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Mateus 17:14 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E, quando chegaram à multidão, aproximou-se-lhe um homem, pondo-se de joelhos diante dele, e dizendo: "

Mateus 17:14

menu_book Versículo no contexto

12 Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem.

13 Então entenderam os discípulos que lhes falara de João o Batista.

14 E, quando chegaram à multidão, aproximou-se-lhe um homem, pondo-se de joelhos diante dele, e dizendo:

15 Senhor, tem misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água;

16 E trouxe-o aos teus discípulos; e não puderam curá-lo.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos a cura milagrosa de um menino aflito por um demônio e que sofria convulsões. Primeiro, repare no quadro triste que o pai apresenta a Cristo. Isto acontece logo depois de Jesus descer do monte onde foi transfigurado. A glória de Cristo não o fez esquecer as pessoas, nem suas necessidades e sofrimentos. Depois de falar com Moisés e Elias, ele desceu com a mesma disposição de antes, pronto para acolher os pobres, os necessitados e a multidão ao seu redor.

O pai vem com urgência. Ele se ajoelha diante de Jesus, o que mostra a profundidade da sua necessidade. A dor real muitas vezes leva as pessoas de joelhos ao chão. Os que sabem que precisam de Cristo vêm a ele com sinceridade, e ele acolhe esse tipo de súplica. O pai diz duas coisas a respeito de seu filho. Primeiro, ele descreve a miséria do menino: “Senhor, tem misericórdia de meu filho” (Mateus 17:15). Um pai não consegue deixar de sentir a dor de um filho que sofre, porque, de certo modo, os filhos são parte de nós mesmos. Por isso, as aflições dos filhos devem ser levadas a Deus em oração fiel e sentida. Se a criança não pode orar por si, como provavelmente era o caso aqui, os pais devem orar com mais insistência ainda. Os pais devem sentir fortemente esse dever para com filhos fracos, que não conseguem orar, e ainda mais para com filhos pecadores, que se recusam a orar.

A condição do menino era muito triste. Ele era epilético e padecia terrivelmente. Trata‑se de um distúrbio que atinge o cérebro e costuma vir em ataques repetidos. Com a permissão de Deus, o diabo ou causou essa enfermidade, ou se aproveitou dela para intensificar o sofrimento. O menino provavelmente tinha convulsões, e a mão de Satanás estava nisso, tornando a doença muito mais dolorosa do que seria normalmente. Quando Satanás ganha domínio, costuma usar enfermidades do corpo que perturbam a mente, porque seu alvo principal é a alma. O pai fala do efeito e diz que o filho é epilético, mas Cristo tratará da causa, repreendendo o demônio. Assim ele age também na cura espiritual.

Os efeitos eram terríveis. O menino muitas vezes caía no fogo e na água. Se a doença o fazia cair, a maldade do diabo o fazia cair em lugares perigosos. Esse é o mal de Satanás onde quer que ele obtenha poder sobre uma alma. Ele procura destruir, como diz (1 Pedro 5:8).

O pai também fala de sua decepção com os discípulos. “E trouxe-o aos teus discípulos, e não puderam curá-lo” (Mateus 17:16). Jesus tinha dado aos discípulos poder para expulsar demônios (Mateus 10:1, Mateus 10:8), e eles já tinham tido êxito antes (Lucas 10:17). Mas aqui falharam, embora nove deles estivessem presentes e uma grande multidão estivesse observando. Cristo permitiu isso por motivos sábios. Isso humilhou os discípulos e lhes mostrou que dependiam dele. Também deu a Cristo a honra de socorrer quando toda ajuda humana já tinha falhado. O bordão de Eliseu na mão de Geazi não pôde ressuscitar o menino; o próprio Eliseu teve de ir. Do mesmo modo, Cristo às vezes impede que instrumentos humanos tenham sucesso para que as pessoas recorram a ele, a fonte da vida e da ajuda. O fracasso dos instrumentos não impede a obra da sua graça. Se ele não age por meio deles, ainda assim pode agir sem eles.

Então Jesus primeiro repreende o povo, e depois o demônio. Ele diz: “Ó geração incrédula e perversa” (Mateus 17:17). Essas palavras não tinham como alvo apenas os discípulos, mas a multidão, e provavelmente em especial os escribas mencionados em (Marcos 9:14). Eles parecem ter zombado dos discípulos por terem encontrado um caso acima do seu poder. O próprio Cristo não pôde fazer muitos milagres entre pessoas dominadas pela incredulidade. Aqui, a falta de fé do povo os impediu de receber bênçãos que, de outra forma, poderiam ter recebido. Do mesmo modo, a fé fraca dos discípulos os impediu de fazer o que, de outro modo, poderiam ter feito para Deus. Pessoas sem fé logo se tornam tortuosas em seus caminhos, e essa torção é o pecado em sua pior forma. A fé concorda com Deus, enquanto a incredulidade resiste e discute contra ele. Israel foi rebelde por falta de fé (Salmo 95:9), e em (Deuteronômio 32:20) Deus diz que neles não havia fé.

Cristo então fala de duas coisas que o entristeciam. Primeiro, fala do tempo que já tinha passado com eles: “Até quando estarei eu convosco?” É como se perguntasse se sempre precisariam de sua presença física e jamais chegariam ao ponto de ser guiados pelos discípulos, depois pelo Espírito, e pela autoridade da missão que receberiam. Será que a criança terá sempre de ser carregada e nunca aprenderá a andar sozinha? Em segundo lugar, fala de quanto tempo já os suportara: “Até quando vos sofrerei?” A incredulidade e a perversão de pessoas que usufruem dos meios de graça entristecem profundamente o Senhor Jesus. Ele já tinha suportado Israel desse modo antigamente (Atos 13:18). Quanto mais tempo Cristo suporta um povo teimoso e incrédulo, mais grave se torna o pecado desse povo aos seus olhos. Ele é Deus, não homem; se fosse apenas humano, não teria suportado tanto, nem por tanto tempo.

Ainda assim, ele cura e restaura o menino. Diz: “Traze-mo aqui”. Embora o povo fosse teimoso e Cristo estivesse indignado, ele ainda se compadece do menino. Cristo pode se irar, mas nunca é cruel. Mesmo em seu desagrado, ele não fecha suas entranhas de misericórdia para os que sofrem. “Traze-mo.” Quando toda outra ajuda falha, ainda somos bem-vindos a ir a Cristo, confiando em seu poder e em sua bondade. Isso também retrata a obra de Cristo como nosso Redentor.

Ele quebra o poder de Satanás. Jesus repreende o demônio com autoridade, e sua palavra vem com força (Mateus 17:18). Cristo derrota Satanás pelo poder da sua palavra, a espada que sai de sua boca (Apocalipse 19:21). Satanás não consegue resistir à repreensão de Cristo, ainda que tenha dominado alguém por muito tempo. Isso consola os que lutam contra inimigos espirituais, porque Cristo já despojou esses poderes de sua força (Colossenses 2:15). O Leão da tribo de Judá vencerá o leão que ruge buscando a quem possa tragar. Ele também cura o sofrimento humano. O menino foi curado na mesma hora, e completamente. Isso anima os pais a levar seus filhos a Cristo, especialmente quando a alma deles está sob o poder de Satanás. Ele é poderoso para curá-los, e tão disposto quanto poderoso. E não só devem levá-los a Cristo em oração, mas também à sua palavra, o meio comum pelo qual as fortalezas de Satanás na alma são derrubadas. As repreensões de Cristo, quando alcançam o coração, destroem ali o poder de Satanás.

A conversa de Cristo com seus discípulos aqui nos traz uma lição proveitosa. Primeiro, eles perguntam por que não tinham conseguido expulsar o demônio naquela ocasião (Mateus 17:19). Eles foram a Jesus em particular. Ministros, que servem a Cristo em público, também precisam de comunhão particular com ele. É ali, em secreto, que podem confessar sua fraqueza, suas falhas e seus erros na obra pública, e perguntar o que saiu errado.

Devemos aproveitar bem o acesso livre que temos a Jesus em particular. Devemos falar com ele com liberdade e seriedade. Devemos também fazer a nós mesmos o mesmo tipo de pergunta que os discípulos fizeram: Por que fomos tão lentos e descuidados naquela ocasião? Por que falhamos tanto naquele dever? Quando o que está errado é identificado, pode ser corrigido.

Em segundo lugar, Cristo lhes dá duas razões para o fracasso. A primeira foi a incredulidade (Mateus 17:20). Quando falou ao pai do menino e à multidão, ele censurou a incredulidade. Quando falou aos discípulos, censurou a deles. A verdade é que ambos os lados tinham suas falhas, mas devemos ficar mais preocupados em ouvir sobre as nossas do que sobre as dos outros. Devemos acusar primeiro a nós mesmos, antes de acusar o próximo.

Quando a pregação da palavra parece menos eficaz do que já foi, o povo costuma culpar os ministros, e os ministros, o povo. Mas é mais apropriado que cada um assuma a própria culpa e diga: “É por minha causa”. Os ministros, ao corrigir outros, precisam aprender a repartir a cada um a porção certa da palavra. Devem também impedir que as pessoas se julguem mutuamente, ensinando todos a julgar a si mesmos: “É por causa da vossa incredulidade”.

Os discípulos tinham fé, mas fraca e pouco operante. Quando a fé fica aquém da força, do vigor e da ação que lhe são próprios, pode com justiça ser chamada incredulidade. Muitos são culpados de incredulidade, embora não sejam descrentes declarados. É por causa da nossa incredulidade que fazemos tão pouco na religião e tantas vezes fracassamos no que é bom.

Nosso Senhor Jesus usou esse momento para mostrar aos discípulos o poder da fé, para que não voltassem a falhar da mesma maneira. Ele disse: se tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, farão maravilhas (Mateus 17:20). Alguns entendem que Ele fala da qualidade do grão de mostarda, porque, quando é esmagado, é forte e ardente. Se a fé é ativa e em crescimento, e não morta, apática ou sem vigor, não haverá derrota como a que acabaram de experimentar. Mas é mais provável que Ele estivesse falando do tamanho: se tivessem apenas um pouquinho de fé verdadeira, como a menor das sementes, fariam maravilhas.

A fé, de modo geral, é confiança firme, aceitação voluntária e dependência segura de tudo o que Deus revelou. Aqui, a fé em foco é a fé numa promessa especial: aquela pela qual Cristo concedeu aos discípulos poder para operar milagres em seu nome, para confirmar o ensino que anunciavam. O que faltou neles foi confiança nessa promessa. Talvez duvidassem se sua comissão ainda estava valendo, ou temessem que tivesse terminado com a primeira missão e não continuasse agora que estavam de volta junto ao seu Mestre. Ou talvez pensassem que, de algum modo, haviam perdido esse poder ou tinham sido privados dele.

Talvez a ausência de Cristo, levando consigo os três principais discípulos, e a proibição de que os outros o seguissem, tenha feito surgir a dúvida se ainda possuíam esse poder, ou se o poder do Senhor ainda acompanhava o seu ministério. De qualquer forma, naquele momento eles não se apoiavam na promessa da presença de Cristo com a firmeza devida. É bom desconfiar de nós mesmos e de nossa própria força, mas Cristo se desagrada quando desconfiamos de qualquer poder que venha dele ou que seja concedido por Ele.

Se alguém possui ainda que pouco dessa fé, mas com sinceridade, confiando de verdade no poder que lhe foi dado, poderá dizer a este monte: “Move-te.” Essa é uma maneira de falar que significa apenas o que se segue: “Nada vos será impossível.” Eles haviam recebido plena comissão para expulsar demônios sem exceção, mas esse demônio era extraordinariamente feroz e resistente. Eles desacreditaram do poder que haviam recebido e, por isso, fracassaram. Para deixar isso claro, Cristo lhes mostrou o que poderiam ter feito. A fé ativa remove montanhas, não pela sua própria força, mas pelo poder de Deus, ao qual a fé se apega por meio da promessa divina.

A segunda razão do fracasso foi que a própria enfermidade tornava a cura mais difícil que o comum (Mateus 17:21): “Esta casta não se expulsa senão pela oração e pelo jejum.” Esse tipo de possessão, que produzia algo como crises convulsivas, ou esse tipo de demônio, tão violento, em geral não é expulso senão por grandes atos de devoção, e era justamente nisso que os discípulos estavam em falta. Alguns inimigos espirituais são mais fortes do que outros, ainda que todos sejam principados e potestades.

A força incomum de Satanás não deve enfraquecer a fé. Deve, antes, levar-nos a agir com maior empenho e a suplicar com mais fervor o aumento da fé. Alguns entendem o versículo assim: esse tipo de fé, a fé que remove montanhas, não vem de Deus em sua plenitude, nem cresce até atingir toda a sua força, nem entra plenamente em ação, senão por meio de oração fervorosa.

O jejum e a oração são meios apropriados para derrubar o poder de Satanás contra nós e para atrair o socorro de Deus. O jejum aguça a oração. Ele expressa humildade, que é necessária em toda oração. Além disso, ajuda a enfraquecer hábitos pecaminosos e prepara o corpo para servir à alma no exercício da oração. Quando o domínio do diabo sobre a alma é fortalecido pela condição do corpo, o jejum precisa acompanhar a oração, para que o corpo seja mantido sob disciplina.

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