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Mateus 17:24 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas? "

Mateus 17:24

menu_book Versículo no contexto

22 Ora, achando-se eles na Galiléia, disse-lhes Jesus: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens;

23 E matá-lo-ão, e ao terceiro dia ressuscitará. E eles se entristeceram muito.

24 E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas?

25 Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?

26 Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, estão livres os filhos.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui temos um relato de Cristo pagando um tributo.

Primeiro, observe como o imposto foi pedido (Mateus 17:24). Cristo estava então em Cafarnaum, a cidade onde costumava se hospedar. Ele não ficou longe para evitar ser cobrado, mas foi justamente ali para estar pronto a pagar. O tributo mencionado não era um imposto civil para o governo romano. Era um tributo religioso, o meio siclo, equivalente a cerca de quinze pence, exigido de cada pessoa para o serviço do templo e suas despesas. Era chamado de resgate pela alma (Êxodo 30:12). Naquela época, ele já não era cobrado com o mesmo rigor de antes, especialmente não na Galileia.

A cobrança foi feita de maneira muito respeitosa. Os cobradores de imposto estavam tão impressionados com Cristo, por causa de suas obras poderosas, que não ousaram falar diretamente com ele. Em vez disso, falaram com Pedro, cuja casa ficava em Cafarnaum e provavelmente era onde Cristo se hospedava. Perguntaram: “O vosso Mestre não paga as dracmas?” Alguns entendem que eles buscavam um motivo para acusá-lo, caso recusasse, fazendo-o parecer contrário ao culto no templo e à ordem estabelecida (Esdras 4:13). Mas parece mais provável que perguntassem com respeito, como se dissessem que, se ele tivesse algum motivo legítimo para isenção, eles não insistiriam.

Pedro respondeu prontamente por seu Mestre: “Sim, claro. O meu Mestre paga o tributo.” Esse era o costume de Cristo, e Pedro nem cogitou qualquer objeção. Cristo foi feito sob a lei (Gálatas 4:4), portanto também se sujeitou a essa lei, como alguém que assumiu a forma de servo em sua vida humilde (Lucas 2:22; Filipenses 2:7-8). Ele também foi feito pecado por nós e enviado em semelhança de carne pecaminosa (Romanos 8:3). Esse imposto do templo era chamado de expiação pela alma (Êxodo 30:15), e Cristo o pagou, embora não tivesse pecado algum a expiar, para que em tudo se mostrasse semelhante aos pecadores.

Ele fez isso também para cumprir toda a justiça, como dissera no seu batismo (Mateus 3:15). Com isso, deu exemplo de dar a cada um o que lhe é devido, inclusive tributo a quem tributo é devido (Romanos 13:7). O reino de Cristo não é deste mundo, portanto seus servos e amigos, enquanto tais, não recebem direito especial de impor tributos aos outros; ao contrário, eles mesmos estão sujeitos às autoridades superiores. Ele também mostrou que devemos ajudar a sustentar o culto público nos lugares onde vivemos. Se recebemos bênçãos espirituais, é justo que ofereçamos sustento material. Naquele tempo, o templo estava bastante corrompido, e o culto ali era usado como disfarce para a oposição dos principais sacerdotes contra Cristo e seu ensino. Mesmo assim, Cristo pagou esse tributo. Deveres e contribuições da igreja, quando legitimamente exigidos, devem ser pagos, mesmo quando a igreja se encontra corrompida. Não devemos usar a nossa liberdade como pretexto para egoísmo ou para o mal (1 Pedro 2:16). Se Cristo pagou tributo, quem pode reivindicar isenção?

Em seguida, note como Cristo respondeu à questão (Mateus 17:25). Ele não discutiu com os cobradores, para não agitá-los. Em vez disso, falou com Pedro, para que este entendesse por que ele pagava o tributo e não ficasse confuso. Pedro havia trazido os cobradores para dentro de casa, mas Cristo falou primeiro, demonstrando seu pleno conhecimento, pois nada pode ser ocultado dele. Os discípulos de Cristo nunca são atacados sem que ele saiba.

Cristo recorreu ao modo como agem os reis da terra. Normalmente eles cobram tributos dos estranhos, dos que não fazem parte da família real, ou dos súditos e estrangeiros que fazem negócios com eles. Não cobram impostos de seus próprios filhos, porque pais e filhos compartilham tão intimamente o que têm, que não faria sentido os pais tributarem os filhos. Seria como uma mão cobrar imposto da outra. Cristo aplicou isso a si mesmo: “Logo, os filhos são livres.” Ele é o Filho de Deus e herdeiro de todas as coisas. O templo é o seu templo (Malaquias 3:1), a casa de seu Pai (João 2:16), e ele ali serve como Filho em sua própria casa (Hebreus 3:6). Portanto, não estava obrigado a pagar esse imposto pelo serviço do templo.

Cristo deixou isso bem claro para que o fato de ele pagar o tributo não fosse interpretado como negação de quem ele era, o Filho de Deus e Rei de Israel. Esses privilégios especiais pertencem a Cristo de modo único. Os filhos de Deus, pela graça e adoção, são libertos da escravidão do pecado e de Satanás, mas não são dispensados da obediência às autoridades civis nas questões civis. O próprio mandamento de Cristo é claro: toda alma, inclusive as almas santificadas, deve estar sujeita às autoridades superiores. Devemos dar a César o que é de César.

Por fim, observe como o tributo foi pago (Mateus 17:27). Cristo renunciou ao seu direito de não pagar, porque não queria escandalizá-los. Poucos sabiam, como Pedro, que ele era o Filho de Deus. Se Cristo tivesse insistido nesse direito naquele momento, isso diminuiria a honra dessa grande verdade, que ainda estava oculta para a maioria. Então ele deixou de lado esse argumento. Sabia que recusar o pagamento só aumentaria o preconceito deles contra sua pessoa e sua doutrina, afastando ainda mais seus corações. Por isso escolheu pagar.

Isso nos ensina que a sabedoria e a humildade cristãs muitas vezes nos chamam a abrir mão de direitos próprios, em vez de causar tropeço insistindo neles. Nunca devemos deixar de cumprir nosso dever por medo de ofender pessoas. As pregações e milagres de Cristo também os escandalizavam, e mesmo assim ele prosseguiu (Mateus 15:12-13). É melhor ofender pessoas do que a Deus. Mas às vezes devemos negar a nós mesmos em questões de interesse pessoal, para não causar escândalo, como Paulo ensina (1 Coríntios 8:13; Romanos 14:13).

Cristo então providenciou o dinheiro do tributo de modo extraordinário, a partir da boca de um peixe (Mateus 17:27). Isso mostra ao mesmo tempo sua pobreza e seu poder. Ele não tinha à mão o equivalente a quinze pence para pagar seu imposto, embora curasse tantos enfermos. Parece que ele curava de graça, sem cobrar nada. Por amor de nós, fez-se pobre (2 Coríntios 8:9). Em suas despesas comuns, vivia de ofertas de outras pessoas (Lucas 8:3), e para necessidades extraordinárias, supria a si mesmo por meio de milagres. Ele não mandou Judas pegar dinheiro da bolsa que carregava, porque aquele dinheiro era para o sustento comum, não para uso particular de Cristo. E, ao mesmo tempo, isso manifestou o poder de Cristo em tirar dinheiro da boca de um peixe. Seja porque seu poder o colocou ali, seja porque seu conhecimento sabia que estava ali, o resultado é o mesmo. Provou sua natureza divina e mostrou que ele é o Senhor dos exércitos.

Até as criaturas mais distantes do alcance humano estão sob o comando de Cristo. Os peixes do mar estão debaixo de seus pés (Salmo 8:5). Para mostrar seu domínio sobre este mundo inferior e, ao mesmo tempo, adequar-se ao seu estado de humilhação presente, ele escolheu tirar o dinheiro do tributo da boca de um peixe, quando poderia tê-lo recebido da mão de um anjo.

Note primeiro que Pedro teve de pegar o peixe, pescando. Mesmo nos milagres, Cristo usa meios, para incentivar o esforço e a diligência. Pedro tinha algo a fazer, e era justamente na área de seu ofício. Isso nos ensina a ser fiéis na vocação em que fomos colocados. Se esperamos que Cristo nos dê, também devemos estar prontos a trabalhar para ele.

Note ainda que o peixe subiu com dinheiro na boca. Isso mostra a recompensa que acompanha a obediência, já durante a própria obediência. O trabalho que fazemos por ordem de Cristo traz em si mesmo o seu salário. Em guardar os mandamentos de Deus, e também depois de guardá-los, há grande recompensa (Salmo 19:11). Pedro foi feito pescador de homens, e aqueles que ele “pescou” dessa forma também subiram assim. Onde o coração se abre para receber a palavra de Cristo, a mão também se abre para sustentar seus ministros.

A moeda encontrada era exatamente o suficiente para pagar o imposto de Cristo e de Pedro. Ele encontraria um estáter, equivalente a um siclo judaico, que pagaria o tributo de duas pessoas, pois era o valor de dois meios siclos (Êxodo 30:13). Cristo poderia, com a mesma facilidade, ter ordenado que aparecesse um saco de dinheiro, mas escolheu apenas uma única moeda. Com isso, ensina-nos a não desejar mais do que precisamos. Se temos o suficiente para as necessidades presentes, devemos estar contentes e não desconfiar de Deus, ainda que vivamos de um dia para o outro.

Cristo fez do peixe o seu “tesoureiro”, e podemos confiar no cuidado de Deus como nosso celeiro e tesouraria. Se temos o necessário para hoje, o amanhã pode ficar a cargo dos cuidados de Deus. Cristo pagou por si e por Pedro, porque parece que a cobrança naquele momento foi dirigida apenas a ele. Talvez os outros já tivessem pago, ou fossem pagar em outro lugar.

Os romanistas dão grande importância ao fato de Cristo ter pago por Pedro, como se isso provasse que Pedro era o cabeça e representante de toda a igreja. Mas pagar o tributo por ele foi mais um sinal de condescendência do que de autoridade. Os supostos sucessores de Pedro não pagam tributo, mas o cobram. Pedro pescou esse dinheiro, e assim parte dele foi para o próprio uso de Pedro. Os que trabalham com Cristo na conquista de almas participarão de sua honra.

“Dá-os por mim e por ti.” O que Cristo pagou por si mesmo foi tratado como uma dívida. O que ele pagou por Pedro foi um favor, um ato de bondade. É algo bom, quando Deus permite, ter bens materiais em medida suficiente não só para agir com justiça, mas também com generosidade. Assim, podemos ser bondosos com os amigos e ainda exercer caridade para com os pobres. Para que serve um grande patrimônio, senão para dar a alguém mais oportunidades de fazer o bem?

Por fim, percebe-se que o evangelista registra as instruções que Cristo deu a Pedro, a autorização para aquela ação. O resultado em si não é descrito em detalhes, mas é claramente pressuposto, e com razão. Com Cristo, falar e fazer andam juntos; sua palavra e sua ação são uma só coisa.

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