Números 15 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Números 15 na sua vida hoje

39 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Números 15?

Números 12 narra a rebelião de Miriã e Arão contra Moisés, motivada por inveja e crítica à sua liderança por causa de sua esposa etíope. O Senhor intervém diretamente, defende Moisés como Seu servo fiel e deixa clara a singularidade da forma como fala com ele. Como disciplina, Miriã é ferida com lepra e afastada do arraial por sete dias, enquanto Moisés intercede por ela. Ao final do período de purificação, o povo retoma a jornada em direção ao deserto de Parã.

Temas principais em Números 15

Inveja e contestação da liderança (versículos Números 12:1-2)

Miriã e Arão questionam a autoridade de Moisés e tentam igualar-se a ele, revelando inveja e insatisfação com o lugar que Deus lhes deu. A crítica não é apenas sobre o casamento de Moisés, mas sobre quem Deus escolheu para liderar.

Versículos-chave: 1, 2

A mansidão de Moisés (versículos Números 12:3)

Moisés é descrito como extremamente manso, mais do que todos os homens da terra. Essa característica contrasta com a atitude de Miriã e Arão e mostra como Deus valoriza um coração humilde diante de críticas e injustiças.

Versículos-chave: 3

Deus defende seus servos (versículos Números 12:4-9)

O próprio Senhor chama os três à tenda, explica a diferença entre a forma comum de revelação profética e Sua comunicação exclusiva com Moisés, e repreende severamente o atrevimento de falar contra seu servo.

Versículos-chave: 6, 7, 8

Disciplina divina e misericórdia (versículos Números 12:10-15)

Miriã é ferida com lepra como disciplina, mas a intercessão de Moisés e a resposta de Deus mostram que a correção vem acompanhada de limite, restauração e reintegração à comunidade.

Versículos-chave: 10, 13, 14, 15

Intercessão e cuidado comunitário (versículos Números 12:11-16)

Arão reconhece o pecado, Moisés intercede com súplica simples e intensa, e todo o povo espera Miriã ser restaurada antes de prosseguir na jornada, revelando um senso de corpo e solidariedade.

Versículos-chave: 11, 13, 15

Contexto histórico e literario

Números 12 se passa durante a peregrinação de Israel pelo deserto, após a saída do Egito e antes da entrada em Canaã. O povo já estava organizado em tribos ao redor do tabernáculo, com funções definidas: Moisés como líder principal, Arão como sumo sacerdote e Miriã reconhecida como profetisa em outro momento da história de Israel.

A acusação contra Moisés envolve seu casamento com uma mulher cusita, provavelmente de origem etíope ou da região da Núbia, ao sul do Egito. Essa menção mostra a presença de povos diversos misturados à comunidade de Israel desde o êxodo.

Profetas, em Israel, recebiam revelações por sonhos e visões, mas aqui Deus ressalta que com Moisés Sua comunicação era mais direta: “boca a boca”, sem enigmas. Esse destaque acontece em um contexto onde a autoridade de Moisés começa a ser contestada em diferentes momentos da peregrinação (como em Números 11 e 16). A lepra, além de doença física, tinha implicações sociais e religiosas, exigindo afastamento do arraial até a purificação, conforme a Lei.

Estrutura de Números 15

O capítulo apresenta uma narrativa curta e coesa, com tensão, intervenção divina e resolução:

  1. Introdução do conflito (vv. 1-2)

    • Miriã e Arão falam contra Moisés por causa da mulher cusita.
    • A crítica se amplia para a esfera espiritual: questionam se Deus fala somente por meio de Moisés.
  2. Comentário sobre o caráter de Moisés (v. 3)

    • Nota editorial que destaca a mansidão de Moisés, preparando o leitor para compreender sua postura e a defesa que Deus fará dele.
  3. Convocação divina e teofania (vv. 4-5)

    • Deus chama Moisés, Arão e Miriã à tenda da congregação.
    • O Senhor desce na coluna de nuvem e chama Arão e Miriã para fora.
  4. Discurso de Deus sobre profecia e singularidade de Moisés (vv. 6-8)

    • Explicação sobre a forma geral de Deus se revelar a profetas.
    • Contraste com a forma única de comunicação com Moisés.
    • Repreensão pelo atrevimento de falar contra o servo de Deus.
  5. Ira de Deus e disciplina sobre Miriã (vv. 9-10)

    • A ira do Senhor se acende e Ele se retira.
    • A nuvem se afasta e Miriã é encontrada leprosa.
  6. Confissão de Arão e intercessão de Moisés (vv. 11-13)

    • Arão admite loucura e pecado.
    • Moisés clama de forma direta pela cura de Miriã.
  7. Resposta de Deus e período de isolamento (vv. 14-15)

    • Deus estabelece um tempo de vergonha e afastamento de sete dias.
    • O povo não parte enquanto Miriã não é recolhida.
  8. Conclusão de transição (v. 16)

    • O povo parte de Hazerote e acampa no deserto de Parã, conectando este episódio à sequência da jornada.

Significado teológico

Números 12 destaca a soberania de Deus na escolha de líderes, a seriedade do pecado de murmuração contra autoridades estabelecidas por Ele e a delicada combinação entre justiça e misericórdia.

A narrativa reforça que a autoridade espiritual não é uma construção humana baseada em status ou parentesco, mas um chamado divino. Ao afirmar que fala com Moisés “boca a boca”, Deus mostra que atribuiu a ele um papel singular no plano de revelação. Questionar isso, movido por inveja ou rivalidade, é, em última instância, questionar o próprio Deus.

O texto também expõe a importância do caráter diante de Deus. A mansidão de Moisés não é fraqueza, mas força sob controle, confiança em Deus em vez de defesa própria. Enquanto Miriã e Arão falam, Moisés se cala; quem o defende é o Senhor.

A disciplina sobre Miriã ilustra que Deus leva o pecado a sério, inclusive entre líderes e pessoas espiritualmente importantes. Ao mesmo tempo, a intercessão de Moisés e a resposta divina com um período limitado de afastamento, seguido de restauração, mostram que a correção tem propósito pedagógico e reconciliador, não destrutivo.

Por fim, o fato de todo o povo esperar por Miriã sugere uma visão comunitária da jornada da fé: o corpo anda junto, sofre junto e espera pela restauração dos que foram feridos ou disciplinados.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo ressoa com temas emocionais profundos: inveja, comparação, injustiça percebida, vergonha pública, arrependimento, culpa e restauração. Miriã e Arão revelam a dor de se sentirem talvez menos valorizados, o que se transforma em crítica e rebelião. Moisés aparece como figura que suporta a injustiça sem retaliar e, mesmo ferido pela crítica, intercede por quem o atacou.

A disciplina de Miriã lembra experiências de humilhação, afastamento social e consequências visíveis do erro. O período de sete dias fora do arraial simboliza tempos em que alguém precisa lidar com as consequências de suas escolhas, mas com um horizonte de retorno. O reconhecimento rápido de Arão e a súplica de Moisés mostram que relações podem ser reparadas quando há confissão, empatia e intercessão.

Para uma leitura terapêutica, o texto traz consolo a quem sofre injustiça, encorajando a confiar na defesa de Deus, e também chama à reflexão aqueles que lutam com inveja e comparação, mostrando que esses sentimentos podem ferir profundamente relações e trazer consequências dolorosas. Ao mesmo tempo, abre espaço para enxergar que a correção divina não é o fim da história, mas um caminho para cura e reintegração.

warning Importante: maus usos comuns

Algumas partes do capítulo podem acender gatilhos emocionais em pessoas sensíveis:

  1. Linguagem de ira divina (v. 9): pode mexer com quem já tem uma imagem de Deus apenas como severo ou punitivo, especialmente em pessoas com histórico de abuso espiritual.

  2. Lepra como disciplina (v. 10): a associação direta entre doença e disciplina pode ser mal interpretada como se todo sofrimento físico fosse castigo, ideia que precisa ser tratada com muito cuidado.

  3. Vergonha e afastamento comunitário (vv. 14-15): o isolamento de Miriã pode reabrir memórias de exclusão, rejeição familiar, bullying ou disciplina humilhante.

  4. Linguagem de vergonha familiar (v. 14): a imagem do pai cuspindo no rosto, culturalmente ligada a desonra, pode ser gatilho para pessoas com histórico de humilhação doméstica.

Leitores em quadro de depressão, ansiedade intensa ou com experiências traumáticas de disciplina religiosa rígida podem precisar de acompanhamento pastoral ou psicológico ao lidar com textos que falam de juízo e correção. É importante reforçar que este episódio é específico, dentro de um contexto histórico de aliança, e que a revelação do caráter de Deus se desenvolve ao longo de toda a Escritura, incluindo o forte testemunho de Seu amor, graça e perdão.

Aplicação prática para hoje

Números 12 oferece vários princípios práticos para a vida cotidiana:

  1. Cuidado com a inveja e a comparação: a crítica de Miriã e Arão não nasce de uma busca sincera por justiça, mas de uma disputa velada por reconhecimento espiritual. A comparação constante corrói relações em famílias, igrejas e ambientes de trabalho.

  2. Respeito pela vocação do outro: Deus escolhe diferentes pessoas para diferentes funções. Reconhecer a graça e o chamado alheio ajuda a evitar rivalidades desnecessárias e fortalece a cooperação.

  3. Valor da mansidão: a postura de Moisés ensina que nem toda acusação precisa ser respondida com defesa própria. Às vezes, a resposta mais sábia é o silêncio confiado, esperando a vindicação que vem de Deus.

  4. Confissão rápida do erro: Arão não tenta se justificar; ele admite loucura e pecado. Em conflitos, assumir responsabilidade abre portas para restauração, enquanto a negação prolonga a ferida.

  5. Intercessão por quem feriu: Moisés ora pela cura de Miriã, mesmo sendo alvo da crítica. Esse espírito de intercessão transforma relacionamentos, aliviando ressentimentos e criando espaço para reconciliação.

  6. Disciplina com finalidade de restauração: o afastamento de Miriã é temporário e seguido de acolhimento. Em contextos familiares e comunitários, a disciplina saudável precisa ter começo, meio, fim e foco em restaurar, não em destruir.

  7. Sensibilidade comunitária: o povo não segue viagem enquanto Miriã não volta. Esse gesto inspira uma cultura em que a caminhada não ignora os feridos, mas ajusta o ritmo para incluir a restauração dos que caíram.

Perguntas frequentes

Por que Miriã e Arão falaram contra Moisés?

O texto menciona a mulher cusita com quem Moisés se casou, mas logo revela que a questão principal era a liderança espiritual. Eles perguntam se o Senhor fala somente por Moisés, sugerindo um desejo de igualar ou questionar a posição que Deus havia dado a ele. A motivação combina insatisfação, comparação e, possivelmente, inveja do destaque de Moisés.

O que significa dizer que Moisés era muito manso?

A mansidão de Moisés indica humildade, autocontrole e confiança em Deus em vez de autopromoção ou defesa agressiva. Não significa passividade, mas a capacidade de liderar sem exaltar a si mesmo, suportar críticas sem explodir e entregar a Deus a tarefa de defendê-lo. Esse traço ajuda a entender por que Deus se agrada tanto de Moisés e o defende pessoalmente.

Por que Deus fala com Moisés de maneira diferente dos outros profetas?

Deus explica que, com profetas em geral, fala por visões e sonhos, mas com Moisés fala “boca a boca”, claramente, sem enigmas. Isso indica uma relação de intimidade e confiança excepcional, conectada à missão única de Moisés como mediador da Lei, líder do êxodo e organizador da vida do povo de Israel. Não diminui outros profetas, mas destaca o papel singular de Moisés naquele momento da história da salvação.

Por que apenas Miriã ficou leprosa, se Arão também pecou?

O texto não explica diretamente, mas alguns detalhes sugerem possibilidades: Miriã é mencionada primeiro, o que pode indicar que liderou a crítica, e a forma verbal inicial pode apontar para sua iniciativa. Além disso, Arão como sumo sacerdote tinha função central no culto; uma lepra nele traria complicações adicionais para o sistema sacerdotal. O foco em Miriã não isenta Arão, mas evidencia de forma mais clara a disciplina aplicada à liderança da murmuração.

Qual o sentido dos sete dias de isolamento de Miriã?

Os sete dias correspondem tanto às normas de purificação ligadas a doenças de pele quanto à ilustração da vergonha e disciplina temporária. Deus usa uma imagem cultural de desonra familiar para dizer que a correção precisa de um tempo definido. O isolamento mostra a seriedade do pecado, mas ser recolhida após sete dias destaca que a disciplina tem limite e objetivo de reintegrar, não banir permanentemente.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Números 12 mostra um conflito dentro de casa, entre irmãos, em torno de alguém que Deus estava usando de forma especial. Há ciúmes, comparação, palavras que ferem e uma grande dor no final. Para quem já sentiu o peso de ser criticado por pessoas próximas, esse capítulo toca fundo. Miriã e Arão falam contra Moisés. Eles não falam com ele, falam dele. Isso revela uma ferida silenciosa: a sensação de que o outro tem mais valor, mais espaço, mais voz. No fundo, é uma dor de reconhecimento. Quando esse tipo de dor não é levada a Deus com sinceridade, ela acaba virando reclamação, julgamento e quebra de confiança. No meio disso, o texto faz uma pequena pausa para dizer que Moisés era muito manso. Ele não se defende, não revida, não joga na cara, não faz um escândalo. E quem entra na história para defendê-lo é o próprio Senhor. Essa cena é um abraço para quem vive tentando se justificar o tempo todo: existe um Deus que vê, escuta e conhece a verdade por trás das acusações. A disciplina sobre Miriã é dura: a lepra, a vergonha, o afastamento. Muitas pessoas se reconhecem nesse lugar, não porque ficaram doentes, mas porque já foram expostas, afastadas, envergonhadas por erros reais. A imagem de Miriã fora do arraial, enquanto todo o povo espera, também carrega consolo. Mesmo afastada, ela não é esquecida. A comunidade não segue viagem sem ela. Arão, ao perceber o que aconteceu, chama Moisés de “senhor meu” e pede que não seja colocado sobre eles aquele pecado. Ele admite que agiram loucamente. Há algo de bonito nessa confissão: quando se olha para o estrago, percebe-se que o orgulho não valeu a pena. E Moisés, ferido, responde com intercessão: “Ó Deus, rogo-te que a cures.” Essa frase é um alívio. Mostra que é possível sentir dor e, ainda assim, desejar restauração para quem errou com a gente. O período de sete dias de vergonha e espera também tem fim. Depois desse tempo, Miriã é recolhida, volta para o meio do povo, e a caminhada continua. Quem hoje se sente longe, envergonhado ou marcado por erros encontra nesse capítulo um sinal de esperança: Deus pode usar até mesmos os nossos tropeços para tratar o coração, curar relações e recomeçar a caminhada em comunidade.

Mind
Mente

Números 12 apresenta uma narrativa densa em termos teológicos e literários, mesmo sendo um capítulo curto. A estrutura mostra um movimento claro: acusação humana, avaliação divina, disciplina e restauração parcial. O motivo inicial é descrito como “a mulher cusita” com quem Moisés havia se casado. A expressão remete à região de Cuxe, associada, em geral, ao sul do Egito, o que sugere uma mulher estrangeira de pele escura, embora os detalhes não sejam explicitados pelo texto. A menção pode ter sido um pretexto étnico ou cultural para encobrir a real questão: a disputa por autoridade espiritual. Essa leitura se apoia na mudança rápida de foco em 12:2, quando Miriã e Arão passam a questionar se Deus fala somente por Moisés. O versículo 3 aparece como um comentário editorial, ressaltando a mansidão de Moisés. Essa inserção serve à narrativa como um contraste entre o coração do líder e o espírito da crítica. Em termos de composição, funciona como um lembrete ao leitor sobre a legitimidade moral da liderança de Moisés. Nos versículos 6–8, Deus faz um importante esclarecimento sobre os modos de revelação. Ele distingue a revelação comum, por sonhos e visões, da forma extraordinária de comunicação com Moisés: “boca a boca”, claramente, não por enigmas. A expressão sugere uma proximidade singular e uma missão específica de Moisés como mediador da Torá. Ao afirmar que Moisés “vê a semelhança do Senhor”, o texto aponta para uma experiência profunda de revelação, mas ainda assim distinta de ver a essência de Deus em plenitude, algo que a própria Escritura reconhece como impossível no estado humano atual. A pergunta retórica de Deus em 12:8 — “por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo?” — mostra que criticar Moisés, no contexto em que ele age como porta-voz autorizado de Deus, é uma afronta à própria escolha divina. Isso não significa que líderes humanos sejam infalíveis, mas ressalta que, naquele momento, a contestação de Miriã e Arão não nasce de critérios objetivos de justiça, e sim de rivalidade espiritual. Um dado interessante é que apenas Miriã é atingida pela lepra. Ela é mencionada primeiro no versículo 1, o que pode indicar que foi a principal instigadora do conflito. Alguns intérpretes notam que o verbo “falaram” está no feminino, o que reforçaria a liderança de Miriã na murmuração. Além disso, o papel de Arão como sumo sacerdote, se fosse interrompido por uma impureza prolongada, traria sérios impactos para o culto, o que pode explicar, no plano narrativo, a ênfase sobre Miriã. A lepra, no contexto de Israel, não se limita a uma doença específica, mas a um conjunto de condições de pele que tornavam a pessoa ritualmente impura. A consequência principal era social e cultual: afastamento do arraial e impossibilidade de participar do culto e da vida comunitária plena. Quando Deus prescreve sete dias de isolamento para Miriã, Ele une disciplina moral com normas de pureza ritual, sublinhando tanto a seriedade do pecado quanto a possibilidade de retorno. Por fim, o fato de o povo não partir até que Miriã fosse recolhida mostra que, ainda que a narrativa esteja centrada em líderes, a comunidade inteira é afetada. A jornada do povo de Deus não é apenas uma soma de trajetórias individuais: a disciplina de um líder, a restauração de um membro influente e a integridade da comunidade estão interligadas no enredo bíblico.

Life
Vida

Números 12 toca em temas muito práticos para relacionamentos, trabalho em equipe e vida em comunidade. A cena começa com uma conversa sobre a escolha de Moisés, mas logo fica claro que o ponto central é o incômodo com a posição que ele ocupa. Isso é comum em famílias, igrejas e ambientes profissionais: alguém não se conforma com o espaço, a função ou o reconhecimento que o outro tem. Miriã e Arão usam um assunto sensível — o casamento com a mulher cusita — como porta de entrada para uma reclamação maior: “Será que o Senhor fala só por Moisés?” Essa dinâmica se repete quando, em vez de lidar com o incômodo de forma honesta e direta, a pessoa procura motivos laterais para desautorizar quem está à frente. Na prática, isso cria clima de fofoca, divisão e insegurança. O capítulo sugere um caminho mais saudável: reconhecer o lugar que Deus deu a cada um. Miriã tinha seu papel como profetisa, Arão como sacerdote, Moisés como líder principal. Em qualquer equipe, quando cada pessoa entende o próprio chamado e respeita o do outro, a energia que seria gasta em disputa vira cooperação e serviço. A mansidão de Moisés também oferece uma lição prática: ele não entra em guerra de palavras. Não responde à altura, não tenta provar que é maior. Em muitas situações do dia a dia, uma resposta calma e um coração que não precisa vencer toda discussão evitam crises maiores. Mansidão não é ser “mole”, é saber a hora de falar e a hora de deixar Deus conduzir a defesa. Quando a disciplina vem sobre Miriã, Arão reconhece o erro sem rodeios: assume que foi loucura e pecado. Em conflitos familiares ou comunitários, assumir a parcela de responsabilidade, sem desculpas elaboradas, abre espaço para reconstrução da confiança. E a reação de Moisés é igualmente prática: em vez de alimentar ressentimento, ele ora pela cura dela. Isso não anula a necessidade de limites nem ignora o estrago, mas coloca a restauração como objetivo. A espera de sete dias com o povo parado ensina algo sobre ritmo comunitário. Às vezes, decisões ou erros de uma pessoa impactam a todos, e é preciso ajustar o passo: dar tempo para tratamento, recuperação emocional, resolução de conflitos. Uma comunidade saudável não finge que nada aconteceu, mas também não abandona quem está em processo de correção. No cotidiano, esse capítulo se desdobra em atitudes concretas: evitar conversas que desautorizem o outro por inveja, praticar feedback direto e respeitoso, apoiar a pessoa que está sendo corrigida em vez de marcá-la para sempre, e aprender a interceder pelos que erram, buscando restauração ao invés de vingança ou cancelamento definitivo.

Soul
Alma

Números 12 abre uma janela para processos espirituais que correm por baixo de conflitos visíveis. O que começa como um comentário sobre o casamento de Moisés desvela algo mais profundo: a luta do coração humano com o lugar que Deus dá a cada um e com o modo como Ele escolhe agir. No centro do capítulo está a frase: “Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa.” Deus expõe Sua própria avaliação. Enquanto Miriã e Arão enxergam um irmão com privilégios, Deus vê um servo fiel, com quem fala de maneira íntima. A vida espiritual, aqui, é mostrada como uma realidade que nem sempre corresponde às aparências humanas. Há uma dimensão da caminhada com Deus que só Ele vê, reconhece e recompensa. A pergunta de Deus — “por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo?” — toca em algo essencial: o temor do Senhor. A falta de temor não é apenas falta de respeito humano por Moisés, mas perda da consciência de que, ao tratar com o chamado de alguém, tratam com o próprio Deus que chamou. O temor do Senhor, nesse sentido, é uma postura interior que reconhece a soberania de Deus na distribuição de dons, funções e caminhos. A figura de Moisés como homem manso e intercessor antecipa, em pequena escala, a ideia de um mediador que suporta ofensas e ainda assim intercede pelos ofensores. Ele se aproxima do modelo de servo que aponta para a forma como Deus mesmo haveria de lidar com a rebeldia humana: respondendo à acusação com o dom da intercessão. A disciplina de Miriã, com lepra e vergonha, também tem um significado espiritual. O pecado que nasce da inveja e da ambição espiritual não é leve: ele contamina, afasta, quebra comunhão. O isolamento fora do arraial ilustra a desconexão que o pecado causa em relação à presença de Deus e à comunidade. Mas o limite estabelecido — sete dias — e o retorno de Miriã indicam que a correção de Deus, quando recebida, abre caminho para restauração. A disciplina não é mera punição; é um instrumento na formação do interior, para que o coração aprenda humildade e temor. O povo parado, esperando Miriã voltar, sugere uma espiritualidade que não se entende à parte do corpo. A jornada rumo à terra prometida não é só geográfica; é uma peregrinação espiritual em que o crescimento de um, a queda de outro e a disciplina de um líder afetam todo o conjunto. A maturidade espiritual inclui a disposição de esperar, de interceder e de acolher de novo quem passou por um tempo de correção. Assim, Números 12 convida a uma revisão silenciosa do próprio coração: onde há inveja do chamado alheio, resistência à forma como Deus escolhe usar pessoas diferentes, ou perda do temor do Senhor? Ao mesmo tempo, encoraja a confiar que Deus vê tanto a mansidão não reconhecida quanto o arrependimento sincero. No horizonte espiritual desse capítulo, disciplina e misericórdia caminham juntas, conduzindo o povo de Deus a uma comunhão mais limpa, humilde e alinhada com a vontade do Senhor.

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Versículos em Números 15

Números 15:2

" Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão. "

Mateus 15:2 mostra que os fariseus valorizavam mais tradições humanas do que o que Deus realmente pede. Jesus revela que lavar as mãos, nesse contexto, …

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Números 15:3

" Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós, também, o mandamento de Deus pela vossa tradição? "

Números 15:4

" Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá. "

Números 15:5

" Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe, "

Números 15:8

" Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. "

Mateus 15:8 mostra que Deus rejeita uma fé só de aparência, em que alguém fala bonito sobre Ele, mas vive sem obedecer. Aplica-se, por exemplo, …

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Números 15:12

" Então, acercando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram? "

Números 15:13

" Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada. "

Mateus 15:13 mostra que tudo o que não vem de Deus, por mais religioso ou bonito que pareça, não permanece. Jesus denuncia ensinos e atitudes …

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Números 15:17

" Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? "

Mateus 15:17 mostra que Jesus explica que o problema espiritual não está na comida em si, pois o que entra pela boca é eliminado pelo …

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Números 15:19

" Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. "

Números 15:22

" E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. "

Números 15:23

" Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. "

Números 15:28

" Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã. "

Números 15:30

" E veio ter com ele grandes multidões, que traziam coxos, cegos, mudos, aleijados, e outros muitos, e os puseram aos pés de Jesus, e ele os sarou, "

Números 15:31

" De tal sorte, que a multidão se maravilhou vendo os mudos a falar, os aleijados sãos, os coxos a andar, e os cegos a ver; e glorificava o Deus de Israel. "

Números 15:32

" E Jesus, chamando os seus discípulos, disse: Tenho compaixão da multidão, porque já está comigo há três dias, e não tem o que comer; e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho. "

Números 15:36

" E, tomando os sete pães e os peixes, e dando graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos, e os discípulos à multidão. "

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