Josué é mencionado junto com ele no verso 30. Os versos 29–35 detalham o juízo: morte da geração de vinte anos para cima no deserto, filhos entrando na terra, quarenta anos de peregrinação correspondentes aos quarenta dias de espionagem. A expressão “conhecereis o meu afastamento” sugere uma experiência dolorosa de disciplina, em contraste com a presença protetora que caracterizou o êxodo. Os versos 36–38 apresentam um juízo imediato sobre os espias que espalharam mau relatório: morrem de praga perante o Senhor. Isso sublinha a responsabilidade de lideranças que conduzem o povo à incredulidade. Finalmente, a seção 39–45 mostra uma reação tardia e desordenada do povo. A tristeza (verso 39) não se traduz em verdadeira submissão. Moisés qualifica a iniciativa de subir ao monte como transgressão (verso 41) e garante que não prosperará, pois a presença do Senhor não os acompanhará (versos 42–43). A ausência da arca e de Moisés na tentativa de ataque é um detalhe narrativo importante: marca a ação como desconectada da orientação divina. O resultado é derrota pelas mãos de amalequitas e cananeus (verso 45). Teologicamente, o capítulo reforça o tema da responsabilidade acrescida diante de maior revelação: quem vê a glória e os sinais e, mesmo assim, persiste em rebelião, encontra juízo mais severo. Ao mesmo tempo, aprofunda a compreensão do caráter de Deus: longânimo e misericordioso, mas que não banaliza o pecado nem se deixa manipular por remorsos superficiais.
Números 14 mostra como decisões práticas são profundamente afetadas pela forma como se enxerga Deus, o passado e o futuro. O povo está diante de uma encruzilhada concreta: avançar para a terra prometida ou retornar ao Egito. A escolha pela murmuração e pelo desejo de voltar atrás nasce da leitura que fizeram da situação: enxergam perigo, não promessa; enxergam derrota certa, não oportunidade de confiar. Uma das lições fortes do capítulo é que, em momentos decisivos, vozes diferentes competem pela direção da comunidade. Há os dez espias que alimentam o medo, e há Josué e Calebe que alimentam a fé realista. Na vida cotidiana, isso se traduz em escolher com cuidado quem influencia as grandes decisões: pessoas que apenas reforçam pânicos ou pessoas que reconhecem os riscos, mas ajudam a lembrar o que é certo diante de Deus. Outra aplicação prática está na forma como o povo lida com o erro. Depois de ouvir que não entrariam na terra, eles se entristecem, admitem que pecaram e tomam uma decisão precipitada: “agora vamos subir”. O problema é que essa ação não nasce da escuta atenta de Deus, mas de uma reação emocional à culpa. Na prática, é como tentar compensar um erro grande com um gesto heroico, sem discernimento. Isso aparece hoje em relacionamentos, finanças, ministério: alguém machuca profundamente outra pessoa e, em vez de começar pelo pedido de perdão e reconstrução paciente da confiança, tenta gestos grandiosos que acabam trazendo ainda mais frustração. O aviso de Moisés é muito concreto: não subam, pois o Senhor não está no meio de vocês. Isso lembra que não basta uma ideia parecer correta em tese; é necessário perguntar se é o tempo de Deus, se há direção bíblica clara, se há paz e confirmação. Projetos, mudanças de carreira, decisões afetivas, envolvimento em ministérios — tudo isso precisa ser mais do que uma reação ao medo ou à culpa; precisa ser resposta a uma convicção amadurecida diante de Deus. A história também mostra que certas escolhas têm efeitos duradouros sobre a próxima geração. Os filhos vão pastorear no deserto quarenta anos por causa da infidelidade dos pais. Ainda que, hoje, cada pessoa responda diante de Deus por si, padrões familiares de medo, fuga de responsabilidade e murmuração influenciam, sim, o ambiente em que filhos crescem. Por outro lado, a promessa de que os filhos entrarão na terra aponta para a possibilidade de quebrar ciclos: escolhas de fé e obediência numa geração podem abrir caminhos mais saudáveis para as próximas. Por fim, a perseverança de Calebe sugere um tipo de prática diária: seguir o Senhor de forma consistente, mesmo quando a maioria vai em outra direção. Isso inclui manter integridade no trabalho quando o ambiente é corrupto, cultivar fidelidade no casamento em meio a culturas de descaso, administrar dinheiro com responsabilidade mesmo quando o padrão geral é consumo desenfreado. É uma espiritualidade que se traduz em escolhas concretas, passo a passo, no deserto e na entrada da terra.
Números 14 expõe um momento em que a jornada de um povo encontra uma crise de fé tão profunda que redefine o rumo de toda uma geração. Israel está à beira da terra prometida, mas o coração está preso ao Egito. A promessa diante deles contrasta com uma saudade distorcida do passado: não se lembram mais da opressão, apenas da falsa sensação de segurança. O texto revela a batalha espiritual que se trava, muitas vezes, entre o chamado de Deus e os medos instalados na alma. A rebelião do povo não é apenas desobediência pontual; é uma recusa em confiar na presença de Deus após tê-Lo visto agir repetidas vezes. Há, aqui, um alerta profundo sobre o perigo de se acostumar com a graça ao ponto de perder o temor. Quando Deus pergunta “até quando?”, revela-Se como alguém que tem suportado longamente a dureza do coração do Seu povo. No centro do capítulo, a intercessão de Moisés se destaca como uma imagem forte de mediação espiritual. Ele se coloca entre Deus e o povo, não negando o pecado, mas apelando ao caráter de Deus e ao testemunho que Seu nome tem entre as nações. Moisés evoca a revelação de um Deus longânimo, grande em misericórdia, que perdoa iniquidade e transgressão, mas não trata o culpado como se fosse inocente. Nessa tensão, vemos algo do coração do próprio Deus, que, ao longo da história bíblica, se mostrará plenamente em Cristo: graça abundante e justiça perfeita se encontrando. O decreto de que a geração incrédula não entraria na terra pode ser lido espiritualmente como um aviso sobre o custo de endurecer o coração repetidas vezes. Não se trata de um tropeço isolado, mas de um caminho de resistência persistente. O resultado é que muitos vivem e morrem no “deserto”, sem experimentar plenamente aquilo a que foram chamados. Ao mesmo tempo, a fidelidade de Deus se mantém: a terra não é abandonada, a aliança não é revogada, a promessa é simplesmente transferida à geração seguinte. Josué e Calebe, nesse cenário, são figuras de uma espiritualidade que vê além do visível. Eles contemplam as mesmas muralhas, os mesmos gigantes, mas interpretam tudo à luz da presença do Senhor. O “outro espírito” de Calebe aponta para uma disposição interior moldada mais pela voz de Deus do que pelas circunstâncias ou pela opinião da maioria. Espiritualmente, isso ecoa o chamado a caminhar pela fé, não pela vista. O episódio final, da subida presunçosa ao monte, revela um tipo de religiosidade que tenta avançar sem a presença de Deus. É agir “em nome de Deus” sem que Deus tenha enviado. A ausência da arca e de Moisés indica que a iniciativa, embora use a linguagem da promessa, não está em sintonia com a vontade do Senhor naquele momento. Espiritualmente, isso denuncia a tentação de buscar conquistas e experiências espirituais desconectadas da obediência e da escuta. Números 14, assim, convida a uma reflexão sobre a própria jornada: a promessa de Deus não é apenas um destino geográfico ou material, mas um chamado a viver na Sua presença. Deserto e Canaã, aqui, tornam-se imagens de estados espirituais: o lugar da disciplina, onde se aprende a confiar, e o lugar de descanso na fidelidade de Deus. A história aponta para um Deus cuja glória encherá toda a terra, que não desiste de formar um povo que O conheça de verdade, mesmo quando é preciso, em certos momentos, frear uma geração inteira para que outra aprenda a caminhar na obediência e na fé.
" Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, "
" E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. "
" E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. "
" E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias. "
" E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o. "
" E os discípulos, ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo. "
" E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes, e disse: Levantai-vos, e não tenhais medo. "
" E, erguendo eles os olhos, ninguém viram senão unicamente a Jesus. "
" E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dentre os mortos. "
" E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Por que dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro? "
" E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas; "
" Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem. "
" Então entenderam os discípulos que lhes falara de João o Batista. "
" E, quando chegaram à multidão, aproximou-se-lhe um homem, pondo-se de joelhos diante dele, e dizendo: "
" Senhor, tem misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água; "
" E trouxe-o aos teus discípulos; e não puderam curá-lo. "
" E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e perversa! até quando estarei eu convosco, e até quando vos sofrerei? Trazeimo aqui. "
" E, repreendeu Jesus o demônio, que saiu dele, e desde aquela hora o menino sarou. "
" Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram: Por que não pudemos nós expulsá-lo? "
" E Jesus lhes disse: Por causa de vossa incredulidade; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível. "
Mateus 17:20 mostra que Deus age por meio de uma fé sincera, mesmo pequena como um grão de mostarda. “Mover montanhas” simboliza obstáculos enormes: um …
Ler análise completa" Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum. "
Mateus 17:21 mostra que certos males e opressões espirituais só são vencidos com dependência profunda de Deus, expressa em oração e jejum. Em situações de …
Ler análise completa" Ora, achando-se eles na Galiléia, disse-lhes Jesus: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens; "
" E matá-lo-ão, e ao terceiro dia ressuscitará. E eles se entristeceram muito. "
" E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas? "
" Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios? "
" Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, estão livres os filhos. "
Mateus 17:26 mostra que, como Filho de Deus, Jesus não era obrigado a pagar o imposto do templo, mas mesmo assim aceita pagar para evitar …
Ler análise completa" Mas, para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-o por mim e por ti. "
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